domingo, dezembro 30, 2012

Um chip do conhecimento...

Acho que as pessoas deviam nascer com um chip com uma memória da Humanidade, pelo menos, um arquivo dos factos e realizações mais importantes. Uma espécie de ponto de partida universal e consensual a que todos teriam acesso independentemente da sua condição social, económica ou política, raça, credo ou religião. Bem sei que nestas coisas há bem pouco de consensual, mas qualquer coisa como umas "nações unidas do conhecimento" poderia fazer um esforço para criar essa história comum.

Qual o objectivo de tão peregrino projecto? Simplesmente, assegurar um mínimo de igualdade relativamente ao conhecimento e poupar tempo e energia aos seres humanos que passam a maior parte da vida a chegar às mesmas conclusões dos seus antepassados, a "(re)inventar a roda", a reinterpretar coisas bem conhecidas, a assimilar coisas triviais. Dir-se-à que desse processo de continua elaboração do que já é conhecido resultam novas nuances, perspectivas inovadoras, numa palavra, criação. Dir-se-à que o conhecimento é, por natureza, limitado e subjectivo, que não se pode pôr um ponto final em coisa alguma. Que o conhecido só é parcialmente conhecido e, portanto, pôr milhões de pessoas em cada geração a reflectir sobre o que a humanidade já conhece só pode enriquecer o conhecimento, descobrir falhas ou novas dimensões do que se conhecia.

Bem sei que o meu projecto é pura ficção científica, uma alucinação, um shortcut típico de uma era que se julga omnisciente. Mas, imaginemos por um segundo que não teríamos de "perder tempo" a chegar às mesmas básicas conclusões dos nossos antepassados. Quereria dizer que, a partir do tal chip integrado nas nossas "fisiológicas" faculdades, podíamos dedicar todo o nosso tempo e inteligência a descobrir coisas novas, a criar verdadeiramente, a fazer avançar o mundo mais depressa e melhor, sobretudo, evitando os disparates e atrocidades do passado.

Eu sei. Tudo isto pode parecer um exercício patético, tipo guião de um novo Matrix. Eu sei que a sobranceria científica e tecnológica, que a obsessão da racionalidade esquece uma vertente essencial das decisões e da história da Humanidade: as emoções. E para essas não há chip que valha... Emoções são matéria de arte, não de ciência.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Natal

O Natal passou. Numa euforia consumista mais moderada. Mas os centros comerciais continuaram cheios e frenéticos como ovos, sobretudo nos últimos dias. Andaram a queimar os últimos cartuchos antes da execução do orçamento de 2013. Ao longo dos últimos 20-30 anos, os portugueses alimentaram a ilusão de poder consumir à tripa forra como se fossem ricos. Muitos fizeram-no - porque os vizinhos também o faziam - à custa de subsídios e empréstimos, truques e manias, chico-espertices de que a malta é perita. E enfrascaram-se numa percepção de bem-estar que se materializa em coisas e hábitos que se tornaram indispensáveis. O modelo de consumo, o estilo de vida dos centros comerciais, dos bens de luxo (ou a parecer de luxo) e dos automóveis reluzentes inscreveu-se nos genes de muitos portugueses. Quando o rendimento cresceu as pessoas ajustaram depressa de mais os seus hábitos de consumo e queimaram uma margem saudável de poupança porque o futuro era “já” e a prosperidade só podia continuar. Quando a crise eclodiu (por culpa dos outros, essa entidade esquisita que dá jeito nos momentos de incompreensão ou de reclamação de inocência), quando os impostos subiram, os empregos se esfumaram, os subsídios baixaram e o crédito se fez mais raro, foi uma chatice. Porque custa perder uma certa sensação de conforto e de sucesso. É penoso cortar naquelas redundantes rotinas que se tinham tornado imprescindíveis, os carros substituídos mais raramente, os electrodomésticos que vão à reparação para obter vidas ulteriores, a casa própria substituída pela arrendada, os miúdos que passam para a escola pública, as auto-estradas substituídas por estradas secundárias cada vez mais apinhadas, etc, etc. Porque é preciso resistir, sobreviver, nalguns casos, salvar as aparências. Também há muitos casais jovens a viver de pensões de reforma e a pedir heranças antecipadas e os velhotes que julgavam já ter visto tudo e ainda a missa vai no adro até serem acolhidos na graça do Senhor. E há uns tipos a tresandar a perfume caro, com sapato bicudo, gelatina no cabelo e blusão de cabedal de marca “comme il faut” a passear arrogância e desprezo pelos pobres e falhados.

O País está mal, vai para pior antes de eventualmente melhorar. Estamos no terceiro pacote do FMI depois de 1974. Gastámos rios de dinheiro de fundos estruturais e de crédito externo ao preço da chuva. Não vou mais para trás, mas foram raros os períodos da sua história em que Portugal viveu do que produziu. Talvez o Salazarismo tenha tido esse realismo económico, mas o corolário foi a pobreza e a falta de liberdade, como se “portugueses por sua conta” fosse igual a “pobreza”. Conclusão temerária e triste. A culpa é destes meliantes que nos governaram e governam. Claro, a culpa é sempre desses inúteis que quiseram acelerar irresponsavelmente e incompetentemente a nossa chegada a um patamar superior de abastança. Os portugueses, os outros que se limitaram a votar e que não governam mais nada do que a sua casinha, são vítimas incrédulas e indefesas...

Agora esperemos por um novo Natal cheio de prendas da generosidade externa… Porque a alternativa será durante algumas gerações passar Natais "low cost" para pagar o património de interesse duvidoso que se construiu depressa de mais, como auto-estradas vazias e rotundas caleidoscópicas. É claro que sobra sempre a hipótese de ir à procura do leite e do mel lá fora. De resto, era essa também uma importante válvula de escape do Salazarismo.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Corridas

Corro. Como quem toma vitaminas. Como os miúdos a quem davam óleo de fígado de bacalhau. Corro para manter a forma, espécie de terapia para os músculos, coração e pulmões. Com a ilusão de perder calorias porque acho que estou a engordar, obsessão de cinquentões metódicos e resistentes à velhice. Apesar de tudo, corro menos vezes do que seria aconselhável para atingir os meus saudáveis fins porque a vida me esgota noutras corridas. Os meus percursos preferidos passam por jardins e cemitérios. Adoro desafiar os mortos com a eloquência do meu suor, fazendo-lhes pirraça, mostrando a mim mesmo que estou mais vivo do que nunca porque odeio a morte e os seus rituais e os seus monumentos ridículos. Sair do cemitério é como renascer para entrar na rua cheia de árvores que me leva a casa. No chuveiro, dou por terminado o masoquismo terapêutico.

sábado, dezembro 15, 2012

Parole, parole, parole...


As palavras também se mastigam. Quando não saem facilmente da boca ou dos dedos no teclado. Há palavras que começam por não nascer na cabeça, que se escondem com medo de dizer o que não queriam dizer. As palavras são como miúdos traquinas, sempre aos ziguezagues com as regras, metendo-se onde não são chamadas. E há palavras cheias de vaidade e soberba que saem com fleuma, simplesmente para não dizer nada ou para dar a impressão de uma importância que não têm. Aquelas palavras que se repetem como se fossem muletas para amparar o desgraçado do orador, desprovido de imaginação. Há palavras ou expressões que, à primeira vista, parecem horriveis, como por exemplo, “derivado a...” para designar “por causa de”. Até que são recicladas por um noto escritor e – pronto! – ficam na moda. Outras palavras, como “indígena”, para apoucar os trogloditas de certo país, tornam-se hediondas... com o devido respeito pelas criaturas que verdadeiramente merecem tal epíteto. Depois, há aquelas frases que começam sempre por “portanto”, insinuando uma conclusão sem premissas, ou “efectivamente”, para deixar a entender que não pode ser de outra maneira, mesmo antes de se indicar a tese que se pretende defender. E também aquelas palavras que se usam para mostrar que se estudou alguma coisa, nalguma universidade, como “paradigmático”, “conceptual” ou “epistemológico”. Sabe deus o que estará por baixo (ou por cima) de tais enormidades... Mas lá que ficam bem, ficam! É fantástico o que as palavras podem valer para além do que significam.

Há concerteza muitas linguagens, incluindo a do silêncio, da ausência, do olhar, dos gestos, das imagens, etc. Mas, temo que as palavras sejam indispensáveis para exprimir decisões, sentimentos, pensamentos. E elas são o que são. E a capacidade de cada um de nós para as colocar no sítio certo, no momento certo é o que é. E o risco de mal-entendidos ou de interpretações indesejadas não se pode eliminar. A desigualdade também se aplica ao domínio das palavras, à perícia da sua utilização, obviamente relacionada com o grau de literacia de cada um.

As redes sociais ampliaram a comunicação escrita, multiplicaram os escritores de romances ou de monosílabos. Fico espantado como é que essa comunicação pode gerar tanta empatia ou antagonismo. Fico com a impressão de que a comunicação que se esgota na escrita é radical, binária: ou tudo bem, até à fantasia, ou tudo mal, até à cacetada.

Esta pequena crónica é mais uma prova da potência das palavras em si mesmas. Sinceramente, comecei a escrever sobre palavras porque me faltava conteúdo e desaguei num mar inesperado. Mas, por aqui me fico porque cansei e tenho medo de me afogar...

"É preciso não perder a esperança..."


Porque há imagens que valem 1000 palavras...

Liberdade para matar


Mais uma tragédia a cerca de 100 km de Nova Iorque. Um tipo assassinou 27 pessoas numa escola primária, entre as quais 20 crianças com idades entre 4 e 10 anos. De caminho matou a mãe. Em 2012, foram assassinadas com armas de fogo mais de 10000 pessoas nos Estados Unidos. Vendem-se quase 17 milhões de armas de fogo por ano naquele país, em perfeita legalidade. Esse comércio tem vindo sempre a crescer. Mais: em sacrossanta conformidade com a famosa segunda emenda da Constituição. É um direito dos cidadãos norte-americanos comprar e utilizar armas de fogo, tão ou mais inalienável do que o direito a respirar... Aparentemente, existe um lobby fortíssimo, liderado pela National Rifle Association, que tem impedido todas as tentativas para rever a Lei. Democratas e Republicanos têm estado refèns desses interesses e valores. Porque de valores anquilosados e pouco humanos se trata. 

É preciso revisitar o processo de criação dos Estados Unidos. Um país construido a pulso por pioneiros de variadas proveniências (sobretudo, europeias) que se expunham a todo o tipo de riscos, em paragens hostis e disputando terra e dinheiro sem tréguas, frequentemente chacinando populações indigenas, subordinando os escrupúlos e a Lei ao sucesso material. Um país baseado num individualismo desenfreado, orgulhoso e desconfiado do Estado. Um país que foi forjado na auto-defesa, no esforço hercúleo de individuos ciosos de uma liberdade e iniciativa quase ilimitadas.

Tudo isso são valores do Far West, da fundação dos Estados Unidos, enraizados no imaginário colectivo, transmitidos de geração a geração. Lamentavelmente, valores que continuam a justificar um sistema que facilita a consumação do que de mais hediondo pode ter a natureza humana.

domingo, dezembro 09, 2012

Lá fora está a nevar...


The shadow of your smile

Crazy little thing called love

Dois aninhos (the "king" would be proud!):

Morrer de coração partido

"Doctors have long known that stress hormones such as cortisol, epinephrine and norepinephrine that are raised by grief can take a damaging toll on the body. But there may be other forces at play as well. Research shows that in some cases, one person’s heartbeat can affect, even regulate, another’s, possibly acting as a type of life support."

"In the intensive care unit (…) dad stopped breathing but (…) the heart monitor was still going on (…) because they were holding hands (…) and her heart was beating through him (…)” Ela morreu uma hora depois dele e foram cremados no mesmo caixão, de mãos dadas.

"You are my sunshine, my only sunshine, you make me happy, when skies are grey. You’ll never know dear, how much I love you. So please don’t take my sunshine away.”

Estes são apenas três dos muitos casos destes que ultimamente tenho lido. Admiração. Respeito. Amor. It must be nice…



sábado, dezembro 08, 2012

Luz ao fundo do túnel

Pareceu-me recuar 30 anos. As mesmas caras com sulcos de insónia, bebida e cigarro. A miséria que envelhece depressa. As ruas estreitas, vestidas de pobreza. Pessoas com a barriga inchada de fome, à espera sabe deus de quê, na soleira de lojas vazias de clientes e cheias de objectos feios, à espera de serem lixo. O cheiro a esgotos, beatas de cigarro, restos de jornais a vomitar más notícias aos solavancos, arrastados pelo frio.

Era tão boa a ilusão da abundância, aquela coisa mundana de comprar só para mostrar que se pode ter, de passear ao domingo no centro comercial, respirando o brilho das luzes, misturando desejos, enrolando tudo numa doce euforia. Agora dá-se um passo atrás, de facto, tantos passos atrás, caindo nessa coisa a que chamam realismo, esperando não cair nessa coisa a que chamam pobreza que tem de se esconder. Porque parecer pobre faz mal a quem já pareceu ser rico.

Afinal de contas a queda do PIB (grosso modo, rendimento nacional) em 3.5% nem é tão má. Sobram 96.5%. De que se queixam, afinal? Podia ser pior. Vai ser pior. Perder a calma por 3.5% parece exagerado. Bem sei que esses são grandes números. As médias são mentirosas. Muita gente perde substancialmente mais. Alguns continuam a subir. É a injustiça da crise. A lei dos grandes números penaliza mais a famosa classe média porque vai sendo a mais numerosa e vai tendo alguma capacidade de pagar. Dos pobres nem se fala! De qualquer maneira, por muito que se lhe tire, daí não resulta grande coisa para restabelecer os insofismáveis equilíbrios macro-económicos. Quanto aos ricos, estamos conversados: safam-se sempre, os sacanas.

O país está francamente a andar para trás depois da ilusão do bem-estar a crédito. E tenho a impressão de que os tipos que nos governam estão a perder completamente o controlo do processo de ajustamento em curso porque a magnitude do declínio deixou de caber no rigor das equações. A única luz ao fundo do túnel parece ser a de um comboio em alta velocidade em sentido contrário…

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Sempre do contra



Este video, no YouTube há menos de uma semana, está a ter muito sucesso e a receber muitos elogios, sobretudo por parte da camada mais jovem. Embora compreenda onde Suli Breaks queira chegar e concorde com alguns dos pontos que faz, este video deixou-me com um bocadinho de azia, uma ligeira bola no estômago e um gosto amargo na boca.

Plenamente de acordo que a escola não é para todos e que uma educação é fundamental, por isso os alunos devem avaliar se andam realmente na escola para aprender. Também concordo quando diz que uma educação é muito mais do que regurgitar factos lidos num livro qualquer sobre a opinião de alguém para poder passar um exame qualquer e que educação não é equivalente a memorização; até aí tudo bem. E ainda me ri com a piada a GWB, que graduou da Universidade de Yale e não faz sentido nenhum, mas daí a usar esta criatura como prova de que um “canudo” não faz ninguém mais inteligente, acho que vai um salto muito grande. 

Porém, convém lembrar que os exemplos que Suli Breaks cita (Steve Jobs, Bill Gates, Oprah Winfrey, Mark Zuckerberg, entre outros) representam a excepção e não a regra; e já agora, embora Gates e Zuckerman tenham saído da Universidade de Harvard sem diploma, as empresas que fundaram e que lhes deram reconhecimento do nome são produto dos conhecimentos que obteram na escola. Já para não falar de Oprah Winfrey, que se licenciou em “speech and drama” (qualquer coisa como Ciências da Comunicação) pela Universidade Estatal de Tennessee ou de Steve Jobs que, em 1995, durante uma entrevista a Daniel Morrow (director executivo do “Computerworld Smithsonian Awards Program” ) disse que se não fosse a influência de certos professores que teve, que tinha acabado na cadeia: “When you're young, a little bit of course correction goes a long way. I think it takes pretty talented people to do that" disse Jobs, referindo-se aos professores que o salvaram da desgraça. O mesmo Steve Jobs que atribuiu grande parte do sucesso da Apple a uma aula de caligrafia que tirou na Universidade.

Tambem convém lembrar que Picasso, Shakespeare e o coronel Sanders foram especialistas numa área e viveram numa época em que indústrias e carreiras individuais eram muito mais estáveis​​. A sociedade actual é muito diferente da destes três, por isso, usá-los como prova de que é possível vencer na vida sem escolaridade é, no mínimo, “shortsighted”.  Nos tempos que correm, a mudança é a única constante (já o dizia Peter Drucker). Além disso, o número oficial de desempregados nos Estados Unidos ronda os 20 milhões de pessoas (“oficial” sublinhado porque, como se sabe, os números reais são sempre mais elevados) em parte devido a um “fenomenozinho” oficialmente designado por “ skills gap” ou seja, falta de trabalhadores qualificados em áreas como as ciências, a tecnologia, a engenharia e a matemática – esta lacuna não está presente nas áreas de desenho, pintura, escrita...ou na “arte” de fritar galinha.  



Conheço um professor de música que ficou desempregado devido aos cortes no departamento de artes na escola onde trabalhava e como não tinha outros conhecimentos, é hoje pedreiro; abrir um pequeno negócio não é o que era antigamente, a maioria abre falência pouco tempo depois devido à concorrência com as grandes superfícies. O que eu quero dizer é que, sem escolaridade, passar de um campo para outro pode ser difícil pois os cursos que hoje têm saída  podem amanhã não ter e precisamos de estar disponíveis para voltar aos bancos da escola. O Senador Chuck Schumer (NY) disse o seguinte: "The local workforce does not have the skills needed to fill these jobs (…) a high school graduate with proper training could easily fill these positions." Então propõe dois rumos aos estudantes do secundário: um adaptado às ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, sigla em ingles) e outro para futuros canalizadores, electricistas e outras carreiras de colarinho azul. Faz-me lembrar as escolas industriais e comerciais do outro tempo.  

Este video também me fez lembrar uma colega, na altura mãe de dois estudantes que lhe davam muitos cabelos brancos e dores de cabeça, e que um belo dia se sai com o seguinte desabafo: “an education is wasted on the young.” É tão verdade, muitos (mesmo os bons alunos) estudam porque são obrigados, não porque têm gosto de aprender.
Maybe the reason this video bothers me is because I had to work so hard and make so many sacrifices for whatever little education I now have; maybe it's the fact that those same sacrifices and tradeoffs made me appreciate an education so much to the point of becoming obsessed with it; maybe it's because at the top of my wish list if I ever win the lottery, is even more education; maybe it's because I like to learn for the sake of learning, no ulterior motives needed; maybe it’s because it reminds me of all the arguments I’ve had with someone who is very close to me and feels that the purpose of higher learning is solely to make more money and that if you don’t make more money, then your education was a complete waste of resources; maybe it's because I think of all the people like me who wish for an education as much as I do but, for financial reasons or otherwise, are unable to fulfill that dream; maybe it's because I feel, deep in my gut, that an education has made me a better person. Maybe it’s all of the above. Or maybe I’m just nuts and completely off base. One thing’s for sure: whenever I hear someone disparage schooling I always feel my blood boil, my muscles tense and my stomach in a knot. Regardless, this is who I am and this is how I feel. Always the contrarian. Sempre do contra.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

O que a posição em que dormimos revela sobre a nossa personalidade:


(a propósito: já vão sendo horas)

(yet another) May - December romance


Ele nasceu em 1926 e é mais velho que o meu pai, ela nasceu em 1986 e podia ser minha filha; ou seja: ele tem idade para ser avô dela. Não obstante este pequenino pormenor, anunciaram esta semana o noivado e não põem de parte a ideia de procriarem. Refiro-me a Hugh Hefner, fundador da revista Playboy e a Chrystal Harris, actriz e modelo. 
  
Longe de mim querer intrometer-me na vida de quem não conheço ... but what the heck can these two possibly have in common? E porque razão é que nestas situações é quase sempre  o homem o mais velho e, frequentemente, também quem tem um aspecto mais desleixado? Existem por aí muitos estudos estapafúrdios, mas acho que este tema até seria interessante.  A priori a razão é simples: fama, dinheiro, ganância pelo poleiro, etc., mas gostava de saber o que está por detrás destas razões (aparentemente) óbvias.
Hugh Hefner Engaged
Não há nada como o amor. Que sejam muito felizes.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Entretanto, por estes lados, a situação actual resume-se ao seguinte:

Begging for scraps
Who really needs a break
TOO LOW FOR A FISCAL CLIFF

As soluções de Paul Krugman para a crise económica europeia


“It has been kind of a race between us and the Europeans to see who can do worse and for the time being they’re winning (…) the people suffering the most had nothing to do with creating this crisis (…) Iceland was supposed to be the ground zero of the financial crisis (…) they devalued their own currency and now they have a lower unemployment rate than us (…) they stiffed their investors and now they’re back in the international markets (…) no country that has its own currency is experiencing those problems(…)”

“The Spanish government did nothing wrong (...) government austerity makes the slump deeper (…) break-up of the Euro; alternatives: Europe-wide solutions (…) higher rate of inflation for Europe as a whole and in particular in Germany (…) let us reason together (…) the current path won’t work out (…) if the Euro fails, it will be a defeat to the European project.”

Se alguém encontrar a entrevista completa digam, eu só vejo estes dois pedacinhos.

domingo, dezembro 02, 2012

Imagine


The Beatles 1962


Os malucos que nos governam

Estou convencido de que pessoas que atingem o nível superior do poder são psicologicamente desequilibradas porque são vaidosas, narcisistas, egocêntricas e têm uma funcional falta de escrúpulos e de empatia com os seus semelhantes, transformados em meros utensílios das suas estratégias pessoais, destinadas a obter cada vez mais reconhecimento e visibilidade, impressão de governar o mundo, fome de omnipotência, vantagens financeiras e outras. Como escreveu Bernardo Soares no Livro do Desassossego “quem tem escrúpulos não decide”.

[Não quer dizer que cada um de nós, dentro do pequeno ou grande poder que pode exercer sobre os outros, não possa (ou não deva), de vez em quando, ter uma moderada e saudável "falta de escrúpulos"... Só os santos não precisam disso. Tenhamos a ousadia de nos olhar como se fossemos outro.] 

Nicola di Bari


Continuando no registo nostalgia, aqui está um dos primeiros discos que meti a girar no pequeno aparelho que o meu pai comprou num Natal do princípio dos anos 70. Estava longe de pensar que a minha relação com esse país, mais de 40 anos depois, se tornaria tão especial...  


sábado, dezembro 01, 2012

Palavras para quê?

+
=
Drought
Superstorm Sandy

Hurricane Sandy aftermath: Waiting for gas
Sandy aftermath
sandy
Looks like the ice caps aren't the only things receding...
Human civilization has pumped roughly 375 billion tonnes, or metric tons, of carbon dioxide into the atmosphere since the dawn of the industrial age, when the extraction and combustion of fossil fuels began in earnest.

I’ve looked at love from both sides now (Judy Collins)



Foi um dos meus primeiros discos. Tinha acabado de receber um gira discos pelo Natal, e assim que pude fui a uma loja de música que ficava na Baixa de Coimbra comprar este disco, Goodbye Yellow Brick Road (de Elton John) e Jesus Christ Superstar. Todos três de 45 rotações. Estavámos, então, em 1973 e eu estava a começar a aprender inglês (frequentava o 3° ano do liceu e o 1° do British Council). Como na altura não compreendia quase nada, comprei estes discos pura e simplesmente pela música; hoje acho muito giro entender tudo e lembrar-me onde estava e com quem estava – como se tivesse sido ontem. A cada ano que passa cada vez compreendo melhor a minha avó que contava histórias passadas há 6 décadas atrás com mais pormenor do que se lembrava do que tinha acontecido no dia anterior...

Espero que gostem:
Bows and flows of angel hair and ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere, I've looked at clouds that way
But now they only block the sun they rain and snow on everyone
So many things I would have done, but clouds got in my way
I've looked at clouds from both sides now
From up and down and still somehow
It's cloud's illusions I recall
I really don't know clouds at all
Moons and Junes and ferris wheels the dizzy dancing way you feel
When every fairy tale comes real, I've looked at love that way
But now it's just another show, you leave 'em laughing when you go
And if you care don't let them know, don't give yourself away
I've looked at love from both sides now
From win and lose and still somehow
It's love's illusions I recall
I really don't know love at all
Tears and fears and feeling proud, to say, "I love you" right out loud
Schemes and dreams and circus crowds, I've looked at life that way
But now old friends are acting strange they shake their heads, they say I've changed
But something's lost, but something's gained, in living every day
I've looked at life from both sides now
From give and take and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

Lamúrias e Felicidade

Lamúrias (de acordo com Hazrat Inayat Khan):
I - « Self-pity is the cause of all life's grievances:
·         If one studies one's surroundings one finds that those who are happy are so because they have less thought of self. If they are unhappy it is because they think of themselves too much. A person is more bearable when he thinks less of himself. And a person is unbearable when he is always thinking of himself. There are many miseries in life, but the greatest misery is self-pity.
·         Self-pity is the worst poverty. When a person says, 'I am...' with pity, before he has said anything more he has diminished himself to half of what he is; and what is said further, diminishes him totally; nothing more of him is left afterwards. There is so much in the world that we can pity and which it would be right for us to take pity upon, but if we have no time free from our own self we cannot give our mind to others in the world. Life is one long journey, and the further behind we have left our self, the further we have progressed toward the goal. Verily when the false self is lost the true self is discovered.»
II - « Instead of lamenting your fate, create your world. » 
Felicidade (de acordo com vários):
Ø  “Our happiness or our unhappiness depends far more on the way we meet the events of life than on the nature of those events themselves.” -  Wilhelm von Humboldt
Ø  “Happiness grows in direct proportion to your acceptance and in inverse proportion to your expectations” – Michael J Fox
Ø  “Even if happiness forgets you a little bit, never completely forget about it.” – Jacques Prévert
Ø  “We can be unhappy about a lot of things, but joy can still be there (…) it is important to become aware that at every moment of life we have an opportunity to choose joy” Henri J.M. Nouwen
Ø  “If you could only sense how important you are to the lives of those you meet; how important you can be to the people you may never even dream of. There is something of yourself that you leave at every meeting with another person.” Fred Rogers
Ø  “With all its sham, drudgery and broken dreams, it is still a beautiful world. Be cheerful. Strive to be happy.” Max Ehrmann 
(é precisamente por isso que eu gosto tanto da canção It’s a Wonderful World)

Esta vida (por Joseph Campbell):


Find a place inside where there’s joy and the joy will burn out the pain.

The meaning of life is whatever you ascribe it to be.

One way or the other we all have to find what best fosters the flowering of our humanity in this contemporary life and dedicate ourselves to that.

The privilege of a lifetime is being who you are.

A person who takes a job purely for the money has turned himself into a slave.

Opportunities to find deeper powers within ourselves come when life seems more challenging.

We’re so engaged in doing things to achieve purposes of outer value, that we forget the inner value. The rapture that is associated with being alive is what’s all about.

Is the system going to flatten you out and deny you your own humanity, or are you going to be able to make use of the system to attain your human purposes?

E, finalmente, as minhas favoritas:
1 – The cave that you fear to enter holds the treasure that you long to seek.
2 – It is by going down into the abyss that we recover the treasures of life. Where you stumble, there lies your treasure.
3 – Love is a friendship set to music. 

quinta-feira, novembro 29, 2012

Entre as coisas que menos tolero (cada vez menos, consequência da idade...) figuram seguramente:

a desonestidade
a miséria
a estupidez
a vaidade
a arrogância