
domingo, março 21, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
quarta-feira, março 17, 2010
The special one (Inter 1 - Chelsea 0)
"Today I was the enemy and the enemy won."
"I'm happy because I won - I'm not happy because they lost."
Clicar no titulo.
"I'm happy because I won - I'm not happy because they lost."
Clicar no titulo.
terça-feira, março 16, 2010
Voando por cima de águas calmas
vi uma terra distante, negra
Flutuava à medida dos meus instintos
voláteis como o vento que sopra na praia onde morrem todos os projectos
Eloquentes vontades que se rendem
numa glória adiada por tantas razões
Assim voa um pássaro ferido, deixando um rasto de incompreensão
por cima de águas falsamente calmas
vi uma terra distante, negra
Flutuava à medida dos meus instintos
voláteis como o vento que sopra na praia onde morrem todos os projectos
Eloquentes vontades que se rendem
numa glória adiada por tantas razões
Assim voa um pássaro ferido, deixando um rasto de incompreensão
por cima de águas falsamente calmas
domingo, março 14, 2010
Tinha 12 anos
Não fazia a mínima ideia de ter escrito aquelas coisas... Em 1973, eu tinha 12 anos. Estranhamente, é um período de que não tenho recordações excitantes. Lembro-me de me levantar cedo para apanhar a camioneta das 7h45 que nunca mais chegava a Coimbra, às curvas pela estrada velha, fazendo um barulho de engenhoca que podia escangalhar-se a qualquer momento. Lembro-me dos putos a cheirar a pão com manteiga e de roupas com nódoas eloquentes, e de algumas mães e avós a dizer adeus à partida da camioneta na escuridão das manhãs de Inverno. Lembro-me dos mais rufías que gazetavam para fumar às escondidas enquanto jogavam às cartas a dinheiro. Eu, não! Portava-me bem. Sempre me portei bem. Lembro-me da mudança para a casa nova, do meu pai que me levava com ele a visitar os clientes nos tempos livres, e que me oferecia groselha em Miranda e um galão com torrada (mais a última revista do Tintin) em Cantanhede aos dias de feira (salvo erro, 6 e 20 de cada mês). E lembro-me de, no carro, quando regressavamos a casa, sempre tarde, cantar o fado ("quando o Hilário cantava, altas horas no Choupal"). E lembro-me da minha avó que misturava ternura, protecção, devoção e pitadas condescendentes de autoridade. As palmadas dela nunca doiam...
Eram assim esses tempos, sem grande história. Logo depois, veio o 25 de Abril e muitas confusões que me fizeram crescer mais depressa, entre a alegria e a tristeza, entre a poesia mais ou menos obscura e a prosa contestatária, entre o querer e o hesitar, entre a ambição e o coração. Mas, essencialmente, continuei a portar-me bem. Exemplarmente bem, procurando não me perder de mim próprio e prosseguindo por um dos vários caminhos do labirinto da vida. A propósito, vem-me à ideia a história da "Alice no País das Maravilhas" que representa bem as dúvidas, as ameaças, as escolhas, as alegrias, a realidade e a ficção disto tudo.
Eram assim esses tempos, sem grande história. Logo depois, veio o 25 de Abril e muitas confusões que me fizeram crescer mais depressa, entre a alegria e a tristeza, entre a poesia mais ou menos obscura e a prosa contestatária, entre o querer e o hesitar, entre a ambição e o coração. Mas, essencialmente, continuei a portar-me bem. Exemplarmente bem, procurando não me perder de mim próprio e prosseguindo por um dos vários caminhos do labirinto da vida. A propósito, vem-me à ideia a história da "Alice no País das Maravilhas" que representa bem as dúvidas, as ameaças, as escolhas, as alegrias, a realidade e a ficção disto tudo.
Ter 10 anos é...

...decidir fazer uma surpresa à família fazendo um "bolo de bolacha" sem café, com bolachas integrais e com claras em castelo em vez de natas.
...deixar a cozinha como se tivesse passado por ali o furacão Katrina.
...depois de tudo, estar com um ar de satisfação indescritível!
...deixar a cozinha como se tivesse passado por ali o furacão Katrina.
...depois de tudo, estar com um ar de satisfação indescritível!
Ai, quem me dera ter 10 anos!
sábado, março 13, 2010
sexta-feira, março 12, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
Plano de Estabilidade e Crescimento
O PEC pretende reduzir o défice do Estado de 9.3% do PIB em 2009 para 2.8% em 2013 através de (i) cortes na despesa pública (contribuiriam para 50% da redução do défice), (ii) aumento dos impostos (15%) e (iii) efeitos favoráveis do aumento do PIB (35%).
Quanto a (i):
- redução do número de trabalhadores da função pública e congelamento dos salários
- cortes no investimento público (p. ex° TGV Lisboa-Porto-Vigo adiado)
- mais penalidades para reformas antecipadas
Quanto a (ii):
- taxa de IRS aumentada para 45% para os escalões mais altos de rendimento (i.e. acima de 150000 euros / ano)
- redução de benefícios fiscais (abatimentos, isenções, etc.)
- aumento dos impostos sobre rendimentos de capitais (mais-valias)
Quanto a (iii):
O Governo prevê um crescimento do PIB de 0.7% em 2010, 0.9% em 2011, 1.3% em 2012 e 1.7% em 2013 (a taxa de desemprego manter-se-ia entre 9.3% e 9.8% até 2013).
Para reduzir a dívida pública, o Governo quer privatizar (EDP, PT, TAP, REN, etc.) para obter uma receita da ordem dos EUR 6000 milhões.
Alguns breves comentários :
a) os funcionários públicos têm de que se preocupar, mas dado o peso que os salários representam na despesa pública não haveria alternativa igualmente "eficaz"
b) cortes em investimentos públicos de rendibilidade (económica e social) duvidosa são sempre benvindos
c) o aumento da taxa de IRS para os escalões mais altos e o agravamento de impostos sobre as mais-valias são mais eficientes do ponto de vista político do que no plano das receitas fiscais
d) o governo português parece mais pessimista em relação ao andamento da economia nos próximos anos do que outros governos da União Europeia e a continuação da taxa de desemprego a níveis elevados é obviamente preocupante (não seria tão má se se acompanhasse de alterações de fundo no aparelho produtivo e de um aumento da produtividade - o potencial de crescimento e o próprio emprego melhorariam a médio/longo prazo)
e) apesar dos seus custos sociais, os termos do PEC não parecem ainda convencer as agências de rating
Quanto a (i):
- redução do número de trabalhadores da função pública e congelamento dos salários
- cortes no investimento público (p. ex° TGV Lisboa-Porto-Vigo adiado)
- mais penalidades para reformas antecipadas
Quanto a (ii):
- taxa de IRS aumentada para 45% para os escalões mais altos de rendimento (i.e. acima de 150000 euros / ano)
- redução de benefícios fiscais (abatimentos, isenções, etc.)
- aumento dos impostos sobre rendimentos de capitais (mais-valias)
Quanto a (iii):
O Governo prevê um crescimento do PIB de 0.7% em 2010, 0.9% em 2011, 1.3% em 2012 e 1.7% em 2013 (a taxa de desemprego manter-se-ia entre 9.3% e 9.8% até 2013).
Para reduzir a dívida pública, o Governo quer privatizar (EDP, PT, TAP, REN, etc.) para obter uma receita da ordem dos EUR 6000 milhões.
Alguns breves comentários :
a) os funcionários públicos têm de que se preocupar, mas dado o peso que os salários representam na despesa pública não haveria alternativa igualmente "eficaz"
b) cortes em investimentos públicos de rendibilidade (económica e social) duvidosa são sempre benvindos
c) o aumento da taxa de IRS para os escalões mais altos e o agravamento de impostos sobre as mais-valias são mais eficientes do ponto de vista político do que no plano das receitas fiscais
d) o governo português parece mais pessimista em relação ao andamento da economia nos próximos anos do que outros governos da União Europeia e a continuação da taxa de desemprego a níveis elevados é obviamente preocupante (não seria tão má se se acompanhasse de alterações de fundo no aparelho produtivo e de um aumento da produtividade - o potencial de crescimento e o próprio emprego melhorariam a médio/longo prazo)
e) apesar dos seus custos sociais, os termos do PEC não parecem ainda convencer as agências de rating
segunda-feira, março 08, 2010
domingo, março 07, 2010
Malucos, são os outros!
Um é maluco porque tem um ego do tamanho da torre dos clérigos e cai no rídiculo como se fosse a coisa mais banal do mundo. O outro é maluco porque, apesar dos seus 60 anos, se comporta pior do que uma criança no jardim de infância, a disputar brinquedos e atenção. A outra é maluca porque não consegue entender a obsessão pelo trabalho que lhe arruina a vida. Outra ainda, é maluca porque tem medo de deixar fugir a idade e de ser traida por adversárias, reais ou imaginárias, com outros recursos. Outro é maluco porque não deixa falar mais ninguém e se acha o maior sábio do universo (em coisas que desconhece). Outra ri-se compulsivamente no meio de uma conversa séria e depois fica subitamente calada a brincar com os cabelos e a olhar para o infinito. Por isso, também é maluca. Outro, no meio de uma gargalhada, achava que íamos todos morrer da gripe suína e passava o dia a lavar as mãos com desinfectante, indo vezes sem conta, furtivamente, à casa de banho. Outro põe uma cara de pau para dizer as maiores imbecilidades, convencidíssimo de ser o mais inteligente de todos.O nosso quotidiano está cheio de malucos e de actos de loucura mais ou menos disfarçada, nas circunstâncias mais trivais. Mas, o que é a normalidade? Somos apenas diferentes uns dos outros, exprimindo com maior ou menor espontaneidade as nossas angústias, os nossos desejos, a nossa insegurança, a nossa ambição, os nossos medos. De facto, exceptuando os casos verdadeiramente patológicos, somos todos malucos. À nossa maneira. Eu também sou maluco. Seguramente! Apesar de achar que sou dos menos malucos... Mas, nesta coisa de maluquice, o que conta é como somos vistos. É isso que faz de nós malucos, não a maneira como nos olhamos a nós mesmos, normalmente sem qualquer vestígio de maluquice. Muito pelo contrário. Normalmente, achamo-nos as pessoas mais normais e sensatas à face da terra porque não conseguimos olhar-nos como se fossemos "outro".
Alice in Wonderland

The Mad Hatter: Have I gone mad?
[Alice checks Hatter's temperature]
Alice Kingsley: I'm afraid so. You're entirely bonkers. But I'll tell you a secret. All the best people are.
ADOREI o filme! Tal como todos as obras do Tim Burton, com a participação do Johnny Depp, recomendo vivamente(íssimamente).
quinta-feira, março 04, 2010
A (im)possibilidade de mudar
Medina Carreira foi hoje à Grande Entrevista da RTP1 e disse mais uma vez as mesmas coisas: que o país está à beira da desgraça, que estamos hoje pior do que há 20 anos, que os políticos são uma cambada de incompetentes que não sabem fazer mais nada do que traficar influências, que ele é independente porque não deve nada a ninguém, que é preciso cortar nos salários e nas despesas sociais senão Portugal tornar-se-à rapidamente uma Grécia, que é preciso reformar profundamente a Justiça e a Educação, etc, etc. Se cortarmos metade do folclore do que ele diz, se abstrairmos do populismo de que se alimenta a sua notoriedade, ficaremos com uma imagem infelizmente correcta do que se passa em Portugal: um plano inclinado ou, na melhor das hipóteses, uma inexorável estagnação a longo prazo, que só se pode inverter com maior produtividade. A não ser que queiramos ser pobrezinhos mas felizes (supondo que ser mais produtivos implica ser infelizes). Não há varinhas mágicas para aumentar a produtividade de um país. Depende tanto de factores institucionais e estruturais que, o que parece um único remédio, implica na prática a mudança de toda a sociedade. E subsistirão as restrições do nosso povo e da nossa História. Como dizia António Ferro, um dos principais ideólogos do salazarismo, o maior problema de Portugal são os portugueses e pode mudar-se de políticas, mas não se muda de Povo.
Bullying
A "não existência de registos" não significa que o que não está registado não aconteceu, sim?
Esta reflexão surge devido às reacções do Ministério da Educação, da Escola e da Associação de Pais perante o caso da criança desaparecida no rio Tua, que se suspeita ter-se suicidado depois de ter sido vítima de bullying.
Pode ler-se no Público Online:
"Nem a escola, nem a Comissão de Protecção de Menores e Jovens têm registo de casos de "bullying" (...) O presidente da Associação de Pais, António José Ferreira, corroborou hoje a mesma informação, afirmando que neste órgão não existe qualquer queixa em relação à criança em causa."
Vamos lá ver se nos entendemos... O bullying é um fenómeno marcado pelo silêncio das vítimas. Qualquer pessoa com alguns conhecimentos sobre o assunto sabe-o.
Trata-se do "repetido ataque físico, psicológico, social ou verbal por aqueles que estão numa posição de poder - formal ou situacionalmente definida - aos que não têm capacidade de resistir, com a intenção de provocar mal-estar para sua própria vantagem ou gratificação". Pode, então ser detectado se se verificar:
É preciso que se quebre a regra do silêncio que se instala à volta do bullying. A vítima precisa de ser protegida, começando pela consciencialização da comunidade!
Isto tudo para dizer que, não conhecendo os factos, claro que não posso dizer se era um caso de bullying ou não, mas não se pode eliminar essa hipótese só porque não há registos!
E esta história de só se olhar para os registos/provas formais como únicos elementos de reflexão anda a tornar-se uma obsessão que provoca uma cegueira indescritível neste país!
Pode ler-se no Público Online:
"Nem a escola, nem a Comissão de Protecção de Menores e Jovens têm registo de casos de "bullying" (...) O presidente da Associação de Pais, António José Ferreira, corroborou hoje a mesma informação, afirmando que neste órgão não existe qualquer queixa em relação à criança em causa."
Vamos lá ver se nos entendemos... O bullying é um fenómeno marcado pelo silêncio das vítimas. Qualquer pessoa com alguns conhecimentos sobre o assunto sabe-o.
Trata-se do "repetido ataque físico, psicológico, social ou verbal por aqueles que estão numa posição de poder - formal ou situacionalmente definida - aos que não têm capacidade de resistir, com a intenção de provocar mal-estar para sua própria vantagem ou gratificação". Pode, então ser detectado se se verificar:
- Uma forma de agressão proactiva/intencional;
- Uma relação desigual de forças (o agressor tem uma posição de poder relativamente à vítima e agride-a para sua vantagem ou gratificação);
- Dano, medo, perturbação ou injúria à vítima, indutores de sentimentos de inferioridade;
- Um carácter repetitivo ao longo do tempo.
É preciso que se quebre a regra do silêncio que se instala à volta do bullying. A vítima precisa de ser protegida, começando pela consciencialização da comunidade!
Isto tudo para dizer que, não conhecendo os factos, claro que não posso dizer se era um caso de bullying ou não, mas não se pode eliminar essa hipótese só porque não há registos!
E esta história de só se olhar para os registos/provas formais como únicos elementos de reflexão anda a tornar-se uma obsessão que provoca uma cegueira indescritível neste país!
segunda-feira, março 01, 2010
domingo, fevereiro 28, 2010
Sinto-me velha quando...
É a vida...
Mais um filme dos irmãos Cohen depois de "No Country for Old Men". Um filme que caricatura a bondade e a fé, representando de forma implacável uma pequena comunidade judaica na América dos anos 1960. Uma comédia negra que chega a lembrar "Cândido" de Voltaire com a diferença abissal de que em "Serious Man" só acontece a adversidade, sem lugar para o optimismo. Em comum: "to receive with simplicity everything that happens" sem procurar compreender tudo, muito menos à luz de uma qualquer lógica divina.
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
As saudades que eu tinha desta Senhora...
Depois de 10 anos de ausência Sade Adu regressa este mês com o album "Soldiers of Love". Clicar no título para ver e ouvir um dos seus "antigos" sucessos.
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
domingo, fevereiro 21, 2010
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
A balança do poder na Europa
Moeda comum supõe verdadeira integração, não apenas dos mercados de bens, de serviços e financeiro e da política monetária, mas também do mercado de trabalho e da politica orçamental (implicando harmonização fiscal). Sem o grau de liberdade das flutuações cambiais, os ajustamentos têm de se fazer essencialmente na esfera real da economia, induzindo as variações de preços relativos necessárias ao reequilíbrio. Ora a política orçamental constitui um dos últimos bastiões da soberania nacional. Renunciar ao controlo da política orçamental significa avançar a passos largos para o verdadeiro federalismo. A Europa parece estar entre o tudo e o pouco (ou o nada). Esta etapa intermédia é penosa e vulnerabiliza a construção europeia e exorbita todos os erros. Estamos verdadeiramente no limbo entre as dimensões nacional e federal. A paralisia da União resulta de não se conseguir fazer mais sem derrogar de forma decisiva as prerrogativas nacionais. Ora a história demonstra como as Nações são importantes, sobretudo na Europa, não obstante todos os ventos de globalização que têm soprado e que tocam mais os interesses do que as emoções e as identidades.
A Alemanha emerge da crise grega mais uma vez como o verdadeiro eixo do poder na Europa. Estará disposta a socorrer a Grécia, evitando a "vergonha" de um recurso ao FMI, não apenas por causa do retorno económico a médio/longo prazo dessa solidariedade, mas por razões de hegemonia. Para que servirá tal hegemonia é uma questão pertinente a que os dirigentes alemães não gostarão de responder com franqueza. O que diz a História do último século é que a desproporção alemã sempre foi decisiva na Europa... para o melhor e para o pior.
A Alemanha emerge da crise grega mais uma vez como o verdadeiro eixo do poder na Europa. Estará disposta a socorrer a Grécia, evitando a "vergonha" de um recurso ao FMI, não apenas por causa do retorno económico a médio/longo prazo dessa solidariedade, mas por razões de hegemonia. Para que servirá tal hegemonia é uma questão pertinente a que os dirigentes alemães não gostarão de responder com franqueza. O que diz a História do último século é que a desproporção alemã sempre foi decisiva na Europa... para o melhor e para o pior.
Os conteúdos da blogosfera
Tenho a impressão de que os artigos que têm mais audiência na chamada blogosfera são os que falam de emoções e de estados de alma. Claramente, as angústias e as crises existenciais passam melhor do que as opiniões sobre música ou cinema e ainda melhor do que putativas análises políticas, sociais ou económicas. Há sem dúvida um mercado para a publicidade dos sentimentos. Espreitar o coração dos outros pode tornar-se irresistível. Que o digam as revistas da especialidade... Mas ninguém tem culpa de os bloggers se prestarem ao voyeurismo por estas paragens. No fundo, trata-se de uma troca equilibrada: à necessidade de desabafo de uns corresponde a curiosidade dos outros.
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
Contra a Indiferença
Desde há muito que admiro o Dr. Fernando Nobre, já o tendo mesmo citado há uns tempos, por aqui. Hoje, e porque foi hoje descobri que afinal sei em quem vou votar nas presidenciais, acrescento à nossa lista de links o blogue do Dr. Fernando Nobre, Contra a Indiferença.
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Velhos são os outros
Velhos? Velhos são os outros. Serão sempre os outros. Os velhotes, de cabelos brancos ou cinzentos. As vítimas das rugas. Os que têm as dores, que passam a vida a fazer exames e a queixar-se da falta de energia, do que acham que deveriam sofrer para merecer ainda mais o respeito e a compaixão dos semelhantes, a blasfemar a cor do céu e a humidade e o frio. Velhos são sempre os outros que nos são estranhos e distantes, no tempo e nas preocupações.
Pois bem, vai deixando de ser assim...
Obviamente, não me acho velho. Muito menos velhote. Ainda tenho umas solas a gastar, pois claro! Mas começo a admitir a hipótese (teórica) de que alguém (mais jovem) me ache velho ou quase velho ou maduro ou com uma idade típica de pessoas que se fazem respeitar pela aparência. Acho que poderei começar a parecer aos outros o que só os outros me tem parecido: velhos! Mas, claramente não me sinto velho. Para mim, são os outros que continuam a ser velhos. Alguns jovens insolentes podem olhar para os poucos cabelos esbranquiçados que resistem à minha careca como prova inelutável da minha velhice.
Estarei a desistir? Temo que este "ser visto pelos outros como velho" seja meio caminho andado para me sentir eu próprio velho. Eu disse meio caminho, não todo o caminho! Porque eu nunca serei velho. Velhos são e serão os outros que representam aos meus olhos o papel de velhos, tão diferente do que hei-de continuar a ser (ou a representar para mim mesmo).
Pois bem, vai deixando de ser assim...
Obviamente, não me acho velho. Muito menos velhote. Ainda tenho umas solas a gastar, pois claro! Mas começo a admitir a hipótese (teórica) de que alguém (mais jovem) me ache velho ou quase velho ou maduro ou com uma idade típica de pessoas que se fazem respeitar pela aparência. Acho que poderei começar a parecer aos outros o que só os outros me tem parecido: velhos! Mas, claramente não me sinto velho. Para mim, são os outros que continuam a ser velhos. Alguns jovens insolentes podem olhar para os poucos cabelos esbranquiçados que resistem à minha careca como prova inelutável da minha velhice.
Estarei a desistir? Temo que este "ser visto pelos outros como velho" seja meio caminho andado para me sentir eu próprio velho. Eu disse meio caminho, não todo o caminho! Porque eu nunca serei velho. Velhos são e serão os outros que representam aos meus olhos o papel de velhos, tão diferente do que hei-de continuar a ser (ou a representar para mim mesmo).
domingo, fevereiro 14, 2010
O conhecimento dos outros
Ouvi recentemente uma coisa que me intrigou: quanto melhor um homem e uma mulher se conhecerem, maior a probabilidade de a sua relação não funcionar porque será maior o risco de desilusão. Mutatis mutandis, para que a relação entre um homem e uma mulher seja bem sucedida será necessária uma dose judiciosa de ignorância e de distanciamento, uma zona de dúvida que permita compor personagens convenientes, personagens q.b. (projecções eficazes de nós próprios?).
Bem sei que toda a gente tem segredos e esferas intímas e intransponíveis. Há um "eu" inacessível, até a nós próprios!
Mas, fiquei perturbado com essa visão (quase cínica) das coisas porque supõe que, afinal, o conhecimento profundo dos outros só pode provocar desencantamento. Como se os outros (todos) só pudessem ser genuinamente maus. Como se houvesse uma lei segundo a qual todos estivessemos condenados à tristeza e à desilusão... a não ser que nos mantenhamos no limbo do que se deve e não deve saber dos outros.
Poderia querer dizer que as coisas só funcionam entre um homem e uma mulher enquanto se mantiver uma espécie de hipnose, enquanto a realidade pura e simples não bater estrondosamente à porta da paixão, enquanto as pessoas não acordarem para a tangibilidade dos outros, enquanto se mantiverem na ficção mais uma menos breve.
Ou, o que seria ainda mais grave, caso nunca tenha havido sequer qualquer paixão, mas apenas um superficial negócio, acordo de conveniência ou pacto de vida em comum sem sonhos nem ingenuidade.
Bem sei que toda a gente tem segredos e esferas intímas e intransponíveis. Há um "eu" inacessível, até a nós próprios!
Mas, fiquei perturbado com essa visão (quase cínica) das coisas porque supõe que, afinal, o conhecimento profundo dos outros só pode provocar desencantamento. Como se os outros (todos) só pudessem ser genuinamente maus. Como se houvesse uma lei segundo a qual todos estivessemos condenados à tristeza e à desilusão... a não ser que nos mantenhamos no limbo do que se deve e não deve saber dos outros.
Poderia querer dizer que as coisas só funcionam entre um homem e uma mulher enquanto se mantiver uma espécie de hipnose, enquanto a realidade pura e simples não bater estrondosamente à porta da paixão, enquanto as pessoas não acordarem para a tangibilidade dos outros, enquanto se mantiverem na ficção mais uma menos breve.
Ou, o que seria ainda mais grave, caso nunca tenha havido sequer qualquer paixão, mas apenas um superficial negócio, acordo de conveniência ou pacto de vida em comum sem sonhos nem ingenuidade.
A supervisão
Parece que o Dr Vitor Constâncio vai ser Vice-presidente do Banco Central Europeu em substituição de um grego que ninguém conhece. De resto, estou seguro de que, para além de alguns portugas, pouquíssima gente conhecerá o Dr Constâncio lá fora. O que não tem nada de mal, dado o seu perfil putativamente técnico. E os técnicos têm muito menos popularidade do que os políticos ou do que alguns outros artistas. Em princípio, não é mau que um portuga ocupe um lugar assim tão alto numa instituição com a importância do BCE. Melhora a visibilidade do país, quer dizer que o pais terá pessoas à altura do desempenho dos cargos mais exigentes. Mas, esta conclusão tem de ser arredondada. De facto: 1) se temos pessoas assim tão boas deveriamos ser nós mesmos melhor geridos, em vez de desperdiçar recursos tão valiosos em luxos estrangeiros; 2) há casos de nomeações de topo feitas com lógicas de oportunidade e de coexistência política, mais do que de competência, que não nos deixam ficar bem na fotografia. O exemplo mais eloquente desta segunda consideração é o Dr Durão Barroso.Dito isto, o que me espanta é o facto de o Dr Constâncio ir ocupar um lugar com responsabilidades específicas na supervisão, ou seja, no controlo do que fazem os bancos em toda a Europa. Ora, dado o historial do Banco de Portugal (de que o Dr Constâncio ainda é Governador) nesta área (casos BCP, BPN e BPP) temo pelo que se possa passar na Europa. Seja como for, pode ser uma oportunidade para aprender e regressar com remédios eficazes contra os erros e desvarios passados.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Liberdade de expressão
Gostei muito da Grande Entrevista de hoje na RTP 1 do Dr Noronha de Nascimento, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Parti com o pé atrás porque o pouco conhecimento que tinha da personagem não me inspirava grande apreço. No entanto, o homem conseguiu defender-se muito bem das investidas assanhadas da Judite de Souza, mantendo-se nos limites estritos das suas funções institucionais e evitando emitir juizos ou opiniões que extravasassem dessas funções. Atingiu o cume quando "ousou" perguntar à dita Judite de Souza se os jornalistas seriam imunes à legitima defesa dos cidadãos (contra os mesmos jornalistas), a pretexto do supremo valor da liberdade de expressão. Aliás, quando a jornalista lhe perguntou se não achava que a liberdade de expressão é o principal valor da sociedade democrática, Noronha de Nascimento respondeu - e muitíssimo bem - que o valor mais alto e intocável é o do direito à vida.
Tudo isto vem a propósito da impunidade e do poder desmesurado dos jornalistas (ou de certos jornalistas) que, sem outra putativa legitimidade que não seja a da liberdade de expressão, fazem e dizem os maiores disparates e se permitem lesar a dignidade e a privacidade de quem quer que seja, numa busca desbragada de audiência e de notoriedade. O chamado 4° poder não pode arrogar-se o estatuto de 1° poder acima da lei, do bom senso e do pudor. Os jornalistas não podem ser uma espécie de "vacas sagradas" da democracia , não podem substituir os tribunais. Os cidadãos com responsabilidades públicas não podem comportar-se e decidir em função do que presumem ser a boa opinião dos jornalistas. Senão, quem manda é a imprensa e não a vontade democraticamente expressa.
Tudo isto sem prejuizo da liberdade de expressão, pilar fundamental de qualquer democracia.
Tudo isto vem a propósito da impunidade e do poder desmesurado dos jornalistas (ou de certos jornalistas) que, sem outra putativa legitimidade que não seja a da liberdade de expressão, fazem e dizem os maiores disparates e se permitem lesar a dignidade e a privacidade de quem quer que seja, numa busca desbragada de audiência e de notoriedade. O chamado 4° poder não pode arrogar-se o estatuto de 1° poder acima da lei, do bom senso e do pudor. Os jornalistas não podem ser uma espécie de "vacas sagradas" da democracia , não podem substituir os tribunais. Os cidadãos com responsabilidades públicas não podem comportar-se e decidir em função do que presumem ser a boa opinião dos jornalistas. Senão, quem manda é a imprensa e não a vontade democraticamente expressa.
Tudo isto sem prejuizo da liberdade de expressão, pilar fundamental de qualquer democracia.
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