domingo, outubro 23, 2011
Incerteza e contrato social
"Así que la gran decepción de nuestros días ha consistido en descubrir que los promotores de esta doctrina de la incertidumbre gloriosa, los propagandistas de la ilimitada flexibilidad de nuestras vidas, de nuestras moradas, de nuestros empleos, de nuestras familias y de nuestras propiedades, tenían una agenda oculta y un as en la manga: con toda esa defensa de la inconsistencia, de la variabilidad, no buscaban en el fondo más que una sola cosa: seguridad absoluta para sus beneficios. Pero su búsqueda ha sido tan afanosa y desmedida, tan irrestricta, que ha acabado por erosionar aquello mismo que, como ya sabía Hobbes, es la fuente principal de las seguridades humanas -incluida la del retorno de las ganancias esperadas-: el contrato social que nos hacía preferible vivir políticamente vinculados a nuestros semejantes que hacerlo en estado de guerra de todos contra todos. Ahora va a resultar muy difícil convencernos de que renunciemos a nuestros apetitos, porque ellos se han puesto por encima de cualquier otro compromiso moral y civil, incluido el que los gobiernos democráticamente elegidos tenían con sus soberanos legítimos, los ciudadanos."
sábado, outubro 22, 2011
Porque será?
Porque será que os Ministros que pertencem aos partidos andam super-discretos (Defesa, Assuntos Sociais, Negócios Estrangeiros, Agricultura)?
Quem não se consegue safar de incomóda exposição mediática é o Ministro dos Ministros, o Primeiro-ministro. Também era o que faltava...
quinta-feira, outubro 20, 2011
Governos ou repartições?
A ultrapassagem do poder político democrático pelos poderes económicos é uma das maiores anomalias actuais dos países desenvolvidos. Os políticos deixaram de ter margem de manobra, sobretudo quando as coisas correm mal, face à pressão dos poderes económicos. E o maior drama é que as coisas correm mal por causa dos políticos e da sua permissividade relativamente aos poderes económicos quando as coisas parecem correr bem, gerando os germes das crises subsequentes. A legitimidade popular da política, a natural utopia dos políticos rendem-se ao pragmatismo, à força da gravidade dos interesses económicos. E contra factos não há visão que resista. Os projectos de sociedade vergam-se perante o esmagamento dos números. A política rendeu-se ao dinheiro que se comporta de forma cada vez mais organizada e global. Ou seja: a política perdeu poder. Assistimos à eutanásia da política. Que é como quem diz: os cidadãos comuns perderam o protagonismo que deveriam ter, designadamente, através dos seus representantes eleitos democráticamente. As decisões mais importantes são tomadas sob a pressão de irremediáveis urgências, são guiadas por corporações cuja única legitimidade é o dinheiro. E tudo isto desequlibra a repartição dos custos e dos benefícios. A lógica da sustentabilidade do sistema entra em clamorosa contradição com qualquer vontade de mudança ou de restabelecimento de justiça.
Dito isto, o poder político nunca é virgem em relação aos poderes económicos. A total autonomia da política em relação ao dinheiro é uma ficção. A politica representa sempre interesses, serve-se deles para executar determinados projectos. Contudo, normalmente, deverá preservar a sua proeminência, isto é, deverá manter o poder de dizer não em última instância, de impor a sua vontade em nome de determinada legitimidade (por exemplo, do povo em democracia, do nascimento em monarquia). Os franceses falam de “droits régaliens”. Ora, o que se passa nos últimos tempos é uma inversão deste modelo em que a última palavra pertence aos detentores do poder económico, em que o poder político se limita a executar técnicas (ditadas pelos grandes interesses) mais do que políticas.
domingo, outubro 16, 2011
Filme mais recente de Lars von Trier
Filme intrigante (clicar no título para aceder ao site oficial). As primeiras imagens fazem lembrar "A Árvore da Vida"... À medida que a história se vai desenvolvendo percebe-se a lógica dessa sucessão inicial de imagens cósmicas, fantásticas, pausadas, sublinhadas por trechos magníficos de música clássica ("Tristão e Isolda" de Richard Wagner) que se repetem ao longo do filme. sexta-feira, outubro 14, 2011
À volta do Orçamento do Estado para 2012
O Governo está desesperadamente a correr atrás de uma crise que se reproduz de forma amplificada, tentando mostrar obediência às regras impostas para continuar a aceder a financiamento externo, sem o qual o Estado entrará em colapso.
As medidas vão sempre no mesmo sentido: reduzir o défice público e transferir o máximo de recursos para o sector privado exportador, comprimindo ao máximo as importações (através da contracção do consumo e do investimento). O aumento do tempo de trabalho a salário constante e o aumento do IVA são medidas equivalentes à desvalorização cambial que não se pode fazer por causa do espartilho do euro. A ideia de redução da TSU (financiada com aumentos de IVA) ía no mesmo sentido, quer dizer: reduzir os custos unitários do trabalho para, alegadamente, melhorar a competitividade das exportações.
O problema é que a quebra da procura interna e externa provoca uma espiral recessiva acentuada por problemas de financiamento da economia. As virtuosas empresas exportadoras não conseguem crédito. E não existem outros meios de financiamento… não obstante os apelos de governantes para que as empresas recorram ao mercado de capitais.
Os bancos - ciosos de manterem o controlo das suas operações - tentam convencer o Estado a pagar o que lhes deve como alternativa a uma sua entrada no capital. Porque o problema dos bancos seria, não de falta de capital, mas de falta de liquidez. E ainda bem que os depósitos não fogem… Só as empresas do sector empresarial do Estado devem aos bancos qualquer coisa como 17000 milhões de euros. E os bancos prometem que tal dinheiro seria injectado no sector privado da economia…
O que acontece é um círculo vicioso que empurra a economia para o abismo: défice e dívida => cortes na despesa e subida de impostos => contracção da procura => contracção da oferta => menor capacidade de pagar dívidas e impostos => agravamento do défice e da dívida => mais cortes na despesa e subida dos impostos…
Até porque a eficácia marginal dessas medidas é decrescente!!!
O que há a fazer é:
- pôr em prática ao nível europeu um pacote de saneamento financeiro de emergência para evitar ruptura de liquidez em pontos nevrálgicos do sistema que possa produzir efeitos de contágio incontroláveis;
- estimular a procura, mais uma vez ao nível europeu, ou seja: fazer o oposto das medidas de austeridade em vigor.
O problema fundamental é que tudo isso supõe acelerar o federalismo o que implica, actualmente, pôr Alemães, Holandeses e quejandos a assumir despesas, perdas ou riscos doutros países. E só o farão se lhes custar mais (no imediato ou no futuro) não o fazer…
terça-feira, outubro 11, 2011
domingo, outubro 09, 2011
Sempre más notícias...
quarta-feira, outubro 05, 2011
domingo, outubro 02, 2011
Teias de poder
sábado, outubro 01, 2011
http://www.vimeo.com/29656943
terça-feira, setembro 27, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
quinta-feira, setembro 22, 2011
Enésima crónica de crise
segunda-feira, setembro 12, 2011
An impeccable disaster
domingo, setembro 11, 2011
11/9

Falta-me conhecimento e inspiração para escrever algo de útil e original sobre o 11 de Setembro de há 10 anos. As análises políticas, religiosas, militares, económicas, sociológicas, psicológicas, etc. sucedem-se a um ritmo vertiginoso, com mais ou menos presunção de lucidez, e podem ler-se em tudo o que é jornal e revista destes dias. Quero apenas dizer que a primeira vez que ouvi falar do que se estava a passar nesse dia nos Estados Unidos foi através da “melga do lado”, por telefone, estava eu em Roma. “Vê o que se está a passar na televisão”, disse-me ela com voz atónita, como se as suas palavras não conseguissem explicar o que até as imagens tornavam inacreditável. Quando olhei para aquilo julguei tratar-se de uma montagem para um de tantos filmes repletos de efeitos especiais que contam os ataques de bárbaros e extra-terrestres contra a “Holly America”. Aquilo era demasiado aterrador para poder ser outra coisa para além de ficção. A fronteira entre a realidade e o pesadelo tinha sido definitivamente ultrapassada. Nesses casos a incredulidade é uma defesa natural. Mesmo muitas pessoas directamente expostas à tragédia ficaram dias, semanas, meses a fio a negar ou a recriar o que tinham vivido. Ainda hoje há gente que adere a teorias conspirativas ou à fantasia mais demente, dizendo, por exemplo, que nenhum avião se despenhou contra os edifícios do Pentágono. Há mesmo vários livros sobre o tema... com tiragens respeitáveis. Quando a realidade se desvia de forma brutal ou inverosímil de uma certa normalidade (mais ou menos tranquilizadora) as pessoas escondem-se como avestruzes até se renderem finalmente à evidência do distúrbio das suas “zonas de conforto”. O próprio Bush, então Presidente, estava na Flórida numa escola primária e tardou a convencer-se de que se tratava mais do que um crash de uma avioneta. Finalmente reagiu e activou os adormecidos ou aturdidos sistemas de defesa dos Estados Unidos. Tarde demais e para nada... O que não o impediu logo a seguir de reagir de maneira altamente discutível, desencadeando guerras que mais não foram do que dispendiosos actos de desespero do declíneo americano.
quarta-feira, setembro 07, 2011
vêm os impasses da vontade e da expressão,
juntam-se fragmentos de impulsos e não aparece conjunto com sentido, apenas oscilações ténues de humor sem consequências
na televisão uma reportagem sobre um 11 de setembro iminente para criar audiências que vendem detergentes para lavar almas desesperadas, desfile de imagens e afirmações para exibir lucidez, música para embalar curiosidades ávidas e dispersas, para encantar emoções generosas
e tudo faz pouco sentido na nebulosa de uma noite de transição entre o verão e o outono, sabendo-se quem ganhará não tarda nada
domingo, setembro 04, 2011
O jogo da vida que não é jogo do Monopólio
segunda-feira, agosto 29, 2011
Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis
domingo, agosto 28, 2011
sexta-feira, agosto 19, 2011
Eurobonds
quarta-feira, agosto 17, 2011
Agosto
domingo, agosto 14, 2011
Economia inteira
Tudo isto vem a propósito de dois fenómenos que se estão a desenvolver e que vão ainda piorar antes de se assistir a alguma melhoria: desemprego e despromoção da classe média.
A obsessão pelo saneamento financeiro e a sua urgência, porém, comprometem tantos outros objectivos e, em última instância, a própria eficácia do saneamento financeiro. Olha-se apenas para o lado da oferta da economia, esquecendo que, cortando nos rendimentos, se corta também na procura e portanto no produto, por conseguinte, nas receitas. Desse modo, se pode entrar numa espiral depressiva. Ao que se contra-argumenta com o facto de, neste momento, a procura relevante não ser a interna mas sim a externa, isto é, as exportações. Ao que se pode responder, no entanto, com o estado lastimável em que se encontram as economias dos principais clientes das nossas exportações (com excepção da Alemanha!). Como vários economistas dos mais díspares quadrantes têm sugerido, será necessário olhar também para o lado da procura e estimular as diferentes economias de uma forma concertada, através de mais despesa pública, rigorosamente o contrário do catecismo que tem sido propalado e aplicado. Mas, para isso é preciso coragem política e coordenação internacional para evitar fenómenos de concorrência fiscal ou cambial.
sábado, agosto 06, 2011
Ventos de séria mudança
quarta-feira, agosto 03, 2011
Manhãs de nevoeiro
quarta-feira, julho 27, 2011
Os livros e nós

segunda-feira, julho 25, 2011
O novo ministro da economia...
“Temos de nos comportar como se fosse a nossa casa, sem gastar desnecessariamente”, acrescentou o ministro. Esta cultura de rigor começou a traduzir-se em manter os equipamentos de ar condicionado a 25 graus, menos luzes acesas, diminuir o uso dos carros oficiais aos fins-de-semana e reduzir o número de assessores.

