quarta-feira, julho 07, 2010

Perfeição


Acabei o curso, estou contente comigo mesma e muito muito feliz por ter concluído com sucesso esta etapa da minha vida.

Para estar tudo perfeito era preciso:

1. Estar menos calor;
2. Não me terem pedido 15 euros por um mero certificado de habilitações que demora 15 dias a chegar;
3. Ter já um emprego à minha espera a começar no dia 1 de Setembro... vá lá, 15 de Setembro...
4. Estar à beira-mar com uma caipirinha.


(Eu sei que este post é totalmente excusado e um atentado a quem ainda tem tanto que fazer para acabar as suas tarefas e ir de férias, mas dêem-me o desconto, sim? Afinal estou de ressaca de 5 anos de Universidade.)

domingo, julho 04, 2010

A Peninsula Ibérica

A diferença é abismal e crescente... na economia, na cultura, no desporto, na política internacional. Basta comprar o "El Pais" e o "Público", ir a Madrid ou Barcelona e a Lisboa ou ao Porto, entrar numa livraria em Portugal e em Espanha, etc, etc. Os sinais de "ocupação" aumentam... a pretexto de cooperação, de liberdade de circulação de pessoas, bens e capitais. O que não conseguiram pelas armas há 5 séculos, conseguem agora, gradualmente, mas seguramente, através da supremacia na política, na economia, na finança, na arte, na cultura, no desporto.

Só mesmo uma identidade muito forte, teimosa e orgulhosa, estrebucha contra a evidência da superioridade do outro lado. Só mesmo uma história, uma cultura, uma lingua irredutíveis tornam impensável uma rendição formal. Mesmo que dela pudessem resultar vantagens materiais (dependendo da maneira como fosse negociada). Andam os governantes a fazer de conta que somos grandes amigos e de que só a mania da perseguição ou um complexo de inferioridade justificam certos medos ou teorias da conspiração. E, portanto, continua a fazer-se de conta que somos "iguais" e que a nossa independência não está em causa e que eles não nos querem prejudicar, que agem da forma mais objectiva (do ponto de vista dos seus legítimos interesses). Mas, a nossa independência está de facto em causa. Falo de independência real mais do que formal. Não tenho a mania da perseguição nem o complexo de inferioridade, mas não sou cego nem ingénuo. E - ainda mais importante - não me parece haver argumentos (que não sejam de simples patriotismo) contra o domínio espanhol.


Portugal torna-se cada vez mais um acidente histórico, um monumento ao Patriotismo, em que ninguém quer perder a face, em que desconfiança, desprezo e medo se misturam com diplomacia, tolerância e condescendência numa geometria variável que tende sempre para o mesmo desfecho: uma gradual submissão.


É neste contexto que se deve situar a luta pela metade da Vivo no Brasil e o acto de desespero que foi o veto do governo mediante a "golden share" na PT. Um entre vários episódios de um conflito de interesses fundamentais entre os dois países que, normalmente, se desvaloriza ou se disfarça para evitar fantasmas que se erguem da noite dos tempos.

quinta-feira, julho 01, 2010

quinta-feira, junho 24, 2010

Avenida da Liberdade Junho de 2010

Os restaurantes estão cheios, passam Porsches, Ferraris e Maserattis, as lojas de luxo brilham de novas, os hotéis de 5 estrelas estão cheios. Não estou no Mónaco ou em Beverly Hills. Estou na Avenida da Liberdade em Lisboa.

Crise. Qual crise? Passa-me pela cabeça que esta conversa sobre o risco de falência dos países e dos bancos só pode ser uma grande treta. Uma espécie de cabala, como a gripe A ou a nuvem de cinzas da Islândia, orquestrada por qualquer agência mundial dos interesses ocultos. Mas, essa teoria conspirativa depressa sai do meu pensamento. Existe talvez conspiração mas é mais prosaica: a conspiração dos ricos contra os pobres.

Isto está mesmo mau, mas os ricos escapam da crise ou aproveitam-se dela para ficar ainda mais ricos, enquanto os pobres aguentam com a cura dos erros patrocinados pelos ricos. Isto não é demagogia. São factos sustentados por estatísticas: das vendas de bens de luxo, da pobreza, do desemprego.

E tudo isto pode mesmo passar-se sem uma colaboração "voluntária" dos governos, que aplicam políticas que agravam a injustiça "porque sim", porque não pode ser de outra maneira à luz dos sacrossantos princípios da ciência macro-económica, completamente virgem de ideologia. Governos que renunciam à política e se submetem à tecnocracia e ao pensamento único são governos capados.

Mas, não se esqueçam os ricos de que sem pobres não podem continuar ricos, pelo que, devem, pelo menos, assegurar a sobrevivência dos pobres e a sua capacidade de trabalhar. A melhor política dos ricos é aquela que extrai o máximo de ovos da galinha sem a matar. O mal-estar máximo (ou o bem-estar mínimo) dos pobres que permita a subsistência do sistema, ou seja, que não leve à crise social aberta que pode mesmo descambar na violência. Não me interpretem mal: aqui não há bons e maus, não se trata de ser invejoso ou miserabilista, de demonizar o sucesso. Ou coisas do género. Trata-se de SOCIEDADE, de permitir que as pessoas vivam bem juntas, preservando a paz e a dignidade humana. Quase apetecia referir muito simplesmente os princípios da Revolução Francesa (igualdade, liberdade, fraternidade). Ninguém tem culpa de ser rico ou de querer ser rico. O problema é a conciliação de métodos e objectivos individuais (ou de grupo) com a sustentabilidade do tecido social, como um todo. Há valores que devem superar a eficiência, a competitividade e o sucesso. A economia não pode ser um "deus ex-macchina", de que, aliás, pode vir a ser vítima. Que eu saiba, é do interesse do próprio capitalismo defender a justiça, a solidariedade, a ordem e a legalidade. Pelo menos numa sociedade dita democrática. Em ditadura é outra coisa. Mas, como se sabe, as ditaduras acabam mais tarde ou mais cedo porque a pulsão libertária dos seres hmanos é irresistível. Sou dos que crêem firmemente que a Humanidade caminha inexoravelmente, desde a noite dos tempos, em direcção ao BEM, no meio de tanto mal cuja sofisticação não tem limites.

segunda-feira, junho 21, 2010

Cavaco e Saramago vs Presidente da República e Nobel da Literatura


A pessoa Aníbal Cavaco Silva não gostava da pessoa José Saramago, nem a pessoa José Saramago podia com a pessoa Aníbal Cavaco Silva. Como tal, a pessoa Aníbal Cavaco Silva não foi ao funeral da pessoa José Saramago.

Até aqui tudo bem...

O problema é que a pessoa Aníbal Cavaco Silva é o Presidente da República Portuguesa, e a pessoa José Saramago é um cidadão português laureado com o Prémio Nobel da Literatura.

Assim o caso já muda de figura... Porque considero inconcebível que o Presidente da República não esteja presente pessoalmente na última homenagem (com honras de estado, incluindo dois dias de luto nacional) a um Prémio Nobel do seu país!

Pessoalmente, também não ia muito à bola com a pessoa e com o escritor, mas reconheço o seu valor enquanto português que levou a sua língua-mãe e a sua terra natal para o mundo, de tal forma que foi considerado merecedor do Prémio mais importante que qualquer pessoa pode ganhar a nível mundial.

Por isso, esta polémica não é artificial: porque um homem pode não ir à bola com outro homem, mas o Presidente da República não pode deixar de estar presente no funeral do Prémio Nobel da Literatura.

domingo, junho 20, 2010

Eles não gostam de Saramago...

De facto, o céu e o inferno de Saramago são outros.

"(...) la reacción del Vaticano, que ayer dirigió desde las páginas de L'Osservatore Romano, su diario oficial, un furibundo ataque hacia el escritor, que sonó casi a celebración por su muerte. Saramago se había distinguido como uno de los intelectuales que más lúcidamente condenó los abusos cometidos en nombre de la religión. (...) Precisamente su posición ideológica motivó ayer un ataque duro desde el órgano oficial del Vaticano, L'Osservatore Romano, que no guardó ni siquiera la compostura ante la muerte. En un artículo firmado por Claudio Toscani titulado La omnipotencia (relativa) del narrador, subraya la "ideología antirreligiosa" de Saramago, a quien define como "un hombre y un intelectual de ninguna capacidad metafísica, (y que vivió) agarrado hasta el final a su pertinaz fe en el materialismo histórico, alias marxismo". Para añadir: "Se declaraba insomne por las cruzadas, o por la inquisición, olvidando el recuerdo de los gulags, de las purgas, de los genocidios, de los samizdat (panfletos de la Rusia soviética) culturales y religiosos". En resumen, escriben, se distinguió por "la banalización de lo sagrado" y "un materialismo libertario" radicalizado con los años." (citado daqui)

sexta-feira, junho 18, 2010

Obituário

Arrogante, tendencioso, erético.
Provocador... na exacta medida da força das suas convicções.
Grande demais para a sua terra.
De cultura portuguesa indelével. Abraçado pelos espanhóis.
Pertencente ao grupo dos raríssimos que conseguem superar o próprio destino.

quarta-feira, junho 16, 2010

Em Novembro....


E também se aproveitará para dar um pulinho aqui:

sexta-feira, junho 11, 2010


Era uma vez uma menina que sonhava em atravessar o mar para visitar as terras misteriosas que adivinhava do outro lado. Então pegou num pequeno balde e pôs-se a enchê-lo com água do mar e a despejar essa água na praia. Queria esvaziar o mar para poder caminhar em terra firme até às terras misteriosas. E assim continuou toda a tarde, prometendo voltar quantas vezes fosse preciso até tirar do mar toda a água que lá havia.

quinta-feira, junho 10, 2010

Krugman acusa a Europa de masoquismo

O Nobel da economia denunciou hoje o "masoquismo" da Europa perante a sua "mania" de aprovar planos de austeridade. "Alguém já pensou seriamente em como tudo isto afecta o resto do mundo, incluindo os EUA?", questiona Krugman num artigo intitulado "The Global Transmission of European Austerity", publicado hoje no seu blog no 'New York Times'.
"Isto está a pôr-se feio. E os EUA têm de pensar numa forma de se distanciar deste masoquismo europeu", sublinha o Nobel. Krugman recupera o modelo Mundell-Fleming para sublinhar que a contracção orçamental de um país com taxas de câmbio flutuantes supõe na realidade uma contracção para o mundo no seu conjunto. O mesmo é dizer, explica, que "a debilidade do euro e a contracção orçamental na região estão a tornar-se num "problema global.

Citado de Diário Económico on-line. Clicar no título.

segunda-feira, junho 07, 2010

E agora?


O estágio terminou. O relatório está entregue e aguardo a sua defesa. A tese está quase pronta e em fase de retoques e aperfeiçoamentos.

Não tenho horários nem rotinas... Não sei quando isto vai acabar e o que vai acontecer depois...

Enfim, estou um pouco desorientada.

sexta-feira, junho 04, 2010

9º ano? Para quê?



Ora, portanto, se bem compreendi, um aluno repetente no 8º ano, cujo aproveitamento foi considerado pelos seus professores como insuficiente para garantir a sua passagem para o 9º ano poderá fazer um exame e assim passar para o ensino secundário.... E isto não é facilitismo... Hmmm.... pergunto-me então para que servem as aulas, os professores, o sistema educativo?

Porque é que não acabam com as escolas e se dão exames todos os anos aos meninos, desde o 1º até ao 12º e pronto?

quarta-feira, junho 02, 2010

A luta entre a PT e a Telefónica de Espanha pelo controlo do principal operador de telefones móveis do Brasil (Vivo) torna-se excitante, envolvendo alta finança, patriotismo e interesses venais (vitais?). A PT recusou uma primeira oferta de compra dos seus 50% na Vivo pela Telefónica. A Telefónica ameaçou com uma hipótese de compra hostil da própria PT (de recordar que a Telefónica tem já cerca de 10% das acções da PT: http://www.euronext.com/trader/summarizedmarket/stocks-2493-FR-PTPTC0AM0009.html?selectedMep=5). O Estado ameaçou com a sua "golden share", uma acção que lhe confere direito de veto. O Dr Ricardo Salgado (9.3% do capital da PT) armou-se em cavaleiro branco ao lado do governo. Um accionista estrangeiro - o fundo Brandes que tem quase 9.5% do capital da PT e cuja única pátria é o dinheiro - disse que a Telefónica não estava a oferecer o preço justo por 50% da Vivo. Vai daí a Telefónica subiu a parada e chegou aos 6500 milhões de euros. Os accionistas pararam para pensar... Afinal de contas, é mesmo muito dinheiro! O problema é o que fazer de tanto dinheiro: reinvestir aonde? distribuir aos accionistas? E o que resta do valor da PT após a venda da Vivo? Repare-se que o valor em bolsa da PT é hoje de 7700 milhões de euros. Ou seja, sem a Vivo ou sem uma alternativa de investimento à altura da Vivo, de preferência assegurando a manutenção de uma significativa internacionalização do grupo, a PT torna-se vulnerável a renovados ataques. E o Eng° Belmiro de Azevedo (com ou sem a ajuda da Telefónica e de bancos espanhóis - porque o dinheiro não tem pátria) estará seguramente à espreita depois da tentativa falhada de há alguns anos...

terça-feira, junho 01, 2010

TEMPO


O tempo corre...

Corre com tanta pressa que, quando nos ultrapassa, vemo-nos aflitos para o apanhar!

Eu gostava de conseguir ultrapassar o tempo... Descansar um pouco enquanto esperava que ele me alcançasse, que chegasse ao ponto mais dianteiro, onde eu estaria, calmamente e sem pressas... À espera do tempo apenas.

O problema é que nunca o ultrapasso... No máximo corro ao lado dele, na esperança que ele não me derrote!

Até ver, a corrida tem andado renhida.... Mas sabia bem uma pequena pausa para descansar, retomar o fôlego e admirar o caminho percorrido, sem medo de ser ultrapassada.

Um dia, se conseguir ultrapassar o tempo, fá-lo-ei.

domingo, maio 30, 2010

Doença mental e poder

Eu acho que o poder está ocupado por malucos. Refiro-me ao poder em geral e ao poder existente neste preciso momento em Portugal. Não falo de maluquice em abstracto para designar más decisões, incompetência ou falta de ética. Falo de doenças mentais, de verdadeiras patologias. Eu não sou psicólogo e portanto podem-me acusar de leviandade na abordagem do tema. Não tenho sequer uma lista com as diferentes tipologias de doença mental, mas tenho a certeza de que são malucos porque exprimem tiques e manias que só podem ser do foro patológico. Sob reserva de melhor opinião da Melga do lado (que de Psicologia entende) não será dificil identificar doses desmesuradas de narcisismo, megalomania, problemas de auto-estima e de auto-confiança, alucinações, mania da perseguição, egocentrismo, etc, etc. E depois tomam decisões com impacto sobre milhões de pessoas possuidos pelos sintomas devastadores de tanto mal-estar. E não há ninguém que lhes sugira umas consultas de psiquiatria que poderiam desembocar em terapias eficazes, porventura sem necessidade de internamento. Da cura resultaria um bem tremendo para os cidadãos porque teriam esses homens e mulheres no seu melhor (que alguma bondade têm, seguramente) sem as consequências nefastas das suas atrozes maleitas.

sexta-feira, maio 28, 2010

Robin Hood

Rise, and rise again. Until lambs become lions.


Adorei o filme...

Sobretudo porque me fez pensar que noções como "Liberdade", "Justiça", "Igualdade" e "Honra" são, ainda, nos dias de hoje, concepções vanguardistas e, muitas vezes, incompreensíveis para quem tem ânsia/cegueira de poder!

quarta-feira, maio 26, 2010

Bonitas palavras: reestruturação da dívida


Robert Mundell, Prémio Nobel da Economia [que tive o prazer de estudar nos anos longínquos de 1979-1984], defende que a reestruturação da dívida poderá ser "inevitável" para um ou dois países do euro nos próximos cinco anos. "Dentro de cinco anos isso poderá ser inevitável, mas não significa a desconstrução do euro, apenas significa uma reestruturação da dívida", sustentou o economista canadiano, numa conferência em Varsóvia, na Polónia. Robert Mundell, galardoado com o Nobel da Economia em 1999, defende que a Europa necessita de uma maior centralização fiscal, nomeadamente através da criação de bilhetes e obrigações do Tesouro da zona euro. "O euro tem tido um desempenho maravilhoso nos seus 10 anos de existência, mas está neste momento a operar com uma das mãos amarradas atrás das costas", considera o economista, para quem "não existem títulos de dívida como os dos Estados Unidos, mas a sua criação na união monetária iria impulsionar bastante o euro como moeda de reserva". (citado de Diario Económico on-line)
A propósito de reestruturação da dívida eu sugeria, entre várias hipóteses:
(a) emissão da chamada dívida perpétua (equivalente a quasi-equity), ou seja: o capital pode não ser reembolsado, mas os juros continuam a cobrar-se até data indefinida;
(b) emissão de "performance-linked bonds", ou seja: obrigações que são reembolsadas e remuneradas como e quando determinados indicadores de performance macroeconómica são atingidos.

Questão de confiança

Um diz que estamos a ir contra um muro, o outro diz que a situação é difícil, mas que não estamos assim tão mal - estou a falar de Presidentes de dois dos maiores bancos portugueses. A imprensa diz que os bancos emprestam cada vez menos uns aos outros porque desconfiam da saúde financeira dos semelhantes. E acrescenta-se que não se pode pedir emprestado lá fora porque as taxas são proibitivas e que, portanto, é preciso recorrer cada vez mais aos depósitos dos portugueses (e ao crédito a curto prazo do Banco Central Europeu).

Há aqui qualquer coisa que não encaixa...

E os nossos governantes andam em "roadshow" por Wall Street a tentar vender dívida portuguesa a investidores que compram mais factos do que histórias convincentes. Boa sorte a eles e a todos nós.

quinta-feira, maio 20, 2010

A realidade bloqueada a 1%-2%

Deixem-me pôr a coisa nos seguintes termos: dados os recursos naturais, humanos e técnicos de que dispõe, Portugal pode crescer no máximo a uma taxa da ordem de 1%-2% por ano em termos reais. Chamemos-lhe taxa potencial de crescimento do PIB. Naturalmente, esse valor teórico pode e deve aumentar a médio/longo prazo, através de mudanças estruturais que conduzam a um aumento dos recursos e/ou a uma melhoria da sua produtividade. Ora, o que acontece é que certos políticos, putativamente iluminados, voluntaristas e optimistas em relação às capacidades dos portugueses, querem puxar o crescimento para cima desse valor tendencial, apesar das referidas mudanças estruturais não acontecerem. É possivel esticar a economia temporariamente acima do que pode dar através de dívida, de subsídios ou de outras escapatórias do género. Mas, isso apenas cria ou amplifica ciclos: à euforia segue-se inevitavelmente a terapia de choque. A economia torna-se bipolar, mantendo-se o trend inexoravelmente nos 1%-2% por ano.

Rendam-se. Contentem-se. Melhorem a vida apenas em 1%-2% por ano, enquanto não for possivel aumentar de forma sustentável essa taxa, para não andarem neste "stop and go" nem com o credo da boca todos os 10 ou 20 anos por causa da iminência da bancarrota e de apertos de cinto dolorosos com efeitos calamitosos sobre a distribuição da riqueza.

quarta-feira, maio 19, 2010

Mais do que uma simples opinião

Os países periféricos da zona euro, como Portugal, Grécia e a Espanha, precisam de passar por uma redução relativa dos seus salários, face aos parceiros do centro da Europa, situada entre 20 e 30 por cento, defendeu ontem o economista norte-americano Paul Krugman."Com uma moeda única, o ajustamento a choques assimétricos exige ajustamentos nos salários relativos - e como as nações da periferia da Europa foram da expansão à recessão, o seu ajustamento tem de ser feito para baixo", explica o prémio Nobel no seu blogue, concluindo depois que "os salários na periferia precisam de cair entre 20 e 30 por cento face à Alemanha" para poderem recuperar a competitividade. Krugman alerta ainda que uma correcção desse tipo é de aplicação extremamente difícil, talvez mesmo impossível, uma vez que exige uma flexibilidade nos mercados de trabalho que "ninguém tem". Exemplos de austeridade extremos como o da Letónia não conseguiram reduções desse tipo. E é por isso que, mais uma vez, mostra o seu pessimismo em relação ao projecto do euro. "Se o euro não funciona sem flexibilidade nos salários nominais, então a verdade é que isso significa que não funciona mesmo", diz.

Mas ele é americano e os americanos têm medo que o dólar deixe de ter a hegemonia que tem. Sem um dólar aceite por todo o mundo como moeda de reserva, os próprios americanos teriam de reduzir os salários, provavelmente em muito mais do que Krugman aconselha aos europeus do sul.

terça-feira, maio 18, 2010

Questões de casamento

O Presidente promulgou o decreto autorizando o CASAMENTO de homosexuais. Disse-o perante as câmaras da TV ontem à noite, como quem engolia um sapo. Parece que o problema dele (e dos partidos da direita) é apenas semântico. Isto é, se se chamasse àquilo outra coisa que não CASAMENTO, não haveria problema? Deve estar a faltar-me alguma coisa... O Tribunal Constitucional não confirmou a legalidade da lei? Seja como for, o que quero é que sejam felizes e que passem ao capítulo seguinte que é o das reais dificuldades do país. Com o devido respeito por gays e lésbicas e pese embora o "progresso civilizacional" (Vitalino Canas do PS dixit) derivado à nova lei.

domingo, maio 16, 2010

Domingo à noite

Morreu Saldanha Sanches, o camarada Saldanha Sanches, o fiscalista eminente, casado com Maria José Morgado.
Chegou à Austrália uma rapariga de 16 anos que fez a volta ao mundo sózinha em barco à vela sem auxílio nem escala.
O Mourinho ganhou mais uma Taça.
O Passos Coelho diz que faz parte da cura mas não da doença.
O concurso para a Terceira Ponte sobre o Tejo foi cancelado mas já aí vem: coisa de umas semanas para "os mercados se acalmarem"... E os concorrentes pedem indemnizações ao governo por causa do cancelamento.
O Porto ganhou a Taça de Portugal... ao Chaves.
O Xanana Gusmão recebeu o Filipe Vieira com honras de chefe de Estado e declarou-se benfiquista (parecia bêbado, como sempre).
O Papa diz-se emocionado por haver tanta gente na Praça de S. Pedro a exprimir-se contra os ataques à Igreja, derivado à pedofilia, e sente-se emocionado por ter visto tanta gente também em Fátima.
Os sindicatos ameaçam com uma greve nacional contra as medidas do governo para reduzir o défice à custa dos desgraçados de sempre.
Aproxima-se o campeonato do mundo de futebol e começa-se a falar disso até chatear.
O euro desce para quase 1.2 dólares e o governador do Banco Central Europeu diz que esta é a pior crise da Europa desde a II Guerra Mundial. E vários economistas americanos, incluindo Stiglitz, o putativo esquerdista, dizem que o pior está para vir. E a Merkel até diz que a ajuda à Grécia serviu apenas para ganhar tempo... Tempo seguramente para apertar ainda mais o cinto.
E eu bebo uma chavena de chá verde à espera de mais uma semana.

terça-feira, maio 11, 2010

Constatação

Depois de UMA HORA E MEIA de Papa, as notícias que se seguem são de quê? .... [Suspense] ... Os 24 convocados do Carlos Queirós!!!


Caramba... Este país é um paraíso... Quanta prosperidade, quanto lazer, quanta tranquilidade!

Pequena questão...

Porque é que durante toda a tarde os canais generalistas portugueses não passaram mais nada senão o Papa? Se um deles tivesse sido "original" e não tivesse transmitido os passeios de Bento XVI (o avião em que chegou, o que/com quem/onde almoçou, o que vestiu na missa.., etc, etc, etc.) talvez tivesse tido uma audiência bastante boa...