domingo, dezembro 06, 2009

Diferenças

Fui ontem a uma festa de Natal de uma família dinamarquesa. A casa estava impecável. Parecia uma daquelas casinhas da Eurodisney. Uma decoração eficientemente acolhedora, sofisticada, rigorosa, com um bom gosto irrepreensível, sem espaço ao desalinho, sem redundâncias. Os donos da casa eram de uma simpatia moderada, também ela eficaz, de uma fineza e boa educação quase perturbantes. O sorriso certo, o gesto elegante. Tudo batia certo como uma cena ensaiada vezes sem conta.

Por detrás dessa fachada socialmente correcta, porém, não senti verdadeiras emoções. Tudo contido, desenhado, cosmético. Fiquei com medo de que aquelas pessoas fossem assim sempre, de verdade, não apenas naquela ocasião de visitas. De que fossem uma espécie de vulcões de erupçao eternamente adiada. De que escondessem um desarranjo e uma maldade ainda piores do que os das pessoas que ousam mostrar indicios dessa maneira humana de ser. Veio-me à memória um filme que vi há vários anos: "Festen".

E daí pus-me também a pensar que deve haver qualquer coisa de cultural (ou de etnológico) na maneira como senti aquele ambiente e que os olhos de quem vê contam (e como...) naquilo que se vê. A ficção de que somos todos iguais, europeus e universais, de que as barreiras culturais e linguisticas, os estereótipos, não devem resistir à tolerância e à abertura de espírito, tudo isso, de repente, ficou relativizado e apercebi-me de que há zonas intransponíveis sobre como se é e como se está e como se sente. E daí voei até um livro excelente de Amartya Sen (Identidade e Violência) cuja mensagem fundamental é a de que, apesar disso, basta olhar para as pessoas na sua totalidade (e não as suas características convencionais) para poder conviver em paz com gente de todas as estirpes. Dito isto, parece-me mais a excepção do que a regra que se estabeleçam relações mais profundas e duráveis entre pessoas de matrizes (culturais, religiosas, linguísticas) "excessivamente" distintas. Mas, talvez seja o meu provincianismo portuga a falar...
Clicar no título e aqui.

Querido Pai Natal...

Querido Pai Natal*,

Este ano tenho uma lista de prendas curtinha, mas sobre a qual adoraria que te debruçasses com alguma atenção e boa vontade. Aqui vai:

1º - Uma agenda diária Moleskine para 12 meses em tamanho grande



2º - O novo livro de crónicas do Ricardo Araújo Pereira: "Novas Crónicas da Boca do Inferno"


3º Um bilhete de avião para Nova Yorque, com estadia e despesas incluídas.


4º - A colecção de todas as séries da "Sex and the City"

Pronto, este ano é tudo. Não te esqueças que me portei muito bem em 2009 e que sou uma "criança" que acredita em ti!

Muito obrigada,

Alice.




P.S.- Também ficaria muito agradecida se pudesses trazer o Michael Bublé a Portugal para um concerto.

sábado, dezembro 05, 2009

Maldito argumento!


Pois que, de vez em quando, todos nós lá vamos pedir frases ao Facebook... Podem ser de pessoas notáveis, podem ser disparatadas, podem ser de filmes ou de séries... Enfim, frases!

Acontece que ultimamente, sempre que vou espreitar frases do argumento da série Grey's Anatomy (uma grandessíssima série, com uma grandessíssima história e um enormíssimo elenco), saem-me coisas que me deixam a pensar... e a pensar muito (como de resto, cada episódio da série).

Aqui vão três:

My point is that whoever said 'What you don't know can’t hurt you,' was a complete and total moron. Because for most people I know, not knowing is the worst feeling in the world.

...e...

Sometimes the past is something you just can't let go of. And sometimes the past is something we'll do anything to forget. And sometimes we learn something new about the past that changes everything we know about the present.

...e...

At the end of the day, there are some things you just can't help but talk about. Some things we just don't want to hear, and some things we say because we can't be silent any longer. Some things are more than what you say. They're what you do. Some things you say because you have no other choice. Some things you keep to yourself. And not too often, but every now and then, some things simply speak for themselves.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

2012

Fui ver (sabe deus porquê...) este filme, enésimo pacote de efeitos especiais sobre o fim do mundo, produzido no centro do império (em Hollywood, para variar). Os ditos efeitos são na verdade espectaculares, mas de uma inverosimilhança que chateia. A história está repleta de clichés e de estereótipos politicamente correctos para a concórdia mundial, no meio da mais arrepiante desgraça, sob os auspícios dos Estados Unidos da América. É um cientista indiano que descobre o risco de hecatombe, é um jovem cientista negro de origem humilde que comunica a catástrofe iminente a um Presidente dos EUA negro que prefere morrer heroicamente ao lado dos seus compatriotas, são os chineses que constroem as arcas onde serão salvos os cobridores da nova Humanidade que repartirá (nada mais nada menos) do que da África, o continente maldito onde residem todas as esperanças de uma nova era, os russos até são simpáticos e cheios de bons sentimentos, etc, etc. Trata-se de filmes que, de facto, são menos inocentes do que possa parecer, recheados de ideologia e de valores para afeiçoar as massas à super-estrutura dominante, dando-lhes a ilusão de simples divertimento. [Clicar no título.]

segunda-feira, novembro 30, 2009

Golpes de Estado

Nos últimos tempos, tenho ouvido falar em soluções drásticas para a crise nacional que, francamente, me deixam preocupado, não tanto pela praticabilidade das mesmas, que me parece irrisória, mas pelo facto de tais ideias poderem sequer passar pela cabeça de pessoas que considerava avisadas. Trata-se de sugerir que alguém (ou um pequeno grupo) providencial pudesse tomar as rédeas do poder, através de um golpe de Estado mais ou menos palaciano, impondo uma lógica nacional e progressista num país à deriva e exposto ao opróbio da corrupção e da ausência de um mínimo de consenso relativamente a áreas fundamentais, como a Justiça, que andaria pelos canos de esgoto de uma democracia doente. Ou seja: um superior interesse nacional (vá-se lá saber interpretado por quem e com que critérios) aconselharia a uma derrogação da democracia. E, prosseguindo com a tese, até haveria acolhimento popular para tal acção patriótica. Largas camadas da população, vilipendiadas e cansadas do desnorte dos nossos dirigentes medíocres e corruptos, democráticamente eleitos, aderiria espontâneamente, com fervor, a esse movimento que poderia ter a sua génese numa mega-manifestação, espécie de "Fonte Luminosa" (de outros tempos e vontades) reeditada ao contrário...

Acho tudo isto triste e patético. A título de (mau) exemplo: a Itália já atingiu um grau bastante mais avançado de degradação democrática sem que isso tenha levado à ressureição de Mussolini... pese embora as semelhanças com Berlusconi e a alegre convivência da "democrazia" com a "malavita" do mais refinado nível. A itália não precisa de golpe de Estado porque desde há muito não tem um autêntico Estado... Auto-governa-se com a criatividade que se lhe reconhece, às costas de cidadãos mais ou menos honestos, na sua maioria fascinados pelo modelo de sucesso chico-esperto do seu Primeiro-ministro.

domingo, novembro 29, 2009

quinta-feira, novembro 26, 2009

Mr Bean

Estava a sair para ir às compras. Chuva miudinha, chão bêbado mesmo à frente da porta de casa. Um pé em sítio matreiro e lá vou eu por ali fora como se fizesse "slalom gigante" nos alpes suiços. Só alguns arranhões cosméticos, coração aos pulos porque podia ter sido bem pior. Levanto-me orgulhoso da capacidade de recuperação e vou até ao carro, estacionado no sítio do costume, atrás da minha casa. Abro a porta, alço a perna para entrar no carro e (lá vai disto ó evaristo) mais um desequilíbrio, mais uma viagem acrobática, desta vez para trás. Cozo-me com o chão húmido, desamparado e rendido à fraqueza da minha negociação com um dia chuvoso. Levanto-me para confirmar que não tinha sido ainda algo digno de hospital. Senti-me quase um herói... Com as calças e o casaco razoavelmente encharcados, meto-me finalmente no carro. Ao volante, sinto umas ligeiras dores nas costas, mas nada de preocupante. Com sorte, arranjei um lugar muito perto da entrada do supermercado. A correr para escapar à chuva que tinha engrossado, meto-me na porta giratória e, por artes do arco da velha, a coisa bloqueia e fico ali sózinho como um peixe num aquário, em meditação. As pessoas, de um lado e do outro da porta, a olhar para mim, à espera da sua vez de entrar ou sair, como se eu fosse um criminoso, culpado de mais um atraso nas suas vidas impacientes. E os segundos passam como uma eternidade e nada acontece e eu ali exposto ao opróbio. Vem um empregado do supermercado com uma chave para forçar o que deixou de funcionar automaticamente. Respirações suspensas à espera do desfecho e abre-te sésamo a teimosia da coisa desistiu e eu voltei à liberdade da abundância do supermercado. Tinha pouco para comprar, só coisas vitais. No topo de um corredor, uma pilha de embalagens de leite meio-gordo fazia de torre de babel. Não resisti. Lancei a mão a uma das embalagens e foi uma hecatombe: a torre desmoronou-se com grande estrondo. Tive de me afastar para não ficar submerso em embalagens de leite meio-gordo. As pessoas olhavam-me, mais uma vez, como se eu fosse um criminoso, pelo menos, um agitador. Senti-me uma espécie de Mr Bean e disse para mim mesmo que bastava de tanto infortúnio e de tanta azelhice para um só dia. Desisti das compras e, de forma quase furtiva, com o credo na boca, fui-me embora. Meti-me em casa, sentadinho em frente à TV com uma taça de chá e um pratinho de bolachas Maria a ver a telenovela, à espera que chegasse um outro dia menos acidentado.

quarta-feira, novembro 25, 2009

domingo, novembro 22, 2009

Religiões



É inegável que um dos objectivos da religião é o de dar um sentido àquilo a que não conseguimos responder racionalmente. Há todo um conjunto de aspectos da vida humana que permanecem sem resposta e que a nossa razão não entende. Deste modo, através da crença numa religião e nos seus pressupostos, assumimos que há um mistério existencial cuja única resposta é encontrada através da fé. Mesmo assim, na mesma fé, diferentes pessoas encontram diferentes respostas e diferentes níveis de satisfação através dessas respostas.

Por outras palavras, a religião é uma parte integrante e indispensável da existência humana, seja por acreditarmos nela, seja por a questionarmos ou mesmo por a recusarmos. Qualquer que seja a nossa perspectiva relativamente à experiência religiosa, esta existe e sem ela não é possível compreender o fenómeno humano em toda a sua complexidade e subjectividade.

sábado, novembro 21, 2009

Tribunal de Contas - um bom exemplo

O Tribunal de Contas recusou o "Visto" a 3 concessões de auto-estradas que tinham sido assinadas entre empresas privadas e a Estradas de Portugal (EP), concessionária do Governo para a gestão do sistema rodoviário nacional, com grande pompa e circunstância entre o final de 2008 e o princípio deste ano: Transmontana, Douro Interior e Baixo Alentejo. Outras se encontram em análise pelo Tribunal e tudo indica que o veredicto possa vir a ser o mesmo. Os argumentos principais para o "chumbo" são: a não existência de estudos que comprovem que o modelo de adjudicação sob a forma de PPP (Parceria público-privada) seja o mais vantajoso sob o ponto de vista dos interesses dos contribuintes (chamado "comparador público"), o que é um requisito do Regime Júridico das PPP; o não respeito de uma das regras fundamentais do concurso que estabelece que o valor actualizado líquido dos pagamentos de disponibilidade a efectuar pela EP não pode aumentar durante a fase de negociações, em relação aos valores inicialmente propostos pelos concorrentes. Estes argumentos (sobretudo, o primeiro) são demolidores e põem em causa o programa de grandes obras públicas que tinha sido lançado pelo Governo em regime de PPP. A EP já apelou da decisão do Tribunal de Contas e o processo pode arrastar-se até se chegar ao Tribunal Constitucional, última instância que poderá vir a decidir estes casos. Entretanto, as obras em curso podem vir a parar e as sub-concessionárias poderão pedir indemnizações à EP pelos danos e perdas daí resultantes. Isto é, como dizem eminentes especialistas de Direito Administrativo, o impasse, coroado pela confirmação da recusa do "Visto", pode vir a custar muito mais ao país do que as situações pelas quais o dito "Visto" foi recusado.

Seja como for, em tudo isto há um aspecto muito positivo que gostaria de sublinhar: a imparcialidade e independência do Tribunal de Contas em relação ao Governo e a quaisquer entidades privadas, o que, nos tempos que correm de insanidade moral e de perdição do Estado de Direito, representa um bom sinal e um bom augúrio.

Julie & Julia




Um excelente filme! Bem disposto, real (não só porque é baseado em histórias verídicas, mas porque não mostra heroínas ou heróis, apenas mulheres e homens com defeitos e virtudes), e muito, muito apetitoso! :)

quinta-feira, novembro 19, 2009

Uma boa notícia para quem está habituado a receber más...


A Associação Acreditar tem agora uma Casa em Coimbra. Ainda bem que nesta cidade passa a existir um apoio às famílias que aqui têm de passar meses (e, às vezes, anos) para lutar pela saúde e pela vida dos seus filhos.

Folgo em saber que o projecto se realizou e que passou a haver mais recursos e condições na luta contra o cancro infantil!

A Casa de Coimbra tem capacidade para acolher 20 famílias em simultâneo, crianças com cancro, mas também com outras patologias, assim seja necessário. «Vista de fora não é mais do que uma casa», um conjunto harmonioso de divisões, servido de todos os equipamentos necessários, disse o presidente da direcção da Acreditar, João Bragança. No entanto, é muito mais do que isso. Para as crianças doentes e seus familiares, esta será «uma casa longe de casa».

O responsável da instituição sublinhou a partilha dos pais, com preocupações idênticas, o acolhimento e o apoio para que a esperança nunca os abandone. Lembrando o nascimento da Acreditar, há 16 anos, fruto da iniciativa de um grupo de pais, João Bragança falou das actividades desenvolvidas, não só através das casas que já têm – Lisboa, Funchal e agora Coimbra – mas também o apoio financeiro e alimentar prestado às famílias, a angariação de fundos, os campos de férias, a presença em congressos ou as publicações realizadas.


«No fundo do nosso coração reside a esperança de que um dia assinaremos a declaração de cessação de actividade da Acreditar, atirando a oncologia pediátrica para o baú das doenças extintas», disse, acrescentado que, até que esse dia chegue, a instituição «estará na linha da frente de tudo o que for importante para as nossas crianças».

quarta-feira, novembro 18, 2009

(Re)Aprendizagens


… O sorriso daquele fabuloso ser que admira o mundo com o olhar da novidade…

… O sorriso de quem toca o frio e o quente do vento, do sol, da lua, das árvores, das estrelas, dos outros seres, com arrepios de cócegas em cada poro da sua pele…

…O sorriso de quem abre o paladar ao sabor da alegria e da expectativa, ao doce e ao amargo, ao curto passado e ao aparente infinito futuro…

…O sorriso de quem escuta a música da vida, a sinfonia da cidade, a balada do campo, a serenata da praia, com ouvidos atentos e desejosos de mais, mais e mais…

… O sorriso de quem inala o odor incomparável do universo e de todos os mistérios que ele encerra, um odor que seduz porque desconhecido e misterioso…

É esse o sorriso que abraça o mundo… O sorriso que brota dos lábios pequeninos e curiosos das miniaturas dos adultos, que são tanto mais (mas tanto mais) que apenas miniaturas de adultos. É o sorriso dos seres mais sábios que podemos conhecer, os seres com quem mais podemos aprender neste universo.

terça-feira, novembro 17, 2009

Falando do Natal antes do Advento...


Antes, as luzes de Natal acesas no mês de Novembro irritavam-me... Não percebia porque raio se exibiam as decorações natalícias antes do período do Advento (1 de Dezembro), quando era suposto!

Agora já tolero. E tolero porque a cada ano que passa percebo que o Natal já não é a celebração do nascimento de Cristo, nem as preparações para o mesmo começam aquando do Advento.

Porque agora já não há cá "Meninos Jesuses", nem Anjinhos, nem Presépios, nem Missas do Galo, nem Ouros, nem Incensos, nem Mirras, nem nada disso.

Agora o que há é o Pai Natal, a Popota, a Leopoldina, as Rainhas Magas das Amoreiras e os efeitos decorativos do Dolce Vita e do Fórum. O Advento não é definido pelo calendário cristão, mas sim pelo calendário comercial e publicitário. Agora não se celebra o nascimento de profeta nenhum, celebram-se as prendas.

O Natal está a ficar profano... E atenção que não sei se isso é bom ou mau...

Haja festa, haja reuniões familiares e troca de presentes nas últimas semanas do ano, sim senhor... Mas se calhar não lhe deviam chamar Natal...

Digo eu.

domingo, novembro 15, 2009

Ao domingo no supermercado

Naquele supermercado há para aí umas 10 caixas. Chego com o carrinho cheio de compras e fico surpreendido com a fila em frente a uma delas. Nas outras, estão empregadas a bater com as unhas no balcão, sem fregueses para atender. A razão de tal desequilíbrio é a moça de cor café com leite, sorriso bonito, lábios carnudos e simpatia tropical. Os clientes, quase todos sózinhos, do sexo masculino, vão passando com grandes conversas de circunstância, como se pagar as compras fosse o menos, tentando não passar depressa demais o multibanco pela ranhura da maquineta. Os que se seguem condescendem com essa fartura de conversa porque a vez deles não tarda e, entretanto, podem regalar-se com o rosto achocolatado da rapariga da caixa. Falam do tempo, da conveniência das novas horas de abertura do estabelecimento, das promoções dos sabonetes ou do pó para a máquina. Um homem de uns 60 anos chega ao arrojo de dizer que não há problema em se demorar um pouco mais porque não tem nada para fazer e a companhia é tão jovial... O piropo parece-me um bocado excessivo. E eu, na caixa ao lado, vou-me embora num ápice, cheio da eficácia da empregada pálida de meia-idade que me atendeu sem mais conversa e aturdido pelo valor da beleza e pelas carências dos meus semelhantes, consumidores de supermercado numa manhã de domingo de Inverno, frio e chuvoso.

sábado, novembro 14, 2009

A lição de Coimbra

Cliquem no título e vejam os três videos.

Alice no País das Maravilhas



Tal como a outra Alice, também eu me tenho sentido um pouco confusa neste país (que não é das Maravilhas), com as suas contradições, idiossincrasias e particularidades...

O Lewis Carrol não estava muito longe de ilustrar o que vai na mente desta Alice de cá perante o país esquisito em que descobriu que vive...

terça-feira, novembro 10, 2009

Os Dantas

Viremo-nos para qualquer lado e a sensação é a de que o país está paralisado no meio da minoria ardilosa que nos governa, dos grandes interesses que estrebucham, dos escândalos que irrompem como cogumelos, dos projectos (grandes e pequenos) que enfrentam os mais inverosímeis obstáculos, da mediocridade orgulhosa e obediente, dos discursos de gente instalada com a goela cheia de minudências, dos grupos de boas causas que aproveitam o desnorte para exercer magistérios de influência duvidosa. O país torna-se cada vez mais uma anedota ou uma impossibilidade desmentida heroicamente por gente anónima que não pode desistir sob o peso da sobrevivência. Portugal faz-se dessa gente, resistindo à incompetência da classe dirigente e à falta de consensos básicos em relação ao destino da Nação. Dá vontade de ser estrangeiro... à falta de um novo Anti-Dantas.

segunda-feira, novembro 09, 2009

No dia em que se comemoram 20 anos sobre a Queda do Muro...








...deixo aqui algumas fotografias da mágica cidade de Berlim, uma das viagens que mais me marcaram...

domingo, novembro 08, 2009

O mais recente filme de Sam Mendes

Uma história de amor, bonita, no meio de mais uma descrição impiedosa da sociedade norte-americana pelo realizador Sam Mendes. As viagens sucessivas de um jovem casal, à espera de um filho, levam-nos a tomar o seu próprio caminho, depois de testemunharem os dramas, as taras e as manias de colegas, amigos e familiares dispersos pela imensidão da América. Um filme onde a raiz dos sentimentos supera todas as geografias. Um filme simples em que o amor e a autenticidade são as chaves para ultrapassar os estéreotipos de um sistema doente. Clicar no título.

sexta-feira, novembro 06, 2009

De vez em quando até me sinto orgulhosa....


A Universidade de Coimbra (UC) é a única portuguesa representada no ranking do Centro de Desenvolvimento Universitário, uma instituição independente alemã, sendo destacada a área da Psicologia.

Segundo um comunicado da UC, o CHE - Excelence Ranking «permite fazer uma comparação das melhores instituições universitárias e centros de investigação na Europa, sendo particularmente dirigido a futuros estudantes de mestrado e doutoramento», noticia a Lusa.

«São pouco mais de 100 instituições de Ensino Superior que oferecem, na Europa, excelentes perspectivas para estudantes de mestrado e de doutoramento e que integram o Grupo de Excelência do CHE»- Excellence Ranking, publicado pelo semanário alemão «Die Zeit».

A directora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), Luísa Morgado, disse que o CHE escolheu avaliar o mestrado integrado em Psicologia ministrado na instituição e que este foi o único avaliado na UC e no país.

Em três critérios do ranking, este mestrado integrado atingiu os níveis de excelência, nomeadamente no número de publicações ou citações e orientações internacionais, na existência do mestrado Erasmus Mundus e na mobilidade do corpo docente e discente, adiantou a responsável.

«É uma grande distinção para a Faculdade figurar num ranking de excelência europeu», afirmou a directora da FPCEUC, referindo que existem 39 cursos de licenciatura e mestrado integrado em Psicologia no país.

«Recentemente, o ranking elaborado pelo jornal, o britânico «The Times», apresentava como único representante do sistema de Ensino Superior português a Universidade de Coimbra, situando-a entre as 400 melhores universidades mundiais e as 200 melhores europeias», concluiu.

In IOL Diário (Encontrado no blog da Ana)

quinta-feira, novembro 05, 2009

Normalidade democrática

Poder é poder. Não há só poder político. O poder político estende-se ao poder económico, alimenta-se dele e alimenta-o. Sempre assim foi e sempre assim será. Nada de novo. Trata-se de ingenuidade pensar que o poder eleito pelo povo possa permanecer, casto e beato, imúne aos malandros e gananciosos do poder económico, personagens detestáveis que não olham a meios para atingir os fins. O poder económico serve também de instrumento fundamental do poder político e é isso que dá tanto protagonismo e influência aos detentores do poder económico.

Dito isto, essa fisiológica "promiscuidade" não deve ultrapassar os limites (a) da legalidade e (b) dos interesses colectivos que elegeram o poder político. Se (a) for transgredido, entramos no terreno do crime. E, normalmente, os tribunais punem os infractores. Se (b) for transgredido, entramos no terreno da traição à vontade popular e, pese embora os prejuizos que possam ser provocados no entretanto, essa traição será, normalmente, punida em eleições seguintes. Neste discurso, o diabo está na palavra "normalmente" e é por isso que o nosso país não é normal.

O nosso país está a transformar-se numa anomalia, numa anedota de mau gosto, num quase-México da Europa em que nem a corrupção se manifesta de forma subtil ou profissional como noutros países civilizados. Os corruptos portugueses são mesquinhos e medíocres. Passa pela cabeça de alguém cair na lama por causa de um envelope cheio de notas totalizando a ninharia de 10000 euros? Passa pela cabeça de alguém fazer negócios escuros com um pequeno negociante de sucata cuja facturação (declarada...) não chega aos 50 milhões de euros? Que se façam as coisas em grande, com ambição, na justa proporção entre risco e benefício.

Curiosamente, a crise económica e a necessidade de utilizar o poder económico para a combater vulnerabilizaram o poder político face ao poder económico. É de esperar a multiplicação dos casos perversos de promiscuidade entre ambos, de permissividade dos políticos à insídia dos negociantes para apresentar obra feita, muita e rápida.

Brilhante!


Recebido por e-mail.

domingo, novembro 01, 2009

4 ANOS A PICAR



Foi no dia 29, mas ainda assim...

...Parabéns atrasados ao Fantástico Melga!

quarta-feira, outubro 28, 2009

Metrosexual

Chamaram-me isto. Porque seria mainstream, rendido ao sistema, parte da sua abóboda. Porque teria aderido ao paradigma dominante. Porque me teria travestido de uma coisa que, até há algum tempo, dizia detestar. Há momentos assim, em que nos pedem que façamos as contas com a nossa identidade e, depois de aturada reflexão, nos achamos bem naquilo em que dizem que nos transformámos. Mas, a vida é feita de mudança e o que é certo hoje torna-se errado amanhã. E quando achamos que, finalmente, temos estabilidade e tranquilidade, caem-nos em cima mais provações e tempestades. Não há essa coisa de paz perene, de longo rio tranquilo. Viver é sobreviver e aceitar com um sorriso nos lábios a fatalidade da luta permanente pela auto-estima e pelo respeito por nós (e pelas nossas contradições) e pelos outros.