Deixem-nos em paz. Deixem-nos estar tranquilos. Não venham com teorias do apocalipse nem de concorrência desenfreada entre indíviduos e nações. Não venham com ameaças insuportáveis que nos fazem olhar para o futuro com uma angústia endémica.
Como era bom há uns anos, sem crises nem bloqueios, numa doce estabilidade.
O problema é que nunca foi assim. Olhemos para os últimos 40 anos: de crise em crise, de sobressalto em sobressalto, de credo em credo: guerra fria, fim do mundo, Vietnam, crise do petróleo, desemprego e inflação, queda do Muro, tatcherismo/reaganismo, terrorismo, bolha da internet, crise da dívida dos chamados países emergentes (México, Argentina, Malásia, Brasil), guerra às portas da Europa (ex-Jugoslávia), bolha imobiliária, crise da dívida privada, crise da dívida pública...
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades."


