sábado, junho 02, 2012

A Espanha e a Europa

A Espanha tem andado a meter a poeira debaixo da carpete, que é como quem diz: a assobiar para o lado ou a dizer que os seus problemas não são assim tão graves ou, pelo menos, que estão sob controlo. As autoridades espanholas, ancoradas num interessante consenso nacionalista, que conta com o apoio de políticos de quase todos os quadrantes e da imprensa mais influente, andam a negar a realidade e a pedir um tratamento excepcional aos stakeholders externos de que pode depender o destino da Espanha (Comissão Europeia, FMI). Os problemas dos bancos estariam quase resolvidos e, eis senão quando, só para um (Bankia, o 4° maior de Espanha), serão necessários mais 25 mil milhões de euros. O problema da dívida das regiões estaria sob controlo, mas os sinais de derrapagem sucedem-se, incluindo na mais rica região de Espanha, a poderosa Catalunha que tem um PIB semelhante ao de Portugal. As perdas do sector imobiliário estariam já todas reflectidas nos balanços dos bancos, das empresas e dos particulares, mas não é assim e os bancos continuam a fazer mais e mais provisões para crédito imobiliário mal-parado, numa interminável descida aos infernos. A desvalorização dos imóveis chega a atingir mais de 80%. Os investidores e os próprios aforradores domésticos estão a transferir capitais para fora de Espanha, deixando os bancos numa situação ainda mais complicada e provocando pedidos de injecção de liquidez por parte do benemérito do costume, o Banco Central Europeu. A promiscuidade entre bancos e Estado aumenta, em Espanha como em todos os países em dificuldade, com a degradação de uns a provocar a degradação do outro, numa espiral de conflitos de interesses, a pretexto do interesse público da estabilidade financeira.

Talvez as autoridades espanholas pensem que Espanha "is too big to fail" ou que, verdadeiramente aqui, joga-se a União Monetária, o euro. Grécia, Irlanda e Portugal teriam sido apenas tímidas antecâmaras de um problema maior, o de Espanha que definitivamente se confundirá com o da Europa. E assim Espanha terá de ser tratada obviamente de forma diferente, digamos, de forma mais clemente e sensata... no benefício dos espanhóis e de todos os europeus. Será mesmo assim?

quinta-feira, maio 31, 2012

Mais Ella e Louis (não me canso):


Call me a relic call me what you will, Say I’m old-fashioned say I’m over the hill, Today’s music ain’t got the same soul:


Unfreakinbelievable!


2 trabalhos + disciplinas AP + quadro de honra =  chegar atrasada às aulas ou faltar às aulas devido a exaustão/esgotamento/cansaço/fadiga => prisão + multa + cadastro para o resto da vida. Não acreditam? Leiam (e vejam o video) aqui: http://www.khou.com/home/Honor-Student-Jailed-for-Absences-153847275.html

Este caso está a dar que falar devido à atenção que a comunicação social lhe está a prestar, mas quantos mais episódios semelhantes e igualmente ridículos não haverá por aí?

(faz-me lembrar esta canção de Arlo Guthrie - só para quem tem tempo):




quarta-feira, maio 30, 2012

Rush for havens as euro fears rise

Markets are increasingly resigned to more turmoil until policy makers take more radical action. The two most popular plans of action for investors are for the ECB to buy Spanish and Italian bonds in unlimited size or for eurozone countries to agree on a fiscal union involving the pooling of debt.

extraído daqui:

http://www.ft.com/intl/cms/s/0/7fc8b916-aa7d-11e1-899d-00144feabdc0.html#axzz1wOCjiSzs

sexta-feira, maio 25, 2012

Simply AMAZING!


Não há empresas no ramo onde queremos trabalhar? Então cria-se uma!


Muitos colegas meus que saiam da faculdade queriam ter um emprego com ordenado (…) eu queria ter um emprego em que eu me sentisse realizada (…) e ter a minha experiência  professional, começando a trabalhar naquilo que eu gosto.”

Lamentar não adianta nada, isso só gasta energias.”

Senti mais esse problema em algumas areas aqui em Portugal.” – a propósito do receio de ser um produto de origem portuguesa a ser vendido no estrangeiro. Esta mentalidade de que o que vem de fora é melhor é triste e faz parte duma cultura contraproducente ao sucesso.

Esta jovem é prova de que é mais importante enredar numa carreira pela qual temos gosto (paixão mesmo) do que tirar um curso pura e exclusivamente “por ter saída” e depois ser-se miserável para o resto da vida. Uma das lições mais importantes que aprendi foi a importância de seguirmos sempre os nossos instintos e coração. É essa uma das razões porque a admiro tanto. A “sorte” é um componente muito pequeno do sucesso; visão, iniciativa, coragem, tenacidade, atitude positiva, acreditar em nós proprios e, sobretudo, gostar do que se faz são, na minha opinião, os ingredients mais importantes para triunfar na vida. Igualmente importante é rodearmo-nos de outros seres com a mesma atitude e com quem sejamos compatíveis (like-mind souls).

Uma jovem que adorava conhecer e que sirva de exemplo a todos nós:

quinta-feira, maio 24, 2012

O LOCAL DE TRABALHO HUMANIZADO


The Humanized Workplace de Jerome Braun foi um dos muitos livros que tive que ler para a cadeira Seminar in Management nos meus tempos de estudante de gestão. Foi um livro que gostei e que me marcou talvez por, na altura, trabalhar em Recursos Humanos (RH) e também porque de todas as areas em que ja’ trabalhei, RH ser a que mais gostei. No outro dia estava a arrumar umas coisas e encontrei um “book report”, uma critica que tive que fazer ao dito livro. Reli o que escrevi e que já me tinha esquecido. Fiquei pasmada o quanto ainda é relevante – talvez agora mais do que nunca. O objectivo deste post nao é repetir tudo o que então escrevi, gostava apenas de recomendá-lo vivamente a quem, como eu, trabalha/ou (ou esta’ interessado) nas seguintes disciplinas: gestão de recursos humanos, psicologia e sociologia do trabalho – assim como a quem ocupe actualmente cargos de gestão. Por ser ainda tão relevante, estou a pensar comprá-lo e usá-lo como referência. Incluo um link para quem estiver interessado, mas se acharem o preço proibitivo aconselho-vos a o lerem numa biblioteca, que foi o que eu fiz. E já agora, se alguém souber onde se compra mais baratinho, agradecia um link. Muchas gracias.


Disse que não queria repetir o que escrevi, mas resolvi incluir alguns extractos/passagens “just to wet your appetite” (disclaimer: what follows is written in American-English):
From a Human Resources standpoint, it was with great interest that I read Jerome Braun’s The Humanized Workplace. This is a book that proves, beyond a shadow of a doubt, that companies that treat their workers with respect, care and admiration are the real winners; companies where workers must wear name tags, where CEOs, COOs and the like barely leave their corner offices and where most are not even aware of their company’s mission and Theory of the Business, are the losers. Yet, some of these organizations have grown so large that superiors (no longer familiar with day-to-day operations) feel that they must rely on report systems to help them look over people’s shoulders; not unlike public managers, many private sector managers feel that without excessive control measures chaos would endure. The effect, though, is paranoia, which is hardly conducive to productivity.

Managers hung up on a pyramidal structure of authority (that often goes far beyond what is necessary to manage intelligent workers) frequently use the claim of scientific management to bolster their powers – forgetting, in the process, that scientific management does not mean endless nagging.

Management is more psychology than science; unfortunately, many managers believe in managing by intimidation, by reminding workers who is boss and by refusing to accept the reality that empowered workers who feel self-fulfillment, pride and ownership in their work are much more productive than those who dread Mondays and Sunday afternoons and spend the rest of week going through the motions and looking forward to the weekend. Learning how to relate to others and getting the most out of a company’s most valuable resource is, indeed, an art.

I also make reference to Douglas McGregor and the book The Human Side of Enterprise, where Mr. McGregor discusses Theory X and Theory Y of management . I tend to subscribe to the latter, which argues that intrinsic rewards, e.g., pride and work-ownership are what really motivates most people, whereas the former argues that workers can only be motivated with extrinsic benefits, e.g., money. And I conclude that Braun’s historical perspective of the Humanized Workplace proves this very point.

Managers should not be like policemen watching the work of others, and they should not be like kings who inherited their positions. Managers should be planners, advisors, trouble shooters; they should stand by their subordinates when senior management exerts unfair pressure, but they should be equally able to remind workers of the financial condition of the company when they start being wasteful. Managers need to listen – the basis of all good communication which, in turn, eliminates so many problems.

This is also a book that paints a very bleak picture of the current malaise that plagues labor-management relations, at a time when the gap between the powerful and the powerless seems to be widening in the United States and in so many other parts of the world. It is because workers are so painfully aware of the problems plaguing American business unionism that union membership has been steadily declining for years; and as Union membership declines, Mr. Braun reminds us of the inhumane conditions in which coal miners, industrial workers and other blue-collar laborers were subjected to in a not too distant past. While making this point, Mr. Braun also reminds us of the correlation between social justice and productivity.

It talks about the current trend towards industrial engineering, which tries to increase productivity with a very poor conceptualization of the human costs.

It mentions how most workers are burned out by the time they reach their mid-thirties and how many of those workers are apathetic and feel helpless.

It talks about the discrepancy between the salary of an executive in Europe and the salary of an American executive when compared to the lowest-paid employee; how today’s typical American company is full of workers who do not contribute to their full potential because they fear the authoritarian they work for; how, as a result of a culture of endless paperwork, division of labor and loss of teamwork, otherwise decent folks spy on one another, do not communicate their concerns out of fear and do not trust each other.

Some favorite quotes:
            1 – “If American business is going to compete globally, it’s going to have to learn that workers cannot just be used up and thrown away.”
            2 – “Too many managers who pride themselves on being shrewd are shrewd the way a con man looking for money is shrewd.”
            3 – “The reality of a manager’s ego is often obvious to everyone but himself.”
            4 – “There is no science of management, just the art of administration.”
            5 – “If managers want worker loyalty, they’re going to have to give it.” (this is probably my favorite).

With engaging and witty style, Braun describes not only what is wrong with corporate America, but also how its (numerous) problems can be fixed. 

quarta-feira, maio 23, 2012

Questões de bom senso

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=558477

terça-feira, maio 22, 2012

Atenção: políticos à solta!

Quanto mais conheço os políticos mais desconfio da intervenção do Estado
na economia. Esta afirmação pode surpreender quem me conhece por subentender um liberalismo inusitado. A verdade é que os políticos têm revelado uma
superficialidade ou ignorância irritantes na maneira como gerem os recursos
públicos, como influenciam a vida das pessoas. Funcionam por impulso, seguindo
lógicas que não têm nada a ver com o interesse colectivo. É tal a incompetência,
a vaidade, o narcisismo que chego a duvidar que defendam sequer interesses
particulares de forma eficaz. Actuam muitas vezes como os carneiros, seguindo
instintos ou palpites sem sentido, negando a realidade, criando “realidades” à
sua imagem e semelhança. Agora, a moda parece ser o impulso do crescimento e - vai
daí - põem-se todos a inventar as melhores formas de despejar dinheiro na
economia. Porque sim! Esses excessos de voluntarismo não têm dado bons
resultados, sobretudo se se traduzem em desperdício de recursos, na sustentação
de actividades que não acrescentam valor. Na sequência da crise subprime de
2009, os políticos europeus entraram em histeria, inundando as economias com
projectos de interesse duvidoso porque era preciso estimular a procura,
contradizer o ciclo económico. Passados 3 anos, estamos no meio de uma penosa
crise das dívidas soberanas que os políticos acharam que se deveria debelar através
de uma austeridade cega. Pior a emenda que o soneto! Mas, como se não bastasse,
agora fazem todos (ou quase todos) um coro ensurdecedor, pedindo mais uma vez a
injecção de dinheiro na economia porque é preciso compensar a austeridade com o
crescimento. No mínimo a isto chama-se “stop and go”, políticas pró-cíclicas,
curiosamente o contrário do que se anuncia. Ou é austeridade ou é crescimento.
Não se pode ter chuva na beira e sol na eira. Essencialmente, o que é necessário
é deixar a economia respirar, os agentes económicos ter as vantagens e
inconvenientes das suas decisões, não favorecer certos sectores na base do seu
putativo interesse sistémico. No fim de contas, os países são aquilo que os seus
cidadãos conseguem. Ter um Estado permanentemente a desviar os cidadãos dos
custos ou benefícios das suas decisões autónomas não dá bom resultado a longo
prazo e gera dependências e mordomias. Deixem o ciclo económico evoluir, sem
prejuizo de medidas selectivas que limitem o excesso das tendências. A última moda consiste em promover investimentos... sem agravamento de dívida pública. Milagre! Lá vêm os suspeitos do costume (muitas vezes sem se saber do que se fala exactamente): infraestruturas, redes transeuropeias, economia do conhecimento, PMEs, etc. Meus caros, ou se acha que os empresários são um bando de mentecaptos e patetas ou eles próprios identificarão os projectos mais rentáveis no sítio e no momento certo, sem necessidade da cacofonia ambiente e ainda menos de desperdício do dinheiro dos contribuintes. Lançar investimentos com subsídios para criar supostas externalidades positivas tem dado grande bronca. As auto-estradas, as rotundas, as piscinas e ginásios que ninguém frequenta são uma prova de como se pode estragar dinheiro. Vejo essa bulímia a crescer de novo e sob os mais piedosos motivos, como por exemplo, criar emprego. Quem é que pode estar contra a boa intenção de criar emprego? Mas que se criem empregos úteis, produtivos e duráveis... Deixem as pessoas seguirem a sua racionalidade, exprimir a sua iniciativa. Não embriaguem a malta com dispendiosas histórias da carochinha que fazem inchar, pelas piores razões, o poder e o ego dos políticos de todas as cores e tendências.

O Fim De Uma Era



R.I.P. Robin Gibb
(1949-2012)

Louis & Ella = priceless


Vampiros? Really?!?!?!?...

None, happily, tried to drink my blood

domingo, maio 20, 2012

O que é que uma aula de caligrafia tem a ver com os computadores da Apple?


Há 7 anos atrás Steve Jobs foi convidado para discursar perante os estudantes finalistas da Universidade de Stanford; neste discurso, Jobs relata varios episódios da sua vida como prova do seguinte:

1 – A importância da curiosidade, intuição e entusiasmo no alcance do sucesso.

2 – A importância em não desanimar e saber aproveitar oportunidades em períodos de crise (no seu caso ser despedido); diz Jobs, It was awful tasting medicine, but I guess the patient needed it. Sometimes life hits you in the head with a brick. Don't lose faith.”

3 – A importância em prestar devida atenção a todos os acontecimentos da vida (os bons e os menos agradáveis). Jobs chama a isto “connecting the dots”, o que só é possível anos mais tarde – é  por isso que, por vezes, demoramos anos para compreender certas coisas desagradáveis ou que, em principio, não nos fazem sentido. Não há nada como a retrospectiva para aprender as maiores lições desta escola a que chamamos vida.

4 – A importância em fazermos aquilo que gostamos: I'm convinced that the only thing that kept me going was that I loved what I did. You've got to find what you love (…) Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven't found it yet, keep looking. Don't settle. (...) So keep looking until you find it. Don't settle.”

5 – A importância em seguirmos sempre o nosso coração: “Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose (...) There is no reason not to follow your heart.”

“Your time is limited, so don't waste it living someone else's life (…) Don't let the noise of others' opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.”

6 -  A sorte nada mais é do que estar preparado quando as oportunidades surgem.
Numa altura em que tantos jovens se preparam para abandonar a vida académica e enredar numa nova aventura, achei este discurso muito interessante e relevante. Espero que gostem tanto como eu gostei.

Para saber a resposta ao titulo deste post, leiam o texto e vejam o video (na integra) aqui: Stay Hungry. Stay Foolish.

Olá A Todos


Como já devem ter reparado, decidi aceitar o convite do Miguel para participar como escritora neste blog (ver os comentários ao post Mourinhos e Ronaldos de 5 de Maio). Acho que vai ser um desafio interessante e espero não contribuir para o declínio deste excelente blog. Obrigada, Miguel, por uma oportunidade que nunca me tinha passado pela cabeça e que há uma semana atrás me deixou aterrorizada mas que, agora, até acho gira.


BRIOSA: Campeões de Portugal

A vitória de hoje na Taça de Portugal encheu-me de emoção. Não é apenas a vitória de uma equipa de futebol. É a vitória de uma história, de uma cidade, de uma universidade, de um percurso de resistência, de sensibilidade a causas colectivas. Que outra equipa levaria ao estádio nacional enormes bandas a dizer: "Mãe estou desempregado" ou "Menos 11000 bolsas de estudo"? É a consagração de múltiplas memórias, minhas seguramente, de quando ía à bola todos os domingos com o meu pai ver jogar glórias do futebol português como Gervásio, Vitor Campos, Mário Campos, Alhinho, Rui Rodrigues, Maló, Artur Jorge, Toni e tantos outros. De memórias e de um presente de quem passa por Coimbra e de quem vive em Coimbra, de quem nasceu em Coimbra, cresceu em Coimbra ou foi adoptado por Coimbra.

Depois, por detrás deste meu romantismo, também estão jogadores emprestados, comprados, vendidos, hipotecados, orçamentos mais ou menos desequilibrados, dívidas que vão sendo sustentáveis ou sustentadas, etc. Estão seguramente interesses menos platónicos. Mas, se a essas lógicas, a que não resiste o actual futebol de alta competição, se acrescenta um certo pudor e muita paixão para fazer da Académica um estandarte de uma cidade e de uma cultura, teremos talvez de vergar-nos a alguma falta de virgindade.

Depois de tanta racionalização, tenho de confessar que a minha paixão pela Académica é simplesmente isso mesmo: paixão. Nada tem de racional. É tudo emoção. Como deve ser. Talvez também identidade...

GRANDE BRIOSA PARA SEMPRE.

sábado, maio 19, 2012

Recuerdos de mi infancia II

Recuerdos de Mi Infancia

"Nem parece que e' da Madeira, sao todos pessoas inteligentes":



Nunca Subestimem O Poder De Um Blog

"The sad truth is that stories like this are no longer news. But in this particular case, it is -- because of what happened next."  Tirado daqui: Uma Historia Triste com Um Final Feliz

sexta-feira, maio 18, 2012

Seasons In The Sun

God, this brings back memories!
Outro tempo, outra vida, outra cidade, outro país, outro continente!...
Por ser fácil de entender, aprendi muito vocabulário com esta canção que estava constantemente a passar na rádio - sabia melhor a letra aos 13/14 anos do que agora...


("We had joy, we had fun, we had seasons in the sun, but the wine and the song, like the seasons have all gone")

quinta-feira, maio 17, 2012

O que é feito desta criatura?

Coisas para sempre

A relva do meu jardim

O meu passatempo favorito? Nada do que se possa pensar... Simplesmente ver a relva do meu jardim crescer. Estender os olhos pelos poucos metros quadrados de verde à frente da porta da minha sala e achar que são um país, um continente, um planeta. Observar os movimentos de pássaros e gatos que aparecem sem convite e que lentamente passeiam pelo pequeno relvado à procura de um insecto suculento ou simplesmente em trânsito para outros planetas.

Deixar os sentidos descansar, parados no verde escasso, escapar à pressa dos dias, à gravidade dos problemas, mandar as ameaças e as crises à merda, desviar o pensamento para o verde da relva do meu minúsculo jardim elevado à categoria de calmante com efeitos imbatíveis.

A relva do meu jardim cresce silenciosamente, discretamente, seguramente, sem fazer mal a ninguém, sem disputar mais do que o meu esforço duas vezes por mês para a cortar. O que não è pouco, sobretudo quando chove e está calor, ingredientes de um crescimento mais vigoroso. O inverno inibe a exuberância do meu irrisório jardim. Não è preciso cortar a relva que fica petrificada e estáctica, rendida aos argumentos da geada e da neve.

“Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são. Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.” Fernando Pessoa

terça-feira, maio 15, 2012

Não acredito em bruxas, mas que as há, há!

L'avion qui emmenait François Hollande à Berlin pour un dîner avec la chancelière allemande Angela Merkel a été touché par la foudre et a dû regagner Paris, selon l'Elysée. Le président français a décollé peu après à destination de la capitale allemande à bord d'un autre avion. (Reuters)

domingo, maio 13, 2012

Há maneiras simples e quase incompreensíveis de fazer um homem feliz: esse é o caso de o seu clube do coração conseguir safar-se à descida de divisão na última jornada do campeonato.

Deu para estar lá a vibrar na penúltima jornada com uma vitória preciosa por 1-0 sobre o V. Setúbal. Ontem, vitória fora sobre o V. Guimarães por 2-1. Nos dois últimos jogos, conseguiram o milagre de ganhar, o que não acontecia há 15 0u 16 jogos... E pronto, quando o desastre parecia iminente, conseguiram manter-se na Primeira. Vai sendo assim quase todos os anos. E esse sofrimento, essa tragédia faz parte da mística, da glória de não perder, mais do que da de ganhar. Segue-se a final da Taça contra o Sporting no Jamor no próximo domingo. Era bonito trazer a taça de novo para Coimbra depois de tantos anos. Força BRIOSA !...

A canção favorita de uma caríssima melga leitora que um dia será também escritora

sábado, maio 05, 2012

Mourinhos e Ronaldos

Nos últimos dias, um grupo de notáveis portugueses juntou-se sob a égide de uma inefável instituição de seu nome COTEC para “puxar pela malta”, para instilar optimismo e confiança num tecido social à beira de um ataque de nervos. Entre os peregrinos entusiastas figuravam criaturas de irrefutável sucesso, doméstico e internacional, como Durão Barroso e Cavaco Silva que, de colarinho desapertado, disseram que a chave da recuperação reside na inovação, no empreendorismo (palavra horrível…) e na criatividade. O super confiante Durão Barroso disse que os portugueses até são bons, mas falta-lhes auto-estima e espírito positivo, e são demasiado discretos, como se tivessem vergonha de ser tão fantásticos. Que devíamos todos pôr os olhos no Mourinho e no Ronaldo, paradigmas do portuguesismo triunfante, nessa arte superior de dar o pontapé na bola.

Lá sermos todos Mourinho ou Ronaldo, sobretudo noutras artes, ainda vá que não vá. Mas ser criaturas de sucesso como Durão Barroso, enfin, ça se discute…

Pingo Amargo

Já muito se discorreu sobre o binómio Pingo Doce / 1° de Maio. Não quero chover no molhado. Reconheço-me, aliás, em muito do que disse e escreveu Pacheco Pereira (v. o seu artigo na página 54 do “Público” de hoje). Quero apenas deixar um singelo comentário adicional.

A lógica do Pingo Doce terá sido simplesmente a de pretender obter vantagens com a concessão de vantagens aos clientes. Não acredito que haja alguma conspiração ideológica. Contudo, a rede de supermercados deveria ter uma ideia das consequências da enormidade que estava a fazer, tendo em conta, sobretudo, o estado de pobreza e de necessidade em que se encontra o país. O que o Pingo Doce fez não se desvia do que outras empresas, como a Ryanair, fazem, isto é: dou-vos o que precisam ao preço da chuva; em troca, posso tratar-vos como me apetece, se necessário, como pedaços de merda com uma carteira com o pouco dinheiro que serve para pagar a mercadoria que vos vendo. Vender muito barato, tornar acessíveis certos bens e serviços em condições excepcionais, parece dar o direito ao vendedor de ficar com um bocado da dignidade do comprador, no limite, de o humilhar, premeditadamente ou involuntariamente. A obediência à mais primária vantagem económica, em que entre produtores e consumidores vigoram apenas os princípios da utilidade e da maximização de excedentes, baseados num putativo livre-arbítrio, não sobrevive a conceitos como a dignidade ou o respeito. A ficção do “homo economicus” não tem moral – apenas vontade. O Pingo Doce dirá que não obrigou as pessoas a andar à pancada nos seus supermercados, que não é responsável pela gula ou mesquinhez dos clientes. Que se limitou a dar-lhes incentivos. Mas, o mesmo não se pode dizer do estado a que o país chegou e que exorbitou os instintos mais primários dos “consumidores racionais”, transformando socialmente um Pingo Doce num infeliz Pingo Amargo!