domingo, julho 01, 2012
Mais um pequeno passo...
O último Conselho Europeu de 29 de Junho desembocou essencialmente nisto:
1) A União Europeia ajuda directamente os bancos sem passar pelos Estados... mas só quando o controlo dos bancos estiver nas mãos do Banco Central Europeu, ou seja, lá para o ano que vem. Não passar pelos Estados é bom porque alivia a promiscuidade entre bancos e Estados e porque não aumenta a dívida externa pública... apesar da dívida externa total do país em questão aumentar de qualquer modo. Por outro lado, assim se esvaziam ainda mais as funções dos bancos centrais nacionais.
2) Não resulta claro se essa ajuda específica aos bancos implicará igualmente condicionalidade macroeconómica como no caso de outros pacotes de assistência (e.g. Portugal). Parece que, sendo o problema especificamente bancário, os países em questão (desde logo a Espanha) não terão de apertar o cinto. Mas, admitindo que, pelo menos, o problema irlandês tenha sido também especificamente bancário, então a Irlanda pode queixar-se de lhe terem imposto sofrimento excessivo.
3) A União Europeia pode comprar títulos de dívida pública no mercado secundário e não terá estatuto de credor privilegiado, isto é: não será o primeiro credor a ser reembolsado em caso de escassez de meios de pagamento do devedor. Isto é definitivamente bom porque evita a fuga dos credores privados, os quais, num cenário de “Preferred Creditor Status” da UE, não estariam dispostos a emprestar nem mais um cêntimo aos Estados.
4) Foi acordado um aumento do capital do Banco Europeu de Investimento de 10 mil milhões de euros com o objectivo de aumentar a capacidade de concessão de crédito dessa instituição em cerca de 60 mil milhões de euros, o que poderá permitir investimentos da ordem de 180 mil milhões de euros para relançar a economia e o emprego (menos de 1.5% do PIB da UE).
No meio de tudo isto a injecção de dinheiro nos bancos espanhóis e a renúncia ao estatuto de credor privilegiado são as medidas com maior impacto imediato para acalmar os mercados. Mas, a viabilidade do euro na sua actual configuração não está assegurada e a Alemanha continua a dizer que apenas aceita a mutualização da dívida (eurobonds) quando, enquanto principal credor, puder controlar os orçamentos nacionais. Ou seja: união económica, monetária, bancária, fiscal traduz-se numa crescente partilha de soberania que resulta tendencialmente em união política, como sempre, controlada pelos mais fortes.
1) A União Europeia ajuda directamente os bancos sem passar pelos Estados... mas só quando o controlo dos bancos estiver nas mãos do Banco Central Europeu, ou seja, lá para o ano que vem. Não passar pelos Estados é bom porque alivia a promiscuidade entre bancos e Estados e porque não aumenta a dívida externa pública... apesar da dívida externa total do país em questão aumentar de qualquer modo. Por outro lado, assim se esvaziam ainda mais as funções dos bancos centrais nacionais.
2) Não resulta claro se essa ajuda específica aos bancos implicará igualmente condicionalidade macroeconómica como no caso de outros pacotes de assistência (e.g. Portugal). Parece que, sendo o problema especificamente bancário, os países em questão (desde logo a Espanha) não terão de apertar o cinto. Mas, admitindo que, pelo menos, o problema irlandês tenha sido também especificamente bancário, então a Irlanda pode queixar-se de lhe terem imposto sofrimento excessivo.
3) A União Europeia pode comprar títulos de dívida pública no mercado secundário e não terá estatuto de credor privilegiado, isto é: não será o primeiro credor a ser reembolsado em caso de escassez de meios de pagamento do devedor. Isto é definitivamente bom porque evita a fuga dos credores privados, os quais, num cenário de “Preferred Creditor Status” da UE, não estariam dispostos a emprestar nem mais um cêntimo aos Estados.
4) Foi acordado um aumento do capital do Banco Europeu de Investimento de 10 mil milhões de euros com o objectivo de aumentar a capacidade de concessão de crédito dessa instituição em cerca de 60 mil milhões de euros, o que poderá permitir investimentos da ordem de 180 mil milhões de euros para relançar a economia e o emprego (menos de 1.5% do PIB da UE).
No meio de tudo isto a injecção de dinheiro nos bancos espanhóis e a renúncia ao estatuto de credor privilegiado são as medidas com maior impacto imediato para acalmar os mercados. Mas, a viabilidade do euro na sua actual configuração não está assegurada e a Alemanha continua a dizer que apenas aceita a mutualização da dívida (eurobonds) quando, enquanto principal credor, puder controlar os orçamentos nacionais. Ou seja: união económica, monetária, bancária, fiscal traduz-se numa crescente partilha de soberania que resulta tendencialmente em união política, como sempre, controlada pelos mais fortes.
sábado, junho 30, 2012
Mais vale tarde do que nunca
Ann Colagiovanni nasceu
na Sicilia e, no principio do seculo passado, imigrou com os pais para os
Estados Unidos. Em 1931, com muita amargura, viu-se obrigada a abandonar os
estudos secundários para poder ajudar o pai a pôr comida na mesa. A America
estava a passar por um período muito difícil e não havia outra alternativa; porém,
nem Ann nem o pai se esqueceram da importância de uma educação e nunca
desistiram da ideia de, um dia, Ann acabar os seus estudos secundários; mas é
como se costuma dizer, “life’s what happens when you’re busy making plans”: a vida aconteceu e os planos de Ann foram
adiados – mas nunca esquecidos.
Hoje Ann reside no Ohio, tem 97 anos, filhos e
netos...e recebeu, finalmente, o seu diploma do 12º ano.
Acho que o que me
comoveu mais ao ver o video foi a alegria genuina da senhora ao ver o seu nome
no diploma. Porque o ensino superior aqui é caríssimo, eu tive sempre que
trabalhar muito para completar os meus estudos universitários; num país onde não
existem estatutos de trabalhador-estudante foi preciso muitos sacrifícios,
teimosia e trade-offs. Foi uma montanha
que demorou o seu tempo a escalar, e nunca mais me esqueci do que senti quando
cheguei ao cume e vi, finalmente, o meu nome no 1º diploma. É uma mistura de
alegria, descrença e alivio que não sei explicar. Não creio que tivesse sentido
o mesmo com a mesma intensidade, se não tivesse tido que trabalhar e esperar tanto.
Este caso faz-me
lembrar um artigo que li nos meus tempos de estudante-trabalhadora. Um senhor
de 83 anos estava a acabar a licenciatura em História; também for razões
financeiras, teve que ir trabalhar logo a seguir ao 12º ano, casou, teve filhos, netos e bisnetos e só quando já ninguém
precisava dele e estava reformado é que se matriculou na faculdade. Porquê
História? Nunca mais me esqueci da resposta: “I’ve lived all these years, experienced first-hand so many of these
events, I figured it would be easy.” Esse senhor, sem saber, deu-me ânimo: if he can do it, I can do it!
Uma noite de verão
Ontem fui jantar aqui
E depois fui aqui
Ver isto
E depois fui aqui
Ver isto
Poderia ter sido uma
noite estupenda se a companhia fosse outra...
quinta-feira, junho 28, 2012
terça-feira, junho 26, 2012
Ecos de crise
A impressão que dá é que se anda a meter a cabeça debaixo da areia à espera que passe. Sem decisões radicais, sem coragem, sem defesa de valores ou interesses esmagados pela crise, sem tempo para reflectir e tomar decisões fundamentadas. As decisões estão cada vez mais a ser tomadas por impulso, instinto, em piloto automático. Continuando apenas com as receitas do costume, alegadamente baseadas em indisputáveis princípios de “disciplina financeira”. Um dia acordaremos com a crise acabada, com o leite e o mel a escorrer nas valetas das nossas vilas e cidades, com os bons velhos tempos a baterem-nos à porta, dizendo que estamos perdoados e que já basta de tanto sofrer. O problema é que, enquanto nos perdemos nas insónias à espera desse desfecho mágico, a crise cresce e cresce e cresce, até se tornar incontrolável, um pesadelo tornado realidade.
domingo, junho 24, 2012
O conhecimento dos gatos
Seguir um gato em território desconhecido é como vigiar um pacote de sentidos, alerta ao mais infímo sinal - côr, cheiro, rugosidade, humidade... tudo suscita uma curiosidade lenta, precisa. Conhecer um novo ambiente é objecto de atenção metódica, sem pressa ou descuido. Um gato precisa de se inteirar escrupulosamente do espaço que passa a ocupar. Há pessoas que deveriam observar cuidadosamente os gatos para aprender a conhecer as coisas antes de se meterem em certas aventuras ou de se pronunciarem sobre certos assuntos.
quinta-feira, junho 21, 2012
Um Verão Feliz a Todos
(George Gershwin’s Aria: Summertime, da Opera Porgy & Bess)
Summertime and the livin' is easy
Fish are jumpin' and the cotton is high
Your daddy's rich and your ma is good-lookin'
So hush, little baby, baby don't you cry
One of these mornings you're gonna rise up singing
And you spread your wings and you take to the sky
But ‘till that morning, there’s nothin' that can harm you
With daddy and mommy standin' by…………..don't you cry
Fish are jumpin' and the cotton is high
Your daddy's rich and your ma is good-lookin'
So hush, little baby, baby don't you cry
One of these mornings you're gonna rise up singing
And you spread your wings and you take to the sky
But ‘till that morning, there’s nothin' that can harm you
With daddy and mommy standin' by…………..don't you cry
He’s Probably Rolling Over In His Grave...

No meu tempo,
aprendia-se ciências na escola e religião na catequese:
"In a 2009 survey conducted for the South Korean documentary The Era of God and Darwin, almost one-third of the respondents didn’t believe in evolution. Of those, 41% said that there was insufficient scientific evidence to support it; 39% said that it contradicted their religious beliefs; and 17% did not understand the theory. The numbers approach those in the United States, where a survey by the research firm Gallup has shown that around 40% of Americans do not believe that humans evolved from less advanced forms of life."
sábado, junho 16, 2012
A Propósito De Corações Partidos
Já muita tinta correu e
muita lágrima se derramou a propósito de corações partidos e as razões porque
“a coisa nem sempre bate certo”. Desacatos, traição, desilusão, mal-entendidos, ciúmes, sangue
derramado e outros dramas, até parece que a felicidade só é alcançável em
contos de fadas...
Eu (chamem-me ingénua se
quiserem – I don’t care - ) encaro a coisa de uma maneira muito simples:
na base de todas as relações de sucesso (sejam elas de natureza amorosa,
profissional, ou de amizade) acho que tem que haver dois ingredientes igualmente importantes:
respeito mutuo e compatibilidade. Já a sábia da minha avó dizia (e
com “oodles” de razão): “o respeitinho é muito importante; quando falta o
respeito, falta tudo.” Também acho indispensável ter, mais ou menos, a mesma
visão e os mesmos valores - mas não, necessariamente, os mesmos gostos ou
feitios – e imprescindível gostar genuinamente da outra pessoa (como ser humano
que é, independentemente de todos os outros sentimentos) . Acho que só
assim podemos ser completamente honestos uns com os outros e comunicar o que
nos vai na alma sem tentar esconder nada: nem filtros, nem “ares”, nem medo - apenas
uma linha recta do coração à boca. Dou muito, muito,
valor à honestidade.
Acho que as
pessoas são como as peças dum puzzle; enquanto que umas (por mais que se tente)
não encaixam, outras encaixam “mais ou menos” e ainda outras há que encaixam
perfeitamente – formando, assim, “a perfect fit”. Mas nem encaixar
perfeitamente chega (se é que isso existe…) pois, tal como as peças dum
puzzle, não há 2 pessoas completamente iguais – razão porque é muito importante
respeitar as diferenças 1 do outro e muitíssimo importante saber discutir
sempre que haja desacordos e desavenças: sem gritos, berros, amuos ou insultos
(os quais, vendo bem as coisas, não passam de mecanismos de defesa).
Reconhecendo que todos tivemos educação e experiencias diferentes,
reconhecemos que ter perspectivas
diferentes é um dos ingredientes mais importantes numa relação. Mas, para que
isso aconteça, há que respeitar essas diferenças e há que poder viver com elas
(eu, por exemplo, era incapaz de viver com um cobarde que maltratasse animais,
crianças, idosos e outros seres indefesos). E também tenho muita dificuldade em
lidar com gente “arrogante”; admiro muito a humildade, sobretudo quando não há
razão para tal. Igualmente importante é rodearmo-nos de pessoas que nos ajudem a ser o melhor que
podemos ser mas, para que isso aconteça, temos que estar dispostos a mudar as
coisas que não gostamos em nós proprios e a evoluir. Por outro lado, acho que ninguém
tem o direito de querer mudar o parceiro.
Acho uma grandessíssima falta de respeito quando uma pessoa quer mudar
outra sem que esta queira, ou esteja pronta para tal. Por fim, quando as coisas
não correm bem, quando as diferenças são irreconciliáveis, acho que a melhor
solução é fazer as malas – de preferência, com o queixo erguido e uma série de
“lições” na bagagem. Mas para que isso
aconteça é preciso megadoses de coragem e auto-estima.
Esta vida é uma escola, há que
aprender com os erros cometidos e andar para a frente e, por muito dificil que
seja, há que reconhecer que passar o resto dos nossos dias como um gato hirto
pronto a investir, com o coração empedernido e um escudo invisivel à nossa
frente não nos safa da dor porque já passámos e só serve para perdermos novas
oportunidades. E há que ter o coração aberto, pois uma coisa que também já
reparei é que, por vezes, as coisas melhores da vida acontecem quando menos
esperamos, quando não fizemos nada para as procurar – mas para que isso
aconteça é necessário prestar atenção (fazer o que Steve Jobs denominou
“connecting the dots”). E quando as coisas estão bem, há que “regar as flores”
quando não elas murcham. Pensar que o dia de trabalho
acaba quando chegamos a casa é um erro, pois o que vale realmente a pena é o
que dá mais trabalho, o mais difícil de obter: "What we achieve easily, we esteem
lightly" - Thomas Paine.
Infelizmente, voltar atrás é algo
que ainda ninguém inventou, e não é nada agradável chegarmos à meia-idade
arrependidos de certas coisas que deixámos escapar pura e simplesmente por medo
ou porque iria ser complicado. E não deve haver nada pior do que chegar à 3ª
idade com remorços. E não poder
fazer nada.
A Propósito De Segundas Oportunidades
(copiado de
um e-mail que recebi há uns tempos. Tentei saber quem é o autor mas ninguém me
sabe dizer):
Life is too short to wake up with
regrets.
Love the people who treat you right,
Forget about the ones who don’t.
Believe everything happens for a reason.
If you get a second chance, grab it with both hands.
If it changes your life, let it.
Nobody said life would be easy,
They just promised it would be worth it.
Love the people who treat you right,
Forget about the ones who don’t.
Believe everything happens for a reason.
If you get a second chance, grab it with both hands.
If it changes your life, let it.
Nobody said life would be easy,
They just promised it would be worth it.
quinta-feira, junho 14, 2012
Parabéns Irlanda
A Espanha ganhou hoje e bem à Irlanda por um eloquente 4-0. Futebolisticamente nada a dizer. A selecção nacional espanhola continua no topo ou muito próximo do topo. Mas, o que mais me tocou foram os cânticos dos adeptos irlandeses, especialmente vibrantes na parte final do jogo, derrota consumada no estádio de Gdansk. Impressionante a beleza, a disciplina e a amplitude esmagadora desses cânticos de quem, fora do campo, estava claramente a ganhar pelo espírito patriótico, pela solidariedade com os jogadores no momento mais difícil da derrota desportiva. Os adeptos espanhóis - numerosos - deixaram de se ouvir, apesar da vitória. Vitória que passou de repente a valer pouco perante tal demonstração de orgulho e de dignidade dos "derrotados" irlandeses, mais ganhadores no comportamento e na atitude do que todos os campeões do mundo. Temos muito a aprender com a maneira especial de perder ou ganhar dos irlandeses. Os espanhóis ganharam trivialmente. Os irlandeses fizeram da sua derrota futebolistica uma clamorosa vitória emotiva, nacional, uma demonstração de resistência positiva à adversidade. Bem hajam caros irlandeses! Não terá sido por acaso que passaram tanta fome e que mandaram os ingleses para a terra deles e que estão agora a sair da crise provocada pelos seus banqueiros patetas de forma tão discreta e eficiente.
segunda-feira, junho 11, 2012
Bancos e Espanha
Curioso que recentemente esteja a ouvir banqueiros queixar-se de excessos de ganância, da injustiça de certos lucros, do abuso de putativa concorrência, da falta de controlo dos bónus astronómicos. Vejo insuspeitas criaturas e entidades a falar do capitalismo como se fossem de esquerda e se envergonhassem da cupidez. Uma espécie de mundo ao contrário... Os banqueiros, de repente, pedem disciplina,
regras, efectiva supervisão. Porque se estão a ver à beira do precipício,
vítimas da própria avidez. O que acontece é que os Estados e os bancos estão cada vez
mais indissoluvelmente ligados por causa do supremo valor da estabilidade financeira.
Com isso se privatizam ganhos e nacionalizam perdas. Bem sei que as acções dos
bancos têm vindo por água abaixo, mas o capital ainda vale alguma coisa e não
passa pela cabeça de ninguém que passe a negativo porque isso quereria dizer
falência técnica. A solvabilidade dos bancos é igual à solvabilidade dos
Estados. Por isso, o resgate dos bancos espanhóis é o resgate do Reino de
Espanha e dizer que, tratando-se apenas de um resgate de bancos dispensa o país
de condicionalidade macro-económica é enganador. Uma bolha de oxigénio não
assegura a sobrevivência. 100 mil milhões de euros para os bancos, canalizados
por intermédio do Estado espanhol, não tranquiliza ninguém e menos ainda os
detentores de dívida espanhola. Até porque essa dívida poderá vir a ter
prioridade sobre outra dívida, actual ou futura. Essa subordinação afugenta os
credores e leva os existentes a pedir taxas mais altas. Continuamos a cair pela ravina abaixo. Rajoy montou no avião depois do anúncio do resgate, orgulhando-se de um grande sucesso, para ver o jogo do Europeu Espanha-Itália e assistiu a um empate. Que premonição! Nesses dois países, contaminando-se mutuamente, decide-se a Europa...
regras, efectiva supervisão. Porque se estão a ver à beira do precipício,
vítimas da própria avidez. O que acontece é que os Estados e os bancos estão cada vez
mais indissoluvelmente ligados por causa do supremo valor da estabilidade financeira.
Com isso se privatizam ganhos e nacionalizam perdas. Bem sei que as acções dos
bancos têm vindo por água abaixo, mas o capital ainda vale alguma coisa e não
passa pela cabeça de ninguém que passe a negativo porque isso quereria dizer
falência técnica. A solvabilidade dos bancos é igual à solvabilidade dos
Estados. Por isso, o resgate dos bancos espanhóis é o resgate do Reino de
Espanha e dizer que, tratando-se apenas de um resgate de bancos dispensa o país
de condicionalidade macro-económica é enganador. Uma bolha de oxigénio não
assegura a sobrevivência. 100 mil milhões de euros para os bancos, canalizados
por intermédio do Estado espanhol, não tranquiliza ninguém e menos ainda os
detentores de dívida espanhola. Até porque essa dívida poderá vir a ter
prioridade sobre outra dívida, actual ou futura. Essa subordinação afugenta os
credores e leva os existentes a pedir taxas mais altas. Continuamos a cair pela ravina abaixo. Rajoy montou no avião depois do anúncio do resgate, orgulhando-se de um grande sucesso, para ver o jogo do Europeu Espanha-Itália e assistiu a um empate. Que premonição! Nesses dois países, contaminando-se mutuamente, decide-se a Europa...
domingo, junho 10, 2012
Abuelas de Plaza de Mayo
Esta história deixa-me, simultaneamente, muito triste e zangada: http://www.washingtonpost.com/world/argentine-grandmothers-running-out-of-time-in-search-for-missing/2012/06/03/gJQAqzr6CV_story.html
Sabedorias Lusitanas
1 – Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
2 – Se tens medo compra um cão.
3 – Querer
é poder.
4 – Tudo
vale a pena quando a alma não é pequena.
5 – Devagar
se vai ao longe.
6 – Mais vale perder um minuto na
vida do que a vida por um minuto.
7 – A
ignorância é a mãe de todas as doenças.
8 – Ler
é saber.
9 - O saber não ocupa lugar.
10 - As palavras voam, a escrita fica.
11 - A
palavras loucas orelhas moucas.
12 - A
união faz a força.
13 - Água mole em pedra dura tanto bate até que
fura.
14 - Amor com amor se paga.
15 - Mais vale só do que mal acompanhado.
16 - Cada
um é como cada qual, e cada qual é como é.
17 - Com
vinagre não se apanham moscas.
18 - De pequenino se torce o pepino.
19 - Deus
escreve direito por linhas tortas; Deus nunca fechou uma porta que não
abrisse outra; Há remédio para tudo menos para a morte; Não há
bem que sempre dure nem mal que não acabe; Há males que vêm por bem;
Tristezas não pagam dívidas; Enquanto há vida, há esperança; Os
cães ladram e a caravana passa; Para bom entendedor meia palavra basta;
Quem canta seus males espanta; Quem boa cama faz nela se deita; Quem
sai aos seus não degenera; Roma e Pavia não se fez num dia (a propósito
da minha impaciência) e Quem tem boca
vai a Roma (a propósito da minha
timidez quando era criança) devem ser os provérbios favoritos da minha mãe. Se
tivesse $1.00 por todas as vezes que ouvi isto, era hoje uma mulher rica.
20 - Em casa onde não
há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
21 - Gostos não se
discutem.
22 - Mais vale pouco que nada.
23 - Mais vale prevenir que remediar.
24 - Da primeira
ninguem se livra, na segunda cai quem quer, na terceira quem é tolo (este
faz-me lembrar a minha querida avó...que saudades que eu tenho suas, avó!)
25 - O que é barato
sai caro (os economistas chamam a isto, “there’s no such thing as a free luch”,
não é senhor Melga?)
26 - Quem semeia ventos
colhe tempestades.
27 -
Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho.
28 - Os homens não se medem aos palmos.
Bibi e Poldi
Casal austríaco "divorcia-se" após 115 anos juntos, 36 dos quais a viver na mesma casa: "We get the feeling they can't stand the sight of each other anymore" . Ao fim de tantos anos, estão perdoados.
sábado, junho 09, 2012
Musings (reflexões) & Quotes (citações)
1 - An eye for an eye makes the whole world blind ~ Mohandas
Karamchand Gandhi
2 - Attacking always stems from fear and guilt. No one attacks unless he
first feels threatened and believes that through attack he can demonstrate his
own strength at the expense of another’s vulnerability. ~ Gerald
Jampolsky
3 - Courage
is not being without fear; courage is being scared to death but saddling up
anyway ~ John Wayne
4 - Live every day as if it were your last and then some day you'll be
right. ~ H.H. "Breaker" Morant
5 - You
have to make mistakes to find out who you aren’t; you don’t think your way into
becoming yourself. ~ Anne Lamott
6 - The primary difference between successful people and unsuccessful
people is that successful people fail more. If you see failure as a monster
that ruined your life, take another look. That monster can become a benevolent
teacher. ~ Martha Beck
7 - Follow
Your Heart Instead of Your Head ~ Tama Kieves
8 - “Your time is limited, so don't waste it living someone else's life (…) Don't let the noise of others' opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.” ~ Steve Jobs
9 - By listening to our inner voice we can heal relationships, experience peace of mind and let go of fear ~ Marianne Williamson
10 - While
the voice of social conditioning manifests itself as a stream of thoughts in
the head, wisdom (read intuition) often appears as emotions or physical
sensations in the body. So, trust your instincts; intuition doesn’t lie ~ Martha
Beck
11 - There
is only one corner of the Universe you can be certain of improving, and that’s
your own self ~ Aldous Huxley
12 - He
who controls the meaning of words dictates the terms of the debate ~
Orwell
13 - There is only one way to happiness, and that is to cease worrying about
things that are beyond the power of our will ~ Epictetus
14 - Happiness depends upon ourselves ~
Aristotle
15 - Of course
problems arise, but thinking only of the negative does not help to find
solutions and it destroys peace of mind. ~
Dalai Lama
16 - A lucky
person escapes his enemies, but a really lucky person slips into a house to
escape enemies and opens the door to another world ~ the poet Rumi
17 - When one door
of happiness closes, another opens but often we look so long at the closed door
that we do not see the one that has been opened for us. ~ Helen Keller
18 - Fear is momentary; regrets are forever (se esta frase não é a minha favorita,
anda lá perto) ~ Joe Robinson, author
19 - Love is Letting Go of Fear (este é o titulo de um livrinho que li há
25 anos atrás e que me abriu muito os olhos) ~ Gerald Jampolsky
20 - I never think
of the future, it comes soon enough ~
Albert Einstein
21 - Do unto others as you
would have them do to you (aka “the
golden rule”)
22 - Enjoy
yourself. It's later than you think. ~
Chinese Proverb
23 - Carpe Diem (seize
the day) ~ Quintus Horatius Flaccus
24 - Peter Drucker:
Ø Change is the only
constant.
Ø The greatest danger
in times of turbulence is not the turbulence, but to act with yesterday’s
logic.
25 - Frases
que não são minhas, que não me lembro onde as fui buscar, mas de que gosto
muito:
Ø Better late than
never.
Ø Never say never.
Ø Love shouldn’t hurt;
if it does, it’s not love.
Ø Truth is the enemy of
a guilty conscience.
Ø Life isn’t always greener on the other side of the river.
Ø If you want to change the world around you, start with yourself
(esta é a mensagem principal de The Man in the Mirror , uma canção de
Michael Jackson:”if you want to make the world a better place take a look at
yourself and make a change”).
Ø A crisis is merely a
threshold for something bigger to come.
Ø You can’t always
control adversities or the curveballs that life sends your way, but you can
control the way you react to them.
Ø Let go of “Oh, No!”
and embrace “Oh, Well…”
Ø Your freedom ends where mine begins.
Ø Ignorance breeds fear.
Ø Knowledge is power.
quinta-feira, junho 07, 2012
domingo, junho 03, 2012
O Problema Dos Preconceitos
Um estudo publicado
recentemente na revista PLoS ONE indica que investigadores numa Universidade
Suiça concluiram que pessoas preconceituosas tendem a interpretar mal
comportamentos alheios e, consequentemente, a perder mais oportunidades do que
aqueles que se esforçam por conhecer e compreender as diferencas “dos outros”. Thomas
Chadefaux, Ph.D. conclui que, “people who
are prejudiced perform poorly in complex situations because they fail to
incorporate nuances or changes.” Tudo isto para dizer que estas pessoas interpretam mal comportamentos
“diferentes” e para ressaltar a importância do saber.
Agora pergunto eu: seria
necessario um estudo cientifico para chegar a esta conclusao?
Os benefícios (tanto para nós proprios como para a sociedade) em viver sozinho
Eric Klinenberg é
investigador, sociólogo, professor na universidade nova-iorquina NYU e
escritor. No seu livro mais recente, Going Solo: The Extraordinary Rise and Surprising
Appeal of Living Alone, Klinenberg defende que cada vez há mais pessoas a
viverem sozinhas por opção própria - possibilitando-lhes, assim, vidas mais
enriquecidas do que se não vivessem sós.
Numa altura em que a
população dos países industrializados está cada vez mais envelhecida e em que noticias
de idosos que morrem sozinhos é quase um
acontecimento diário, o titulo do artigo que li na revista Smithsonian foi o
que me chamou a atenção. Confesso não ter esperado concordar com o académico,
mas após ler o artigo até acho que tem pontos bastante validos, tais como: o
facto de uma pessoa viver sozinha não implicar que esteja isolada e que isolação
social não quer automaticamente dizer “problema”, uma vez que também pode ser significado
de “mudança social”: “It
seems to me that this is a social condition that’s here to stay”, diz Klinenberg” - o que só demonstra
que nem tudo é preto ou branco e que existem muitas áreas cinzentas.
Leiam mais aqui: http://www.nyu.edu/ipk/people/eric-klinenberg e aqui:http://www.smithsonianmag.com/science-nature/Eric-Klinenberg-on-Going-Solo.html?c=y&page=1
A What?
A “pocket neighborhood”, that’s what! (a WARNING to all
you English-language purists out there: this
text was written in American English, so I don’t want to hear – or, in this
case, read – any wisecracks about my atrocious spelling, understood? Good, now
let’s get started):
A “pocket neighborhood” is a relatively new concept of
housing currently spreading all over these United States of America, and
gaining popularity in the process. The reason behind the proliferation of this
new neighborhood concept is two-fold:
1 – As people live longer and healthier lives, pocket
neighborhoods offer a way of feeling connected to those whose families live far
away; to those with no family support system; and to those who are pure social
butterflies and, as such, dread the sound of silence and solitude. In short:
pocket neighborhoods provide social connectedness to those who seek it, i.e., a
sense of belonging and a means of fighting loneliness.
2 – The other factor is a safety issue; as one resident
so eloquently puts it, “few burglars want to mess with caring, sharp-eyed
neighbors.”
So how do these “pocket neighborhoods” work? For
starters, they’re called “pockets” because they are no more than enclaves in
current-traditional neighborhoods. Aimed at those looking for alternatives to
the current suburban model, they found a niche among those of “a certain age”:
50 to 60 year old boomers in search of smaller community-oriented living environments.
These “enclaves” do not have a street separating the homes that face one
another; they do not have big fenced-in backyards where people hide in search
of privacy; and they do not have attached garages where drivers disappear into
until it’s time to hop back into the car again. What they do have are
landscaped courtyards separating the
home across the street with a common walkway connecting front doors; they have
shared pedestrian gardens, yards, alleys and mailboxes; small backyards with the
focus on the front; and mostly detached garages or a common parking area which
deemphasize the current automobile mentality so prevalent since the 1950s. All
this in an effort to form (and build) ever-lasting relationships with
neighbors.
Obviously this is not for everyone; one resident said it
best when she referred to the stream of neighbors crossing her way as “the
parade of gawkers” – but it certainly
has its merits and there’s certainly a niche for it, as the popularity of such
a concept attests. Which begs the
question: seria este um conceito viável em Portugal?
Union Jack
O que se está a passar hoje mesmo no Tamisa em Londres é mais uma demonstração da vitalidade e do orgulho das nações, neste caso, de uma nação idiossincrática como o Reino Unido (Inglaterra?), unida no júbilo por qualquer coisa tão frívolo e prosaico como as bodas de diamante de uma rainha que não governa grande coisa, pese embora ter à sua disposição um orçamento anual de cerca de 200 milhões de euros. Menos de 15% dos britânicos se dizem contrários à monarquia...O que se está a passar ali é uma manifestação de orgulho e de alegria popular contra a crise da Europa, a consagração de uma identidade indissolúvel. Quase uma bofetada na cacofonia dos outros europeus que se deixaram embalar por fantasias como a moeda única ou o federalismo disto ou daquilo.
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