terça-feira, dezembro 06, 2011

Se isto não é politica...

No mesmo dia em que foi tomada semelhante decisão pela mesma agência de rating em relação a todos os países da zona euro:

LONDON (Standard & Poor's) Dec. 5, 2011--Standard & Poor's Ratings Services
today placed its 'BBB-/A-3' long- and short-term sovereign credit ratings on
the Republic of Portugal on CreditWatch with negative implications.

RATIONALE
The CreditWatch placement is prompted by our concerns about the potential
impact on Portugal of what we view as deepening political, financial, and
monetary problems within the eurozone. To the extent that these eurozone-wide
issues permanently constrain the availability of credit to the economy,
Portugal's economic growth outlook--and therefore the prospects for a
sustained reduction of its public debt ratio--could be affected. Further, it
is our opinion that the lack of progress the European policymakers have made
so far in controlling the spread of the financial crisis may reflect
structural weaknesses in the decision-making process within the eurozone and
European Union. This, in turn, informs our view about the ability of European
policymakers to take the proactive and resolute measures needed in times of
financial stress. We are therefore reassessing the eurozone's record of
debt-crisis management and its implications for our view on the effectiveness
of policymaking in Portugal.

domingo, dezembro 04, 2011

Jogo de poker

Tirado daqui:

“Merkel está apretando el acelerador hasta llevarnos a todos al borde del abismo para que aceptemos sus condiciones. Es como una arriesgada jugada de póquer, a ver quién aguanta más”, señala un alto funcionario comunitario. ¿Qué pide Merkel? La canciller propugna una unión fiscal de la zona euro. Sustancialmente, se trata de crear una autoridad fiscal europea, ya sea un ministro de Economía de la zona euro o un supercomisario, como el recientemente nombrado Olli Rehn, pero con los máximos poderes, especialmente para controlar e intervenir en los Presupuestos de los Estados miembros, endurecer las sanciones de los infractores de los límites de déficit y deuda, con la posibilidad de privarles del derecho de voto y retirarles los fondos comunitarios. Para Merkel es fundamental que los países que incumplan las normas de déficit y deuda establecidas en el Pacto de Estabilidad puedan ser llevados ante el Tribunal de la Unión Europea. También exige que los Estados inscriban en su legislación la regla de oro de lograr el equilibrio presupuestario.

El debate de fondo es corregir los fallos fundacionales del euro que establecieron un sistema con una sola pata, la monetaria, pero sin la necesaria política fiscal que la equilibrara. Pero Francia mantiene sus reservas, sobre quién debe tener la última palabra sobre la decisión de las sanciones. Berlín propone que sea la Comisión Europea, mientras que París no quiere ceder esta parcela de soberanía.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Nostalgia

Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que pelas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-me esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!

Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

Florbela Espanca

Conflitos

O mundo parece demasiado pequeno dentro do rectângulo da televisão.

Desfilam imagens de conflitos em diferentes regiões, linguas, côres, credos, raças, politicas. Simplesmente porque as pessoas, os grupos sociais, as nações têm interesses divergentes, porque a contradição é inseparável da vida. Porque a razão se mistura com a emoção, por vezes, com o fanatismo. A cegueira simplifica a realidade, por natureza, complexa.

A Europa parece uma panela de pressão sem válvula de escape. Ou se abre ou explode. A Europa atingiu uma maturidade insustentável, uma estabilidade decadente. São precisos rupturas, saltos em frente. Isso pode querer dizer guerra. Mas pode (e deve) também querer dizer discussão franca, sem tabús nem reservas. Como nas famílias, nos casais, entre amigos que falam tempo demais de trivialidades para evitar silêncios pesados ou disputas esclarecedoras. Melhor assumir os conflitos, falar deles de forma aberta para purificar as relações, eliminar mal-entendidos, denunciar interesses indevidos e regular interesses legitimos. Os antagonismos talvez ainda não tenham ultrapassado o limite do diálogo e da negociação, antes de se chegar à guerra. As cedências ainda parecem possiveis sem ameaçar coisas vitais.

Apesar de tanta boa intenção, a verdade é que o nacionalismo cresce e a solidariedade suscita condescendência, senão mesmo desprezo. As identidades nacionais, culturais, linguisticas fomentam o sectarismo e a intolerância. A defesa de interesses parciais atinge o paroxismo e põe em causa a cooperação necessária para manter projectos comuns.

De forma bem cínica: as pessoas, os grupos e as nações só cooperam, só cedem nalguns interesses quando ganham ou esperam ganhar globalmente, mais cedo ou mais tarde.

Talvez não fosse má ideia avançar no sentido dum "óptimo de Pareto" o qual corresponde a uma afectação de recursos a partir da qual não existe nenhuma reafectação possível que seja preferida por um grupo e não implique a perda de bem-estar de um outro. Assim sendo, a afectação de recursos correspondente a um óptimo de Pareto é aquela a partir da qual deslocações mutuamente benéficas não são possíveis, pelo que, não é possível melhorar a situação de um grupo sem prejudicar a situação de outro.

domingo, novembro 27, 2011

O mito Merkel

Citado daqui:

"Las puertas que a otros les abrieron el atractivo físico o el carisma, a Angela Merkel se las han abierto cualidades adquiridas por la vía de una educación estricta, en la onda severa de su religión, la luterana. Nos referimos al trabajo constante, al afán de superación, a la paciencia, al cálculo, al espíritu de sacrificio. Todo ello se une en su caso a una discreción absoluta y a un mal disimulado desdén por las actitudes hedonistas."

O Natal e os cavalos...

Num jantar de fim de ano, Natal, etc. - um daqueles rituais organizados pelo chefe onde se vai por gosto, dever, etc. e, sobretudo, porque sim. À mesa fala-se obviamente da crise, de spreads, do fim do euro, destas coisas para que se é arrastado entre colegas, mesmo que o evento se destine a outra coisa, como por exemplo, confraternizar ou simplesmente comer e beber bem. Para passar a assuntos mais ligeiros pergunto ingenuamente pelos planos da pessoa ao meu lado para a pausa de Natal que se avizinha. O que é que fui dizer! Com os braços no ar, a voz a trovejar e um riso ameaçador, responde-me: "Oh não... Isso ainda é pior do que a crise ou o fim do euro... Odeio o Natal". E passámos a falar de cavalos, paixão inequivoca do meu comensal.

sábado, novembro 26, 2011

Frases de Fernando Pessoa


Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.

A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.

Para viajar basta existir.

Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.

O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.

A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.

Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.

Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.

Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias.

Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).

Considerar a nossa maior angústia como um incidente sem importância, não só na vida do universo, mas da nossa mesma alma, é o princípio da sabedoria.

Estado de excepção económica permanente


Tirado daqui:

"Las recientes elecciones en España han concedido una amplia mayoría al Partido Popular, que controla, además, la práctica totalidad de las Autonomías y de los Ayuntamientos de las grandes ciudades. La legitimidad democrática que le otorgan estos resultados es más que suficiente para enfrentarse a la crisis económica, y así lo ha reconocido su propio líder, Mariano Rajoy, ya presidente electo, al declararse abiertamente en contra de la formación de un Gobierno tecnocrático. Pero el peligro en estos momentos no es solo que se imponga esa fórmula como en Grecia e Italia, sino también que los Gobiernos democráticos actúen o se vean obligados a actuar como si fueran tecnocráticos. Lo harían si olvidasen que su acción debe estar inspirada, ahora más que nunca, ahora más, mucho más que en los tiempos de prosperidad, por el objetivo de arbitrar intereses sociales diferentes y legítimos, no por un saber, por una ciencia que solo obedece a sus propias leyes y que exige esfuerzos sobrehumanos y justifica todos los sacrificios.

La política económica de cortos vuelos impuesta por la Unión Europea a los países más expuestos a la crisis del euro y la deuda soberana está obligando, en último extremo, a que los Gobiernos democráticos actúen como si fueran tecnocráticos y, en definitiva, a que en Europa se establezca, con o sin declaración expresa, un estado de excepción económica permanente. A juzgar por los resultados obtenidos hasta el momento, no parece que esa política esté conduciendo a la salida de la crisis del euro y de la deuda soberana. Más parece estar degradando las instituciones democráticas de los países más expuestos, humillando a los diversos Gobiernos nacionales salidos de las urnas y haciendo de la Unión un monstruo político que genera sufrimiento y desafección, no prosperidad y libertades. De persistir en la misma dirección, el fantasma de la tecnocracia que ha empezado a recorrer Europa podría tener efectos tan amargos, tan devastadores como los demás fantasmas que le precedieron."

sexta-feira, novembro 25, 2011

La City ya prepara la ruptura del euro

25 November 2011
ABC
© 2011 ABC

Los bancos británicos están empezando a trazar planes de contingencia para hacer frente a la ruptura de la zona euro, o a una salida desordenada de varios de sus países miembros, según ha revelado Andrew Bailey, un jefe de área del Banco de Inglaterra. «Les estamos diciendo a los bancos que un manejo adecuado de los riesgos consiste en hacer planes para los escenarios más extremos aunque sean poco probables, lo que significa que no podemos ignorar la posibilidad de una salida desordenada de varios países de la zona euro». Según Bailey «eso no quiere decir que yo crea que eso va a suceder, sino que debe estar en los planes de emergencia». Según una encuesta realizada entre los clientes de Barclays Capital, la mitad creen que al menos un país saldrá de la moneda única durante el año 2012, el doble de los que lo pensaban hace un año.

O eixo franco-alemão

A Alemanha até está preparada a pagar mais para evitar o colapso do euro, mas quer ter uma palavra a dizer sobre como será aplicado o seu dinheiro nos países beneficiários. E aqui o que se joga é soberania. Os países periféricos, carentes de dinheiro pela situação para a qual foram arrastados por governos incompetentes, terão de aceitar que sejam os alemães a dizer qual o tamanho e funções do Estado, quais os investimentos mais ou menos prioritários, quais os direitos de reforma dos cidadãos, etc. Os alemães não vão continuar a passar cheques em branco… Por isso, fazem depender a sua contribuição financeira e tomada de risco, nomeadamente no âmbito dos eurobonds, da prévia alteração dos tratados que, na prática, lhes dê o poder de influenciar os orçamentos nacionais. Os outros países resistem e os alemães não “passam à caixa” e o impasse continua até à derrota final.

A França tem um papel central neste xadrez porque se forem a Alemanha e a França a controlar a Europa, a coisa ainda é concebível... Porém, se a fraqueza da França se acentuar, a alternativa será apenas a Alemanha a controlar a Europa, por conseguinte, a controlar também a França, e não estou a ver que isso seja imaginável e ainda menos compatível com os demónios da História recente. Portanto, o futuro do euro passa pela geo-estratégia da velha Europa, por decisões políticas cruciais, pela balança de poder entre países que há menos de 70 anos se matavam e que deixaram de o fazer no quadro da Comunidade Europeia. Se a França perder o rating (em sentido largo do termo, não necessariamente no sentido das famigeradas agências) temo o pior. A França não se pode desligar ainda mais da Alemanha em termos de poder politico e económico. O esforço patético que o pequeno Sarkozi anda a fazer para parecer importante é um acto de desespero porque sabe que não o é e que se arrisca a sê-lo cada vez menos.

Quanto aos outros países... a Inglaterra está-se nas tintas e verdadeiramente nunca participou a sério no jogo continental; os outros dividem-se em dois grupos: o dos que se colam à Alemanha e o dos que lhe obedecem para ter a sua clemência e o seu dinheiro (caso de Portugal).

domingo, novembro 20, 2011

sábado, novembro 19, 2011

O meu Zé

Regressei das compras de sobrolho carregado. Tanta gente desesperadamente a fazer de conta que não há crise, a comprar mimos e redundâncias, a decorar a auto-estima, a encher o carrinho de coisas obviamente indispensáveis como o chocolatinho para a avózinha ou a velinha barata para dar aconchego na sala. Mas, a carteira sempre mais vazia e a angústia do fim do mês e do Natal que se aproxima a prendas de saldo, compradas na feira dos ciganos ao lado da auto-estrada. E oxalá que o meu Zé não perca o emprego. Tem contrato a prazo, mas agora tudo é a prazo... como a própria vida. E assim como as coisas estão, o patrão não o vai renovar. Como era bom que o meu Zé fosse renovado, novinho em folha, com a força e a vontade doutros tempos. Como nos divertiamos à noite, depois da praia. Jovens, vigorosos, cheios de sal na pele e com sol a sair pelos olhos. Agora o meu Zé chega à cama e faz de conta que adormece. Não há heroismo que resista... Eu sei que as insónias do Zé estão cheias de facturas por pagar, de pequeninos sonhos destroçados. Dá voltas na cama como num carrosel. Coitado do meu Zé e de nós todos que andamos à maluca a fazer gincanas impossiveis na crise. Esta maldita crise que não se percebe. Chegou assim de repente, como um intruso, deixando-nos incrédulos a olhar para estes tipos engravatados que passam na televisão com sorrisos falsamente seguros. Andam à rasca porque não sabem o que fazer para resolver o imbróglio em que nos meteram. Todos perdidos. Num dia disparam com convicção que está tudo sob controlo, no dia seguinte os jornais dizem que a coisa só pode ainda piorar. E nós com a conta a minguar, o depósito do carro sempre no fundo à espera de mais uma gota de geração espontânea, o optimismo tão barato como os produtos brancos a que nos rendemos na prateleira do supermercado. Quem me dera poder dizer ao meu Zé que o pior já passou e que daqui a pouco compramos o novo modelo do Clio para substituir o nosso querido Uno que anda a cair de podre.

quarta-feira, novembro 16, 2011

Statement by the EC, ECB, and IMF on the Second Review Mission to Portugal

As "melhores" frases tiradas daqui:

"(...) the envisaged adjustment program for the troubled autonomous region of Madeira will provide an opportunity to signal that errant fiscal behaviour at the regional and local levels will no longer be tolerated."

"The authorities are putting in place the rules that will regulate the temporary use of public funds for recapitalizing banks. These rules will need to respect the interests of tax payers (...)"

"In order to improve labour cost competitiveness, wages in the private sector should follow the lead taken by the public sector in implementing sustained pay cuts."

"(...) more progress on curbing rent-seeking in sheltered sectors, particularly energy and regulated professions, is needed."

domingo, novembro 13, 2011

E Berlusconi foi-se embora – ainda bem. Será substituido por um tecnocrata – e depois? Os “mercados” – essa entidade estranhamente feita pessoa ou demónio – continuarão insaciáveis, impondo a sua vontade a políticos sem “utopia realista”, rendidos à lei da gravidade.

O orçamento de estado para 2012 foi aprovado na generalidade – não podia nem devia ser de outra maneira – é isso que nos dizem os executores da lei da gravidade, uma lei que aparentemente trata todos da mesma maneira. Mas, não é assim – há quem caia mais baixo e mais depressa, há quem não caia de todo. E a resignação e a impotência instalam-se, esperando que a crise passe ou que nos trate com a clemência possivel e que os potentes da Europa nos olhem com compaixão e que apreciem a nossa capacidade heróica de sofrer para redimir os pecados dos últimos anos, os do despesismo de quem quis deixar de ser pobre, depressa de mais e à maluca.

quarta-feira, novembro 09, 2011

Por uma desintegração inteligente da zona euro

Uma das soluções para o imbróglio europeu seria uma desintegração inteligente e ordenada da actual zona euro. Tratar-se-ia de criar uma nova zona monetária em anéis concêntricos. O núcleo central seria formado pelos Estados que mantém um acesso fácil aos mercados de dívida (Alemanha, Holanda, Luxemburgo, Áustria, Finlândia). O euro (à paridade actual face a outras moedas) permaneceria como moeda única nesse núcleo, servindo como âncora aos restantes anéis concêntricos.

Um primeiro anel incluiria [França, Bélgica e Eslovénia] com um euro2 desvalorizado inicialmente em [5]% relativamente ao euro e com uma margem adicional de flutuação de +/-[5]%.

Um segundo anel incluiria [Chipre, Malta, Eslováquia e Estónia] com um euro3 desvalorizado inicialmente em [10]% relativamente ao euro e com uma margem de flutuação de +/-[10]%.

Um terceiro anel incluiria Espanha e Itália com um euro4 desvalorizado inicialmente em [15]% relativamente ao euro e com uma margem de flutuação de +/-[10]%.

Finalmente, um quarto anel incluiria [Irlanda, Portugal e Grécia] com um euro5 desvalorizado inicialmente em [30]% relativamente ao euro e com uma margem de flutuação de +/-[10]%.

Um esquema deste tipo inspirar-se-ia no Sistema Monetário Europeu fundado em 1979 e que antecedeu a criação do euro, tendo atravessado períodos de diferente estabilidade e turbulência.

Para funcionar, a zona em anéis concêntricos não dispensa mecanismos de apoio monetário e/ou orçamental por parte dos membros do núcleo central e, ainda menos, um ajustamento das economias dos países dos anéis no sentido do equilíbrio das contas do Estado e das contas externas e sobretudo da convergência do crescimento económico.

A beleza da zona em anéis concêntricos consiste em recuperar um instrumento de política (a taxa de câmbio) para evitar a necessidade de fazer recair o esforço de ajustamento macroeconómico exclusivamente sobre variáveis reais num prazo muito curto, o que asfixia o crescimento. Por outro lado, o ganho de competitividade externa e a alteração dos termos de troca resultantes da desvalorização, diluiria o montante de transferências a pagar pelas economias do núcleo para manter as economias dos anéis dentro do euro no seu formato rígido actual. Essas transferências, como sabemos, podem assumir diferentes formas, desde reduções mais ou menos instantâneas de dívida até subsídios ao longo do tempo para assegurar a capacidade de serviço da dívida.

Portanto, muita gente teria a ganhar ou, pelo menos, a perder menos... E nem sequer se pode dizer que o euro acabaria ou que não se poderia um dia regressar a um único euro quando a convergência durável fosse adquirida e a governação macroeconómica da União Europeu fosse aperfeiçoada, incluindo com a introdução de federalismo fiscal e de políticas mais eficazes de promoção da convergência e da competitividade.

segunda-feira, novembro 07, 2011

In Diário de Coimbra

Conimbriga

Escavações vão pôr a descoberto anfiteatro romano único no país


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Intervenção planeada, para 2012/13, pelo Museu Monográfico de Conímbriga vai permitir visitar o que era um espaço com capacidade para 4500 a 5000 espectadores

As escavações no anfiteatro da antiga cidade romana de Conímbriga deverão começar em 2012/2013, no âmbito de uma intervenção que vai pôr a descoberto este «edifício único no país» e «dos poucos» da Península Ibérica. Com cerca de dois mil anos, o anfiteatro é «um caso único no país em termos de estado de conservação» e a intervenção planeada pelo Museu Monográfico de Conímbriga vai permitir visitar e conhecer o que, no mundo romano, era um espaço com capacidade para 4500 a 5000 espectadores.

Governo admite estender o metro até Condeixa

Com o projecto do Metro Mondego em avaliação, secretário de Estado das Obras Públicas adianta que será realizado um estudo de mercado para verificar interesse dos privados na exploração da concessão

O projecto do Metro Mondego está suspenso e em fase de avaliação, mas o Governo mantém em aberto um conjunto de soluções, que passa inclusive pela extensão até Condeixa. «Gostávamos, no futuro, de poder pensar também na região de Condeixa, que tem um tráfico sub-urbano pendular muito grande para Coimbra e que, neste momento, não estava originalmente servida por estes projecto», revelou à estação de televisão SIC o secretário de Estado das Obras Públicas, acrescentando que o primeiro objectivo é «diminuir» o valor do investimento, incluindo os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).

domingo, novembro 06, 2011

Acorda Itália


"A Itália não sente a crise", disse o Sr. Berlusconi depois da cimeira do G20 em Cannes. Descreveu a pressão sobre a dívida italiana como uma "moda que passa", acrescentando: "os restaurantes estão cheios, as reservas dos aviões estão completas e o mesmo acontece com os hotéis".

quarta-feira, novembro 02, 2011

Referendos e realidade

A convocatória de um referendo pelo PM da Grécia suscita-me as seguintes observações:

Ficou-lhe mal fazer tal anúncio de forma inesperada, apenas alguns dias após a cimeira em que se decidiram as linhas gerais de um novo pacote para salvar a Grécia de uma bancarrota caótica… a não ser que (a) se trate de uma estratégia pérfida para melhorar a sua posição negocial quanto aos detalhes de tal pacote que se traduzirão seguramente em (ainda mais) austeridade ou (b) ao regressar a Atenas, tivesse tido conhecimento de circunstâncias novas (fala-se da iminência de um golpe de Estado…) que exigiriam uma tal tomada de posição de emergência. Seja como for, quem ficou seguramente mal na fotografia foram os outros líderes europeus, sobretudo, os que mais se dispuseram a pagar para “salvar” o que resta da Grécia e dos bancos que lhe emprestaram tanto dinheiro de forma tão insensata. Há um problema cada vez maior de confiança e de credibilidade em relação a tudo o que vem da Grécia, buraco negro trágico e infindável.

Por outro lado, é verdade que o PM de um qualquer governo, por maior que seja o seu apoio parlamentar, chega a determinado ponto em que as decisões se revestem de tal importância para o destino colectivo e para o que resta de soberania nacional que precisa de interpelar o povo especificamente sobre tais matérias. Trata-se de uma questão de legitimidade. Trata-se de situações não cobertas pelo mandato de anteriores eleições gerais e que, portanto, justificam uma decisão popular concreta.

Se o referendo se realizar (imagino que as pressões sejam mais do que muitas para o abortar…) e se a resposta dos gregos for positiva quanto aos termos de mais este pacote, o governo terá toda a legitimidade e força para o executar (não obstante o mau desempenho até agora!), mesmo que isso signifique a prostração completa da sociedade grega... que os próprios gregos teriam avalizado... por falta de outras alternativas... Uma espécie de hara-kiri colectivo. Se a resposta for negativa, os outros Estados da UE e os financiadores internacionais (i) terão de aceitar a continuação da subsidiação da Grécia em condições mais generosas do que em princípio estavam dispostos a aceitar ou (ii) simplesmente deixam cair tudo e a Grécia passará a ser a Argentina da Europa (regresso à dracma, leilão das dívidas no Clube de Paris, desemprego em massa, corrida aos depósitos, quebra ainda maior do preço dos activos, etc.). Neste último caso, a UE deverá apenas tentar circunscrever o problema e evitar o contágio a outros países, o que se afigura extremamente difícil, principalmente por causa da fragilidade de colossos como a Itália e a Espanha. Ou seja, estar-se-ia mesmo à beira do colapso do euro e da UE. Mesmo a solução (i) abriria um precedente perigoso que poderiam reivindicar outros países em idênticas circunstâncias, pese embora a especificidade e a diferente escala dos problemas de cada um...

Em qualquer caso, o período entre o anúncio do referendo e a sua possível realização (ou o período até eleições antecipadas que, para todos os efeitos, serão equivalentes a um referendo aos pacotes de assistência à Grécia) será de extrema incerteza. Mais uma vez, se exacerbam a volatilidade e a falta de previsibilidade que matam ainda mais a confiança. Porque a complexidade dos problemas e do processo de decisão para a sua solução cria uma espiral de pessimismo e de receio que tolhem as acções de consumidores, aforradores e investidores.

terça-feira, novembro 01, 2011

Tectónica de crescimento

O que se está a passar são apenas epifenómenos. O problema essencial é outro e muito mais complicado e tem a ver com a redistribuição do poder no mundo, finalmente, com o acesso à riqueza (principalmente através da industrialização) de países até há pouco tempo fornecedores passivos de matérias-primas necessárias ao funcionamento das economias desenvolvidas. A reacção tem sido uma crescente terciarização (em que o sector financeiro tem um papel cada vez maior), a tentativa de subida dessas economias na escala do valor e a compensação da perda tendencial de emprego pelo engrandecimento dos Estados. Só que todas essas respostas, no sentido de preservar as condições de vida das populações dos países do centro, têm limites que se aproximam vertiginosamente do paroxismo. Não me parece possível estancar o inelutável processo de convergência dos rendimentos das populações dos países mais pobres e mais ricos. E isso, infelizmente, pode não querer dizer que ambos crescem, com os países mais pobres a crescer mais rapidamente, mas sim que os mais pobres crescem enquanto os mais ricos estagnam ou definham.

sábado, outubro 29, 2011

Parabéns!


Faz hoje 6 anos que o primeiro post do Fantástico Melga foi publicado. Aqui está.

Já lá vão mais de 120000 visitas a textos e imagens de maior ou menor inspiração.

A "aventura" vai continuar, sabe-se lá até quando. Obrigado aos nossos seguidores.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Cansaço

Há momentos em que nos sentimos assim, partidos, desossados, exaustos, com vontade de não querer coisa alguma, de não pensar. Só deixar passar o cansaço no meio do apagamento dos sentidos. De preferência, num sono profundo. Não estou a falar de mim numa Sexta-feira à noite depois de uma semana do caraças, com problemas uns atrás dos outros. Isso seria já muito chato, mas nada que se compare com aquilo de que estou a falar: do estado dos cidadãos portugueses.

Há-de passar...

>>>>>>>>>>

O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Alvaro de Campos

segunda-feira, outubro 24, 2011

domingo, outubro 23, 2011

Metro do Mondego no Plano Estratégico de Transportes


"O projecto do Metro do Mondego nasceu nos anos 90, com uma estimativa original de
investimento de cerca de 55 milhões de euros. Porém, sucessivas alterações ao
âmbito do projecto conduziram à sua versão actual, orçada em perto de 450 milhões
de euros.

Os estudos de procura que estiveram na base das decisões relativas ao actual
projecto, apontavam para uma procura do Metro do Mondego de cerca de 65.000
passageiros por dia útil. Porém, os estudos mais completos e realizados mais
recentemente, indicam que aquele valor estará, afinal, sobrestimado.

Por outro lado, pese embora a empresa Metro do Mondego, SA ter uma estrutura
accionista constituída pelo Estado Português (53%), as Câmaras Municipais de
Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã (com um total de 42%), a REFER (2,5%) e a CP
(2,5%), o modelo de financiamento previsto para este projecto atribui a
responsabilidade pela execução das obras de construção da rede e a responsabilidade
pela aquisição do material circulante necessário aos seus accionistas minoritários,
respectivamente a REFER e a CP, através, mais uma vez, do recurso ao
endividamento bancário, agravando ainda mais as suas já criticas situações
financeiras.

Em face destas questões, e sem prejuízo da necessidade de ser assegurada a
mobilidade das populações, o Governo irá rever os pressupostos que estiveram na
base das decisões relativas a este projecto, adequando o seu âmbito às possibilidades
do país decorrentes da actual conjuntura económico-financeira, no quadro de uma
definição clara de partilhas de responsabilidades entre os accionistas da sociedade
Metro do Mondego, SA."

Aconselho a ler todo o documento aqui.

Incerteza e contrato social

Citado daqui:

"Así que la gran decepción de nuestros días ha consistido en descubrir que los promotores de esta doctrina de la incertidumbre gloriosa, los propagandistas de la ilimitada flexibilidad de nuestras vidas, de nuestras moradas, de nuestros empleos, de nuestras familias y de nuestras propiedades, tenían una agenda oculta y un as en la manga: con toda esa defensa de la inconsistencia, de la variabilidad, no buscaban en el fondo más que una sola cosa: seguridad absoluta para sus beneficios. Pero su búsqueda ha sido tan afanosa y desmedida, tan irrestricta, que ha acabado por erosionar aquello mismo que, como ya sabía Hobbes, es la fuente principal de las seguridades humanas -incluida la del retorno de las ganancias esperadas-: el contrato social que nos hacía preferible vivir políticamente vinculados a nuestros semejantes que hacerlo en estado de guerra de todos contra todos. Ahora va a resultar muy difícil convencernos de que renunciemos a nuestros apetitos, porque ellos se han puesto por encima de cualquier otro compromiso moral y civil, incluido el que los gobiernos democráticamente elegidos tenían con sus soberanos legítimos, los ciudadanos."

sábado, outubro 22, 2011

Porque será?

Porque será que os Ministros das pastas mais escaldantes (Finanças, Economia, Saúde, Educação) não são militantes dos partidos da coligação?

Porque será que os Ministros que pertencem aos partidos andam super-discretos (Defesa, Assuntos Sociais, Negócios Estrangeiros, Agricultura)?

Quem não se consegue safar de incomóda exposição mediática é o Ministro dos Ministros, o Primeiro-ministro. Também era o que faltava...