sábado, julho 14, 2012

Dois dos meus favoritos:

Springsteen & Morello

Esta canção relata bem a realidade do post “uns com tanto outros sem nada”:
Man walking along the railroad tracks
Going some place, there’s no going back
Highway Patrol choppers coming up over the ridge
Hot soup, on a campfire, under the bridge
Shelter line stretching around the corner
Welcome to the New World Order
Families sleeping in their cars in the Southwest
No home, no job, no peace, no rest.
Well the highway is alive tonight
But nobody’s kidding nobody of where it goes
I’m sitting down here in the campfire light
Searching for the ghost of Tom Joad
He pulls a prayer book out of his sleeping bag
Preacher lights up a butt and takes a drag
Waiting for the last shall be first and the first shall be last
In a cardboard box ‘neath the underpass
You got a one way ticket to the promised land
You got a hole in your belly and a gun in your hand
Sleeping on a pillow of solid rock
Bathing in the city’s aqueducts
Well the highway is alive tonight, where it’s headed everybody knows
I’m sitting down here in the campfire light
Waiting on the ghost of old Tom Joad
Now Tom said, “Mom, wherever there’s a cop beating a guy
Wherever a hungry new born baby cries
When there’s a fight against the blood and hatred in the air
Look for me Mom, I’ll be there
Wherever somebody’s fighting for a place to stand
For a decent job or a helping hand
Wherever somebody’s struggling to be free
Look in their eyes, ‘ma, you’ll see me
Well the highway is alive tonight, where it’s headed everybody knows,
I’m sitting down here in the campfire light,
Waiting on the ghost of Tom Joad
Well the highway is alive tonight,
But nobody’s kidding nobody of where it goes
I’m sitting down here in the campfire light,
With the ghost of old Tom Joad (4X)



Uns com tanto, outros sem nada


Este post é deprimente, de modo que não o aconselho a quem se sinta abatido com as injustiças da vida. Relata a moda dos dias que correm neste país desde 2008: pessoas da classe média que perderam tudo o que tinham (incluindo a sua dignidade) e que agora fazem parte do grupo dos sem-abrigo. Muitos vivem debaixo de pontes abrigados do frio por caixas de cartolina; outros, como os exemplos citados neste artigo, vivem dentro dos próprios carros, aos quais se agarram com unhas e dentes e que fazem tudo por tudo para não perder, visto lhes permitir uma certa mobilidade para poderem procurar emprego ou irem à caça de comida. Enquanto que uns passam a noite em parques (nos quais, durante o dia, outras pessoas fazem jogging ou passeiam os cãezinhos – ignorando ou completamente alheios ao que se passa nesses mesmos parques durante a noite - ) outros passam as noites nos parques de estacionamento de igrejas. Tanto uns como outros são forçados a sair de manhã cedo porque, como diz o ditado, “out of sight, out of mind” e, tanto uns como outros, são vitimas de descriminação, da falta de um Estado social e da falta de escrúpulos dos causadores da trapalhada que actualmente assola grande parte do mundo ocidental.

Este artigo relata também o choque e desespero dos entrevistados, pessoas que, dum momento para outro, perderam tudo e agora vêem-se em situações até há pouco tempo inimagináveis.

Quando me lembro que há quem defenda que assim é que deve ser ou que os culpados são os próprios pobres porque não têm ambição ou porque são preguiçosos, sinto logo um calor na cabeça e a tensão arterial a subir.

Seguem-se alguns extractos; para lerem o artigo na íntegra:
http://www.rollingstone.com/culture/news/the-sharp-sudden-decline-of-americas-middle-class-20120622

  •   “The Safe Parking program is not the product of a benevolent government. (…) An appeals court compared one city ordinance forbidding overnight RV parking to anti-Okie laws in the 1930s. (…) local activists launched the Safe Parking program (…). But since the Great Recession began, the number of lots and participants in the program has doubled.”
  •   “People are crying, they're saying, 'I've never experienced this before. I've never been homeless.' They don't want to mix with homeless people. (…) they're lost, they're humiliated, they're rejected, they're scared, and they're very ashamed. (…) all of a sudden, you're in your car.”
  •         By 2009, formerly middle-class  people  like  Janis  Adkins  had begun  turning  up –  teachers and computer repairmen and yoga instructors  seeking refuge in the city's  parking­  lots. Safe-parking programs  in  other cities  have  experienced a similar influx of middle-class  exiles,  and  their numbers  are  not  expected  to decrease  anytime  soon.”
  •   “It  can  take  years  for unemployed  workers  from  the  middle  class to  burn  through  their resources – savings, credit, salable belongings,  home equity,  loans from family and friends. (…)  Janis Adkins (…)  "She's the tip of the iceberg," (…) "There are many people out there who haven't hit bottom yet, but they're on their way – they're on their way."
  •  “Government-aid agencies and private charities demand that applicants show a bundle of identifying documents (…) Many people don't have all of the required documents; homeless people often have none.  (…) at the aid agencies where they applied, (…) many (…) denied basic services for lack of paperwork.”
  •  “(…) welfare applicants must (…) disclose every possession and conceivable source of income they have. (…) many people (…) couldn't get food stamps because (…) car is worth too much(…) ‘OK, you have a car. But you've lost everything – your house, your job, your pride – and all you have left is that car and all of your belongings in it. And they say, You still have too much. Lose it all.' You have to have nothing, when you already have nothing."
  •   “When welfare applicants finally prove that they exist, and show their material worth to be nothing, they usually receive far less than they need to live on.” 
  •   “Most of the social-service systems in the United States function not to help people (…) get back to where they were, to a point of productive stability, but (…) to merely reduce the chances that they will starve. Millions of middle-class Americans are now receiving unemployment benefits, and many find themselves compelled by the meagerness of the assistance to shun opportunity and forgo productivity in favor of a ceaseless focus on daily survival. The system's incoherence and contempt for its dependents fluoresce brilliantly in the wake of a historic event like the Great Recession. When floodwaters cover our homes, we expect that FEMA workers with emergency checks and blankets will find us. There is no moral or substantive difference between a hundred-year flood and the near-destruction of the global financial system by speculators immune from consequence. But if you and your spouse both lose your jobs and assets because of an unprecedented economic cataclysm having nothing to do with you, you quickly discover that your society expects you and your children to live malnourished on the streets indefinitely.”
  •  “These systems (…) degrade and humiliate people. They're not solutions. They're Band-Aids on wounds that are pusing and bleeding."
  •  “However long it takes to lose everything, to get to the point where you're driving away from your repossessed home, the final unraveling seems eye-blink fast, because there is no way to imagine it. (…) you (…) won't have a mental category for your own homelessness (…) reality (…) seems to have sprung from nowhere.”
  •  “When negative thoughts come, it's important to be able to say, 'It's just a thought,(…)Just let it go.' When I get really down, I try to look at a worse-case scenario, like the pictures of the Haiti earthquake. I go, 'What could I do to help?' Things like that drive me forward." She also reminds herself to be grateful (…). Gratitude snuffs out self-pity.”

Vou ter que me lembrar deste último parágrafo; tenho, realmente, muitas coisas pelas quais estou grata. Há sempre quem esteja pior e acho que nada me livra de, um dia, chegar a uma situação semelhante. O meu maior medo é de um dia me ver sem um tecto e dinheiro para as mais básicas necessidades; só espero que, se isso algum dia acontecer, não me encontrar sozinha pois assim acho que não seria capaz. Mas também sei que não sou mais que os outros. 

"Homelessness gets in your bloodstream (...) and it stays there forever."

“Pensei na minha avó” - Diz o agente que lhe pagou a conta


Em Milão, Italia, um policia está a ser tratado como um herói depois de pagar a conta de uma idosa de 76 anos  apanhada a roubar uma caixinha de “Tic Tac” (umas pastilhas para o mau hálito que há aqui mas que não me lembro de ver em Portugal) num supermercado.

"Ela estava, obviamente, muito assustada e tremia como uma folha (...) percebi rapidamente que ela não era rica, mas uma daquelas pessoas que lutam para que o dinheiro chegue até à primeira semana do mês."

Este é um relato de uma realidade triste que se tornou, infelizmente, um pão nosso de cada dia. Mete raiva. Mas o que me enfurece ainda mais é saber que existem pessoas que roubam para terem tecto, comida e assistência médica...nem que seja por detrás de grades. Até quando para chegarmos à miséria dos dias dos contos de Charles Dickens ou da pequenita vendedora de fósforos (personagem de Hans Christian Andersen) livros que me marcaram tanto em criança?

Desesperos destes, situações destas, metem-me nojo! Há quem me diga para não me preocupar com os que vivem em situações precárias ou constrangedoras porque, “you can’t save them all - so for your own sanity you might as well ignore them.” E acho que é precisamente por isso que casos destes me afectam tanto: detesto sentir as mãos atadas!

(este link é para um jornal italiano; como é una lingua che non parlo, o resumo que fiz veio de um artigo já traduzido para inglês. Que me perdoe o Melga da outra margem se não estiver bem feito):

Alegrias de Verão

A quantidade incrível de concertos de Verão que enchem o país, as dezenas de milhares de pessoas que neles participam e o preço que se tem de pagar pelos bilhetes demonstram:

- O poder esmagador do divertimento e da alegria “against all odds” (“a crise pode esperar”, “tristezas não pagam dívidas”).
- Ainda há dinheiro para pagar o dispensável (Dr Vitor Gaspar: “continue a cortar nos rendimentos e na despesa pública que há muita gente que pode contribuir ainda mais para a sua tarefa patriótica de reduzir o défice”).

sexta-feira, julho 13, 2012

E que tal este?


http://www.youtube.com/watch?v=MrqqD_Tsy4Q

domingo, julho 08, 2012

A necessidade de Deus

Descobrir a chamada Partícula de Deus, a origem da matéria, o infímo a partir do qual a máquina do universo se pôs a funcionar, o que está a montante do que se julgava mais elementar, enfim, descobrir cientificamente a origem de todas as coisas tem um significado “monstruoso”. Estabelece o caminho para donde viemos e porque aqui chegámos, do que somos feitos. No fundo, elimina uma parte da necessidade de Deus e demonstra claramente que não foi Deus que criou o Homem, mas sim o contrário. Foi o Homem que criou Deus à sua imagem e semelhança, para melhor, porque o Homem é visceralmente fraco.

Ou seja: trata-se de uma descoberta que abre o caminho a investigação fascinante, não apenas no domínio da Física mas também no da Teologia. De facto, como já disse, o que está em causa é a necessidade de Deus. Mesmo que não tenha sido Deus a criar o Universo talvez se precise Dele para lutar contra o mêdo, para dar esperança e, sobretudo, para preencher esse horrivel vazio que é a morte e o possivel Nada de depois da morte. E parece que a Deus se chega com o coração, não com a cabeça.

sábado, julho 07, 2012

Policia Turística

Gostava de saber o que entendem por “respectful clothing”e se isso também se aplica aos homens: 
http://www.thenational.ae/deployedfiles/thenational/Sound%20and%20Vision/PDFs%20and%20others/proch.torsit.police1.jpg



 

As manas Cohen


Sadie (5 anos) e Eva (3 anos) são irmãs. Sadie, com a melhor das intenções, resolveu dar um corte de cabelo à irmã. Subiu para cima da pia da casa de banho para chegar à tesoura ... e aqui vai disto, ó Evaristo.

A mãe, quando viu aquela obra prima, começou aos gritos; depois de os ânimos acalmarem, o pai (que é jornalista) entrevistou as duas pequenitas e perguntou a Sadie porque tinha feito aquilo à irmã. As respostas e a inocência das miúdas (assim como a reacção da mãe) fazem-me lembrar um certo episódio cerca de 1967 que envolveu uma certa criança de 6 anos, a irmã de 3 e a mãe de ambas. Esse episódio não teve a ver com um corte de cabelo, mas sim com um vestido novo...e uma tesoura. E mais não digo.

Porque cortaste o cabelo à tua irmã? Porque lhe fazia comichão nas ancas e como já lhe chegava ao rabiosque quase que entrava pela retrete adentro:’cause it was all the way down to her tush and if she grew it any longer, when she wiped her butt...her hair was...like...it would go into the toilet…it would be gross…

“When I was finished I put the scissors back and looked back at her and was like, Uh, oh, this is bad; bad, bad, bad…”

Muito comprometida, Eva desce então as escadas e diz aos pais que tinha cortado o cabelo e perguntou se não era um corte bonito. Achei imensa piada à forma como as pequenas relatam a reacção histriónica dos pais –I didn’t know you were going to scream like that, though!”.  Eva tenta defender-se e diz que foi a Sadie que lhe cortou o cabelo; Sadie zanga-se porque tinha dito à irmã  para não dizer nada; o pai pergunta a Sadie o que fez ao cabelo da irmã e esta diz que o escondeu debaixo do aquecedor.

Cortar cabelo requer muita concentração, juramos não o voltar a fazer – EVER!

That was really, really, really terrible, but everyone does that kind of stuff sometimes; it happens like once, or twice, or three times in every life…or twice, or once…”  Que é como quem diz, nenhum de nós está livre de fazer asneiras pelo menos uma vez na vida...mas nunca repetir o mesmo disparate! 

Eva queria o cabelo cortado pelas razões mencionadas em cima. Não digo que tivesse sido este o caso, mas conheço muitos pais que não querem cortar o cabelo dos filhos, sobretudo quando a criança tem caracois (como Eva tinha) de modo que não me admiro que os pais tenham feito orelhas moucas ao pedido da filha. Entra Sadie, irmã mais velha, a salvadora, que compreende a irmã melhor do que qualquer adulto e deita mãos à obra. O que me faz pensar assim é a seguinte frase,I really wanted a hair cutter to cut it.” (cabeleireiro diz-se “hairdresser” e não “hair-cutter”). Depois de os pais levarem a pequena a um “hair-cutter” profissional para “emendar” o trabalho da “hair-cutter” amadora, Sadie já gosta do corte de cabelo da irmã e não a consegue imaginar com o cabelo comprido porque (nas palavras da pequenita) já lá vai muito tempo:I can’t imagine her hair long anymore, it’s been so long since I cut it.” Para uma criança de 5 anos “poucas semanas depois”, foi há muito tempo; para mim, foi hoje de manhã... 
Caption: The Immediate Aftermath
Ainda se vão fartar de rir com este episódio à mesa de Thanksgiving ou Natal com os filhos e pais. Acho que só quem já foi rapariguita desta idade e que tem uma irmã mais ou menos da mesma idade entende...


Tanta comoção por causa de cabelo, quando:





20 anos depois entrevista-se a si próprio quando tinha 12 anos (say what?)


Jeremiah McDonald, 32 anos, cineasta; Jeremiah McDonald, menino precoce aos 12 anos, decidiu filmar-se para conversar consigo próprio 20 anos mais tarde. O (engraçado) resultado e' este video.

A não perder... até ao fim - a história do poder económico em Portugal nos últimos 100 anos muito bem contada em 48 minutos

http://vimeo.com/40658606

Wall Street Journal

Os 10 países com as pensões públicas mais generosas:
Adivinhem quem esta' em 9º lugar


 Os 13 países que controlam o ouro do mundo:

domingo, julho 01, 2012

Campeones - foram simplesmente demasiado superiores... mais uma vez!

Mais um pequeno passo...

O último Conselho Europeu de 29 de Junho desembocou essencialmente nisto:

1) A União Europeia ajuda directamente os bancos sem passar pelos Estados... mas só quando o controlo dos bancos estiver nas mãos do Banco Central Europeu, ou seja, lá para o ano que vem. Não passar pelos Estados é bom porque alivia a promiscuidade entre bancos e Estados e porque não aumenta a dívida externa pública... apesar da dívida externa total do país em questão aumentar de qualquer modo. Por outro lado, assim se esvaziam ainda mais as funções dos bancos centrais nacionais.

2) Não resulta claro se essa ajuda específica aos bancos implicará igualmente condicionalidade macroeconómica como no caso de outros pacotes de assistência (e.g. Portugal). Parece que, sendo o problema especificamente bancário, os países em questão (desde logo a Espanha) não terão de apertar o cinto. Mas, admitindo que, pelo menos, o problema irlandês tenha sido também especificamente bancário, então a Irlanda pode queixar-se de lhe terem imposto sofrimento excessivo.

3) A União Europeia pode comprar títulos de dívida pública no mercado secundário e não terá estatuto de credor privilegiado, isto é: não será o primeiro credor a ser reembolsado em caso de escassez de meios de pagamento do devedor. Isto é definitivamente bom porque evita a fuga dos credores privados, os quais, num cenário de “Preferred Creditor Status” da UE, não estariam dispostos a emprestar nem mais um cêntimo aos Estados.

4) Foi acordado um aumento do capital do Banco Europeu de Investimento de 10 mil milhões de euros com o objectivo de aumentar a capacidade de concessão de crédito dessa instituição em cerca de 60 mil milhões de euros, o que poderá permitir investimentos da ordem de 180 mil milhões de euros para relançar a economia e o emprego (menos de 1.5% do PIB da UE).

No meio de tudo isto a injecção de dinheiro nos bancos espanhóis e a renúncia ao estatuto de credor privilegiado são as medidas com maior impacto imediato para acalmar os mercados. Mas, a viabilidade do euro na sua actual configuração não está assegurada e a Alemanha continua a dizer que apenas aceita a mutualização da dívida (eurobonds) quando, enquanto principal credor, puder controlar os orçamentos nacionais. Ou seja: união económica, monetária, bancária, fiscal traduz-se numa crescente partilha de soberania que resulta tendencialmente em união política, como sempre, controlada pelos mais fortes.

sábado, junho 30, 2012

(mais) Louis e Ella (para acabar o mês)




(CRUZES: Já lá vai meio ano!)

Mais vale tarde do que nunca


Ann Colagiovanni nasceu na Sicilia e, no principio do seculo passado, imigrou com os pais para os Estados Unidos. Em 1931, com muita amargura, viu-se obrigada a abandonar os estudos secundários para poder ajudar o pai a pôr comida na mesa. A America estava a passar por um período muito difícil e não havia outra alternativa; porém, nem Ann nem o pai se esqueceram da importância de uma educação e nunca desistiram da ideia de, um dia, Ann acabar os seus estudos secundários; mas é como se costuma dizer, “life’s what happens when you’re busy making  plans”:  a vida aconteceu e os planos de Ann foram adiados – mas nunca esquecidos.

Hoje  Ann reside no Ohio, tem 97 anos, filhos e netos...e recebeu, finalmente, o seu diploma do 12º ano.

Acho que o que me comoveu mais ao ver o video foi a alegria genuina da senhora ao ver o seu nome no diploma. Porque o ensino superior aqui é caríssimo, eu tive sempre que trabalhar muito para completar os meus estudos universitários; num país onde não existem estatutos de trabalhador-estudante foi preciso muitos sacrifícios, teimosia  e trade-offs. Foi uma montanha que demorou o seu tempo a escalar, e nunca mais me esqueci do que senti quando cheguei ao cume e vi, finalmente, o meu nome no 1º diploma. É uma mistura de alegria, descrença e alivio que não sei explicar. Não creio que tivesse sentido o mesmo com a mesma intensidade, se não tivesse tido que trabalhar e esperar tanto.

Este caso faz-me lembrar um artigo que li nos meus tempos de estudante-trabalhadora. Um senhor de 83 anos estava a acabar a licenciatura em História; também for razões financeiras, teve que ir trabalhar logo a seguir ao 12º ano, casou,  teve filhos, netos e bisnetos e só quando já ninguém precisava dele e estava reformado é que se matriculou na faculdade. Porquê História? Nunca mais me esqueci da resposta: “I’ve lived all these years, experienced first-hand so many of these events, I figured it would be easy.” Esse senhor, sem saber, deu-me ânimo: if he can do it, I can do it!

Joan Baez - Don't think twice, it's all right

Uma noite de verão

Ontem fui jantar aqui

E depois fui aqui

Ver isto


Poderia ter sido uma noite estupenda se a companhia fosse outra...

Economistas do mundo, uni-vos!

Sign the manifesto!

terça-feira, junho 26, 2012

Ecos de crise

A impressão que dá é que se anda a meter a cabeça debaixo da areia à espera que passe. Sem decisões radicais, sem coragem, sem defesa de valores ou interesses esmagados pela crise, sem tempo para reflectir e tomar decisões fundamentadas. As decisões estão cada vez mais a ser tomadas por impulso, instinto, em piloto automático. Continuando apenas com as receitas do costume, alegadamente baseadas em indisputáveis princípios de “disciplina financeira”. Um dia acordaremos com a crise acabada, com o leite e o mel a escorrer nas valetas das nossas vilas e cidades, com os bons velhos tempos a baterem-nos à porta, dizendo que estamos perdoados e que já basta de tanto sofrer. O problema é que, enquanto nos perdemos nas insónias à espera desse desfecho mágico, a crise cresce e cresce e cresce, até se tornar incontrolável, um pesadelo tornado realidade.

domingo, junho 24, 2012

O conhecimento dos gatos

Seguir um gato em território desconhecido é como vigiar um pacote de sentidos, alerta ao mais infímo sinal - côr, cheiro, rugosidade, humidade... tudo suscita uma curiosidade lenta, precisa. Conhecer um novo ambiente é objecto de atenção metódica, sem pressa ou descuido. Um gato precisa de se inteirar escrupulosamente do espaço que passa a ocupar. Há pessoas que deveriam observar cuidadosamente os gatos para aprender a conhecer as coisas antes de se meterem em certas aventuras ou de se pronunciarem sobre certos assuntos.

quinta-feira, junho 21, 2012

Um Verão Feliz a Todos




 (George Gershwin’s Aria: Summertime, da Opera Porgy & Bess)

Summertime and the livin' is easy
Fish are jumpin' and the cotton is high
Your daddy's rich and your ma is good-lookin'
So hush, little baby, baby don't you cry

One of these mornings you're gonna rise up singing
And you spread your wings and you take to the sky
But ‘till that morning, there’s nothin' that can harm you
With daddy and mommy standin' by…………..don't you cry

Big! Giant Girl Swimming w/Tube & Sunglasses Helium Balloon - Click Image to Close

He’s Probably Rolling Over In His Grave...





No meu tempo, aprendia-se ciências na escola e religião na catequese:

"In a 2009 survey conducted for the South Korean documentary The Era of God and Darwin, almost one-third of the respondents didn’t believe in evolution. Of those, 41% said that there was insufficient scientific evidence to support it; 39% said that it contradicted their religious beliefs; and 17% did not understand the theory. The numbers approach those in the United States, where a survey by the research firm Gallup has shown that around 40% of Americans do not believe that humans evolved from less advanced forms of life."





sábado, junho 16, 2012

A Propósito De Corações Partidos


Já muita tinta correu e muita lágrima se derramou a propósito de corações partidos e as razões porque “a coisa nem sempre bate certo”. Desacatos, traição, desilusão, mal-entendidos, ciúmes, sangue derramado e outros dramas, até parece que a felicidade só é alcançável em contos de fadas...

Eu (chamem-me ingénua se quiserem – I don’t care - ) encaro a coisa de uma maneira muito simples: na base de todas as relações de sucesso (sejam elas de natureza amorosa, profissional, ou de amizade) acho que tem que haver dois ingredientes igualmente importantes:  respeito mutuo e compatibilidade. Já a sábia da minha avó dizia (e com “oodles” de razão): “o respeitinho é muito importante; quando falta o respeito, falta tudo.” Também acho indispensável ter, mais ou menos, a mesma visão e os mesmos valores - mas não, necessariamente, os mesmos gostos ou feitios – e imprescindível gostar genuinamente da outra pessoa (como ser humano que é, independentemente de todos os outros sentimentos) . Acho que só assim podemos ser completamente honestos uns com os outros e comunicar o que nos vai na alma sem tentar esconder nada: nem filtros, nem “ares”, nem medo - apenas uma linha recta do coração à boca. Dou muito, muito, valor à honestidade.

Acho que as pessoas são como as peças dum puzzle; enquanto que umas (por mais que se tente) não encaixam, outras encaixam “mais ou menos” e ainda outras há que encaixam perfeitamente – formando, assim, “a perfect fit”. Mas nem encaixar perfeitamente chega (se é que isso existe…) pois, tal como as peças dum puzzle, não há 2 pessoas completamente iguais – razão porque é muito importante respeitar as diferenças 1 do outro e muitíssimo importante saber discutir sempre que haja desacordos e desavenças: sem gritos, berros, amuos ou insultos (os quais, vendo bem as coisas, não passam de mecanismos de defesa). Reconhecendo que todos tivemos educação e experiencias diferentes, reconhecemos  que ter perspectivas diferentes é um dos ingredientes mais importantes numa relação. Mas, para que isso aconteça, há que respeitar essas diferenças e há que poder viver com elas (eu, por exemplo, era incapaz de viver com um cobarde que maltratasse animais, crianças, idosos e outros seres indefesos). E também tenho muita dificuldade em lidar com gente “arrogante”; admiro muito a humildade, sobretudo quando não há razão para tal. Igualmente importante é rodearmo-nos de pessoas que nos ajudem a ser o melhor que podemos ser mas, para que isso aconteça, temos que estar dispostos a mudar as coisas que não gostamos em nós proprios e a evoluir. Por outro lado, acho que ninguém tem o direito de querer mudar o parceiro.  Acho uma grandessíssima falta de respeito quando uma pessoa quer mudar outra sem que esta queira, ou esteja pronta para tal. Por fim, quando as coisas não correm bem, quando as diferenças são irreconciliáveis, acho que a melhor solução é fazer as malas – de preferência, com o queixo erguido e uma série de “lições” na bagagem.  Mas para que isso aconteça é preciso megadoses de coragem e auto-estima.

Esta vida é uma escola, há que aprender com os erros cometidos e andar para a frente e, por muito dificil que seja, há que reconhecer que passar o resto dos nossos dias como um gato hirto pronto a investir, com o coração empedernido e um escudo invisivel à nossa frente não nos safa da dor porque já passámos e só serve para perdermos novas oportunidades. E há que ter o coração aberto, pois uma coisa que também já reparei é que, por vezes, as coisas melhores da vida acontecem quando menos esperamos, quando não fizemos nada para as procurar – mas para que isso aconteça é necessário prestar atenção (fazer o que Steve Jobs denominou “connecting the dots”). E quando as coisas estão bem, há que “regar as flores” quando não elas murcham. Pensar que o dia de trabalho acaba quando chegamos a casa é um erro, pois o que vale realmente a pena é o que dá mais trabalho, o mais difícil de obter: "What we achieve easily, we esteem lightly" -  Thomas Paine.


Infelizmente, voltar atrás é algo que ainda ninguém inventou, e não é nada agradável chegarmos à meia-idade arrependidos de certas coisas que deixámos escapar pura e simplesmente por medo ou porque iria ser complicado. E não deve haver nada pior do que chegar à 3ª idade com remorços. E não poder fazer nada.

Gordon Lightfoot - If you could read my mind


A Propósito De Segundas Oportunidades


(copiado de um e-mail que recebi há uns tempos. Tentei saber quem é o autor mas ninguém me sabe dizer):

Life is too short to wake up with regrets.
Love the people who treat you right,
Forget about the ones who don’t.
Believe everything happens for a reason.
If you get a second chance, grab it with both hands.
If it changes your life, let it.

Nobody said life would be easy,
They just promised it would be worth it.

quinta-feira, junho 14, 2012

Parabéns Irlanda

A Espanha ganhou hoje e bem à Irlanda por um eloquente 4-0. Futebolisticamente nada a dizer. A selecção nacional espanhola continua no topo ou muito próximo do topo. Mas, o que mais me tocou foram os cânticos dos adeptos irlandeses, especialmente vibrantes na parte final do jogo, derrota consumada no estádio de Gdansk. Impressionante a beleza, a disciplina e a amplitude esmagadora desses cânticos de quem, fora do campo, estava claramente a ganhar pelo espírito patriótico, pela solidariedade com os jogadores no momento mais difícil da derrota desportiva. Os adeptos espanhóis - numerosos - deixaram de se ouvir, apesar da vitória. Vitória que passou de repente a valer pouco perante tal demonstração de orgulho e de dignidade dos "derrotados" irlandeses, mais ganhadores no comportamento e na atitude do que todos os campeões do mundo. Temos muito a aprender com a maneira especial de perder ou ganhar dos irlandeses. Os espanhóis ganharam trivialmente. Os irlandeses fizeram da sua derrota futebolistica uma clamorosa vitória emotiva, nacional, uma demonstração de resistência positiva à adversidade. Bem hajam caros irlandeses! Não terá sido por acaso que passaram tanta fome e que mandaram os ingleses para a terra deles e que estão agora a sair da crise provocada pelos seus banqueiros patetas de forma tão discreta e eficiente.

segunda-feira, junho 11, 2012

Bancos e Espanha

Curioso que recentemente esteja a ouvir banqueiros queixar-se de excessos de ganância, da injustiça de certos lucros, do abuso de putativa concorrência, da falta de controlo dos bónus astronómicos. Vejo insuspeitas criaturas e entidades a falar do capitalismo como se fossem de esquerda e se envergonhassem da cupidez. Uma espécie de mundo ao contrário... Os banqueiros, de repente, pedem disciplina,
regras, efectiva supervisão. Porque se estão a ver à beira do precipício,
vítimas da própria avidez. O que acontece é que os Estados e os bancos estão cada vez
mais indissoluvelmente ligados por causa do supremo valor da estabilidade financeira.
Com isso se privatizam ganhos e nacionalizam perdas. Bem sei que as acções dos
bancos têm vindo por água abaixo, mas o capital ainda vale alguma coisa e não
passa pela cabeça de ninguém que passe a negativo porque isso quereria dizer
falência técnica. A solvabilidade dos bancos é igual à solvabilidade dos
Estados. Por isso, o resgate dos bancos espanhóis é o resgate do Reino de
Espanha e dizer que, tratando-se apenas de um resgate de bancos dispensa o país
de condicionalidade macro-económica é enganador. Uma bolha de oxigénio não
assegura a sobrevivência. 100 mil milhões de euros para os bancos, canalizados
por intermédio do Estado espanhol, não tranquiliza ninguém e menos ainda os
detentores de dívida espanhola. Até porque essa dívida poderá vir a ter
prioridade sobre outra dívida, actual ou futura. Essa subordinação afugenta os
credores e leva os existentes a pedir taxas mais altas. Continuamos a cair pela ravina abaixo. Rajoy montou no avião depois do anúncio do resgate, orgulhando-se de um grande sucesso, para ver o jogo do Europeu Espanha-Itália e assistiu a um empate. Que premonição! Nesses dois países, contaminando-se mutuamente, decide-se a Europa...