domingo, março 13, 2011

Rasca ou à rasca

Parabéns aos promotores das manifestações dos “à rasca” de todas as gerações. Foi grande, caudaloso, bonito, pacífico, razoavelmente eclético, divertido, bem humorado, musical. Até Sócrates e tantos outros políticos de todas as côres gostaram ou, pelo menos, compreenderam, exprimiram simpatia... Todas as pessoas de bom senso e que ainda não passaram o limiar da miséria (ou da revolta violenta) se identificaram com aquela eloquente expressão de mal-estar. Porque as pessoas estão fartas de desemprego, de perda de poder de compra, de clientelismo e favoritismo, de burocracia inútil, de mais impostos, de perda de regalias sociais, de precaridade, de injustiça na distribuição da riqueza e dos sacrifícios, da falta de perspectivas, de esperança, de futuro.

A exorcização do mal-estar, pelos vistos, funcionou. A malta de todas as gerações sentiu-se unida, solidária, alegre na aflição, como noutros tempos de reivindicação e utopia. Fez-se sociedade o que, só por si, é bom em tempos de individualismo, oportunismo e agressividade.

Mas, e depois?

Um dos organizadores das manifestações disse à imprensa que eles não são contra os políticos, que até convidaram todos os deputados a participar. Com alguma sorte teriamos visto o Sócrates a abrir o cortejo com uma bandeira vermelha a dizer “Basta!”. Então o país está de pantanas e ninguém tem culpa? Toda a gente compreende, mas ninguém se sente responsável... salvo algum indígena torturado de idade provecta que, perante as câmaras da televisão, confessa uma culpa piedosa e patética que não se justifica.

Nâo têm culpa os de 40-60 anos que estão agora no poder, não têm culpa os da putativa “geração rasca”, não têm culpa os jovens e menos jovens que ocupam lugares de privilégio independentemente do mérito, não têm culpa os ricos que ficam cada vez mais ricos, não tem culpa os indíviduos e organizações que, durante as últimas décadas, tomaram decisões erradas de que estamos agora a sofrer as consequências. Concordamos todos que isto está mal e, pronto, esperamos que a solução caia, miraculosa, do céu aos trambolhões sem mudar as instituiçôes e os protagonistas do poder.

É evidente que os políticos têm culpa, os políticos que tomaram decisões sobre a afectação de recursos neste país nos últimos 35 anos. [Passo o período anterior da ditadura que já está sobejamente culpabilizado]. Têm culpa os governantes dos últimos 5 anos bem como os seus antecessores. Tem culpa quem votou neles. Mas, o que é mais preocupante não é o que se escolheu ou o que agora se tem, mas sim a falta de melhores alternativas. Os indíviduos e organizações que se perfilam para suceder ao poder actual cerecem de propostas credíveis e mobilizadoras.

O que resta então? A impotência, o desespero, a resignaçâo?

Querem os promotores desta insurreição de veludo criar um novo partido para disputar o poder e mostrar que se pode verdadeiramente mudar, evitando a estagnação ou o empobrecimento? Querem continuar a vociferar o mal-estar, esperando que os polítícos existentes finalmente entrem nos eixos?

Como já aqui escrevi (http://fantasticomelga.blogspot.com/2011/01/brevissima-historia-de-portugal-em.html), “[a] única esperança serão, daqui a 20 anos, os jovens que agora têm entre 15 e 25 anos, os filhos dos tais das gerações falhadas, cobaias das reformas (ou convulsões) do ensino, do consumo, dos costumes e da família e que não são "tubos digestivos que caminham e fornicam". Com um bocado de sorte, ainda cá estarei para ver se essa malta, com uma cabeça apesar de tudo mais aberta, lúcida e ambiciosa, ocupa como deve ser os lugares de direcção desta nossa desditosa pátria e escolhe estratégias virtuosas para nos tirar da persistência do atraso que - quero acreditar - não tem nada a ver com factores genéticos.”

Para que isto seja possível, é necessário que, em vez de renegar (ou edulcorar) os partidos, os jovens “à rasca” se infiltrem neles, varrendo a falta de qualidade e o oportunismo “rasca” de todas as idades, demonstrando que são melhores e que os podem subverter com ideias e liderança novas. A mudança necessária da política implica que pessoas voluntariosas, cultas e inteligentes dêem a volta aos partidos ou criem novos partidos que ameacem seriamente os existentes.

quarta-feira, março 09, 2011

Bail-out

A história conta-se muito simplesmente: o Estado emite obrigações e bilhetes do tesouro que são comprados pelos bancos nacionais para vender ao Banco Central Europeu. [Os investidores estrangeiros andam a fugir desde o ano passado da dívida soberana portuguesa.] Quer dizer: os bancos nacionais compram dívida pública, ficando a receber juros de 7%, e vendem essa dívida ao BCE, ficando a pagar cerca de 1%. O saldo de tudo isto traduz-se em ter o BCE a financiar o Estado e, ao mesmo tempo, em cooperação com o mesmo Estado, ajudar a rendibilidade dos bancos que ficam com uma margem de cerca de 6%.

Quem é que falou em bail-out? Será mais um porque o do BCE já cá está... No dia em que o BCE deixar de comprar dívida portuguesa, o refinanciamento pára e os calotes emergem. Quanto mais dinheiro chegar ao Estado, mais credores externos aproveitarão para sair porque o problema é de competitividade a médio-longo prazo da economia portuguesa que cresce (ou não cresce) para gerar (ou não gerar) receitas que permitam reembolsar as dívidas e pagar os juros. "A longo prazo estamos todos mortos" mas o medo do longo prazo pode fazer-nos morrer já...

O problema não é tanto o de stock de dívida mas o da sua sustentabilidade, ou seja, o da possibilidade do seu contínuo refinanciamento. Há países com muito mais dívida em comparação com o PIB (p. ex° Itália e Bélgica) sem o sufoco actual de Portugal porque os credores acham que esse stock de dívida pode ser refinanciado em permanência, ou seja, haverá sempre outros (ou os mesmos) credores dispostos a emprestar para assegurar o serviço da dívida existente a cada momento. [Para não falar em casos como os Estados Unidos cuja moeda é reserva mundial e que portanto tem capacidade para continuar a emitir mais dólares que serão aceites para reembolsar as dívidas US.]

O drama de uma pequena economia altamente endividada e pertencente a uma união monetária e divergente dos restantes membros dessa mesma união é que não tem margens de manobra (como a desvalorização cambial e a inflação) para corrigir o desequilíbrio. A única hipótese é "espremer" a economia real, isto é, pôr os agentes económicos a produzir para vender ao estrangeiro ou a não consumir o que se compra ao estrangeiro. O que é necessário é mudar o rácio balança comercial/consumo interno em favor do numerador. É claro que a solidariedade dos parceiros da união monetária pode ajudar, mas, no médio-longo prazo, os únicos remédios são: aumentar a produtividade ou aceitar o empobrecimento ou a estagnação.

terça-feira, março 08, 2011

Um texto que diz tudo...


Descobri tudo. Depois de dar muitas voltas à cabeça, de pensar porque é que faço parte da geração à rasca, já percebi onde é que está o problema. Os culpados foram os meus pais. É a eles que tenho de pedir contas por, aos 30 anos, estar longe, tão longe, do que imaginava em pequena. A culpa foi deles que me mandaram estudar. Que me disseram para fugir à mediania. Que me fizeram crer que a instrução era meio caminho andado para um bom emprego, um bom salário. Não te fiques pela licenciatura, filha. Não, aproveita e tira também duas pós-graduações e um mestrado, que o saber não ocupa lugar. E eu assim fiz, inocente, a achar que eles queriam o melhor para mim. Grandes trafulhas. Afinal não. Afinal parece que, depois de tudo isto, ainda tenho é de elevar as mãos ao céu, em jeito de agradecimento por ter arranjado emprego. Não interessa nada se nunca fui aumentada em anos, menos ainda se não ganho o que seria justo, o que mereço. Tenho é de anuir com a cabecita, olhar para quem ganha menos e sentir-me uma privilegiada. Como escreveu há dias a directora de um jornal, de que é que nos queixamos, se até ganhamos o dobro do que ganham os não licenciados? Olha-me estes, que só estudaram mais quatro ou cinco anos (no mínimo) do que aqueles que não foram para a universidade e agora acham quem merecem mundos e fundos. Pfffff! O pensamento é esse. A tabela nivela-se por baixo, nunca por cima. Temos sempre de olhar para quem está pior, nunca para quem está melhor. Faz-se a ode à pequenez, à satisfaçãozinha, ao “antes isso que nada”.
E cá vamos andando, enrascados, pedindo a Deus que não nos deixe cair na teia dos recibos verdes e agradecendo com beija-mão um salário de três dígitos. Sacanas dos meus pais, que não me deixaram ficar pelo nono ano.

Ana Garcia Martins, retirado daqui.

segunda-feira, março 07, 2011

O preço do orgulho ?

"Idealmente, Portugal deveria seguir o exemplo de Espanha e adoptar reformas estruturais convincentes para aliviar a pressão dos mercados. Mas, se Portugal tiver de pedir ajuda externa, será melhor fazê-lo rapidamente e preventivamente, em vez de esperar pelo momento em que a opinião pública considerará tal pedido como uma humilhação nacional. O exemplo da Irlanda demonstra que, se um socorro financeiro se torna essencial, é melhor que seja lançado num contexto político não contaminado pelo orgulho e rancor." Assim escreve o Editoral do Financial Times de hoje (ver também http://fantasticomelga.blogspot.com/2011/02/take-it-or-leave-it.html#links)

domingo, março 06, 2011

O caso da Líbia

A especificidade e a complexidade da situação na Líbia são devidas a dois factores essenciais: um ditador que controla recursos colossais e que já passou o limiar da loucura há muito tempo; um país feito de 4 tribos principais que Kadhafi conseguiu conciliar através de uma partilha mais ou menos consensual de benesses e privilégios. O contágio da revolta em países vizinhos levou à ruptura desses equilíbrios tutelados por uma personagem grotesca. E o país pode transformar-se numa espécie de Somália, isto é, controlado por bandos armados ligados a certas tribos que disputam violentamente o território entre si e que tornam impossivel um governo central, a ordem e a legalidade. Neste contexto, falar em liberdade e democracia, infelizmente, soa a falso. Falemos, em vez disso, de tribalismo e de chefes tribais.

Inesperadamente, as afirmações do filho de Kadhafi denunciando a ingenuidade de olhar para a Líbia como se olhou para a Tunísia ou para o Egipto adquirem alguma credibilidade. Segundo ele, dadas as estruturas tribais, a democracia à moda ocidental seria uma ficção perigosa e impraticável na Líbia.

Também não deixa de ser curioso que os países do norte de África de colonização italiana têm todos esse tipo de características semelhantes. Itália, Etiópia, Somália...

E durante décadas, os países ocidentais mais não fizeram do que aceitar pragmaticamente essa "anomalia" para poderem usufruir de petróleo e gaz e para que a população pobre continuasse bloqueada nas suas fronteiras por um louco ditador, permitindo moderar a fuga através do Mediterrâneo para a Europa da liberdade e da abundância.

sábado, março 05, 2011

Un gesto hacia los judíos

"El pueblo judío no fue responsable de la crucifixión y muerte de Cristo. Los culpables fueron el establishment sacerdotal y los secuaces de Barrabás. Jesús no fue tampoco un líder revolucionario, porque su mensaje y su actitud 'no constituían un peligro' para el Imperio Romano. En todo caso, propuso un sistema distinto a todos los existentes; no una alternativa política, sino espiritual. Visto con ojos modernos, casi un anarquista. Estas ideas, que desarrollan lo afirmado por el Concilio Vaticano II, forman parte del libro 'Jesús de Nazaret. Desde su entrada en Jerusalén a la Resurrección', que saldrá a la venta el próximo 10 de marzo. Las firma el Papa Benedicto XVI, y forman parte de la segunda entrega sobre la figura de Jesús escrita por Joseph Ratzinger."

Descrição dramática do estado actual em que se encontram certos decisores do nosso destino colectivo

"A esquizofrenia é um transtorno psíquico severo que se caracteriza classicamente pelos seguintes sintomas: alterações do pensamento, alucinações, delírios e alterações no contacto com a realidade. É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir diversos tipos de pessoas, sem exclusão de grupos ou classes sociais. De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia atinge 1% da população mundial, manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos, com proporção semelhante entre homens e mulheres, podendo igualmente ocorrer na meia-idade. Algumas pessoas acometidas da esquizofrenia destacaram-se e destacam-se no meio acadêmico, artístico e social."

Fonte: Wikipédia

A propósito de Facebook

As chamadas redes sociais são “óptimas” porque nos dão a ilusão de estar juntos, mantendo-nos higienicamente separados. Até parece que não estamos sózinhos, estando literalmente sózinhos. Sem redes sociais, cairíamos talvez na mais óbvia solidão ou meter-nos-iamos à estrada para encontrar pessoais reais, sem mediação virtual, pessoas com lágrimas ou sorrisos autênticos, com olhos baços ou luminosos. As redes sociais permitem-nos ter relações “à la carte”: amigos, amantes, colegas, conhecidos, clientes, fornecedores (sabe deus de quê...), actuais ou potenciais, tudo metido em gavetinhas bem organizadas que se abrem ou fecham conforme o humor, a conveniência ou a oportunidade. As redes sociais permitem-nos restabelecer comunicação com os mais improváveis e longínquos interlocutores (longínquos no espaço e no tempo). E então podemos redescobrir a infância, a juventude, cultivar memórias, tentar reinventar a roda, refazer a história, contactar as pessoas mais inverosímeis. E quantas vezes nos desiludimos e caímos no ridículo porque o que lá vai lá vai, a vida fluiu e levou cada um de nós por caminhos que deixaram para trás cruzamentos que se fecharam irreversivelmente. Não quer dizer que se deva fazer tábua rasa do passado, com o qual crescemos, na alegria e na tristeza, do qual somos feitos, ou que se deva fechar a porta aos benefícios do desconhecido ou do imprevisto (atentas também as surpresas desagradáveis). É tudo uma questão de expectativas. Normalmente, a resolução dos nossos impasses ou problemas actuais passa pelo futuro, pelo risco de novos encontros e não por qualquer putativa reedição do passado. As redes sociais facilitam seguramente a empatia porque este ecrã cava uma distância que, nalguns casos, se sonha eliminar depois de uma fase de encantamento feito da ambiguidade das palavras escritas. Se se quebrar essa distância, passando ao contacto real, com todas as probabilidades de sucesso ou fracasso, diria que as redes sociais cumpriram um papel meritório: o de instrumento ou promotor de relações sociais “concretas”. De qualquer modo, a vantagem minimalista das redes sociais é que podem realmente ser uma alternativa à solidão… admitindo que, infelizmente, seja essa a única alternativa.

As redes sociais são uma forma de compromisso possível entre relações sociais e individualismo, sendo que as primeiras se têm empobrecido nas últimas décadas e o segundo tem prosperado à sombra da absolutização de valores como a liberdade, a autonomia, a responsabilidade e o livre-arbítrio, em detrimento de outros como a solidariedade, a generosidade e a caridade.

terça-feira, março 01, 2011

Vida


Às vezes, quando achamos que a nossa situação é a pior do mundo, que temos todos os motivos para deprimir e quebrar, vem uma notícia avassaladora que nos dá uma chapada na cara e nos mostra o que realmente importa...

Os problemas não desaparecem porque piores surgem. Quando são verdadeiramente problemas, não desaparecem assim, com tanta leveza... Mas são relativizados!

Damos valor ao que todos os dias deveria ser exaltado: estamos vivos, temos sonhos, podemos estar com quem amamos, sentir, dizer o que sentimos, partilhar momentos, temos oportunidades de crescer, de sonhar, de verdadeiramente viver.

Acima de tudo, devemos ser humildes e amar a vida, não apesar dos problemas, mas encarando-a com todos os desafios e dificuldades que a caracterizam, olhando a beleza de cada instante, de cada lugar, de cada sentir... Pareçam-nos eles positivos ou negativos...

domingo, fevereiro 27, 2011

Ni Facebook, ni Twitter: son los fusiles

"Como ya he escrito en otras columnas, al final los que definen cuándo y cómo muere una dictadura son los militares. ¿Y qué tiene que ver Internet con todo esto? Mucho menos de lo que estamos leyendo y oyendo en las noticias de estos días.

Reconocer esta realidad ayuda a vislumbrar mejor el futuro político de los países sacudidos por estas revueltas populares. En Egipto, por ejemplo, a menos que la presión popular continúe, obligando a las Fuerzas Armadas a aceptar reformas más profundas, la revolución solo habrá servido para reemplazar una pequeña élite corrupta por otra. Los militares egipcios son un importante factor económico y obtienen enormes beneficios de las malas políticas que tienen a miles de jóvenes egipcios sin empleo y sin futuro. Y quitar los privilegios al estamento castrense seguramente exigirá mucho más que montar una página en Facebook o denunciarlos en Twitter."

mnaim@elpais.es

Explicações

"Fim do mundo, lugar de destino mais do que de passagem, com pouca atracção do mar, a situação geográfica de Portugal não era exactamente das mais propícias ao desenvolvimento de culturas superiores. Por longos séculos estaria por trás do atraso de muitas das características nacionais. E, apesar de todas as mudanças do Mundo no que respeita a transportes e a descobertas, por parte das quais Portugal foi responsável, esse facto continua a permanecer constante nos tempos de hoje." pp. 12-13

"Comparando o português de hoje com os dialectos italianos, pode concluir-se que as gentes do Sul da Peninsula Itálica tiveram influência marcante na origem do idioma nacional, testemunhando uma fixação numerosa no futuro Portugal de romanos dessa proveniência." p. 17

in "Breve História de Portugal" de A. H. de Oliveira Marques (Ed. Presença, 7a. edição)

sábado, fevereiro 26, 2011

Escolhas

Quando se dorme do lado errado, sonha-se de trás para a frente. Deve-se dormir para o lado oposto ao do coração para que os sonhos saiam certos... Sonhar de trás para a frente quer dizer pôr a realidade antes dos sonhos. Não dá certo e costuma fazer mal ao coração que acorda dorido. Mas, o que custa mais é sofrer da realidade, mesmo quando se dorme e sonha com o coração para o lado certo e os sonhos precedem a realidade como deve ser.

Nestas coisas, fazer tudo direitinho não é sinónimo de sucesso ou de justiça. É o caracter aleatório do resultado dos nossos sonhos e das nossas acções que desconcerta. Essa contingência é particularmente clara nos tempos que correm em que o que se passa connosco depende mais de circunstâncias e influências externas do que do nosso livre-arbítrio. Talvez tenha sido sempre assim. É chato não controlar o destino, mas, por isso mesmo, se trata de destino. É chato cumprir as regras do jogo e jogar bem e chegar ao fim derrotado, não por superioridade do adversário, mas por sacanice do árbitro ou mudança inesperada das regras a meio do jogo. É a vida. E a esperança é a última a morrer e o pior é desistir.

A sabedoria e a integridade aconselham a adaptação (sem vender a alma) ou a revolta organizada.

Estão a gozar com a malta

Clicar aqui. E ver esta definição de esquizofrenia. Tem tudo a ver...

O que faz falta...

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

A rapariga dos dois cães

A rapariga dos dois cães é alta, magra, loura, bonita, elegante. Tem classe, um bom gosto perturbante de salões de veludo e cristais. Caminha como um desenho animado, muito certa, decidida, hirta. Caminha como a sua solidão orgulhosa, como uma estátua perfeita do seu desprezo pelas pessoas insignificantes que a rodeiam (essencialmente todas...) que lhe podem tirar poder e visibilidade. Porque, para ela, só ela é visível. Tudo o resto é obviamente irrisório, redundante, incomodativo. A rapariga dos dois cães é ao mesmo tempo simpática (horrivelmente e eficazmente simpática) e glacial, tão cortante como a sua solidão que nunca chora, que nunca se rende. A sua simpatia soa apenas a falso, uma falsidade geometricamente elegante como ela. A sua solidão é fria como o mármore do chão da sua casa e do brilho dos seus olhos. Contudo, a rapariga dos dois cães ainda é humana. Por isso, tem dois cães enormes que trata melhor do que todos os humanos que disputam o que lhe resta de humanidade, de cedência às emoções que a poderiam empurrar para territórios perigosamente desconhecidos. Os dois cães são imponentes, de raça. Não podia ser de outra maneira na família de uma rapariga bonita e dois cães que talvez sejam mais do que cães sem, no entanto, serem humanos. Porque de humano basta o que resta de humano da rapariga dos dois cães cuja vida parece uma engrenagem meticulosa e intocável. Talvez um dia a rapariga desmorone e os cães fiquem vadios. Ou talvez não... e morram todos como viveram: pontualmente, com rigor e elegância, sem amigos nem história, esquecidos como brinquedos velhos, em sepulturas irrepreensíveis, impecavelmente afastadas das demais.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Ligações perigosas

Excertos do "El Pais":

Muchos norteafricanos saben que el régimen del dictador libio tiene en la Italia de Silvio Berlusconi a su gran aliado occidental y a un socio comercial privilegiado. Desde que hace dos años Il Cavaliere y el Coronel firmaron el Tratado de Amistad, Asociación y Cooperación, los negocios bilaterales superan ya los 40.000 millones de euros anuales y alcanzan todos los sectores cruciales, de la energía a la banca o la construcción y sin faltar los acuerdos militares y de inteligencia. Todo ello bajo el signo del bunga bunga, el rito erótico de triste fama que, según Berlusconi, le enseñó Gadafi durante alguno de sus coloristas y frecuentes encuentros.

Además del gas, son el petróleo y las gigantescas reservas de petrodólares las grandes armas que Gadafi ha empleado para seducir a Silvio Berlusconi, que en los últimos dos años se ha convertido en el principal paladín del regreso del coronel a la escena internacional. Ambos países desarrollan en este momento un gran número de negocios millonarios, envueltos en un gigantesco conflicto de intereses entre lo público y lo privado, entre la alta política poscolonial y la diplomacia de los negocios personales y estatales.

Roma teme que el caos paralice o acabe con los numerosos acuerdos firmados con el dictador libio. Hay en juego autopistas, fútbol, helicópteros, radar, trenes, televisiones, bancos, coches, incluso un hotel de lujo en el centro de Trípoli.

Desde que hace dos años, el 30 de agosto de 2008, Libia e Italia firmaron en Bengasi el tratado que cerraba un largo y tenso contencioso colonial, con solemnes peticiones de perdón de Il Cavaliere al Coronel incluidas, Libia se ha convertido en uno de los escenarios favoritos de inversión de las grandes empresas italianas. Y viceversa, Gadafi ha inyectado grandes cantidades de dinero líquido en empresas italianas siguiendo los consejos de Berlusconi.

Todo ello, con la inmigración clandestina y los derechos humanos como sangrante telón de fondo: el acuerdo permitía a Italia y a la UE a devolver a Libia en masa a los inmigrantes africanos capturados en sus aguas incumpliendo las leyes internacionales que protegen a los peticionarios de asilo. Las denuncias de torturas, extorsiones y malos tratos a los inmigrantes en Libia son continuas.

Curiosamente, Berlusconi y Gadafi han seguido cerrando tratos hasta la última semana, cuando Roma permitió a Gazprom acceder al negocio del crudo libio, con la venta de ENI a su homóloga rusa de una cuota del 33% en el importante pozo petrolífero Elephant, situado 800 kilómetros al sur de Trípoli.

La preocupación no es poca. Berlusconi ha anunciado esta mañana que intentará llamar a Gadafi en el transcurso del día para decirle que "ya basta de tanta sangre". La incógnita es si habrá alguien al otro lado de la línea que le responda.

domingo, fevereiro 20, 2011

Anomalia italiana

O que é mais dramático no folhetim berlusconiano não é o facto de conseguir escapar à Justiça (que Justiça?) desde há anos, no meio de sucessivos escândalos financeiro-sexuais que degradam a reputação do país e que o transformam numa Républica das Bananas (ou de Saló?). Obviamente, sem prejudicar a sacrossanta presunção de inocência que, no caso de Berlusconi, se traduz numa permanente e tautológica impossibilidade de crime, contra todos os testemunhos e provas. O que é mais dramático nessa lamentável opereta é que Silvio Berlusconi tem ganho eleições e, provavelmente, se se recandidatar, voltará a ganhá-las. O que significa que uma grande parte dos italianos se reconhece na personagem. Porque é rico, fanfarrão, mulherengo, chico-esperto ("furbo"), desenrascado, divertido, optimista, desbocado? Porque desdramatiza e desritualiza o poder? Porque é populista e demagogo? Também porque a oposição (oposições) é tudo menos credível, entre uma esquerda-caviar e uma míriade de capelas onde pontificam criaturas enquistadas no sistema de impasses típico de um país que se tem auto-governado, apesar dos políticos.

Pouco antes de morrer, Saramago escreveu um artigo (publicado no El Pais) no qual dizia que Berlusconi tinha dividido a Itália em dois grupos: o dos que são já como ele e o dos que gostariam de ser como ele. Acho um bocado injusto, porque ainda há os outros e são esses que representam a esperança da Itália.

La obsolescencia del hombre

"(...) esta idea del hombre que se experimenta a sí mismo como "anticuado" y pequeño frente a los aparatos técnicos, que se presentan como los auténticamente "bien dotados" y que le hacen avergonzarse de su humanidad: "No hay hombres de repuesto", escuchamos decir a un enfermo terminal en un asilo para desahuciados, y se lo escuchamos decir como sonrojado porque en la era de la técnica no se haya inventado aún nada definitivo contra la caducidad de la existencia humana. Este sentimiento de vergüenza, dado que no podemos sentir vergüenza sino ante una mirada ajena, nos indica que ahora son las cosas, las máquinas, quienes nos miran.

El hombre moderno desearía ser sólo un engranaje, debería ser sólo eso, pero misteriosa y trágicamente aún no está del todo adaptado a la explotación mecánica, y eso es lo que le abochorna, su propia humanidad residual.

Por eso, amedrentado y fascinado por el mundo de la producción, el hombre "decide" pasarse a la condición de producto, y la llamada "ingeniería humana" (human engineering), fisiotécnica y robótica, le suministra el modo de fragmentar su conocimiento en habilidades subhumanas que subsisten mecánicamente con independencia de la totalidad de la que proceden. Y esta eliminación técnica de la humanidad es completamente coherente con la aparición de la bomba nuclear, puesto que ella muestra mejor que ningún otro dispositivo el carácter prescindible de la humanidad."

Ondas de mudança


O projecto descrito neste link provocará mais transformações nos países pobres e governados por autocracias, feudalismos e tribalismos do que muitas revoluções políticas e militares e manifestos ou declarações de solidariedade dos países ricos. Trata-se de colocar em órbita um conjunto de 20 satélites fabricados por um consórcio europeu, lançados pelo foguetão europeu Ariane e financiados por investidores como SES (Société Européenne de Satélites, detentora de Astra) e Google. O projecto chama-se O3b (Other 3 billion) porque visa permitir a utilização de internet de banda larga pelos 3 mil milhões da população mundial que até agora têm estado do lado de lá da fronteira digital. Pretende-se permitir o acesso à internet em condições muito económicas (o que não seria possivel apenas pela via terrestre) de populações até agora excluidas da América Latina, África sub-sahariana, Médio Oriente e Ásia. Ora, tendo em conta a importância da difusão da informação em processos revolucionários recentes em países árabes, imagina-se o impacto que tal projecto poderá ter, também noutros contextos, facilitando as "revoluções facebook", como alguns já lhes chamam. Os ditadores que se cuidem porque as vanguardas contestatárias terão meios cada vez mais poderosos para apelar à subversão de sistemas anquilosados e corruptos, aplicando, nomeadamente, os principíos da "resistência pacífica" do velho, mas cada vez mais actual, Glen Sharp.
A questão cínica que se pode levantar é a seguinte: serão os povos capazes de se governar em liberdade e democracia, depois de conseguirem derrubar regimes totalitários, obscurantistas e fanáticos que permitiram uma certa ordem (no meio de uma profunda desigualdade), de que têm beneficiado os países ocidentais, preocupados com a estabilidade em regiões onde se concentra uma parte significativa das reservas petrolíferas mundiais? Aqueles povos têm maturidade e sabedoria para saber o que lhes convém? Qual o preço da liberdade? Será a liberdade sempre o valor supremo e incondicional? Trata-se apenas de impulsos que conduzem ao caos dada a "impreparação" dessas sociedades para adoptar sistemas de governação de tipo ocidental, onde a democracia também é ficção, mas funciona e é compatível com alguma prosperidade? Questões que tornam a onda de mudança no mundo islâmico um processo complexo cheio de esperanças, riscos e incógnitas.

sábado, fevereiro 19, 2011

Take it or leave it

Portugal está a viver numa espécie de limbo incongruente, disparatado, estupidamente orgulhoso e, sobretudo, caríssimo. O limbo do “FMI ou não-FMI”. As soluções desesperadas para resistir à lógica implacável dos “mercados” são cada vez mais dispendiosas e "criativas": colocação de dívida junto de investidores amigos, encurtamento dos prazos, recompras putativamente vantajosas, etc. Dado o stock de dívida a taxas baixas do passado, o impacto das últimas emissões sobre a taxa média global da dívida pública tem sido algo moderado, pelo que, os actuais 7% (e mais) a 5 e 10 anos não serão dramáticos, mas começam a pesar e não são sustentáveis por muito mais tempo. Um custo médio da dívida dessa ordem de grandeza torna as finanças públicas ingeríveis porque a parte das receitas afectada ao custo da dívida será tão alto que as outras despesas públicas caem por terra. Falo de educação, saúde, justiça, segurança, etc.

Na minha opinião, o Fundo Europeu e o FMI não imporiam muito mais austeridade do que aquela que já está cristalizada no orçamento de 2011. A vantagem seria tranquilizar os credores porque essas entidades disponibilizariam um volume potencial de financiamentos que afastaria um cenário de incumprimento e, por conseguinte, os outros credores internacionais pediriam taxas mais baixas para continuar a emprestar. E nós precisamos de crédito, não para gastar mais, mas para pagar dívidas passadas...

Portanto, a vinda do Fundo Europeu de Estabilização e, eventualmente, do FMI (já se falou num pacote entre 50 e 100 mil milhões de euros, ou seja, até quase 60% do PIB...) só peca por tardia e revela teimosia e soberba, com custos elevadíssimos para os contribuintes. Repito: não me parece que imponham condições materialmente mais gravosas para a maior parte da população do que aquelas que já se encontram no orçamento e nos sucessivos “PEC - Planos de Estabilidade e Crescimento”. Talvez aumentem as exigências de execução concreta dessas medidas. Porém, temo que não estejamos numa posição negocial muito favorável, dado o estado a que as coisas chegaram. Vai ser mais uma questão de “take it or leave it”. E não quero imaginar o que seja o “leave it”!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Não há euros grátis

Ver o artigo seguinte.

Se o capital e as mercadorias não viajam para assegurar convergência e desenvolvimento equilibrado, viajam as pessoas. Será a União Europeia a funcionar em pleno na sua vertente "liberdade de circulação de pessoas". De resto, o processo de Bolonha não quer outra coisa: harmonizar diplomas e qualificações para facilitar um mercado único de trabalho.

Dito isto, o trabalho não é plástico ou móvel como as mercadorias ou o dinheiro porque há histórias pessoais e colectivas, diferentes culturas, linguas, leis, impostos, protecção social. E tudo isso protege as Nações, para o melhor e para o pior, em detrimento de uma cidadania europeia (económica).

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Strong euro... against all odds

Porque será que a dívida soberana de certos países da União Europeia atravessa um período de grande turbulência e desvalorização, e que se levantam tantas dúvidas quanto à viabilidade de uma união monetária entre economias com tão profundas divergências e, ao mesmo tempo, o euro resiste notavelmente no mercado das divisas, designadamente contra o dolar? Não será o euro o simbolo máximo da robustez da economia europeia no âmbito da concorrência nos mercados internacionais de bens, serviços e capitais? Será que os cambistas deste mundo têm uma especial apetência para ver méritos onde outros vêem a iminência do colapso? A resposta talvez seja simples: países "indisciplinados" como a Grécia, Portugal ou a Irlanda não são indispensáveis ao dito projecto europeu que implica uma união monetária cuja trave mestra é o euro. Ou seja, a confiança no euro é essencialmente a confiança na Alemanha e na França que representam uma fatia gigantesca da União Europeia. A confiança no euro supõe a confiança no marco que ressuscitaria para suceder a um euro fracassado. Os cambistas acham que a fuga dos investidores (não europeus) à dívida dos "mal comportados" não tem massa crítica para provocar uma venda de euros em tais quantidades que possa implicar uma baixa substancial da cotação à revelia da balança de transacções correntes e de capitais do conjunto da União Europeia face ao resto do mundo. Isto é especialmente verdade num contexto de sub-avaliação das divisas dos chamados países emergentes.

Empire State of Mind

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

domingo, fevereiro 13, 2011

A gaguez do Rei



Filme que representa de forma benigna (e humana) uma certa forma (patética) de poder. É um filme de bons sentimentos com final feliz, que faz os compromissos certos com as expectativas de um largo espectro de espectadores. Conta com excelentes representações de Colin Firth e de Geoffrey Rush (o meu preferido). Por tudo isso, é um produto que vende bem e que vai ter uma eloquente consagração na próxima feira de Hollywood.

Menino Paulo

Estejam atentos ao Paulo Portas. Há ali qualquer coisa que não bate certo. A criatura não dá apertos de mão ou abraços. Ele dispara saudações por obrigação funcional-mediática e, logo a seguir, com um sorriso (es)forçado, vira as costas e segue a correr em direcção à próxima vítima do seu frenesim megalómano. O homem tem-se em conta tão elevada que olha para as pessoas como simples brinquedos descartáveis do seu protagonismo. Já repararam como trata os jornalistas? Atira-lhes uma frase, segundo ele, mais um produto refinado da sua genialidade e, mais uma vez, vira as costas ostensivamente, com o queixo empinado e um sorriso matreiro, cheio de si próprio. O sorriso do Paulo Portas é o de quem acaba de tramar alguém, é o de quem fica sempre por cima. Aqueles olhitos estão sempre a cuspir um ódio de espertalhão. Tenho a certeza que não ouve ninguém, que gosta de sentir na cara dos outros o assentimento permanente e incondicional às suas tiradas de lavrador lisboeta, de defensor incondicional do Portugal dos montes, das eiras e vinhedos, dos presuntos e chouriços, o Portugal que serve de caricatura a uma direita rústica, castiça, ridícula. O problema é que isso tudo soa a falso na criatura Paulo Portas porque, para além de uma boina de lavrador rico com um xadrez de duvidosa portugalidade, ele é o que de mais caprichosamente lisboeta pode existir. Paulo Portas é um menino travesso, um aspirante a ditador de empregada doméstica, um andarilho de ego desmesurado a que nunca deram uma valente chapada nas trombas. Já foi ministro e não quer outra coisa senão sê-lo de novo para encher as câmaras das televisões da sua putativa grandeza e do seu autismo de menino mal-educado.

sábado, fevereiro 12, 2011

Eu sou o PM

Admirável Mundo Novo II

Uma pessoa morta durante 9 anos sem que ninguém a procurasse já estava morta em vida. Era uma pessoa que não fazia falta a ninguém, cuja ausência ou presença eram indiferentes. Era invisível a todos: familiares, vizinhos, “amigos”. Já estava morta. É isso que é terrível: estar morto em vida, sem relações sociais, pura e simplesmente não contar: o zénite da solidão ou da não existência. Ser reduzido a N° de contribuinte, como diz o Fernando Madrinha no Expresso desta semana, porque foram as Finanças que finalmente forçaram o encontro com os despojos da desgraçada... por incumprimento de dívidas ao fisco.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

"Admirável mundo novo"

Ardeu o armazém do Samba. O Carnaval vai ficar mais simples. Como deve ser... Menos adereços e mais alegria para esquecer as chamas e tristezas. O que ardeu foi uma fábrica de sonhos, não foram os sonhos de uns dias por ano numa cidade paradoxal, de tão bonita e tão feia, de tão pobre e tão rica. O Rio é um circo de contrastes abençoado pela Natureza, estragado pelos homens.

No Bangladesh uma menina de 14 anos morreu depois de receber 80 chicotadas. A sua culpa? A de ter sido violada por um primo de 40 anos. Foi acusada de lascívia...

Como e quando Mubarak deixará o poder? Que outras histórias, por esse mundo fora, não nos contam os media nestes dias por causa de tanta concentração naquela praça libertária do Cairo?

Ana Benavente, militante do PS, ex-Secretária de Estado da Educação diz que "O PS hipotecou o seu papel na sociedade portuguesa e deixou-nos sem perspectivas de um futuro melhor. Assumiu o papel que antes pertencia aos centristas do PSD, ocupou o seu espaço e tornou o país mais pobre, política e economicamente." Capoulas dos Santos, seu correlegionário, diz que se trata apenas de ressentimento por ter sido excluida da lista de candidatos a deputados há uns anos.

Há pessoas que fazem de conta que são parvas para esconder a própria genialidade porque a genialidade pode ser insuportável enquanto a imbecilidade é tolerada e mesmo romantizada. Perante a imbecilidade, tanta gente se sente superior. Perante o génio sentem-se imbecis... o que não é confortável.

Um negócio florescente nos Estados Unidos é o dos testes de ADN que servem para verificar quem é pai de quem, qual a probabilidade de morrer de enfarto cardíaco ou de alzheimer, qual o sexo do bébé ao fim de 7 semanas de gestação, etc, etc. Os empregadores e companhias de seguro estão dispostos a pagar fortunas para saber se o Sr Smith ou a Sra Taylor vâo morrer cedo ou tarde, gastando mais ou menos cuidados de saúde.

Um dia destes chega a Primavera...

domingo, fevereiro 06, 2011

Novo filme de Iñárritu

Do mesmo realizador de Babel, um rosário de desgraças para enfatizar os efeitos negativos da Globalização, cruzando-a com histórias pessoais e familiares muito complicadas numa Barcelona distante das Ramblas e dos postais ilustrados. A interpretação de Bardem é soberba, demonstrando mais uma vez uma versatilidade e uma densidade invulgares. Filme pesado que pode indispôr com Bardem a desempenhar, mais uma vez, um papel em derrapagem inexorável para a morte (lembram-se de "Mar Adentro"?).