O Banco Mundial desde há muito tempo que se coloca o problema de saber se se deve ajudar países com elevado nível de corrupção, dado que os financiamentos acabam por ser desviados numa certa proporção para outros fins, designadamente, para as contas em paraísos fiscais de decisores corruptos. A conclusão tem sido a seguinte: sem prejuizo de todos os esforços para minimizar esses desvios, deve aceitar-se como natural que uma parte do dinheiro vá parar a sítios errados, porque uma alternativa "integrista" seria bloquear por completo as ajudas, prejudicando assim, em larga medida, potenciais beneficiários inocentes e dramaticamente carentes. Trata-se de uma abordagem pragmática que se presta a uma certa complacência perante os abusos, para não privar por completo quem precisa de ajuda preciosa. Ou seja: luvas de x% serão parte "fisiológica" do custo da ajuda aos países pobres, dada a estrutura de governação e as falhas da Lei nesses países. Talvez não haja melhor maneira de encarar a situação, salvo se se exigir mudanças políticas radicais como condição prévia à atribuição de ajudas. Mas, isso poderia ser interpretado como ingerência nos assuntos internos dos países beneficiários, senão mesmo neo-colonialismo... em nome da ética, da eficácia e do desenvolvimento! São duros os dilemas que a realidade da pobreza coloca às boas consciências ocidentais.
Angola é uma economia de casino manipulada pelo proprietário e seus acólitos. Quem jogar deve saber que as probabilidades são viciadas e que, de qualquer modo, o risco é elevado. A relação dos países industrializados com aquele país não é baseada na defesa do desenvolvimento, da democracia ou dos direitos humanos. Pretende apenas retirar o máximo interesse económico que, nos tempos que correm, passa pela participação num "boom" alimentado pelas receitas do petróleo e de outros recursos naturais. O maná do petróleo a 140-150 dólares, porém, acabou e as taxas de crescimento do PIB superiores a 15% foram-se (pese embora a ficção do cálculo do PIB num país de economia escassamente monetarizada...). Ficar de fora desse banquete por uma questão de escrúpulos significa fazer figura de parvo na lógica económica dominante e dar espaço a outros países dirigidos por interesses sem problemas de consciência.
domingo, março 15, 2009
quarta-feira, março 11, 2009
segunda-feira, março 09, 2009
Regras básicas de Economia
As crises resultam de se pretender tirar da economia mais do que o que ela pode dar. Apenas uma outra forma de dizer que expectativas exageradas não dão bons resultados para todos, a médio/longo prazo. No curto prazo, há a possibilidade de alguns especuladores "clarividentes" ganharem. Mas isso é coisa raríssima porque os especuladores resistem a sair antes de perderem e de fazerem perder muitos outros, bem mais inocentes.
Outra regra essencial é a seguinte: quem renuncia a consumir no presente ou quem pede emprestado em troca de menos consumo no futuro é simplesmente estúpido, incompetente ou azarado (ou tudo isso ao mesmo tempo). Apenas uma outra forma de dizer que maus investimentos provocam necessariamente graves danos, sobretudo se são financiados por dívida...
Leiam o último "romance" de Economia de Paul Krugman "O Regresso da Economia da Depressão", Editorial Presença (pese embora a tradução lamentável...).
Outra regra essencial é a seguinte: quem renuncia a consumir no presente ou quem pede emprestado em troca de menos consumo no futuro é simplesmente estúpido, incompetente ou azarado (ou tudo isso ao mesmo tempo). Apenas uma outra forma de dizer que maus investimentos provocam necessariamente graves danos, sobretudo se são financiados por dívida...
Leiam o último "romance" de Economia de Paul Krugman "O Regresso da Economia da Depressão", Editorial Presença (pese embora a tradução lamentável...).
quarta-feira, março 04, 2009
Economia e comportamentos
A vida corre tão depressa nesta obsessão de lutar contra a crise. A recessão torna-se endémica, provoca reacções precipitadas, ansiedade, nervosismo, atabalhoamento. A crise meteu-se nos intersticios de tudo e de todos, passou a estado de alma. E a economia depende talvez mais de expectativas e da percepção subjectiva das coisas do que da realidade nua e crua. Mais: essas expectativas acabam por determinar a realidade, piorando tudo, quando o ciclo baixa, e dando euforia a tudo, quando o ciclo sobe. Para dizer que a economia é um palco onde se joga a sobrevivência e muito mais. Onde se joga a complexidade dos comportamentos humanos, necessariamente não-científicos e erráticos.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Velhice e morte
É chato envelhecer. Sentir as rugas a cavar-se no corpo, a energia a faltar, coisas que se faziam facilmente e que se tornam verdadeiras conquistas. Os anos passam e durante muito tempo passamos por eles indiferentes, com a doce irresponsabilidade de quem se está nas tintas para o fim, porque ainda há tanto por viver. A morte é uma teoria, uma ficção longinqua, uma coisa incompreensivel que só toca os outros. Até que um dia, uma imagem no espelho, um esforço inglório, uma comparação violenta fazem-nos acordar para a fatalidade do tempo.
Perde-se muito envelhecendo: vitalidade, força física, beleza, ingenuidade, talvez optimismo. Mas, pode ganhar-se a relatividade das coisas, a sabedoria de não correr atrás do que não vale a pena. Alguns nem sequer obtém essa maturidade com os anos. É por vezes patético assistir a autênticos jogos de crianças mimadas ou perversas praticados por velhos. Concorrências espúrias. A velhice que eu gostava de ter implicaria desapego do efémero e do superficial. Implicaria tranquilidade e sobretudo ausência de medo da morte. Estar pronto para morrer serenamente é o zénite da sabedoria. Quem me dera lá chegar. Temo nunca lá chegar...
PS: tenho a certeza que alguém que bem conheço e que me é tão cara me dirá - "lá estás tu com mais uma manifestação de crise de meia-idade"...
Perde-se muito envelhecendo: vitalidade, força física, beleza, ingenuidade, talvez optimismo. Mas, pode ganhar-se a relatividade das coisas, a sabedoria de não correr atrás do que não vale a pena. Alguns nem sequer obtém essa maturidade com os anos. É por vezes patético assistir a autênticos jogos de crianças mimadas ou perversas praticados por velhos. Concorrências espúrias. A velhice que eu gostava de ter implicaria desapego do efémero e do superficial. Implicaria tranquilidade e sobretudo ausência de medo da morte. Estar pronto para morrer serenamente é o zénite da sabedoria. Quem me dera lá chegar. Temo nunca lá chegar...
PS: tenho a certeza que alguém que bem conheço e que me é tão cara me dirá - "lá estás tu com mais uma manifestação de crise de meia-idade"...
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Carta a um grande amigo em viagem para a cidade eterna
Carissimo
É assim: começas por subir Via Veneto a partir da Piazza Barberini em direcção a Villa Borghese; aí visitas a Galeria Borghese onde encontras, entre muitas outras obras, esculturas lindíssimas de Bernini; depois, segues pelos jardins em direcção ao Pincio; daí tens uma vista magnífica sobre a Piazza del Popolo e os tectos mágicos de Roma; segues para Trinità dei Monti; do cimo tens à tua frente a mui elegante Via dei Condotti; desces e chegas a Piazza di Spagna; continuas em frente pela dita Via dei Condotti; mas depressa, para evitar tentações consumistas que nesse sítio saem verdadeiramente caro (Gucci, Prada, Valentino, Cartier, etc.); no cruzamento com Via del Corso viras à esquerda e vais até Piazza Colonna onde também se encontra o Palazzo Chigi onde se senta actualmente o impagável Silvio; continuas alguns metros na Via del Corso em direcção a Piazza Venezia e viras à esquerda para ir à Fontana di Trevi (não esqueças de atirar uma moedinha de costas enquanto pensas um grande desejo...); depois regressas a Via del Corso e continuas até Piazza Venezia; tens à tua frente o Altare della Patria (a bem dizer um mamarracho) que inclui o Ottaviano, por detrás do qual tens o Campidoglio (onde está instalado "il Comune"); daqui desces até Via dei Fori Imperiali; podes visitar as ruinas ou vê-las à distância enquanto prossegues para o Coliseu que ficará à tua frente, cada vez mais imponente; depois da visita ao Coliseu regressas ao centro, caminhando ao longo do Circo Massimo; ao fundo, encontras a Bocca della Verità (não deixes lá o braço prometendo fidelidades improváveis); daí vais ao longo do rio Tevere até encontrares uma ponte que te leva a Trastevere, o bairro mais castiço e popular da cidade, onde te podes perder de várias maneiras, incluindo as melhores; recomendo-te Piazza Sta Maria in Trastevere e todas as ruinhas à volta, não esquecendo uma livraria especial que se chama Bibli; atravessas de novo o rio pela ponte Cestio, ao lado da Isola Tiberina (onde ainda resiste um velho hospital), e continuas a direito até chegares a uma rua comercial que te leva a Campo dei Fiori; aí encontras uma estátua do meu caro amigo Giordano Bruno (que o Papa de então mandou queimar por não renunciar às suas convicções) e onde se realiza um "mercatino" delicioso ao sábado de manhã; também há muitos restaurantes e bares e geladarias; ao lado de Campo dei Fiori, na direcção do Tevere tens a Piazza Farnese onde se encontra o palácio com o mesmo nome que é a embaixada de França; volta para Campo dei Fiori e vira à esquerda para Via del Pelegrino onde podes ir a um fascinante "locale" árabe; a seguir dirige-te a Piazza Navona, uma das mais belas praças do mundo (na minha modesta e tendenciosa opinião); senta-te numa esplanada, toma um Proseco e goza o que está e o que passa; depois, com calma, vai até à Via dei Portoghesi; isso mesmo: rua dos portugueses onde encontrarás uma igreja magnífica chamada de S. António dos Portugueses onde se diz a missa na lingua de Fernando Pessoa; nessa mesma rua, há um restaurante que prima pelos anti-pasti pantagruélicos, chamado Orso 80; para sobremesa vai até à Gelateria Gioliti, para os lados de Montecitorio, a praça do Parlamento; ali perto há uma livraria - de que não me recordo o nome - onde poderás encontrar deputados armados em intelectuais; continua em direcção ao Panteon - mais uma piazza deliciosa; a partir daí, atravessa de novo a Piazza Navona até ao Tevere e visita Castel Sant'Angelo, sítio de grandes tormentos durante o governo papal de grande parte da peninsula; a seguir, vai visitar a Capella Sistina e os Musei del Vaticano, mas prepara-te para passar muito tempo numa longa fila ao longo dos muros do micro-Estado que nos quer governar a alma; já agora não percas a Basilica di San Pietro e tenta ver o Papa... porque ir a Roma sem ver o Papa é como um jardim sem flores...
Para comer, prefere as Trattorie. Normalmente come-se bem e barato. Aconselho em especial uma pequena trattoria no Vicolo Rosini junta à Piazza del Parlamento onde se come verdadeira cozinha romana casareccia (deves reservar pelo telefone 06 687 3434). Senão, há um grande restaurante em Via Sardegna, uma perpendicular à Via Veneto, que se chama Il Pomodorino e onde se come muito bem. Para pequeno-almoço, na maior parte dos bares podes tomar um excelente capuccino e corneto (descobrirás do que se trata - basta pedir...).
E pronto. Espero que gostes dessa maravilhosa cidade onde cresci depois de adulto, onde deixei um bocado de mim e de onde trouxe tantas memórias com que me conforto nos dias mais sombrios.
É assim: começas por subir Via Veneto a partir da Piazza Barberini em direcção a Villa Borghese; aí visitas a Galeria Borghese onde encontras, entre muitas outras obras, esculturas lindíssimas de Bernini; depois, segues pelos jardins em direcção ao Pincio; daí tens uma vista magnífica sobre a Piazza del Popolo e os tectos mágicos de Roma; segues para Trinità dei Monti; do cimo tens à tua frente a mui elegante Via dei Condotti; desces e chegas a Piazza di Spagna; continuas em frente pela dita Via dei Condotti; mas depressa, para evitar tentações consumistas que nesse sítio saem verdadeiramente caro (Gucci, Prada, Valentino, Cartier, etc.); no cruzamento com Via del Corso viras à esquerda e vais até Piazza Colonna onde também se encontra o Palazzo Chigi onde se senta actualmente o impagável Silvio; continuas alguns metros na Via del Corso em direcção a Piazza Venezia e viras à esquerda para ir à Fontana di Trevi (não esqueças de atirar uma moedinha de costas enquanto pensas um grande desejo...); depois regressas a Via del Corso e continuas até Piazza Venezia; tens à tua frente o Altare della Patria (a bem dizer um mamarracho) que inclui o Ottaviano, por detrás do qual tens o Campidoglio (onde está instalado "il Comune"); daqui desces até Via dei Fori Imperiali; podes visitar as ruinas ou vê-las à distância enquanto prossegues para o Coliseu que ficará à tua frente, cada vez mais imponente; depois da visita ao Coliseu regressas ao centro, caminhando ao longo do Circo Massimo; ao fundo, encontras a Bocca della Verità (não deixes lá o braço prometendo fidelidades improváveis); daí vais ao longo do rio Tevere até encontrares uma ponte que te leva a Trastevere, o bairro mais castiço e popular da cidade, onde te podes perder de várias maneiras, incluindo as melhores; recomendo-te Piazza Sta Maria in Trastevere e todas as ruinhas à volta, não esquecendo uma livraria especial que se chama Bibli; atravessas de novo o rio pela ponte Cestio, ao lado da Isola Tiberina (onde ainda resiste um velho hospital), e continuas a direito até chegares a uma rua comercial que te leva a Campo dei Fiori; aí encontras uma estátua do meu caro amigo Giordano Bruno (que o Papa de então mandou queimar por não renunciar às suas convicções) e onde se realiza um "mercatino" delicioso ao sábado de manhã; também há muitos restaurantes e bares e geladarias; ao lado de Campo dei Fiori, na direcção do Tevere tens a Piazza Farnese onde se encontra o palácio com o mesmo nome que é a embaixada de França; volta para Campo dei Fiori e vira à esquerda para Via del Pelegrino onde podes ir a um fascinante "locale" árabe; a seguir dirige-te a Piazza Navona, uma das mais belas praças do mundo (na minha modesta e tendenciosa opinião); senta-te numa esplanada, toma um Proseco e goza o que está e o que passa; depois, com calma, vai até à Via dei Portoghesi; isso mesmo: rua dos portugueses onde encontrarás uma igreja magnífica chamada de S. António dos Portugueses onde se diz a missa na lingua de Fernando Pessoa; nessa mesma rua, há um restaurante que prima pelos anti-pasti pantagruélicos, chamado Orso 80; para sobremesa vai até à Gelateria Gioliti, para os lados de Montecitorio, a praça do Parlamento; ali perto há uma livraria - de que não me recordo o nome - onde poderás encontrar deputados armados em intelectuais; continua em direcção ao Panteon - mais uma piazza deliciosa; a partir daí, atravessa de novo a Piazza Navona até ao Tevere e visita Castel Sant'Angelo, sítio de grandes tormentos durante o governo papal de grande parte da peninsula; a seguir, vai visitar a Capella Sistina e os Musei del Vaticano, mas prepara-te para passar muito tempo numa longa fila ao longo dos muros do micro-Estado que nos quer governar a alma; já agora não percas a Basilica di San Pietro e tenta ver o Papa... porque ir a Roma sem ver o Papa é como um jardim sem flores...
Para comer, prefere as Trattorie. Normalmente come-se bem e barato. Aconselho em especial uma pequena trattoria no Vicolo Rosini junta à Piazza del Parlamento onde se come verdadeira cozinha romana casareccia (deves reservar pelo telefone 06 687 3434). Senão, há um grande restaurante em Via Sardegna, uma perpendicular à Via Veneto, que se chama Il Pomodorino e onde se come muito bem. Para pequeno-almoço, na maior parte dos bares podes tomar um excelente capuccino e corneto (descobrirás do que se trata - basta pedir...).
E pronto. Espero que gostes dessa maravilhosa cidade onde cresci depois de adulto, onde deixei um bocado de mim e de onde trouxe tantas memórias com que me conforto nos dias mais sombrios.
domingo, fevereiro 01, 2009
Identidade
A relação mais decisiva e complicada é a que temos com nós próprios. Se não é boa, aquela que temos com os outros também não pode ser boa. Inevitavelmente, por maior que seja o esforço para maquilhar o que somos, o que passamos aos outros somos nós próprios. Em versões mais ou menos genuinas, falsas, socialmente correctas... como queiram. Mas estamos lá e os outros apercebem-se disso mesmo. De nada serve jogar ao gato e ao rato com a nossa identidade, para o melhor e para o pior.
sábado, janeiro 31, 2009
A luz ao fundo do túnel
Temo que as ajudas de hoje para reanimar a economia se transformem na inflação de amanhã. Seja como for, cada problema a seu tempo. Para já temos a recessão! Talvez não devamos desistir de combater a recessão de agora por causa dos receios da inflação de depois. Isto não quer dizer que se deva espalhar dinheiro a rodos, sem critério e à pressa. Há medidas com efeito mais rápido (como a baixa dos impostos ou a subida dos subsídios) e outras com efeito mais lento, mas talvez com mais efeitos estruturantes (como os investimentos em (certas) infraestruturas). Dito isto, tudo passará pelas expectativas. A coisa mudará de rumo quando um número crítico de agentes económicos pensar que o preço dos activos não pode baixar mais. A partir desse ponto, as pessoas começarão a comprar e a investir (fábricas, casas, acções, bens de consumo, etc.) e o ciclo repartirá no sentido ascendente e o emprego será criado. Mas, até lá, muitos deverão ainda sofrer. Para os investidores individuais o ideal seria determinar o ponto mais baixo para começar a comprar. Serão poucos (e por mero acaso) a determiná-lo. É preciso incentivar o investimento na queda: os investidores talvez não ganhem o máximo, mas talvez beneficiem de uma maior parte do "upside" do que se começarem apenas a comprar quando os preços já estão a subir.
domingo, janeiro 25, 2009
A saúde dos bancos (again)
O Sr. Governador do Banco de Portugal disse que os bancos vão precisar de mais ajuda. Não augura nada de bom. Que bancos ? O meu ? Quer dizer que não está assim tão bem de saúde ? E se não chega a ajuda antecipada ? E se o poço sem fundo em que se tornou a ajuda do Estado para evitar o pânico e as falências deixar de ser alimentado ? E quem ajuda o Estado ?
Há coisas que talvez se devam fazer em vez de se dizerem ou antes de se dizerem...
Há coisas que talvez se devam fazer em vez de se dizerem ou antes de se dizerem...
Perigosos altruismos
Não há altruismo mais vergonhoso do que o que serve para esconder um autêntico egoísmo e para fazer batota com os sentimentos dos outros. Situações do género "é só para teu bem..." [que se faz ou advoga qualquer coisa de desagradável para o outro] são detestáveis. E, no fim de contas, é só para conseguir manter por mais tempo uma dependência ou uma cumplicidade que não fazem nada bem a quem se diz amar. É um logro, uma armadilha, uma intriga em que só caem os inadvertidos, os prisioneiros ou os incapazes de caminhar sózinhos.
sábado, janeiro 24, 2009
Slumdog Millionaire
terça-feira, janeiro 20, 2009
Os meninos grandes
No dia de Obama (que seja feliz e que faça os crentes felizes porque eu desconfio do poder de um homem só para mudar o mundo...) deu-me para escrever sobre uma parte do espectáculo da vida dos outros. Não é que seja a favor de que se viva a vida dos outros, mas devo confessar que adoro observar os outros e deles construir histórias a que só a imaginação põe limites. Também me vem à cabeça aquela teoria que divide as pessoas entre os que encontram energia dentro de si mesmos e aqueles que captam energia do que lhes é exterior. Os primeiros seriam espirituais e profundos, decididamente mais sólidos. Os outros, como eu, seriam superficiais e impulsivos, perdidos de si próprios, frágeis (por isso, também, mais interessantes... ). Seja! O que queria dizer a propósito do espectáculo dos outros é simplesmente isto: o império das crianças em que vive um grande número de famílias faz-se acompanhar da infantilização dos adultos. Estruturar a vida à volta da satisfação dos desejos dos meninos, fazer um investimento desmesurado no supremo prazer dos ditos, em que tudo tem de possuir um lado lúdico ou didáctico, faz dos adultos um bando de eternos meninos e adolescentes que vão fazendo escapadelas mais ou menos patéticas, irrisórias e custosas. Coitadas das crianças. Coitados dos pais das crianças. Sabe deus as frustrações ou pecados que têm de redimir sendo assim tão estremosos.
domingo, janeiro 11, 2009
Il Divo
Giulio Andreotti ("il divo") é uma das personagens mais intrigantes e decisivas da política italiana do pós-guerra. Vai fazer 90 anos dentro de pouco tempo e é um autêntico tesouro... do bem e, sobretudo, do mal que percorreu a Itália. Foi Primeiro-ministro e Ministro dezenas de vezes, por muitos anos. Esteve sentado ao lado de Mário Soares no acto de assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à CEE em 1986. Suspeita-se do seu envolvimento directo ou indirecto, moral ou material numa longa série de crimes, envolvendo também membros do seu partido, a Democracia Cristã, entretanto dissolvido. Foi tempo de "Tangentopoli", das "Brigate Rosse", do assassinato de Aldo Moro, da loja maçónica P2 e do Banco Ambrosiano, da morte misteriosa de Sindona... A Andreotti nunca chegou o bafo da morte. Foi objecto de vários processos, designadamente, por associação mafiosa mas, por prescrição ou falta de provas, nunca foi considerado culpado. De pequena estatura, cabeça larga, penteado liso para trás, óculos espessos, voz pausada e não muitas palavras, caminhava muitas vezes com as mãos unidas nas costas, vergado para a frente também por causa da sua famosa marreca. Andreotti ficou acima das lutas sanguinárias da Itália dos anos de chumbo, sendo talvez o seu principal protagonista. Celebrizou-se pela sua inteligência, cultura e, acima de tudo, cinismo. Diz que não acredita no acaso, mas apenas na vontade divina e acha que, às vezes, é necessário usar o mal para atingir o bem.Clicar no título.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Flores e afectos
É bem verdade que não é fácil ser amado.
Sobretudo, porque depende de nós próprios...
E as nossas relações com os outros são como as flores que murcham se não são regadas com a devida frequência.
São os cactos que precisam de pouca água. Mas, esses picam.
Sobretudo, porque depende de nós próprios...
E as nossas relações com os outros são como as flores que murcham se não são regadas com a devida frequência.
São os cactos que precisam de pouca água. Mas, esses picam.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Libelo contra a crise
Portugal é uma pequena economia aberta e, portanto, particularmente exposta aos ciclos das economias europeia e mundial. O facto de a recessão global nos tocar não tem nada de surpreendente. Como diria o outro "it's just the economic cycle"... O que choca em Portugal e que amplifica os efeitos da recessão em termos sociais é a profunda desigualdade na distribuição da riqueza e do rendimento e a pobreza dos indicadores de qualidade de vida. Eu bem sei que não há nada de novo no que acabo de escrever. É sabido que Portugal é um autêntico Brasil da Europa, no que diz respeito às disparidades sociais. Mas, não é por ser banal que esta afirmação deixa de ser escandalosamente, vergonhosamente verdadeira. Por detrás dos 0.8% de crescimento negativo do PIB, indicando magicamente o advento de uma profunda crise económica, estão pensionistas com reformas de miséria, um número crescente de desempregados e de trabalhadores com o credo na boca por causa da precaridade dos empregos, cidades cheias de sem-abrigo, centros urbanos a cair de podre, estradas secundárias quase intransitáveis, etc. E auto-estradas reluzentes cheias de carros de alta cilindrada, casas de luxo que não sofrem a crise do mercado imobiliário, hotéis de 5 estrelas a abarrotar, destinos turisticos distantes e exóticos que se vendem como tremoços, etc. E tudo isto não é apenas uma questão de injustiça (o que já seria mais do que suficiente para alertar as nossas pobres consciências...). É também uma questão de ineficiência e de não cumprimento de um dos princípios básicos da nossa Constituição: o da democracia económica. Em vez de gastar rios de dinheiro em obras públicas de duvidosa rendibilidade económica, o Governo dever-se-ia empenhar em medidas de política de redistribuição do rendimento para melhorar o bem estar da população e amortecer os efeitos da crise sobre as camadas mais vulneráveis (objectivo meritório em si mesmo) e impulsionar a procura interna. Medidas como o aumento das pensões de reforma e do salário mínimo seriam muito úteis. Modificação dos impostos, aligeirando a carga sobre os rendimentos mais baixos e sobre as faixas da população com menos possibilidade de evasão. No domínio dos investimentos, haveria tanto a fazer na reabilitação urbana e na manutenção e reparação das estradas existentes.
Porque continuo a pensar que o problema de Portugal não são os portugueses... ao contrário de certos fariseus que por aí andam.
Porque continuo a pensar que o problema de Portugal não são os portugueses... ao contrário de certos fariseus que por aí andam.
domingo, dezembro 28, 2008
O tempo que passa
Esta coisa de encontrar os mesmos dias, mais ou menos simbólicos, todos os anos (Natal, Fim de Ano, Páscoa, aniversários, etc.) cria uma sensação de que o tempo é circular, de um vai-vem permanente, como se existisse um inevitável retorno, como se houvesse coisas imunes ao passar dos anos. O envelhecimento esconde-se por detrás dessa circularidade, parece sempre adiado ou, pelo menos, retardado, como convém a quem luta contra a morte. Se, em vez disso, a nossa visão do tempo for linear apercebêmo-nos claramente da fatalidade do que não regressa, do que ocorre obviamente uma só vez na vida, como tudo... Tudo acontece uma só vez na vida! Há sempre o "detalhe" do que parece repetir-se que faz toda a diferença. A representação do tempo num eixo, entre menos e mais infinito, é mais realista. Quase me apetecia representá-lo como uma longa estrada rectilínea, a perder de vista, com múltiplas saídas por onde cai cada um de nós quando morre.
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Natal
Hoje é véspera de Natal.
Ponto.
Porque é véspera de Natal.
Porque há dias assim, em que todos (ou quase todos) se põem de acordo para que as coisas se passem de uma certa maneira. Daquela maneira tão especial que nos galvaniza e leva a desejar todo o bem do mundo às criaturas mais inesperadas. Há poucas situações que criem tanto consenso. No mundo cristão, naturalmente. Porque há outros mundos que não deixam de ter ocasiões especiais assim. O Natal é uma espécie de hino mundial às emoções que toda a gente canta com fervor.
Feliz Natal... se fosse possível... todos os dias.
Ponto.
Porque é véspera de Natal.
Porque há dias assim, em que todos (ou quase todos) se põem de acordo para que as coisas se passem de uma certa maneira. Daquela maneira tão especial que nos galvaniza e leva a desejar todo o bem do mundo às criaturas mais inesperadas. Há poucas situações que criem tanto consenso. No mundo cristão, naturalmente. Porque há outros mundos que não deixam de ter ocasiões especiais assim. O Natal é uma espécie de hino mundial às emoções que toda a gente canta com fervor.
Feliz Natal... se fosse possível... todos os dias.
sábado, dezembro 13, 2008
Dois amantes
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Coisas de indústria / política
O Sr Francisco Van Zeller, Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, veio ontem à televisão dizer que a situação económica é preocupante, mas não tanto assim porque foi conversar com o Primeiro-ministro que lhe assegurou que em 2008 não houve recessão. Portanto, ele - o Sr Francisco Van Zeller - saiu da reunião muito mais descansado. Podem ter a certeza que não estou a inventar. Foi isto que o Sr de nome flamengo e sotaque de Cascais disse perante as câmaras da TV. Dada a verosimilhança com que o Presidente dos industriais portugueses botou palavra, fiquei só com uma dúvida: ou é pateta ou estava a gozar com o Eng° Sócrates...
Outro que me impressionou ontem na Grande Entrevista pelo compromisso que já começa a fazer entre a demagogia cada vez menos trauliteira e o discurso sinuoso de quem snoba o poder sem conseguir esconder uma enorme vontade de o abocanhar foi Francisco Louçã. Aos poucos, vai-se tornando politicamente correcto para conquistar votos numa esquerda urbana e putativamente culta que está farta do poder "socialista".
Outro que me impressionou ontem na Grande Entrevista pelo compromisso que já começa a fazer entre a demagogia cada vez menos trauliteira e o discurso sinuoso de quem snoba o poder sem conseguir esconder uma enorme vontade de o abocanhar foi Francisco Louçã. Aos poucos, vai-se tornando politicamente correcto para conquistar votos numa esquerda urbana e putativamente culta que está farta do poder "socialista".
domingo, dezembro 07, 2008
Excessos de voluntarismo
Todos ou quase todos os governos da União Europeia andam hiper-activos contra a recessão. Nunca se viu tanto voluntarismo e tanta pressa para evitar os efeitos da dita cuja. Mas, a economia tem as suas leis, decerto volúveis porque dependem das decisões de milhões de agentes. De cada vez que se tenta ir contra a evidência da economia e não se respeita a sua dinâmica fundamental, o que resulta são excessos que alguém pagará, mais tarde ou mais cedo. Não existe economia capitalista sem ciclos. Negá-los é artificial e na prática conduz à sua amplificação, no curto prazo, e à redução do potencial de crescimento, a longo prazo. Quer isto dizer que o Estado se deve abster completamente de lutar contra a crise? Não diria tanto... Que Keynes e os keynesianos de todas as cores me perdoem. Mas, é preciso uma intervenção ponderada e selectiva. Não se deve despejar milhões de euros nos sectores e actividades mais díspares, impulsivamente e à pressa. Nestas circunstâncias quem mais beneficia é quem se organiza melhor para expor os próprios argumentos, da forma mais convincente e junto das esferas mais oportunas do poder. A euforia e a omnipotência que se auto-atribuem os políticos não são de bom augúrio nestes tempos.
terça-feira, dezembro 02, 2008
Ontologias
Gostava de falar sobre alguém que me tivesse marcado.
Para além do meu pai não vejo grande coisa e não quero falar do meu pai.
O mundo anda vazio de Pessoas e cheio de egos.
Egos enormes que confundem a eternidade com o fazer.
Não apetece ser ninguém.
E ser nós próprios nem sempre é evidente porque pesa muito.
Para além do meu pai não vejo grande coisa e não quero falar do meu pai.
O mundo anda vazio de Pessoas e cheio de egos.
Egos enormes que confundem a eternidade com o fazer.
Não apetece ser ninguém.
E ser nós próprios nem sempre é evidente porque pesa muito.
terça-feira, novembro 25, 2008
Ainda o BPN
O famigerado Banco Insular e as off-shores não foram a causa do descalabro do BPN. Foram os truques principais para esconder as consequências de uma gestão ruinosa. Na origem terá estado aventureirismo, incompetência e autocracia. A partir do momento em que as perdas começaram a explodir, recorreu-se a expedientes para as disfarçar e porventura para salvar alguns interesses pessoais. Ninguém compreendia como é que o BPN podia remunerar os depósitos tão generosamente e como é que emprestava dinheiro com tanta facilidade e a taxas tão baixas. Olhava-se com cepticismo os investimentos disparatados do grupo em áreas tão longínquas do negócio bancário como vinhos, hotelaria, aviação ou pintura... Os accionistas e depositantes não se podem queixar da falta de sintomas de que ali havia mistério há muito tempo. E muito menos o supervisor que se estriba por detrás do argumento de que as irregularidades eram tão bem ocultadas que nem os auditores as cheiravam. Diz tautologicamente o supervisor: não podia ver nem agir sobre o que era escondido de forma criminosa. Penoso!
sábado, novembro 22, 2008
Um desabafo de crise
Depois dos disparates de financeiros e políticos,
depois da sensação espúria de invencibilidade de alguns,
depois da levitação de outros,
depois da rotina da esmagadora maioria,
depois do proverbial sofrimento dos do costume,
depois da soberba e da arrogância dos que quiseram controlar o destino dos outros com a pressão de um botão,
depois da mediocridade dos que julgam ser mais do que são e do que alguma vez podem vir a ser...
depois disso tudo...
eclodiu a recessão na mais descarada versão do que se adivinhava.
E com a recessão, os ratos fogem dos navios que se afundam,
a podridão que se escondia por detrás de vergonhosas opulências vem ao de cima e cheira mal que tresanda,
sofrem os do costume (mas mais do que antes),
enervam-se os que receiam que o fogo lhes chegue aos fundilhos.
E há muito nervosismo, stress, hiper-actividade, voluntarismo, impaciência, sofreguidão. Tudo para fugir ao tsunami da crise ou para lhe barrar o caminho. Sobra em iniciativas peregrinas o que falta em lucidez e ponderação e, assim, o resultado será provavelmente o inverso do que se pretende, isto é, agravar a crise, acalmá-la com paliativos que se revelarão talvez letais quando a situação se tornar, de novo, mais curial.
depois da sensação espúria de invencibilidade de alguns,
depois da levitação de outros,
depois da rotina da esmagadora maioria,
depois do proverbial sofrimento dos do costume,
depois da soberba e da arrogância dos que quiseram controlar o destino dos outros com a pressão de um botão,
depois da mediocridade dos que julgam ser mais do que são e do que alguma vez podem vir a ser...
depois disso tudo...
eclodiu a recessão na mais descarada versão do que se adivinhava.
E com a recessão, os ratos fogem dos navios que se afundam,
a podridão que se escondia por detrás de vergonhosas opulências vem ao de cima e cheira mal que tresanda,
sofrem os do costume (mas mais do que antes),
enervam-se os que receiam que o fogo lhes chegue aos fundilhos.
E há muito nervosismo, stress, hiper-actividade, voluntarismo, impaciência, sofreguidão. Tudo para fugir ao tsunami da crise ou para lhe barrar o caminho. Sobra em iniciativas peregrinas o que falta em lucidez e ponderação e, assim, o resultado será provavelmente o inverso do que se pretende, isto é, agravar a crise, acalmá-la com paliativos que se revelarão talvez letais quando a situação se tornar, de novo, mais curial.
sábado, novembro 15, 2008
O mercado do crédito
É difícil encontrar dinheiro para financiar a longo prazo o investimento. Essencialmente, porque a poupança tem aversão ao risco, porque existe pouca visibilidade em relação ao médio/longo prazo, porque os bancos têm o capital empenhado na cobertura das perdas decorrentes da "exuberância" dos últimos anos, porque há muitas instituições financeiras curtas de liquidez. O resultado de tudo isto é que os compromissos tendem a ser de curto prazo e as margens de risco atingem níveis muito elevados, tornando o financiamento caro, pese embora a redução das taxas de base ou "risk free".
Para ajudar os sistemas financeiros, os Estados lançaram vários mecanismos de garantia da dívida privada (sobretudo dos bancos). Mas, isso desvia a poupança - actualmente muito avessa ao risco - para essas aplicações. Não haveria problema se, por sua vez, os bancos canalizassem esse "funding", em condições razoáveis, para os investimentos reais. Mas, os bancos utilizam o dinheiro para reparar os danos do passado e para não faltar aos compromissos que assumiram. Estamos portanto numa fase transitória de morosidade do circuito do crédito que torna problemático o financiamento de grandes projectos úteis para modernizar a economia, combater a recessão e... ganhar eleições. E não se pense que esta conjuntura é específica de Portugal.
Para ajudar os sistemas financeiros, os Estados lançaram vários mecanismos de garantia da dívida privada (sobretudo dos bancos). Mas, isso desvia a poupança - actualmente muito avessa ao risco - para essas aplicações. Não haveria problema se, por sua vez, os bancos canalizassem esse "funding", em condições razoáveis, para os investimentos reais. Mas, os bancos utilizam o dinheiro para reparar os danos do passado e para não faltar aos compromissos que assumiram. Estamos portanto numa fase transitória de morosidade do circuito do crédito que torna problemático o financiamento de grandes projectos úteis para modernizar a economia, combater a recessão e... ganhar eleições. E não se pense que esta conjuntura é específica de Portugal.
sábado, novembro 08, 2008
Obama e a mudança
Obama foi eleito e foi óptimo porque os Republicanos seriam piores, porque é de côr, porque as pessoas andam a precisar de esperança, porque W. Bush foi mau de mais.
Mas, Obama inscreve-se num sistema que não mudará. Apesar de todos os "Yes we can!". Podemos o quê? E quem somos nós?
Obama parece ser uma daquelas injecções de humanidade de que o capitalismo precisa, de vez em quando, para temperar os seus "excessos". Portanto, Obama é essencial para recolocar o capitalismo nos carris até ao próximo clamoroso desvio. O problema do capitalismo (e de todos os "ismos") são as "excepções" que a realidade impõe aos excelentes princípios dos compêndios. Então diz-se: o que é mau não é o sistema, em si mesmo, mas a maneira como é aplicado ou pervertido. E ficamos muito gratos e satisfeitíssimos com a explicação...
Se Obama fosse assassinado, transformar-se-ia num mito, como aconteceu com outras notáveis personagens ao longo da História. Toda a gente passaria o resto da vida a imaginar como teria sido magnífico o mundo sob a batuta de Obama. Mas - como desejo - Obama viverá muitos anos e o mundo não mudará e ele continuará no poder até à próxima grande crise ou até ao próximo grande escandalo. Porque o mundo muda, mas muda muito lentamente sob o efeito da acção de milhões e milhões de seres humanos, apesar de todas as vertigens tecnológicas. Sobretudo, o mundo não muda sob o efeito de qualquer moderno Messias.
Mas, Obama inscreve-se num sistema que não mudará. Apesar de todos os "Yes we can!". Podemos o quê? E quem somos nós?
Obama parece ser uma daquelas injecções de humanidade de que o capitalismo precisa, de vez em quando, para temperar os seus "excessos". Portanto, Obama é essencial para recolocar o capitalismo nos carris até ao próximo clamoroso desvio. O problema do capitalismo (e de todos os "ismos") são as "excepções" que a realidade impõe aos excelentes princípios dos compêndios. Então diz-se: o que é mau não é o sistema, em si mesmo, mas a maneira como é aplicado ou pervertido. E ficamos muito gratos e satisfeitíssimos com a explicação...
Se Obama fosse assassinado, transformar-se-ia num mito, como aconteceu com outras notáveis personagens ao longo da História. Toda a gente passaria o resto da vida a imaginar como teria sido magnífico o mundo sob a batuta de Obama. Mas - como desejo - Obama viverá muitos anos e o mundo não mudará e ele continuará no poder até à próxima grande crise ou até ao próximo grande escandalo. Porque o mundo muda, mas muda muito lentamente sob o efeito da acção de milhões e milhões de seres humanos, apesar de todas as vertigens tecnológicas. Sobretudo, o mundo não muda sob o efeito de qualquer moderno Messias.
quarta-feira, novembro 05, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
BPN
Só mesmo o Banco de Portugal é que não via, nem sabia. Faz lembrar os cornudos mansos... Há anos que a política desastrosa de crédito e de investimento do BPN era objecto de galhofa...
É lamentável que o banco central não exerça (ou exerça mal) uma das últimas competências que lhe restam - a de supervisão do sistema bancário. E depois, aquele Presidente, macro-economista emérito, hirto e inamovível nas suas certezas euclidianas, que assiste impávido ao fogo que se propaga, refugiando-se em declarações tautológicas.
E não me venham dizer que o BP apenas agiu quando devia agir, com base em provas irrefutáveis. É como tratar um doente quando ele está tão mal, tão mal que só falta a certidão de óbito. Nesse caso para que serve o médico que não seja legista?
É lamentável que o banco central não exerça (ou exerça mal) uma das últimas competências que lhe restam - a de supervisão do sistema bancário. E depois, aquele Presidente, macro-economista emérito, hirto e inamovível nas suas certezas euclidianas, que assiste impávido ao fogo que se propaga, refugiando-se em declarações tautológicas.
E não me venham dizer que o BP apenas agiu quando devia agir, com base em provas irrefutáveis. É como tratar um doente quando ele está tão mal, tão mal que só falta a certidão de óbito. Nesse caso para que serve o médico que não seja legista?
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