
Sinto-me velha quando passo o sábado a cozinhar bolos, gelatinas e afins e no domingo, tendo à minha responsabilidade 8 crianças de 9/10 anos, chego ao fim do dia a pensar:
- "No meu tempo não nos portávamos assim...".
Mais um filme dos irmãos Cohen depois de "No Country for Old Men". Um filme que caricatura a bondade e a fé, representando de forma implacável uma pequena comunidade judaica na América dos anos 1960. Uma comédia negra que chega a lembrar "Cândido" de Voltaire com a diferença abissal de que em "Serious Man" só acontece a adversidade, sem lugar para o optimismo. Em comum: "to receive with simplicity everything that happens" sem procurar compreender tudo, muito menos à luz de uma qualquer lógica divina.
Depois de 10 anos de ausência Sade Adu regressa este mês com o album "Soldiers of Love". Clicar no título para ver e ouvir um dos seus "antigos" sucessos.
Parece que o Dr Vitor Constâncio vai ser Vice-presidente do Banco Central Europeu em substituição de um grego que ninguém conhece. De resto, estou seguro de que, para além de alguns portugas, pouquíssima gente conhecerá o Dr Constâncio lá fora. O que não tem nada de mal, dado o seu perfil putativamente técnico. E os técnicos têm muito menos popularidade do que os políticos ou do que alguns outros artistas. Em princípio, não é mau que um portuga ocupe um lugar assim tão alto numa instituição com a importância do BCE. Melhora a visibilidade do país, quer dizer que o pais terá pessoas à altura do desempenho dos cargos mais exigentes. Mas, esta conclusão tem de ser arredondada. De facto: 1) se temos pessoas assim tão boas deveriamos ser nós mesmos melhor geridos, em vez de desperdiçar recursos tão valiosos em luxos estrangeiros; 2) há casos de nomeações de topo feitas com lógicas de oportunidade e de coexistência política, mais do que de competência, que não nos deixam ficar bem na fotografia. O exemplo mais eloquente desta segunda consideração é o Dr Durão Barroso.
Um filme que sai do que se poderia esperar de Clint Eastwood. Que centra no rugby o esforço de reconciliação entre negros e brancos na África do Sul de Mandela. Mais parece um documentário sobre a preparação dos Springboks para a surpreendente vitória no Campeonato do Mundo de 1995. O que chateia é o excesso de simplicidade, a total ausência de espessura dramática. Até a qualidade das cenas de rugby é duvidosa... Temos um Morgan Freeman e um Matt Demon que se prestam ao exercício quase por caridade e pronto. Terá sido uma encomenda de algum ministério da propaganda? Se assim fosse, de qualquer maneira, até seria respeitável dada a inequívoca boa causa... E depois a semelhança fisica entre Freeman e Mandela é realmente incrível.
Ainda bem que na América há mais cinema do que aquele que é feito em Hollywood pelos do costume. Este filme é uma prova disso mesmo. O cinema mainstream, de resto, parece-me estar a passar por um período de pouca inspiração. E nem os escassos sucessos de bilheteira tipo "Avatar" o salvam... "City Island" é um bom pedaço de realismo americano com um final talvez demasiado trivial e previsível, mas nem por isso menos feliz. Bem haja Andy Garcia, actor principal que enche literalmente o ecrã.
