No fim de contas, a decisão da S&P de colocar em perspectiva negativa o rating de todos os países da zona euro ao mesmo tempo tem sentido e revela grande argúcia. Os comentários citados no post anterior em relação a Portugal são idênticos aos que foram produzidos por aquela agência em relação a cada um dos outros países da zona euro. Senão vejamos:
- A S&P antecipou-se às concorrentes Moody´s e Fitch.
- Coloca em evidência um problema sistémico de governação de uma zona monetária que atinge todos e cada um dos seus membros, mais do que problemas específicos de cada país. O que põe em causa é a capacidade dessa zona monetária de tomar decisões, rapidamente e correctamente, para assegurar a sua sobrevivência.
- Assegura a paridade (por enquanto) entre a Alemanha e a França.
- Acautela os interesses dos detentores de dívida dos países que foram avaliados; os ratings não servem para outra coisa: medir risco de crédito; e esse risco aumenta com as sucessivas provas de incapacidade de decisão.
- Precede de alguns dias uma cimeira onde se podem finalmente remover essas preocupações, isto é, pressiona os decisores a agir num sentido favoravel aos credores e, portanto, se assim for poderá permitir a eliminação dessa perspectiva negativa.
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