Um filme que sai do que se poderia esperar de Clint Eastwood. Que centra no rugby o esforço de reconciliação entre negros e brancos na África do Sul de Mandela. Mais parece um documentário sobre a preparação dos Springboks para a surpreendente vitória no Campeonato do Mundo de 1995. O que chateia é o excesso de simplicidade, a total ausência de espessura dramática. Até a qualidade das cenas de rugby é duvidosa... Temos um Morgan Freeman e um Matt Demon que se prestam ao exercício quase por caridade e pronto. Terá sido uma encomenda de algum ministério da propaganda? Se assim fosse, de qualquer maneira, até seria respeitável dada a inequívoca boa causa... E depois a semelhança fisica entre Freeman e Mandela é realmente incrível.
domingo, janeiro 31, 2010
Clint Eastwood, rugby e boas causas
Um filme que sai do que se poderia esperar de Clint Eastwood. Que centra no rugby o esforço de reconciliação entre negros e brancos na África do Sul de Mandela. Mais parece um documentário sobre a preparação dos Springboks para a surpreendente vitória no Campeonato do Mundo de 1995. O que chateia é o excesso de simplicidade, a total ausência de espessura dramática. Até a qualidade das cenas de rugby é duvidosa... Temos um Morgan Freeman e um Matt Demon que se prestam ao exercício quase por caridade e pronto. Terá sido uma encomenda de algum ministério da propaganda? Se assim fosse, de qualquer maneira, até seria respeitável dada a inequívoca boa causa... E depois a semelhança fisica entre Freeman e Mandela é realmente incrível.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Heróis
Dos nossos heróis, geralmente conhecemos a biografia. A sua história pessoal e, em certos casos, profissional ou artística. Ficamos fascinados quando encontramos uma fotografia que não conhecíamos, quando temos a oportunidade de ler ou ouvir um testemunho de alguém que conhece ou conheceu aquelas pessoas que tanto admiramos...
Quando os nossos heróis partem, estranhamos. Ficamos com uma incómoda sensação de vazio. Por vezes choramos por aquelas pessoas que nem nunca sequer conhecemos, com quem nunca privámos, mas que admiramos profundamente.
Raras vezes, temos o privilégio de conhecer um herói... De estar diante desse herói cara-a-cara e sabermos que, de facto, o é. Quando tal ocorre, é fascinante saber a sua história pela sua própria boca. Partilhar alegrias e frustrações. Acompanhar lutas, sucessos e fracassos. Sorrir e receber um sorriso em troca. Sofrer e receber um consolo sábio como resposta. Olhar e sentir que, mesmo que a pessoa não saiba, temos uma admiração profunda pelo seu trabalho e pela pessoa que é.
Eu tenho o privilégio de ter conhecido uma heroína. Um ser humano simples, mas enorme em bondade. Uma professora humilde, mas grandiosa em saber e sabedoria. Uma amiga discreta, mas cheia de amor no coração. Uma daquelas pessoas que me tocou e marcou a minha vida e a vida de todos os que a conheceram.
Hoje despedi-me dessa heroína e ficou, mais do que uma estranheza, muitas certezas...
...a certeza de que nunca, nunca na minha vida, conhecerei alguém assim...
...a certeza de que por muito que sofra pela sua partida, a felicidade de a ter tido na minha vida será eterna...
...a certeza de que tenho um imenso e profundo orgulho por poder dizer que me transmitiu, não só, um imenso saber, mas também uma gigante sabedoria...
...a certeza de que conheci uma heroína que nunca esquecerei e que sempre admirarei...
Obrigada por me ensinar que a vida é uma batalha que vale a pena travar.
Quando os nossos heróis partem, estranhamos. Ficamos com uma incómoda sensação de vazio. Por vezes choramos por aquelas pessoas que nem nunca sequer conhecemos, com quem nunca privámos, mas que admiramos profundamente.
Raras vezes, temos o privilégio de conhecer um herói... De estar diante desse herói cara-a-cara e sabermos que, de facto, o é. Quando tal ocorre, é fascinante saber a sua história pela sua própria boca. Partilhar alegrias e frustrações. Acompanhar lutas, sucessos e fracassos. Sorrir e receber um sorriso em troca. Sofrer e receber um consolo sábio como resposta. Olhar e sentir que, mesmo que a pessoa não saiba, temos uma admiração profunda pelo seu trabalho e pela pessoa que é.
Eu tenho o privilégio de ter conhecido uma heroína. Um ser humano simples, mas enorme em bondade. Uma professora humilde, mas grandiosa em saber e sabedoria. Uma amiga discreta, mas cheia de amor no coração. Uma daquelas pessoas que me tocou e marcou a minha vida e a vida de todos os que a conheceram.
Hoje despedi-me dessa heroína e ficou, mais do que uma estranheza, muitas certezas...
...a certeza de que nunca, nunca na minha vida, conhecerei alguém assim...
...a certeza de que por muito que sofra pela sua partida, a felicidade de a ter tido na minha vida será eterna...
...a certeza de que tenho um imenso e profundo orgulho por poder dizer que me transmitiu, não só, um imenso saber, mas também uma gigante sabedoria...
...a certeza de que conheci uma heroína que nunca esquecerei e que sempre admirarei...
Obrigada por me ensinar que a vida é uma batalha que vale a pena travar.
domingo, janeiro 24, 2010
Mais uma história de segredos e mentiras...
Ainda bem que na América há mais cinema do que aquele que é feito em Hollywood pelos do costume. Este filme é uma prova disso mesmo. O cinema mainstream, de resto, parece-me estar a passar por um período de pouca inspiração. E nem os escassos sucessos de bilheteira tipo "Avatar" o salvam... "City Island" é um bom pedaço de realismo americano com um final talvez demasiado trivial e previsível, mas nem por isso menos feliz. Bem haja Andy Garcia, actor principal que enche literalmente o ecrã.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Aquecimento
É bom ter a caminha quente no Inverno quando se vai... dormir. A tradicional botija de água quente não chega porque só aquece um pequeno espaço. Os cobertores eléctricos provocam desconfiança - há quem tenha medo de ser vítima de electro-choques. Vai daí, a rede de hotéis Holiday Inn teve uma ideia peregrina que está a suscitar alguma polémica. Nos seus hotéis da Bretanha, em França, propõe um serviço que consiste em fazer deitar na cama um empregado (ou empregada) pouco tempo antes da chegada dos hóspedes... Supõe-se que o dito funcionário (ou funcionária) aquecedor(a) saiam antes dos hóspedes se deitarem em ninho tão acolhedor. Também se supõe que tal solução seja especialmente destinada a "singles"... Mas, nunca se sabe. Com tanto frio por aí anda...
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Ãh?
Há quem diga que, num cantor, o mais importante é a voz, o timbre, a afinação. Sem dúvida nenhuma que é.
Mas, dito isto, a aparência também conta, nem que seja só um bocadinho...
Estas três senhoras apareceram assim nos Globos de Ouro e, quer-me parecer, são o exemplo claro do que NÃO é estar no seu melhor.
(Mas cantam que é uma maravilha!)
sábado, janeiro 16, 2010
Será de propósito?
Situação 1:
A Alice tem uma impressora a cores de que raramente precisa. O tinteiro de cores dura há vários meses, tendo tido uma utilização muitíssimo esporádica.
Situação 2:
Uma das raríssimas vezes em que a Alice precisa, de facto, da sua impressora a cores (para imprimir gráficos para o relatório de estágio parcelar), a *#$%&$/(&%$#$!#%!&$%($&/%$%$# do tinteiro de cores fica sem tinta.
Questão 1:
Será que o Universo decidiu que a Alice deve ocupar um bocadinho do seu Sábado a deslocar-se ao Centro Comercial, em época de saldos, portanto, cheio de gente, só para comprar um tinteiro?
Questão 2:
Será que o Universo (ou o raio que o parta) decidiu, depois de semanas de trabalho de volta do relatório, aproveitar a altura exacta em que a Alice queria ver tudo despachado e pronto a entregar, para testar os seus nervos e a sua paciência?
A Alice tem uma impressora a cores de que raramente precisa. O tinteiro de cores dura há vários meses, tendo tido uma utilização muitíssimo esporádica.
Situação 2:
Uma das raríssimas vezes em que a Alice precisa, de facto, da sua impressora a cores (para imprimir gráficos para o relatório de estágio parcelar), a *#$%&$/(&%$#$!#%!&$%($&/%$%$# do tinteiro de cores fica sem tinta.
Questão 1:
Será que o Universo decidiu que a Alice deve ocupar um bocadinho do seu Sábado a deslocar-se ao Centro Comercial, em época de saldos, portanto, cheio de gente, só para comprar um tinteiro?
Questão 2:
Será que o Universo (ou o raio que o parta) decidiu, depois de semanas de trabalho de volta do relatório, aproveitar a altura exacta em que a Alice queria ver tudo despachado e pronto a entregar, para testar os seus nervos e a sua paciência?
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Haiti

Só faltava o Haiti para tornar este Inverno ainda mais longo, frio, escuro e pesado.
Mas, todos os Invernos passam.
Só algumas almas não lhes sobrevivem.
As que ficam desfazem-se em coragem, esperando pelo calor.
Caindo na circularidade falsa do tempo e na esperança infundada de outro modo.
Sem escravos.
quarta-feira, janeiro 13, 2010
(Re)descobrir os 14 anos
sábado, janeiro 09, 2010
Filme nada "bright"
Sábado à tarde de frio canino dá: ficar em casa (solução perfeitamente avisada) ou passear em espaços fechados como centros comerciais onde as lojas desfilam à nossa frente, obsoletas do período frenético de compras que se terminou, depois das inevitáveis trocas e baldrocas das prendas de Natal. Fica uma ída ao cinema no supracitado centro comercial com escolha de recurso do filme a visionar. E lá vamos ao último da Neo-zelandeza Jane Campion: "Bright Star" (com direito a Cannes e tudo). O resultado, que poderia muito bem ter sido uma agradável surpresa, foi simplesmente a confirmação da solução muitíssimo de recurso: um grande pastelão para supostamente retratar a paixão sem compromissos celebrada pelo romantismo britânico. Em duas palavras: «a evitar» porque o tema é deslocado e porque a forma é fastidiosa e entediante, podendo convidar a uma valente soneca (pese embora o preço do bilhete a pagar...).
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Se eu mandasse nas palavras...
Como se eu mandasse nas palavras
Pediram-me que a dor fosse um sorriso
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram-me ser louca e ser juízo
Como se eu mandasse nas palavras
Falaram-me que a água era o deserto
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram ser o mesmo o longe e o perto
Palavras não são só aquilo que eu oiço
Não peçam que eu lhes ganhe ou não as sinta
Palavras são demais para o que posso
Não queiram que eu as vença ou que lhes minta
Como se eu mandasse nas palavras
Quiseram que trocasse Sol por Lua
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram-me que amar-te era ser tua
Como se eu mandasse nas palavras
Quiseram que emendasse o que está escrito
Para quê? Se eu mandasse nas palavras
Daria agora o dito por não dito.
Palavras não são só aquilo que oiço
Não peçam que eu lhes ganhe ou que não as sinta
Palavras são demais para o que posso
Não queiram que eu as vença ou que lhes minta.
Avatar
O raio do filme nem é tão bom nem tão mau como me tinham dito que era... É um filme giro, com efeitos especiais todos xpto em que se cruzam os conceitos da Pocahontas*, do Senhor dos Anéis** e da Verdade Inconveniente***... Só isso.
Tenho dito.
*A história de um ser civilizado que vai em busca de riqueza numa terra estranha, mas apaixona-se por uma indígena e tudo muda na sua vida.
**Um mundo paralelo, com elementos próprios (fauna e flora diferentes, linguagens diferentes, aparências estranhas, etc.).
***Um pendor ambientalista que tenta chamar a atenção para o valor da natureza e para as barbaridades que se têm feito ao ignorar esse mesmo valor.
**Um mundo paralelo, com elementos próprios (fauna e flora diferentes, linguagens diferentes, aparências estranhas, etc.).
***Um pendor ambientalista que tenta chamar a atenção para o valor da natureza e para as barbaridades que se têm feito ao ignorar esse mesmo valor.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Sinais dos tempos
segunda-feira, janeiro 04, 2010

Theres no such thing as a grown-up. We move out, we move away from our families. But the basic insecurities, the fears and all the old wounds just grow up with us. We get bigger, taller, older. But, for the most part, we are still a bunch of kids, running around the playground, trying desperately to fit in.
in Grey's Anatomy
in Grey's Anatomy
2000-2009

Bush
Obama
Entrada em vigor do Euro
11 de Setembro
Maddie
Tsunami
Katrina
Papa João Paulo II e Papa Bento XVI
Harry Potter
Casa Pia
Michael Jackson
Saddam Hussein
Tudo isto e muito mais nos traz memórias fortes e claras e tudo isto e muito mais aconteceu na década que terminou há dias.
Tudo isto está ilustrado numa compilação de Imagens Marcantes da Década. Vale a pena espreitar e tentar encontrar o facto mais marcante... (eu ainda não me consegui decidir)...
E para além do que aconteceu no mundo, importa também pensar no que aconteceu em cada um de nós...
Tudo isto está ilustrado numa compilação de Imagens Marcantes da Década. Vale a pena espreitar e tentar encontrar o facto mais marcante... (eu ainda não me consegui decidir)...
E para além do que aconteceu no mundo, importa também pensar no que aconteceu em cada um de nós...
domingo, janeiro 03, 2010
Cultura de massa
Antigamente, eramos poucos a gostar de arte e de cultura e a ter dinheiro e tempo para usufruir dos prazeres do espírito. Os sítios bonitos, as obras de arte eram pouco frequentados. De facto, eram frequentados só por nós, a élite, o creme da sociedade e do bom gosto. Havia espaço e tempo para gozar essas preciosidades. Sobretudo, não havia filas intermináveis para entrar em museus, em galerias, em palácios e castelos. Outros tempos em que a aristocracia era verdadeira aristocracia, que não se misturava com a plebe, com a canalha... que tem o espírito nos intestinos.Agora, não. Veio a democracia, o poder de compra, a classe média (mesmo muito média...), os meios de comunicação de massa, rápidos e baratos. Veio a cultura difusa e rasteira, considerada "bem público", portanto, supostamente acessível a todos, as fornadas de liceais e universitários que julgam conhecer o Renascimento porque foram à Wikipédia pesquisar as palavras "Código Da Vinci". Toda essa gente para quem a cultura se ostenta como os carros de "tunning" ou as malas Louis Vuitton de contrabando, enche agora os museus e as exposições de gritos, suor, correrias e olhares esgazeados. E nós, as pessoas de bem, que sabemos tanto de História da Arte, sentimo-nos ultrajadas e vilipendiadas no meio desses "troupeau de canaille". Devia haver um "numerus clausus" para frequentar certos areópagos da sabedoria, uma espécie de passaporte a que apenas os eleitos teriam acesso depois de passarem um rigoroso exame de boas maneiras, gosto e erudição. Ou então que metam os preços dos bilhetes a níveis consentâneos com um equilíbrio razoável entre oferta e procura e que esqueçam o direito de todos à cultura!
Abaixo a democracia, sistema da banalidade, das médias e das maiorias.
Viva a aristocracia, sistema das minorias de requinte e bom gosto.
Cinderella
sábado, janeiro 02, 2010
2010
terça-feira, dezembro 29, 2009
segunda-feira, dezembro 28, 2009
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Natal de crise
Sensação estranha de ausência de Natal, de estar fora de uma quadra que noutros tempos me enchia de sentimentos fortes.
Essa impressão de não pertencer ao suposto espírito da época parece ser partilhada por outras pessoas da minha convivência.
Espanta-me, ao mesmo tempo, a facilidade com que as pessoas trocam votos disto e daquilo, coisas estereotipadas destes dias, porque sim, porque não pode ser de outro modo. Parecem actos de desespero, para manter uma tradição que já vale pouco, mas cuja descontinuidade significaria a resignação definitiva ao non-sense disto tudo. Deixa-me estarrecida a facilidade com que pessoas que mal se conhecem trocam desejos de felicidade, saúde, sucesso, prosperidade, amor, serenidade, plenitude, etc, etc. Trata-se de criaturas que se viram uma vez numa reunião para falar de negócios e de interesses quejandos e, depois, numa cascata de bons sentimentos de véspera do Natal, excedem-se em putativos afectos e ternura e enchem caixas de correio das mensagens mais inflamadas que, obviamente, soam a falso, a descabido ou, simplesmente, a nada! Tudo dispensável se imperasse a verdade e se as pessoas se concentrassem na expressão de desejos a outras pessoas com quem verdadeiramente se tem qualquer coisa em comum no plano das emoções.
Parece oficial ser bonzinho ou parecer bonzinho, fazer um interregno (cosmético) na agressividade e na maldade. Corações ao alto! Lá vamos nós em busca da redenção e da paz. Depois volta tudo ao mesmo e ficam apenas cadáveres de emoções oportunas e cartões de boas festas sem tempo para desbotar.
Estas impressões cruzam-se com outras sobre o estado (fisiológico) do país. E tudo faz sentido. Infelizmente. Cruzo-me cada vez mais com pessoas, jovens e menos jovens, com a má vida escrita na cara. Transpiram desemprego, fome, privações de toda a espécie, precaridade, solidão, sofrimento. Em duas palavras: má vida. Este país está mal, depois da euforia do endividamento, atolado na fatalidade do reembolso doloroso ou do calote mais ou menos envergonhado. Este país é uma meia dúzia de bem nutridos de expedientes ou que pertencem a raros nichos de sucesso, e uma multidão que resiste ao declíneo e à miséria. Este país tem andado para trás e parece-me condenado, na melhor das hipóteses, a uma longa estagnação, amortecida pelas mordomias da integração numa Europa de que continuará a divergir.
Para se viver bem é preciso produzir bem (não necessariamente muito e barato). Isso só se consegue com cultura, formação, sensibilidade, o que é incompatível com a cacofonia de uma legislatura e exige uma liderança esclarecida que, visivelmente, não há. O que há é crispação e incompetência na disputa por poderes que se auto-satisfazem, que se esgotam na conveniência mais rasteira. Poderes sem ideias nem projectos.
Essa impressão de não pertencer ao suposto espírito da época parece ser partilhada por outras pessoas da minha convivência.
Espanta-me, ao mesmo tempo, a facilidade com que as pessoas trocam votos disto e daquilo, coisas estereotipadas destes dias, porque sim, porque não pode ser de outro modo. Parecem actos de desespero, para manter uma tradição que já vale pouco, mas cuja descontinuidade significaria a resignação definitiva ao non-sense disto tudo. Deixa-me estarrecida a facilidade com que pessoas que mal se conhecem trocam desejos de felicidade, saúde, sucesso, prosperidade, amor, serenidade, plenitude, etc, etc. Trata-se de criaturas que se viram uma vez numa reunião para falar de negócios e de interesses quejandos e, depois, numa cascata de bons sentimentos de véspera do Natal, excedem-se em putativos afectos e ternura e enchem caixas de correio das mensagens mais inflamadas que, obviamente, soam a falso, a descabido ou, simplesmente, a nada! Tudo dispensável se imperasse a verdade e se as pessoas se concentrassem na expressão de desejos a outras pessoas com quem verdadeiramente se tem qualquer coisa em comum no plano das emoções.
Parece oficial ser bonzinho ou parecer bonzinho, fazer um interregno (cosmético) na agressividade e na maldade. Corações ao alto! Lá vamos nós em busca da redenção e da paz. Depois volta tudo ao mesmo e ficam apenas cadáveres de emoções oportunas e cartões de boas festas sem tempo para desbotar.
Estas impressões cruzam-se com outras sobre o estado (fisiológico) do país. E tudo faz sentido. Infelizmente. Cruzo-me cada vez mais com pessoas, jovens e menos jovens, com a má vida escrita na cara. Transpiram desemprego, fome, privações de toda a espécie, precaridade, solidão, sofrimento. Em duas palavras: má vida. Este país está mal, depois da euforia do endividamento, atolado na fatalidade do reembolso doloroso ou do calote mais ou menos envergonhado. Este país é uma meia dúzia de bem nutridos de expedientes ou que pertencem a raros nichos de sucesso, e uma multidão que resiste ao declíneo e à miséria. Este país tem andado para trás e parece-me condenado, na melhor das hipóteses, a uma longa estagnação, amortecida pelas mordomias da integração numa Europa de que continuará a divergir.
Para se viver bem é preciso produzir bem (não necessariamente muito e barato). Isso só se consegue com cultura, formação, sensibilidade, o que é incompatível com a cacofonia de uma legislatura e exige uma liderança esclarecida que, visivelmente, não há. O que há é crispação e incompetência na disputa por poderes que se auto-satisfazem, que se esgotam na conveniência mais rasteira. Poderes sem ideias nem projectos.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
:)
A propósito de duas semanas sem ida à psicologia por causa dos feriados:
"Oh stôra, já tinha saudades suas!"
(Ganhei o dia!)
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Levar na cara
Na sequência da agressão a Berlusconi, aparentemente, está a desenvolver-se em Itália um movimento denominado "Santo, subito!", ou seja: "Santo, já!". Trata-se de um apelo, com a mesma palavra de ordem do que se seguiu ao falecimento de João Paulo II, para que o agressor de Berlusconi seja canonizado o mais depressa possivel, dada a nobreza do seu gesto... Mas também há os apologistas da tese conspirativa segundo a qual tudo teria sido encenado pelo próprio Berlusconi para se vitimizar e para acusar a esquerda das mais sórdidas intenções e ofensas. Levar na cara pode ser uma táctica ou uma dolorosa coincidência que pode ajudar politicos em situação desesperada. Que o diga Mário Soares que, depois de ter sido agredido por comunisras raivosos na Marinha Grande, encetou uma marcha imparável rumo à vitória nas eleições presidenciais de 1986.
Coisas estranhas

Estranho, como três meses de estágio já lá vão...
Estranho como parece que foi ontem que começou...
Estranho como, em tão pouco tempo, parece que já sou "da casa" e me apeguei tanto aos "meus meninos"...
Estranho como ainda há tanto trabalho e empenho por investir...
Estranho como a minha vida mudou, como as minhas rotinas mudaram tão bruscamente...
Estranho como eu mudei, como a minha forma de ver o mundo mudou...
Estranho já estar nesta fase da minha vida (chegou tão depressa) e não ter a mínima noção de como será o futuro a partir do final desta etapa...
A vida é estranha. Eu! Eu sou estranha.
Estranho como parece que foi ontem que começou...
Estranho como, em tão pouco tempo, parece que já sou "da casa" e me apeguei tanto aos "meus meninos"...
Estranho como ainda há tanto trabalho e empenho por investir...
Estranho como a minha vida mudou, como as minhas rotinas mudaram tão bruscamente...
Estranho como eu mudei, como a minha forma de ver o mundo mudou...
Estranho já estar nesta fase da minha vida (chegou tão depressa) e não ter a mínima noção de como será o futuro a partir do final desta etapa...
A vida é estranha. Eu! Eu sou estranha.
E também é estranho como o aproximar do Natal e do Fim de Ano nos põem automaticamente a pensar nestas "estranhezas"!
sábado, dezembro 12, 2009
Quem fala assim não é gago
A procuradora-geral adjunta Maria José Morgado tece duras críticas à forma como o poder político lide com a corrupção. Convidada do programa da Renascença Espaço Aberto, Morgado chega ao ponto de acusar: "Às vezes [o que o poder político faz] é agitar a bandeira do combate à corrupção para melhor a ocultar."
"Ninguém pega o touro pelos cornos", afirma Maria José Morgado, para quem o combate à corrupção é cada vez mais difícil. E diz mesmo que poder judicial e a investigação policial têm "comido o pão que o diabo amassou" neste combate, porque as exigências processuais são tão irrealistas que potenciam a eternização dos processos e aumentam a sensação generalizada de impunidade.
"Ninguém pega o touro pelos cornos", afirma Maria José Morgado, para quem o combate à corrupção é cada vez mais difícil. E diz mesmo que poder judicial e a investigação policial têm "comido o pão que o diabo amassou" neste combate, porque as exigências processuais são tão irrealistas que potenciam a eternização dos processos e aumentam a sensação generalizada de impunidade.
A propósito de culpa
Clicar no título para aceder a um excelente artigo publicado no "El Pais" on-line. Extractos:
"El control más sutil y perverso se logra cuando la propia persona acaba regulándose a sí misma. Dicho de otro modo, para que exista culpa debe existir un culpador. Y no existe mayor culpador que uno mismo. Eso no está ahí fuera, sino en mi interior. Entonces soy culpable. Hay quien se culpa por todo, quienes parecen mártires que cargan a cuestas el dolor del mundo, sin motivo. La culpa puede convertirse en un problema psicológico cuando no la frenamos.
(...)
Nos sabe mal decir que no; nos sabe mal pedir; nos sabe mal no responder a las expectativas de los demás. Entonces, ¿qué nos sabe bien? Si por hacer nuestro bien, lo que creemos que es bueno para nosotros, causamos un malestar a terceros, he ahí la clave para entender nuestras falsas culpabilidades. El único remedio que encontramos es la evitación, no sea que nos tilden de egoístas. Y así, dejamos de ser nosotros, para ser lo que los demás esperan de nosotros. He ahí el destino final de la culpa.
Si la culpa es evolutiva, ¿podemos lograr desprendernos de ella? Puede que no. Pero a medida que alcanzamos una nueva conciencia, sustituimos la culpa por la responsabilidad. La culpa es vivida como una separación entre nosotros y el mundo. La responsabilidad, por el contrario, nos adentra en él. La responsabilidad es equilibrio. ¿Y qué es la culpa sino su falta? Empecemos tal vez por ahí."
"El control más sutil y perverso se logra cuando la propia persona acaba regulándose a sí misma. Dicho de otro modo, para que exista culpa debe existir un culpador. Y no existe mayor culpador que uno mismo. Eso no está ahí fuera, sino en mi interior. Entonces soy culpable. Hay quien se culpa por todo, quienes parecen mártires que cargan a cuestas el dolor del mundo, sin motivo. La culpa puede convertirse en un problema psicológico cuando no la frenamos.
(...)
Nos sabe mal decir que no; nos sabe mal pedir; nos sabe mal no responder a las expectativas de los demás. Entonces, ¿qué nos sabe bien? Si por hacer nuestro bien, lo que creemos que es bueno para nosotros, causamos un malestar a terceros, he ahí la clave para entender nuestras falsas culpabilidades. El único remedio que encontramos es la evitación, no sea que nos tilden de egoístas. Y así, dejamos de ser nosotros, para ser lo que los demás esperan de nosotros. He ahí el destino final de la culpa.
Si la culpa es evolutiva, ¿podemos lograr desprendernos de ella? Puede que no. Pero a medida que alcanzamos una nueva conciencia, sustituimos la culpa por la responsabilidad. La culpa es vivida como una separación entre nosotros y el mundo. La responsabilidad, por el contrario, nos adentra en él. La responsabilidad es equilibrio. ¿Y qué es la culpa sino su falta? Empecemos tal vez por ahí."
terça-feira, dezembro 08, 2009
John Lennon
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