domingo, maio 30, 2010

Doença mental e poder

Eu acho que o poder está ocupado por malucos. Refiro-me ao poder em geral e ao poder existente neste preciso momento em Portugal. Não falo de maluquice em abstracto para designar más decisões, incompetência ou falta de ética. Falo de doenças mentais, de verdadeiras patologias. Eu não sou psicólogo e portanto podem-me acusar de leviandade na abordagem do tema. Não tenho sequer uma lista com as diferentes tipologias de doença mental, mas tenho a certeza de que são malucos porque exprimem tiques e manias que só podem ser do foro patológico. Sob reserva de melhor opinião da Melga do lado (que de Psicologia entende) não será dificil identificar doses desmesuradas de narcisismo, megalomania, problemas de auto-estima e de auto-confiança, alucinações, mania da perseguição, egocentrismo, etc, etc. E depois tomam decisões com impacto sobre milhões de pessoas possuidos pelos sintomas devastadores de tanto mal-estar. E não há ninguém que lhes sugira umas consultas de psiquiatria que poderiam desembocar em terapias eficazes, porventura sem necessidade de internamento. Da cura resultaria um bem tremendo para os cidadãos porque teriam esses homens e mulheres no seu melhor (que alguma bondade têm, seguramente) sem as consequências nefastas das suas atrozes maleitas.

sexta-feira, maio 28, 2010

Robin Hood

Rise, and rise again. Until lambs become lions.


Adorei o filme...

Sobretudo porque me fez pensar que noções como "Liberdade", "Justiça", "Igualdade" e "Honra" são, ainda, nos dias de hoje, concepções vanguardistas e, muitas vezes, incompreensíveis para quem tem ânsia/cegueira de poder!

quarta-feira, maio 26, 2010

Bonitas palavras: reestruturação da dívida


Robert Mundell, Prémio Nobel da Economia [que tive o prazer de estudar nos anos longínquos de 1979-1984], defende que a reestruturação da dívida poderá ser "inevitável" para um ou dois países do euro nos próximos cinco anos. "Dentro de cinco anos isso poderá ser inevitável, mas não significa a desconstrução do euro, apenas significa uma reestruturação da dívida", sustentou o economista canadiano, numa conferência em Varsóvia, na Polónia. Robert Mundell, galardoado com o Nobel da Economia em 1999, defende que a Europa necessita de uma maior centralização fiscal, nomeadamente através da criação de bilhetes e obrigações do Tesouro da zona euro. "O euro tem tido um desempenho maravilhoso nos seus 10 anos de existência, mas está neste momento a operar com uma das mãos amarradas atrás das costas", considera o economista, para quem "não existem títulos de dívida como os dos Estados Unidos, mas a sua criação na união monetária iria impulsionar bastante o euro como moeda de reserva". (citado de Diario Económico on-line)
A propósito de reestruturação da dívida eu sugeria, entre várias hipóteses:
(a) emissão da chamada dívida perpétua (equivalente a quasi-equity), ou seja: o capital pode não ser reembolsado, mas os juros continuam a cobrar-se até data indefinida;
(b) emissão de "performance-linked bonds", ou seja: obrigações que são reembolsadas e remuneradas como e quando determinados indicadores de performance macroeconómica são atingidos.

Questão de confiança

Um diz que estamos a ir contra um muro, o outro diz que a situação é difícil, mas que não estamos assim tão mal - estou a falar de Presidentes de dois dos maiores bancos portugueses. A imprensa diz que os bancos emprestam cada vez menos uns aos outros porque desconfiam da saúde financeira dos semelhantes. E acrescenta-se que não se pode pedir emprestado lá fora porque as taxas são proibitivas e que, portanto, é preciso recorrer cada vez mais aos depósitos dos portugueses (e ao crédito a curto prazo do Banco Central Europeu).

Há aqui qualquer coisa que não encaixa...

E os nossos governantes andam em "roadshow" por Wall Street a tentar vender dívida portuguesa a investidores que compram mais factos do que histórias convincentes. Boa sorte a eles e a todos nós.

quinta-feira, maio 20, 2010

A realidade bloqueada a 1%-2%

Deixem-me pôr a coisa nos seguintes termos: dados os recursos naturais, humanos e técnicos de que dispõe, Portugal pode crescer no máximo a uma taxa da ordem de 1%-2% por ano em termos reais. Chamemos-lhe taxa potencial de crescimento do PIB. Naturalmente, esse valor teórico pode e deve aumentar a médio/longo prazo, através de mudanças estruturais que conduzam a um aumento dos recursos e/ou a uma melhoria da sua produtividade. Ora, o que acontece é que certos políticos, putativamente iluminados, voluntaristas e optimistas em relação às capacidades dos portugueses, querem puxar o crescimento para cima desse valor tendencial, apesar das referidas mudanças estruturais não acontecerem. É possivel esticar a economia temporariamente acima do que pode dar através de dívida, de subsídios ou de outras escapatórias do género. Mas, isso apenas cria ou amplifica ciclos: à euforia segue-se inevitavelmente a terapia de choque. A economia torna-se bipolar, mantendo-se o trend inexoravelmente nos 1%-2% por ano.

Rendam-se. Contentem-se. Melhorem a vida apenas em 1%-2% por ano, enquanto não for possivel aumentar de forma sustentável essa taxa, para não andarem neste "stop and go" nem com o credo da boca todos os 10 ou 20 anos por causa da iminência da bancarrota e de apertos de cinto dolorosos com efeitos calamitosos sobre a distribuição da riqueza.

quarta-feira, maio 19, 2010

Mais do que uma simples opinião

Os países periféricos da zona euro, como Portugal, Grécia e a Espanha, precisam de passar por uma redução relativa dos seus salários, face aos parceiros do centro da Europa, situada entre 20 e 30 por cento, defendeu ontem o economista norte-americano Paul Krugman."Com uma moeda única, o ajustamento a choques assimétricos exige ajustamentos nos salários relativos - e como as nações da periferia da Europa foram da expansão à recessão, o seu ajustamento tem de ser feito para baixo", explica o prémio Nobel no seu blogue, concluindo depois que "os salários na periferia precisam de cair entre 20 e 30 por cento face à Alemanha" para poderem recuperar a competitividade. Krugman alerta ainda que uma correcção desse tipo é de aplicação extremamente difícil, talvez mesmo impossível, uma vez que exige uma flexibilidade nos mercados de trabalho que "ninguém tem". Exemplos de austeridade extremos como o da Letónia não conseguiram reduções desse tipo. E é por isso que, mais uma vez, mostra o seu pessimismo em relação ao projecto do euro. "Se o euro não funciona sem flexibilidade nos salários nominais, então a verdade é que isso significa que não funciona mesmo", diz.

Mas ele é americano e os americanos têm medo que o dólar deixe de ter a hegemonia que tem. Sem um dólar aceite por todo o mundo como moeda de reserva, os próprios americanos teriam de reduzir os salários, provavelmente em muito mais do que Krugman aconselha aos europeus do sul.

terça-feira, maio 18, 2010

Questões de casamento

O Presidente promulgou o decreto autorizando o CASAMENTO de homosexuais. Disse-o perante as câmaras da TV ontem à noite, como quem engolia um sapo. Parece que o problema dele (e dos partidos da direita) é apenas semântico. Isto é, se se chamasse àquilo outra coisa que não CASAMENTO, não haveria problema? Deve estar a faltar-me alguma coisa... O Tribunal Constitucional não confirmou a legalidade da lei? Seja como for, o que quero é que sejam felizes e que passem ao capítulo seguinte que é o das reais dificuldades do país. Com o devido respeito por gays e lésbicas e pese embora o "progresso civilizacional" (Vitalino Canas do PS dixit) derivado à nova lei.

domingo, maio 16, 2010

Domingo à noite

Morreu Saldanha Sanches, o camarada Saldanha Sanches, o fiscalista eminente, casado com Maria José Morgado.
Chegou à Austrália uma rapariga de 16 anos que fez a volta ao mundo sózinha em barco à vela sem auxílio nem escala.
O Mourinho ganhou mais uma Taça.
O Passos Coelho diz que faz parte da cura mas não da doença.
O concurso para a Terceira Ponte sobre o Tejo foi cancelado mas já aí vem: coisa de umas semanas para "os mercados se acalmarem"... E os concorrentes pedem indemnizações ao governo por causa do cancelamento.
O Porto ganhou a Taça de Portugal... ao Chaves.
O Xanana Gusmão recebeu o Filipe Vieira com honras de chefe de Estado e declarou-se benfiquista (parecia bêbado, como sempre).
O Papa diz-se emocionado por haver tanta gente na Praça de S. Pedro a exprimir-se contra os ataques à Igreja, derivado à pedofilia, e sente-se emocionado por ter visto tanta gente também em Fátima.
Os sindicatos ameaçam com uma greve nacional contra as medidas do governo para reduzir o défice à custa dos desgraçados de sempre.
Aproxima-se o campeonato do mundo de futebol e começa-se a falar disso até chatear.
O euro desce para quase 1.2 dólares e o governador do Banco Central Europeu diz que esta é a pior crise da Europa desde a II Guerra Mundial. E vários economistas americanos, incluindo Stiglitz, o putativo esquerdista, dizem que o pior está para vir. E a Merkel até diz que a ajuda à Grécia serviu apenas para ganhar tempo... Tempo seguramente para apertar ainda mais o cinto.
E eu bebo uma chavena de chá verde à espera de mais uma semana.

terça-feira, maio 11, 2010

Constatação

Depois de UMA HORA E MEIA de Papa, as notícias que se seguem são de quê? .... [Suspense] ... Os 24 convocados do Carlos Queirós!!!


Caramba... Este país é um paraíso... Quanta prosperidade, quanto lazer, quanta tranquilidade!

Pequena questão...

Porque é que durante toda a tarde os canais generalistas portugueses não passaram mais nada senão o Papa? Se um deles tivesse sido "original" e não tivesse transmitido os passeios de Bento XVI (o avião em que chegou, o que/com quem/onde almoçou, o que vestiu na missa.., etc, etc, etc.) talvez tivesse tido uma audiência bastante boa...

segunda-feira, maio 10, 2010

Ganha Portugal


É disto que a malta precisa contra a crise, os impostos, o desemprego, a dívida, os juros, as falências. Com coisas destas o ânimo regressa, encontramos energias onde menos se esperava, resistimos a Sócrates, comunistas e demagogos. Voltamos a rir e a chorar e a acreditar e a achar que somos os "maiores" e que a realidade não é tão impiedosa como parece. Choramos e gritamos de alegria, de esperança, de fé. Sabe deus de quê. Choramos e gritamos de nós, de uma alegria patética que é vento nas velas que nos empurram para a vida. Viva o Papa! Viva o SLB.

quarta-feira, maio 05, 2010

Será que estamos a falar do mesmo país e da mesma situação?


Pois que o Sócrates é um arrogante pretensioso autista autocrático petulante já todos nós sabíamos... Que o Cavaco vive no país das maravilhas e prefere ficar no sofá a dormitar e a ver a Maria a fazer tricôt, também já era conhecido.

Mas estas duas notícias, hoje no Público Online são demais... Certo?

"Não devo interferir na governação", diz Cavaco Silva


Primeiro-ministro mostra-se “muito confiante” com a evolução da economia portuguesa

segunda-feira, maio 03, 2010

Falando de coisas boas...


E no meio do stress e das neuras, hoje a sorte deu-me um motivo para sorrir.

Sem grande interesse comprei uma rifa, só para ajudar uma comissão de carro para a Queima das Fitas do ano que vem, e não é que me sai um bilhete geral?

E por falar nisso, nesta e na próxima semana este blog estará em modo "vive esta Queima como se fosse a última, porque, desta vez, é mesmo a última!*"




*enquanto estudante, claro!

domingo, maio 02, 2010

Um excelente artigo

José Sócrates, le Portugais ensablé

Rien ne va plus pour le Premier ministre socialiste, dont le nom est associé à des affaires de corruption sur fond de crise économique majeure.

Par FRANÇOIS MUSSEAU envoyé spécial à Lisbonne

Le Premier ministre portugais José Socrates, le 7  janvier 2010 à Paris

Le Premier ministre portugais José Socrates, le 7 janvier 2010 à Paris (AFP Remy de la Mauviniere)

L’inimitié d’une bonne partie des médias, une crise politique qui tourne au blocage institutionnel, une situation sociale explosive, un fiasco économique obligeant à des mesures drastiques à court terme… Comme si cela n’était pas suffisant, le bouillant José Sócrates (mollement réélu aux législatives de septembre 2009) doit désormais affronter une fronde du Parlement qui pourrait le forcer à la démission ou amener sa famille socialiste à lui trouver un successeur à la tête du gouvernement. Aujourd’hui commencent à Lisbonne les travaux d’une commission d’enquête parlementaire qui, pour la première fois depuis la fin de la dictature de Salazar, implique directement un Premier ministre. Et va le contraindre à comparaître physiquement, au mieux par écrit. «Le Portugal est un bateau ivre dans lequel le capitaine est le plus suspect de tout l’équipage», a asséné un chroniqueur de la chaîne privée SIC.

D’après les économistes, de tous les pays européens au bord du «décrochage», le Portugal est certainement le maillon le plus faible. Plus encore que la Grèce, le petit pays ibérique souffre de maux structurels, d’exportations en berne, d’une dette extérieure record et d’un déficit public de 9,3%. Bruxelles attend de Lisbonne des mesures concrètes pour respecter le «plan d’austérité» auquel José Sócrates s’est engagé. Mais ces mesures, qui promettent d’être draconiennes, se font attendre… D’autant que José Sócrates est encore affaibli par ses problèmes politico-judiciaires.

«réformateur». Ce qui ressemble fort à un procès politique est lié à un supposé cas d’interventionnisme. Pendant deux mois, un groupe de députés tentera de faire la lumière sur le rôle qu’a joué José Sócrates dans la tentative du géant Portugal Telecom (PT, contrôlé par le gouvernement socialiste) de racheter la télévision TVI, hostile au pouvoir. Il s’agit en somme de savoir si le leader socialiste a manœuvré pour placer la chaîne sous son joug. En juin 2009, devant le Parlement, Sócrates avait solennellement assuré ne rien savoir de telles tractations. Si cette commission d’enquête, qui va auditionner des dizaines de témoins, fait la preuve que le Premier ministre a menti, les jours de celui qui promettait de «transformer le Portugal en profondeur» seront comptés.

«Alors qu’il a pu être une partie de la solution pour le pays, Sócrates est aujourd’hui une partie du problème», résume José Manuel Fernandes, ancien directeur du quotidien de référence Público, dont le départ tient à ses relations tendues avec le leader socialiste. Comme d’autres nombreux détracteurs, Fernandes reconnaît que le tonitruant Sócrates a été, au début de son premier mandat - de 2005 à 2007 -, un chef de gouvernement courageux, qui a ramené un gros déficit à 3% (aujourd’hui de nouveau autour de 10%), réformé le système des retraites (âge légal et temps de cotisation augmentés), accru les recettes fiscales, créé 150 000 emplois, fait le ménage au sein de la haute administration… «Un bon bilan de réformateur volontariste, qui a su contenir à sa gauche et rassurer à sa droite, dit le politologue Manuel Villaverde Cabral. Il a mis à la porte pas mal de gens dans les hautes sphères, qui sont aujourd’hui autant d’ennemis.» Mais, si José Sócrates est autant ébranlé, c’est aussi parce que son parcours est jalonné de zones d’ombres et d’agissements suspects.

Depuis ses premiers pas municipaux dans la région de Beira Baixa, à l’est du pays, il a été mêlé à une dizaine de scandales. Un diplôme d’ingénieur obtenu dans des conditions suspectes, des permis de construire douteux accordés au sein de la municipalité de Castelo Branco, l’affaire «Face occulte» (des écoutes téléphoniques le lient avec un homme d’affaire véreux ayant un quasi-monopole sur les friches industrielles)… Ou encore l’affaire «Freeport», une société britannique ayant installé un centre commercial à Alcochete, en banlieue de Lisbonne, sur un terrain protégé… grâce au feu vert de Sócrates, alors ministre de l’Environnement ! «En réalité, à chaque fois, il n’y a aucune preuve formelle, dit José Manuel Fernandes. Mais rien n’est vraiment clair avec lui.»

jeune loup. Energique et charismatique, doté d’une audace qui a électrisé une vie politique ankylosée, José Sócrates apparaît aussi comme un leader intransigeant, autoritaire et irascible, dont l’ambition dévorante en irrite plus d’un. «Son parcours, c’est celui d’un jeune loup sans idéologie, opportuniste, un pur produit d’appareil qui a escaladé les échelons la tête froide, le décrit Fernando Rosas, historien et député du Bloc de gauche. Il a toujours eu un côté borderline. Et puis ses accès d’autoritarisme lui valent une piteuse image dans des médias qui ne sont pas tendres avec lui.» Sócrates le leur rend bien : plusieurs journalistes de télé vedettes (Mário Crespo, Manuela Guedes…) ont dénoncé «la censure» exercée sur eux par le Premier ministre. Une commission d’éthique s’est mise en place en janvier pour éclaircir la question. «L’un des grands problèmes de Sócrates, c’est qu’il a perdu le soutien des élites, analyse José Manuel Fernandes, l’ancien patron de Público. On ne lui fait plus confiance, tout le monde a peur d’être trompé par ce personnage trouble et ambigu.»

Dans un sérail politique dominé par des doctores, ce socialiste sans titre prestigieux agace et rompt avec le statu quo. A la manière d’un Sarkozy portugais, Sócrates est un fonceur, un communicateur zélé qui a phagocyté son parti et personnalisé à l’extrême l’exercice du pouvoir. Autres similitudes : il ne craint pas de tailler dans le vif, supporte mal les critiques, perd facilement ses nerfs et cultive la perméabilité entre la sphère politique et celle des affaires - à l’instar de Jorge Coelho, un de ses proches, ancien ministre socialiste entré avec sa bénédiction dans le conseil d’administration du géant du BTP Mota-Engil.

A force de jouer avec le feu, José Sócrates se retrouve-t-il sur un siège éjectable, six mois seulement après sa difficile réélection (une courte majorité au Parlement) et alors que sa cote de popularité chute allègrement ? «A priori, tous les éléments l’accablent, explique Ricardo Costa, directeur adjoint de l’hebdo Expresso.Heureusement pour lui, les circonstances le protègent.» De l’avis général, le président de la République, Cavaco Silva, mentor du grand parti de la droite (PSD), n’a pas intérêt à convoquer des élections anticipées. Par souci de stabilité institutionnelle, et aussi parce qu’un scrutin aujourd’hui ne changerait sûrement pas beaucoup la donne. Jusqu’à janvier 2011, date de la présidentielle, Sócrates ne risque donc pas sa peau. Sauf si, bien sûr, la commission d’enquête parlementaire qui s’ouvre aujourd’hui exige sa démission.

sacrifices. Même s’il reste en place, tous lui pronostiquent toutefois un chemin de croix jusqu’à la fin 2010. Après avoir concédé des largesses sociales, Sócrates va devoir appliquer d’ici peu le plan d’austérité dicté par Bruxelles via des coupes claires dans les dépenses sociales (santé, indemnités chômage, subventions, accès au RMI…). «Depuis dix ans, le pouvoir exige que les Portugais fassent des sacrifices, explique Manuel Villaverde Cabral, le politologue. Je ne crois pas qu’ils supporteront plus longtemps.»

José Sócrates, pris entre l’enclume sociale et le marteau financier ? «Il est pieds et poings liés, renchérit José Manuel Fernandes. Le modèle industriel portugais, vieux de cinquante ans, est moribond, et rien ne le remplace. Le pays ne produit qu’entre 30 et 40% de ce qu’il consomme. La marge de manœuvre de Sócrates est très faible.»

Pourra-t-il rebondir ? Ricardo Costa, de l’Expresso, et d’autres observateurs en sont convaincus : «Ce type a plus de vies qu’un chat. Il est très dur, très résistant, il sait encaisser les coups. Une vraie bête politique qui sait sortir ses griffes lorsqu’il est le plus affaibli.»


Artigo do Libération.fr

sábado, maio 01, 2010

Economia de cordel

Gastou-se muito mais do que se produziu, o que só foi possível com dívida (ou com subsídios, mas esses, graças a deus, não se devem devolver...), ou seja, com importação de poupança.
O endividamento foi estimulado pela descida acentuada das taxas de juro e pela ausência de risco de câmbio na sequência da nossa entrada no euro.
Essa dívida serviu para financiar coisas que não geraram suficiente rendimento, basicamente, consumo e investimento pouco rentável.
Agora, sem poupança que chegue para reembolsar a dívida, tem de se recorrer a nova dívida para pagar a dívida velha.
Mas, os credores só nos emprestam de novo se acharem que, no futuro, teremos capacidade de reduzir a dívida, ou seja, de a reembolsar com poupança.
Se tiverem dúvidas (como parecem ter as agências de rating), não emprestam ou emprestam a taxas de juro mais altas.
Mas, se não emprestarem ou emprestarem a taxas demasiado altas, estão a provocar um incumprimento de que sofrem os mesmos credores.
Podemos ser caloteiros, mas a seguir somos verdadeiramente forçados a viver unicamente com o que produzimos.
"Caloteiros" é uma palavra politicamente incorrecta para designar a situação em que nos encontrariamos se houvesse "reestruturação da dívida", ou seja, moratória, desconto ou perdão do serviço da dívida, etc.
Por isso, talvez seja melhor começar desde já a poupar para reduzir a dívida para níveis que a tornem sustentável, ou seja, refinanciável.
Mas, poupar quer dizer produzir mais e/ou gastar menos.
Dado o crescimento negativo (ou insignificante) da produção no curto e médio prazo, não resta outra hipótese senão cortar nas despesas, devendo começar-se por aquelas que geram menos produto.
E não se devem negligenciar os custos sociais e o impacto sobre a distribuição do rendimento dessas medidas.
Ideal seria aumentar o crescimento potencial da produção. Assim, poderiamos gerar poupança sem cortar (excessivamente) na despesa.
Mas, crescimento da produção quer dizer produtividade, mão-de-obra qualificada, capacidade para vender ao estrangeiro, etc - essas coisas estruturais que não se mudam há anos e que não mudarão com uma varinha mágica...

É mais fácil mudar de governo do que de povo.
E há cada vez mais povo a contribuir para resolver o problema... com os pés, isto é, emigrando.
Talvez não mandem é tantas remessas como faziam os emigrantes da vaga dos anos 1960.
Até porque são muitos os que têm qualificações médias ou superiores...
Se se fossem embora e mandassem o dinheiro, ajudariam a reembolsar a dívida, o que seria óptimo!

PS:
Estou a supor que nos mantemos no euro e que, portanto, uma desvalorização da moeda não poderá ser utilizada para melhorar a nossa posição relativa face ao exterior.
Outra hipótese (que poderia ser também provocada pela desvalorização) seria a inflação, desde que as receitas nominais dos devedores crescessem mais do que o que têm a pagar, também em termos nominais.
Outra hipótese ainda seria vender os anéis, isto é, pagar a dívida através da cedência aos credores externos de património nacional, por exemplo, através de privatizações.

quinta-feira, abril 29, 2010

"Manifesto"


Perante o nojo em que esta sociedadezinha se tornou, perante a pestilência dos conformados bolorentos que aceitam a corrupção como se fosse um mandamento divino, perante a inversão de tudo (princípios, prioridades e critérios), sinto-me, muitas vezes, tentada pelo cinismo!

É tão fácil ser cínica perante os constantes atropelos ao mérito, à competência e ao valor a que assisto. Posso passar a ser cáustica, crítica, cínica, passar a falar na linguagem da ironia e do sarcasmo.

O problema é que o cinismo não resolve nada!

Prefiro não o fazer... Prefiro acreditar que poderei fazer frente a esta lixeira toda! (ou pelo menos à parte dela que me tenta contaminar) - Prefiro agir e mostrar que, pelo mérito e pela competência, é possível obter respeito... Não apenas pelas cunhas, pelo "pseudo-poderzinho" de quem nunca atingiu nada na vida pelo seu próprio valor (que, sejamos honestos, nem sempre abunda) mas acha que pode comandar os destinos dos outros.

Sobretudo, espero que os espectáculos tristes a que tenho assistido ultimamente não me turvem a visão e não façam de mim uma pessoa revoltada e pessimista!

Fazer frente ao lixo da sociedade? - Concerteza que me esforçarei por fazer...

Nunca me conformar perante o que está erradamente instituído? - Sem dúvida que tentarei...

Mas pessimista, revoltada e amargurada... isso, por mais difícil que possa parecer, recusar-me-hei a ser!

domingo, abril 25, 2010

Grande Académica

Ganharam 3-1 em Matosinhos a outro aflito (Leixões) e safaram-se da descida. Óptimo!

Infelizmente, o 25 de Abril é, cada vez mais, um dia triste.

25 de Abril

Esta data faz-me pena. Porque os ideais e as emoções que lhe estão associados estão cada vez mais pálidos e obsoletos. Porque há pessoas que se lhe referem como se fosse uma espécie de 5 de Outubro apenas algo mais recente. Porque os seus protagonistas são apresentados como espécies raras, eventualmente de estimação. Porque quem ousa exprimir alguma vibração a propósito dessa data é olhado com surpresa ou etiquetado como saudosista. Há quem diga com alguma razão que a falta de excitação em torno dessa data ou mesmo o seu esquecimento são sintomas do sucesso da Revolução. Porque muita coisa mudou no bom sentido, mas o sonho desapareceu, a generosidade é um mito e a solidariedade motivo de folclore ou de elogios de coisa excepcional (porque é). Cada um se desenrasca em perfeita normalidade democrática e usufruindo de uma liberdade formal que é sobretudo a liberdade de ser pobre, astucioso ou resignado.

Por isso tenho pena...

O que é, afinal, a experiência?


Para todos os que ainda não têm a dita "experiência" que as entidades empregadoras pedem e sem a qual não entram em lado nenhum e que não sabem lá muito bem como a conseguir, parece-me que esta poderá ser uma excelente referência. Porque, afinal, experiência não é só pôr em prática conhecimentos técnicos... Acredito que a experiência é, também e sobretudo, ter a sabedoria e flexibilidade para saber reagir a novas situações.

O texto que se segue foi-me enviado por e-mail:

Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, ja fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.

Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.


Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo caminhando pelo desconhecido.


Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.


Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.


Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada.


Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.


Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.


Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já tomei whisky até sentir os meus lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.


Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar.


Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.


Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.


Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...


Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"


Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência.... "Experiência..."

Será que cultivar sorrisos é experiência?


Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário: " - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"

sábado, abril 24, 2010

O regresso do passado em Espanha

Dêem uma olhada ao que se está a passar em Espanha neste momento com o juiz Baltasar Garzón. Paladino da luta contra a corrupção, ele tentou recentemente defender vítimas dos franquistas que cometeram crimes durante e depois da Guerra Civil. Agora está a ser julgado pelo crime de transgressão da Lei da Amnistia. Esta Lei, aprovada em 1977 quando Adolfo Suarez era Primero-ministro, foi concebida como um instrumento de pacificação da sociedade espanhola, permitindo a transição para a democracia. Na prática, baseava-se no perdão de crimes cometidos durante o período anterior à queda do Caudillo. Uma espécie de branqueamento de personagens que assim puderam suavemente encontrar o seu lugar ao sol no novo regime, por vezes nas esferas mais altas do poder, sob a bandeira do PP. Muita gente de esquerda considera que uma parte do que (de mal) se passa na sociedade espanhola, se deve à influência que o franquismo nunca deixou de exercer. Mas o processo de Garzón faz levantar velhos demónios que dividem os espanhóis e que parecem inscrever-se na memória colectiva mais do que em experiências vividas, dadas as manifestações e debates em curso em Espanha neste preciso momento, mobilizando pessoas de todos os credos e gerações. Enterrar traumas debaixo da carpete de um aparente esquecimento não os resolve. Pode, pelo contrário, fazer com que se levantem, em circunstâncias propícias, mais eloquentes do que nunca.

Acts of God...

A doença das vacas loucas, a gripe A, o vulcão da Islândia demonstram que há mais conhecimento e instrumentos de medida de fenómenos naturais que podem ter um grande impacto sobre a vida de milhões de pessoas. Mas demonstram também que existem organizações nacionais e internacionais, com escassa coordenação entre elas, que adoptam uma atitude (cómoda) de "risco zero", de que resultam prejuizos e benefícios (veja-se o caso da indústria farmacêutica) para determinados sectores da população e da economia, globalmente injustificados e injustos. Quero crer que os decisores políticos seguem as recomendações de técnicos competentes e independentes, mas parecem fazê-lo de forma cega e incondicional, provavelmente, sem proceder a uma análise mais vasta do binómio risco-benefício. Compreendo que tsunamis, furacões e sismos recentes tenham deixado um rasto de destruição enorme e que, nalguns desses casos, melhor prevenção e acção mais célere poderiam talvez ter mitigado os efeitos. De qualquer maneira, pelo menos uma melhor coordenação entre os vários gestores dessas crises poderia aperfeiçoar e equilibrar as respostas.

Depois, há a reparação dos danos a que normalmente se subtraem as companhias de seguros por tratar-se de eventos de "force majeure" ou "acts of God", expressões deliciosas para fazer a distinção entre risco e incerteza. As seguradoras tendem a cobrir somente o primeiro. Para a segunda, mais uma vez, estende-se a mão aos poderes publicos que é o mesmo que dizer ao dinheiro dos contribuintes. Não me escandaliza nesses casos de "acts of God". O que é mais discutível e injusto é a utilização desse dinheiro para remediar "acts of men", ou melhor: "acts of imprudent, incompetent or corrupt men", sob pretexto da mitigação de "riscos sistémicos" que nada têm de natural.

É a vida

Pessoas que prezam sobretudo a liberdade individual, que são avessas ao risco e que tiveram grandes decepções na vida têm maior probabilidade de ficar sózinhas. E tendem a aconchegar-se na solidão e a arranjar companhias parciais e temporárias que não deixam de ser importantes (convenientes) para enfrentar as agruras da vida e para interromper saudavelmente a solidáo. Em muitos casos trata-se de amigos. E ainda bem. Mas, fica alguma coisa a faltar e levanta-se uma melancolia nos olhos que vai ficando pegajosa. E teimosia e um esforço patético para legitimar as próprias razões (faz-me lembrar o filme de 1997 "As good as it gets" com Jack Nicholson e Helen Hunt...).

Assim sendo, nestas coisas não há leis ou regras gerais: cada criatura é um caso com histórias que não se repetem. Toda a tentativa de teorizar é condenada ao fracasso. "Cada cabeça sua sentença", "cada macaco no seu galho" e "quem bem faz a cama bem se deita nela", pelo que, mais uma vez, prova-se que a sabedoria popular é imbatível.

quarta-feira, abril 21, 2010

Uma doutora muito pequenina


Hoje sinto-me pequenina...

Eu, finalista, estagiária, a terminar uma tese de mestrado... Eu, a quem já alguns chamam "stôra", "sôtora" ou, simplesmente, "doutora"!

Hoje sinto-me como se estivesse na véspera de uma daquelas sessões do coliseu, na Roma antiga, prestes a ser "atirada às feras"!

Sinto-me orgulhosa do meu trabalho e sei exactamente o que dizer.... Mas isso não significa que não me sinta que nem uma criancinha a caminho de algo que, claramente, não parece ser para a sua singela idade.

Enfim, sinto-me como uma doutora muito muito pequenina.


Nos próximos dois dias estarei por aqui.
(Felizmente, na 6ª já estarei muito mais descansada que amanhã...)

domingo, abril 18, 2010

Mais uma gripe A?...

Quero acreditar que o que se tem passado com o transporte aéreo na Europa nos últimos dias não seja uma espécie de gripe A da aviação e que quem decide a supressão dos vôos o faça com base em dados técnicos sérios e fiáveis e tendo em conta os riscos excepcionais provocados pelas cinzas do vulcão, mas também os prejuizos colossais que se estão a causar a companhias de aviação, aeroportos, hotéis, agências de viagem, outras empresas, governos, cidadãos bloqueados um pouco por todo o lado, sem saber quando regressam ao trabalho, à escola ou simplesmente a casa.

Mário Soares


Esta é a prova de que o homem, definitivamente, ficou (ainda mais) "ché-ché"!

«O ex-Presidente da República Mário Soares defendeu hoje que Cabo Verde "não deveria ter sido independente" e que o arquipélago "teria muito a ganhar" em ter evitado a separação em relação a Portugal.

"Eu sempre achei que Cabo Verde não deveria ter sido independente, não assisti à independência de Cabo Verde por isso mesmo", disse, no colóquio "Vozes da Revolução: Guerra Colonial e Descolonização", no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

Na opinião do antigo Chefe de Estado, Cabo Verde "teria muito a ganhar" caso se tivesse mantido parte do território nacional.

"Eu pensava que Cabo Verde não é propriamente África porque Cabo Verde é um arquipélago do norte do Atlântico e que há uma relação que deveria ter sido mais explorada entre os três arquipélagos existentes que são Europa, ou seja, Açores, Madeira, depois Canárias e podia ser Cabo Verde", argumentou.»


Ler a notícia completa no DN Online

sábado, abril 17, 2010

Não havia necessidade...

Um alto dignitário da igreja mexicana disse que a culpa dos escândalos sexuais envolvendo padres é da libertinagem e do erotismo que por aí abundam. Por outras palavras: com tanta tentação à solta, mesmo um padre não é de pau e deixa-se cair em pecado. Ora porra para tanta hipocrisia! Que se fechem os decotes, que se tornem as saias mais compridas, que se proiba a lingerie, que se deixe de pintar os lábios, que se eliminem os perfumes luxuriantes, que seja banida a nudez... e então a malta tem juizo e resiste, estremosos celibatários em núpcias permanentes só com o Senhor. O Diácono Remédios é que tinha razão: "valha-nos deus, não havia necessidade... ehm... ehm... tanta mulher nua por aí".