domingo, Abril 13, 2014

domingo, Abril 06, 2014

Saudade: aquela mistura de sentimentos como a perda, a falta, a distância e o amor. Aquela nostalgia que se sente quando o bem-amado se encontra longe (seja ele uma pessoa, um local ou um bem material). Algo que todo o ser humano, por muito que o negue, sente nem que seja uma vez na vida.



Não é bom viver no passado, mas um pouco de saudade nunca matou ninguém e serve para nos ajudar a valorizar o que é realmente importante para nós, por vezes até a nos conhecermos melhor. Por vezes precisamos de nos afastar para que consigamos ver a realidade tal como ela é; estar muito perto de uma situação pode-nos causar uma visão um tanto miópica: vemos as árvores mas somos incapazes de ver a floresta.

Apegamento (“clinginess”), Dukkha e o Maior dos Sofrimentos


Para os budistas, “dukkha” é o cerne de toda a vida. Toda a vida, como é habitualmente vivida pelo mais comum dos mortais, é “dukkha”... mas a vida não tem, necessariamente, de ser só “dukkha” – há, também, um elevado grau de responsabilidade pessoal.

Nenhuma palavra em inglês (nem, que eu saiba, em português) captura adequadamente a profundidade, alcance e subtileza da palavra “dukkha.” O nascimento é “dukkha”, o envelhecimento é “dukkha”.  A tristeza, a lamentação, a angústia, o desespero, a associação com o mal-amado e a separação do amado é “dukkha”; por outras palavras, toda a dor é “dukkha”.  E o que está por detrás de tanta dor? Nada mais nada menos do que o apegamento (mais no sentido de fixação do que de afeição). Este “apegamento” manifesta-se nas mais várias formas sendo as mais comuns, penso: o ciúme, a inveja e a ganância. Dukkha acontece sempre que nos deixamos obcecar pelo dinheiro, pelo poder, por um par de sapatos (ou qualquer outro bem material) demasiado caro para a nossa bolsa, quando nos apegamos a um ideal inalcançável (como, por exemplo, termos nascido no seio de outra família em vez de naquela que nos caiu na rifa...) ou quando o objecto do nosso apegamento/fixação é outro ser humano. Este último, a meu ver, é o mais perigoso porque pode levar à obsessão,  perseguição...ou até mesmo à violência – e, na melhor das hipóteses, à perda de identidade e “self-respect.”

Dito isto, um dos maiores sofrimentos é quando nos apegamos aos outros; quando abrimos o coração com pessoas que gostariamos de ter na nossa vida e elas ignoram-nos. Não conseguir o que se pretende com quem se pretende é a maior dukkha de todas.  E há que ter cuidado, pois ser carente (ou demasiado “clingy”*) numa relação tem, frequentemente, o efeito oposto do desejado:

“You think because he doesn't love you that you are worthless. You think that because he doesn't want you anymore that he is right -- that his judgment and opinion of you are correct. If he throws you out, then you are garbage. You think he belongs to you because you want to belong to him. Don't. It's a bad word, 'belong.' Especially when you put it with somebody you love. Love shouldn't be like that… You can't own a human being. You can't lose what you don't own. Suppose you did own him. Could you really love somebody who was absolutely nobody without you? You really want somebody like that? Somebody who falls apart when you walk out the door? You don't, do you? And neither does he. You're turning over your whole life to him. Your whole life, girl. And if it means so little to you that you can just give it away, hand it to him, then why should it mean any more to him? He can't value you more than you value yourself.”

Citação encontrada aqui: 
 

Aquilo a que Toni Morrison se refere acontece sempre que confundimos amor com apego; o amor nunca é doloroso, mas a fixação pode transformar o amor em tortura. É por isso que, quando estamos numa relação com alguém que precisa de espaço e decide se afastar (e por muito difícil que seja) a atitute mais saudável é dizer qualquer coisa como “Querido, deixa-me ajudar-te a fazer as malas.” Por vezes parecem mudar de ideias para evitar dramas e fitas, mas o certo é que, a longo prazo, atitudes destas só criam ressentimentos. É bem melhor deixá-los ir e que se arrependam depois – arrependimentos fazem parte da vida e ajudam a crescer.

E por muito que uma situação destas doa, há que lembrar do seguinte: O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido- Grande señor Neruda!