Velhos? Velhos são os outros. Serão sempre os outros. Os velhotes, de cabelos brancos ou cinzentos. As vítimas das rugas. Os que têm as dores, que passam a vida a fazer exames e a queixar-se da falta de energia, do que acham que deveriam sofrer para merecer ainda mais o respeito e a compaixão dos semelhantes, a blasfemar a cor do céu e a humidade e o frio. Velhos são sempre os outros que nos são estranhos e distantes, no tempo e nas preocupações.
Pois bem, vai deixando de ser assim...
Obviamente, não me acho velho. Muito menos velhote. Ainda tenho umas solas a gastar, pois claro! Mas começo a admitir a hipótese (teórica) de que alguém (mais jovem) me ache velho ou quase velho ou maduro ou com uma idade típica de pessoas que se fazem respeitar pela aparência. Acho que poderei começar a parecer aos outros o que só os outros me tem parecido: velhos! Mas, claramente não me sinto velho. Para mim, são os outros que continuam a ser velhos. Alguns jovens insolentes podem olhar para os poucos cabelos esbranquiçados que resistem à minha careca como prova inelutável da minha velhice.
Estarei a desistir? Temo que este "ser visto pelos outros como velho" seja meio caminho andado para me sentir eu próprio velho. Eu disse meio caminho, não todo o caminho! Porque eu nunca serei velho. Velhos são e serão os outros que representam aos meus olhos o papel de velhos, tão diferente do que hei-de continuar a ser (ou a representar para mim mesmo).
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
domingo, fevereiro 14, 2010
O conhecimento dos outros
Ouvi recentemente uma coisa que me intrigou: quanto melhor um homem e uma mulher se conhecerem, maior a probabilidade de a sua relação não funcionar porque será maior o risco de desilusão. Mutatis mutandis, para que a relação entre um homem e uma mulher seja bem sucedida será necessária uma dose judiciosa de ignorância e de distanciamento, uma zona de dúvida que permita compor personagens convenientes, personagens q.b. (projecções eficazes de nós próprios?).
Bem sei que toda a gente tem segredos e esferas intímas e intransponíveis. Há um "eu" inacessível, até a nós próprios!
Mas, fiquei perturbado com essa visão (quase cínica) das coisas porque supõe que, afinal, o conhecimento profundo dos outros só pode provocar desencantamento. Como se os outros (todos) só pudessem ser genuinamente maus. Como se houvesse uma lei segundo a qual todos estivessemos condenados à tristeza e à desilusão... a não ser que nos mantenhamos no limbo do que se deve e não deve saber dos outros.
Poderia querer dizer que as coisas só funcionam entre um homem e uma mulher enquanto se mantiver uma espécie de hipnose, enquanto a realidade pura e simples não bater estrondosamente à porta da paixão, enquanto as pessoas não acordarem para a tangibilidade dos outros, enquanto se mantiverem na ficção mais uma menos breve.
Ou, o que seria ainda mais grave, caso nunca tenha havido sequer qualquer paixão, mas apenas um superficial negócio, acordo de conveniência ou pacto de vida em comum sem sonhos nem ingenuidade.
Bem sei que toda a gente tem segredos e esferas intímas e intransponíveis. Há um "eu" inacessível, até a nós próprios!
Mas, fiquei perturbado com essa visão (quase cínica) das coisas porque supõe que, afinal, o conhecimento profundo dos outros só pode provocar desencantamento. Como se os outros (todos) só pudessem ser genuinamente maus. Como se houvesse uma lei segundo a qual todos estivessemos condenados à tristeza e à desilusão... a não ser que nos mantenhamos no limbo do que se deve e não deve saber dos outros.
Poderia querer dizer que as coisas só funcionam entre um homem e uma mulher enquanto se mantiver uma espécie de hipnose, enquanto a realidade pura e simples não bater estrondosamente à porta da paixão, enquanto as pessoas não acordarem para a tangibilidade dos outros, enquanto se mantiverem na ficção mais uma menos breve.
Ou, o que seria ainda mais grave, caso nunca tenha havido sequer qualquer paixão, mas apenas um superficial negócio, acordo de conveniência ou pacto de vida em comum sem sonhos nem ingenuidade.
A supervisão
Parece que o Dr Vitor Constâncio vai ser Vice-presidente do Banco Central Europeu em substituição de um grego que ninguém conhece. De resto, estou seguro de que, para além de alguns portugas, pouquíssima gente conhecerá o Dr Constâncio lá fora. O que não tem nada de mal, dado o seu perfil putativamente técnico. E os técnicos têm muito menos popularidade do que os políticos ou do que alguns outros artistas. Em princípio, não é mau que um portuga ocupe um lugar assim tão alto numa instituição com a importância do BCE. Melhora a visibilidade do país, quer dizer que o pais terá pessoas à altura do desempenho dos cargos mais exigentes. Mas, esta conclusão tem de ser arredondada. De facto: 1) se temos pessoas assim tão boas deveriamos ser nós mesmos melhor geridos, em vez de desperdiçar recursos tão valiosos em luxos estrangeiros; 2) há casos de nomeações de topo feitas com lógicas de oportunidade e de coexistência política, mais do que de competência, que não nos deixam ficar bem na fotografia. O exemplo mais eloquente desta segunda consideração é o Dr Durão Barroso.Dito isto, o que me espanta é o facto de o Dr Constâncio ir ocupar um lugar com responsabilidades específicas na supervisão, ou seja, no controlo do que fazem os bancos em toda a Europa. Ora, dado o historial do Banco de Portugal (de que o Dr Constâncio ainda é Governador) nesta área (casos BCP, BPN e BPP) temo pelo que se possa passar na Europa. Seja como for, pode ser uma oportunidade para aprender e regressar com remédios eficazes contra os erros e desvarios passados.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Liberdade de expressão
Gostei muito da Grande Entrevista de hoje na RTP 1 do Dr Noronha de Nascimento, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Parti com o pé atrás porque o pouco conhecimento que tinha da personagem não me inspirava grande apreço. No entanto, o homem conseguiu defender-se muito bem das investidas assanhadas da Judite de Souza, mantendo-se nos limites estritos das suas funções institucionais e evitando emitir juizos ou opiniões que extravasassem dessas funções. Atingiu o cume quando "ousou" perguntar à dita Judite de Souza se os jornalistas seriam imunes à legitima defesa dos cidadãos (contra os mesmos jornalistas), a pretexto do supremo valor da liberdade de expressão. Aliás, quando a jornalista lhe perguntou se não achava que a liberdade de expressão é o principal valor da sociedade democrática, Noronha de Nascimento respondeu - e muitíssimo bem - que o valor mais alto e intocável é o do direito à vida.
Tudo isto vem a propósito da impunidade e do poder desmesurado dos jornalistas (ou de certos jornalistas) que, sem outra putativa legitimidade que não seja a da liberdade de expressão, fazem e dizem os maiores disparates e se permitem lesar a dignidade e a privacidade de quem quer que seja, numa busca desbragada de audiência e de notoriedade. O chamado 4° poder não pode arrogar-se o estatuto de 1° poder acima da lei, do bom senso e do pudor. Os jornalistas não podem ser uma espécie de "vacas sagradas" da democracia , não podem substituir os tribunais. Os cidadãos com responsabilidades públicas não podem comportar-se e decidir em função do que presumem ser a boa opinião dos jornalistas. Senão, quem manda é a imprensa e não a vontade democraticamente expressa.
Tudo isto sem prejuizo da liberdade de expressão, pilar fundamental de qualquer democracia.
Tudo isto vem a propósito da impunidade e do poder desmesurado dos jornalistas (ou de certos jornalistas) que, sem outra putativa legitimidade que não seja a da liberdade de expressão, fazem e dizem os maiores disparates e se permitem lesar a dignidade e a privacidade de quem quer que seja, numa busca desbragada de audiência e de notoriedade. O chamado 4° poder não pode arrogar-se o estatuto de 1° poder acima da lei, do bom senso e do pudor. Os jornalistas não podem ser uma espécie de "vacas sagradas" da democracia , não podem substituir os tribunais. Os cidadãos com responsabilidades públicas não podem comportar-se e decidir em função do que presumem ser a boa opinião dos jornalistas. Senão, quem manda é a imprensa e não a vontade democraticamente expressa.
Tudo isto sem prejuizo da liberdade de expressão, pilar fundamental de qualquer democracia.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
A "realidade" e os "mercados"
Nos tempos que correm, vocifera-se contra os chamados "mercados" que seriam responsáveis por todo o mal que atravessa a dívida pública de alguns inocentes países da União Europeia. Os "mercados" seriam uma cambada de especuladores sem escrúpulos que, por detrás de ecrãs cheios de cifras e de gráficos, perscrutam a menor fraqueza das finanças dos Estados para ganhar rios de dinheiro com estratégias obscuras como "short selling", à custa de contribuintes indefesos e cada vez mais depenados. De facto, os malvados especuladores e arbitragistas limitam-se a identificar oportunidades de ganho no âmbito de um modelo, no fim de contas, (des)regulado ou consentido pelos próprios Estados. Procuram actuar da forma mais eficaz para gerir riscos e maximizar lucros. [Às vezes enganam-se. E como! E depois até pedem ajuda aos Estados para evitar "problemas sistémicos"...] É a sua função e não há nada de maléfico, imoral ou diabólico nisso. Se a situação financeira de um devedor (de um Estado) coloca em dúvida a capacidade de cumprir os seus compromissos, designadamente por má gestão (das contas públicas), pede-se um prémio de risco mais elevado e antecipa-se uma redução do preço da divida. Os "mercados" podem mesmo ser considerados, paradoxalmente, como os mais avisados polícias de devedores imprudentes, irresponsáveis ou mal geridos, os garantes da "lei da gravidade" das finanças segundo a qual toda a dívida deve ser paga com poupança futura, por mais sacrifícios que tal possa representar, por mais ilusões que isso possa demolir.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Marcas
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
10 anos
Há dez anos era eu uma criança sem grandes responsabilidades para além de estudar e fazer os TPC’s. Agora sou membro daquele grupo a que chamam “adultos”, com vidas complicadas, responsabilidades a mais e bastante mais maturidade e força que há 10 anos atrás.
Há dez anos preocupava-me com os desenhos animados, hoje preocupo-me com o futuro.
Há dez anos lia Enid Blyton, Alice Vieira, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Maria Teresa Maia Gonzales. Hoje leio Piaget, Schneider, Erikson, Kohlberg, Frankl, Augusto Cury, Deepak Chopra, entre tantos outros…
Há dez anos os meus projectos para o futuro eram estar onde estou agora. Hoje prefiro não pensar muito no futuro e deixar a vida surpreender-me.
Há dez anos a Sofia nasceu. Era um bebé cor-de-rosa, fofíssimo, cheiinho de cabelo. Hoje a Sofia é uma menina “crescida” que gosta de conversar sobre assuntos dos adultos.
Há dez anos a Sofia veio ensinar-me a ser uma “irmã” mais velha. Hoje a Sofia ensina-me a ser madrinha, presente e preocupada.
Há dez anos a vida da Sofia era dormir e comer… e chorar quando tinha fome, cólicas ou a fralda suja. Hoje, a Sofia tem as suas responsabilidades na escola, vai à natação e brinca muito com as amigas.
Há dez anos eu e a Sofia conhecemo-nos pela primeira vez. Ela não sabia quem eu era e eu não sabia que ela ia ser tão importante para mim. Hoje a Sofia é ela própria e eu tenho um orgulho tremendo nela.
Há dez anos preocupava-me com os desenhos animados, hoje preocupo-me com o futuro.
Há dez anos lia Enid Blyton, Alice Vieira, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Maria Teresa Maia Gonzales. Hoje leio Piaget, Schneider, Erikson, Kohlberg, Frankl, Augusto Cury, Deepak Chopra, entre tantos outros…
Há dez anos os meus projectos para o futuro eram estar onde estou agora. Hoje prefiro não pensar muito no futuro e deixar a vida surpreender-me.
Há dez anos a Sofia nasceu. Era um bebé cor-de-rosa, fofíssimo, cheiinho de cabelo. Hoje a Sofia é uma menina “crescida” que gosta de conversar sobre assuntos dos adultos.
Há dez anos a Sofia veio ensinar-me a ser uma “irmã” mais velha. Hoje a Sofia ensina-me a ser madrinha, presente e preocupada.
Há dez anos a vida da Sofia era dormir e comer… e chorar quando tinha fome, cólicas ou a fralda suja. Hoje, a Sofia tem as suas responsabilidades na escola, vai à natação e brinca muito com as amigas.
Há dez anos eu e a Sofia conhecemo-nos pela primeira vez. Ela não sabia quem eu era e eu não sabia que ela ia ser tão importante para mim. Hoje a Sofia é ela própria e eu tenho um orgulho tremendo nela.
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
Milagre português
Este país é poucochinho. Os governantes, a oposição, os jornalistas. A quantidade de disparates que por aí se dizem e que por aí se fazem é arrepiante. Apesar de tudo, não estamos tão mal como poderiamos estar. E esse é o milagre português.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Um post irrelevante

Sabem quando as pessoas têm tiques de comunicação? Aquelas expressões que repetem incessantemente como se de vírgulas se tratassem?
O Abel Xavier não se cala com o "ou seja", sobretudo quando a Judite de Sousa lhe faz uma pergunta e ele começa a responder, não começa discurso nenhum sem "ou seja"...
O Abel Xavier não se cala com o "ou seja", sobretudo quando a Judite de Sousa lhe faz uma pergunta e ele começa a responder, não começa discurso nenhum sem "ou seja"...
Irrita!
PS - Porque raio é que a conversão ao islamismo do Abel Xavier é motivo para uma "Grande Entrevista"?!?!?
PS - Porque raio é que a conversão ao islamismo do Abel Xavier é motivo para uma "Grande Entrevista"?!?!?
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
O monstro da dívida
Ora aqui está um pequeno extracto do que dizem as horriveis agências de rating sobre Portugal:
"Portugal’s 2010 budget proposals, announced last Monday, reveal the scale of the challenges ahead for the country’s economy. They clearly underline the need for a credible deficit reduction plan to ensure the government's ability to reverse its adverse debt dynamics, and avoid further downward pressure on its credit quality. Ability to finance the debt – at a cost – is not in question for the foreseeable future for a Eurozone country such as Portugal. However, how much debt affordability will deteriorate and how easy it will be to improve debt affordability are questions that underlie our negative outlook on Portugal's rating. As a result, only a transparent and credible plan for deficit reduction will be sufficient to stabilise the rating where it currently stands."
Numa escala de AAA a Baa3 (para ficar apenas nas notas atribuidas a créditos bons - abaixo ficam os créditos "junk" ou... lixo), Portugal recebe Aa2 ou qualquer coisa como "16" numa escala de "0" a "20". Essa nota é definida da seguinte maneira: "Obligations rated Aa are judged to be of high quality and are subject to very low credit risk". Só que isso significa pagar cerca de 1% acima do que paga a Alemanha (que tem nota AAA ou "20" valores) por empréstimos em euros a 5-10 anos. Dada uma dívida externa total de cerca de 370 mil milhões de euros, conforme estimativas do Banco de Portugal, 1% por ano representa mais cerca de 3.7 mil milhões de euros de juros a pagar ao exterior ou o correspondente a cerca de 7 hospitais centrais ou uma grande parte do custo da reabilitação do parque de escolas secundárias. Mas, estamos muito melhor do que a Grécia que paga 1.5% a 1.8% acima do que pagamos nós...
"Portugal’s 2010 budget proposals, announced last Monday, reveal the scale of the challenges ahead for the country’s economy. They clearly underline the need for a credible deficit reduction plan to ensure the government's ability to reverse its adverse debt dynamics, and avoid further downward pressure on its credit quality. Ability to finance the debt – at a cost – is not in question for the foreseeable future for a Eurozone country such as Portugal. However, how much debt affordability will deteriorate and how easy it will be to improve debt affordability are questions that underlie our negative outlook on Portugal's rating. As a result, only a transparent and credible plan for deficit reduction will be sufficient to stabilise the rating where it currently stands."
Numa escala de AAA a Baa3 (para ficar apenas nas notas atribuidas a créditos bons - abaixo ficam os créditos "junk" ou... lixo), Portugal recebe Aa2 ou qualquer coisa como "16" numa escala de "0" a "20". Essa nota é definida da seguinte maneira: "Obligations rated Aa are judged to be of high quality and are subject to very low credit risk". Só que isso significa pagar cerca de 1% acima do que paga a Alemanha (que tem nota AAA ou "20" valores) por empréstimos em euros a 5-10 anos. Dada uma dívida externa total de cerca de 370 mil milhões de euros, conforme estimativas do Banco de Portugal, 1% por ano representa mais cerca de 3.7 mil milhões de euros de juros a pagar ao exterior ou o correspondente a cerca de 7 hospitais centrais ou uma grande parte do custo da reabilitação do parque de escolas secundárias. Mas, estamos muito melhor do que a Grécia que paga 1.5% a 1.8% acima do que pagamos nós...
domingo, janeiro 31, 2010
Clint Eastwood, rugby e boas causas
Um filme que sai do que se poderia esperar de Clint Eastwood. Que centra no rugby o esforço de reconciliação entre negros e brancos na África do Sul de Mandela. Mais parece um documentário sobre a preparação dos Springboks para a surpreendente vitória no Campeonato do Mundo de 1995. O que chateia é o excesso de simplicidade, a total ausência de espessura dramática. Até a qualidade das cenas de rugby é duvidosa... Temos um Morgan Freeman e um Matt Demon que se prestam ao exercício quase por caridade e pronto. Terá sido uma encomenda de algum ministério da propaganda? Se assim fosse, de qualquer maneira, até seria respeitável dada a inequívoca boa causa... E depois a semelhança fisica entre Freeman e Mandela é realmente incrível.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Heróis
Dos nossos heróis, geralmente conhecemos a biografia. A sua história pessoal e, em certos casos, profissional ou artística. Ficamos fascinados quando encontramos uma fotografia que não conhecíamos, quando temos a oportunidade de ler ou ouvir um testemunho de alguém que conhece ou conheceu aquelas pessoas que tanto admiramos...
Quando os nossos heróis partem, estranhamos. Ficamos com uma incómoda sensação de vazio. Por vezes choramos por aquelas pessoas que nem nunca sequer conhecemos, com quem nunca privámos, mas que admiramos profundamente.
Raras vezes, temos o privilégio de conhecer um herói... De estar diante desse herói cara-a-cara e sabermos que, de facto, o é. Quando tal ocorre, é fascinante saber a sua história pela sua própria boca. Partilhar alegrias e frustrações. Acompanhar lutas, sucessos e fracassos. Sorrir e receber um sorriso em troca. Sofrer e receber um consolo sábio como resposta. Olhar e sentir que, mesmo que a pessoa não saiba, temos uma admiração profunda pelo seu trabalho e pela pessoa que é.
Eu tenho o privilégio de ter conhecido uma heroína. Um ser humano simples, mas enorme em bondade. Uma professora humilde, mas grandiosa em saber e sabedoria. Uma amiga discreta, mas cheia de amor no coração. Uma daquelas pessoas que me tocou e marcou a minha vida e a vida de todos os que a conheceram.
Hoje despedi-me dessa heroína e ficou, mais do que uma estranheza, muitas certezas...
...a certeza de que nunca, nunca na minha vida, conhecerei alguém assim...
...a certeza de que por muito que sofra pela sua partida, a felicidade de a ter tido na minha vida será eterna...
...a certeza de que tenho um imenso e profundo orgulho por poder dizer que me transmitiu, não só, um imenso saber, mas também uma gigante sabedoria...
...a certeza de que conheci uma heroína que nunca esquecerei e que sempre admirarei...
Obrigada por me ensinar que a vida é uma batalha que vale a pena travar.
Quando os nossos heróis partem, estranhamos. Ficamos com uma incómoda sensação de vazio. Por vezes choramos por aquelas pessoas que nem nunca sequer conhecemos, com quem nunca privámos, mas que admiramos profundamente.
Raras vezes, temos o privilégio de conhecer um herói... De estar diante desse herói cara-a-cara e sabermos que, de facto, o é. Quando tal ocorre, é fascinante saber a sua história pela sua própria boca. Partilhar alegrias e frustrações. Acompanhar lutas, sucessos e fracassos. Sorrir e receber um sorriso em troca. Sofrer e receber um consolo sábio como resposta. Olhar e sentir que, mesmo que a pessoa não saiba, temos uma admiração profunda pelo seu trabalho e pela pessoa que é.
Eu tenho o privilégio de ter conhecido uma heroína. Um ser humano simples, mas enorme em bondade. Uma professora humilde, mas grandiosa em saber e sabedoria. Uma amiga discreta, mas cheia de amor no coração. Uma daquelas pessoas que me tocou e marcou a minha vida e a vida de todos os que a conheceram.
Hoje despedi-me dessa heroína e ficou, mais do que uma estranheza, muitas certezas...
...a certeza de que nunca, nunca na minha vida, conhecerei alguém assim...
...a certeza de que por muito que sofra pela sua partida, a felicidade de a ter tido na minha vida será eterna...
...a certeza de que tenho um imenso e profundo orgulho por poder dizer que me transmitiu, não só, um imenso saber, mas também uma gigante sabedoria...
...a certeza de que conheci uma heroína que nunca esquecerei e que sempre admirarei...
Obrigada por me ensinar que a vida é uma batalha que vale a pena travar.
domingo, janeiro 24, 2010
Mais uma história de segredos e mentiras...
Ainda bem que na América há mais cinema do que aquele que é feito em Hollywood pelos do costume. Este filme é uma prova disso mesmo. O cinema mainstream, de resto, parece-me estar a passar por um período de pouca inspiração. E nem os escassos sucessos de bilheteira tipo "Avatar" o salvam... "City Island" é um bom pedaço de realismo americano com um final talvez demasiado trivial e previsível, mas nem por isso menos feliz. Bem haja Andy Garcia, actor principal que enche literalmente o ecrã.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Aquecimento
É bom ter a caminha quente no Inverno quando se vai... dormir. A tradicional botija de água quente não chega porque só aquece um pequeno espaço. Os cobertores eléctricos provocam desconfiança - há quem tenha medo de ser vítima de electro-choques. Vai daí, a rede de hotéis Holiday Inn teve uma ideia peregrina que está a suscitar alguma polémica. Nos seus hotéis da Bretanha, em França, propõe um serviço que consiste em fazer deitar na cama um empregado (ou empregada) pouco tempo antes da chegada dos hóspedes... Supõe-se que o dito funcionário (ou funcionária) aquecedor(a) saiam antes dos hóspedes se deitarem em ninho tão acolhedor. Também se supõe que tal solução seja especialmente destinada a "singles"... Mas, nunca se sabe. Com tanto frio por aí anda...
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Ãh?
Há quem diga que, num cantor, o mais importante é a voz, o timbre, a afinação. Sem dúvida nenhuma que é.
Mas, dito isto, a aparência também conta, nem que seja só um bocadinho...
Estas três senhoras apareceram assim nos Globos de Ouro e, quer-me parecer, são o exemplo claro do que NÃO é estar no seu melhor.
(Mas cantam que é uma maravilha!)
sábado, janeiro 16, 2010
Será de propósito?
Situação 1:
A Alice tem uma impressora a cores de que raramente precisa. O tinteiro de cores dura há vários meses, tendo tido uma utilização muitíssimo esporádica.
Situação 2:
Uma das raríssimas vezes em que a Alice precisa, de facto, da sua impressora a cores (para imprimir gráficos para o relatório de estágio parcelar), a *#$%&$/(&%$#$!#%!&$%($&/%$%$# do tinteiro de cores fica sem tinta.
Questão 1:
Será que o Universo decidiu que a Alice deve ocupar um bocadinho do seu Sábado a deslocar-se ao Centro Comercial, em época de saldos, portanto, cheio de gente, só para comprar um tinteiro?
Questão 2:
Será que o Universo (ou o raio que o parta) decidiu, depois de semanas de trabalho de volta do relatório, aproveitar a altura exacta em que a Alice queria ver tudo despachado e pronto a entregar, para testar os seus nervos e a sua paciência?
A Alice tem uma impressora a cores de que raramente precisa. O tinteiro de cores dura há vários meses, tendo tido uma utilização muitíssimo esporádica.
Situação 2:
Uma das raríssimas vezes em que a Alice precisa, de facto, da sua impressora a cores (para imprimir gráficos para o relatório de estágio parcelar), a *#$%&$/(&%$#$!#%!&$%($&/%$%$# do tinteiro de cores fica sem tinta.
Questão 1:
Será que o Universo decidiu que a Alice deve ocupar um bocadinho do seu Sábado a deslocar-se ao Centro Comercial, em época de saldos, portanto, cheio de gente, só para comprar um tinteiro?
Questão 2:
Será que o Universo (ou o raio que o parta) decidiu, depois de semanas de trabalho de volta do relatório, aproveitar a altura exacta em que a Alice queria ver tudo despachado e pronto a entregar, para testar os seus nervos e a sua paciência?
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Haiti

Só faltava o Haiti para tornar este Inverno ainda mais longo, frio, escuro e pesado.
Mas, todos os Invernos passam.
Só algumas almas não lhes sobrevivem.
As que ficam desfazem-se em coragem, esperando pelo calor.
Caindo na circularidade falsa do tempo e na esperança infundada de outro modo.
Sem escravos.
quarta-feira, janeiro 13, 2010
(Re)descobrir os 14 anos
sábado, janeiro 09, 2010
Filme nada "bright"
Sábado à tarde de frio canino dá: ficar em casa (solução perfeitamente avisada) ou passear em espaços fechados como centros comerciais onde as lojas desfilam à nossa frente, obsoletas do período frenético de compras que se terminou, depois das inevitáveis trocas e baldrocas das prendas de Natal. Fica uma ída ao cinema no supracitado centro comercial com escolha de recurso do filme a visionar. E lá vamos ao último da Neo-zelandeza Jane Campion: "Bright Star" (com direito a Cannes e tudo). O resultado, que poderia muito bem ter sido uma agradável surpresa, foi simplesmente a confirmação da solução muitíssimo de recurso: um grande pastelão para supostamente retratar a paixão sem compromissos celebrada pelo romantismo britânico. Em duas palavras: «a evitar» porque o tema é deslocado e porque a forma é fastidiosa e entediante, podendo convidar a uma valente soneca (pese embora o preço do bilhete a pagar...).
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Se eu mandasse nas palavras...
Como se eu mandasse nas palavras
Pediram-me que a dor fosse um sorriso
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram-me ser louca e ser juízo
Como se eu mandasse nas palavras
Falaram-me que a água era o deserto
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram ser o mesmo o longe e o perto
Palavras não são só aquilo que eu oiço
Não peçam que eu lhes ganhe ou não as sinta
Palavras são demais para o que posso
Não queiram que eu as vença ou que lhes minta
Como se eu mandasse nas palavras
Quiseram que trocasse Sol por Lua
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram-me que amar-te era ser tua
Como se eu mandasse nas palavras
Quiseram que emendasse o que está escrito
Para quê? Se eu mandasse nas palavras
Daria agora o dito por não dito.
Palavras não são só aquilo que oiço
Não peçam que eu lhes ganhe ou que não as sinta
Palavras são demais para o que posso
Não queiram que eu as vença ou que lhes minta.
Avatar
O raio do filme nem é tão bom nem tão mau como me tinham dito que era... É um filme giro, com efeitos especiais todos xpto em que se cruzam os conceitos da Pocahontas*, do Senhor dos Anéis** e da Verdade Inconveniente***... Só isso.
Tenho dito.
*A história de um ser civilizado que vai em busca de riqueza numa terra estranha, mas apaixona-se por uma indígena e tudo muda na sua vida.
**Um mundo paralelo, com elementos próprios (fauna e flora diferentes, linguagens diferentes, aparências estranhas, etc.).
***Um pendor ambientalista que tenta chamar a atenção para o valor da natureza e para as barbaridades que se têm feito ao ignorar esse mesmo valor.
**Um mundo paralelo, com elementos próprios (fauna e flora diferentes, linguagens diferentes, aparências estranhas, etc.).
***Um pendor ambientalista que tenta chamar a atenção para o valor da natureza e para as barbaridades que se têm feito ao ignorar esse mesmo valor.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Sinais dos tempos
segunda-feira, janeiro 04, 2010

Theres no such thing as a grown-up. We move out, we move away from our families. But the basic insecurities, the fears and all the old wounds just grow up with us. We get bigger, taller, older. But, for the most part, we are still a bunch of kids, running around the playground, trying desperately to fit in.
in Grey's Anatomy
in Grey's Anatomy
2000-2009

Bush
Obama
Entrada em vigor do Euro
11 de Setembro
Maddie
Tsunami
Katrina
Papa João Paulo II e Papa Bento XVI
Harry Potter
Casa Pia
Michael Jackson
Saddam Hussein
Tudo isto e muito mais nos traz memórias fortes e claras e tudo isto e muito mais aconteceu na década que terminou há dias.
Tudo isto está ilustrado numa compilação de Imagens Marcantes da Década. Vale a pena espreitar e tentar encontrar o facto mais marcante... (eu ainda não me consegui decidir)...
E para além do que aconteceu no mundo, importa também pensar no que aconteceu em cada um de nós...
Tudo isto está ilustrado numa compilação de Imagens Marcantes da Década. Vale a pena espreitar e tentar encontrar o facto mais marcante... (eu ainda não me consegui decidir)...
E para além do que aconteceu no mundo, importa também pensar no que aconteceu em cada um de nós...
domingo, janeiro 03, 2010
Cultura de massa
Antigamente, eramos poucos a gostar de arte e de cultura e a ter dinheiro e tempo para usufruir dos prazeres do espírito. Os sítios bonitos, as obras de arte eram pouco frequentados. De facto, eram frequentados só por nós, a élite, o creme da sociedade e do bom gosto. Havia espaço e tempo para gozar essas preciosidades. Sobretudo, não havia filas intermináveis para entrar em museus, em galerias, em palácios e castelos. Outros tempos em que a aristocracia era verdadeira aristocracia, que não se misturava com a plebe, com a canalha... que tem o espírito nos intestinos.Agora, não. Veio a democracia, o poder de compra, a classe média (mesmo muito média...), os meios de comunicação de massa, rápidos e baratos. Veio a cultura difusa e rasteira, considerada "bem público", portanto, supostamente acessível a todos, as fornadas de liceais e universitários que julgam conhecer o Renascimento porque foram à Wikipédia pesquisar as palavras "Código Da Vinci". Toda essa gente para quem a cultura se ostenta como os carros de "tunning" ou as malas Louis Vuitton de contrabando, enche agora os museus e as exposições de gritos, suor, correrias e olhares esgazeados. E nós, as pessoas de bem, que sabemos tanto de História da Arte, sentimo-nos ultrajadas e vilipendiadas no meio desses "troupeau de canaille". Devia haver um "numerus clausus" para frequentar certos areópagos da sabedoria, uma espécie de passaporte a que apenas os eleitos teriam acesso depois de passarem um rigoroso exame de boas maneiras, gosto e erudição. Ou então que metam os preços dos bilhetes a níveis consentâneos com um equilíbrio razoável entre oferta e procura e que esqueçam o direito de todos à cultura!
Abaixo a democracia, sistema da banalidade, das médias e das maiorias.
Viva a aristocracia, sistema das minorias de requinte e bom gosto.
Cinderella
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