Ardeu o armazém do Samba. O Carnaval vai ficar mais simples. Como deve ser... Menos adereços e mais alegria para esquecer as chamas e tristezas. O que ardeu foi uma fábrica de sonhos, não foram os sonhos de uns dias por ano numa cidade paradoxal, de tão bonita e tão feia, de tão pobre e tão rica. O Rio é um circo de contrastes abençoado pela Natureza, estragado pelos homens.
No Bangladesh uma menina de 14 anos morreu depois de receber 80 chicotadas. A sua culpa? A de ter sido violada por um primo de 40 anos. Foi acusada de lascívia...
Como e quando Mubarak deixará o poder? Que outras histórias, por esse mundo fora, não nos contam os media nestes dias por causa de tanta concentração naquela praça libertária do Cairo?
Ana Benavente, militante do PS, ex-Secretária de Estado da Educação diz que "O PS hipotecou o seu papel na sociedade portuguesa e deixou-nos sem perspectivas de um futuro melhor. Assumiu o papel que antes pertencia aos centristas do PSD, ocupou o seu espaço e tornou o país mais pobre, política e economicamente." Capoulas dos Santos, seu correlegionário, diz que se trata apenas de ressentimento por ter sido excluida da lista de candidatos a deputados há uns anos.
Há pessoas que fazem de conta que são parvas para esconder a própria genialidade porque a genialidade pode ser insuportável enquanto a imbecilidade é tolerada e mesmo romantizada. Perante a imbecilidade, tanta gente se sente superior. Perante o génio sentem-se imbecis... o que não é confortável.
Um negócio florescente nos Estados Unidos é o dos testes de ADN que servem para verificar quem é pai de quem, qual a probabilidade de morrer de enfarto cardíaco ou de alzheimer, qual o sexo do bébé ao fim de 7 semanas de gestação, etc, etc. Os empregadores e companhias de seguro estão dispostos a pagar fortunas para saber se o Sr Smith ou a Sra Taylor vâo morrer cedo ou tarde, gastando mais ou menos cuidados de saúde.
Um dia destes chega a Primavera...
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
domingo, fevereiro 06, 2011
Novo filme de Iñárritu
Do mesmo realizador de Babel, um rosário de desgraças para enfatizar os efeitos negativos da Globalização, cruzando-a com histórias pessoais e familiares muito complicadas numa Barcelona distante das Ramblas e dos postais ilustrados. A interpretação de Bardem é soberba, demonstrando mais uma vez uma versatilidade e uma densidade invulgares. Filme pesado que pode indispôr com Bardem a desempenhar, mais uma vez, um papel em derrapagem inexorável para a morte (lembram-se de "Mar Adentro"?).A vaidade
A vaidade joga-se no terreno do ser e do parecer. Quem duvida do que é, precisa de parecer. Parecer implica aparecer e aqui se manifesta a vaidade. Portanto, a vaidade é, para todos os efeitos, uma demonstração de fraqueza ou de insegurança ou de alucinação ambiciosa. A vaidade é uma estratégia dos fracos, dos inseguros e dos alucinados para se convencerem de que existem, porque os outros os vêem e lhes podem confirmar que, na realidade, fizeram e aconteceram. Distinguiria vaidade de normal reconhecimento, que poderá (deverá) envolver alguma forma de publicidade ou elogio. A vaidade é orquestrada, disputada, invasiva. Agride quem a possa ameaçar, mesmo no reino da pura fantasia. O normal reconhecimento do que se faz é mais concedido do que solicitado ou imposto pelo seu beneficiário. É verdade que numa sociedade de predadores aquilo que chamo de "normal reconhecimento" não é óbvio nem automático porque os vaidosos farão sempre tudo para ultrapassar, com a sua soberba, a natural superioridade de quem realmente faz e acontece, mas não aparece...
A vaidade não é apenas um resultado de fraqueza. A vaidade é fraqueza em si mesmo. Uma pessoa vaidosa perde a noção da realidade e do ridículo, deixa de ver o mundo e as pessoas como são para os ver à sua medida e como meros instrumentos da sua putativa grandeza. A vaidade cega e provoca danos ao próprio vaidoso cujos comportamentos e decisões passam a ter uma grande margem de erro, acumulando lapsos, estigmas e invejas que se pagam mais cedo ou mais tarde.
A vaidade não é apenas um resultado de fraqueza. A vaidade é fraqueza em si mesmo. Uma pessoa vaidosa perde a noção da realidade e do ridículo, deixa de ver o mundo e as pessoas como são para os ver à sua medida e como meros instrumentos da sua putativa grandeza. A vaidade cega e provoca danos ao próprio vaidoso cujos comportamentos e decisões passam a ter uma grande margem de erro, acumulando lapsos, estigmas e invejas que se pagam mais cedo ou mais tarde.
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
segunda-feira, janeiro 31, 2011
domingo, janeiro 30, 2011
A crise do Norte de África e do Médio Oriente
As revoltas que se estão a espalhar nos países do norte de África e do Médio Oriente têm vários e importantíssimos significados, entre os quais gostaria de destacar os seguintes:
• São os jovens os principais protagonistas, com educação média ou superior e acesso a novos meios de comunicação global (facebook parece ser o principal instrumento de promoção das acções de rua).
• Os pressupostos de que aquelas populações não teriam cultura, civismo e iniciativa para participar num sistema democrático “de tipo ocidental” ou de que o islamismo implicaria a aceitaçâo “tranquila” da autocracia, estão a cair por terra.
• Os Estados Unidos e outros países ocidentais têm sido coniventes com regimes ditatoriais e corruptos que têm permitido nas últimas décadas alguma estabilidade numa região estratégica onde se concentra uma grande parte das reservas de petróleo mundiais.
• A transição para regimes mais livres e pluraristas é tudo menos fácil porque as forças de oposição são espontâneas e desorganizadas, não dispõem de estruturas para exercer o poder; portanto, as alternativas imediatas são o caos ou a tomada do poder por forças militares cujas intenções de assegurar uma rápida transição para a democracia são duvidosas.
• O poder mais difícil de transferir será talvez o económico, concentrado nas mãos de apaniguados dos regimes em crise ou de companhias estrangeiras. A ruptura do sistema produtivo arrastará consigo o agravamento das condições de vida.
• O risco de ameaça de grupos radicais islamistas parece-me baixo por causa da larga, difusa e espontânea base social de apoio à revolta, liderada por jovens que sofrem particularmente com o desemprego associado às crises económicas que têm assolado estes países.
• A situação questiona uma série de equilíbrios precários (ou de desequílibrios até agora mais ou menos geríveis) entre pivots regionais como Israel, Palestina, Libano ou o Irão.
• São os jovens os principais protagonistas, com educação média ou superior e acesso a novos meios de comunicação global (facebook parece ser o principal instrumento de promoção das acções de rua).
• Os pressupostos de que aquelas populações não teriam cultura, civismo e iniciativa para participar num sistema democrático “de tipo ocidental” ou de que o islamismo implicaria a aceitaçâo “tranquila” da autocracia, estão a cair por terra.
• Os Estados Unidos e outros países ocidentais têm sido coniventes com regimes ditatoriais e corruptos que têm permitido nas últimas décadas alguma estabilidade numa região estratégica onde se concentra uma grande parte das reservas de petróleo mundiais.
• A transição para regimes mais livres e pluraristas é tudo menos fácil porque as forças de oposição são espontâneas e desorganizadas, não dispõem de estruturas para exercer o poder; portanto, as alternativas imediatas são o caos ou a tomada do poder por forças militares cujas intenções de assegurar uma rápida transição para a democracia são duvidosas.
• O poder mais difícil de transferir será talvez o económico, concentrado nas mãos de apaniguados dos regimes em crise ou de companhias estrangeiras. A ruptura do sistema produtivo arrastará consigo o agravamento das condições de vida.
• O risco de ameaça de grupos radicais islamistas parece-me baixo por causa da larga, difusa e espontânea base social de apoio à revolta, liderada por jovens que sofrem particularmente com o desemprego associado às crises económicas que têm assolado estes países.
• A situação questiona uma série de equilíbrios precários (ou de desequílibrios até agora mais ou menos geríveis) entre pivots regionais como Israel, Palestina, Libano ou o Irão.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Números caprichosos
Há coisas do diabo. Um tipo acorda, olha para o despertador e vê 08:08. Depois, olha para as horas no ecrã da televisão, enquanto bebe o café no bar, e são 09:09. No emprego, o telefone toca e o número que chama é o 707070. Chega uma carta pelo correio e o número com que foi registada é o 1111. Chama uma táxi e dão-lhe o 333, chega ao aeroporto e são 15:51, o vôo é o número 4224. Entra no avião com a cabeça cheia de números acrobáticos, não sabe o que pensar de tanta coincidência. Afinal, são apenas números curiosos... Coincidência? Não acredita em bruxas, mas que as há, há! Tenta dormir durante a viagem, mas não consegue. O seu número no emprego é o 1313, está sentado na fila 13... O avião atravessa uma zona de turbulência, uma criança na fila de trás chora de forma lancinante. O avião perde altitude, recupera altitude, o piloto pede desculpa por um microfone engasgado, as hospedeiras não conseguem disfarçar o receio, os cintos estão mais apertados do que nunca, até doer a barriga, os passageiros olham uns para os outros com sorrisos amarelos como se estivesse tudo bem. A turbulência passa aos poucos, o avião fica mais tranquilo e as pessoas recuperam caras normais de quem quer apenas chegar à hora prevista. O avião aterra às 17:23. Apanha o táxi às 18:05. Chega ao restaurante, conforme combinado com o amigo, às 19:35, apenas 5 minutos atrasado e ele ainda não chegou. Chega dali a pouco, às 19:40. E convence-se de que a magia dos números desse dia desapareceu e a normalidade regressou. Alguma vertigem se perdeu e ficou com pena, caindo na rotina dos números sem história que não auguram coisa alguma.
quarta-feira, janeiro 26, 2011
Humana malvadez
Há quem ache que, havendo regras claras e justas, as pessoas naturalmente as cumpririam. Ninguém tentaria tramar ninguém, armando-se em carapau de corrida, manhoso ou chico-esperto. As pessoas seriam ordeiras, respeitosas, dignas, honestas e transparentes. Num mundo assim, a tranquilidade reinaria, a concorrência seria redundante ou, pelo menos, pacífica, a criatividade seria reconhecida espontâneamente, sem disputas nem invejas, a superioridade seria aceite sem traumas, a inferioridade seria suplantada pela humanidade, as cotoveladas seriam apenas tema de anedotas. Mas, o mundo nâo é assim porque as pessoas não são assim tão bondosas. As pessoas não são anjos nem demónios. Sâo só pessoas, tão malvadas quanto humanas. E depois há o efeito matilha porque a humana malvadez em grupo amplia os conflitos, provoca ruido. Provoca guerra no limite das agressões quotidianas mal orientadas. É chato chegar à resignaçâo perante a evidência da natureza humana e do modo como as pessoas se comportam em sociedade, sobretudo, nestes tempos de individualismo, materialismo e hedonismo. Mas esse realismo (que se pode transformar em cinismo...) constitui uma prova de maturidade e de sabedoria. Seguramente, de resistência à hostilidade ambiente e à incompatibilidade entre valores individuais e colectivos.
sábado, janeiro 22, 2011
A arte de dar peidos
A propósito de leituras... clicar no título para mais informação sobre este "ensaio teórico-físico e metódico de 1751" da autoria de Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut.
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Leitura
quarta-feira, janeiro 19, 2011
O custo da dívida
Uma coisa é o cupão de um título de dívida, ou seja, o juro que se recebe periodicamente (mensalmente, trimestralmente, semestralmente ou anualmente). Outra coisa é o rendimento (yield) associado à compra desse título, o qual depende, não apenas do cupão, mas também de quanto se paga para comprar o título e de quanto se recebe pela sua venda. Para um mesmo valor do cupão, o rendimento aumenta com a redução do preço de compra e com o aumento do preço de venda. Parece óbvio, não? Quando nos falam de juros da dívida pública a 10 anos de 7%, falam de cupão ou de yield? O yield será superior ao cupão se a dívida for vendida pelo Estado-emitente abaixo do par, ou seja, se o Estado encaixar na data de emissão menos do que terá de pagar na data de vencimento. O que verdadeiramente reflecte o rendimento dos investidores e o custo dos emitentes de dívida é o yield. Temo que os números divulgados sejam os do cupão, substimando, assim, o custo real da dívida do Estado.
sexta-feira, janeiro 14, 2011
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Emissão de dívida bem sucedida...
Grande sucesso do leilão de hoje da dívida da República nos mercados de capitais. Os juros a 10 anos atingiram valores inferiores aos da emissão de Novembro. A procura excedeu a oferta em mais do dobro. E, portanto, já não é preciso FMI e o governo tinha razão e as medidas de austeridade chegam e, e, e...
Em primeiro lugar, é preciso nâo esquecer que se tratou apenas da primeira emissão de dívida a mais de 1 ano por um montante de pouco mais de 1000 milhões de euros. Ora, o programa de emissões nesses prazos, em 2011, ascende a cerca de 20000 milhões de euros. Poder-se-ia dizer que a procissão ainda vai no adro.
Em segundo lugar, gostaria que me dissessem quem é que comprou hoje os títulos emitidos. Quem terão sido os investidores que se contentaram com taxas inferiores às de Novembro do ano passado? Até parece que os endinheirados deste mundo formaram uma espécie de Junta de Salvação Nacional. Chineses? Brasileiros? Governos europeus com as barbas a arder?
Disto isto, ainda bem que assim foi. Não sou dos que pensam que "quanto pior, melhor", não pertenço ao grupo dos que adoram a proximidade do abismo ou que se satisfazem com a iminência da catástrofe só para tramar o Senhor Eng° e seus acólitos e precipitar uma crise política.
À suivre...
Em primeiro lugar, é preciso nâo esquecer que se tratou apenas da primeira emissão de dívida a mais de 1 ano por um montante de pouco mais de 1000 milhões de euros. Ora, o programa de emissões nesses prazos, em 2011, ascende a cerca de 20000 milhões de euros. Poder-se-ia dizer que a procissão ainda vai no adro.
Em segundo lugar, gostaria que me dissessem quem é que comprou hoje os títulos emitidos. Quem terão sido os investidores que se contentaram com taxas inferiores às de Novembro do ano passado? Até parece que os endinheirados deste mundo formaram uma espécie de Junta de Salvação Nacional. Chineses? Brasileiros? Governos europeus com as barbas a arder?
Disto isto, ainda bem que assim foi. Não sou dos que pensam que "quanto pior, melhor", não pertenço ao grupo dos que adoram a proximidade do abismo ou que se satisfazem com a iminência da catástrofe só para tramar o Senhor Eng° e seus acólitos e precipitar uma crise política.
À suivre...
domingo, janeiro 09, 2011
A média e o desvio-padrão das marés
Acho que uma maneira sensata de encarar a vida é vê-la como um mar de marés mais ou menos regulares e intensas. As marés chegam e partem, sobem e descem, são mais ou menos enchentes ou vazantes conforme a Lua e as estações. Nada fica para sempre, nem o bom nem o mau, nem a alegria nem a tristeza. Como diz o provérbio, "não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe". Portanto, quando as coisas correm mal basta fazer com que melhorem e meter na cabeça que aquilo acabará por passar, que a dias feios se sucederão dias mais formosos. A maré vai e vem, sobe e desce. Quando as coisas nos correm de feição devemos não esquecer que um dia correrão pior e, por isso, é preciso gozar devidamente essa feliz conjugação das estrelas com os nossos esforços, não desperdiçar a satisfação do bem que temos porque ele inevitavelmente não durará para sempre. As marés sobem e descem, são a melodia de que se faz o mar da vida. Depois, a felicidade é uma média das marés tão alta quanto possivel tendo um desvio padrão tão pequeno quanto possivel.
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Lumpen-trabalho
A última que ouvi sobre as condições que se tem de aceitar para obter uma espécie de emprego é, ao mesmo tempo, hilariante e arrepiante. O empregador oferece um certo salário, por um trabalho naturalmente precário, desde que o potencial empregado aceite que lhe sejam deduzidos todos os meses os juros que o empregador tem de pagar pelo crédito que lhe permite pagar o dito salário... Isto não é trabalho, é "lumpen-trabalho".
E depois ainda querem mais flexibilidade no mercado de trabalho e leis laborais mais permissivas para os empregadores... Tudo para combater o desemprego e melhorar a competitividade da economia.
E depois ainda querem mais flexibilidade no mercado de trabalho e leis laborais mais permissivas para os empregadores... Tudo para combater o desemprego e melhorar a competitividade da economia.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Brevíssima história de Portugal em direcção ao futuro
Pois é, é complicado. Como se muda isto tudo em tempo razoável? Porque é isso que é preciso. Substituir as urgências e o curto prazo por visões de longo prazo, ter um projecto coerente que assinale caminhos preferíveis às pessoas e às organizações. Substituir elites que o não são, meter cultura onde não existe, meter pontualidade, disciplina e rigor onde são desprezados, colocar civismo nos gestos mais triviais, ousadia na mediocridade, instabilidade criativa no conforto e nas mordomias que se alimentam de subserviência, substituir o medo de mudar pela coragem de fazer coisas novas, etc. etc.
Portugal teve coisas muito más desde a glória frágil e efémera dos séculos XV e XVI: inquisição, ocupação castelhana, terremoto, invasões francesas, espoliação colonial, I República desastrosa, ditadura salazarista, guerra, emigração, caos revolucionário. Tivemos isso tudo e outras nações tiveram ainda pior. Nos últimos 100 anos, não tivemos guerras internas como tiveram a maior parte dos países europeus, incluindo a Espanha com uma guerra civil devastadora entre 1936 e 1939. Curiosamente, há quem diga que talvez aí resida uma parte da nossa inferioridade: o facto de termos estado afastados das guerras mundiais não nos teria puxado pela iniciativa necessária à reconstrução. O que implica uma visão positiva ou pelo menos benigna das guerras. Por exemplo, os 30 gloriosos (entre 1945 e 1975) teriam a sua principal explicação na "abençoada" II guerra mundial...
Beneficiámos enormemente com a adesão à CEE, mas de forma inquinada: com subsídios e crédito fácil, não fizemos investimentos suficientemente reprodutivos nem alterámos tanto quanto deviamos o que produzimos nem como produzimos. As infraestruturas modernizaram-se, a habitação/urbanização explodiu (tantas vezes de forma desordenada ou exibicionista), o consumo aumentou e sofisticou-se, a educação massificou-se (o que não significa que melhorou), o Estado Social cresceu a partir de níveis incipientes, os salários subiram mais do que a produtividade e por isso é que os sectores mais expostos à concorrência internacional são tão vulneráveis e voláteis. Agora crescem mas logo depois sofrem, dependendo da dinâmica dos principais concorrentes com especialização e factores de competitividade semelhantes.
O país criou modos de vida que não são sustentáveis a não ser que muita coisa mude. Hábitos, comportamentos, cultura, formação. Ora, isso tudo é intangível e leva tempo e provoca sacrifícios. Dir-se-á que é preciso começar por algum lado, por pequenos gestos e iniciativas nas famílias, nas escolas, nas empresas, nas repartições. Mas, mais uma vez, isso leva tempo e requer um sistema claro de incentivos e de penalidades. Isto é: as pessoas e as organizações devem ser recompensadas (ou punidas) por desempenharem bem (ou mal) as suas funções. Se não for assim, deixamos à boa vontade, à militância ou ao proselitismo a mudança. Ora, a sociedade desenvolveu-se no sentido do individualismo e do hedonismo que tornam esses conceitos patéticos. Esse sistema de incentivos tem de se basear numa autoridade clara, legitimada pela competência e pela visão. Aqui é que o problema se complica porque também não temos elites com essas características.
A maior parte dos dirigentes actuais têm entre 40 e 65 anos, gerações que se formaram e cresceram (em poder) no final da ditadura (com todos os estigmas associados) e durante o período (fértil) de instabilidade do PREC e anos seguintes. Gente ligada a uma certa universidade de antanho e a uma burguesia tradicional, essencialmente provinciana, apesar das aparências (grandes interesses mais do sul do que do norte) ou arrivista e gaiteira (pequenos interesses do norte), gente muito trabalhadora e engenhosa, eventualmente ligada a uma internacionalização subalterna, mas com limitada substância, orgulhosa da ostentação, com o passo mais comprido do que a perna. Temo não podermos esperar grande coisa desta malta.
Isto quer dizer que a crise financeira vai-se resolver, com mais ou menos FMI, mas certamente com os sacrifícios da classe média a crédito que se foi criando nas últimas décadas. Assim as criaturas se convençam de que não podem continuar no regabofe, o que não é evidente ou isento de riscos (incluindo psicológicos) dado o dramatismo da mobilidade social descendente. Daqui a 2 ou 3 anos, teremos porventura as contas em ordem, mas, a médio/longo prazo, ou caímos numa estagnação sensata ou em mais aventuras (financiadas por quem?) que nos levarão aos mesmos buracos.
A única esperança serão, daqui a 20 anos, os jovens que agora têm entre 15 e 25 anos, os filhos dos tais das gerações falhadas, cobaias das reformas (ou convulsões) do ensino, do consumo, dos costumes e da família e que não são "tubos digestivos que caminham e fornicam". Com um bocado de sorte, ainda cá estarei para ver se essa malta, com uma cabeça apesar de tudo mais aberta, lúcida e ambiciosa, ocupa como deve ser os lugares de direcção desta nossa desditosa pátria e escolhe estratégias virtuosas para nos tirar da persistência do atraso que - quero acreditar - não tem nada a ver com factores genéticos.
Portugal teve coisas muito más desde a glória frágil e efémera dos séculos XV e XVI: inquisição, ocupação castelhana, terremoto, invasões francesas, espoliação colonial, I República desastrosa, ditadura salazarista, guerra, emigração, caos revolucionário. Tivemos isso tudo e outras nações tiveram ainda pior. Nos últimos 100 anos, não tivemos guerras internas como tiveram a maior parte dos países europeus, incluindo a Espanha com uma guerra civil devastadora entre 1936 e 1939. Curiosamente, há quem diga que talvez aí resida uma parte da nossa inferioridade: o facto de termos estado afastados das guerras mundiais não nos teria puxado pela iniciativa necessária à reconstrução. O que implica uma visão positiva ou pelo menos benigna das guerras. Por exemplo, os 30 gloriosos (entre 1945 e 1975) teriam a sua principal explicação na "abençoada" II guerra mundial...
Beneficiámos enormemente com a adesão à CEE, mas de forma inquinada: com subsídios e crédito fácil, não fizemos investimentos suficientemente reprodutivos nem alterámos tanto quanto deviamos o que produzimos nem como produzimos. As infraestruturas modernizaram-se, a habitação/urbanização explodiu (tantas vezes de forma desordenada ou exibicionista), o consumo aumentou e sofisticou-se, a educação massificou-se (o que não significa que melhorou), o Estado Social cresceu a partir de níveis incipientes, os salários subiram mais do que a produtividade e por isso é que os sectores mais expostos à concorrência internacional são tão vulneráveis e voláteis. Agora crescem mas logo depois sofrem, dependendo da dinâmica dos principais concorrentes com especialização e factores de competitividade semelhantes.
O país criou modos de vida que não são sustentáveis a não ser que muita coisa mude. Hábitos, comportamentos, cultura, formação. Ora, isso tudo é intangível e leva tempo e provoca sacrifícios. Dir-se-á que é preciso começar por algum lado, por pequenos gestos e iniciativas nas famílias, nas escolas, nas empresas, nas repartições. Mas, mais uma vez, isso leva tempo e requer um sistema claro de incentivos e de penalidades. Isto é: as pessoas e as organizações devem ser recompensadas (ou punidas) por desempenharem bem (ou mal) as suas funções. Se não for assim, deixamos à boa vontade, à militância ou ao proselitismo a mudança. Ora, a sociedade desenvolveu-se no sentido do individualismo e do hedonismo que tornam esses conceitos patéticos. Esse sistema de incentivos tem de se basear numa autoridade clara, legitimada pela competência e pela visão. Aqui é que o problema se complica porque também não temos elites com essas características.
A maior parte dos dirigentes actuais têm entre 40 e 65 anos, gerações que se formaram e cresceram (em poder) no final da ditadura (com todos os estigmas associados) e durante o período (fértil) de instabilidade do PREC e anos seguintes. Gente ligada a uma certa universidade de antanho e a uma burguesia tradicional, essencialmente provinciana, apesar das aparências (grandes interesses mais do sul do que do norte) ou arrivista e gaiteira (pequenos interesses do norte), gente muito trabalhadora e engenhosa, eventualmente ligada a uma internacionalização subalterna, mas com limitada substância, orgulhosa da ostentação, com o passo mais comprido do que a perna. Temo não podermos esperar grande coisa desta malta.
Isto quer dizer que a crise financeira vai-se resolver, com mais ou menos FMI, mas certamente com os sacrifícios da classe média a crédito que se foi criando nas últimas décadas. Assim as criaturas se convençam de que não podem continuar no regabofe, o que não é evidente ou isento de riscos (incluindo psicológicos) dado o dramatismo da mobilidade social descendente. Daqui a 2 ou 3 anos, teremos porventura as contas em ordem, mas, a médio/longo prazo, ou caímos numa estagnação sensata ou em mais aventuras (financiadas por quem?) que nos levarão aos mesmos buracos.
A única esperança serão, daqui a 20 anos, os jovens que agora têm entre 15 e 25 anos, os filhos dos tais das gerações falhadas, cobaias das reformas (ou convulsões) do ensino, do consumo, dos costumes e da família e que não são "tubos digestivos que caminham e fornicam". Com um bocado de sorte, ainda cá estarei para ver se essa malta, com uma cabeça apesar de tudo mais aberta, lúcida e ambiciosa, ocupa como deve ser os lugares de direcção desta nossa desditosa pátria e escolhe estratégias virtuosas para nos tirar da persistência do atraso que - quero acreditar - não tem nada a ver com factores genéticos.
segunda-feira, janeiro 03, 2011
O combóio
O que deixei no combóio que se afastava no escuro, sem hesitação, rumo à grande cidade foi mais do que uma pessoa em busca do seu próprio caminho, crescendo e crescendo a cada quilómetro, com a cabeça cheia de esperança, de projectos, de receios e de convicções. O que se foi embora foi uma mão a dizer adeus no meio da multidão, até sempre, heroísmo talvez traído por uma lágrima furtiva (quem sabe?), foram olhos com um brilho certeiro e autêntico, foi uma altivez que me tranquilizou e que me deixou patético, mergulhado na minha caríssima fragilidade e não compreendendo a noite, o trânsito, as pessoas que se cruzavam comigo indiferentes, o frio, as luzes húmidas dos candeeiros. O que se foi embora deixou-me orgulhoso e pequeno perante a grandeza daquele começo. Senti que uma página da nossa história se virava e reli com sofreguidão os últimos 23 capítulos, cada vez mais ridículo nas minhas emoções, porque emoções assim são felizmente ridículas.
domingo, dezembro 26, 2010
Mais ou menos
Telefonei para pedir um favor. Perguntou-me "como estás?". Não me deixou responder e disse imediatamente, com pena na voz, "mais ou menos - não é?", antecipando (desejando?) desgraça. Eu disse que estava bem. Fiquei com a impressão de que, ou queria que eu estivesse "mais ou menos" ou estava a falar de si mesma... Porque diabo eu não podia estar bem? Ficou algo desiludida, desconcertada quando ouviu que eu estava bem e, recompondo-se, disse que - sim senhora - podia contar com ela. E foi por ali fora, armando cordialidade e metendo a conversa na ordem.
Há pessoas que gostam do "mais ou menos" dos outros para não ficarem sózinhas no seu próprio "mais ou menos". Arrependi-me de ter pedido o favor.
Há pessoas que gostam do "mais ou menos" dos outros para não ficarem sózinhas no seu próprio "mais ou menos". Arrependi-me de ter pedido o favor.
sexta-feira, dezembro 24, 2010
FELIZ NATAL
Porque há vida para além das más notícias e dos ratings e das dívidas e "o que será, será" e anoitece tão cedo e as ruas ficam estranhamente vazias como se houvesse uma conspiração em curso e o Alentejo continua plano e verdejante nesta altura do ano e está frio e talvez chova
(já choveu, mas pouco)
e o bolo rei sabe mais ou menos à mesma coisa de quando eu era criança
(como eu detestava o bolo rei...)
e agora há bolos rainha porque sim, porque é correcto
(também detesto os bolos rainha, para ser correcto!)
e a missa do galo continua a dizer-me a mesma coisa
(ou seja, bem pouco)
e a orgia dos presentes regressa apesar da crise e de se preferir marcas brancas e coisinhas baratas
(que os sentimentos não têm preço e uma peúginha pode dizer mais do que mil abraços)
e a televisão vai estar acesa e ninguém lhe vai ligar nenhuma e os telefonemas e os sms vão dizer que cá estamos outra vez e gostamos imenso uns dos outros e não nos esquecemos porque esquecer-se de alguém neste dia é mesmo muito grave porque quem não gosta neste dia não gosta mesmo e não se pode esquecer a maleita de estimação da tia Amélia e a solidão custa p'ra caraças e às vezes ajustam-se contas com outros sentimentos e com outras injustiças que vêm de muito longe e chega à mesa o bacalhau e o perú e as filhozes
(não sei se se escreve assim, acho que nunca escrevi esta palavra e não tenho pachorra de ir ao dicionário porque neste dia os rigores linguisticos não interessam)
e abre-se a garrafa de champagne que de champagne não tem nada
(é só um espumantezito ali da bairrada, tipo caves messias)
e os embrulhos finalmente abrem-se e o papel brilhante a dizer merry christmas chora de uma glória tão efémera e às vezes olhamos para os objectos que transportam tanto carinho com uma displicência mal disfarçada e chegamos a dizer para dentro "que desperdício!" e somos injustos.
E depois tenta-se ingloriamente sossegar as tripas com umas pastilhas efervescentes e vai-se para a cama devidamente tarde, arrumando o Natal até ao próximo ano com a árvore de plástico e as luzinhas e enfeites compradas nos chineses porque isto não está p'ra brincadeiras.
Não me levem a mal: desejo mesmo um Natal muito feliz a todos.
(já choveu, mas pouco)
e o bolo rei sabe mais ou menos à mesma coisa de quando eu era criança
(como eu detestava o bolo rei...)
e agora há bolos rainha porque sim, porque é correcto
(também detesto os bolos rainha, para ser correcto!)
e a missa do galo continua a dizer-me a mesma coisa
(ou seja, bem pouco)
e a orgia dos presentes regressa apesar da crise e de se preferir marcas brancas e coisinhas baratas
(que os sentimentos não têm preço e uma peúginha pode dizer mais do que mil abraços)
e a televisão vai estar acesa e ninguém lhe vai ligar nenhuma e os telefonemas e os sms vão dizer que cá estamos outra vez e gostamos imenso uns dos outros e não nos esquecemos porque esquecer-se de alguém neste dia é mesmo muito grave porque quem não gosta neste dia não gosta mesmo e não se pode esquecer a maleita de estimação da tia Amélia e a solidão custa p'ra caraças e às vezes ajustam-se contas com outros sentimentos e com outras injustiças que vêm de muito longe e chega à mesa o bacalhau e o perú e as filhozes
(não sei se se escreve assim, acho que nunca escrevi esta palavra e não tenho pachorra de ir ao dicionário porque neste dia os rigores linguisticos não interessam)
e abre-se a garrafa de champagne que de champagne não tem nada
(é só um espumantezito ali da bairrada, tipo caves messias)
e os embrulhos finalmente abrem-se e o papel brilhante a dizer merry christmas chora de uma glória tão efémera e às vezes olhamos para os objectos que transportam tanto carinho com uma displicência mal disfarçada e chegamos a dizer para dentro "que desperdício!" e somos injustos.
E depois tenta-se ingloriamente sossegar as tripas com umas pastilhas efervescentes e vai-se para a cama devidamente tarde, arrumando o Natal até ao próximo ano com a árvore de plástico e as luzinhas e enfeites compradas nos chineses porque isto não está p'ra brincadeiras.
Não me levem a mal: desejo mesmo um Natal muito feliz a todos.
quinta-feira, dezembro 23, 2010
domingo, dezembro 19, 2010
Eleições presidenciais
Entre nós… para que servem as eleições presidenciais? Que criaturas insignificantes são estas que estrebucham à volta do ego de Cavaco?
[Cavaco não é um projecto nacional. É um projecto pessoal e familiar, o fruto de uma ambição que queima sem escrúpulos o que a possa ameaçar.]
Que importância tem esta encenação republicana perante a gravidade do presente e a angústia do futuro? O Presidente pode chatear, mas não governa. O Presidente pode ser decisivo em situações extremas, mas não determina as escolhas fundamentais de que o país precisa. Vivíamos bem sem esta eleição geral. Se, como em países como a Alemanha ou a Itália, esta figura simbólica fosse escolhida directamente pelo Parlamento. Se nos poupassem este concurso irrisório de que sairão certamente vencedores, mais uma vez, os egos inextricáveis da Maria e do António para passearem, majestáticos, mão na mão, um províncianismo orgulhoso.
[Cavaco não é um projecto nacional. É um projecto pessoal e familiar, o fruto de uma ambição que queima sem escrúpulos o que a possa ameaçar.]
Que importância tem esta encenação republicana perante a gravidade do presente e a angústia do futuro? O Presidente pode chatear, mas não governa. O Presidente pode ser decisivo em situações extremas, mas não determina as escolhas fundamentais de que o país precisa. Vivíamos bem sem esta eleição geral. Se, como em países como a Alemanha ou a Itália, esta figura simbólica fosse escolhida directamente pelo Parlamento. Se nos poupassem este concurso irrisório de que sairão certamente vencedores, mais uma vez, os egos inextricáveis da Maria e do António para passearem, majestáticos, mão na mão, um províncianismo orgulhoso.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
quarta-feira, dezembro 15, 2010
O país mágico
Será este o mesmo país que tem uma crise orçamental, cada vez mais dificuldades em obter financiamento externo e um sistema bancário à beira de um ataque de nervos? O delírio continua... Seria melhor 1 ou 2 medidas com sentido do que um caleidoscópio de voluntarismo saloio.
[Ver por exemplo o ponto 3 d).]
Parece um programa de governo moribundo, feito à pressa, desesperadamente, como se anunciar fosse fazer... finalmente. Parece as declarações inflamadas dos impérios à beira do estertor.
[Ver por exemplo o ponto 3 d).]
Parece um programa de governo moribundo, feito à pressa, desesperadamente, como se anunciar fosse fazer... finalmente. Parece as declarações inflamadas dos impérios à beira do estertor.
terça-feira, dezembro 14, 2010
100000
As estatísticas valem o que valem, mas, hoje, o nosso blog ultrapassou os 100000 visitantes desde a sua fundação em 29 de Outubro de 2005.
domingo, dezembro 12, 2010
Wikileaks

Wikileaks é uma história sobre os limites da transparência. Sobre a verdade ou a mentira como bens públicos. Sobre o valor absoluto da verdade. Será legítimo guardar informações se, da sua divulgação, resultarem danos para os interesses nacionais, se se colocar em perigo a segurança e a soberania dos Estados? Mesmo se essas informações revelarem a imoralidade, incompetência ou ilegalidade de quem nos governa? Em sociedades democráticas, não terão os cidadãos direito a conhecer os dirigentes que escolhem, as suas motivações, os verdadeiros interesses que defendem, os meios que estão dispostos a usar par atingir determinados fins, por mais louváveis que possam ser? Sempre houve serviços secretos, sempre houve informação reservada, confidencial ou sensível. Não se governa sempre em directo. Os governos devem ter direito a alguma privacidade no momento de preparar as decisões, sem prejuizo de ouvir e consultar a sociedade.
Wikileaks também demonstra a ubiquidade e o esmagamento da informação. Estamos numa sociedade obcecada pela informação, o que não significa uma sociedade mais culta ou criteriosa. Uma sociedade que devora os títulos, que salta de assunto para assunto à velocidade do primir de uma tecla, que se espanta apenas com coisas cada vez mais trágicas e sensacionais. Uma sociedade cada vez mais “informada” mas com menos tempo para pensar e para compreender. Assim, somos presas fáceis de fazedores de opiniões superficiais, vendedores de preconceitos e de estereótipos, de “flashes”. Somos como um rebanho democrático.
Outro aspecto importante da história Wikileaks é a dimensão verdadeiramente global do seu desafio aos governos nacionais, já bastante debilitados por outros poderes, também eles crescentemente globais (basta referir o poder financeiro). Ou seja: Wikileaks é mais uma expressão da atitude global de grupos difusos de resistência ao modelo de sociedade dominante. E faz-me lembrar um livro que li há algum tempo: “The Empire” escrito por Michael Hardt e Antonio Negri, uma espécie de Manifesto Anti-global.
Clicar no título...
Wikileaks também demonstra a ubiquidade e o esmagamento da informação. Estamos numa sociedade obcecada pela informação, o que não significa uma sociedade mais culta ou criteriosa. Uma sociedade que devora os títulos, que salta de assunto para assunto à velocidade do primir de uma tecla, que se espanta apenas com coisas cada vez mais trágicas e sensacionais. Uma sociedade cada vez mais “informada” mas com menos tempo para pensar e para compreender. Assim, somos presas fáceis de fazedores de opiniões superficiais, vendedores de preconceitos e de estereótipos, de “flashes”. Somos como um rebanho democrático.
Outro aspecto importante da história Wikileaks é a dimensão verdadeiramente global do seu desafio aos governos nacionais, já bastante debilitados por outros poderes, também eles crescentemente globais (basta referir o poder financeiro). Ou seja: Wikileaks é mais uma expressão da atitude global de grupos difusos de resistência ao modelo de sociedade dominante. E faz-me lembrar um livro que li há algum tempo: “The Empire” escrito por Michael Hardt e Antonio Negri, uma espécie de Manifesto Anti-global.
Clicar no título...
sábado, dezembro 11, 2010
O mito dos estrangeirados
Quem disse que os bons saem, que os medíocres continuam a mandar e a usufruir de benesses e que os resignados se limitam a sobreviver? O mito dos estrangeirados é quase tão velho como a Nação. Como seria messiânico se eles regressassem para pôr o país em ordem... Mas, não é assim! Não são todos tão bons como se pode fantasiar e sairam por variadas (e pessoais) razões que talvez tenham pouco a ver com o mal do país. E não regressam por proselitismo ou por terem uma missão patriótica a cumprir. O país tem de melhorar com os que cá estão. São esses sobretudo que fazem falta, é desses que devem sair élites mais esclarecidas que tenham cultura e visão e que substituam os da situação e os da(s) "alternativas(s)" que só nos inspiram pessimismo e angústia.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
A näo perder

