quarta-feira, novembro 16, 2011
Statement by the EC, ECB, and IMF on the Second Review Mission to Portugal
"(...) the envisaged adjustment program for the troubled autonomous region of Madeira will provide an opportunity to signal that errant fiscal behaviour at the regional and local levels will no longer be tolerated."
"The authorities are putting in place the rules that will regulate the temporary use of public funds for recapitalizing banks. These rules will need to respect the interests of tax payers (...)"
"In order to improve labour cost competitiveness, wages in the private sector should follow the lead taken by the public sector in implementing sustained pay cuts."
"(...) more progress on curbing rent-seeking in sheltered sectors, particularly energy and regulated professions, is needed."
domingo, novembro 13, 2011
E Berlusconi foi-se embora – ainda bem. Será substituido por um tecnocrata – e depois? Os “mercados” – essa entidade estranhamente feita pessoa ou demónio – continuarão insaciáveis, impondo a sua vontade a políticos sem “utopia realista”, rendidos à lei da gravidade.
O orçamento de estado para 2012 foi aprovado na generalidade – não podia nem devia ser de outra maneira – é isso que nos dizem os executores da lei da gravidade, uma lei que aparentemente trata todos da mesma maneira. Mas, não é assim – há quem caia mais baixo e mais depressa, há quem não caia de todo. E a resignação e a impotência instalam-se, esperando que a crise passe ou que nos trate com a clemência possivel e que os potentes da Europa nos olhem com compaixão e que apreciem a nossa capacidade heróica de sofrer para redimir os pecados dos últimos anos, os do despesismo de quem quis deixar de ser pobre, depressa de mais e à maluca.
quarta-feira, novembro 09, 2011
Por uma desintegração inteligente da zona euro
Um primeiro anel incluiria [França, Bélgica e Eslovénia] com um euro2 desvalorizado inicialmente em [5]% relativamente ao euro e com uma margem adicional de flutuação de +/-[5]%.
Um segundo anel incluiria [Chipre, Malta, Eslováquia e Estónia] com um euro3 desvalorizado inicialmente em [10]% relativamente ao euro e com uma margem de flutuação de +/-[10]%.
Um terceiro anel incluiria Espanha e Itália com um euro4 desvalorizado inicialmente em [15]% relativamente ao euro e com uma margem de flutuação de +/-[10]%.
Finalmente, um quarto anel incluiria [Irlanda, Portugal e Grécia] com um euro5 desvalorizado inicialmente em [30]% relativamente ao euro e com uma margem de flutuação de +/-[10]%.
Um esquema deste tipo inspirar-se-ia no Sistema Monetário Europeu fundado em 1979 e que antecedeu a criação do euro, tendo atravessado períodos de diferente estabilidade e turbulência.
Para funcionar, a zona em anéis concêntricos não dispensa mecanismos de apoio monetário e/ou orçamental por parte dos membros do núcleo central e, ainda menos, um ajustamento das economias dos países dos anéis no sentido do equilíbrio das contas do Estado e das contas externas e sobretudo da convergência do crescimento económico.
A beleza da zona em anéis concêntricos consiste em recuperar um instrumento de política (a taxa de câmbio) para evitar a necessidade de fazer recair o esforço de ajustamento macroeconómico exclusivamente sobre variáveis reais num prazo muito curto, o que asfixia o crescimento. Por outro lado, o ganho de competitividade externa e a alteração dos termos de troca resultantes da desvalorização, diluiria o montante de transferências a pagar pelas economias do núcleo para manter as economias dos anéis dentro do euro no seu formato rígido actual. Essas transferências, como sabemos, podem assumir diferentes formas, desde reduções mais ou menos instantâneas de dívida até subsídios ao longo do tempo para assegurar a capacidade de serviço da dívida.
Portanto, muita gente teria a ganhar ou, pelo menos, a perder menos... E nem sequer se pode dizer que o euro acabaria ou que não se poderia um dia regressar a um único euro quando a convergência durável fosse adquirida e a governação macroeconómica da União Europeu fosse aperfeiçoada, incluindo com a introdução de federalismo fiscal e de políticas mais eficazes de promoção da convergência e da competitividade.
segunda-feira, novembro 07, 2011
In Diário de Coimbra
Conimbriga
Escavações vão pôr a descoberto anfiteatro romano único no país

Intervenção planeada, para 2012/13, pelo Museu Monográfico de Conímbriga vai permitir visitar o que era um espaço com capacidade para 4500 a 5000 espectadores
Governo admite estender o metro até Condeixa
Com o projecto do Metro Mondego em avaliação, secretário de Estado das Obras Públicas adianta que será realizado um estudo de mercado para verificar interesse dos privados na exploração da concessão
domingo, novembro 06, 2011
Acorda Itália
quarta-feira, novembro 02, 2011
Referendos e realidade
Ficou-lhe mal fazer tal anúncio de forma inesperada, apenas alguns dias após a cimeira em que se decidiram as linhas gerais de um novo pacote para salvar a Grécia de uma bancarrota caótica… a não ser que (a) se trate de uma estratégia pérfida para melhorar a sua posição negocial quanto aos detalhes de tal pacote que se traduzirão seguramente em (ainda mais) austeridade ou (b) ao regressar a Atenas, tivesse tido conhecimento de circunstâncias novas (fala-se da iminência de um golpe de Estado…) que exigiriam uma tal tomada de posição de emergência. Seja como for, quem ficou seguramente mal na fotografia foram os outros líderes europeus, sobretudo, os que mais se dispuseram a pagar para “salvar” o que resta da Grécia e dos bancos que lhe emprestaram tanto dinheiro de forma tão insensata. Há um problema cada vez maior de confiança e de credibilidade em relação a tudo o que vem da Grécia, buraco negro trágico e infindável.
Por outro lado, é verdade que o PM de um qualquer governo, por maior que seja o seu apoio parlamentar, chega a determinado ponto em que as decisões se revestem de tal importância para o destino colectivo e para o que resta de soberania nacional que precisa de interpelar o povo especificamente sobre tais matérias. Trata-se de uma questão de legitimidade. Trata-se de situações não cobertas pelo mandato de anteriores eleições gerais e que, portanto, justificam uma decisão popular concreta.
Se o referendo se realizar (imagino que as pressões sejam mais do que muitas para o abortar…) e se a resposta dos gregos for positiva quanto aos termos de mais este pacote, o governo terá toda a legitimidade e força para o executar (não obstante o mau desempenho até agora!), mesmo que isso signifique a prostração completa da sociedade grega... que os próprios gregos teriam avalizado... por falta de outras alternativas... Uma espécie de hara-kiri colectivo. Se a resposta for negativa, os outros Estados da UE e os financiadores internacionais (i) terão de aceitar a continuação da subsidiação da Grécia em condições mais generosas do que em princípio estavam dispostos a aceitar ou (ii) simplesmente deixam cair tudo e a Grécia passará a ser a Argentina da Europa (regresso à dracma, leilão das dívidas no Clube de Paris, desemprego em massa, corrida aos depósitos, quebra ainda maior do preço dos activos, etc.). Neste último caso, a UE deverá apenas tentar circunscrever o problema e evitar o contágio a outros países, o que se afigura extremamente difícil, principalmente por causa da fragilidade de colossos como a Itália e a Espanha. Ou seja, estar-se-ia mesmo à beira do colapso do euro e da UE. Mesmo a solução (i) abriria um precedente perigoso que poderiam reivindicar outros países em idênticas circunstâncias, pese embora a especificidade e a diferente escala dos problemas de cada um...
Em qualquer caso, o período entre o anúncio do referendo e a sua possível realização (ou o período até eleições antecipadas que, para todos os efeitos, serão equivalentes a um referendo aos pacotes de assistência à Grécia) será de extrema incerteza. Mais uma vez, se exacerbam a volatilidade e a falta de previsibilidade que matam ainda mais a confiança. Porque a complexidade dos problemas e do processo de decisão para a sua solução cria uma espiral de pessimismo e de receio que tolhem as acções de consumidores, aforradores e investidores.
terça-feira, novembro 01, 2011
Tectónica de crescimento
sábado, outubro 29, 2011
sexta-feira, outubro 28, 2011
Cansaço
segunda-feira, outubro 24, 2011
domingo, outubro 23, 2011
Metro do Mondego no Plano Estratégico de Transportes
Incerteza e contrato social
"Así que la gran decepción de nuestros días ha consistido en descubrir que los promotores de esta doctrina de la incertidumbre gloriosa, los propagandistas de la ilimitada flexibilidad de nuestras vidas, de nuestras moradas, de nuestros empleos, de nuestras familias y de nuestras propiedades, tenían una agenda oculta y un as en la manga: con toda esa defensa de la inconsistencia, de la variabilidad, no buscaban en el fondo más que una sola cosa: seguridad absoluta para sus beneficios. Pero su búsqueda ha sido tan afanosa y desmedida, tan irrestricta, que ha acabado por erosionar aquello mismo que, como ya sabía Hobbes, es la fuente principal de las seguridades humanas -incluida la del retorno de las ganancias esperadas-: el contrato social que nos hacía preferible vivir políticamente vinculados a nuestros semejantes que hacerlo en estado de guerra de todos contra todos. Ahora va a resultar muy difícil convencernos de que renunciemos a nuestros apetitos, porque ellos se han puesto por encima de cualquier otro compromiso moral y civil, incluido el que los gobiernos democráticamente elegidos tenían con sus soberanos legítimos, los ciudadanos."
sábado, outubro 22, 2011
Porque será?
Porque será que os Ministros que pertencem aos partidos andam super-discretos (Defesa, Assuntos Sociais, Negócios Estrangeiros, Agricultura)?
Quem não se consegue safar de incomóda exposição mediática é o Ministro dos Ministros, o Primeiro-ministro. Também era o que faltava...
quinta-feira, outubro 20, 2011
Governos ou repartições?
A ultrapassagem do poder político democrático pelos poderes económicos é uma das maiores anomalias actuais dos países desenvolvidos. Os políticos deixaram de ter margem de manobra, sobretudo quando as coisas correm mal, face à pressão dos poderes económicos. E o maior drama é que as coisas correm mal por causa dos políticos e da sua permissividade relativamente aos poderes económicos quando as coisas parecem correr bem, gerando os germes das crises subsequentes. A legitimidade popular da política, a natural utopia dos políticos rendem-se ao pragmatismo, à força da gravidade dos interesses económicos. E contra factos não há visão que resista. Os projectos de sociedade vergam-se perante o esmagamento dos números. A política rendeu-se ao dinheiro que se comporta de forma cada vez mais organizada e global. Ou seja: a política perdeu poder. Assistimos à eutanásia da política. Que é como quem diz: os cidadãos comuns perderam o protagonismo que deveriam ter, designadamente, através dos seus representantes eleitos democráticamente. As decisões mais importantes são tomadas sob a pressão de irremediáveis urgências, são guiadas por corporações cuja única legitimidade é o dinheiro. E tudo isto desequlibra a repartição dos custos e dos benefícios. A lógica da sustentabilidade do sistema entra em clamorosa contradição com qualquer vontade de mudança ou de restabelecimento de justiça.
Dito isto, o poder político nunca é virgem em relação aos poderes económicos. A total autonomia da política em relação ao dinheiro é uma ficção. A politica representa sempre interesses, serve-se deles para executar determinados projectos. Contudo, normalmente, deverá preservar a sua proeminência, isto é, deverá manter o poder de dizer não em última instância, de impor a sua vontade em nome de determinada legitimidade (por exemplo, do povo em democracia, do nascimento em monarquia). Os franceses falam de “droits régaliens”. Ora, o que se passa nos últimos tempos é uma inversão deste modelo em que a última palavra pertence aos detentores do poder económico, em que o poder político se limita a executar técnicas (ditadas pelos grandes interesses) mais do que políticas.
domingo, outubro 16, 2011
Filme mais recente de Lars von Trier
Filme intrigante (clicar no título para aceder ao site oficial). As primeiras imagens fazem lembrar "A Árvore da Vida"... À medida que a história se vai desenvolvendo percebe-se a lógica dessa sucessão inicial de imagens cósmicas, fantásticas, pausadas, sublinhadas por trechos magníficos de música clássica ("Tristão e Isolda" de Richard Wagner) que se repetem ao longo do filme. sexta-feira, outubro 14, 2011
À volta do Orçamento do Estado para 2012
O Governo está desesperadamente a correr atrás de uma crise que se reproduz de forma amplificada, tentando mostrar obediência às regras impostas para continuar a aceder a financiamento externo, sem o qual o Estado entrará em colapso.
As medidas vão sempre no mesmo sentido: reduzir o défice público e transferir o máximo de recursos para o sector privado exportador, comprimindo ao máximo as importações (através da contracção do consumo e do investimento). O aumento do tempo de trabalho a salário constante e o aumento do IVA são medidas equivalentes à desvalorização cambial que não se pode fazer por causa do espartilho do euro. A ideia de redução da TSU (financiada com aumentos de IVA) ía no mesmo sentido, quer dizer: reduzir os custos unitários do trabalho para, alegadamente, melhorar a competitividade das exportações.
O problema é que a quebra da procura interna e externa provoca uma espiral recessiva acentuada por problemas de financiamento da economia. As virtuosas empresas exportadoras não conseguem crédito. E não existem outros meios de financiamento… não obstante os apelos de governantes para que as empresas recorram ao mercado de capitais.
Os bancos - ciosos de manterem o controlo das suas operações - tentam convencer o Estado a pagar o que lhes deve como alternativa a uma sua entrada no capital. Porque o problema dos bancos seria, não de falta de capital, mas de falta de liquidez. E ainda bem que os depósitos não fogem… Só as empresas do sector empresarial do Estado devem aos bancos qualquer coisa como 17000 milhões de euros. E os bancos prometem que tal dinheiro seria injectado no sector privado da economia…
O que acontece é um círculo vicioso que empurra a economia para o abismo: défice e dívida => cortes na despesa e subida de impostos => contracção da procura => contracção da oferta => menor capacidade de pagar dívidas e impostos => agravamento do défice e da dívida => mais cortes na despesa e subida dos impostos…
Até porque a eficácia marginal dessas medidas é decrescente!!!
O que há a fazer é:
- pôr em prática ao nível europeu um pacote de saneamento financeiro de emergência para evitar ruptura de liquidez em pontos nevrálgicos do sistema que possa produzir efeitos de contágio incontroláveis;
- estimular a procura, mais uma vez ao nível europeu, ou seja: fazer o oposto das medidas de austeridade em vigor.
O problema fundamental é que tudo isso supõe acelerar o federalismo o que implica, actualmente, pôr Alemães, Holandeses e quejandos a assumir despesas, perdas ou riscos doutros países. E só o farão se lhes custar mais (no imediato ou no futuro) não o fazer…
terça-feira, outubro 11, 2011
domingo, outubro 09, 2011
Sempre más notícias...
quarta-feira, outubro 05, 2011
domingo, outubro 02, 2011
Teias de poder
sábado, outubro 01, 2011
http://www.vimeo.com/29656943
terça-feira, setembro 27, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
quinta-feira, setembro 22, 2011
Enésima crónica de crise
segunda-feira, setembro 12, 2011
An impeccable disaster
domingo, setembro 11, 2011
11/9

Falta-me conhecimento e inspiração para escrever algo de útil e original sobre o 11 de Setembro de há 10 anos. As análises políticas, religiosas, militares, económicas, sociológicas, psicológicas, etc. sucedem-se a um ritmo vertiginoso, com mais ou menos presunção de lucidez, e podem ler-se em tudo o que é jornal e revista destes dias. Quero apenas dizer que a primeira vez que ouvi falar do que se estava a passar nesse dia nos Estados Unidos foi através da “melga do lado”, por telefone, estava eu em Roma. “Vê o que se está a passar na televisão”, disse-me ela com voz atónita, como se as suas palavras não conseguissem explicar o que até as imagens tornavam inacreditável. Quando olhei para aquilo julguei tratar-se de uma montagem para um de tantos filmes repletos de efeitos especiais que contam os ataques de bárbaros e extra-terrestres contra a “Holly America”. Aquilo era demasiado aterrador para poder ser outra coisa para além de ficção. A fronteira entre a realidade e o pesadelo tinha sido definitivamente ultrapassada. Nesses casos a incredulidade é uma defesa natural. Mesmo muitas pessoas directamente expostas à tragédia ficaram dias, semanas, meses a fio a negar ou a recriar o que tinham vivido. Ainda hoje há gente que adere a teorias conspirativas ou à fantasia mais demente, dizendo, por exemplo, que nenhum avião se despenhou contra os edifícios do Pentágono. Há mesmo vários livros sobre o tema... com tiragens respeitáveis. Quando a realidade se desvia de forma brutal ou inverosímil de uma certa normalidade (mais ou menos tranquilizadora) as pessoas escondem-se como avestruzes até se renderem finalmente à evidência do distúrbio das suas “zonas de conforto”. O próprio Bush, então Presidente, estava na Flórida numa escola primária e tardou a convencer-se de que se tratava mais do que um crash de uma avioneta. Finalmente reagiu e activou os adormecidos ou aturdidos sistemas de defesa dos Estados Unidos. Tarde demais e para nada... O que não o impediu logo a seguir de reagir de maneira altamente discutível, desencadeando guerras que mais não foram do que dispendiosos actos de desespero do declíneo americano.
quarta-feira, setembro 07, 2011
vêm os impasses da vontade e da expressão,
juntam-se fragmentos de impulsos e não aparece conjunto com sentido, apenas oscilações ténues de humor sem consequências
na televisão uma reportagem sobre um 11 de setembro iminente para criar audiências que vendem detergentes para lavar almas desesperadas, desfile de imagens e afirmações para exibir lucidez, música para embalar curiosidades ávidas e dispersas, para encantar emoções generosas
e tudo faz pouco sentido na nebulosa de uma noite de transição entre o verão e o outono, sabendo-se quem ganhará não tarda nada
