Domingo, Novembro 22, 2009

Religiões



É inegável que um dos objectivos da religião é o de dar um sentido àquilo a que não conseguimos responder racionalmente. Há todo um conjunto de aspectos da vida humana que permanecem sem resposta e que a nossa razão não entende. Deste modo, através da crença numa religião e nos seus pressupostos, assumimos que há um mistério existencial cuja única resposta é encontrada através da fé. Mesmo assim, na mesma fé, diferentes pessoas encontram diferentes respostas e diferentes níveis de satisfação através dessas respostas.

Por outras palavras, a religião é uma parte integrante e indispensável da existência humana, seja por acreditarmos nela, seja por a questionarmos ou mesmo por a recusarmos. Qualquer que seja a nossa perspectiva relativamente à experiência religiosa, esta existe e sem ela não é possível compreender o fenómeno humano em toda a sua complexidade e subjectividade.

Sábado, Novembro 21, 2009

Tribunal de Contas - um bom exemplo

O Tribunal de Contas recusou o "Visto" a 3 concessões de auto-estradas que tinham sido assinadas entre empresas privadas e a Estradas de Portugal (EP), concessionária do Governo para a gestão do sistema rodoviário nacional, com grande pompa e circunstância entre o final de 2008 e o princípio deste ano: Transmontana, Douro Interior e Baixo Alentejo. Outras se encontram em análise pelo Tribunal e tudo indica que o veredicto possa vir a ser o mesmo. Os argumentos principais para o "chumbo" são: a não existência de estudos que comprovem que o modelo de adjudicação sob a forma de PPP (Parceria público-privada) seja o mais vantajoso sob o ponto de vista dos interesses dos contribuintes (chamado "comparador público"), o que é um requisito do Regime Júridico das PPP; o não respeito de uma das regras fundamentais do concurso que estabelece que o valor actualizado líquido dos pagamentos de disponibilidade a efectuar pela EP não pode aumentar durante a fase de negociações, em relação aos valores inicialmente propostos pelos concorrentes. Estes argumentos (sobretudo, o primeiro) são demolidores e põem em causa o programa de grandes obras públicas que tinha sido lançado pelo Governo em regime de PPP. A EP já apelou da decisão do Tribunal de Contas e o processo pode arrastar-se até se chegar ao Tribunal Constitucional, última instância que poderá vir a decidir estes casos. Entretanto, as obras em curso podem vir a parar e as sub-concessionárias poderão pedir indemnizações à EP pelos danos e perdas daí resultantes. Isto é, como dizem eminentes especialistas de Direito Administrativo, o impasse, coroado pela confirmação da recusa do "Visto", pode vir a custar muito mais ao país do que as situações pelas quais o dito "Visto" foi recusado.

Seja como for, em tudo isto há um aspecto muito positivo que gostaria de sublinhar: a imparcialidade e independência do Tribunal de Contas em relação ao Governo e a quaisquer entidades privadas, o que, nos tempos que correm de insanidade moral e de perdição do Estado de Direito, representa um bom sinal e um bom augúrio.

Julie & Julia




Um excelente filme! Bem disposto, real (não só porque é baseado em histórias verídicas, mas porque não mostra heroínas ou heróis, apenas mulheres e homens com defeitos e virtudes), e muito, muito apetitoso! :)

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

E já que se fala em crianças...




(E ainda há tanto por fazer...)

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Uma boa notícia para quem está habituado a receber más...


A Associação Acreditar tem agora uma Casa em Coimbra. Ainda bem que nesta cidade passa a existir um apoio às famílias que aqui têm de passar meses (e, às vezes, anos) para lutar pela saúde e pela vida dos seus filhos.

Folgo em saber que o projecto se realizou e que passou a haver mais recursos e condições na luta contra o cancro infantil!

A Casa de Coimbra tem capacidade para acolher 20 famílias em simultâneo, crianças com cancro, mas também com outras patologias, assim seja necessário. «Vista de fora não é mais do que uma casa», um conjunto harmonioso de divisões, servido de todos os equipamentos necessários, disse o presidente da direcção da Acreditar, João Bragança. No entanto, é muito mais do que isso. Para as crianças doentes e seus familiares, esta será «uma casa longe de casa».

O responsável da instituição sublinhou a partilha dos pais, com preocupações idênticas, o acolhimento e o apoio para que a esperança nunca os abandone. Lembrando o nascimento da Acreditar, há 16 anos, fruto da iniciativa de um grupo de pais, João Bragança falou das actividades desenvolvidas, não só através das casas que já têm – Lisboa, Funchal e agora Coimbra – mas também o apoio financeiro e alimentar prestado às famílias, a angariação de fundos, os campos de férias, a presença em congressos ou as publicações realizadas.


«No fundo do nosso coração reside a esperança de que um dia assinaremos a declaração de cessação de actividade da Acreditar, atirando a oncologia pediátrica para o baú das doenças extintas», disse, acrescentado que, até que esse dia chegue, a instituição «estará na linha da frente de tudo o que for importante para as nossas crianças».

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

(Re)Aprendizagens


… O sorriso daquele fabuloso ser que admira o mundo com o olhar da novidade…

… O sorriso de quem toca o frio e o quente do vento, do sol, da lua, das árvores, das estrelas, dos outros seres, com arrepios de cócegas em cada poro da sua pele…

…O sorriso de quem abre o paladar ao sabor da alegria e da expectativa, ao doce e ao amargo, ao curto passado e ao aparente infinito futuro…

…O sorriso de quem escuta a música da vida, a sinfonia da cidade, a balada do campo, a serenata da praia, com ouvidos atentos e desejosos de mais, mais e mais…

… O sorriso de quem inala o odor incomparável do universo e de todos os mistérios que ele encerra, um odor que seduz porque desconhecido e misterioso…

É esse o sorriso que abraça o mundo… O sorriso que brota dos lábios pequeninos e curiosos das miniaturas dos adultos, que são tanto mais (mas tanto mais) que apenas miniaturas de adultos. É o sorriso dos seres mais sábios que podemos conhecer, os seres com quem mais podemos aprender neste universo.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Falando do Natal antes do Advento...


Antes, as luzes de Natal acesas no mês de Novembro irritavam-me... Não percebia porque raio se exibiam as decorações natalícias antes do período do Advento (1 de Dezembro), quando era suposto!

Agora já tolero. E tolero porque a cada ano que passa percebo que o Natal já não é a celebração do nascimento de Cristo, nem as preparações para o mesmo começam aquando do Advento.

Porque agora já não há cá "Meninos Jesuses", nem Anjinhos, nem Presépios, nem Missas do Galo, nem Ouros, nem Incensos, nem Mirras, nem nada disso.

Agora o que há é o Pai Natal, a Popota, a Leopoldina, as Rainhas Magas das Amoreiras e os efeitos decorativos do Dolce Vita e do Fórum. O Advento não é definido pelo calendário cristão, mas sim pelo calendário comercial e publicitário. Agora não se celebra o nascimento de profeta nenhum, celebram-se as prendas.

O Natal está a ficar profano... E atenção que não sei se isso é bom ou mau...

Haja festa, haja reuniões familiares e troca de presentes nas últimas semanas do ano, sim senhor... Mas se calhar não lhe deviam chamar Natal...

Digo eu.

Domingo, Novembro 15, 2009

Ao domingo no supermercado

Naquele supermercado há para aí umas 10 caixas. Chego com o carrinho cheio de compras e fico surpreendido com a fila em frente a uma delas. Nas outras, estão empregadas a bater com as unhas no balcão, sem fregueses para atender. A razão de tal desequilíbrio é a moça de cor café com leite, sorriso bonito, lábios carnudos e simpatia tropical. Os clientes, quase todos sózinhos, do sexo masculino, vão passando com grandes conversas de circunstância, como se pagar as compras fosse o menos, tentando não passar depressa demais o multibanco pela ranhura da maquineta. Os que se seguem condescendem com essa fartura de conversa porque a vez deles não tarda e, entretanto, podem regalar-se com o rosto achocolatado da rapariga da caixa. Falam do tempo, da conveniência das novas horas de abertura do estabelecimento, das promoções dos sabonetes ou do pó para a máquina. Um homem de uns 60 anos chega ao arrojo de dizer que não há problema em se demorar um pouco mais porque não tem nada para fazer e a companhia é tão jovial... O piropo parece-me um bocado excessivo. E eu, na caixa ao lado, vou-me embora num ápice, cheio da eficácia da empregada pálida de meia-idade que me atendeu sem mais conversa e aturdido pelo valor da beleza e pelas carências dos meus semelhantes, consumidores de supermercado numa manhã de domingo de Inverno, frio e chuvoso.

Sábado, Novembro 14, 2009

A lição de Coimbra

Cliquem no título e vejam os três videos.

Alice no País das Maravilhas



Tal como a outra Alice, também eu me tenho sentido um pouco confusa neste país (que não é das Maravilhas), com as suas contradições, idiossincrasias e particularidades...

O Lewis Carrol não estava muito longe de ilustrar o que vai na mente desta Alice de cá perante o país esquisito em que descobriu que vive...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Os Dantas

Viremo-nos para qualquer lado e a sensação é a de que o país está paralisado no meio da minoria ardilosa que nos governa, dos grandes interesses que estrebucham, dos escândalos que irrompem como cogumelos, dos projectos (grandes e pequenos) que enfrentam os mais inverosímeis obstáculos, da mediocridade orgulhosa e obediente, dos discursos de gente instalada com a goela cheia de minudências, dos grupos de boas causas que aproveitam o desnorte para exercer magistérios de influência duvidosa. O país torna-se cada vez mais uma anedota ou uma impossibilidade desmentida heroicamente por gente anónima que não pode desistir sob o peso da sobrevivência. Portugal faz-se dessa gente, resistindo à incompetência da classe dirigente e à falta de consensos básicos em relação ao destino da Nação. Dá vontade de ser estrangeiro... à falta de um novo Anti-Dantas.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

No dia em que se comemoram 20 anos sobre a Queda do Muro...








...deixo aqui algumas fotografias da mágica cidade de Berlim, uma das viagens que mais me marcaram...

Domingo, Novembro 08, 2009

O mais recente filme de Sam Mendes

Uma história de amor, bonita, no meio de mais uma descrição impiedosa da sociedade norte-americana pelo realizador Sam Mendes. As viagens sucessivas de um jovem casal, à espera de um filho, levam-nos a tomar o seu próprio caminho, depois de testemunharem os dramas, as taras e as manias de colegas, amigos e familiares dispersos pela imensidão da América. Um filme onde a raiz dos sentimentos supera todas as geografias. Um filme simples em que o amor e a autenticidade são as chaves para ultrapassar os estéreotipos de um sistema doente. Clicar no título.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

De vez em quando até me sinto orgulhosa....


A Universidade de Coimbra (UC) é a única portuguesa representada no ranking do Centro de Desenvolvimento Universitário, uma instituição independente alemã, sendo destacada a área da Psicologia.

Segundo um comunicado da UC, o CHE - Excelence Ranking «permite fazer uma comparação das melhores instituições universitárias e centros de investigação na Europa, sendo particularmente dirigido a futuros estudantes de mestrado e doutoramento», noticia a Lusa.

«São pouco mais de 100 instituições de Ensino Superior que oferecem, na Europa, excelentes perspectivas para estudantes de mestrado e de doutoramento e que integram o Grupo de Excelência do CHE»- Excellence Ranking, publicado pelo semanário alemão «Die Zeit».

A directora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), Luísa Morgado, disse que o CHE escolheu avaliar o mestrado integrado em Psicologia ministrado na instituição e que este foi o único avaliado na UC e no país.

Em três critérios do ranking, este mestrado integrado atingiu os níveis de excelência, nomeadamente no número de publicações ou citações e orientações internacionais, na existência do mestrado Erasmus Mundus e na mobilidade do corpo docente e discente, adiantou a responsável.

«É uma grande distinção para a Faculdade figurar num ranking de excelência europeu», afirmou a directora da FPCEUC, referindo que existem 39 cursos de licenciatura e mestrado integrado em Psicologia no país.

«Recentemente, o ranking elaborado pelo jornal, o britânico «The Times», apresentava como único representante do sistema de Ensino Superior português a Universidade de Coimbra, situando-a entre as 400 melhores universidades mundiais e as 200 melhores europeias», concluiu.

In IOL Diário (Encontrado no blog da Ana)

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Normalidade democrática

Poder é poder. Não há só poder político. O poder político estende-se ao poder económico, alimenta-se dele e alimenta-o. Sempre assim foi e sempre assim será. Nada de novo. Trata-se de ingenuidade pensar que o poder eleito pelo povo possa permanecer, casto e beato, imúne aos malandros e gananciosos do poder económico, personagens detestáveis que não olham a meios para atingir os fins. O poder económico serve também de instrumento fundamental do poder político e é isso que dá tanto protagonismo e influência aos detentores do poder económico.

Dito isto, essa fisiológica "promiscuidade" não deve ultrapassar os limites (a) da legalidade e (b) dos interesses colectivos que elegeram o poder político. Se (a) for transgredido, entramos no terreno do crime. E, normalmente, os tribunais punem os infractores. Se (b) for transgredido, entramos no terreno da traição à vontade popular e, pese embora os prejuizos que possam ser provocados no entretanto, essa traição será, normalmente, punida em eleições seguintes. Neste discurso, o diabo está na palavra "normalmente" e é por isso que o nosso país não é normal.

O nosso país está a transformar-se numa anomalia, numa anedota de mau gosto, num quase-México da Europa em que nem a corrupção se manifesta de forma subtil ou profissional como noutros países civilizados. Os corruptos portugueses são mesquinhos e medíocres. Passa pela cabeça de alguém cair na lama por causa de um envelope cheio de notas totalizando a ninharia de 10000 euros? Passa pela cabeça de alguém fazer negócios escuros com um pequeno negociante de sucata cuja facturação (declarada...) não chega aos 50 milhões de euros? Que se façam as coisas em grande, com ambição, na justa proporção entre risco e benefício.

Curiosamente, a crise económica e a necessidade de utilizar o poder económico para a combater vulnerabilizaram o poder político face ao poder económico. É de esperar a multiplicação dos casos perversos de promiscuidade entre ambos, de permissividade dos políticos à insídia dos negociantes para apresentar obra feita, muita e rápida.

Brilhante!


Recebido por e-mail.

Domingo, Novembro 01, 2009

4 ANOS A PICAR



Foi no dia 29, mas ainda assim...

...Parabéns atrasados ao Fantástico Melga!

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Metrosexual

Chamaram-me isto. Porque seria mainstream, rendido ao sistema, parte da sua abóboda. Porque teria aderido ao paradigma dominante. Porque me teria travestido de uma coisa que, até há algum tempo, dizia detestar. Há momentos assim, em que nos pedem que façamos as contas com a nossa identidade e, depois de aturada reflexão, nos achamos bem naquilo em que dizem que nos transformámos. Mas, a vida é feita de mudança e o que é certo hoje torna-se errado amanhã. E quando achamos que, finalmente, temos estabilidade e tranquilidade, caem-nos em cima mais provações e tempestades. Não há essa coisa de paz perene, de longo rio tranquilo. Viver é sobreviver e aceitar com um sorriso nos lábios a fatalidade da luta permanente pela auto-estima e pelo respeito por nós (e pelas nossas contradições) e pelos outros.

País de sucesso

Isto dói.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Cegueiras

Eu li partes substanciais do Antigo Testamento. [Também li vários livros de Saramago, mas ainda não "Caim".] Uma leitura literal da Bíblia leva-nos efectivamente a conclusões violentas: ali encontramos mortes, violações, traições, massacres. Deus e os representantes de Deus na Terra são criaturas pouco angélicas, impondo provas e sacrifícios inimagináveis (o assassinato de filhos...) para demonstrar a fé e a obediência ao Supremo. Mas, a Bíblia é uma imagem, uma metáfora. Não é uma história real dos desígnios divinos. É uma fábula localizada no tempo e no espaço. De resto, se passarmos ao Novo Testamento já encontramos um enredo mais benigno, os bons sentimentos e as boas acções de Deus e dos seus seguidores claramente predominam.

Espantam-me, portanto, as frases provocatórias recentemente proferidas por Saramago que têm apenas a relevância que se lhe quiser dar...

Parece-me que a sua velhice navega no lado mais obscuro e maligno da natureza humana. Mas, com um enorme talento para as metáforas, já tinha descrito de forma impiedosa o lado pior dos seres humanos no "Ensaio sobre a Cegueira". Não precisava de invocar a Biblia.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Serenata à chuva




A Serenata da Latada deste ano foi uma alusão muito pouco glamourosa ao filme "Singin' in the rain" (Serenata à Chuva)...

Pela chuva e pelo vento, que não só tornaram difícil aproveitar ao máximo aquele ambiente académico, como também (suponho que tenha sido por isso) criaram alguns problemas técnicos no som, que só foram resolvidos passado bastante tempo.

E pelo desrespeito de alguns seres que se consideram "estudantes de Coimbra" (visto terem vestido o fato académico) e que não sabem sequer o que significa uma Serenata, uma Latada, a Tradição Coimbrã... Em suma, que desconhecem o significado dos símbolos, que vestem apenas para se embebedarem! Resultado: conversas sobre futebol a alto e bom som enquanto decorre a Serenata, gritos histéricos, assobios, e afins...

Fica de positivo o grande empenho para contornar os problemas e seguir adiante com a Serenata de todos os que a prepararam e nela participaram! Não começou bem, mas prosseguiu e terminou muito bem.

Para todos os efeitos, e apesar das vicissitudes, esta noite marcou o início da minha última Latada enquanto estudante de Coimbra, e a Serenata é sempre um momento que fica para recordar pelo que tem de mágico e especial.


Gato Fedorento + 1



Excelente!

Terça-feira, Outubro 20, 2009

As consequências daquilo a que chamamos "Febre Mediática"...

Domingo, Outubro 18, 2009

A Caixa de Pandora e a esperança que é a última a perder

"Pandora, in Greek mythology, first woman on Earth, created by the god Hephaestus at the request of the god Zeus. Zeus wished to counteract the blessing of fire, which had been stolen from the gods by the Titan Prometheus and given to human beings. Endowed by the gods with every attribute of beauty and goodness, Pandora was sent to Epimetheus, who was happy to have her for his wife, although he had been warned by his brother Prometheus never to accept anything from Zeus. In bestowing their gifts on Pandora, the gods had given her a box, warning her never to open it. Her curiosity finally overcame her, however, and she opened the mysterious box, from which flew innumerable plagues for the body and sorrows for the mind. In terror, she tried to shut the box, but only Hope, the one good thing among many evils the box had contained, remained to comfort humanity in its misfortunes." copiado de MSN Encyclopedia.

Sábado, Outubro 17, 2009

Sou só eu que acho isto um bocado excessivo?!

Ontem, ao sair do Fórum Coimbra depois do cinema (23h30), deparo-me com esta informação à porta da FNAC:

Um pequeno mapa explicativo do modo como as pessoas que o desejem, deverão formar fila durante a noite para aguardarem pela abertura (10h00) da FNAC no dia seguinte para comprarem bilhetes para o concerto dos U2 em Coimbra (recorde-se que o concerto é dia 2 de Outubro de 2010).
Depois desta elucidativa demonstração do que se iria passar nessa noite no parque de estacionamento exterior do Fórum Coimbra, começo a subir para o mesmo, para tirar de lá o meu carro e voltar a casa... Ele era sacos cama, ele era cadeiras de campismo, ele era merendas... Mas ninguém em fila... Tudo junto aos respectivos carros...
Ao que parece, à medida que as pessoas iam chegando, alguém tomava nota da ordem de chegada e atribuía-lhe um número, número esse que determinaria a ordem de compra dos bilhetes para o concerto (máximo de 4 bilhetes por pessoa).
E para evitar que as pessoas recebessem o seu número e fossem descansar ou fazer outra coisa que não "acampar" no parque de estacionamento do fórum, estava prevista uma "chamada" de todos os números de duas em duas horas!
No regresso a casa, passei pelo Coimbra Shopping, à porta do qual essa mesma "chamada" estava a ser feita....
Ao que parece, o ajuntamento não tinha começado àquela hora, mas bem, bem antes...

O fenómeno teve mais impacto na Fnac do Fórum Coimbra, onde a primeira pessoa chegou às 9h00 de quinta-feira. Os admiradores da banda irlandesa juntaram-se na entrada do parque de estacionamento subterrâneo mais próximo da Fnac. A organização entre os fãs é surpreendente. «Quando as pessoas chegam ficam com um número, atribuído por ordem de chegada, e depois fazemos chamadas de duas em duas horas. Para já está tudo a correr bem, porque não são permitidas aldrabices», explicou Pedro Fonseca, o primeiro a chegar.

De duas em duas horas o parque da Fnac enche-se de gente. Ninguém quer deixar de picar o ponto, para não ser excluído da lista. Mas há quem passe a maior parte do tempo nas imediações. (in Diário de Coimbra)

The Soloist


O que dizer deste filme para além de que é de um bonito triste que comove e faz pensar (em nós, no mundo que conhecemos e naquele que desconhecemos)?


A não perder!



Ah...Um recado ali para a academia de Holywood: Pelo menos 2 nomeações para os Óscares, sim? (Primeiro para o SOBERBO Jamie Foxx - não é fácil desempenhar um PAPELÃO daqueles como ele o faz - e depois para o Robert Downey Jr que também está fabuloso!)

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Vaidade e poder

Uma das maiores fraquezas dos poderosos é a vaidade. Esse vício leva-os a cair em armadilhas que podem provocar a sua queda. Acho que tal situação advém da inflação do ego alimentada pelo poder. Essa megalomania deixa-os a pairar acima da realidade, transporta-os para o mundo da ficção, ofusca-lhes a razão. E por vezes pode mesmo levá-los a cair no rídiculo sem que disso se apercebam. História do rei que vai nú...

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Saramago acusa Bento XVI

“Às insolências reaccionárias da Igreja Católica há que responder com a insolência da inteligência viva, no bom sentido, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias pelos presumíveis representantes de Deus na terra, a quem na realidade só interessa o poder” afirmou [José Saramago]. Segundo [ele], interessa pouco à Igreja o destino das almas e o que sempre procurou é o controlo dos seus corpos. “A razão - acrescentou - pode ser uma moral. Usemo-la”.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

As eleições autárquicas


Pois... as eleições autárquicas...

A distribuição de benesses (democráticas...) ao domicílio. O voto em quem distribui bilhetes do Tony Carreira, em quem ajuda os amigos com uns ligeiros entorses da lei que até podem dar 7 anos de cadeia. E tantas, mas mesmo tantas possibilidades de recurso de sentenças "injustas". E a Mariazinha que botou no Sr Doutor porque sim, porque é boa pessoa e fez muito pela gente lá da terra. O jardinzinho onde as crianças brincam aos domingos de sol, tão bonito no dia da inauguração e que mais ninguém rega ou cuida, que vai ficando degradado até parecer um matagal de esperanças efémeras. E a biblioteca toda engalanada que continua às moscas porque a gente gosta mesmo é da bola e do Quim Barreiros. Literatura só se for o "Record" ou a "Maria". E um alvará para construir onde dá jeito, mas onde não se devia. E o meu primo que anda há tanto tempo à procura de emprego, coitado! Fez as Novas Oportunidades a pensar em tornar-se jovem empresário e continua na esplanada do café da terra a beber cerveja sem conta nem termo. E o asilo para velhos onde se vai parar sem apelo nem agravo com a benção do Sr Prior porque, quando se é velho, se dá trabalho a mais para quem continua a fazer pela vida. E a estradinha vistosa, com tapete de alcatrão e tudo, que leva onde dá jeito e que faz valorizar o terreno da malta amiga. Que bela urbanização onde o Sr Eng° anda a fazer uma "bibenda" de se lhe tirar o chapéu! Só a senhora dele é que parece mais decorada e rechonchuda que uma árvore de Natal... sem ser Natal, que Deus Nosso Senhor nos perdoe. E depois as feiras medievais e as festas das tasquinhas onde a gente se regala de chouriços, broa e água-pé. E as chico-espertices para driblar a dívida, manter a água a preço da chuva e tramar o orçamento do Estado. Quem vier por último que feche a porta! Que paguem os ricos. No entretanto, fartámo-nos de fazer rotundas com estátuas que ninguém compreende e de plantar semáforos que ninguém respeita.

Não se queixem do poder local, porra! É aí que se resolvem os problemas e sobretudo que se fabricam os problemas que são nossos, só nossos. Da gente. Não daqueles senhores de Lisboa, ao quentinho, na Assembleia, longe do povo. O poder "de proximidade", como lhe chamam os franceses, esses criadores de belas expressões de lucidez sociológica e de rigor cartesiano. Inventaram também, para além do queijo camembert, o adjectivo "cidadão".´É muito ou pouco "cidadão" participar na política do nosso município? Claro que é muito. É muitíssimo! É aí que o comum dos mortais pode exercer alguma influência, participando nas listas de candidatos à Junta ou à Câmara. Indo às assembleias municipais queixar-se da cor dos esgotos que correm a céu aberto ou dos suspeitos sinais exteriores de riqueza do vereador. O gajo apareceu de repente com um grande Mercedes e conhecem-se-lhe amantes como as contas de um rosário da Senhora de Fátima. Aquilo não vem só do ordenado da Câmara, apesar de já lá estar há uma porrada de anos. Sabe Deus... Fala-se em dinheiro das obras por baixo da mesa, em droga. Até em putas... O Senhor nos proteja que a democracia está entregue ao diabo. Mas, é bonito de ver o nosso Presidente ao domingo, antes do almoço na casa dos sogros, a passear na praça e a distribuir cumprimentos e confidências entre os caríssimos munícipes e a prometer empregos à rapaziada e subsídios aos pobrezinhos. E o "Correio da Manhã" debaixo do braço dá-lhe outra gravidade. E o vereador do lixo a controlar metodicamente a capacidade dos respectivos contentores e a pôr autocolantes a apelar ao civismo. E o vereador da cultura a organizar a quermesse da festa do Senhor dos Milagres, na qual participará o grupo de rock da rapaziada lá da terra e, dependendo do orçamento, algo mais, de preferência picante, para levantar o moral. Sim, porque com tanto desemprego por aí a maralha anda de cabisbaixo. A Carla Vanessa, filha do Manuel da mercearia, fez o canudo em Turismo & Hotelaria na Universidade do Carregal. Andava por aí aos caídos e agora é vê-la toda mimosa nos cartazes colados pelos muros do concelho como candidata à Câmara. Agarra um tacho pelo seguro. Ou pelo menos pretendentes de peso. Porque uma fotografia assim de moçoila com tanta cor e formusura não é para qualquer um.

Graças a Deus que há democracia na nossa santa terrinha.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Há coisas (fúteis) fantásticas, não há?