domingo, fevereiro 13, 2011

Menino Paulo

Estejam atentos ao Paulo Portas. Há ali qualquer coisa que não bate certo. A criatura não dá apertos de mão ou abraços. Ele dispara saudações por obrigação funcional-mediática e, logo a seguir, com um sorriso (es)forçado, vira as costas e segue a correr em direcção à próxima vítima do seu frenesim megalómano. O homem tem-se em conta tão elevada que olha para as pessoas como simples brinquedos descartáveis do seu protagonismo. Já repararam como trata os jornalistas? Atira-lhes uma frase, segundo ele, mais um produto refinado da sua genialidade e, mais uma vez, vira as costas ostensivamente, com o queixo empinado e um sorriso matreiro, cheio de si próprio. O sorriso do Paulo Portas é o de quem acaba de tramar alguém, é o de quem fica sempre por cima. Aqueles olhitos estão sempre a cuspir um ódio de espertalhão. Tenho a certeza que não ouve ninguém, que gosta de sentir na cara dos outros o assentimento permanente e incondicional às suas tiradas de lavrador lisboeta, de defensor incondicional do Portugal dos montes, das eiras e vinhedos, dos presuntos e chouriços, o Portugal que serve de caricatura a uma direita rústica, castiça, ridícula. O problema é que isso tudo soa a falso na criatura Paulo Portas porque, para além de uma boina de lavrador rico com um xadrez de duvidosa portugalidade, ele é o que de mais caprichosamente lisboeta pode existir. Paulo Portas é um menino travesso, um aspirante a ditador de empregada doméstica, um andarilho de ego desmesurado a que nunca deram uma valente chapada nas trombas. Já foi ministro e não quer outra coisa senão sê-lo de novo para encher as câmaras das televisões da sua putativa grandeza e do seu autismo de menino mal-educado.

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