sábado, junho 26, 2010
quinta-feira, junho 24, 2010
Avenida da Liberdade Junho de 2010
Os restaurantes estão cheios, passam Porsches, Ferraris e Maserattis, as lojas de luxo brilham de novas, os hotéis de 5 estrelas estão cheios. Não estou no Mónaco ou em Beverly Hills. Estou na Avenida da Liberdade em Lisboa.segunda-feira, junho 21, 2010
Cavaco e Saramago vs Presidente da República e Nobel da Literatura

Até aqui tudo bem...
O problema é que a pessoa Aníbal Cavaco Silva é o Presidente da República Portuguesa, e a pessoa José Saramago é um cidadão português laureado com o Prémio Nobel da Literatura.
Assim o caso já muda de figura... Porque considero inconcebível que o Presidente da República não esteja presente pessoalmente na última homenagem (com honras de estado, incluindo dois dias de luto nacional) a um Prémio Nobel do seu país!
Pessoalmente, também não ia muito à bola com a pessoa e com o escritor, mas reconheço o seu valor enquanto português que levou a sua língua-mãe e a sua terra natal para o mundo, de tal forma que foi considerado merecedor do Prémio mais importante que qualquer pessoa pode ganhar a nível mundial.
Por isso, esta polémica não é artificial: porque um homem pode não ir à bola com outro homem, mas o Presidente da República não pode deixar de estar presente no funeral do Prémio Nobel da Literatura.
domingo, junho 20, 2010
Eles não gostam de Saramago...
De facto, o céu e o inferno de Saramago são outros."(...) la reacción del Vaticano, que ayer dirigió desde las páginas de L'Osservatore Romano, su diario oficial, un furibundo ataque hacia el escritor, que sonó casi a celebración por su muerte. Saramago se había distinguido como uno de los intelectuales que más lúcidamente condenó los abusos cometidos en nombre de la religión. (...) Precisamente su posición ideológica motivó ayer un ataque duro desde el órgano oficial del Vaticano, L'Osservatore Romano, que no guardó ni siquiera la compostura ante la muerte. En un artículo firmado por Claudio Toscani titulado La omnipotencia (relativa) del narrador, subraya la "ideología antirreligiosa" de Saramago, a quien define como "un hombre y un intelectual de ninguna capacidad metafísica, (y que vivió) agarrado hasta el final a su pertinaz fe en el materialismo histórico, alias marxismo". Para añadir: "Se declaraba insomne por las cruzadas, o por la inquisición, olvidando el recuerdo de los gulags, de las purgas, de los genocidios, de los samizdat (panfletos de la Rusia soviética) culturales y religiosos". En resumen, escriben, se distinguió por "la banalización de lo sagrado" y "un materialismo libertario" radicalizado con los años." (citado daqui)
sábado, junho 19, 2010
sexta-feira, junho 18, 2010
Obituário
quarta-feira, junho 16, 2010
sexta-feira, junho 11, 2010

quinta-feira, junho 10, 2010
Krugman acusa a Europa de masoquismo
"Isto está a pôr-se feio. E os EUA têm de pensar numa forma de se distanciar deste masoquismo europeu", sublinha o Nobel. Krugman recupera o modelo Mundell-Fleming para sublinhar que a contracção orçamental de um país com taxas de câmbio flutuantes supõe na realidade uma contracção para o mundo no seu conjunto. O mesmo é dizer, explica, que "a debilidade do euro e a contracção orçamental na região estão a tornar-se num "problema global.
Citado de Diário Económico on-line. Clicar no título.
segunda-feira, junho 07, 2010
E agora?
sexta-feira, junho 04, 2010
9º ano? Para quê?

Porque é que não acabam com as escolas e se dão exames todos os anos aos meninos, desde o 1º até ao 12º e pronto?
quarta-feira, junho 02, 2010
A luta entre a PT e a Telefónica de Espanha pelo controlo do principal operador de telefones móveis do Brasil (Vivo) torna-se excitante, envolvendo alta finança, patriotismo e interesses venais (vitais?). A PT recusou uma primeira oferta de compra dos seus 50% na Vivo pela Telefónica. A Telefónica ameaçou com uma hipótese de compra hostil da própria PT (de recordar que a Telefónica tem já cerca de 10% das acções da PT: http://www.euronext.com/trader/summarizedmarket/stocks-2493-FR-PTPTC0AM0009.html?selectedMep=5). O Estado ameaçou com a sua "golden share", uma acção que lhe confere direito de veto. O Dr Ricardo Salgado (9.3% do capital da PT) armou-se em cavaleiro branco ao lado do governo. Um accionista estrangeiro - o fundo Brandes que tem quase 9.5% do capital da PT e cuja única pátria é o dinheiro - disse que a Telefónica não estava a oferecer o preço justo por 50% da Vivo. Vai daí a Telefónica subiu a parada e chegou aos 6500 milhões de euros. Os accionistas pararam para pensar... Afinal de contas, é mesmo muito dinheiro! O problema é o que fazer de tanto dinheiro: reinvestir aonde? distribuir aos accionistas? E o que resta do valor da PT após a venda da Vivo? Repare-se que o valor em bolsa da PT é hoje de 7700 milhões de euros. Ou seja, sem a Vivo ou sem uma alternativa de investimento à altura da Vivo, de preferência assegurando a manutenção de uma significativa internacionalização do grupo, a PT torna-se vulnerável a renovados ataques. E o Eng° Belmiro de Azevedo (com ou sem a ajuda da Telefónica e de bancos espanhóis - porque o dinheiro não tem pátria) estará seguramente à espreita depois da tentativa falhada de há alguns anos...
terça-feira, junho 01, 2010
TEMPO

Corre com tanta pressa que, quando nos ultrapassa, vemo-nos aflitos para o apanhar!
Eu gostava de conseguir ultrapassar o tempo... Descansar um pouco enquanto esperava que ele me alcançasse, que chegasse ao ponto mais dianteiro, onde eu estaria, calmamente e sem pressas... À espera do tempo apenas.
O problema é que nunca o ultrapasso... No máximo corro ao lado dele, na esperança que ele não me derrote!
Até ver, a corrida tem andado renhida.... Mas sabia bem uma pequena pausa para descansar, retomar o fôlego e admirar o caminho percorrido, sem medo de ser ultrapassada.
domingo, maio 30, 2010
Doença mental e poder
sexta-feira, maio 28, 2010
Robin Hood
Adorei o filme...
quarta-feira, maio 26, 2010
Bonitas palavras: reestruturação da dívida

Questão de confiança
Há aqui qualquer coisa que não encaixa...
E os nossos governantes andam em "roadshow" por Wall Street a tentar vender dívida portuguesa a investidores que compram mais factos do que histórias convincentes. Boa sorte a eles e a todos nós.
quinta-feira, maio 20, 2010
A realidade bloqueada a 1%-2%
Rendam-se. Contentem-se. Melhorem a vida apenas em 1%-2% por ano, enquanto não for possivel aumentar de forma sustentável essa taxa, para não andarem neste "stop and go" nem com o credo da boca todos os 10 ou 20 anos por causa da iminência da bancarrota e de apertos de cinto dolorosos com efeitos calamitosos sobre a distribuição da riqueza.
quarta-feira, maio 19, 2010
Mais do que uma simples opinião
Mas ele é americano e os americanos têm medo que o dólar deixe de ter a hegemonia que tem. Sem um dólar aceite por todo o mundo como moeda de reserva, os próprios americanos teriam de reduzir os salários, provavelmente em muito mais do que Krugman aconselha aos europeus do sul.
terça-feira, maio 18, 2010
Questões de casamento
domingo, maio 16, 2010
Domingo à noite
Chegou à Austrália uma rapariga de 16 anos que fez a volta ao mundo sózinha em barco à vela sem auxílio nem escala.
O Mourinho ganhou mais uma Taça.
O Passos Coelho diz que faz parte da cura mas não da doença.
O concurso para a Terceira Ponte sobre o Tejo foi cancelado mas já aí vem: coisa de umas semanas para "os mercados se acalmarem"... E os concorrentes pedem indemnizações ao governo por causa do cancelamento.
O Porto ganhou a Taça de Portugal... ao Chaves.
O Xanana Gusmão recebeu o Filipe Vieira com honras de chefe de Estado e declarou-se benfiquista (parecia bêbado, como sempre).
O Papa diz-se emocionado por haver tanta gente na Praça de S. Pedro a exprimir-se contra os ataques à Igreja, derivado à pedofilia, e sente-se emocionado por ter visto tanta gente também em Fátima.
Os sindicatos ameaçam com uma greve nacional contra as medidas do governo para reduzir o défice à custa dos desgraçados de sempre.
Aproxima-se o campeonato do mundo de futebol e começa-se a falar disso até chatear.
O euro desce para quase 1.2 dólares e o governador do Banco Central Europeu diz que esta é a pior crise da Europa desde a II Guerra Mundial. E vários economistas americanos, incluindo Stiglitz, o putativo esquerdista, dizem que o pior está para vir. E a Merkel até diz que a ajuda à Grécia serviu apenas para ganhar tempo... Tempo seguramente para apertar ainda mais o cinto.
E eu bebo uma chavena de chá verde à espera de mais uma semana.
quinta-feira, maio 13, 2010
terça-feira, maio 11, 2010
Constatação
Caramba... Este país é um paraíso... Quanta prosperidade, quanto lazer, quanta tranquilidade!
Pequena questão...
segunda-feira, maio 10, 2010
Ganha Portugal

É disto que a malta precisa contra a crise, os impostos, o desemprego, a dívida, os juros, as falências. Com coisas destas o ânimo regressa, encontramos energias onde menos se esperava, resistimos a Sócrates, comunistas e demagogos. Voltamos a rir e a chorar e a acreditar e a achar que somos os "maiores" e que a realidade não é tão impiedosa como parece. Choramos e gritamos de alegria, de esperança, de fé. Sabe deus de quê. Choramos e gritamos de nós, de uma alegria patética que é vento nas velas que nos empurram para a vida. Viva o Papa! Viva o SLB.quarta-feira, maio 05, 2010
Será que estamos a falar do mesmo país e da mesma situação?

Pois que o Sócrates é um arrogante pretensioso autista autocrático petulante já todos nós sabíamos... Que o Cavaco vive no país das maravilhas e prefere ficar no sofá a dormitar e a ver a Maria a fazer tricôt, também já era conhecido.
Mas estas duas notícias, hoje no Público Online são demais... Certo?
"Não devo interferir na governação", diz Cavaco Silva 
Primeiro-ministro mostra-se “muito confiante” com a evolução da economia portuguesa
segunda-feira, maio 03, 2010
Falando de coisas boas...

Sem grande interesse comprei uma rifa, só para ajudar uma comissão de carro para a Queima das Fitas do ano que vem, e não é que me sai um bilhete geral?
E por falar nisso, nesta e na próxima semana este blog estará em modo "vive esta Queima como se fosse a última, porque, desta vez, é mesmo a última!*"
domingo, maio 02, 2010
Um excelente artigo
José Sócrates, le Portugais ensablé
Rien ne va plus pour le Premier ministre socialiste, dont le nom est associé à des affaires de corruption sur fond de crise économique majeure.
Par FRANÇOIS MUSSEAU envoyé spécial à Lisbonne
Le Premier ministre portugais José Socrates, le 7 janvier 2010 à Paris (AFP Remy de la Mauviniere)
L’inimitié d’une bonne partie des médias, une crise politique qui tourne au blocage institutionnel, une situation sociale explosive, un fiasco économique obligeant à des mesures drastiques à court terme… Comme si cela n’était pas suffisant, le bouillant José Sócrates (mollement réélu aux législatives de septembre 2009) doit désormais affronter une fronde du Parlement qui pourrait le forcer à la démission ou amener sa famille socialiste à lui trouver un successeur à la tête du gouvernement. Aujourd’hui commencent à Lisbonne les travaux d’une commission d’enquête parlementaire qui, pour la première fois depuis la fin de la dictature de Salazar, implique directement un Premier ministre. Et va le contraindre à comparaître physiquement, au mieux par écrit. «Le Portugal est un bateau ivre dans lequel le capitaine est le plus suspect de tout l’équipage», a asséné un chroniqueur de la chaîne privée SIC.
D’après les économistes, de tous les pays européens au bord du «décrochage», le Portugal est certainement le maillon le plus faible. Plus encore que la Grèce, le petit pays ibérique souffre de maux structurels, d’exportations en berne, d’une dette extérieure record et d’un déficit public de 9,3%. Bruxelles attend de Lisbonne des mesures concrètes pour respecter le «plan d’austérité» auquel José Sócrates s’est engagé. Mais ces mesures, qui promettent d’être draconiennes, se font attendre… D’autant que José Sócrates est encore affaibli par ses problèmes politico-judiciaires.
«réformateur». Ce qui ressemble fort à un procès politique est lié à un supposé cas d’interventionnisme. Pendant deux mois, un groupe de députés tentera de faire la lumière sur le rôle qu’a joué José Sócrates dans la tentative du géant Portugal Telecom (PT, contrôlé par le gouvernement socialiste) de racheter la télévision TVI, hostile au pouvoir. Il s’agit en somme de savoir si le leader socialiste a manœuvré pour placer la chaîne sous son joug. En juin 2009, devant le Parlement, Sócrates avait solennellement assuré ne rien savoir de telles tractations. Si cette commission d’enquête, qui va auditionner des dizaines de témoins, fait la preuve que le Premier ministre a menti, les jours de celui qui promettait de «transformer le Portugal en profondeur» seront comptés.
«Alors qu’il a pu être une partie de la solution pour le pays, Sócrates est aujourd’hui une partie du problème», résume José Manuel Fernandes, ancien directeur du quotidien de référence Público, dont le départ tient à ses relations tendues avec le leader socialiste. Comme d’autres nombreux détracteurs, Fernandes reconnaît que le tonitruant Sócrates a été, au début de son premier mandat - de 2005 à 2007 -, un chef de gouvernement courageux, qui a ramené un gros déficit à 3% (aujourd’hui de nouveau autour de 10%), réformé le système des retraites (âge légal et temps de cotisation augmentés), accru les recettes fiscales, créé 150 000 emplois, fait le ménage au sein de la haute administration… «Un bon bilan de réformateur volontariste, qui a su contenir à sa gauche et rassurer à sa droite, dit le politologue Manuel Villaverde Cabral. Il a mis à la porte pas mal de gens dans les hautes sphères, qui sont aujourd’hui autant d’ennemis.» Mais, si José Sócrates est autant ébranlé, c’est aussi parce que son parcours est jalonné de zones d’ombres et d’agissements suspects.
Depuis ses premiers pas municipaux dans la région de Beira Baixa, à l’est du pays, il a été mêlé à une dizaine de scandales. Un diplôme d’ingénieur obtenu dans des conditions suspectes, des permis de construire douteux accordés au sein de la municipalité de Castelo Branco, l’affaire «Face occulte» (des écoutes téléphoniques le lient avec un homme d’affaire véreux ayant un quasi-monopole sur les friches industrielles)… Ou encore l’affaire «Freeport», une société britannique ayant installé un centre commercial à Alcochete, en banlieue de Lisbonne, sur un terrain protégé… grâce au feu vert de Sócrates, alors ministre de l’Environnement ! «En réalité, à chaque fois, il n’y a aucune preuve formelle, dit José Manuel Fernandes. Mais rien n’est vraiment clair avec lui.»
jeune loup. Energique et charismatique, doté d’une audace qui a électrisé une vie politique ankylosée, José Sócrates apparaît aussi comme un leader intransigeant, autoritaire et irascible, dont l’ambition dévorante en irrite plus d’un. «Son parcours, c’est celui d’un jeune loup sans idéologie, opportuniste, un pur produit d’appareil qui a escaladé les échelons la tête froide, le décrit Fernando Rosas, historien et député du Bloc de gauche. Il a toujours eu un côté borderline. Et puis ses accès d’autoritarisme lui valent une piteuse image dans des médias qui ne sont pas tendres avec lui.» Sócrates le leur rend bien : plusieurs journalistes de télé vedettes (Mário Crespo, Manuela Guedes…) ont dénoncé «la censure» exercée sur eux par le Premier ministre. Une commission d’éthique s’est mise en place en janvier pour éclaircir la question. «L’un des grands problèmes de Sócrates, c’est qu’il a perdu le soutien des élites, analyse José Manuel Fernandes, l’ancien patron de Público. On ne lui fait plus confiance, tout le monde a peur d’être trompé par ce personnage trouble et ambigu.»
Dans un sérail politique dominé par des doctores, ce socialiste sans titre prestigieux agace et rompt avec le statu quo. A la manière d’un Sarkozy portugais, Sócrates est un fonceur, un communicateur zélé qui a phagocyté son parti et personnalisé à l’extrême l’exercice du pouvoir. Autres similitudes : il ne craint pas de tailler dans le vif, supporte mal les critiques, perd facilement ses nerfs et cultive la perméabilité entre la sphère politique et celle des affaires - à l’instar de Jorge Coelho, un de ses proches, ancien ministre socialiste entré avec sa bénédiction dans le conseil d’administration du géant du BTP Mota-Engil.
A force de jouer avec le feu, José Sócrates se retrouve-t-il sur un siège éjectable, six mois seulement après sa difficile réélection (une courte majorité au Parlement) et alors que sa cote de popularité chute allègrement ? «A priori, tous les éléments l’accablent, explique Ricardo Costa, directeur adjoint de l’hebdo Expresso.Heureusement pour lui, les circonstances le protègent.» De l’avis général, le président de la République, Cavaco Silva, mentor du grand parti de la droite (PSD), n’a pas intérêt à convoquer des élections anticipées. Par souci de stabilité institutionnelle, et aussi parce qu’un scrutin aujourd’hui ne changerait sûrement pas beaucoup la donne. Jusqu’à janvier 2011, date de la présidentielle, Sócrates ne risque donc pas sa peau. Sauf si, bien sûr, la commission d’enquête parlementaire qui s’ouvre aujourd’hui exige sa démission.
sacrifices. Même s’il reste en place, tous lui pronostiquent toutefois un chemin de croix jusqu’à la fin 2010. Après avoir concédé des largesses sociales, Sócrates va devoir appliquer d’ici peu le plan d’austérité dicté par Bruxelles via des coupes claires dans les dépenses sociales (santé, indemnités chômage, subventions, accès au RMI…). «Depuis dix ans, le pouvoir exige que les Portugais fassent des sacrifices, explique Manuel Villaverde Cabral, le politologue. Je ne crois pas qu’ils supporteront plus longtemps.»
José Sócrates, pris entre l’enclume sociale et le marteau financier ? «Il est pieds et poings liés, renchérit José Manuel Fernandes. Le modèle industriel portugais, vieux de cinquante ans, est moribond, et rien ne le remplace. Le pays ne produit qu’entre 30 et 40% de ce qu’il consomme. La marge de manœuvre de Sócrates est très faible.»
Pourra-t-il rebondir ? Ricardo Costa, de l’Expresso, et d’autres observateurs en sont convaincus : «Ce type a plus de vies qu’un chat. Il est très dur, très résistant, il sait encaisser les coups. Une vraie bête politique qui sait sortir ses griffes lorsqu’il est le plus affaibli.»
Artigo do Libération.fr
sábado, maio 01, 2010
Economia de cordel
O endividamento foi estimulado pela descida acentuada das taxas de juro e pela ausência de risco de câmbio na sequência da nossa entrada no euro.
Essa dívida serviu para financiar coisas que não geraram suficiente rendimento, basicamente, consumo e investimento pouco rentável.
Agora, sem poupança que chegue para reembolsar a dívida, tem de se recorrer a nova dívida para pagar a dívida velha.
Mas, os credores só nos emprestam de novo se acharem que, no futuro, teremos capacidade de reduzir a dívida, ou seja, de a reembolsar com poupança.
Se tiverem dúvidas (como parecem ter as agências de rating), não emprestam ou emprestam a taxas de juro mais altas.
Mas, se não emprestarem ou emprestarem a taxas demasiado altas, estão a provocar um incumprimento de que sofrem os mesmos credores.
Podemos ser caloteiros, mas a seguir somos verdadeiramente forçados a viver unicamente com o que produzimos.
"Caloteiros" é uma palavra politicamente incorrecta para designar a situação em que nos encontrariamos se houvesse "reestruturação da dívida", ou seja, moratória, desconto ou perdão do serviço da dívida, etc.
Por isso, talvez seja melhor começar desde já a poupar para reduzir a dívida para níveis que a tornem sustentável, ou seja, refinanciável.
Mas, poupar quer dizer produzir mais e/ou gastar menos.
Dado o crescimento negativo (ou insignificante) da produção no curto e médio prazo, não resta outra hipótese senão cortar nas despesas, devendo começar-se por aquelas que geram menos produto.
E não se devem negligenciar os custos sociais e o impacto sobre a distribuição do rendimento dessas medidas.
Ideal seria aumentar o crescimento potencial da produção. Assim, poderiamos gerar poupança sem cortar (excessivamente) na despesa.
Mas, crescimento da produção quer dizer produtividade, mão-de-obra qualificada, capacidade para vender ao estrangeiro, etc - essas coisas estruturais que não se mudam há anos e que não mudarão com uma varinha mágica...
É mais fácil mudar de governo do que de povo.
E há cada vez mais povo a contribuir para resolver o problema... com os pés, isto é, emigrando.
Talvez não mandem é tantas remessas como faziam os emigrantes da vaga dos anos 1960.
Até porque são muitos os que têm qualificações médias ou superiores...
Se se fossem embora e mandassem o dinheiro, ajudariam a reembolsar a dívida, o que seria óptimo!
PS:
Estou a supor que nos mantemos no euro e que, portanto, uma desvalorização da moeda não poderá ser utilizada para melhorar a nossa posição relativa face ao exterior.
Outra hipótese (que poderia ser também provocada pela desvalorização) seria a inflação, desde que as receitas nominais dos devedores crescessem mais do que o que têm a pagar, também em termos nominais.
Outra hipótese ainda seria vender os anéis, isto é, pagar a dívida através da cedência aos credores externos de património nacional, por exemplo, através de privatizações.





