Se a compra de dívida soberana pelo Banco Central Europeu fosse a solução dos problemas da Europa porque é que não foi aplicada há mais tempo? A resposta é que só agora os problemas atingiram de forma mais séria dois países "too big to fail": Espanha e Itália. Aparentemente, Grécia, Irlanda e Portugal poderiam continuar no limbo, sofrendo sózinhos pela boa causa, sem terapias que implicassem qualquer partilha de riscos. Mas, a tranquilidade dos credores, a redução das taxas de juro e a possibilidade de regresso aos mercados nas datas previstas não implicarão menos sacrifícios das populações dos países mais vulneráveis. Que o digam os Portugueses (a maioria deles, os de sempre...) que vão continuar a carregar a cruz de uma austeridade atávica para merecer a comiseração e a clemência da Troika.
domingo, setembro 09, 2012
sábado, setembro 08, 2012
Mighty Feisty Ducklings
Por vezes, não termos noção da consequência dos nossos actos dá-nos a coragem necessária para arregaçar as mangas e deitar as mãos à obra para fazer o que precisa de ser feito - without worrying about the dreaded "what ifs" that may never happen.
sexta-feira, setembro 07, 2012
O sonho/pesadelo americano

No seu discurso de aceitação da nomeação do Partido Democrata para candidato à Presidência dos EUA, Barack Obama enalteceu a responsabilidade individual, a necessidade de se merecer o sucesso através do esforço (em lugar de se considerar como adquirido ou de resultar de assistencialismos), prometeu concentrar-se na defesa da classe média, alegadamente, a que mais tem sofrido com a crise. Só depois falou também nos deveres do Estado em ajudar os mais desfavorecidos.
Trata-se de um discurso coerente com a ideologia do “sonho americano” que, no fundo, une republicanos e democratas e que torna ainda mais deprimidos os que sofrem do ”pesadelo americano” em que caem os pobres. Pobres por culpa própria, prováveis oportunistas e abusadores da generosidade do Welfare. No limite, os pobres e falhados são redundantes, tolerados por uma questão de higiene ética e social. Como se a pobreza fosse do foro genético.
Tolerar ou ajudar os pobres significa fazer pagar os ricos. Ricos, logicamente, por mérito próprio. Como se a riqueza fosse (mutatis mutandis) também de natureza genética. Os ricos pagarão voluntariamente até um certo ponto crítico do que consideram altruísmo ou justiça. A partir desse ponto, sentir-se-ão saqueados. No fundo, a diferença entre Obama e Romney situa-se na dimensão deste saque imposto pelo Estado.
quarta-feira, setembro 05, 2012
( D – R ) / Y
A obsessão concentra-se no rácio que serve de título a este post, em que R é a receita do Estado (essencialmente impostos), D é a despesa pública e Y é a produção interna. Queria-se 4.5% no final deste ano; está-se acima dos 5% e a caminhar para mais de 6% no final do ano... A estratégia consiste em aumentar R e reduzir D, esperando que Y não caia (demais). Ora aumentando R ou reduzindo D (sem que seja compensado pelo aumento de outras componentes da procura), provoca-se a redução de Y e reduzindo Y reduz-se R. Ainda por cima, a componente da procura que tem "virtuosamente" aumentado (as exportações) não é geradora do principal imposto (IVA). Contas feitas e por outras palavras: o aumento dos impostos e o corte na despesa implicam na prática um decréscimo da receita através do impacto dos primeiros sobre a redução da procura e da produção que são a base de cobrança de impostos. Assim, haverá uma elevada probabilidade de que o rácio piore, precisamente em consequência da estratégia adoptada para que melhorasse. Noutros termos: estratégia a corrigir e previsões a afinar. Os autores desta proeza foram a Troika e os governos que assinaram e executaram até agora o Memorando de Entendimento. E o que aqui se diz vem nos manuais de iniciação à Economia com o nome de “estabilizadores automáticos”.
domingo, setembro 02, 2012
Sheila Mains
Executiva numa agência
de publicidade, viu-se, à meia-idade, numa fila de um Centro de Emprego: “There I was in the unemployment office, watching
all the Friday afternoon casualties coming in and I realized I couldn’t work
for someone else, give them 150 percent and let this happen again. But I couldn’t
give less than 150 percent. So I had to work for myself. And it had to be the
brownies. My Plan B really was a Plan B: brownies.”
Até aqui tudo bem, mas isto foi em 2006. Depois veio 2008 e, com ele, a pior crise dos últimos 80 anos. Com cada vez menos pessoas a frequentar cafés e restaurantes e cada vez mais pessoas a abdicar de “luxos” como brownies por encomenda – também não são assim tão dificeis de fazer – o negócio doce da Sheila começou a “desmoronar” tal qual um castelo de cartas. Sheila não teve mãos a medir: diversificou e criou brownie brittle . Uma vez mais, Sheila teve visão. Reparou que, tanto ela como os seus empregados gostavam dos restos que ficavam na panela depois de fazer as brownies e decidiu aproveitar esses restos e comercializá-los como um produto novo. Outro sucesso.
Este relato
envolve brownies, mas podia muito bem dizer respeito a um outro produto, bem,
ou serviço qualquer. Há tantos casos
semelhantes. Estou-me a lembrar de certos “case-studies” que estudei nos meus
tempos de estudante de gestão, todos com histórias, antecedentes, formações e
produtos diferentes, mas todos com algo em comum: visão, paixão e entusiasmo
q.b. para darem um pontapé na crise transformando, assim, limões em limonada.
Casos destes inspiram e dão coragem - e eu gosto sempre
de os ler.

sábado, setembro 01, 2012
Eis Porque Tantos Americanos Não Fazem Intenção De Se Aposentar
Razão Número 1: filhotes
Uma criança nascida em 2011 no seio de uma família
da classe média, custará aos pais quase 235 mil dólares durante os primeiros 17
anos de vida; se o menino/a quiser tirar um curso superior, custará mais 69 mil
dólares se for para uma Universidade pública e 155 mil se optar pelo ensino
privado.
Tirado daqui: http://www.cnpp.usda.gov/Publications/CRC/CRC2011.pdf
Razão Número 2: elevado custo de vida + baixo nível de
poupança
- Cada família americana possui, em média, menos de 4 mil dólares em contas de poupança
- 25% de famílias americanas não têm nenhum dinheiro poupado
- 40% de trabalhadores americanos não têm nenhum dinheiro poupado para a reforma
- Os que têm dinheiro poupado para a reforma, só têm à volta de 35 mil dólares
- O endividamento de cada família norte-americanas ronda os 118 mil dólares
- O valor de cada casa ronda os 160 mil dolares
- Cada americano deve ao banco à volta de 95 mil dolares pela sua casa
- Tudo isto com um rendimento, por agregado familiar, de cerca de 43 mil dolares anuais (salário mensal x 12, visto que aqui o trabalhador “comum” não recebe subsídios nem de férias nem de Natal)
Razão Número 3: um lar da 3ª idade custa, em média, 83
mil dólares p/ano
Razão Número 4: cuidados de saúde
Quem se reformar em 2012
com 65 anos de idade, que espere gastar 240 mil dólares para o resto da vida em
cuidados de saúde.
Tirado daqui: http://www.ncpa.org/pub/ba660
Razão Número 5: The Stock Market (investimentos e
reformas que foram pelo ar)
“Almost daily, we hear stories of the crisis
stemming from the breakdown of the three-legged stool of retirement:
traditional pensions, Social Security and individual savings. For the majority
of Americans, one of the legs of the stool is already gone -- traditional
pensions. With its replacement, the 401(k), the stool is in danger of tipping
retirees into poverty.”
NB: começando em meados dos anos 80, a reforma tradicional (“pension
plans”) foi gradualmente substituida por “401K plans”. Ora enquanto que “traditional
pensions” implicam segurança, “401K plans” = “gambling” (autêntica jogatina de casino pois, como se sabe, isto de
investir na famigerada Bolsa tanto pode
dar para o torto como para fazer fortunas e, ultimamente, tem dado muito azar a
muito boa gente). Hoje em dia, como cada vez há: 1 - menos criancinhas a nascer; 2 - mais
idosos; 3 - menos trabalhadores a
descontar para Social Security (SS) – um plano de reformas administrado pelo
governo federal – são cada vez mais altas as vozes que querem abolir SS
tornando, assim, cada trabalhador responsável pelo seu próprio futuro. Então, em
vez dos actuais descontos que vão para SS, cada um subtrai uma determinada
quantia do seu ordenado e investe nos mercados (e depois dorme com o coração na
garganta e passa a vida a apelar à Virgem) ou, então, deposita o dinheiro nos
bancos onde recebe uma ninharia de juros mas, ao menos, dorme descansado – por
enquanto.
▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪
Os dias em que as
pessoas tinham seguros de saúde e reformas asseguradas têm vindo a acabar,
gradualmente, desde o início dos anos 80. Os que se reformam agora têm que
pagar quase tudo do próprio bolso e cada vez há menos empresas que oferecem
reformas – inclusive no sector público. Isto
vai ser bem bonito daqui a 20-30 anos (ou talvez até antes): vejo os idosos a
não se reformarem por falta de meios e os jovens a se revoltarem até andar tudo
à cacetada. E eu para lá caminho.
(aliás já tenho testemunhado muito rancor da
parte dos mais novos que não entendem porque carga de água ainda têm tanto
velho como colega)
Razão Número 6 (resumindo):
sexta-feira, agosto 31, 2012
O Cardeal Martini
Este senhor chama-se Carlo Maria Martini, jesuita, arcebispo de Milão entre 1979 e 2002. Morreu hoje. Disse uma vez: "Não me importa que se seja crente ou não crente. Importa-me que se pense ou que não se pense. Prefiro um não crente que pense honestamente sobre a sua falta de fé do que um crente que desista de pensar."quarta-feira, agosto 29, 2012
Poder fáctico
"Poder fáctico es el que se ejerce al margen de los cauces formales (es decir, que no coincide necesariamente con el aparato del Estado) y se sirve de su autoridad informal o su capacidad de presión para influir políticamente. El poder fáctico ni está legitimado ni siempre busca la legitimación para ejercerse, pero ejerce de facto (de hecho) el poder aunque no lo haga de iure (legalmente) ya que su mera existencia le hace ser determinante.
La mayor parte de las veces no es necesario que se imponga por la fuerza: le basta con explicitar, o incluso con sugerir sus deseos para que se conviertan en realidad. La clave de su ejercicio es su capacidad de control de mecanismos externos a la política para lograr poder político, como por ejemplo el dominio de recursos vitales o estratégicos, que le dan el control de la ideología, la sociedad y la economía. Por ejemplo en vez de controlar un gobierno de turno, controlar o influenciar su legislación, de manera legal o cuasi-legal.
Un ejemplo típico de poder fáctico es la influencia ejercida por grupos de poder como pueden ser: la banca, la oligarquía, el lobby israelí en EE.UU., o los intereses plutocráticos, así como la Iglesia, las centrales sindicales o los medios de comunicación masiva. En ciertos corpus teóricos-ideológicos se denomina al fenómeno causado por el poder fáctico como mercantilismo empresarial o capitalismo de Estado."
copiado de Wikipedia
La mayor parte de las veces no es necesario que se imponga por la fuerza: le basta con explicitar, o incluso con sugerir sus deseos para que se conviertan en realidad. La clave de su ejercicio es su capacidad de control de mecanismos externos a la política para lograr poder político, como por ejemplo el dominio de recursos vitales o estratégicos, que le dan el control de la ideología, la sociedad y la economía. Por ejemplo en vez de controlar un gobierno de turno, controlar o influenciar su legislación, de manera legal o cuasi-legal.
Un ejemplo típico de poder fáctico es la influencia ejercida por grupos de poder como pueden ser: la banca, la oligarquía, el lobby israelí en EE.UU., o los intereses plutocráticos, así como la Iglesia, las centrales sindicales o los medios de comunicación masiva. En ciertos corpus teóricos-ideológicos se denomina al fenómeno causado por el poder fáctico como mercantilismo empresarial o capitalismo de Estado."
copiado de Wikipedia
terça-feira, agosto 28, 2012
segunda-feira, agosto 27, 2012
Praia
Calor cortado por uma brisa clemente. Gente na praia, mas não muita. Apenas a necessária para compor o cenário. Mar vigoroso, ondas orgulhosas, espuma de sal atlântico. A bandeira está amarela, a puxar para o vermelho. Mas não faz mal porque este mar de água fria serve só para a ponta dos pés e para o deslumbramento dos olhos. O rumor das ondas, as vozes incompreensíveis dos veraneantes de diferentes estirpes, o homem que passa a anunciar bolacha americana e bolas de berlim, uma criança que chora ao longe, moderadamente. A mistura desses sons é música para o sono em que entro com genuino abandono, deixando a leitura para outras núpcias.
E sonho com aventuras de outros tempos, noutras praias, brincando no meio dos rochedos despidos pela baixa-mar, com uns calções azuis às riscas brancas. Um dia lancei-me à água e percebi que sabia nadar sem saber porquê, como quando descobri que sabia ler ou andar de bicicleta, essas conquistas triviais que, no momento exacto em que se obtém, se tornam gigantescas... Os dias começavam cinzentos e frescos mas a nossa militância resistia a (quase) tudo, esperando pela perseverança do sol que acabava por se impor, criando crepúsculos amenos que provocavam uma doce melancolia e vontade de romance. Coisas de fim de dia de praia. Noutros dias, a nortada eram rajadas de areia cortante que se metia nas raízes dos cabelos e nas costuras dos fatos de banho. E nós escondiamo-nos detrás de chapéus de praia em agonia ou de paraventos que pareciam velas de navios no cabo das tormentas. Mas, sair da praia seria equivalente a uma rendição. E por ali ficávamos a falar cada vez mais alto para ganhar à algazarra do vento.
Acordei com o frio da aragem do fim do dia, na praia de agora, que se tornou quase deserta. Saí do torpor para terra mais firme, onde não há sonhos.
E sonho com aventuras de outros tempos, noutras praias, brincando no meio dos rochedos despidos pela baixa-mar, com uns calções azuis às riscas brancas. Um dia lancei-me à água e percebi que sabia nadar sem saber porquê, como quando descobri que sabia ler ou andar de bicicleta, essas conquistas triviais que, no momento exacto em que se obtém, se tornam gigantescas... Os dias começavam cinzentos e frescos mas a nossa militância resistia a (quase) tudo, esperando pela perseverança do sol que acabava por se impor, criando crepúsculos amenos que provocavam uma doce melancolia e vontade de romance. Coisas de fim de dia de praia. Noutros dias, a nortada eram rajadas de areia cortante que se metia nas raízes dos cabelos e nas costuras dos fatos de banho. E nós escondiamo-nos detrás de chapéus de praia em agonia ou de paraventos que pareciam velas de navios no cabo das tormentas. Mas, sair da praia seria equivalente a uma rendição. E por ali ficávamos a falar cada vez mais alto para ganhar à algazarra do vento.
Acordei com o frio da aragem do fim do dia, na praia de agora, que se tornou quase deserta. Saí do torpor para terra mais firme, onde não há sonhos.
sábado, agosto 25, 2012
Imaginem ficarem presos num elevador durante 30 anos
Não é preciso falar alemão para entender as emoções dos chimpanzés; de qualquer modo, o video está traduzido para inglês no YouTube:
- “I saw a chimpanzee, starring completely at a butterfly. He knew it, from back when he was a small chimpanzee in the jungle, and now he can see them again.”
- “And the monkeys that were born in the laboratory are discovering everything for the first time. The air, the grass, the freedom.”
O Instituto de Medicina dos EUA concluiu que a grande maioria da pesquisa efectuada à custa de chimpanzés é cientificamente desnecessária: http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=activists-retire-nih-research-chimps
domingo, agosto 19, 2012
BARF!
Anúncios antigos sexistas:

Vitaminas PEP para dar
energia ("pep") às donas de casa; ao fim de contas, quanto mais as esposas trabalharem
mais bonitinhas parecerão aos maridos...
Gravatas Van Heusen: "For men only!...Brand new,
man-talking, power-packed patterns that tell her it’s a man’s world…and make
her so happy it is. And men!...how that Van Heusen sewmanship makes the fine fabrics hold their shape. And
for Christmas, here’s the Christmas tie that is really different."
‘Tá bem...
Talvez seja este o meu
problema; não lavo a cara com sabonete Palmolive...
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii..............................
(Ketchup para mãos delicadas)
A maioria dos homens pergunta se ela é bonita, não se ela
é inteligente...Good Grief!
Não há nada como um bom banho de imersão com sabonete
Ivory para acalmar os nervos destas donas de casa desesperadas.
‘tadinhas das mulheres,
até os carros de mudanças são demasiado complicados...
Yeah, she'll “follow” you in the opposite direction …………….Gross!
Onde? Nua, deitada no chão, a beijar os pés dele?
Realmente, qual a mulher
que não quer que o marido lhe ofereça um aspirador Hoover pelo Natal?

Esta faz com que o
sangue me suba à cabeça e causa-me hipertensão.
Felizmente que, tirando
um ou outro reclame, este tipo de publicidade já não é do meu tempo - e é inconcebível nos dias que correm - mas não
deixo de me arrepiar só de saber que é relativamente recente e que, hoje em
dia, há uma percentagem grande da população muito saudosista dos anos 50. Infelizmente,
ainda existe muita publicidade que faz da mulher um mero objecto sexual – deve ser
daí que vem a expressão “boys will be boys” (mudam-se os tempos mas nem sempre
se mudam as vontades). Há por aí muitos mais
exemplos para quem precisar de uma boa gargalhada...ou de uma bola no estômago.
sábado, agosto 18, 2012
O mamelão
Redondo como uma bola, o monte emergia sozinho da planície onde os aviões, de vez em quando, subiam e desciam. Eram aviões velhos que faziam um barulho de motor a desmanchar-se. Chamava-se ao monte “o mamelão”, parecia uma enorme teta com que sonhavam, bulímicos, os soldados. Os instruendos olhavam temerosos “o mamelão” ao longe. Os instrutores diziam que um dia todos tinham de subir até ao cume, custasse o que custasse. E contavam-se histórias do esforço hercúleo que seria necessário, dos mistérios que se iria desvendar durante a escalada, das vitórias e fracassos que ficariam pelo caminho. Lendas.
O aeroporto militar era vetusto. Edifícios cinzentos, perfeitamente cúbicos, com letras garrafais, de códigos enigmáticos, armazenavam material e pessoas de outras guerras. Meia dúzia de gatos-pingados, a maior parte sargentos com tonalidades etílicas, tentavam manter a coisa em funcionamento, para os jovens aprendizes de piloto poderem armar-se em Major Alvega. Alguns passavam aos episódios seguintes da aventura, vôos mais altos a motor a jacto, outros choravam de tristeza e voltavam à terra de ombros caídos, outros ainda resignavam-se à hipótese de, algum dia, fazer de hospedeiro de bordo em companhias low-cost... Sempre andariam acima das nuvens, perscrutando da porta de embarque o que haveria para além da pista dos aeroportos.
A Base estendia-se por uma área enorme, rasgada por longas avenidas desertas. Passava de vez em quando uma viatura militar, espectro pintado de verde escuro. A névoa e a humidade no Inverno davam a tudo aquilo um ar de campo de extermínio. Extermínio da vontade, certamente. No topo do campo, próximo dos hangares, havia as messes dos oficiais e dos sargentos, higienicamente separadas. Por trás da messe dos oficiais havia um pequeno aldeamento com vivendas de boa aparência onde viviam as famílias dos oficiais. Pouco antes das horas das refeições, saíam as esposas, engalanadas pelos melhores vestidos como se fossem para uma festa, a puxar carrinhos de bebé e a trocar trivialidades e bisbilhotices entre si. Naquele mundo tão pequeno e fechado era necessária criatividade, conspiração ou intriga para fazer casos. Mas, alguma coisa se arranjava, entre o alcoolismo do Tenente Vargas ou a traição (real ou putativa) da mulher do Capitão Ramos com o Cabo Semedo. Quando se cruzavam nas alamedas que conduziam às respectivas messes, as esposas dos senhores oficiais e as mulheres dos sargentos odiavam-se cordialmente. Depois da refeição, as esposas continuavam na messe à volta de cafés eternos, a queimar tempo e paciência, exibindo a sua superioridade e alguma luxúria perante os dóceis serviçais.
À noite, na messe dos sargentos, jogava-se ruidosamente à lerpa ou à sueca e bebia-se caudalosamente para afogar o ócio e a inutilidade daquilo tudo. Um dia armou-se grande bronca, com mesas e cadeiras pelo ar. O jovem oficial de dia, de serviço militar obrigatório (SMO), foi chamado a acalmar a borrasca. Era licenciado e instrutor de Matemática nos Cursos de Formação que davam algum vestígio de dignidade à Base. Bastou a sua presença à porta da messe para que os ânimos se esfriassem. Os desgraçados pediram imensas desculpas ao Senhor Professor e, no meio da lucidez que lhes restava, imploraram para que os acontecimentos não fossem objecto de relatório à hierarquia. O rapazinho que estava só de passagem e se sentia tão desgraçado como eles naquela noite kafkiana prometeu clemência desde que fosse tudo imediatamente para a cama. E assim foi.
Um dia, o governo decidiu desactivar a Base porque aqueles terrenos eram demasiado valiosos para tanta inutilidade e em tempo de crise do Estado havia que realizar dinheiro o mais depressa possível. O défice não se compadecia com nostalgias ou crises existenciais curtidas num enorme espaço rodeado por arame farpado e portão de imponência cada vez mais duvidosa, por onde transitavam esporadicamente aviões a cair de podre. Chegaram os promotores imobiliários e deitaram tudo abaixo para construir uma bela cidade, novinha em folha, com prédios de cores garridas e arquitectura pindérica, ginásios, courts de ténis, piscinas, supermercados, bares, restaurantes, etc. Os edifícios cúbicos e cinzentos e as casinhas de estilo salazarento do aldeamento dos oficiais desapareceram bem como os carrinhos de bebé puxados pelas esposas dos senhores oficiais. E “o mamelão” por lá ficou, obviamente. Despertando outros sentimentos e desejos, interrompendo solitariamente a planura daqueles terrenos vastos, entre uma auto-estrada e uma cordilheira que fica antes do mar.
O aeroporto militar era vetusto. Edifícios cinzentos, perfeitamente cúbicos, com letras garrafais, de códigos enigmáticos, armazenavam material e pessoas de outras guerras. Meia dúzia de gatos-pingados, a maior parte sargentos com tonalidades etílicas, tentavam manter a coisa em funcionamento, para os jovens aprendizes de piloto poderem armar-se em Major Alvega. Alguns passavam aos episódios seguintes da aventura, vôos mais altos a motor a jacto, outros choravam de tristeza e voltavam à terra de ombros caídos, outros ainda resignavam-se à hipótese de, algum dia, fazer de hospedeiro de bordo em companhias low-cost... Sempre andariam acima das nuvens, perscrutando da porta de embarque o que haveria para além da pista dos aeroportos.
A Base estendia-se por uma área enorme, rasgada por longas avenidas desertas. Passava de vez em quando uma viatura militar, espectro pintado de verde escuro. A névoa e a humidade no Inverno davam a tudo aquilo um ar de campo de extermínio. Extermínio da vontade, certamente. No topo do campo, próximo dos hangares, havia as messes dos oficiais e dos sargentos, higienicamente separadas. Por trás da messe dos oficiais havia um pequeno aldeamento com vivendas de boa aparência onde viviam as famílias dos oficiais. Pouco antes das horas das refeições, saíam as esposas, engalanadas pelos melhores vestidos como se fossem para uma festa, a puxar carrinhos de bebé e a trocar trivialidades e bisbilhotices entre si. Naquele mundo tão pequeno e fechado era necessária criatividade, conspiração ou intriga para fazer casos. Mas, alguma coisa se arranjava, entre o alcoolismo do Tenente Vargas ou a traição (real ou putativa) da mulher do Capitão Ramos com o Cabo Semedo. Quando se cruzavam nas alamedas que conduziam às respectivas messes, as esposas dos senhores oficiais e as mulheres dos sargentos odiavam-se cordialmente. Depois da refeição, as esposas continuavam na messe à volta de cafés eternos, a queimar tempo e paciência, exibindo a sua superioridade e alguma luxúria perante os dóceis serviçais.
À noite, na messe dos sargentos, jogava-se ruidosamente à lerpa ou à sueca e bebia-se caudalosamente para afogar o ócio e a inutilidade daquilo tudo. Um dia armou-se grande bronca, com mesas e cadeiras pelo ar. O jovem oficial de dia, de serviço militar obrigatório (SMO), foi chamado a acalmar a borrasca. Era licenciado e instrutor de Matemática nos Cursos de Formação que davam algum vestígio de dignidade à Base. Bastou a sua presença à porta da messe para que os ânimos se esfriassem. Os desgraçados pediram imensas desculpas ao Senhor Professor e, no meio da lucidez que lhes restava, imploraram para que os acontecimentos não fossem objecto de relatório à hierarquia. O rapazinho que estava só de passagem e se sentia tão desgraçado como eles naquela noite kafkiana prometeu clemência desde que fosse tudo imediatamente para a cama. E assim foi.
Um dia, o governo decidiu desactivar a Base porque aqueles terrenos eram demasiado valiosos para tanta inutilidade e em tempo de crise do Estado havia que realizar dinheiro o mais depressa possível. O défice não se compadecia com nostalgias ou crises existenciais curtidas num enorme espaço rodeado por arame farpado e portão de imponência cada vez mais duvidosa, por onde transitavam esporadicamente aviões a cair de podre. Chegaram os promotores imobiliários e deitaram tudo abaixo para construir uma bela cidade, novinha em folha, com prédios de cores garridas e arquitectura pindérica, ginásios, courts de ténis, piscinas, supermercados, bares, restaurantes, etc. Os edifícios cúbicos e cinzentos e as casinhas de estilo salazarento do aldeamento dos oficiais desapareceram bem como os carrinhos de bebé puxados pelas esposas dos senhores oficiais. E “o mamelão” por lá ficou, obviamente. Despertando outros sentimentos e desejos, interrompendo solitariamente a planura daqueles terrenos vastos, entre uma auto-estrada e uma cordilheira que fica antes do mar.
domingo, agosto 12, 2012
Ora aqui está um concerto que não me importava (nadinha) de pagar bom dinheiro para ir ver: André Rieu em Berlim
Espero que gostem tanto como eu.
▪▪ La vita è bella ▪▪
Save the Children – Relatório dos melhores países do mundo para ser mãe:
1 –
Noruega 2 – Islândia 3 – Suécia 4 – Nova Zelândia
5 – Dinamarca 6 – Filândia 7 – Austrália 8 – Bélgica
5 – Dinamarca 6 – Filândia 7 – Austrália 8 – Bélgica
9 – Irlanda 10 – Holanda e Reino Unido 15 – Portugal
19
– Canada 25 – Estados Unidos 30 – Luxemburgo
Fiquei admirada com a
classificação baixa do Canada e Luxemburgo:
Porquê?
De acordo com um
relatório do Departamento de Estado dos EUA, pelo menos 27 milhões de pessoas
são vítimas de tráfico de seres humanos, incluindo: tráfico sexual, trabalho
forçado e uso de crianças-soldados.
Alguém me sabe explicar como é possível um ser humano sujeitar outro a
semelhante coisa?
De acordo com o mesmo relatório, Portugal faz
parte do chamado “Tier 2”, i.e., um grupo de países onde: “Countries whose governments do not fully comply with the TVPA’s
minimum standards, but are making significant efforts to bring themselves into
compliance with those standards.”
Há uns anitos
atrás vi um documentário na televisão sobre precisamente este assunto: cidadãos
asiáticos a quem foi vendido o “sonho americano” e a promessa de uma vida
melhor; depois de aterrarem tinham à espera uma pessoa que lhes retirava o
passaporte ficando, assim, à mercê desta corja sem escrúpulos que são os traficantes
de seres humanos. De acordo com este documentário, é assim que muitos caem na emboscada.
This just breaks my heart:http://www.state.gov/documents/organization/192587.pdf
quinta-feira, agosto 09, 2012
Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa in "Cancioneiro"
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa in "Cancioneiro"
Factos económicos
Perante uma discrepância entre a sua querida teoria e a bruta realidade, um economista diz que é a realidade que está errada.
A tecnologia é o principal determinante da produtividade. A correlação de forças entre as classes sociais é o principal determinante dos salários. O nível de salários está inversamente relacionado com o nível da taxa de lucro.
Nos Estados Unidos, em 1975, 1% da população mais rica tinha 7% do rendimento nacional. Em 2007 tinha mais de 25%. Cresce o consenso para aumentar os impostos sobre o rendimento dos mais ricos. Nos anos 1980, M. Thatcher e R. Reagan baixaram a taxa de imposto sobre os mais ricos de mais de 50% a cerca de 25-30%. F. Hollande está a passá-la para 75% e os ricos estão a fugir para paraísos fiscais.
Na Itália, mais de 50% dos licenciados que conseguem trabalhar fazem-no em ocupações para as quais seriam normalmente suficientes diplomas de ensino secundário.
A tecnologia é o principal determinante da produtividade. A correlação de forças entre as classes sociais é o principal determinante dos salários. O nível de salários está inversamente relacionado com o nível da taxa de lucro.
Nos Estados Unidos, em 1975, 1% da população mais rica tinha 7% do rendimento nacional. Em 2007 tinha mais de 25%. Cresce o consenso para aumentar os impostos sobre o rendimento dos mais ricos. Nos anos 1980, M. Thatcher e R. Reagan baixaram a taxa de imposto sobre os mais ricos de mais de 50% a cerca de 25-30%. F. Hollande está a passá-la para 75% e os ricos estão a fugir para paraísos fiscais.
Na Itália, mais de 50% dos licenciados que conseguem trabalhar fazem-no em ocupações para as quais seriam normalmente suficientes diplomas de ensino secundário.
domingo, agosto 05, 2012
Jogos Londres 2012
Os jogos olímpicos giram à volta de performance, recordes mais ou menos de aviário, até à mais ínfima unidade de medida, vitórias e derrotas, esforço mais ou menos desmesurado e cada vez mais científico para atingir medalhas que simbolizam a grandeza (também desportiva...) das nações. A participação das nações nos jogos é apadrinhada pelos mais altos governantes, normalmente com grande pompa e circunstância, com discursos inflamados de encorajamento e de exaltação patriótica. As delegações são estimuladas por chefes de estado e de governo a superar-se na busca da glória, porque de glória colectiva também (ou sobretudo) se trata.
Os jogos são uma representação altamente mediatizada (e só na aparência lúdica) da competição encarniçada que cresce entre as nações. Custa a aceitar como é que anos de treinos, de sacrifícios, de sonhos, de desejos, como é que rios de dinheiro investidos na perícia e nos músculos dos atletas se podem esvair ou consagrar em apenas alguns minutos ou segundos, perante as câmaras de televisão de todo o mundo. Como é que tanta frustração ou euforia podem depender de coisas tão efémeras, contingentes. Esta realidade algo cruel que rodeia a minoria dos que, à escala global, reúnem resultados e apoios para se qualificarem para esta grande feira de ambições é edulcorada por discursos de confraternização universal, de reunião multicultural, de busca permanente de perfeição e da ultrapassagem dos limites dos seres humanos, máquinas destinadas a sofrer para ter sempre mais, em vez de gozar com o tanto (ou pouco) que já podem ter conseguido. A cultura dos jogos olímpicos actuais é uma cultura de insaciedade, de permanente insatisfação que apenas pode ser redimida através de uma competição desenfreada, naturalmente com regras, mas puxada ao extremo.
Depois fala-se dos jogos antigos, de Pierre de Coubertin e de outras curiosidades para legitimar a fleuma dos jogos. Também se diz que não há nada de novo e chama-se à memória os jogos de Berlim de 1936, oportunidade para Hitler celebrar uma putativa superioridade ariana. Tudo bem, mas as imagens que passam na televisão, o dramatismo, a tristeza, a depressão que marcam certas derrotas, como se se tratasse de coisas decisivas, muito para além do interesse e orgulho individuais, a histeria que rodeia certas vitórias, tudo isso, infelizmente, parece consonante com a tensão que caracteriza cada vez mais a realidade politica, económica e militar à escala mundial. O mundo está a precisar de cooperação, de entendimento, de diálogo, de generosidade dos mais fortes e de apoio aos mais fracos. Precisa-se de vitórias dos mais fracos, não tanto da consagração feérica da superioridade dos mais fortes.
Os jogos olímpicos actuais simbolizam valores que talvez estejam na génese de muitos dos problemas que tornam o nosso futuro colectivo menos auspicioso. Os jogos representam uma “guerra doce”. Mas uma guerra, de resto, muito lucrativa para marcas, publicitários, televisões, atletas, etc.
Os jogos são uma representação altamente mediatizada (e só na aparência lúdica) da competição encarniçada que cresce entre as nações. Custa a aceitar como é que anos de treinos, de sacrifícios, de sonhos, de desejos, como é que rios de dinheiro investidos na perícia e nos músculos dos atletas se podem esvair ou consagrar em apenas alguns minutos ou segundos, perante as câmaras de televisão de todo o mundo. Como é que tanta frustração ou euforia podem depender de coisas tão efémeras, contingentes. Esta realidade algo cruel que rodeia a minoria dos que, à escala global, reúnem resultados e apoios para se qualificarem para esta grande feira de ambições é edulcorada por discursos de confraternização universal, de reunião multicultural, de busca permanente de perfeição e da ultrapassagem dos limites dos seres humanos, máquinas destinadas a sofrer para ter sempre mais, em vez de gozar com o tanto (ou pouco) que já podem ter conseguido. A cultura dos jogos olímpicos actuais é uma cultura de insaciedade, de permanente insatisfação que apenas pode ser redimida através de uma competição desenfreada, naturalmente com regras, mas puxada ao extremo.
Depois fala-se dos jogos antigos, de Pierre de Coubertin e de outras curiosidades para legitimar a fleuma dos jogos. Também se diz que não há nada de novo e chama-se à memória os jogos de Berlim de 1936, oportunidade para Hitler celebrar uma putativa superioridade ariana. Tudo bem, mas as imagens que passam na televisão, o dramatismo, a tristeza, a depressão que marcam certas derrotas, como se se tratasse de coisas decisivas, muito para além do interesse e orgulho individuais, a histeria que rodeia certas vitórias, tudo isso, infelizmente, parece consonante com a tensão que caracteriza cada vez mais a realidade politica, económica e militar à escala mundial. O mundo está a precisar de cooperação, de entendimento, de diálogo, de generosidade dos mais fortes e de apoio aos mais fracos. Precisa-se de vitórias dos mais fracos, não tanto da consagração feérica da superioridade dos mais fortes.
Os jogos olímpicos actuais simbolizam valores que talvez estejam na génese de muitos dos problemas que tornam o nosso futuro colectivo menos auspicioso. Os jogos representam uma “guerra doce”. Mas uma guerra, de resto, muito lucrativa para marcas, publicitários, televisões, atletas, etc.
sábado, agosto 04, 2012
Muitas velas, Bolo em abundância
“One
of the greatest glories of growing older is the willingness to ask why and,
getting no good answer, deciding to follow my own inclinations and desires.
Asking why is the way to wisdom. Why are we supposed to want possessions we
don’t need and work that seems besides the point and tight shoes and a fake
tan? Why are we supposed to think new is better than old, youth and vigor
better than long life and experience? Why are we supposed to turn our backs on
those who have preceded us and snipe at those who come after? When we were
small children we asked “Why?” constantly. Asking the question now is more a
matter of testing the limits of what sometimes seems a narrow world. One of the useful things about age is realizing
conventional wisdom is often simply inertia with a candy coating of conformity.” Moral da história: envelhecer também
tem o seu lado positivo.
Os melhores conselhos sobre relações matrimoniais vêm dos próprios divorciados
É esta a conclusão de um estudo publicado por
Terri L. Orbuch, PhD no livro "Finding Love Again" (o que aliás não me
admira, pois não há nada como aprender com os próprios erros e cabeçadas). Orbuch começou este estudo longitudinal em
1986, seguindo quase quatrocentos recém-casados; hoje, 46% estão divorciados e
a grande maioria “deita as culpas” para os mesmos problemas:
1 – Dinheiro (money) ► O problema principal. Porque o que é importante
para um nem sempre é importante para o outro surgem, frequentemente, desacordos
e discussões sobre a maneira mais eficaz de repartir e gastar o que,
frequentemente, custa tanto a ganhar: “6 out of 10 said they would
not share living expenses in their next relationship.”
2 – Afecto (affection) ► Surpreendeu-me ler que os homens
procuram afecto – não necessariamente sexo – ainda mais do que as mulheres. Diz Orbuch, “(…) men
crave feeling special and being noticed by their wives.” Porquê?
Bem, aparentemente, porque “Women (…) get this kind of affirmation from more
people in our lives, our mothers, children, our best friends — so women tend to
need less from husbands.” Mais uma vez, fiquei admirada com esta frase, porque
sempre vi mães a darem mais afecto e carinho aos filhos do que às filhas – mas também
reconheço que nem todos tivemos (ou presenciámos) as mesmas experiências. De qualquer maneira, gostei de tomar conhecimento
deste “factóide”; não gosto de “pieguices”
nem de “neediness” a mais (tudo tem limites) mas, ao contrário de
machismos (ou “síndrome” de “Mr.Tough Guy”, que abomino),
acho vulnerabilidade e sensibilidade incrivelmente sexy num homem.
3 – Culpa (blame and guilt) ► Este, para mim, é dos piores e mais difíceis
de evitar. É demasiado fácil deitar as culpas para cima do outro e não assumir
responsabilidade. Cada história tem sempre, pelo menos, dois lados...e a
verdade encontra-se, frequentemente, no meio. Infelizmente, em momentos de
exaltação, raramente nos lembramos disso. Igualmente mau é passar o resto da
vida a culparmo-nos a nós próprios por decisões
tomadas ou palavras proferidas que há muito deviam estar a fazer tijolo. Orbuch diz o seguinte, “Those who found blame in factors such as being
incompatible or too young experienced less anxiety, insomnia, and depression
than those who blamed their former partner or themselves for a break-up.
Examine what went wrong in the relationship instead of assigning individual
blame, and think about how you can resolve conflict better next time.” Plenamente de acordo, Dr. Orbuch!
4 – Comunicação (communication) ► Orbuch sugere reservar 10
minutos por dia para conversar sobre tópicos que não tenham a ver com trabalho,
filhos, família (nada relacionado com assuntos de casa) e diz que o objectivo deve
ser “to reveal something about yourself
and to learn something about your spouse” (eu acho que é para isso
que serve o namoro, mas enfim ... Porém, também reconheço que as pessoas mudam
e que casais felizes são aqueles que evoluem na mesma direcção – and therein
lies the importance of good communication skills). De acordo com este estudo,
41% de divorciados dizem que mudariam a sua maneira de comunicar e 91% de
casais que se consideram felizes “say they know their partner intimately” (é por isso que eu dou
tanto valor à honestidade).
5 – Move On► Requer deixar o passado onde ele pertence - no
passado: “If you are irked by thoughts of your partner’s old boyfriend or
girlfriend or of a fight that happened weeks ago, you might not be interacting
in a healthy, positive way.” E Orbuch vai mais longe: “people who felt neutral toward their ex were significantly more
likely to find love after a divorce.” Sim, é importante aprender com o passado, mas
viver nele é nocivo, contraproducente e não leva a lugar nenhum. It’s important
to let bygones be bygones.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Quanto a mim, isto são tudo
pormenores, pois na base destes problemas todos vejo apenas falta de
compatibilidade e não saber discordar sem ter discussões (muitas vezes) ricas
em gritos, amuos e faltas de respeito. Aí é que está o problema.
Isto, claro, é uma
pequena amostra da realidade americana, mas penso que um estudo num outro país
ocidential qualquer produziria resultados semelhantes.
Watch and Learn
http://video.google.com/videoplay?docid=7375897927147969009
Este video foi-me
recentemente enviado por e-mail. Depois lembrei-me de uma minissérie de textos que alguém uma vez escreveu sobre a importância da batata na cura das maleitas que actualmente
assolam a Nação (now, that’s
what I call thinking outside the box!):
Para refrescar a memória:
- Episódio I: http://fantasticomelga.blogspot.com/2005/11/batata-i.html
- Episódio II: http://fantasticomelga.blogspot.com/2005/12/batata-ii.html
- Episódio III: http://fantasticomelga.blogspot.com/2005/12/batata-iii_06.html
Então pensei que esse “alguém”
(ou algum dos nossos leitores) estivesse interessado numa maneira muito eficaz
de descascar batatas...
segunda-feira, julho 30, 2012
A favor de Fernando Pessoa
Sou um insuspeito admirador da obra de Fernando Pessoa. Não posso dizer que sou um especialista ou sequer profundo conhecedor, mas foi com grande prazer que descobri, por exemplo, o Livro do Desassossego de Bernardo Soares.
Há muitas banalizações do poeta, transformado em ícone para vender todo o tipo de mercadorias, desde biografias mais ou menos pitorescas, auto-colantes, estátuas e estatuetas, frases avulsas, impressas em papel ou tecido de cores garridas, ementas de restaurantes duvidosamente gastronómicos, etc. Basta abrir um guia turístico da TAP para encontrar as referências mais abstrusas ao pobre Pessoa, elevado ao estatuto de galo de Barcelos da cidade de Lisboa. Se cá voltasse, Pessoa pediria seguramente para lhe mudarem o nome e para respeitarem a sua verdadeira genialidade, em vez de o converterem em objecto de marketing, tantas vezes de mau gosto.
Nos tempos que correm, alguém putativamente “pessoano” descobre no fundo de um baú um pequeno bilhete que o poeta escreveu ao chefe a dizer que chegava mais tarde ao escritório e tal pequena frase torna-se mais uma prova inequívoca do contributo de Pessoa para a literatura universal. Poupem o homem e não venham dizer que também é assim com Beethoven em Salzburg ou com Kafka em Praga ou com James Joyce em Dublin.
Há muitas banalizações do poeta, transformado em ícone para vender todo o tipo de mercadorias, desde biografias mais ou menos pitorescas, auto-colantes, estátuas e estatuetas, frases avulsas, impressas em papel ou tecido de cores garridas, ementas de restaurantes duvidosamente gastronómicos, etc. Basta abrir um guia turístico da TAP para encontrar as referências mais abstrusas ao pobre Pessoa, elevado ao estatuto de galo de Barcelos da cidade de Lisboa. Se cá voltasse, Pessoa pediria seguramente para lhe mudarem o nome e para respeitarem a sua verdadeira genialidade, em vez de o converterem em objecto de marketing, tantas vezes de mau gosto.
Nos tempos que correm, alguém putativamente “pessoano” descobre no fundo de um baú um pequeno bilhete que o poeta escreveu ao chefe a dizer que chegava mais tarde ao escritório e tal pequena frase torna-se mais uma prova inequívoca do contributo de Pessoa para a literatura universal. Poupem o homem e não venham dizer que também é assim com Beethoven em Salzburg ou com Kafka em Praga ou com James Joyce em Dublin.
domingo, julho 29, 2012
Para quem gosta de tomar decisões impulsivas e da liberdade que só uma moto oferece
(a música de Bob Seger põe-me sempre bem disposta – que é o que preciso para começar a semana)
*** Uma boa semana a todos ***
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