terça-feira, setembro 25, 2012
Cigarras e formigas
Era uma vez uma cigarra com mania de ser formiga que falava, falava, falava. De tanto falar achava-se formiga. E pedia que houvesse mais formigas, não das que falam, mas das que trabalham para as cigarras que têm a mania de ser formigas. A cigarra com mania de ser formiga achava-se mais inteligente do que todas as verdadeiras formigas. De facto, para além de falar, pensava, pensava, pensava. De tanto pensar achava que merecia ter mais do que as verdadeiras formigas e achava também que podia mandar em toda a gente e dar palpites sobre o trabalho das verdadeiras formigas. Até que, um dia, as verdadeiras formigas chatearam-se do mal pensar da cigarra e de tanto obedecer a tais palpites e obrigaram a cigarra a trabalhar e puseram-se a pensar pela própria cabeça de verdadeiras formigas.
domingo, setembro 23, 2012
sábado, setembro 22, 2012
Um Outono Feliz a Todos (a minha estação preferida)
Indecisões Dão Nisto:
Either:Miles Davis Or: Yves Montand
O QUE EU GOSTO DO
OUTONO:
O QUE EU NÃO GOSTO
DO OUTONO:
sexta-feira, setembro 21, 2012
Atlas Shrugged
Estou indecisa, não sei se compre se não:
- « (…) the wealthy deserve special treatment, and not just in the form of low taxes. They must also receive respect, indeed deference, at all times. That’s why even the slightest hint from the president that the rich might not be all that — that, say, some bankers may have behaved badly, or that even “job creators” depend on government-built infrastructure — elicits frantic cries that Mr. Obama is a socialist. Now, such sentiments aren’t new; “Atlas Shrugged” was, after all, published in 1957. » http://www.nytimes.com/2012/09/21/opinion/krugman-disdain-for-workers.html?_r=
Parece muito relevante na discussão dos tempos
que correm e é, actualmente, um dos livros mais mencionados
por ser um dos favoritos de Paul Ryan, candidato a VP e o "arquitecto" da política económica de Willard "Mitt" Romney mas não sei o que faça. Parece-me um livro interessante para ser lido e discutido num “book club” ou
numa aula de economia, filosofia ou strategic management; o problema que eu
tenho é não conhecer ninguém que partilhe desta opinião e, a mais de 1000 páginas
(sabendo, de antemão, a tese que defende) desconfio que se o ler sozinha que me
vou irritar e deixar o livro de lado – coisa que não gosto de fazer.
quinta-feira, setembro 20, 2012
Stop complaining: "a lady had a baby in a tree"
"If you imagine the worst case scenario and
it happens, you've lived it twice."
Vou ter que me lembrar desta pequenina frase. I really, really, really like this guy
– what an attitude!
terça-feira, setembro 18, 2012
domingo, setembro 16, 2012
Wish you were here
Quem se lembra desta canção dos Pink Floyd? A mim faz-me lembrar a minha adolescência passada muito, muito, longe daqui…
O campeonato da Europa de hóquei em patins
Com as alterações da taxa social única (tsu) pretende-se produzir um efeito idêntico ao da desvalorização cambial (que não se pode fazer por termos o euro). Ou seja: através do abaixamento do custo do trabalho pretende-se melhorar a capacidade das empresas de praticar preços mais baixos nas exportações. O sucesso de uma tal estratégia depende, porém, de tantas e heróicas hipóteses que parece mais uma miragem ou uma tentativa desesperada de meter a realidade a funcionar ao ritmo do modelo. Senão vejamos.
Dependendo dos sectores, o custo do trabalho representa no máximo entre um quarto e um terço do total do preço de venda, pelo que, uma alteração dessa parcela gera um efeito limitado. O resto são energia (a tal que beneficiaria de tantas rendas…), matérias-primas, outros consumos intermédios, o custo do capital físico (depreciação) e financeiro (juros) e a margem de lucro das empresas. Da redução dos rendimentos líquidos do trabalho não deve resultar qualquer impacto negativo sobre a produtividade. Também se considera que não há problema em consequência da contracção da procura interna; pelo contrário, esse será mais um efeito virtuoso, dada a pretensão de transferência de recursos da procura interna para a externa. Deve-se supor também que as empresas repercutem a totalidade dessa economia de custos (e da poupança da tsu da responsabilidade do empregador), numa redução dos preços de venda, isto é, que não aproveitam para aumentar a margem. Deve igualmente considerar-se que o factor preço será determinante de um aumento de quota de mercado. Ora a venda de bens e serviços ao estrangeiro, sobretudo de bens e serviços mais sofisticados, depende de muitos outros factores tais como a qualidade, o design, a logística, os prazos de entrega, os volumes, etc. Os bens e serviços que se vendem somente em função do preço não serão aqueles que convém incentivar: nesses a batalha está perdida desde há muito para países como a China ou a India.
Suponho que as alterações da tsu (pagam menos os patrões e mais os trabalhadores) seriam substancialmente neutras para o financiamento da segurança social, não estando de qualquer modo previstas melhorias nos serviços prestados aos cidadãos pela dita segurança social, o que levou pessoas como Bagão Félix a dizer que se trata de uma grosseira adulteração do conceito de taxa.
Considerando uma tal opção como criativa, o próprio FMI demarcou-se dela dizendo que haveria outras hipóteses (como um aumento dos impostos) para recuperar a folga da eliminação dos subsídios de natal e de férias que foi perdida por causa da sua inconstitucionalidade. Porque, se bem compreendo, está-se a falar de compensar esse efeito e não de resolver a derrapagem do défice que vai para além desse efeito. Assim, mais poupança terá de ser obtida, acentuando a espiral descrita no post anterior intitulado (D-R)/Y.
Já agora, gostei do que disse Pacheco Pereira ontem num artigo do jornal Publico. Se não existem alternativas, para que serve o governo? Acrescento eu: nesse caso não precisamos de um "governo político" (!), mas sim de um "governo técnico" que execute competentemente uma receita única. Pode ser mesmo um governo formado por representantes das entidades (FMI, BCE) de que depende a capacidade do Estado de pagar salários aos funcionários públicos. Sem ir tão longe, essa já é de algum modo a situação em Itália com o governo Monti, um governo de gente supostamente competente que veio em socorro de um país à deriva no meio de um berlusconismo grotesco e de uma classe política essencialmente inútil.
PS: Portugal perdeu ontem o campeonato da Europa em hóquei em patins para a Espanha ao sofrer um golo a 6 segundos do final da partida. Espero que não seja mau presságio para o programa de ajustamento em curso… Que não se perca a partida na parte final do prolongamento!
Dependendo dos sectores, o custo do trabalho representa no máximo entre um quarto e um terço do total do preço de venda, pelo que, uma alteração dessa parcela gera um efeito limitado. O resto são energia (a tal que beneficiaria de tantas rendas…), matérias-primas, outros consumos intermédios, o custo do capital físico (depreciação) e financeiro (juros) e a margem de lucro das empresas. Da redução dos rendimentos líquidos do trabalho não deve resultar qualquer impacto negativo sobre a produtividade. Também se considera que não há problema em consequência da contracção da procura interna; pelo contrário, esse será mais um efeito virtuoso, dada a pretensão de transferência de recursos da procura interna para a externa. Deve-se supor também que as empresas repercutem a totalidade dessa economia de custos (e da poupança da tsu da responsabilidade do empregador), numa redução dos preços de venda, isto é, que não aproveitam para aumentar a margem. Deve igualmente considerar-se que o factor preço será determinante de um aumento de quota de mercado. Ora a venda de bens e serviços ao estrangeiro, sobretudo de bens e serviços mais sofisticados, depende de muitos outros factores tais como a qualidade, o design, a logística, os prazos de entrega, os volumes, etc. Os bens e serviços que se vendem somente em função do preço não serão aqueles que convém incentivar: nesses a batalha está perdida desde há muito para países como a China ou a India.
Suponho que as alterações da tsu (pagam menos os patrões e mais os trabalhadores) seriam substancialmente neutras para o financiamento da segurança social, não estando de qualquer modo previstas melhorias nos serviços prestados aos cidadãos pela dita segurança social, o que levou pessoas como Bagão Félix a dizer que se trata de uma grosseira adulteração do conceito de taxa.
Considerando uma tal opção como criativa, o próprio FMI demarcou-se dela dizendo que haveria outras hipóteses (como um aumento dos impostos) para recuperar a folga da eliminação dos subsídios de natal e de férias que foi perdida por causa da sua inconstitucionalidade. Porque, se bem compreendo, está-se a falar de compensar esse efeito e não de resolver a derrapagem do défice que vai para além desse efeito. Assim, mais poupança terá de ser obtida, acentuando a espiral descrita no post anterior intitulado (D-R)/Y.
Já agora, gostei do que disse Pacheco Pereira ontem num artigo do jornal Publico. Se não existem alternativas, para que serve o governo? Acrescento eu: nesse caso não precisamos de um "governo político" (!), mas sim de um "governo técnico" que execute competentemente uma receita única. Pode ser mesmo um governo formado por representantes das entidades (FMI, BCE) de que depende a capacidade do Estado de pagar salários aos funcionários públicos. Sem ir tão longe, essa já é de algum modo a situação em Itália com o governo Monti, um governo de gente supostamente competente que veio em socorro de um país à deriva no meio de um berlusconismo grotesco e de uma classe política essencialmente inútil.
PS: Portugal perdeu ontem o campeonato da Europa em hóquei em patins para a Espanha ao sofrer um golo a 6 segundos do final da partida. Espero que não seja mau presságio para o programa de ajustamento em curso… Que não se perca a partida na parte final do prolongamento!
quinta-feira, setembro 13, 2012
Feliz Aniversário
Nunca me esqueço, avó. Desde que me lembro que me
lembro deste dia. Hoje, basta fechar os olhos para a ver sempre bem disposta e
com um sorriso nos lábios a assobiar aquelas
valsas
de Viena e a cantar o meu chapéu tem 3 bicos; o passarinho da ribeira; a samaritana; os fados do Menano (entre outros de Coimbra) com o seu sotaque madeirense ...
enquanto aturava as minhas traquinices, rabinices e outros caprichos de criança
- sem nunca fazer queixa à minha mãe.
Lembro-me muito de si, sobretudo nos momentos mais dificeis ou quando as coisas não correm bem. Lembrei-me muito de si anteontem. Era uma mulher de guerra, que passou por muito, sem nunca perder a boa disposição. Não calcula a influência que teve na minha vida e desculpe o tormento que era para me fazer comer milho frito, sopa ou as papas Maizena ao lanche...
Lembro-me muito de si, sobretudo nos momentos mais dificeis ou quando as coisas não correm bem. Lembrei-me muito de si anteontem. Era uma mulher de guerra, que passou por muito, sem nunca perder a boa disposição. Não calcula a influência que teve na minha vida e desculpe o tormento que era para me fazer comer milho frito, sopa ou as papas Maizena ao lanche...
Tenho saudades do seu colo;
dos seus abraços; dos seus beijos; do seu olhar cheio de amor ou reprovação
(bastava aquele olhar de lado ou por cima dos óculos que estava tudo dito...).
Tenho saudades dos seus contos do outro tempo, quando a avó era criança; das
nossas caminhadas pelos campos da Camacha no meio de tanto arvoredo, verdura e
vegetação (acho que é desses tempos que me vem o gosto por “hiking” no meio da natureza).
Tenho saudades de a ajudar a tirar a casca ao grão, às ervilhas e a escolher os
melhores grãos de arroz (no tempo em que era tudo comprado fresco e avulso na
mercearia da D. Lurdes ou no Mercado ao pé dos Correios) e de depois fazermos umas
pegas muito coloridas com as guitas que vinham a amarrar os pacotes. Tenho
saudades das nossas conversas e das suas lições que me têm servido tanto na
vida.
Dizem que tenho o seu queixo e
testa; gostava de ter a sua presença. Obrigada por me ter criado, pela sua paciência,
por todo o amor. Obrigada por tudo.
You were my sunshine. I love you and miss you.
L.
de Nóbrega
13/9/1886 – 13/4/1973
Campanha eleitoral em ano de eleições:
Como podem ver,
os portugueses não são os únicos com uma opinião negativa sobre os políticos.
terça-feira, setembro 11, 2012
Chile da Europa, 30 anos depois
Portugal parece-se cada vez mais com o Chile do final dos anos 1970 e 1980. Um país sob uma ditadura que (ainda) não é militar. A ditadura dos credores, a pretexto da qual se executa uma política ultra-liberal. A política que se está a impor à população resulta de uma mistura de ideologia com necessidade imperiosa de saneamento financeiro. Ideologia da liberalização, da privatização, da desregulação. No Chile, entre os sectores com maior vitalidade, encontravam-se as minas e o vinho. Aqui também se pensa nisso (e nos pastéis de nata). No Chile cortaram-se os salários, desmantelaram-se os sindicatos, reduziram-se os serviços públicos, concentrou-se o rendimento nos mais ricos com o argumento de que são eles que investem e criam empregos, fomentaram-se as exportações para evitar a bancarrota. Aqui também. No Chile, seguiu-se de perto o manual monetarista. Aqui também. No Chile, os Estados Unidos ajudaram para esconjurar a ameaça comunista. Aqui espera-se que ajudem o FMI e a União Europeia para esconjurar o despesismo. No Chile os protestos eram reprimidos pela polícia de Pinochet. Aqui não é preciso porque não há grandes protestos. As pessoas resignam-se, sofrem com civismo.
segunda-feira, setembro 10, 2012
domingo, setembro 09, 2012
Para relaxar e acalmar os nervos nesta noite de domingo
Gosto muito de música
clássica, sobretudo a deste senhor:
WHAT IS WRONG WITH THESE PEOPLE?!?!?!?!?!?......................
Em plena campanha eleitoral,
estou mais que farta de ouvir Republicanos (políticos, “pundits” e o povo – o último foi o meu dentista na passada quarta feira – )
a defenderem a ideia que todos neste país têm as mesmas oportunidades para
chegar ao mesmo estrato social dos 1%, que este é o melhor país do Mundo, e que
só os preguiçosos precisam de Estado Social ou de sindicatos.
- “Anyone who's not obscenely rich needs to spend less time drinking or smoking and socializing, and more time working.”
- “Workers need to be paid lower wages to compete with Africans who are paid $2 an hour.”
Frases
"Portugueses = colectividade pacífica de gente revoltada" citado por M. Rebelo de Sousa hoje na TVI.
"Desde D. Afonso Henriques, Portugal sempre precisou de ajuda externa" - dito por Adriano Moreira na RTP na passada Quinta-feira.
"Desde D. Afonso Henriques, Portugal sempre precisou de ajuda externa" - dito por Adriano Moreira na RTP na passada Quinta-feira.
Solução?
Se a compra de dívida soberana pelo Banco Central Europeu fosse a solução dos problemas da Europa porque é que não foi aplicada há mais tempo? A resposta é que só agora os problemas atingiram de forma mais séria dois países "too big to fail": Espanha e Itália. Aparentemente, Grécia, Irlanda e Portugal poderiam continuar no limbo, sofrendo sózinhos pela boa causa, sem terapias que implicassem qualquer partilha de riscos. Mas, a tranquilidade dos credores, a redução das taxas de juro e a possibilidade de regresso aos mercados nas datas previstas não implicarão menos sacrifícios das populações dos países mais vulneráveis. Que o digam os Portugueses (a maioria deles, os de sempre...) que vão continuar a carregar a cruz de uma austeridade atávica para merecer a comiseração e a clemência da Troika.
sábado, setembro 08, 2012
Mighty Feisty Ducklings
Por vezes, não termos noção da consequência dos nossos actos dá-nos a coragem necessária para arregaçar as mangas e deitar as mãos à obra para fazer o que precisa de ser feito - without worrying about the dreaded "what ifs" that may never happen.
sexta-feira, setembro 07, 2012
O sonho/pesadelo americano

No seu discurso de aceitação da nomeação do Partido Democrata para candidato à Presidência dos EUA, Barack Obama enalteceu a responsabilidade individual, a necessidade de se merecer o sucesso através do esforço (em lugar de se considerar como adquirido ou de resultar de assistencialismos), prometeu concentrar-se na defesa da classe média, alegadamente, a que mais tem sofrido com a crise. Só depois falou também nos deveres do Estado em ajudar os mais desfavorecidos.
Trata-se de um discurso coerente com a ideologia do “sonho americano” que, no fundo, une republicanos e democratas e que torna ainda mais deprimidos os que sofrem do ”pesadelo americano” em que caem os pobres. Pobres por culpa própria, prováveis oportunistas e abusadores da generosidade do Welfare. No limite, os pobres e falhados são redundantes, tolerados por uma questão de higiene ética e social. Como se a pobreza fosse do foro genético.
Tolerar ou ajudar os pobres significa fazer pagar os ricos. Ricos, logicamente, por mérito próprio. Como se a riqueza fosse (mutatis mutandis) também de natureza genética. Os ricos pagarão voluntariamente até um certo ponto crítico do que consideram altruísmo ou justiça. A partir desse ponto, sentir-se-ão saqueados. No fundo, a diferença entre Obama e Romney situa-se na dimensão deste saque imposto pelo Estado.
quarta-feira, setembro 05, 2012
( D – R ) / Y
A obsessão concentra-se no rácio que serve de título a este post, em que R é a receita do Estado (essencialmente impostos), D é a despesa pública e Y é a produção interna. Queria-se 4.5% no final deste ano; está-se acima dos 5% e a caminhar para mais de 6% no final do ano... A estratégia consiste em aumentar R e reduzir D, esperando que Y não caia (demais). Ora aumentando R ou reduzindo D (sem que seja compensado pelo aumento de outras componentes da procura), provoca-se a redução de Y e reduzindo Y reduz-se R. Ainda por cima, a componente da procura que tem "virtuosamente" aumentado (as exportações) não é geradora do principal imposto (IVA). Contas feitas e por outras palavras: o aumento dos impostos e o corte na despesa implicam na prática um decréscimo da receita através do impacto dos primeiros sobre a redução da procura e da produção que são a base de cobrança de impostos. Assim, haverá uma elevada probabilidade de que o rácio piore, precisamente em consequência da estratégia adoptada para que melhorasse. Noutros termos: estratégia a corrigir e previsões a afinar. Os autores desta proeza foram a Troika e os governos que assinaram e executaram até agora o Memorando de Entendimento. E o que aqui se diz vem nos manuais de iniciação à Economia com o nome de “estabilizadores automáticos”.
domingo, setembro 02, 2012
Sheila Mains
Executiva numa agência
de publicidade, viu-se, à meia-idade, numa fila de um Centro de Emprego: “There I was in the unemployment office, watching
all the Friday afternoon casualties coming in and I realized I couldn’t work
for someone else, give them 150 percent and let this happen again. But I couldn’t
give less than 150 percent. So I had to work for myself. And it had to be the
brownies. My Plan B really was a Plan B: brownies.”
Até aqui tudo bem, mas isto foi em 2006. Depois veio 2008 e, com ele, a pior crise dos últimos 80 anos. Com cada vez menos pessoas a frequentar cafés e restaurantes e cada vez mais pessoas a abdicar de “luxos” como brownies por encomenda – também não são assim tão dificeis de fazer – o negócio doce da Sheila começou a “desmoronar” tal qual um castelo de cartas. Sheila não teve mãos a medir: diversificou e criou brownie brittle . Uma vez mais, Sheila teve visão. Reparou que, tanto ela como os seus empregados gostavam dos restos que ficavam na panela depois de fazer as brownies e decidiu aproveitar esses restos e comercializá-los como um produto novo. Outro sucesso.
Este relato
envolve brownies, mas podia muito bem dizer respeito a um outro produto, bem,
ou serviço qualquer. Há tantos casos
semelhantes. Estou-me a lembrar de certos “case-studies” que estudei nos meus
tempos de estudante de gestão, todos com histórias, antecedentes, formações e
produtos diferentes, mas todos com algo em comum: visão, paixão e entusiasmo
q.b. para darem um pontapé na crise transformando, assim, limões em limonada.
Casos destes inspiram e dão coragem - e eu gosto sempre
de os ler.

sábado, setembro 01, 2012
Eis Porque Tantos Americanos Não Fazem Intenção De Se Aposentar
Razão Número 1: filhotes
Uma criança nascida em 2011 no seio de uma família
da classe média, custará aos pais quase 235 mil dólares durante os primeiros 17
anos de vida; se o menino/a quiser tirar um curso superior, custará mais 69 mil
dólares se for para uma Universidade pública e 155 mil se optar pelo ensino
privado.
Tirado daqui: http://www.cnpp.usda.gov/Publications/CRC/CRC2011.pdf
Razão Número 2: elevado custo de vida + baixo nível de
poupança
- Cada família americana possui, em média, menos de 4 mil dólares em contas de poupança
- 25% de famílias americanas não têm nenhum dinheiro poupado
- 40% de trabalhadores americanos não têm nenhum dinheiro poupado para a reforma
- Os que têm dinheiro poupado para a reforma, só têm à volta de 35 mil dólares
- O endividamento de cada família norte-americanas ronda os 118 mil dólares
- O valor de cada casa ronda os 160 mil dolares
- Cada americano deve ao banco à volta de 95 mil dolares pela sua casa
- Tudo isto com um rendimento, por agregado familiar, de cerca de 43 mil dolares anuais (salário mensal x 12, visto que aqui o trabalhador “comum” não recebe subsídios nem de férias nem de Natal)
Razão Número 3: um lar da 3ª idade custa, em média, 83
mil dólares p/ano
Razão Número 4: cuidados de saúde
Quem se reformar em 2012
com 65 anos de idade, que espere gastar 240 mil dólares para o resto da vida em
cuidados de saúde.
Tirado daqui: http://www.ncpa.org/pub/ba660
Razão Número 5: The Stock Market (investimentos e
reformas que foram pelo ar)
“Almost daily, we hear stories of the crisis
stemming from the breakdown of the three-legged stool of retirement:
traditional pensions, Social Security and individual savings. For the majority
of Americans, one of the legs of the stool is already gone -- traditional
pensions. With its replacement, the 401(k), the stool is in danger of tipping
retirees into poverty.”
NB: começando em meados dos anos 80, a reforma tradicional (“pension
plans”) foi gradualmente substituida por “401K plans”. Ora enquanto que “traditional
pensions” implicam segurança, “401K plans” = “gambling” (autêntica jogatina de casino pois, como se sabe, isto de
investir na famigerada Bolsa tanto pode
dar para o torto como para fazer fortunas e, ultimamente, tem dado muito azar a
muito boa gente). Hoje em dia, como cada vez há: 1 - menos criancinhas a nascer; 2 - mais
idosos; 3 - menos trabalhadores a
descontar para Social Security (SS) – um plano de reformas administrado pelo
governo federal – são cada vez mais altas as vozes que querem abolir SS
tornando, assim, cada trabalhador responsável pelo seu próprio futuro. Então, em
vez dos actuais descontos que vão para SS, cada um subtrai uma determinada
quantia do seu ordenado e investe nos mercados (e depois dorme com o coração na
garganta e passa a vida a apelar à Virgem) ou, então, deposita o dinheiro nos
bancos onde recebe uma ninharia de juros mas, ao menos, dorme descansado – por
enquanto.
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Os dias em que as
pessoas tinham seguros de saúde e reformas asseguradas têm vindo a acabar,
gradualmente, desde o início dos anos 80. Os que se reformam agora têm que
pagar quase tudo do próprio bolso e cada vez há menos empresas que oferecem
reformas – inclusive no sector público. Isto
vai ser bem bonito daqui a 20-30 anos (ou talvez até antes): vejo os idosos a
não se reformarem por falta de meios e os jovens a se revoltarem até andar tudo
à cacetada. E eu para lá caminho.
(aliás já tenho testemunhado muito rancor da
parte dos mais novos que não entendem porque carga de água ainda têm tanto
velho como colega)
Razão Número 6 (resumindo):
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