sábado, novembro 17, 2012

Algumas das minhas citações favoritas sobre a obsessão que alguns têm com a perfeição

I - Brené Brown (perfectionism vs. healthy striving):
·         Perfectionism is not about striving for excellence. Perfectionism is not about achievement and growth. Perfectionism is the belief that if we act perfectly, we can avoid the pain of blame, judgment and shame. Most perfectionists grew up being praised for achievement and performance in our grades, manners and appearance. Somewhere along the way, we adopted this dangerous and debilitating belief system: I am what I accomplish and how well I accomplish it. A ticker tape began to stream through our heads: Please. Perform. Perfect. Healthy striving, meanwhile, focuses on you. It occurs when you ask yourself, ‘How can I improve?’  Perfectionism keeps the focus on others. It occurs when you ask, ‘What will they think?’  Research, unfortunately, shows that perfectionism hampers success and often leads to depression, anxiety, addiction and missed opportunities, due to fears of putting anything out in the world that could be imperfect or disappoint others. It's a 20-ton shield that we lug around thinking it will protect us when, in fact, it's the thing that's really preventing us from taking flight.” 
Tenho que fazer um esforço para me lembrar desta distinção. A “perfeição”, por mais que se tente, não existe e por vezes leva-nos a ficar paralizados com medo de cometer erros. E quanto maior for este medo, maior a ansiedade...e maior a probabilidade de errar - para não falar na possibilidade de perder oportunidades devido ao pavor em não sermos perfeitos.
II - Julie Morgenstern
·         “Perfectionism is tricky. It seems like a virtue (..) but taken to extremes, it's a paralyzing trap. Perfectionists endlessly berate themselves, judging their work with one of two grades—Perfect or Complete Disaster.”

Ask yourself who your inner critic is. Usually, it's someone from your past: a harsh parent, teacher, coach, or sibling. Recognize that this voice is probably no longer relevant, and ignore it. Pay attention to people who understand the work you're doing and have a hand in evaluating it.”
III - Anne Lamont
·         “Perfectionism is the voice of the oppressor (…) It will keep you cramped and insane your whole life." 

IV - Martha Beck
·         “Perfectionism usually paralyzes you before you begin, stiffens you until you screw up, and sends shame howling through your consciousness even if you do well. It's time to wake up and smell this dark-roasted little truth: Perfectionism never delivers on its promise of perfection. It does not work.”


Aquilo que mais chateia nesta senhora é aquela sua presunção de dizer coisas "óbvias" a quem sofre, ou seja, dizer-lhes que o caminho é de expiação pelos pecados cometidos, pelos excessos de hedonismo, pela inconsciência de parecer rico sem ter meios de o continuar a ser.

De resto, é uma atitude semelhante à de Margareth Thatcher nos anos 80 quando tratava os trabalhadores em greve como meninos mimados e traquinas que tinham de levar táu-táu (leia-se: cargas policiais), que é como quem diz, perder o emprego, a segurança social e passar fome para entrar nos eixos da virtude do trabalho obediente e mal pago, para que o Reino de Sua Majestade recuperasse a competitividade e equilibrasse as suas contas.

A Sra Prussiana não anda longe desse paradigma com a diferença de usar luvas de pelica, de colocar aquela máscara de razoabilidade para disfarçar uma agenda nacionalista. Thatcher era honestamente brutal. A Sra Prussiana é comedida mas firme, parece uma freira a ditar o catecismo, talvez um padre no confessionário prescrevendo padres nossos e avés marias. E tem mesmo um argumento de autoridade: o que passaram os alemães de leste após a reunificação e os sacrfícios impostos a todos os alemães para que, agora, estejam muito melhor, que é como quem diz, com salários mais baixos, mas com emprego numa economia que continua a crescer, também à custa dos despesistas do sul.

Os do sul têm uma culpa que agora devem expiar. Todos os do sul têm culpa: os povos e os seus (maus) dirigentes que se renderam aos argumentos dos vendedores de Mercedes e BMW, da Siemens ou da Bayer durante os anos 2007-2010 de luta frenética contra a crise alegadamente importada dos EUA.

Carnage


É, na minha modesta opinião, uma delícia de filme. Sob a direcção de Roman Polanski, conta com interpretações excelentes de Jodie Foster, John C Reilly, Christoph Waltz e Kate Winslet. Trata-se de uma  sátira contemporânea que relata a relação entre dois casais após uma bulha entre os seus filhos que deixou um deles sem os dentes da frente. Dois casais de meia-idade, homens e mulheres complexos que sobrevivem das aparências e que se não tivesse sido o incidente entre os filhos assim continuariam; para que isso acontecesse também contribuíram uma dúzia de tulipas, um hamster, um bolo de maçã e pêra, whiskey, café, vómitos...e um smart phone. E mais não digo.

Foi giro assistir à “evolução” das personagens desde o período inicial marcado por obséquios e cerimónias ao caos total: de “walking on egg shells” a “I don’t give a shit anymore.” Uma verdadeira “carnificina catártica.” Gostei porque é um filme que mostra, de forma inteligente e com doses iguais de drama e comédia, o egoísmo e o superficialismo tão prevalente nas relações actuais, a farsa diária que é a vida de tantas pessoas e casais da classe média; por isso, é um filme que, sem ser pesado, nos faz pensar. Gostei porque tem a ver com interações humanas e, até um certo ponto, psicologia, duas coisas que sempre me despertaram interesse.

Infelizmente, identifiquei-me muito com Penelope, um papel muito bem interpretado por Jodie Foster. Aliás, houve certas ocasiões em que parecia que estava a olhar para o espelho...e não gostei do que vi. Gostei porque não há nada como vermos os nossos “tiques” nos outros para que nos apercebamos que já vai sendo tempo de mudarmos pequeninas coisas que não gostamos em nós próprios. Gostei porque não sabia nada sobre o filme e, assim, deixei-me surpreender.

Do meu ponto de vista, foram 80 minutos bem passados. Outro ponto de vista

(trailerque não aconselho a quem quiser ver o filme, pois mostra muitos incidentes que acho seriam mais engraçados com o elemento surpresa presente

(Behind the scenes ) entrevistas que recomendo ver



Um mau casamento é prejudicial à saúde...


...e divorciar não resolverá o problema. De acordo com um estudo de American Psychosomatic Society, embora casamentos férteis em discussões possam tornar ambos cônjuges deprimidos, apenas mulheres de meia-idade (e não os homens) apresentam problemas de saúde associados a problemas conjugais. Nieca Goldberg, directora do departamento de cardiologia da New York University, diz o seguinte: a raiva e a hostilidade com que tantos casais vivem pode aumentar as hormonas do stress associados à resistência de insulina, o que conduz a um nível mais elevado de açúcar no sangue e a maiores riscos de diabetes e doenças cardíacas: “There have been studies that show that if a marriage is stressful, not a good relationship, those women have higher rates of heart attack.” Por outro lado, “For men, having a problematic marriage is still emotionally, but not physically, problematic healthwise.” – até nisso têm mais sorte!... Isto porque, “Women seem to nurture relationships more than men do and attach significance to the emotions within relationships more than men do” – what else is new? 

O divórcio pode não ser a solução por uma razão muito simples: tal como dar comprimidos para as enxaquecas crónicas, insónia, hiperlipidemia ou hipertensão pode ser equivalente a colocar um penso numa ferida profunda sem, primeiro, tratar a ferida como deve ser com pontos e desinfetante (muitos destes problemas são, frequentemente, o resultado de anos de maus hábitos) também não podemos dizer  “(...) ‘Dump your spouse, and you’ll be fine,’ (…) a lot of other factors (…) go into this. Health habits over a number of years, (…) marital strife is just a small part of what might help contribute to some of these health outcomes. (…) The bigger question is (…) ‘Do we want to treat the women (…) with some medication, or do we want to treat the whole person?’

Este artigo fez-me lembrar um trabalho que fiz para Abnormal Psychology, uma cadeira de opção que tirei quando estudava gestão e a que chamei “Cancer as a psychophysiological disease.” Lembro-me de ter dado muito trabalho, mas também de ter aprendido muito e de achar todo o material que li super-interessante. No meu caso, resolvi investigar a relação entre o cancro e a mente (stress), mas podia ter escolhido uma outra doença qualquer, tais como uma das que o artigo menciona.

Para haver paz, opposites DO NOT attract – at least long term.
Announce Your Divorce With This Funny Card Or Poke Fun At A Relationship

sexta-feira, novembro 16, 2012

Viver acima das nossas possibilidades


Década perdida

A análise é de Carmen Reinhart, uma das economistas do mundo mais conceituadas no estudo de crises financeiras.
A resolução da crise europeia e portuguesa deveria incluir reestruturações de dívida pública e privada, defendeu esta tarde Carmen Reinhart, uma das economistas mundiais mais conceituadas em análises e crises financeiras numa conferência em Lisboa promovida pelo Banco de Portugal. Austeridade e reformas estruturais não chegam, avisou.

A economista, que é a mulher mais citada do mundo entre pares, tem-se destacado nos últimos anos a estudar a crises financeiras em todo o mundo os últimos dois séculos, incluindo nas economias avançadas. O seu trabalho que numa parte importante é desenvolvido em parceria com Kenneth Rogoff, um ex-economista chefe do FMI tem sido amplamente difundido nos meios académicos e de decisão de política económica ao mais alto nível.

Carmen Reinhart – que ao contrário dos planos iniciais não veio a Lisboa - falou por vídeo conferência a partir dos EUA para uma audiência que incluía além de Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, Faria de Oliveira, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, e vários economistas e responsáveis do sistema financeiro e dos departamentos de investigação nacionais mais relevantes. “A mensagem não é animadora”, avisou logo ao início a economista.

“Não estou a dizer que a austeridade e as reformas estruturais não são importantes” para resolver a crise. “O que estou aqui para dizer é sugerir que decididamente só isso não chega” para resolver crises da dimensão da experimentada pelas economias avançadas. “Quando as dívidas chegam a este nível, historicamente necessitaram de algum tipo de negociação com os credores”, defendeu.

Reinhart diz que nos últimos anos está habituada a ouvir a “perspectiva optimista” de que se poderão resolver os problemas através de uma estratégia que aposte crescimento, mas avisa com base nos dois séculos de crises financeiras que vem analisando: “há muito poucos exemplos de países que tenham conseguido resolver crises deste tipo apenas através de crescimento”. E não é apenas nas economias emergentes, frisou: “Nas economias avançadas [as resoluções das crises] têm envolvido algum tipo de reestruturação, e nos casos mais extremos, incumprimentos”, afirmou.

A economista considerou que “algum tipo de reestruturação de dívida, privada e pública” é um tema “muito importante para o caso de Portugal” que tem níveis elevados de ambas as dívidas. Mas Reinhart defendeu também que essa necessidade não se esgota sequer no Sul da Europa. A economista fez questão de sublinhar que “esta é a maior crise que vimos desde a grande depressão” e que é preciso ponderar mecanismos de alívio de dívida “não apenas na periferia europeia”, mas também nos EUA e no Reino Unido.

Uma década perdida pela frente

As investigações que tem desenvolvido com os economistas Kenneth Rogoff e Vincent Reinhart mostram que, historicamente, crises da dimensão da actual levam mais de uma década a ultrapassar. “Não é um ano ou dois, é uma década”. Em média, nos dez anos após a crise “o crescimento do PIB é mais baixo entre 1 e 1,5 pontos do que na década anterior” e “o desemprego é em média 5 pontos superior", afirmou. Muitas vezes, mesmo dez anos depois, PIB e desemprego ainda não voltaram aos níveis anteriores à crise, avisou.

Sobre a desalavancagem da economia - isto a redução do endividamento - Carmen Reinhart aponta para que a sua conclusão demore em média sete anos após o início do processo de desalavancagem, o qual por sua vez só tem início dois a três depois do eclodir da crise (os primeiros anos aliás são tipicamente marcados por aumentos de dívida, especialmente pública, como esta crise bem demonstra). Ou seja, o processo está apenas a começar.

A análise da economista aponta assim para o final desta década como meta para a recuperação da crise nas economias avançadas. Mas esta é uma média: poderá levar menos tempo, com as políticas adequadas; poderá demorar mais, com as políticas erradas.

É por isso que defende que as economias avançadas avancem o mais rapidamente possível para reestruturações de dívida privada e pública. “Não há saídas fáceis. Será difícil e implicará novas perdas de PIB. A opção é entre sofrer agora e recuperar depressa, ou conter os danos agora, mas ficar num marasmo indefinidamente”, respondeu a um dos membros da audiência. “A escolha não é fácil”, reconheceu, mas defendeu que “o adiamento das reestruturações em Portugal, Espanha, Irlanda ou Itália fazem muito, muito mal”.

copiado de Jornal de Negócios on-line
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=HOMEPAGE_V2

domingo, novembro 11, 2012

Uma hora e meia com um dos maiores trompetistas de jazz de todos os tempos (há quem diga o maior)



Uma boa semana de trabalho a todos

"Vote the Humans Out"



Recebeu 7 319 votos e ficou em 3° lugar. Diz Anthony Roberts, dono do gato Hank, "(…) we still raised $60,000 for animal rescue (…) there are literally going to be lives that are saved with that. From our personal point of view we got to share our kitty with the entire world, and that's really great." 

Quando é que esta moda pega em Portugal?

sábado, novembro 10, 2012

Uma história triste com um final feliz


Em 1944 Thomas Beck tinha 15 anos e Edith Greiman 14. Conheceram-se em Budapeste, num campo de concentração Nazi e apaixonaram-se um pelo outro. Mas Thomas escapou deixando Edith para trás e viveu o resto da vida com o coração pesado porque nunca se esqueceu do seu 1° amor nem tão pouco das circunstâncias terríveis em que se conheceram e separaram; ele refez a sua vida na Australia e nunca mais se viram ou souberam um do outro.

Até que, sessenta anos mais tarde, o senhor Beck regressou à Hungria com uma equipa australiana para relatar a sua fuga num documentário. Foi quando encontrou um amigo de infância que o informou que Edith tinha, de facto, sobrevivido e que também morava na Australia...a uns escassos 300 metros do filho de Beck – que raio de coincidência!

Após tomar conhecimento do paradeiro de Edith e que esta também o procurava, começaram a comunicar por e-mail  e voltaram-se a apaixonar. Hoje o senhor Beck diz que estão juntos há 4 anos e que são muito felizes; a senhora Greiman corrige-o e diz, “mais que felizes.”
Thomas Beck and Edith Grieman
Mazel Tov to you both!

Mudança de paradigma?

Mas há quanto tempo ouvimos falar nisto? No entanto, é o que defende Umair Haque (economista e contribuidor no blog Harvard Business Review ) no seu último livro Betterness: Economics for Humans. A tese de Haque é a de que o mundo dos negócios “as we know it” está a chegar ao fim e o modelo de gestão em vigor desde a Revolução Industrial  é obsoleto. A obsessão com os retornos financeiros (Return on Investment – ROI) e com os lucros a curto prazo (often measured by quartely goals) é frequentemente prejudicial à comunidade, à natureza e às futuras gerações. Até aqui nada de novo, mas Haque vai mais longe, indicando que são os próprios consumidores a exigir uma mudança de visão e rumo na forma como gestores e administradores tradicionais dirigem as empresas a seu cargo.

Haque também demonstra, com exemplos práticos, como o foco principal de determinadas empresas de sucesso é nutrir o bem-estar colectivo (aquilo que os livros de marketing designam de "societal marketing concept” )o que é muito mais benéfico para todos os envolvidos do que ter, como objectivo principal, a derrota de adversários a todo o custo a troco de recursos humanos desencorajados, frustrados,  com os nervos constantemente à flor da pele e uma série de mazelas psicológicas e físicas  – sim, porque está mais que provado que estar sujeito a períodos prolongados de stress é prejudicial à saúde e, consequentemente, contraproducente à produtividade: "(...)business as we know it has reached a state of diminishing returns--though we work harder and harder, we never seem to get anywhere” .


Although skeptical that this management style becomes commonplace during my lifetime, I can't help but feel a flicker of hope for the coming generations.


quinta-feira, novembro 08, 2012

Académica 2 - Atlético Madrid 0


http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1571672



Aqui está uma coisa que não se explica: a paixão por uma cidade e por um clube que representa uma memória, uma identidade, sentimentos fortes. BRIOSA sempre! Nem que jogue nos distritais... Mas hoje ganhou ao segundo classificado da I Liga espanhola, ainda titular da Liga Europa e isso enche-me de um enorme orgulho. Trata-se da vitória de um orçamento de 4 ou 5 milhões de euros sobre um orçamento de mais de 60 milhões, do clube de uma cidade de 150000 habitantes sobre um clube da capital de Espanha, com mais de 3 milhões de habitantes. Bem hajas BRIOSA.

quarta-feira, novembro 07, 2012

(outra) Vitória importante para a reforma bancária

Elizabeth Warren (docente na Universidade de Harvard) ganhou a corrida para o Senado pelo Estado de Massachusetts, batendo o Republicano Scott Brown (advogado e modelo) e os muitos milhões de dólares que os bancos e os banqueiros gastaram para a derrotar.  Warren tem dirigido críticas ferrenhas ao sector bancário e defendido mais regulação, críticas estas que a indústria bancária receia que ela leve para o Senado. Warren idealizou, estabeleceu e geriu temporariamente o Consumer Financial Protection Bureau , uma agência que visa proteger os clientes bancários e de outros serviços financeiros.

É por isso que a corrida para representante de Massachusetts no Senado custou $70 milhões (a mais cara no país) tendo sido a indústria financeira quem mais contribuiu para a reeleição de Brown.  

Embora não haja garantias que Warren faça imediatamente parte do Senate Banking Committee  não duvido que servirá de espécie de “firewall” contra esforços da parte dos bancos para enfraquecer as reformas financeiras em vigor desde a crise de 2008 e as que ainda estão por debater: http://www.americanbanker.com/issues/177_215/warren-wins-senate-seat-likely-to-play-key-role-on-banking-issues-1054188-1.html?zkPrintable=1&nopagination=1
Elizabeth Warren Senate 2012

Any predictions, Melga? Haverá esperança?

 
 

The morning after

For my dentist and other equally racist  self-righteous right-wing gun-toting advocates and union-busters and Bible chest-thumpers and over-the-top nationalists who believe that individualism rules and that collectivism is for losers:
 
It’s over. Get over it, now go away!
(try again in 4 years)
É precisamente assim que eu me sinto: JUBILANTE!
(que suspiro de alívio...)
SWEET!

terça-feira, novembro 06, 2012

Em dia de eleições:

Kids Just Know

Após cumprir a minha obrigação e exercer o meu direito cívico, a única coisa que posso fazer é seguir o conselho de alguém que me diz muito: figas canhoto.  Porém, verdade se diga: a esperança não é muita – por várias razões .

segunda-feira, novembro 05, 2012

Por Obama

Apesar de ter escrito isto há 4 anos: http://fantasticomelga.blogspot.com/2008/11/obama-e-mudana.html e de continuar basicamente a pensar o mesmo, agora votaria Obama, como mais de 80% do mundo fora da América. O tipo mostrou uma qualidade elementar: bom senso! Não é pouco nos tempos que correm...

domingo, novembro 04, 2012

A espuma dos resgates

Numa situação de difícil negociação como aquela em que se encontra Portugal perante os seus credores externos há que identificar claramente quem tem a perder o quê. Da resposta a essa questão resulta saber quem tem que tipo de Poder. Começo por referir que a palavra “negociação” pode mesmo ser considerada ousada neste contexto porque Portugal encontra-se mais numa posição de absoluta dependência do que qualquer outra coisa. É preciso tomar consciência de que a soberania desapareceu a partir do momento em que deixámos de ter livre acesso aos meios financeiros para pagar salários aos funcionários públicos ou para importar medicamentos. O governo de Portugal limita-se a tomar medidas para convencer o FMI, o BCE, a União Europeia e outros credores de que um dia poderá pagar as suas dívidas. Se essas entidades tiverem dúvidas quanto a isso (por boas ou más razões) não desembolsam os fundos de que precisamos para pagar os salários ou os medicamentos. Infelizmente, a coisa é tão simples quanto isso e é lamentável que ande por aí tanta gente a fazer de conta de que manda alguma coisa ou a mandar palpites sobre como a coisa poderia ser diferente.

Emoções, ilusões e presunções à parte, volto à minha questão: que argumentos tem Portugal? Um só: o dinheiro que pode fazer perder aos credores externos! Essa é uma linguagem simples que eles percebem. Estão-se nas tintas para a fome e para o desemprego, para a solidariedade, para a justiça ou falta dela. O que eles querem é o dinheiro de volta sem perdas nem atrasos. De resto, parece-me normal da parte de quem empresta dinheiro e não vou entrar (por agora...) no debate sobre de quem é a culpa do endividamento excessivo: dos credores imprudentes ou dos devedores insaciáveis? Portugal deve chamar os credores à mesa da renegociação para os alertar de forma inequívoca para os riscos de perderem dinheiro, para o facto de poderem estar a prejudicar os seus próprios interesses ao avalizar políticas que, asfixiando a economia, asfixiam a capacidade de serviço da dívida por parte do devedor-Portugal. Ou seja: os credores deverão começar a pensar numa reestruturação da dívida no seu próprio interesse, mais do que no interesse de Portugal. Reestruturar antes pode implicar eliminar (ou reduzir) perdas depois. É evidente que o dilema para os credores consiste em determinar se esse momento já chegou ou se vale a pena continuar a esticar a corda, esperando que do sofrimento extremo do devedor não resulte uma quebra de que sofram “in fine” também os credores. Trata-se de um jogo de poker perigoso, acentuando os sacrifícios de muita gente inocente.

Mas quem são os credores externos desses cerca de 200 mil milhões de dívida pública? Essencialmente bancos e fundos internacionais que têm aproveitado os empréstimos do chamado sector oficial (p.ex. FMI, BCE, UE) para se pirarem. É preciso não esquecer que os saques no quadro dos empréstimos da Troika servem para reembolsar dívida que se vence e que não é refinanciada com outra dívida do mesmo tipo (dívida privada). O que quer dizer reestruturação da dívida? Prolongamento de prazos, redução de taxas de juros, desconto do valor nominal da dívida (os famigerados “haircuts”), subordinação a outros credores, reforço dos empréstimos do sector oficial (um novo resgate). Nada disso será feito de ânimo leve porque, de um modo ou outro, significa perdas de alguém. Mas, outra coisa não quer dizer a presunta insustentabilidade da dívida. Os credores só vão entrar nessa lógica quando se sentirem puxados para uma estratégia de minimização de perdas, isto é, quando o conceito de perda se apresentar como inevitável. A solução ideal seria convencer os credores de que darem tempo e meios ao crescimento (provavelmente, perderem alguma coisa no imediato) seria a melhor estratégia para favorecer a capacidade de serviço da dívida a médio/longo prazo, noutras palavras, para estabelecer a famosa sustentabilidade da dívida.

Caimos, assim, na dialéctica entre liquidez e crescimento e dos desafios do crescimento propriamente dito. Que argumentos tem Portugal para demonstrar aos seus credores (e a si próprio antes de mais nada...) que pode crescer a longo prazo a uma taxa superior a uma taxa “normal” de juro? Estamos a falar de um número da ordem dos 3-5% ao ano. Ora a economia portuguesa cresceu em média a 1% nos últimos 10 anos... Esta é a questão que custa, a mais difícil de esclarecer, a que nos transporta à estrutura da sociedade portuguesa, para além da espuma e da urgência dos ajustamentos conjunturais. Depois há uma alternativa algo draconiana, pelo menos, no curto/médio prazo (até atingir o tal crescimento fantástico): a autarcia, isto é, viver sem crédito externo o que significa viver com os próprios meios. Que deus nos ajude... Reparem: isso não será muito diferente da bancarrota ou de uma saída precipitada do euro, dado que os credores internacionais não quererão mais ouvir falar de Portugal durante muitos (mas mesmo muitos) anos. A não ser que nos vendamos aos russos e chineses…

sábado, novembro 03, 2012

How the HELL can these people sleep at night?



“(…) a lot of people (…) acknowledge things internally, but no one is willing to say it publicly.”
Isto não é exclusivo à Goldman; começa com o medo de perder o emprego e acaba com a corrupção generalizada (é o chamado, “if you can’t beat them, join them”) It’s survival, plain and simple. A lei da selva.
“Many of these clients include pension funds that put ordinary Americans' retirement savings at risk when they invest with Goldman and other banks.”
Filhos da P&T@!... [desde 1985 que oiço falar de empresas que perdem os fundos de pensão dos trabalhadores – para as quais estes descontam – com práticas antiéticas e investimentos duvidosos. Desde pequenas empresas locais esquecidas pela comunicação social nacional, às companhias de aviação que mais depressa são mencionadas pela chamada “national media.” ]
"It makes me ill how callously people talk about ripping their clients off (…)”
“(…) Wall St. ethics is a sort of oxymoron (...)”

O problema é estas bestas pensarem que são o centro do Universo e que o resto dos mortais são meros “muppets” para usar e abusar. "They genuinely believe that they are the wealth creators and that they should get every advantage and break whereas everybody else is a parasite and they're living off of them" . O problema é a complexidade dos produtos vendidos a grande parte do mundo ocidental, a falta de escrúpulos e o síndrome de “too big to fail”. The problem is the lack of accountability (tanto de quem nos meteu nesta trapalhada, como das agências de rating por terem dado notas altas a investimentos que não passavam de lixo). O problema é o estado actual da comunicação social e de um público que chega a casa estoirado demais para digerir programas como o de Bill Moyers ou Rachel Maddow e prefere descançar a cabeça com programas de desporto, com “reality shows” tipo Honey Boo Boo, Kardashians ou “ídolo disto ou daquilo” (apresentados sob o pretexto de ser uma mera questão de procura e oferta) ou, então, serem “informados” pela cadeia Fox News, onde mulheres loiras a mostrar a perna e decotes enormes (e homens de cabelo grisalho e voz forte para impor respeito e sabedoria) apresentam problemas complexos de forma simples, com vocabulário simples e indignação falsa, com mentiras, exageros e “catchy phrases”, reduzindo tudo ao mínimo denominador comum. O problema são “pundits” que são pagos bom dinheiro para aparecerem na TV e rádio a defenderem as ideias de “think tanks” e “lobbyists” e o público não se aperceber que estão a assistir a “reclames” e não a informação. The problem is greed and a power trip gone awry.

My apologies to our readers (as minhas desculpas, também, ao Melga da outra banda) for this latest rant. It has been a long week – time for bed.

These men and their writers are geniuses:

I -  Metaphorical ellipticals and treadmills:  http://www.colbertnation.com/the-colbert-report-videos/420540/october-24-2012/nonstop-libya-gate-questions
II - Bulls#%t Mountain: http://www.hulu.com/watch/416068

O novo salazarismo

Disse-me que estamos de novo em salazarismo. Salazarismo psicológico, mais do que económico. Esta sensação de vazio, de cansaço, este negrume que se ergue à nossa volta antes de entrar em cada dia, como num longo túnel de mágoas. Durante o salazarismo (de quando havia Salazar), esse vazio era mitigado por uma luta com sentido: pela liberdade, contra a guerra colonial, pela democracia, pelo desenvolvimento. Hoje temos a liberdade de empobrecer, a guerra fria da angústia, uma democracia autista, a asfixia da dívida. Hoje predomina o desânimo, a desistência, a falta de esperança, a expectativa de que as coisas só possam piorar por tempo indeterminado. Este salazarismo é talvez pior porque anula a energia, esmaga a vontade, não deixa espaço a projectos alternativos, apresenta-se como uma fatalidade. Na melhor das hipóteses, gera protestos ecléticos de gente desorganizada que apenas exprime uma revolta impotente. Como se todas as pessoas que se queixam à hora do café se juntassem na praça para dizer aquilo em uníssono. Ou então provoca protestos caceteiros de rabo ao léu e fogueira espúria em frente ao Parlamento. Este salazarismo é hiper-depressivo, no sentido existencial da expressão. Pior do que um povo pobre, é um povo rendido.

sábado, outubro 27, 2012

Teses à queima roupa


A crise actual resulta de uma sucessão de bolhas que nunca explodiram verdadeiramente porque os Estados vieram em socorro dos interesses privados a pretexto do interesse público, endividando-se de forma insustentável.
Por detrás da produtividade está uma sociedade inteira com a sua cultura, história, usos e costumes que se juntam a tecnologias concretas para gerar determinados resultados.

É mais fácil mudar de governo do que de povo.

Se a salvação da Europa passar pela clonagem dos alemães por parte dos povos do sul, a Europa está perdida.  
A Alemanha  aproveitou a fusão entre o Oeste e o Leste para puxar os salários médios para baixo sem prejudicar a produtividade. Além disso, desde o euro, a Alemanha tem gozado de uma moeda sub-avaliada em relação ao que seria o Marco, o que lhe permitiu conquistar quota de mercado aos países do sul e a um grande número de países terceiros.

A industrialização de uma grande parte do mundo até agora pobre e rural está a provocar uma redistribuição da riqueza e do poder. Os países de industrialização mais antiga têm de aceitar as consequências de concorrer com base nos factores tradicionais de competititvidade ou tentar descobrir novos factores de competitividade.
A desigualdade na distribuição do rendimento não é um motor de crescimento mas sim o resultado de um crescimento desequilibrado, antagónico ao desenvolvimento. A partilha mais justa dos benefícios do crescimento deve ter um valor em si mesmo.

Na Europa em crise prevalecem mais do que nunca os interesses nacionais e falar em solidariedade tornou-se infelizmente patético e inútil.
As alternativas ao programa de ajustamento são a) um milagre proveniente da economia internacional, b) o fim do euro, c) mais tempo/ajuda externa ou d) bancarrota e impossibilidade de importar poupança por muitos anos.

Durante uma recessão, os pobres continuam pobres ou ficam ainda mais pobres, a classe média perde proporcionalmente mais e os ricos ficam ainda mais ricos.
A classe política parece autista, distante dos reais problemas da população, impotente para resolver problemas, refém de “soluções técnicas” homologadas, desprovida de ideologia.

A regulação está para o capitalismo como o padre nosso e a avé maria para os pecadores.

Here we go again!...

O ano passado, devido a um nevão também por esta altura, ficámos sem electricidade, água quente e aquecimento durante uma semana (para não falar num telhado que precisou de ser arranjado e de comida no frigorífico e congelador que tivemos que deitar fora);agora é isto?  

Não me importei de viver à luz da vela, sem televisão, rádio, telefone fixo ou PC, mas detestei viver sem aquecimento na casa, tomar banho em água fria e passar a semana a pão, bolachas, atum de conserva, fruta e água engarrafada. Eu, que nunca fui muito amiga de sopa, a primeira coisa que cozinhei foi um tacho enorme de canja para descongelar o esófago e o estômago.


A única pessoa que parece não se ter importado foi o meu pai que dizia, “vocês são todos uns fracos; haviam de ter crescido nas aldeias daquele tempo sem electricidade, água corrente, aquecimento e neve lá fora...” Até lhe dou razão, eu é que já estou velha demais para me habituar a este tipo de vida!...

(lembrem-se de mim a partir de domingo)


domingo, outubro 21, 2012

Food for thought


Uma lição em coragem, ou um pai irresponsável?



De um ponto de vista estritamente pessoal ADORAVA ter tido um pai como este, pois acho importantíssimo ensinar coragem às crianças; no entanto, tenho sérias dúvidas que fizesse isto com um filho meu de apenas 4 aninhos. Não deixa de ser um tanto irónico que o 1° presente de anos que me lembro de receber ter sido um triciclo, precisamente no dia em que fiz 4 anos. “Mountain bikes” (como as que se vêem no video) só a partir dos 8 anos e só quando ia de férias para a aldeia dos avós paternos na Beira ou na Camacha, porque na cidade era muito perigoso – e, mesmo assim, não me lembro de os caminhos serem tão traiçoeiros como estes.

(agora em adulta, se pudesse, nem pensaria duas vezes: ADORO andar de bicicleta e ADORO a natureza!)

De qualquer modo, não me parece que este pequeno cresça um medricas (o que é importante) e acho que vai ter muito boas recordações de “quality time” passado com o pai – o que é muitíssimo importante.

Não haverá nada que não inventem?

Bottle Opener Remote Control

Controle remoto universal + Abridor de garrafas:
(Pode ser usado com TV, DVD, TV a cabo, por satélite, videocassete e muito mais)
Design elegante e Fácil de usar!

sábado, outubro 20, 2012

DEEVA-TUDE: “I don’t like to practice, because it’s stupid and boring.”



Um dos programas actualmente com mais popularidade neste país. Tenho ouvido tantas pessoas falarem desta pequenita “Honey Boo Boo”, que hoje decidi ir ao google ver. Sem entrar em grandes pormenores, digo apenas que este tipo de “educação” infantil e atitude adulta triste explica muita coisa na sociedade actual. Uma coisa, porém, é certa: dou graças a Deus de não ter tido uma mãe assim.