quinta-feira, junho 24, 2010

Avenida da Liberdade Junho de 2010

Os restaurantes estão cheios, passam Porsches, Ferraris e Maserattis, as lojas de luxo brilham de novas, os hotéis de 5 estrelas estão cheios. Não estou no Mónaco ou em Beverly Hills. Estou na Avenida da Liberdade em Lisboa.

Crise. Qual crise? Passa-me pela cabeça que esta conversa sobre o risco de falência dos países e dos bancos só pode ser uma grande treta. Uma espécie de cabala, como a gripe A ou a nuvem de cinzas da Islândia, orquestrada por qualquer agência mundial dos interesses ocultos. Mas, essa teoria conspirativa depressa sai do meu pensamento. Existe talvez conspiração mas é mais prosaica: a conspiração dos ricos contra os pobres.

Isto está mesmo mau, mas os ricos escapam da crise ou aproveitam-se dela para ficar ainda mais ricos, enquanto os pobres aguentam com a cura dos erros patrocinados pelos ricos. Isto não é demagogia. São factos sustentados por estatísticas: das vendas de bens de luxo, da pobreza, do desemprego.

E tudo isto pode mesmo passar-se sem uma colaboração "voluntária" dos governos, que aplicam políticas que agravam a injustiça "porque sim", porque não pode ser de outra maneira à luz dos sacrossantos princípios da ciência macro-económica, completamente virgem de ideologia. Governos que renunciam à política e se submetem à tecnocracia e ao pensamento único são governos capados.

Mas, não se esqueçam os ricos de que sem pobres não podem continuar ricos, pelo que, devem, pelo menos, assegurar a sobrevivência dos pobres e a sua capacidade de trabalhar. A melhor política dos ricos é aquela que extrai o máximo de ovos da galinha sem a matar. O mal-estar máximo (ou o bem-estar mínimo) dos pobres que permita a subsistência do sistema, ou seja, que não leve à crise social aberta que pode mesmo descambar na violência. Não me interpretem mal: aqui não há bons e maus, não se trata de ser invejoso ou miserabilista, de demonizar o sucesso. Ou coisas do género. Trata-se de SOCIEDADE, de permitir que as pessoas vivam bem juntas, preservando a paz e a dignidade humana. Quase apetecia referir muito simplesmente os princípios da Revolução Francesa (igualdade, liberdade, fraternidade). Ninguém tem culpa de ser rico ou de querer ser rico. O problema é a conciliação de métodos e objectivos individuais (ou de grupo) com a sustentabilidade do tecido social, como um todo. Há valores que devem superar a eficiência, a competitividade e o sucesso. A economia não pode ser um "deus ex-macchina", de que, aliás, pode vir a ser vítima. Que eu saiba, é do interesse do próprio capitalismo defender a justiça, a solidariedade, a ordem e a legalidade. Pelo menos numa sociedade dita democrática. Em ditadura é outra coisa. Mas, como se sabe, as ditaduras acabam mais tarde ou mais cedo porque a pulsão libertária dos seres hmanos é irresistível. Sou dos que crêem firmemente que a Humanidade caminha inexoravelmente, desde a noite dos tempos, em direcção ao BEM, no meio de tanto mal cuja sofisticação não tem limites.

segunda-feira, junho 21, 2010

Cavaco e Saramago vs Presidente da República e Nobel da Literatura


A pessoa Aníbal Cavaco Silva não gostava da pessoa José Saramago, nem a pessoa José Saramago podia com a pessoa Aníbal Cavaco Silva. Como tal, a pessoa Aníbal Cavaco Silva não foi ao funeral da pessoa José Saramago.

Até aqui tudo bem...

O problema é que a pessoa Aníbal Cavaco Silva é o Presidente da República Portuguesa, e a pessoa José Saramago é um cidadão português laureado com o Prémio Nobel da Literatura.

Assim o caso já muda de figura... Porque considero inconcebível que o Presidente da República não esteja presente pessoalmente na última homenagem (com honras de estado, incluindo dois dias de luto nacional) a um Prémio Nobel do seu país!

Pessoalmente, também não ia muito à bola com a pessoa e com o escritor, mas reconheço o seu valor enquanto português que levou a sua língua-mãe e a sua terra natal para o mundo, de tal forma que foi considerado merecedor do Prémio mais importante que qualquer pessoa pode ganhar a nível mundial.

Por isso, esta polémica não é artificial: porque um homem pode não ir à bola com outro homem, mas o Presidente da República não pode deixar de estar presente no funeral do Prémio Nobel da Literatura.

domingo, junho 20, 2010

Eles não gostam de Saramago...

De facto, o céu e o inferno de Saramago são outros.

"(...) la reacción del Vaticano, que ayer dirigió desde las páginas de L'Osservatore Romano, su diario oficial, un furibundo ataque hacia el escritor, que sonó casi a celebración por su muerte. Saramago se había distinguido como uno de los intelectuales que más lúcidamente condenó los abusos cometidos en nombre de la religión. (...) Precisamente su posición ideológica motivó ayer un ataque duro desde el órgano oficial del Vaticano, L'Osservatore Romano, que no guardó ni siquiera la compostura ante la muerte. En un artículo firmado por Claudio Toscani titulado La omnipotencia (relativa) del narrador, subraya la "ideología antirreligiosa" de Saramago, a quien define como "un hombre y un intelectual de ninguna capacidad metafísica, (y que vivió) agarrado hasta el final a su pertinaz fe en el materialismo histórico, alias marxismo". Para añadir: "Se declaraba insomne por las cruzadas, o por la inquisición, olvidando el recuerdo de los gulags, de las purgas, de los genocidios, de los samizdat (panfletos de la Rusia soviética) culturales y religiosos". En resumen, escriben, se distinguió por "la banalización de lo sagrado" y "un materialismo libertario" radicalizado con los años." (citado daqui)

sexta-feira, junho 18, 2010

Obituário

Arrogante, tendencioso, erético.
Provocador... na exacta medida da força das suas convicções.
Grande demais para a sua terra.
De cultura portuguesa indelével. Abraçado pelos espanhóis.
Pertencente ao grupo dos raríssimos que conseguem superar o próprio destino.

quarta-feira, junho 16, 2010

Em Novembro....


E também se aproveitará para dar um pulinho aqui:

sexta-feira, junho 11, 2010


Era uma vez uma menina que sonhava em atravessar o mar para visitar as terras misteriosas que adivinhava do outro lado. Então pegou num pequeno balde e pôs-se a enchê-lo com água do mar e a despejar essa água na praia. Queria esvaziar o mar para poder caminhar em terra firme até às terras misteriosas. E assim continuou toda a tarde, prometendo voltar quantas vezes fosse preciso até tirar do mar toda a água que lá havia.

quinta-feira, junho 10, 2010

Krugman acusa a Europa de masoquismo

O Nobel da economia denunciou hoje o "masoquismo" da Europa perante a sua "mania" de aprovar planos de austeridade. "Alguém já pensou seriamente em como tudo isto afecta o resto do mundo, incluindo os EUA?", questiona Krugman num artigo intitulado "The Global Transmission of European Austerity", publicado hoje no seu blog no 'New York Times'.
"Isto está a pôr-se feio. E os EUA têm de pensar numa forma de se distanciar deste masoquismo europeu", sublinha o Nobel. Krugman recupera o modelo Mundell-Fleming para sublinhar que a contracção orçamental de um país com taxas de câmbio flutuantes supõe na realidade uma contracção para o mundo no seu conjunto. O mesmo é dizer, explica, que "a debilidade do euro e a contracção orçamental na região estão a tornar-se num "problema global.

Citado de Diário Económico on-line. Clicar no título.

segunda-feira, junho 07, 2010

E agora?


O estágio terminou. O relatório está entregue e aguardo a sua defesa. A tese está quase pronta e em fase de retoques e aperfeiçoamentos.

Não tenho horários nem rotinas... Não sei quando isto vai acabar e o que vai acontecer depois...

Enfim, estou um pouco desorientada.

sexta-feira, junho 04, 2010

9º ano? Para quê?



Ora, portanto, se bem compreendi, um aluno repetente no 8º ano, cujo aproveitamento foi considerado pelos seus professores como insuficiente para garantir a sua passagem para o 9º ano poderá fazer um exame e assim passar para o ensino secundário.... E isto não é facilitismo... Hmmm.... pergunto-me então para que servem as aulas, os professores, o sistema educativo?

Porque é que não acabam com as escolas e se dão exames todos os anos aos meninos, desde o 1º até ao 12º e pronto?

quarta-feira, junho 02, 2010

A luta entre a PT e a Telefónica de Espanha pelo controlo do principal operador de telefones móveis do Brasil (Vivo) torna-se excitante, envolvendo alta finança, patriotismo e interesses venais (vitais?). A PT recusou uma primeira oferta de compra dos seus 50% na Vivo pela Telefónica. A Telefónica ameaçou com uma hipótese de compra hostil da própria PT (de recordar que a Telefónica tem já cerca de 10% das acções da PT: http://www.euronext.com/trader/summarizedmarket/stocks-2493-FR-PTPTC0AM0009.html?selectedMep=5). O Estado ameaçou com a sua "golden share", uma acção que lhe confere direito de veto. O Dr Ricardo Salgado (9.3% do capital da PT) armou-se em cavaleiro branco ao lado do governo. Um accionista estrangeiro - o fundo Brandes que tem quase 9.5% do capital da PT e cuja única pátria é o dinheiro - disse que a Telefónica não estava a oferecer o preço justo por 50% da Vivo. Vai daí a Telefónica subiu a parada e chegou aos 6500 milhões de euros. Os accionistas pararam para pensar... Afinal de contas, é mesmo muito dinheiro! O problema é o que fazer de tanto dinheiro: reinvestir aonde? distribuir aos accionistas? E o que resta do valor da PT após a venda da Vivo? Repare-se que o valor em bolsa da PT é hoje de 7700 milhões de euros. Ou seja, sem a Vivo ou sem uma alternativa de investimento à altura da Vivo, de preferência assegurando a manutenção de uma significativa internacionalização do grupo, a PT torna-se vulnerável a renovados ataques. E o Eng° Belmiro de Azevedo (com ou sem a ajuda da Telefónica e de bancos espanhóis - porque o dinheiro não tem pátria) estará seguramente à espreita depois da tentativa falhada de há alguns anos...

terça-feira, junho 01, 2010

TEMPO


O tempo corre...

Corre com tanta pressa que, quando nos ultrapassa, vemo-nos aflitos para o apanhar!

Eu gostava de conseguir ultrapassar o tempo... Descansar um pouco enquanto esperava que ele me alcançasse, que chegasse ao ponto mais dianteiro, onde eu estaria, calmamente e sem pressas... À espera do tempo apenas.

O problema é que nunca o ultrapasso... No máximo corro ao lado dele, na esperança que ele não me derrote!

Até ver, a corrida tem andado renhida.... Mas sabia bem uma pequena pausa para descansar, retomar o fôlego e admirar o caminho percorrido, sem medo de ser ultrapassada.

Um dia, se conseguir ultrapassar o tempo, fá-lo-ei.

domingo, maio 30, 2010

Doença mental e poder

Eu acho que o poder está ocupado por malucos. Refiro-me ao poder em geral e ao poder existente neste preciso momento em Portugal. Não falo de maluquice em abstracto para designar más decisões, incompetência ou falta de ética. Falo de doenças mentais, de verdadeiras patologias. Eu não sou psicólogo e portanto podem-me acusar de leviandade na abordagem do tema. Não tenho sequer uma lista com as diferentes tipologias de doença mental, mas tenho a certeza de que são malucos porque exprimem tiques e manias que só podem ser do foro patológico. Sob reserva de melhor opinião da Melga do lado (que de Psicologia entende) não será dificil identificar doses desmesuradas de narcisismo, megalomania, problemas de auto-estima e de auto-confiança, alucinações, mania da perseguição, egocentrismo, etc, etc. E depois tomam decisões com impacto sobre milhões de pessoas possuidos pelos sintomas devastadores de tanto mal-estar. E não há ninguém que lhes sugira umas consultas de psiquiatria que poderiam desembocar em terapias eficazes, porventura sem necessidade de internamento. Da cura resultaria um bem tremendo para os cidadãos porque teriam esses homens e mulheres no seu melhor (que alguma bondade têm, seguramente) sem as consequências nefastas das suas atrozes maleitas.

sexta-feira, maio 28, 2010

Robin Hood

Rise, and rise again. Until lambs become lions.


Adorei o filme...

Sobretudo porque me fez pensar que noções como "Liberdade", "Justiça", "Igualdade" e "Honra" são, ainda, nos dias de hoje, concepções vanguardistas e, muitas vezes, incompreensíveis para quem tem ânsia/cegueira de poder!

quarta-feira, maio 26, 2010

Bonitas palavras: reestruturação da dívida


Robert Mundell, Prémio Nobel da Economia [que tive o prazer de estudar nos anos longínquos de 1979-1984], defende que a reestruturação da dívida poderá ser "inevitável" para um ou dois países do euro nos próximos cinco anos. "Dentro de cinco anos isso poderá ser inevitável, mas não significa a desconstrução do euro, apenas significa uma reestruturação da dívida", sustentou o economista canadiano, numa conferência em Varsóvia, na Polónia. Robert Mundell, galardoado com o Nobel da Economia em 1999, defende que a Europa necessita de uma maior centralização fiscal, nomeadamente através da criação de bilhetes e obrigações do Tesouro da zona euro. "O euro tem tido um desempenho maravilhoso nos seus 10 anos de existência, mas está neste momento a operar com uma das mãos amarradas atrás das costas", considera o economista, para quem "não existem títulos de dívida como os dos Estados Unidos, mas a sua criação na união monetária iria impulsionar bastante o euro como moeda de reserva". (citado de Diario Económico on-line)
A propósito de reestruturação da dívida eu sugeria, entre várias hipóteses:
(a) emissão da chamada dívida perpétua (equivalente a quasi-equity), ou seja: o capital pode não ser reembolsado, mas os juros continuam a cobrar-se até data indefinida;
(b) emissão de "performance-linked bonds", ou seja: obrigações que são reembolsadas e remuneradas como e quando determinados indicadores de performance macroeconómica são atingidos.

Questão de confiança

Um diz que estamos a ir contra um muro, o outro diz que a situação é difícil, mas que não estamos assim tão mal - estou a falar de Presidentes de dois dos maiores bancos portugueses. A imprensa diz que os bancos emprestam cada vez menos uns aos outros porque desconfiam da saúde financeira dos semelhantes. E acrescenta-se que não se pode pedir emprestado lá fora porque as taxas são proibitivas e que, portanto, é preciso recorrer cada vez mais aos depósitos dos portugueses (e ao crédito a curto prazo do Banco Central Europeu).

Há aqui qualquer coisa que não encaixa...

E os nossos governantes andam em "roadshow" por Wall Street a tentar vender dívida portuguesa a investidores que compram mais factos do que histórias convincentes. Boa sorte a eles e a todos nós.

quinta-feira, maio 20, 2010

A realidade bloqueada a 1%-2%

Deixem-me pôr a coisa nos seguintes termos: dados os recursos naturais, humanos e técnicos de que dispõe, Portugal pode crescer no máximo a uma taxa da ordem de 1%-2% por ano em termos reais. Chamemos-lhe taxa potencial de crescimento do PIB. Naturalmente, esse valor teórico pode e deve aumentar a médio/longo prazo, através de mudanças estruturais que conduzam a um aumento dos recursos e/ou a uma melhoria da sua produtividade. Ora, o que acontece é que certos políticos, putativamente iluminados, voluntaristas e optimistas em relação às capacidades dos portugueses, querem puxar o crescimento para cima desse valor tendencial, apesar das referidas mudanças estruturais não acontecerem. É possivel esticar a economia temporariamente acima do que pode dar através de dívida, de subsídios ou de outras escapatórias do género. Mas, isso apenas cria ou amplifica ciclos: à euforia segue-se inevitavelmente a terapia de choque. A economia torna-se bipolar, mantendo-se o trend inexoravelmente nos 1%-2% por ano.

Rendam-se. Contentem-se. Melhorem a vida apenas em 1%-2% por ano, enquanto não for possivel aumentar de forma sustentável essa taxa, para não andarem neste "stop and go" nem com o credo da boca todos os 10 ou 20 anos por causa da iminência da bancarrota e de apertos de cinto dolorosos com efeitos calamitosos sobre a distribuição da riqueza.

quarta-feira, maio 19, 2010

Mais do que uma simples opinião

Os países periféricos da zona euro, como Portugal, Grécia e a Espanha, precisam de passar por uma redução relativa dos seus salários, face aos parceiros do centro da Europa, situada entre 20 e 30 por cento, defendeu ontem o economista norte-americano Paul Krugman."Com uma moeda única, o ajustamento a choques assimétricos exige ajustamentos nos salários relativos - e como as nações da periferia da Europa foram da expansão à recessão, o seu ajustamento tem de ser feito para baixo", explica o prémio Nobel no seu blogue, concluindo depois que "os salários na periferia precisam de cair entre 20 e 30 por cento face à Alemanha" para poderem recuperar a competitividade. Krugman alerta ainda que uma correcção desse tipo é de aplicação extremamente difícil, talvez mesmo impossível, uma vez que exige uma flexibilidade nos mercados de trabalho que "ninguém tem". Exemplos de austeridade extremos como o da Letónia não conseguiram reduções desse tipo. E é por isso que, mais uma vez, mostra o seu pessimismo em relação ao projecto do euro. "Se o euro não funciona sem flexibilidade nos salários nominais, então a verdade é que isso significa que não funciona mesmo", diz.

Mas ele é americano e os americanos têm medo que o dólar deixe de ter a hegemonia que tem. Sem um dólar aceite por todo o mundo como moeda de reserva, os próprios americanos teriam de reduzir os salários, provavelmente em muito mais do que Krugman aconselha aos europeus do sul.

terça-feira, maio 18, 2010

Questões de casamento

O Presidente promulgou o decreto autorizando o CASAMENTO de homosexuais. Disse-o perante as câmaras da TV ontem à noite, como quem engolia um sapo. Parece que o problema dele (e dos partidos da direita) é apenas semântico. Isto é, se se chamasse àquilo outra coisa que não CASAMENTO, não haveria problema? Deve estar a faltar-me alguma coisa... O Tribunal Constitucional não confirmou a legalidade da lei? Seja como for, o que quero é que sejam felizes e que passem ao capítulo seguinte que é o das reais dificuldades do país. Com o devido respeito por gays e lésbicas e pese embora o "progresso civilizacional" (Vitalino Canas do PS dixit) derivado à nova lei.

domingo, maio 16, 2010

Domingo à noite

Morreu Saldanha Sanches, o camarada Saldanha Sanches, o fiscalista eminente, casado com Maria José Morgado.
Chegou à Austrália uma rapariga de 16 anos que fez a volta ao mundo sózinha em barco à vela sem auxílio nem escala.
O Mourinho ganhou mais uma Taça.
O Passos Coelho diz que faz parte da cura mas não da doença.
O concurso para a Terceira Ponte sobre o Tejo foi cancelado mas já aí vem: coisa de umas semanas para "os mercados se acalmarem"... E os concorrentes pedem indemnizações ao governo por causa do cancelamento.
O Porto ganhou a Taça de Portugal... ao Chaves.
O Xanana Gusmão recebeu o Filipe Vieira com honras de chefe de Estado e declarou-se benfiquista (parecia bêbado, como sempre).
O Papa diz-se emocionado por haver tanta gente na Praça de S. Pedro a exprimir-se contra os ataques à Igreja, derivado à pedofilia, e sente-se emocionado por ter visto tanta gente também em Fátima.
Os sindicatos ameaçam com uma greve nacional contra as medidas do governo para reduzir o défice à custa dos desgraçados de sempre.
Aproxima-se o campeonato do mundo de futebol e começa-se a falar disso até chatear.
O euro desce para quase 1.2 dólares e o governador do Banco Central Europeu diz que esta é a pior crise da Europa desde a II Guerra Mundial. E vários economistas americanos, incluindo Stiglitz, o putativo esquerdista, dizem que o pior está para vir. E a Merkel até diz que a ajuda à Grécia serviu apenas para ganhar tempo... Tempo seguramente para apertar ainda mais o cinto.
E eu bebo uma chavena de chá verde à espera de mais uma semana.

terça-feira, maio 11, 2010

Constatação

Depois de UMA HORA E MEIA de Papa, as notícias que se seguem são de quê? .... [Suspense] ... Os 24 convocados do Carlos Queirós!!!


Caramba... Este país é um paraíso... Quanta prosperidade, quanto lazer, quanta tranquilidade!

Pequena questão...

Porque é que durante toda a tarde os canais generalistas portugueses não passaram mais nada senão o Papa? Se um deles tivesse sido "original" e não tivesse transmitido os passeios de Bento XVI (o avião em que chegou, o que/com quem/onde almoçou, o que vestiu na missa.., etc, etc, etc.) talvez tivesse tido uma audiência bastante boa...

segunda-feira, maio 10, 2010

Ganha Portugal


É disto que a malta precisa contra a crise, os impostos, o desemprego, a dívida, os juros, as falências. Com coisas destas o ânimo regressa, encontramos energias onde menos se esperava, resistimos a Sócrates, comunistas e demagogos. Voltamos a rir e a chorar e a acreditar e a achar que somos os "maiores" e que a realidade não é tão impiedosa como parece. Choramos e gritamos de alegria, de esperança, de fé. Sabe deus de quê. Choramos e gritamos de nós, de uma alegria patética que é vento nas velas que nos empurram para a vida. Viva o Papa! Viva o SLB.

quarta-feira, maio 05, 2010

Será que estamos a falar do mesmo país e da mesma situação?


Pois que o Sócrates é um arrogante pretensioso autista autocrático petulante já todos nós sabíamos... Que o Cavaco vive no país das maravilhas e prefere ficar no sofá a dormitar e a ver a Maria a fazer tricôt, também já era conhecido.

Mas estas duas notícias, hoje no Público Online são demais... Certo?

"Não devo interferir na governação", diz Cavaco Silva


Primeiro-ministro mostra-se “muito confiante” com a evolução da economia portuguesa

segunda-feira, maio 03, 2010

Falando de coisas boas...


E no meio do stress e das neuras, hoje a sorte deu-me um motivo para sorrir.

Sem grande interesse comprei uma rifa, só para ajudar uma comissão de carro para a Queima das Fitas do ano que vem, e não é que me sai um bilhete geral?

E por falar nisso, nesta e na próxima semana este blog estará em modo "vive esta Queima como se fosse a última, porque, desta vez, é mesmo a última!*"




*enquanto estudante, claro!

domingo, maio 02, 2010

Um excelente artigo

José Sócrates, le Portugais ensablé

Rien ne va plus pour le Premier ministre socialiste, dont le nom est associé à des affaires de corruption sur fond de crise économique majeure.

Par FRANÇOIS MUSSEAU envoyé spécial à Lisbonne

Le Premier ministre portugais José Socrates, le 7  janvier 2010 à Paris

Le Premier ministre portugais José Socrates, le 7 janvier 2010 à Paris (AFP Remy de la Mauviniere)

L’inimitié d’une bonne partie des médias, une crise politique qui tourne au blocage institutionnel, une situation sociale explosive, un fiasco économique obligeant à des mesures drastiques à court terme… Comme si cela n’était pas suffisant, le bouillant José Sócrates (mollement réélu aux législatives de septembre 2009) doit désormais affronter une fronde du Parlement qui pourrait le forcer à la démission ou amener sa famille socialiste à lui trouver un successeur à la tête du gouvernement. Aujourd’hui commencent à Lisbonne les travaux d’une commission d’enquête parlementaire qui, pour la première fois depuis la fin de la dictature de Salazar, implique directement un Premier ministre. Et va le contraindre à comparaître physiquement, au mieux par écrit. «Le Portugal est un bateau ivre dans lequel le capitaine est le plus suspect de tout l’équipage», a asséné un chroniqueur de la chaîne privée SIC.

D’après les économistes, de tous les pays européens au bord du «décrochage», le Portugal est certainement le maillon le plus faible. Plus encore que la Grèce, le petit pays ibérique souffre de maux structurels, d’exportations en berne, d’une dette extérieure record et d’un déficit public de 9,3%. Bruxelles attend de Lisbonne des mesures concrètes pour respecter le «plan d’austérité» auquel José Sócrates s’est engagé. Mais ces mesures, qui promettent d’être draconiennes, se font attendre… D’autant que José Sócrates est encore affaibli par ses problèmes politico-judiciaires.

«réformateur». Ce qui ressemble fort à un procès politique est lié à un supposé cas d’interventionnisme. Pendant deux mois, un groupe de députés tentera de faire la lumière sur le rôle qu’a joué José Sócrates dans la tentative du géant Portugal Telecom (PT, contrôlé par le gouvernement socialiste) de racheter la télévision TVI, hostile au pouvoir. Il s’agit en somme de savoir si le leader socialiste a manœuvré pour placer la chaîne sous son joug. En juin 2009, devant le Parlement, Sócrates avait solennellement assuré ne rien savoir de telles tractations. Si cette commission d’enquête, qui va auditionner des dizaines de témoins, fait la preuve que le Premier ministre a menti, les jours de celui qui promettait de «transformer le Portugal en profondeur» seront comptés.

«Alors qu’il a pu être une partie de la solution pour le pays, Sócrates est aujourd’hui une partie du problème», résume José Manuel Fernandes, ancien directeur du quotidien de référence Público, dont le départ tient à ses relations tendues avec le leader socialiste. Comme d’autres nombreux détracteurs, Fernandes reconnaît que le tonitruant Sócrates a été, au début de son premier mandat - de 2005 à 2007 -, un chef de gouvernement courageux, qui a ramené un gros déficit à 3% (aujourd’hui de nouveau autour de 10%), réformé le système des retraites (âge légal et temps de cotisation augmentés), accru les recettes fiscales, créé 150 000 emplois, fait le ménage au sein de la haute administration… «Un bon bilan de réformateur volontariste, qui a su contenir à sa gauche et rassurer à sa droite, dit le politologue Manuel Villaverde Cabral. Il a mis à la porte pas mal de gens dans les hautes sphères, qui sont aujourd’hui autant d’ennemis.» Mais, si José Sócrates est autant ébranlé, c’est aussi parce que son parcours est jalonné de zones d’ombres et d’agissements suspects.

Depuis ses premiers pas municipaux dans la région de Beira Baixa, à l’est du pays, il a été mêlé à une dizaine de scandales. Un diplôme d’ingénieur obtenu dans des conditions suspectes, des permis de construire douteux accordés au sein de la municipalité de Castelo Branco, l’affaire «Face occulte» (des écoutes téléphoniques le lient avec un homme d’affaire véreux ayant un quasi-monopole sur les friches industrielles)… Ou encore l’affaire «Freeport», une société britannique ayant installé un centre commercial à Alcochete, en banlieue de Lisbonne, sur un terrain protégé… grâce au feu vert de Sócrates, alors ministre de l’Environnement ! «En réalité, à chaque fois, il n’y a aucune preuve formelle, dit José Manuel Fernandes. Mais rien n’est vraiment clair avec lui.»

jeune loup. Energique et charismatique, doté d’une audace qui a électrisé une vie politique ankylosée, José Sócrates apparaît aussi comme un leader intransigeant, autoritaire et irascible, dont l’ambition dévorante en irrite plus d’un. «Son parcours, c’est celui d’un jeune loup sans idéologie, opportuniste, un pur produit d’appareil qui a escaladé les échelons la tête froide, le décrit Fernando Rosas, historien et député du Bloc de gauche. Il a toujours eu un côté borderline. Et puis ses accès d’autoritarisme lui valent une piteuse image dans des médias qui ne sont pas tendres avec lui.» Sócrates le leur rend bien : plusieurs journalistes de télé vedettes (Mário Crespo, Manuela Guedes…) ont dénoncé «la censure» exercée sur eux par le Premier ministre. Une commission d’éthique s’est mise en place en janvier pour éclaircir la question. «L’un des grands problèmes de Sócrates, c’est qu’il a perdu le soutien des élites, analyse José Manuel Fernandes, l’ancien patron de Público. On ne lui fait plus confiance, tout le monde a peur d’être trompé par ce personnage trouble et ambigu.»

Dans un sérail politique dominé par des doctores, ce socialiste sans titre prestigieux agace et rompt avec le statu quo. A la manière d’un Sarkozy portugais, Sócrates est un fonceur, un communicateur zélé qui a phagocyté son parti et personnalisé à l’extrême l’exercice du pouvoir. Autres similitudes : il ne craint pas de tailler dans le vif, supporte mal les critiques, perd facilement ses nerfs et cultive la perméabilité entre la sphère politique et celle des affaires - à l’instar de Jorge Coelho, un de ses proches, ancien ministre socialiste entré avec sa bénédiction dans le conseil d’administration du géant du BTP Mota-Engil.

A force de jouer avec le feu, José Sócrates se retrouve-t-il sur un siège éjectable, six mois seulement après sa difficile réélection (une courte majorité au Parlement) et alors que sa cote de popularité chute allègrement ? «A priori, tous les éléments l’accablent, explique Ricardo Costa, directeur adjoint de l’hebdo Expresso.Heureusement pour lui, les circonstances le protègent.» De l’avis général, le président de la République, Cavaco Silva, mentor du grand parti de la droite (PSD), n’a pas intérêt à convoquer des élections anticipées. Par souci de stabilité institutionnelle, et aussi parce qu’un scrutin aujourd’hui ne changerait sûrement pas beaucoup la donne. Jusqu’à janvier 2011, date de la présidentielle, Sócrates ne risque donc pas sa peau. Sauf si, bien sûr, la commission d’enquête parlementaire qui s’ouvre aujourd’hui exige sa démission.

sacrifices. Même s’il reste en place, tous lui pronostiquent toutefois un chemin de croix jusqu’à la fin 2010. Après avoir concédé des largesses sociales, Sócrates va devoir appliquer d’ici peu le plan d’austérité dicté par Bruxelles via des coupes claires dans les dépenses sociales (santé, indemnités chômage, subventions, accès au RMI…). «Depuis dix ans, le pouvoir exige que les Portugais fassent des sacrifices, explique Manuel Villaverde Cabral, le politologue. Je ne crois pas qu’ils supporteront plus longtemps.»

José Sócrates, pris entre l’enclume sociale et le marteau financier ? «Il est pieds et poings liés, renchérit José Manuel Fernandes. Le modèle industriel portugais, vieux de cinquante ans, est moribond, et rien ne le remplace. Le pays ne produit qu’entre 30 et 40% de ce qu’il consomme. La marge de manœuvre de Sócrates est très faible.»

Pourra-t-il rebondir ? Ricardo Costa, de l’Expresso, et d’autres observateurs en sont convaincus : «Ce type a plus de vies qu’un chat. Il est très dur, très résistant, il sait encaisser les coups. Une vraie bête politique qui sait sortir ses griffes lorsqu’il est le plus affaibli.»


Artigo do Libération.fr