sábado, abril 17, 2010

Eu e o Michael Bublé no dia 2 de Novembro....


Lembram-se da minha carta ao Pai Natal de 2009? Em particular, lembram-se daquele P.S. sobre trazer cá o Michael Bublé?

Pois bem, o Senhor Nicolau foi um fofo e fez-me o favor de convencer o meu cantor preferido a vir a Portugal. Mas atenção: não se limitou a trazê-lo ao Pavilhão Atlântico, fez questão que o Michael Bublé viesse actuar na véspera do meu aniversário!

Portanto, é mais que óbvio que vou! O bilhete já cá canta e eu estou feliz por ir ver algo como isto:




(Se calhar é melhor levar uns babetes e uns lencinhos...)

Insulto diplomático

Ouvi hoje no telejornal da RTP1 o Presidente da República Checa Václav Klaus dizer numa cerimónia oficial, perante dezenas de jornalistas, nas barbas de Cavaco Silva e de todos os outros membros da comitiva portuguesa, em tom divertido e jocoso o seguinte: "Nós andamos preocupadíssimos com a possibilidade de atingir este ano um défice das contas públicas de 5% do PIB. Mas o Senhor Presidente da República Portuguesa disse-me que no seu país estão acima dos 8% e isso não tem problema algum. Por favor, não divulguem, que fique só entre nós. Os jornalistas não devem saber."

Se isto não é ridicularizar Cavaco e Portugal, não sei como classificá-lo. Talvez "insulto diplomático"?

Tristes figuras...

sexta-feira, abril 16, 2010

Banho de realidade


À vezes somos encharcados por banhos de realidade, que nos mostram o que nos recusamos a ver à nossa volta. No fundo, todos queremos acreditar que, perante as dificuldades, as pessoas, a sociedade em geral, acabam por fazer prevalecer os princípios éticos, o que é correcto. - Errado!

O mundo é como é porque há pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins e, com isso, atropelam quem tem mérito, princípios, quem não perdeu e se recusa a perder a sua dignidade.

E as pessoas que se mantêm fiéis a quem são, ao que pensam ser correcto, ético, digno, de mérito?

Devem perder-se no meio deste sistema maquiavélico que não considera o ser humano pelo que é e pelo que faz, mas sim pelo poder/conhecimento/fama que tem?

Devem transformar-se em bichinhos mimados que fazem o que querem sem preocupação pelo atropelo ao mérito e honestidade de quem ainda os tem?

Penso que, nestes casos, nem 8 nem 80... Penso que é tudo uma questão de manter a integridade e saber lidar, sem perder os princípios e o sentido de ética e justiça, com este sistema mal-cheiroso que tenta, ao máximo, corromper quem ainda não é corrupto. Não é fácil, nem linear... Sobretudo quando se procura manter a integridade sem se ser (ainda mais) atropelado ou sem se ser (ainda mais) prejudicado.

Mas se não o fizermos - todos nós - se não dissermos NÃO aos factores "C's" aos atropelos, às corrpuções por todo o lado, se continuarmos a compactuar com esta merda toda, então que mundo é que estamos a criar? Onde raio é que vamos parar?

Poderosos plagiadores

Os poderosos são plagiadores. Ou melhor: tornam-se plagiadores. Quero acreditar que, pelo menos, em democracia ou em ambientes meritocráticos, para se conquistar poder seja necessário demonstrar alguma inovação e criatividade. Digamos, nas fases iniciais do acesso ao poder... Depois, tem-se demasiadas ocupações e compromissos (nomeadamente, relacionados com a gestão da fama e do ego). Deixa de haver tempo para pensar, para ter ideias próprias e sobretudo para exprimir por escrito quaisquer ideias, próprias ou alheias. Naturalmente, também há aqueles que ganham tempo, reduzindo simplesmente o tempo dedicado ao trabalho em troca de mais lazer. Chamam a estes últimos preguiçosos. Eu diria que são apenas os mais espertos ou "económicos". De qualquer maneira, seja por preguiça ou por manifesta falta de tempo, o facto é que os poderosos gostam de pôr o seu nome em coisas que não fizeram. Acham-se no direito de partilhar ou de usurpar a propriedade intelectual de uns pobres pensadores, por sua vez, muitas vezes candidatos a poderosos. Ou seja, criaturas inteligentes, estudiosas e esforçadas que ainda se encontram nos patamares inferiores da árdua caminhada em direcção aos cumes do poder. São contribuintes para os plagiadores à espera de se tornarem, eles próprios, poderosos plagiadores "rather sooner than later".

Plágio (definição): acto de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original. No acto de plágio, o plagiador apropria-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma.

quarta-feira, abril 14, 2010

Eles é que me dão a volta!


Não gosto de trabalhar sobre pressão! Por isso mesmo, tenho andado como uma verdadeira pilha de nervos, com trabalho até à pontinha dos cabelos.

Tendo em conta o meu estado de stress, preocupação e afins, ir para o estágio para atender crianças/adolescentes durante a tarde era qualquer coisa que não fazia propriamente parte das minhas prioridades (tanto trabalho de escrita, estatística e pesquisa para despachar...)!

Lá fui eu, mesmo assim, sem grande disposição e um pouco a medo (por saber que não estava propriamente com o melhor estado de espírito).

A certa altura, ouço de um dos "meus meninos":

"Muito obrigado, stôra! Desejo que tudo na sua vida lhe corra bem!"

Pronto... Ganhei o dia e um humor totalmente diferente!

De facto, passamos o tempo cheios de stress, preocupações, receios, paranóias, etc. até que, do nada, surge uma coisinha pequena, uma espécie de presente, quase insignificante, que nos comove, alegra, e desperta, fazendo-nos relativizar todo o mal-estar. São essas aparentes insignificâncias (que tanto significado têm) que nos fazem sentir quase estúpidos (idiotas, mesmo) pelas tempestades que fazemos nos vários copos de água que temos à frente.

quarta-feira, abril 07, 2010

Ele há coisas....

Porque será que...



Hmmm.... Deixa lá ver....



...Face oculta...
...Freeport...
...Independente...
...TGV...
...Alcochete...
...Motaengil, PT, TVI, REN e afins....


Não...

Assim de repente não estou bem a ver o motivo da falta de confiança dos portugueses no governo e nas empresas...

(Notícia retirada do Jornal de Negócios Online)

segunda-feira, abril 05, 2010

domingo, abril 04, 2010

Boa Páscoa!


Este ano, ao contrário da tendência dos últimos anos, foi-me oferecido um ovo de chocolate. Senti-me feliz... Feliz por ainda haver quem me ache "pequenina" o suficiente para esta prenda tipicamente oferecida a crianças!

Boa Páscoa a todos!

sábado, abril 03, 2010

Pessoas diferenres - todos humanos

Há pessoas que vão para lá do que o destino lhes reservou. Pessoas que ultrapassam os limites do seu nascimento e da sua educação, que escrevem de outra maneira a história da vida que lhes contaram, que conseguem superar a fatalidade das suas origens sem perder a alma, sem renunciar a qualquer pedaço da sua formação. Pessoas que enriquecem a arquitectura do seu ser com a sabedoria da experiência. Essas pessoas são monumentos ao livre arbítrio e ao poder da vontade.

Há outras pessoas que se limitam a seguir a corrente da vida, que não conseguem libertar-se do determinismo social e cultural, que são uma resultante simples do que as rodeia, um produto lógico e previsível de certas influências. Influências que não geram, mas que apenas suportam e reflectem. São pessoas normais, talvez menos perfeitas do que as primeiras, mas talvez mais humanas.

Trata-se apenas de maneiras diferentes de estar na vida. O mundo avança mais com o primeiro grupo de pessoas. As segundas talvez sejam simplesmente felizes ou tristes ou resignadas ou boas ou más. E talvez vivam mais tempo, contentes com a normalidade, tranquilas com o doce fluir do tempo, com as pequenas vitórias, sem problemas com as pequenas derrotas. Porque para elas tudo é pequeno e assim deve ser e isso não tem nada de mal. Porque desconhecem ou desprezam as grandezas que atormentam e tiram tempo à serena e banal lonjura da vida. Estava para escrever "...que atormentam a alma...". Mas, para essas pessoas, a alma é uma coisa complicada, incompreensível, típica de quem pensa e sente demais. A alma não se desenha nem aparece na televisão. Talvez se possa escrever, mas com palavras inacessíveis a quem sofre de forma rasteira e a quem se ri de coisas com graça descarada.

sexta-feira, abril 02, 2010

A Single Man




Para além de um fantástico estilista e de um Homem (com H enorme) cheio de classe, descobri hoje, com o filme "A Single Man" a dimensão da sensibilidade e do sentido estético e de beleza do Tom Ford.

Um grande filme, sem qualquer dúvida.

Aplausos também para o incrível Colin Firth, que nos leva numa viagem complexa mas penetrante pelo mundo interior de um homem muito "singular".

segunda-feira, março 29, 2010

Eu adoro as crónicas do Ricardo Araújo Pereira



Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo, um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo que foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama "a minha geração" passasse a ser conhecida por "geração rasca". Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por "geração dos 500 euros". O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquietante: é possível que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salários de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a "geração rasca" e a "geração dos 500 euros" coincidam: quem é rasca, em princípio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.

Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que as pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas a partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil e, às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas - chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de uma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É bem mais fácil deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros.


Retirado da Visão

domingo, março 28, 2010

Horário de Verão


Não sei quanto a vocês, mas eu cá ADORO o horário de verão! O Sol definitivamente tem propriedades anti-depressivas! ;)

quarta-feira, março 24, 2010

Hoje esta música faz todo o sentido para mim ;)



Obrigada pelo mail, Pai! "We are the champions!" ;)

O PSD e os outros

O espectáculo esta Segunda-feira na RTP 1 dos 4 candidatos a lider do PSD foi alucinante. Demonstra que o país não tem alternativas credíveis aos governantes actuais. Estes últimos deixam claramente a desejar de vários e dramáticos pontos de vista, mas as criaturas que gostariam de os substituir são ainda mais preocupantes. Chamar àquilo membros de um mesmo partido parece-me uma anedota: nem sequer de uma agremiação de bairro ou de um clube de jogo da sueca. E não me venham com a conversa de que o debate de ideias no seio de um partido demonstra apenas democracia interna e abertura de espírito. Desde logo porque não se tratou de debate nem de ideias. Foi uma peixeirada e ideias nem vê-las. A grandeza da ignorância manifestada, a ligeireza com que se abordaram temas decisivos para o nosso destino colectivo deixou-me assustado e pessimista. Não estou a ver o reduto onde se encontrarão políticos com estatura para tirar o país do plano inclinado em que se encontra. A não ser que se suponha que a chamada sociedade civil é tão enérgica e virtuosa que acaba por se desenrascar, não obstante os governantes e as políticas. É pena que se trate apenas de "desenrascar" e que os dirigentes compliquem em vez de ajudar e orientar no bom sentido.

quarta-feira, março 17, 2010

The special one (Inter 1 - Chelsea 0)

"Today I was the enemy and the enemy won."
"I'm happy because I won - I'm not happy because they lost."

Clicar no titulo.

terça-feira, março 16, 2010

Voando por cima de águas calmas
vi uma terra distante, negra
Flutuava à medida dos meus instintos
voláteis como o vento que sopra na praia onde morrem todos os projectos
Eloquentes vontades que se rendem
numa glória adiada por tantas razões
Assim voa um pássaro ferido, deixando um rasto de incompreensão
por cima de águas falsamente calmas

domingo, março 14, 2010

Bill Evans - ideal para domingo à noite

Clicar no título: Waltz For Debby

Tinha 12 anos

Não fazia a mínima ideia de ter escrito aquelas coisas... Em 1973, eu tinha 12 anos. Estranhamente, é um período de que não tenho recordações excitantes. Lembro-me de me levantar cedo para apanhar a camioneta das 7h45 que nunca mais chegava a Coimbra, às curvas pela estrada velha, fazendo um barulho de engenhoca que podia escangalhar-se a qualquer momento. Lembro-me dos putos a cheirar a pão com manteiga e de roupas com nódoas eloquentes, e de algumas mães e avós a dizer adeus à partida da camioneta na escuridão das manhãs de Inverno. Lembro-me dos mais rufías que gazetavam para fumar às escondidas enquanto jogavam às cartas a dinheiro. Eu, não! Portava-me bem. Sempre me portei bem. Lembro-me da mudança para a casa nova, do meu pai que me levava com ele a visitar os clientes nos tempos livres, e que me oferecia groselha em Miranda e um galão com torrada (mais a última revista do Tintin) em Cantanhede aos dias de feira (salvo erro, 6 e 20 de cada mês). E lembro-me de, no carro, quando regressavamos a casa, sempre tarde, cantar o fado ("quando o Hilário cantava, altas horas no Choupal"). E lembro-me da minha avó que misturava ternura, protecção, devoção e pitadas condescendentes de autoridade. As palmadas dela nunca doiam...

Eram assim esses tempos, sem grande história. Logo depois, veio o 25 de Abril e muitas confusões que me fizeram crescer mais depressa, entre a alegria e a tristeza, entre a poesia mais ou menos obscura e a prosa contestatária, entre o querer e o hesitar, entre a ambição e o coração. Mas, essencialmente, continuei a portar-me bem. Exemplarmente bem, procurando não me perder de mim próprio e prosseguindo por um dos vários caminhos do labirinto da vida. A propósito, vem-me à ideia a história da "Alice no País das Maravilhas" que representa bem as dúvidas, as ameaças, as escolhas, as alegrias, a realidade e a ficção disto tudo.

Ter 10 anos é...


...decidir fazer uma surpresa à família fazendo um "bolo de bolacha" sem café, com bolachas integrais e com claras em castelo em vez de natas.
...deixar a cozinha como se tivesse passado por ali o furacão Katrina.
...depois de tudo, estar com um ar de satisfação indescritível!

Ai, quem me dera ter 10 anos!

sábado, março 13, 2010

quarta-feira, março 10, 2010

Plano de Estabilidade e Crescimento

O PEC pretende reduzir o défice do Estado de 9.3% do PIB em 2009 para 2.8% em 2013 através de (i) cortes na despesa pública (contribuiriam para 50% da redução do défice), (ii) aumento dos impostos (15%) e (iii) efeitos favoráveis do aumento do PIB (35%).

Quanto a (i):
- redução do número de trabalhadores da função pública e congelamento dos salários
- cortes no investimento público (p. ex° TGV Lisboa-Porto-Vigo adiado)
- mais penalidades para reformas antecipadas

Quanto a (ii):
- taxa de IRS aumentada para 45% para os escalões mais altos de rendimento (i.e. acima de 150000 euros / ano)
- redução de benefícios fiscais (abatimentos, isenções, etc.)
- aumento dos impostos sobre rendimentos de capitais (mais-valias)

Quanto a (iii):
O Governo prevê um crescimento do PIB de 0.7% em 2010, 0.9% em 2011, 1.3% em 2012 e 1.7% em 2013 (a taxa de desemprego manter-se-ia entre 9.3% e 9.8% até 2013).

Para reduzir a dívida pública, o Governo quer privatizar (EDP, PT, TAP, REN, etc.) para obter uma receita da ordem dos EUR 6000 milhões.

Alguns breves comentários :

a) os funcionários públicos têm de que se preocupar, mas dado o peso que os salários representam na despesa pública não haveria alternativa igualmente "eficaz"
b) cortes em investimentos públicos de rendibilidade (económica e social) duvidosa são sempre benvindos
c) o aumento da taxa de IRS para os escalões mais altos e o agravamento de impostos sobre as mais-valias são mais eficientes do ponto de vista político do que no plano das receitas fiscais
d) o governo português parece mais pessimista em relação ao andamento da economia nos próximos anos do que outros governos da União Europeia e a continuação da taxa de desemprego a níveis elevados é obviamente preocupante (não seria tão má se se acompanhasse de alterações de fundo no aparelho produtivo e de um aumento da produtividade - o potencial de crescimento e o próprio emprego melhorariam a médio/longo prazo)
e) apesar dos seus custos sociais, os termos do PEC não parecem ainda convencer as agências de rating

segunda-feira, março 08, 2010

domingo, março 07, 2010

Malucos, são os outros!

Um é maluco porque tem um ego do tamanho da torre dos clérigos e cai no rídiculo como se fosse a coisa mais banal do mundo. O outro é maluco porque, apesar dos seus 60 anos, se comporta pior do que uma criança no jardim de infância, a disputar brinquedos e atenção. A outra é maluca porque não consegue entender a obsessão pelo trabalho que lhe arruina a vida. Outra ainda, é maluca porque tem medo de deixar fugir a idade e de ser traida por adversárias, reais ou imaginárias, com outros recursos. Outro é maluco porque não deixa falar mais ninguém e se acha o maior sábio do universo (em coisas que desconhece). Outra ri-se compulsivamente no meio de uma conversa séria e depois fica subitamente calada a brincar com os cabelos e a olhar para o infinito. Por isso, também é maluca. Outro, no meio de uma gargalhada, achava que íamos todos morrer da gripe suína e passava o dia a lavar as mãos com desinfectante, indo vezes sem conta, furtivamente, à casa de banho. Outro põe uma cara de pau para dizer as maiores imbecilidades, convencidíssimo de ser o mais inteligente de todos.

O nosso quotidiano está cheio de malucos e de actos de loucura mais ou menos disfarçada, nas circunstâncias mais trivais. Mas, o que é a normalidade? Somos apenas diferentes uns dos outros, exprimindo com maior ou menor espontaneidade as nossas angústias, os nossos desejos, a nossa insegurança, a nossa ambição, os nossos medos. De facto, exceptuando os casos verdadeiramente patológicos, somos todos malucos. À nossa maneira. Eu também sou maluco. Seguramente! Apesar de achar que sou dos menos malucos... Mas, nesta coisa de maluquice, o que conta é como somos vistos. É isso que faz de nós malucos, não a maneira como nos olhamos a nós mesmos, normalmente sem qualquer vestígio de maluquice. Muito pelo contrário. Normalmente, achamo-nos as pessoas mais normais e sensatas à face da terra porque não conseguimos olhar-nos como se fossemos "outro".

Alice in Wonderland



The Mad Hatter: Have I gone mad?

[Alice checks Hatter's temperature]

Alice Kingsley: I'm afraid so. You're entirely bonkers. But I'll tell you a secret. All the best people are.



ADOREI o filme! Tal como todos as obras do Tim Burton, com a participação do Johnny Depp, recomendo vivamente(íssimamente).