domingo, dezembro 09, 2012
Morrer de coração partido
"Doctors have long known that stress hormones such as cortisol, epinephrine and norepinephrine that are raised by grief can take a damaging toll on the body. But there may be other forces at play as well. Research shows that in some cases, one person’s heartbeat can affect, even regulate, another’s, possibly acting as a type of life support."
"In the intensive care unit (…) dad stopped breathing but (…) the heart monitor was still going on (…) because they were holding hands (…) and her heart was beating through him (…)” Ela morreu uma hora depois dele e foram cremados no mesmo caixão, de mãos dadas.
"You are my sunshine, my only sunshine, you make me happy, when skies are grey. You’ll never know dear, how much I love you. So please don’t take my sunshine away.”
Estes são apenas três dos muitos casos destes que ultimamente tenho lido. Admiração. Respeito. Amor. It must be nice…
"In the intensive care unit (…) dad stopped breathing but (…) the heart monitor was still going on (…) because they were holding hands (…) and her heart was beating through him (…)” Ela morreu uma hora depois dele e foram cremados no mesmo caixão, de mãos dadas.
"You are my sunshine, my only sunshine, you make me happy, when skies are grey. You’ll never know dear, how much I love you. So please don’t take my sunshine away.”
Estes são apenas três dos muitos casos destes que ultimamente tenho lido. Admiração. Respeito. Amor. It must be nice…

sábado, dezembro 08, 2012
Luz ao fundo do túnel
Pareceu-me recuar 30 anos. As mesmas caras com sulcos de insónia, bebida e cigarro. A miséria que envelhece depressa. As ruas estreitas, vestidas de pobreza. Pessoas com a barriga inchada de fome, à espera sabe deus de quê, na soleira de lojas vazias de clientes e cheias de objectos feios, à espera de serem lixo. O cheiro a esgotos, beatas de cigarro, restos de jornais a vomitar más notícias aos solavancos, arrastados pelo frio.
Era tão boa a ilusão da abundância, aquela coisa mundana de comprar só para mostrar que se pode ter, de passear ao domingo no centro comercial, respirando o brilho das luzes, misturando desejos, enrolando tudo numa doce euforia. Agora dá-se um passo atrás, de facto, tantos passos atrás, caindo nessa coisa a que chamam realismo, esperando não cair nessa coisa a que chamam pobreza que tem de se esconder. Porque parecer pobre faz mal a quem já pareceu ser rico.
Afinal de contas a queda do PIB (grosso modo, rendimento nacional) em 3.5% nem é tão má. Sobram 96.5%. De que se queixam, afinal? Podia ser pior. Vai ser pior. Perder a calma por 3.5% parece exagerado. Bem sei que esses são grandes números. As médias são mentirosas. Muita gente perde substancialmente mais. Alguns continuam a subir. É a injustiça da crise. A lei dos grandes números penaliza mais a famosa classe média porque vai sendo a mais numerosa e vai tendo alguma capacidade de pagar. Dos pobres nem se fala! De qualquer maneira, por muito que se lhe tire, daí não resulta grande coisa para restabelecer os insofismáveis equilíbrios macro-económicos. Quanto aos ricos, estamos conversados: safam-se sempre, os sacanas.
O país está francamente a andar para trás depois da ilusão do bem-estar a crédito. E tenho a impressão de que os tipos que nos governam estão a perder completamente o controlo do processo de ajustamento em curso porque a magnitude do declínio deixou de caber no rigor das equações. A única luz ao fundo do túnel parece ser a de um comboio em alta velocidade em sentido contrário…
Era tão boa a ilusão da abundância, aquela coisa mundana de comprar só para mostrar que se pode ter, de passear ao domingo no centro comercial, respirando o brilho das luzes, misturando desejos, enrolando tudo numa doce euforia. Agora dá-se um passo atrás, de facto, tantos passos atrás, caindo nessa coisa a que chamam realismo, esperando não cair nessa coisa a que chamam pobreza que tem de se esconder. Porque parecer pobre faz mal a quem já pareceu ser rico.
Afinal de contas a queda do PIB (grosso modo, rendimento nacional) em 3.5% nem é tão má. Sobram 96.5%. De que se queixam, afinal? Podia ser pior. Vai ser pior. Perder a calma por 3.5% parece exagerado. Bem sei que esses são grandes números. As médias são mentirosas. Muita gente perde substancialmente mais. Alguns continuam a subir. É a injustiça da crise. A lei dos grandes números penaliza mais a famosa classe média porque vai sendo a mais numerosa e vai tendo alguma capacidade de pagar. Dos pobres nem se fala! De qualquer maneira, por muito que se lhe tire, daí não resulta grande coisa para restabelecer os insofismáveis equilíbrios macro-económicos. Quanto aos ricos, estamos conversados: safam-se sempre, os sacanas.
O país está francamente a andar para trás depois da ilusão do bem-estar a crédito. E tenho a impressão de que os tipos que nos governam estão a perder completamente o controlo do processo de ajustamento em curso porque a magnitude do declínio deixou de caber no rigor das equações. A única luz ao fundo do túnel parece ser a de um comboio em alta velocidade em sentido contrário…
sexta-feira, dezembro 07, 2012
Sempre do contra
Este video, no YouTube há menos de uma semana, está a ter muito sucesso e a receber muitos elogios, sobretudo por parte da camada mais jovem. Embora compreenda onde Suli Breaks queira chegar e concorde com alguns dos pontos que faz, este video deixou-me com um bocadinho de azia, uma ligeira bola no estômago e um gosto amargo na boca.
Plenamente de acordo que a escola não é para todos e que uma educação é fundamental, por isso os alunos devem avaliar se andam realmente na escola para aprender. Também concordo quando diz que uma educação é muito mais do que regurgitar factos lidos num livro qualquer sobre a opinião de alguém para poder passar um exame qualquer e que educação não é equivalente a memorização; até aí tudo bem. E ainda me ri com a piada a GWB, que graduou da Universidade de Yale e não faz sentido nenhum, mas daí a usar esta criatura como prova de que um “canudo” não faz ninguém mais inteligente, acho que vai um salto muito grande.
Tambem convém lembrar que Picasso, Shakespeare e o coronel Sanders foram especialistas numa área e viveram numa época em que indústrias e carreiras individuais eram muito mais estáveis. A sociedade actual é muito diferente da destes três, por isso, usá-los como prova de que é possível vencer na vida sem escolaridade é, no mínimo, “shortsighted”. Nos tempos que correm, a mudança é a única constante (já o dizia Peter Drucker). Além disso, o número oficial de desempregados nos Estados Unidos ronda os 20 milhões de pessoas (“oficial” sublinhado porque, como se sabe, os números reais são sempre mais elevados) em parte devido a um “fenomenozinho” oficialmente designado por “ skills gap” ou seja, falta de trabalhadores qualificados em áreas como as ciências, a tecnologia, a engenharia e a matemática – esta lacuna não está presente nas áreas de desenho, pintura, escrita...ou na “arte” de fritar galinha.
Conheço um professor de música que ficou desempregado devido aos cortes no departamento de artes na escola onde trabalhava e como não tinha outros conhecimentos, é hoje pedreiro; abrir um pequeno negócio não é o que era antigamente, a maioria abre falência pouco tempo depois devido à concorrência com as grandes superfícies. O que eu quero dizer é que, sem escolaridade, passar de um campo para outro pode ser difícil pois os cursos que hoje têm saída podem amanhã não ter e precisamos de estar disponíveis para voltar aos bancos da escola. O Senador Chuck Schumer (NY) disse o seguinte: "The local workforce does not have the skills needed to fill these jobs (…) a high school graduate with proper training could easily fill these positions." Então propõe dois rumos aos estudantes do secundário: um adaptado às ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, sigla em ingles) e outro para futuros canalizadores, electricistas e outras carreiras de colarinho azul. Faz-me lembrar as escolas industriais e comerciais do outro tempo.
Este video também me fez lembrar uma colega, na altura mãe de dois estudantes que lhe davam muitos cabelos brancos e dores de cabeça, e que um belo dia se sai com o seguinte desabafo: “an education is wasted on the young.” É tão verdade, muitos (mesmo os bons alunos) estudam porque são obrigados, não porque têm gosto de aprender.
Maybe the reason this video bothers me is because I had to work so hard and make so many sacrifices for whatever little education I now have; maybe it's the fact that those same sacrifices and tradeoffs made me appreciate an education so much to the point of becoming obsessed with it; maybe it's because at the top of my wish list if I ever win the lottery, is even more education; maybe it's because I like to learn for the sake of learning, no ulterior motives needed; maybe it’s because it reminds me of all the arguments I’ve had with someone who is very close to me and feels that the purpose of higher learning is solely to make more money and that if you don’t make more money, then your education was a complete waste of resources; maybe it's because I think of all the people like me who wish for an education as much as I do but, for financial reasons or otherwise, are unable to fulfill that dream; maybe it's because I feel, deep in my gut, that an education has made me a better person. Maybe it’s all of the above. Or maybe I’m just nuts and completely off base. One thing’s for sure: whenever I hear someone disparage schooling I always feel my blood boil, my muscles tense and my stomach in a knot. Regardless, this is who I am and this is how I feel. Always the contrarian. Sempre do contra.
quinta-feira, dezembro 06, 2012
(yet another) May - December romance
Ele nasceu em 1926 e
é mais velho que o meu pai, ela nasceu em 1986 e podia ser minha filha; ou seja:
ele tem idade para ser avô dela. Não obstante este pequenino pormenor, anunciaram
esta semana o noivado e não põem de parte a ideia de procriarem. Refiro-me a
Hugh Hefner, fundador da revista Playboy e a Chrystal Harris, actriz e modelo.
Longe de mim querer
intrometer-me na vida de quem não conheço ... but what the heck can these two
possibly have in common? E porque razão é que nestas situações é quase
sempre o homem o mais velho e,
frequentemente, também quem tem um aspecto mais desleixado? Existem por aí
muitos estudos estapafúrdios, mas acho que este tema até seria interessante. A priori a razão é simples: fama, dinheiro, ganância
pelo poleiro, etc., mas gostava de saber o que está por detrás destas razões
(aparentemente) óbvias.
Não há nada como o amor. Que sejam muito
felizes.
quarta-feira, dezembro 05, 2012
terça-feira, dezembro 04, 2012
As soluções de Paul Krugman para a crise económica europeia
“It has been kind of a race between us
and the Europeans to see who can do worse and for the time being they’re
winning (…) the people suffering the most had nothing to do with creating this
crisis (…) Iceland was supposed to be the ground zero of the financial crisis (…)
they devalued their own currency and now they have a lower unemployment rate
than us (…) they stiffed their investors and now they’re back in the international
markets (…) no country that has its own currency is experiencing those
problems(…)”
“The Spanish government did nothing
wrong (...) government austerity makes the slump deeper (…) break-up of the
Euro; alternatives: Europe-wide solutions (…) higher rate of inflation for
Europe as a whole and in particular in Germany (…) let us reason together (…)
the current path won’t work out (…) if the Euro fails, it will be a defeat to
the European project.”
Se alguém encontrar a
entrevista completa digam, eu só vejo estes dois pedacinhos.
domingo, dezembro 02, 2012
Os malucos que nos governam
Estou convencido de que pessoas que atingem o nível superior
do poder são psicologicamente desequilibradas porque são vaidosas, narcisistas,
egocêntricas e têm uma funcional falta de escrúpulos e de empatia
com os seus semelhantes, transformados em meros utensílios das suas
estratégias pessoais, destinadas a obter cada vez mais reconhecimento e
visibilidade, impressão de governar o mundo, fome de omnipotência,
vantagens financeiras e outras. Como escreveu Bernardo Soares no Livro do
Desassossego “quem tem escrúpulos não decide”.
[Não quer dizer que cada um de nós, dentro do pequeno ou grande poder que pode exercer sobre os outros, não possa (ou não deva), de vez em quando, ter uma moderada e saudável "falta de escrúpulos"... Só os santos não precisam disso. Tenhamos a ousadia de nos olhar como se fossemos outro.]
[Não quer dizer que cada um de nós, dentro do pequeno ou grande poder que pode exercer sobre os outros, não possa (ou não deva), de vez em quando, ter uma moderada e saudável "falta de escrúpulos"... Só os santos não precisam disso. Tenhamos a ousadia de nos olhar como se fossemos outro.]
Nicola di Bari
Continuando no registo nostalgia, aqui está um dos primeiros discos que meti a girar no pequeno aparelho que o meu pai comprou num Natal do princípio dos anos 70. Estava longe de pensar que a minha relação com esse país, mais de 40 anos depois, se tornaria tão especial...
sábado, dezembro 01, 2012
I’ve looked at love from both sides now (Judy Collins)
Foi um dos meus primeiros discos. Tinha acabado de receber um gira discos pelo Natal, e assim que pude fui a uma loja de música que ficava na Baixa de Coimbra comprar este disco, Goodbye Yellow Brick Road (de Elton John) e Jesus Christ Superstar. Todos três de 45 rotações. Estavámos, então, em 1973 e eu estava a começar a aprender inglês (frequentava o 3° ano do liceu e o 1° do British Council). Como na altura não compreendia quase nada, comprei estes discos pura e simplesmente pela música; hoje acho muito giro entender tudo e lembrar-me onde estava e com quem estava – como se tivesse sido ontem. A cada ano que passa cada vez compreendo melhor a minha avó que contava histórias passadas há 6 décadas atrás com mais pormenor do que se lembrava do que tinha acontecido no dia anterior...
Espero que gostem:
Bows and flows of angel hair and ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere, I've looked at clouds that way
But now they only block the sun they rain and snow on everyone
So many things I would have done, but clouds got in my way
And feather canyons everywhere, I've looked at clouds that way
But now they only block the sun they rain and snow on everyone
So many things I would have done, but clouds got in my way
I've looked at clouds from both sides now
From up and down and still somehow
It's cloud's illusions I recall
I really don't know clouds at all
From up and down and still somehow
It's cloud's illusions I recall
I really don't know clouds at all
Moons and Junes and ferris wheels the dizzy dancing way you feel
When every fairy tale comes real, I've looked at love that way
But now it's just another show, you leave 'em laughing when you go
And if you care don't let them know, don't give yourself away
When every fairy tale comes real, I've looked at love that way
But now it's just another show, you leave 'em laughing when you go
And if you care don't let them know, don't give yourself away
I've looked at love from both sides now
From win and lose and still somehow
It's love's illusions I recall
I really don't know love at all
From win and lose and still somehow
It's love's illusions I recall
I really don't know love at all
Tears and fears and feeling proud, to say, "I love you" right out loud
Schemes and dreams and circus crowds, I've looked at life that way
But now old friends are acting strange they shake their heads, they say I've changed
But something's lost, but something's gained, in living every day
Schemes and dreams and circus crowds, I've looked at life that way
But now old friends are acting strange they shake their heads, they say I've changed
But something's lost, but something's gained, in living every day
I've looked at life from both sides now
From give and take and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all
From give and take and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all
Lamúrias e Felicidade
Lamúrias (de acordo com Hazrat Inayat Khan):
I - « Self-pity is the cause of all life's grievances:
· If one studies one's surroundings one finds that those who are happy are so because they have less thought of self. If they are unhappy it is because they think of themselves too much. A person is more bearable when he thinks less of himself. And a person is unbearable when he is always thinking of himself. There are many miseries in life, but the greatest misery is self-pity.
· Self-pity is the worst poverty. When a person says, 'I am...' with pity, before he has said anything more he has diminished himself to half of what he is; and what is said further, diminishes him totally; nothing more of him is left afterwards. There is so much in the world that we can pity and which it would be right for us to take pity upon, but if we have no time free from our own self we cannot give our mind to others in the world. Life is one long journey, and the further behind we have left our self, the further we have progressed toward the goal. Verily when the false self is lost the true self is discovered.»
II - « Instead of lamenting your fate, create your world. »
Felicidade (de acordo com vários):
Ø “Our happiness or our unhappiness depends far more on the way we meet the events of life than on the nature of those events themselves.” - Wilhelm von Humboldt
Ø “Happiness grows in direct proportion to your acceptance and in inverse proportion to your expectations” – Michael J Fox
Ø “Even if happiness forgets you a little bit, never completely forget about it.” – Jacques Prévert
Ø “We can be unhappy about a lot of things, but joy can still be there (…) it is important to become aware that at every moment of life we have an opportunity to choose joy” – Henri J.M. Nouwen
Ø “If you could only sense how important you are to the lives of those you meet; how important you can be to the people you may never even dream of. There is something of yourself that you leave at every meeting with another person.” – Fred Rogers
Ø “With all its sham, drudgery and broken dreams, it is still a beautiful world. Be cheerful. Strive to be happy.” – Max Ehrmann
(é precisamente por isso que eu gosto tanto da canção It’s a Wonderful World)
Esta vida (por Joseph Campbell):
Find a place inside where there’s joy and the joy will burn
out the pain.
The meaning of life is whatever you ascribe it to be.
One way or the other we all have to find what best fosters
the flowering of our humanity in this contemporary life and dedicate ourselves
to that.
The privilege of a lifetime is being who you are.
A person who takes a job purely for the money has turned
himself into a slave.
Opportunities to find deeper powers within ourselves come
when life seems more challenging.
We’re so engaged in doing things to achieve purposes of outer
value, that we forget the inner value. The rapture that is associated with
being alive is what’s all about.
Is the system going to flatten you out and deny you your own
humanity, or are you going to be able to make use of the system to attain your
human purposes?
E, finalmente, as minhas favoritas:
1 – The cave that you
fear to enter holds the treasure that you long to seek.
2 – It is by going
down into the abyss that we recover the treasures of life. Where you stumble,
there lies your treasure.
3 – Love is a
friendship set to music.
quinta-feira, novembro 29, 2012
domingo, novembro 25, 2012
Interrompemos esta guerra
We interrupt this war for doctors
to heal, teachers to teach and students to learn.
We interrupt this war to marvel
at sunsets, listen to music and to laugh.
We interrupt this war for poets
to rhyme, sculptors to chisel, and writers to paint pictures with words.
We interrupt this war to plant
tomatoes, mow the grass and to smell the roses.
We interrupt this war to feed the
hungry, build new schools and to stamp out ignorance.
We interrupt this war to clean up
the air, save the whales and to find a cure for cancer.
We interrupt this war to rebuild,
tickle babies and for world peace.
We interrupt this war for PTA
meetings, band concerts and high school graduations.
We interrupt this war for the
Girl Scout Cookies, church bake sales and the Special Olympics.
We interrupt this war for
Disneyland, the World Series and the Super Bowl.
We interrupt this war for
Halloween candy, Thanksgiving Turkey and 4th of July fireworks.
We interrupt this war for
Hanukkah, Christmas and Kwanza.
We interrupt this war to bring
sons, daughters, sisters and brothers home.
We interrupt this war to hear a
message from Our Sponsor: THOU SHALT NOT KILL.
(um
poema de Cappy Hall Rearick )
sábado, novembro 24, 2012
Vanessa Ferreira
Tem 59 anos e trabalha numa dessas lojas que obrigaram os empregados a comparecer anteontem ao trabalho, tal como referi num post anterior. Tal como os colegas, Vanessa não gostou e, então, informou o seu patrão que ia fazer greve; este não teve mãos a medir e chamou a polícia que a avisou que ou ela ia trabalhar ou ia para a cadeia. Diz Vanessa, que ganha $11.90 à hora: “(…) "They pay low wages, then the taxpayers pick up the tab for food stamps and Medicaid. They need to take care of their people. They need to be responsible to their workers." Vanessa adianta, referindo-se aos colegas: “They're so scared (…) I couldn't get anybody to join." Vanessa, querida, nunca ouviste falar em “personal responsibility”? Nunca ouviste dizer que nem o governo nem a entidade patronal tem obrigação de cuidar de ti? Nunca ouviste dizer que isso a que te referes só acontece nos “Nanny States of Europe” e que é por isso que eles estão agora cheios de problemas? Nunca ouviste dizer que, se não ganhas o suficiente, que a culpa é tua porque não tens iniciativa e és preguiçosa? Nunca ouviste dizer, “if you don’t like it, leave!”? Isto é pura especulação da minha parte porque não sei nada sobre a senhora, mas será que veio para cá para fugir à crise e viver o “sonho americano”?
É por estas e por outras que os trabalhadores aqui não protestam; resignam-se e tomam antidepressivos. O que me chamou à atenção nesta notícia foi o nome português da protagonista e o que me levou a escrever este post foi só para dizer a quem estiver com vontade de ir vencer a vida além fronteiras, que não olhem só para o salário; olhem, também, para o custo de vida. A trabalhar 40 horas, $11.90 dá menos de 23 mil dolares por ano, pouco mais de 1900 por mês. Isso pode ser uma pequena fortuna no nosso país, mas aqui não chega. E não pensem que vão ter os mesmos dias de férias, feriados, subsídios ou um Estado Social semelhante ao que deixaram para trás. Façam bem o trabalho de casa e não venham nem às escuras nem à penumbra. Ouve-se sempre falar nos casos bem sucedidos, mas não são os únicos. Este país tem muitas coisas boas, mas não é para fracos. Ah, e já agora, lembrem-se do seguinte ditado: “Life isn’t always greener on the other side of the river.”
sexta-feira, novembro 23, 2012
quinta-feira, novembro 22, 2012
Thanksgiving & Black Friday
Para quem não sabe, hoje é o
Thanksgiving, ou Dia de Acção de Graças. É um feriado que cai sempre na 4ª
quinta-feira de Novembro e é tão importante (se não for mais) como o Natal. É um
dia tradicionalmente passado em família, com pratos típicos, quando é costume as
pessoas darem graças a Deus e comer em excesso. Mas ao fim de tantos anos
habituei-me e hoje já estranharia não o comemorar. O que me leva para falar de
Black Friday, que é como quem diz, a sexta-feira a seguir ao Thanksgiving e que
marca, também, o início da quadra Natalícia. Embora não tecnicamente feriado,
existem muitas empresas que oferecem esse dia aos trabalhadores e também há
muitas pessoas que tiram um dia de férias para descansar e fazer a digestão do
que comeram no dia anterior...ou para ir para as compras. O certo é que são
poucos os que trabalham no dia a seguir ao Thanksviving (por sinal, um dos meus
dias favoritos para ir trabalhar: Peace and Quiet!)

Black
Friday é um dia marcado por saldos e descontos como não se vê em mais altura
nenhuma do ano e é um dia marcado, também, por loucura; sim, loucura, pois só
loucos vão para as compras de madrugada, só loucos fazem campismo em frente das
lojas com uma semana de antecedência, só loucos se sujeitam a longas filas,
berros, faltas de respeito, empurros e amuos pelo privilégio de serem dos
primeiros a ser atendidos e sair das lojas todos contentes e orgulhosos com
porcaria nos carrinhos de compras quase toda ela “colada a cuspo” na China. Já
tem havido, inclusivamente, quem morra esmagado no meio de tanta confusão.
Estou-me a lembrar do que se passou por aí em Maio passado com o Pingo Doce: "(...) dou-vos o que precisam ao preço da chuva; em troca, posso tratar-vos (...) como pedaços de merda com uma carteira com o pouco dinheiro que serve para pagar a mercadoria que vos vendo.”
Este ano a polémica e loucura
parece ser ainda maior. Lembram-se de eu dizer que, para muitos, o dia de hoje
é ainda mais importante que o Natal? Ora bem, este ano há uma série de lojas
que entendem que abrir as portas à meia-noite é muito tarde e, então,
resolveram abrir-las ainda hoje, o que faz com que muitos empregados não possam
passar o dia em família. Deus abençoe a ganância e o capitalismo desenfreado!

Atitudes
O seguinte
texto foi copiado, na íntegra, de uma revista que li numa sala de espera antes
de ser atendida e é da autoria de Ben Affleck
“At the time the Dafur conflict was in the news, I learned that these atrocities, as tragic as they were, accounted for only a fraction of the war, famine, and disease on the Democratic Republic of Congo alone. I took a year or two to educate myself travelling to the region and meeting with local academics, politicians, and survivors. It became clear that the people of eastern Congo needed funds to start businesses, create trade schools, and establish organizations to better educate women. I felt it was important to alter the perception that Africa is a continent of starvation, potbellies, and helplessness. I never saw any of that. In fact, I saw the opposite. “vengefulness”? No – actually quite forgiving. “Lazy”? Industrious. “helpless”? Eager to learn and help the communities. So I founded ECI, an advocacy and grant-making initiative that supports Congolese organizations dedicated to building sustainable communities. It has been inspiring to see a classroom of kids excited to answer questions and to meet a woman who’d once been a sex slave but is now studying law. The people in this part of the world have overcome horrible things like rape, imprisonment, and disfigurement. Their passion for life is what makes me believe change is possible.”
“At the time the Dafur conflict was in the news, I learned that these atrocities, as tragic as they were, accounted for only a fraction of the war, famine, and disease on the Democratic Republic of Congo alone. I took a year or two to educate myself travelling to the region and meeting with local academics, politicians, and survivors. It became clear that the people of eastern Congo needed funds to start businesses, create trade schools, and establish organizations to better educate women. I felt it was important to alter the perception that Africa is a continent of starvation, potbellies, and helplessness. I never saw any of that. In fact, I saw the opposite. “vengefulness”? No – actually quite forgiving. “Lazy”? Industrious. “helpless”? Eager to learn and help the communities. So I founded ECI, an advocacy and grant-making initiative that supports Congolese organizations dedicated to building sustainable communities. It has been inspiring to see a classroom of kids excited to answer questions and to meet a woman who’d once been a sex slave but is now studying law. The people in this part of the world have overcome horrible things like rape, imprisonment, and disfigurement. Their passion for life is what makes me believe change is possible.”
Não recomendo passarmos a vida com a cabeça enterrada na
areia como a avestruz, acho que criticar o que está mal é saudável e que tomar
uma atitude proactiva é sempre de louvar, mas será que temos mesmo razão para
refilar tanto? Há uns tempos atrás houve uma sondagem que comparava os índices
de felicidade entre vários países do Mundo. Este estudo concluía que a America
é o país com maior taxa de depressão, que os países
escandinavos têm as maiores taxas
de suicídio e que é em África onde
existem as taxas mais baixas de depressão. Isto faz pensar. A conclusão que esta
leiga tira é a seguinte: 1-) Um elevado nível de vida não implica,
necessariamente, felicidade; 2-) Factores genéticos ou desequilíbrios de certas
substâncias químicas no cérebro à parte, os ocidentais dão demasiada importância
ao materialismo (a coisas que, no fundo, não valem um tostão furado) e pouca importância
às pequeninas coisas da vida e ao que, realmente, é importante. A lufa-lufa quotidiana, o stress, o passar a vida às voltas como uma galinha
sem cabeça, a inveja, a ganância, a luta desenfreada pelo poder, o pensar que a
"relva é mais verde do outro lado do rio"...são apenas algumas das
ratoeiras em que muitas vezes caímos. Eu acho que antigamente as pessoas eram
mais felizes. É verdade que havia muito mais pobreza, a vida era muito mais árdua,
mas acho que as famílias eram mais unidas e a vida mais simples. Eu cresci no
seio de uma família onde tanto o pai como a mãe trabalhavam mas que, mesmo
assim, vinham a casa almoçar – não é como agora. Lembro-me de haver tempo para
comer sopa, 2°prato, fruta e ainda beber um copito de vinho e um café. Hoje em
dia, o que vejo são pessoas a engolir uma sandes e um café enquanto sentadas à
secretária em frente do computador; hoje em dia, tirar “coffee breaks” ou
“lunch hours” é muito mal visto. Hoje em dia, quanto mais conveniências há (portáteis;
telemóveis; carros próprios, etc. etc. etc.) maior a azáfama e mais cancro,
AVCs, ansiedade, irritabilidade e agressão parece haver. E mais individualistas
e indiferentes as pessoas parecem ser.
Quando eu era
criança, os adultos eram uns “chatos” por quanto que mostravam interesse sobre
o que se passava no colégio; os pais faziam questão de saber como tinha sido o
meu dia, de falar com a minha professora e de ver os TPCs que, naquele tempo, chamávamos
“deveres”; quando eram horas de brincar saltava o muro e ia à procura de outras
crianças da minha idade, só havia uma televisão e não era no quarto de ninguém
e nessa televisão só se podia ver um canal e era só à noite e tinha que ser
antes das 23:00 horas quando vinha o Hino nacional - but I digress. Quando eu
era criança um “tweet” era o som que os passarinhos faziam, não uma frase
(obrigatoriamente) curta sobre a vida ou opiniões de cada um. Quando eu era
criança as pessoas que estavam longe comunicavam por telefone, ou escreviam
cartas umas às outras. Que diferença dos dias que correm! Hoje em dia, com o
Facebook, SMS, Twitter, online shopping, online banking, online dating, etc., as
pessoas parecem ser cada vez mais distantes e as relações cada vez mais
superficiais; passar histórias de geração a geração (que enriqueceu tanto a
vida de certas crianças) parece ser, hoje, uma raridade – quem é que tem tempo?
Quando eu era
criança estas modernices não existiam e, no entanto, a vida parecia mais calma.
Alguém ainda duvida da lei “The Law of Diminishing Returns?” (um conceito de
microeconomia que, desculpem, não sei como se diz em português). Tudo isto em
busca de que El Dorado?
Por vezes este mundo em que vivemos
faz-me lembrar uma chaleira com água já a ferver que ficou esquecida em cima do
fogão. Se não apagamos rapidamente o gás vamos ter uma grandessíssima bagunça
para limpar; os recentes conflitos no Médio
Oriente, então, assustam-me como nenhuma outra altercação até agora. Por vezes,
a minha vontade era ir viver para uma comuna de hippies ou para a Amazonia
entre os indígenas (aqueles que o meu livro de História
do 1° ano do Ciclo Preparatório designava de “primitivos actuais” e de quem, na
altura, eu tinha pena, mas que agora por vezes invejo). Com cada
ruga e cabelo branco, cada vez dou menos valor a "coisas" e mais ao
que realmente importa, como relações interpessoais, com a natureza e com outros
seres vivos. E estou mais que farta de ter que trabalhar para "o
sistema". Contudo, admiro quem se
sente útil ou realizado dentro do dito sistema.
E admiro ainda mais todos aqueles que têm coragem para mandar
“o sistema” ao outro lado e fazer o que, realmente, lhes dá gosto e prazer.
Claro que
antigamente nem tudo eram rosas e que agora há coisas muito melhores, não é
disso que estou a falar. Tudo isto veio a propósito do texto de Ben Affleck que
me fez lembrar os queixumes e lamúrias com que me deparo todos os dias e me pôs
a pensar. Fico-me por aqui antes que me
apareça alguém pela frente com um colete de forças. Já estou
como o Melga aí dessa banda, “My thoughts are like leaves in autumn…”
segunda-feira, novembro 19, 2012
Frightening truth…
The point goes very much around the meaning of life for each human being. The more I know about others and about myself the more convinced I become of the weight of education or - if you prefer - the importance of the link with the parents, especially with the mother during childhood. People who really grow up are those who dare to go beyond such a "determination" without losing their memory, identity, roots. Such a maturing process may take many years - if not an entire life - and there is people who never succeed, who remain "victim of their birth". Strong people are those who challenge their destiny, who can create (or recreate) it.
Furthermore:
It is very important to give value to ourselves regardless of what we believe is the value others assign to us. We should not behave just to get the applause of others because that is similar to "how nice we wanted to be with mom" in order to please her and deserve her love and attention when we were kids. But that is just another way of saying that self-esteem is key... without falling into narcissism and maintaining empathy with people around us.
I stop here. My thoughts are like leaves in autumn…
domingo, novembro 18, 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















.jpg)