Há países de malas feitas.
Apesar de ser um problema muito menos dramático do que a miséria, estou cada vez mais convencido de que há um nível de riqueza material a partir do qual as qualidades humanas e a vida em sociedade se degradam a olhos vistos.
Há cada vez mais mulheres secas e cheias de si mesmas.
Há pessoas para as quais a diferença entre uma radiosa felicidade e um catastrófico desgosto é mais fina do que o mais fino dos cabelos.
Um dos livros que mais se vende actualmente em França chama-se "Manual da Manipulação".
Quando o poder é um objectivo em si mesmo conduz à transgressão de princípios. Mas, o poder também pode ser um instrumento para aplicar princípios.
sábado, agosto 30, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
Chips
É evidente que os chips nos carros antecipam e facilitam a transformação das SCUTs em portagens reais... Clicar no título !
quinta-feira, agosto 28, 2008
quarta-feira, agosto 27, 2008
Fait-divers
João convidou Manuel para passar o fim-de-semana na casa da praia. Manuel chega e encontra de facto muito mais do que João: os primos de João e, sobretudo, a prima Blanca. Blanca começa a entrar na fase em que fica tarde de mais para casar e ter filhos. Manuel percebe finalmente que João ajuda a prima, organizando desfiles de candidatos a marido e fica estarrecido por ter sido considerado elegível... Apesar do dote, beleza e simpatia de Blanca. Manuel sentiu-se personagem de um filme sobre o acasalamento de famílias nobres do século XIX.
A vida é colorida, tem destas banalidades e corre depressa, pensa Manuel com um sorriso amarelo.
A vida é colorida, tem destas banalidades e corre depressa, pensa Manuel com um sorriso amarelo.
segunda-feira, agosto 25, 2008
quinta-feira, agosto 21, 2008
O regresso da Guerra Fria
O que se tem passado na Geórgia é um episódio da reedição da Guerra Fria. Os americanos querem entrar na vizinhança do ex-império soviético. O acordo assinado ontem com a Polónia para instalar mísseis naquele país, alegadamente para contra-atacar mísseis iranianos, é um outro exemplo. Essas tentativas naturalmente deixam os russos nervosos. Eles, por sua vez, querem reconstituir, sob a égide de uma nova e poderosa Rússia, o antigo império dos sovietes. Têm a força dos preços altos da energia e das matérias-primas (de que são grandes produtores) pelo seu lado, bem como uma liderança forte e agressiva de um senhor chamado Putin que se tem sentado à mesa das grandes democracias mais por conveniência táctica do que por genuína adesão.
O pateta do presidente da Geórgia pôs-se em bicos dos pés (talvez com o beneplácito dos Estados Unidos de que é um peão...) ao invadir a Ossétia do Sul para tentar desesperadamente evitar ou adiar o inevitável. Com isso deu um pretexto aos russos para fazer o que há muito lhes apetecia: marcar claramente o seu poder no território e em toda a região. A Abekázia pode seguir-se, reduzindo ainda mais a superfície da Geórgia.
O precedente do Kosovo é eloquente. Um território de um país, dominado por uma etnia em dissidência com o resto desse país, pode reivindicar a independência. Até se fazem eleições, naturalmente ganhas pelos separatistas maioritários, e depois tem de se proceder a uma purga étnica, mais ou menos “pacífica”, para assegurar a tranquilidade e a pureza da etnia dominante. Na Ossétia do Sul e na Abekázia, a população maioritariamente amiga da Rússia vai de certeza votar a favor da separação em relação à Geórgia e os defensores da democracia terão bem pouco a dizer…
Com democracias fracas - que se sucedem a ditaduras - e com a globalização, as Nações tendem a reivindicar um Estado. Diferentes Nações podem conviver sob um mesmo Estado se este for forte (o que pode ser compatível com uma democracia eficiente) e se existir uma certa continuidade ou consenso cultural e político no âmbito de um certo território, requisito fundamental para manter a solidariedade entre diferentes comunidades.
Aos aspectos políticos somam-se as considerações económicas que aliás marcam sempre as disputas pela hegemonia. Pela Ossétia do Sul e pela Abekázia passam gasodutos e oleodutos estratégicos para encaminhar a energia da Rússia para os mercados de exportação…
O pateta do presidente da Geórgia pôs-se em bicos dos pés (talvez com o beneplácito dos Estados Unidos de que é um peão...) ao invadir a Ossétia do Sul para tentar desesperadamente evitar ou adiar o inevitável. Com isso deu um pretexto aos russos para fazer o que há muito lhes apetecia: marcar claramente o seu poder no território e em toda a região. A Abekázia pode seguir-se, reduzindo ainda mais a superfície da Geórgia.
O precedente do Kosovo é eloquente. Um território de um país, dominado por uma etnia em dissidência com o resto desse país, pode reivindicar a independência. Até se fazem eleições, naturalmente ganhas pelos separatistas maioritários, e depois tem de se proceder a uma purga étnica, mais ou menos “pacífica”, para assegurar a tranquilidade e a pureza da etnia dominante. Na Ossétia do Sul e na Abekázia, a população maioritariamente amiga da Rússia vai de certeza votar a favor da separação em relação à Geórgia e os defensores da democracia terão bem pouco a dizer…
Com democracias fracas - que se sucedem a ditaduras - e com a globalização, as Nações tendem a reivindicar um Estado. Diferentes Nações podem conviver sob um mesmo Estado se este for forte (o que pode ser compatível com uma democracia eficiente) e se existir uma certa continuidade ou consenso cultural e político no âmbito de um certo território, requisito fundamental para manter a solidariedade entre diferentes comunidades.
Aos aspectos políticos somam-se as considerações económicas que aliás marcam sempre as disputas pela hegemonia. Pela Ossétia do Sul e pela Abekázia passam gasodutos e oleodutos estratégicos para encaminhar a energia da Rússia para os mercados de exportação…
segunda-feira, agosto 18, 2008
Estou farto dos Jogos Olímpicos
Estou farto desta mania de ser "number one". Estou farto desta obsessão pela competição. Estou farto desta histeria pelo pódio. Não sou contra a procura da perfeição, sou a favor do esforço para se conseguir mais e melhor. Não sou dos que elegem a preguiça como o estado supremo da felicidade. Mas daí até ao masoquismo do sucesso mediatizado vai um grande passo. E ainda por cima quando a disputa é inter-nacional, quando o "brio e o profissionalismo" de cada um de nós dependem do número de medalhas dos nossos heróis em Pequim. É uma espécie de guerra doce a que desfila nos nossos ecrãs todos os dias. Imaginem a pressão que se abate sobre aqueles drogados do sucesso, as expectativas de milhões de anónimos cidadáos que se projectam nos super-homens e super-mulheres caçadores de efémeras medalhas que representam o culminar de sacrifícios inenarráveis. E só conta o primeiro... por alguns dias ou meses. Tudo o resto é lixo em horário nobre rapidamente substituido por telenovelas. A não ser que se trate de "gigantes" como Mark Spitz, Sergei Bubka ou Phelps, o devorador insaciável de medalhas, besta travestida de Humano do Colorado.
domingo, agosto 03, 2008
O ausente
Jovem casal. Bonitos. Bem dispostos. O bébé rosado, magnífico no carrinho ao lado, olhos regalados. Uma mulher mais velha observa a cena com desvelo, protecção, orgulho. A mulher mais velha parece um envelope. Falta ali um homem mais velho. Onde pára o homem mais velho? Nunca lá está! O homem mais velho anda desaparecido. Terá fugido... Em parte incerta. Desnecessário. Ausência oportuna.
sábado, julho 26, 2008
O Lobo (Antunes)

Cus de Judas, Memória de Elefante são títulos que ficaram inscritos na memória de muitos portugueses que se apaixonaram pela literatura como a interpretou A. Lobo Antunes. Lobo Antunes sublimou a experiência da guerra, a tristeza, a saudade e a perda como ninguém e durante anos teve a coragem de remar contra a maré e de não se vergar às promessas de incómios. Até aqui tudo bem.
Nos últimos anos, A. Lobo Antunes enveredou pela pesquisa literária, pela descoberta de arestas inéditas da lingua portuguesa, pelo afrontamento às normas do português escolar e escorreito. Daí resultaram os livros mais recentes que são simplesmente inacessíveis ou, pelo menos, de leitura hipnótica. A. Lobo Antunes escreve às toneladas pacotes de palavras por detrás das quais se escondem sentidos insondáveis.
E é em plena expansão desta fase que recebe o Prémio Camões, no meio de elogios rasgados dos Presidentes de Portugal e do Brasil. E confessa-se emocionado por receber o prémio e por ser português e por pertencer, finalmente, à galeria dos notáveis do regime. Porque, afinal de contas, também ele não resiste à vaidade dos fracos ou, numa versão alternativa mainstream, não tem vergonha da consagração da sua incontestável qualidade.
Só lhe fica a faltar mais um título que tem snobado e que teve dificuldade em reconhecer ao peito de Saramago: Prémio Nobel.
[carregar no título]
sexta-feira, julho 25, 2008
?!
Olhou na vidraça e viu uma sombra escarrada de gotas de chuva, imprecisa. O dia estava cinzento e a chuva mole dava cabo da mínima esperança. Sentiu-se preso no seu próprio corpo, paralisado por correntes invisíveis. Metamorfose. Na vidraça continuava aquela sombra que parecia pedir ajuda. Mas, fora, a rua estava deserta. Todos se tinham abrigado da chuva. Dentro apenas havia um velho relógio de parede que teimava num ritmo metálico. Maldita disciplina. Bateram horas. Não se sabe quantas nem é importante. Só a chuva contra a vidraça competia com o relógio... Até vir o sol de novo.
A pior prisão é a realidade, não o que dela imaginamos. A imaginação é livre e muda. A realidade é eterna, rochosa.
A pior prisão é a realidade, não o que dela imaginamos. A imaginação é livre e muda. A realidade é eterna, rochosa.
segunda-feira, julho 21, 2008
50000

Foi ontem ultrapassada a marca dos 50000 visitantes deste blog desde a sua criação, vai fazer 3 anos em Outubro. Não sei se é muito ou se é pouco. Parece-me, de qualquer maneira, uma audiência respeitável, considerando os inexistentes meios de propaganda e os conteúdos não necessariamente populares... E depois é um número redondo que se presta a comemorações, por mais simples que sejam.
domingo, julho 20, 2008
Little Miss Sunshine
Um filme tocante sobre os valores em voga e sobre o significado do sucesso. Vejam... se ainda não viram. Clicar no título para aguçar o apetite.
sábado, julho 19, 2008
quarta-feira, julho 16, 2008
Berlusconi strikes again
Berlusconi encontrou a solução mágica para os problemas energéticos da Humanidade. Os principais países consumidores deveriam criar um cartel para fixar os preços máximos a que estariam dispostos a comprar o petróleo. Assim se oporiam ao cartel OPEP, introduzindo algum equilibrio num mercado até agora dominado pelos produtores. A outra solução seria um vasto programa de construção de centrais nucleares à escala mundial. Nisso parece não andar longe da ideia por cá hoje ventilada pelo seráfico governador do Banco de Portugal.
sábado, julho 12, 2008
A coisa está mesmo preta
Fannie Mae e Freddie Mac não são personagens de banda de desenhada. Infelizmente. São uma espécie de bancos com uma espécie de garantia do Governo dos Estados Unidos que ajudam as pessoas a obter empréstimos para comprar casa, dando garantias aos bancos credores, garantias essas que são por sua vez suportadas pela hipoteca das casas. Essas instituições têm um passivo total de mais de 5000 biliões de dólares, uma cifra colossal que corresponde a quase 40% do PIB dos EUA. O capital dessas "agências" é cotado em Bolsa e o preço das respectivas acções desceu, só na última semana, qualquer coisa como 45%. E isso aconteceu porque os investidores temem que a Fannie e a Freddie tenham problemas sérios de liquidez e que o valor real das hipotecas seja tal que a situação líquida dessas "agências" seja negativa, ou seja, o valor dos activos seja muito inferior ao valor das dívidas. Por outras palavras, receia-se que a Fannie e a Freddie se aproximem vertiginosamente da falência, o que seria uma autêntica catástrofe, provocando falências em cadeia no sistema bancário americano e mundial. Portanto, a "espécie de garantia" do Governo poderá ter de se transformar numa "autêntica garantia", o que corresponde em bom português a uma nacionalização. Mas, para além da heterodoxia da coisa no país arauto do livre-mercado, isso agravaria ainda mais as dificuldades dos Estados Unidos pois levaria a dívida pública para cima de 100% do PIB com tudo o que isso implica para as taxas de juro e de câmbio do dólar.
Esperemos que o mercado imobiliário recupere o mais rapidamente possivel para limpar as maluquices dos bancos dos últimos anos e que o nervosismo se mantenha em níveis "saudáveis". Senão...
Esperemos que o mercado imobiliário recupere o mais rapidamente possivel para limpar as maluquices dos bancos dos últimos anos e que o nervosismo se mantenha em níveis "saudáveis". Senão...
terça-feira, julho 08, 2008
Os investimentos da Republica
No "Publico" de hoje, Vital Moreira diz que as grandes obras publicas de que tanto se fala não representarão um encargo significativo para o Estado porque, sendo feitas em regime de Parceria Publico-Privado, são essencialmente suportadas pelo sector privado.
Isto não é verdade em relação à maior parte dos investimentos.
De facto, as entidades concedentes do sector publico efectuarão os chamados pagamentos de disponibilidade ao longo da vida das concessões (nalguns casos durante mais de 30 anos) para assegurar uma rendibilidade financeira adequada aos investidores privados.
Ou seja, uma grande parte das obras não geram receitas comerciais (relacionadas com o tráfego) suficientes para cobrir os custos e proporcionar um retorno proporcional aos riscos corridos.
A justificação para o pagamento do Estado encontra-se no contributo dos projectos para o interesse colectivo. Para utilizar um palavrão da Economia, encontra-se nas "externalidades" produzidas pelos projectos: melhores acessibilidades, economias de tempo, redução da sinistralidade, contributo para o desenvolvimento regional e para a ligação ao resto da Europa, etc.
Tudo isso está muito bem. O problema é que esses pagamentos vão introduzir uma rigidez adicional nas despesas publicas de anos vindouros e colocam a questão da sua sustentabilidade. Mas, também é verdade que, se o Estado financiasse integralmente à cabeça esses investimentos através de dívida teria de assegurar no futuro o serviço dessa mesma dívida, o que viria aproximadamente a dar no mesmo, designadamente, em termos de impostos.
Portanto, o problema não tem a ver com o modelo de adjudicação e de financiamento, mas sim com as escolhas colectivas, quer dizer, com a definição das prioridades do Estado. Gastar mais em infraestruturas pesadas significa renunciar a outras despesas publicas. Porque os recursos existentes e sobretudo o potencial de crescimento da economia portuguesa são o que são. E, quem gasta durante um certo período mais do que pode pagar, ou espera que dessa despesa resulte um retorno adequado para reembolsar a dívida resultante, ou deve preparar-se para no futuro gastar menos do que ganha.
Estas escolhas são transversais aos governos e às gerações, pelo que, seria importante um mínimo de consenso acerca das prioridades e dos sacrifícios, quando se fala de cifras de tal maneira colossais que mobilizam uma parte tão substancial dos recursos presentes e futuros do país. Na verdade, fala-se de investimentos, não de um ou outro governo, mas da Republica...
Isto não é verdade em relação à maior parte dos investimentos.
De facto, as entidades concedentes do sector publico efectuarão os chamados pagamentos de disponibilidade ao longo da vida das concessões (nalguns casos durante mais de 30 anos) para assegurar uma rendibilidade financeira adequada aos investidores privados.
Ou seja, uma grande parte das obras não geram receitas comerciais (relacionadas com o tráfego) suficientes para cobrir os custos e proporcionar um retorno proporcional aos riscos corridos.
A justificação para o pagamento do Estado encontra-se no contributo dos projectos para o interesse colectivo. Para utilizar um palavrão da Economia, encontra-se nas "externalidades" produzidas pelos projectos: melhores acessibilidades, economias de tempo, redução da sinistralidade, contributo para o desenvolvimento regional e para a ligação ao resto da Europa, etc.
Tudo isso está muito bem. O problema é que esses pagamentos vão introduzir uma rigidez adicional nas despesas publicas de anos vindouros e colocam a questão da sua sustentabilidade. Mas, também é verdade que, se o Estado financiasse integralmente à cabeça esses investimentos através de dívida teria de assegurar no futuro o serviço dessa mesma dívida, o que viria aproximadamente a dar no mesmo, designadamente, em termos de impostos.
Portanto, o problema não tem a ver com o modelo de adjudicação e de financiamento, mas sim com as escolhas colectivas, quer dizer, com a definição das prioridades do Estado. Gastar mais em infraestruturas pesadas significa renunciar a outras despesas publicas. Porque os recursos existentes e sobretudo o potencial de crescimento da economia portuguesa são o que são. E, quem gasta durante um certo período mais do que pode pagar, ou espera que dessa despesa resulte um retorno adequado para reembolsar a dívida resultante, ou deve preparar-se para no futuro gastar menos do que ganha.
Estas escolhas são transversais aos governos e às gerações, pelo que, seria importante um mínimo de consenso acerca das prioridades e dos sacrifícios, quando se fala de cifras de tal maneira colossais que mobilizam uma parte tão substancial dos recursos presentes e futuros do país. Na verdade, fala-se de investimentos, não de um ou outro governo, mas da Republica...
terça-feira, julho 01, 2008
Curtas e directas
Ainda bem que o petróleo está tão caro. Assim, podem fazer-se grandes negócios com as energias renováveis, suprema boa causa do capitalismo do século XXI.
Berlusconi utiliza pela segunda vez em menos de 10 anos a sua maioria no Parlamento para fazer passar leis que o ilibam dos crimes que cometeu. Mas, porque é que os italianos o elegeram? Simplesmente, porque a maioria se reconhece no modelo de sucesso que Berlusconi protagoniza...
O que falta à Europa não é um Tratado, não são directivas nem siglas catitas, não são tecnocratas longe das pessoas nem comités. O que falta à Europa é uma utopia, é uma Política com "P" maiúsculo, é uma visão que possa entusiasmar as pessoas e fazê-las ver para além de um quotidiano cheio de problemas incontornáveis e de fatalidades técnicas.
Dizer que a alternativa a um programa dispendioso de obras públicas seria a distribuição de dinheiro pela classe média e pelos pobrezinhos é demagógico e quase criminoso. É confundir investimento com despesa corrente. Sem prejuizo da discussão acerca da rendibilidade económica e social dessas obras públicas...
Berlusconi utiliza pela segunda vez em menos de 10 anos a sua maioria no Parlamento para fazer passar leis que o ilibam dos crimes que cometeu. Mas, porque é que os italianos o elegeram? Simplesmente, porque a maioria se reconhece no modelo de sucesso que Berlusconi protagoniza...
O que falta à Europa não é um Tratado, não são directivas nem siglas catitas, não são tecnocratas longe das pessoas nem comités. O que falta à Europa é uma utopia, é uma Política com "P" maiúsculo, é uma visão que possa entusiasmar as pessoas e fazê-las ver para além de um quotidiano cheio de problemas incontornáveis e de fatalidades técnicas.
Dizer que a alternativa a um programa dispendioso de obras públicas seria a distribuição de dinheiro pela classe média e pelos pobrezinhos é demagógico e quase criminoso. É confundir investimento com despesa corrente. Sem prejuizo da discussão acerca da rendibilidade económica e social dessas obras públicas...
domingo, junho 29, 2008
O ciclo dos sentimentos
NInguém se apaixona por uma realidade. As pessoas apaixonam-se pelo que da realidade querem ver, pela reconstrução da realidade que fazem. Por uma ficção que vai ao encontro da sua sensibilidade e das suas expectativas. Quando passam dessa fase delirante para a percepção pura e dura da realidade, as pessoas reagem de formas diferentes. Algumas caem na mais profunda desilusão e partem. Outras resignam-se e ficam. Tristes. Se possivel, serenamente tristes porque se rendem à fatalidade das coisas reais. Outras, mais raras, passam da paixão inicial a um sentimento mais tranquilo, mas igualmente envolvente e doce.
sábado, junho 28, 2008
O Dólar Americano
A coisa está grave. É mais grave do que se pensava. Uma única explicação é insuficiente. Há um conjunto de factores muito complexos que parecem actuar na mesma direcção, isto é, da perda de valor dos activos, da espiral dos preços de produtos de base e da queda da confiança. Mas, se há um factor estrutural que, na opinião de cada vez mais pessoas, está na base da actual situação, esse factor chama-se DÓLAR, o que corresponde a dizer: ECONOMIA AMERICANA com todos os seus excessos, de despesa, de dívida, de especulação.
A economia americana tem sido o motor da economia mundial, em parte financiada pela própria economia mundial (!), por causa do papel fundamental da sua divisa, a moeda de um império que estrebucha para manter a sua primazia. O dólar, para além de unidade de medida mais ou menos universal e de meio de pagamento, é também moeda de reserva mundial, o que significa que é aceite por todos como denominador comum da riqueza. A confiança no dólar a longo prazo (ou seja na economia americana) faz com que toda a gente aceite essa moeda para guardar valor. Os bancos centrais têm uma grande parte das suas reservas (das disponibilidades sobre o exterior) expressas em dólares. Os vendedores de petróleo e de matérias-primas fixam os preços em dólares e acumulam reservas e efectuam investimentos nessa moeda.
Portanto, a moeda americana tem um papel pivot na economia global. Isso representa, por sua vez, uma vantagem enorme para os Estados Unidos que podem aumentar o défice sem grande dificuldade, porque o podem financiar através da emissão de quantidades crescentes de dólares, aceites pelos credores de todo o mundo. A coisa funciona enquanto a gigantesca dívida americana for refinanciável, isto é, enquanto os credores acreditarem que, mais tarde ou mais cedo, a dívida será reembolsada, o que supõe que a economia americana tenha um crescimento sustentado e que modere a sua despesa para gerar finalmente excedentes. Se, pelo contrário, não é essa a percepção dos credores, a confiança no dólar cai, a sua procura desce, o seu preço baixa, a taxa de juro sobe. O que até tem um efeito reequilibrador porque as importações ficam mais caras e as exportações mais baratas, porque fica mais caro pedir emprestado.
O problema é que uma perda excessiva de valor do dólar pode levar a uma espiral de perda de confiança que pode afectar a própria sustentabilidade do sistema monetário internacional que gravita em torno da moeda americana. Se os investidores acham que o ajustamento é estrutural e não apenas conjuntural, se consideram que os americanos não têm capacidade para corrigir os seus excessos ou que a economia US está a perder o seu potencial de crescimento e a sua supremacia a nível global, aí o papel de moeda de reserva do dólar é posto em causa e os investidores começam, de verdade, a fugir do dólar e a preferir outras moedas como é o caso do euro ou do yen, o que alimenta ainda mais a queda do dólar.
Acho que existe um certo risco de que este último cenário se esteja a esboçar a par com a emergência de outros centros de crescimento mundial (como a China) que retiram ainda mais centralidade ao dólar.
A relação inversa entre as tendências do preço do crude e da cotação do dólar não é, portanto, apenas coincidência. Na minha opinião, como já defendi anteriormente no blog www.ofregues.blogspot.com, trata-se de uma causalidade. Os vendedores de crude (principalmente no mercado a prazo), cujo preço é fixado em dólares, reagem à perda de valor do dólar pedindo preços mais altos do crude. Porque, no fundo, não acreditam no valor intrinseco do dólar mas sim no seu valor expresso noutras divisas o qual não cessa de baixar...
Ou seja: a subida do preço do crude em dólares serve para preservar o poder de compra do crude noutras divisas, dada a baixa do dólar.
A economia americana tem sido o motor da economia mundial, em parte financiada pela própria economia mundial (!), por causa do papel fundamental da sua divisa, a moeda de um império que estrebucha para manter a sua primazia. O dólar, para além de unidade de medida mais ou menos universal e de meio de pagamento, é também moeda de reserva mundial, o que significa que é aceite por todos como denominador comum da riqueza. A confiança no dólar a longo prazo (ou seja na economia americana) faz com que toda a gente aceite essa moeda para guardar valor. Os bancos centrais têm uma grande parte das suas reservas (das disponibilidades sobre o exterior) expressas em dólares. Os vendedores de petróleo e de matérias-primas fixam os preços em dólares e acumulam reservas e efectuam investimentos nessa moeda.
Portanto, a moeda americana tem um papel pivot na economia global. Isso representa, por sua vez, uma vantagem enorme para os Estados Unidos que podem aumentar o défice sem grande dificuldade, porque o podem financiar através da emissão de quantidades crescentes de dólares, aceites pelos credores de todo o mundo. A coisa funciona enquanto a gigantesca dívida americana for refinanciável, isto é, enquanto os credores acreditarem que, mais tarde ou mais cedo, a dívida será reembolsada, o que supõe que a economia americana tenha um crescimento sustentado e que modere a sua despesa para gerar finalmente excedentes. Se, pelo contrário, não é essa a percepção dos credores, a confiança no dólar cai, a sua procura desce, o seu preço baixa, a taxa de juro sobe. O que até tem um efeito reequilibrador porque as importações ficam mais caras e as exportações mais baratas, porque fica mais caro pedir emprestado.
O problema é que uma perda excessiva de valor do dólar pode levar a uma espiral de perda de confiança que pode afectar a própria sustentabilidade do sistema monetário internacional que gravita em torno da moeda americana. Se os investidores acham que o ajustamento é estrutural e não apenas conjuntural, se consideram que os americanos não têm capacidade para corrigir os seus excessos ou que a economia US está a perder o seu potencial de crescimento e a sua supremacia a nível global, aí o papel de moeda de reserva do dólar é posto em causa e os investidores começam, de verdade, a fugir do dólar e a preferir outras moedas como é o caso do euro ou do yen, o que alimenta ainda mais a queda do dólar.
Acho que existe um certo risco de que este último cenário se esteja a esboçar a par com a emergência de outros centros de crescimento mundial (como a China) que retiram ainda mais centralidade ao dólar.
A relação inversa entre as tendências do preço do crude e da cotação do dólar não é, portanto, apenas coincidência. Na minha opinião, como já defendi anteriormente no blog www.ofregues.blogspot.com, trata-se de uma causalidade. Os vendedores de crude (principalmente no mercado a prazo), cujo preço é fixado em dólares, reagem à perda de valor do dólar pedindo preços mais altos do crude. Porque, no fundo, não acreditam no valor intrinseco do dólar mas sim no seu valor expresso noutras divisas o qual não cessa de baixar...
Ou seja: a subida do preço do crude em dólares serve para preservar o poder de compra do crude noutras divisas, dada a baixa do dólar.
terça-feira, junho 24, 2008
Eldorado
Mais um filme sobre a tragédia belga, ou melhor: sobre a desgraça da Valónia. Mas, é um filme cheio de ressonâncias americanas. Às vezes, parece estarmos no Texas ou no Arkansas. Grandes Cadillacs ou Chevrolets, dois tipos completamente perdidos, sem referências, desprezados, enormes campos de cereais debaixo de um céu ora azul, como a cor dos brinquedos de lata de outros tempos, ora cinzento e ameaçador, como nos filmes aziagos ou nos romances de Truman Capote. Até há uma bomba de gasolina no meio de nada, sem ninguém. Faz lembrar "Paris-Texas". A música rima com tudo aquilo, triste e fatal. Mas, atenção, aquilo é a Bélgica francófona, pobre, abandonada, marginal, angustiada, auto-destrutiva.
A história começa com um comerciante de automóveis americanos de segunda-mão (gordo, barbudo e porcalhão, o próprio Bouli Lanners, realizador/actor) que regressa a casa e descobre que foi roubado. O ladrão refugia-se debaixo da cama. O roubado, condescendente, adormece no sofá à espera que o ladrão dali saia. Acaba por sair e apanha uma pancada algo benevolenta, seguida de uma boleia até um sítio onde não passa viv'alma. O roubado tem pena do pobre diabo e ambos fazem uma viagem surrealista até à fronteira com a França onde vivem os pais do ladrão.
Nem sequer a ternura que parece nascer entre aquelas almas penadas resiste à fatalidade da tragédia belga.
segunda-feira, junho 23, 2008
Uma espécie de Diácono Remédios
Depois de tantos anos a aprender a arte do balanço, os cálculos para não se tramar, os pequenos truques das coisas prosaicas da vida, ainda me passa pela cabeça o sentido da vida. Esta reflexão veio-me enquanto subia a escada da minha casa, para me refugiar no silêncio, depois de uma noitada feita de ruído e de olhares rápidos que pretendiam transmitir o que as palavras não podiam - por evidentes problemas de acústica. Esta imersão na multidão, na versão mundana da alegria deixou-me a braços com a minha incapacidade para me divertir... como os outros, simplesmente, incapacidade para me divertir. Dramático? Talvez não... Basta que me aceite como sou, que encontre pessoas que me aceitem como sou. Talvez sejam uma raridade, mas é melhor uma raridade valiosa do que uma manada de simpatizantes ou de conhecidos. Detesto a superficialidade com que as pessoas se satisfazem, a ligeireza com que se defendem uns dos outros. É raro encontrar alguém que queira arriscar um encontro a dois para conversar, para trocar ideias que vão para além de um comentário oportuno acerca do tempo, das férias ou do último filme que se viu. Há pouca gente que tenha a espessura ou a coragem de dizer o que pensa sobre coisas importantes da vida. Se são importantes devem permanecer secretas, íntimas, não podem ser divulgadas sob pena de gerarem estigmas perniciosos para um comportamento socialmente eficaz. Mas, que diabo vem a ser isso? Permanecer na sombra, no meio dos sorrisos de veludo que não acrescentam nada nas relações humanas, através dos quais as pessoas se defendem de putativas agressóes. Assim não se vai a lado nenhum. Fica-se sempre no limbo do conveniente, mas não se criam empatias, amizades, não se constroem laços. Como dizia Fernando Pessoa, sê tudo o que és no mínimo do que fazes. Às vezes, assim fazendo, queimamo-nos mas continuamos nós mesmos “for the better, for the worse”. Se procurarmos ser um outro eficaz, provavelmente não o conseguimos e, pior ainda, afastamo-nos do que realmente somos.
domingo, junho 22, 2008
GALP
A GALP não tem produção própria. A empresa procura compensar essa fraqueza, entrando em parcerias com a Petrobras e com a Sonangol para beneficiar da pesquisa de novas jazidas no Brasil e em Angola. Existem também iniciativas para participar na prospecção e extracção ao largo de Timor. Mas, por enquanto, a produção própria de crude representa menos de 5% do volume de negócios da empresa que, por conseguinte, compra o produto no mercado internacional, refina-o e vende-o aos distribuidores sob a forma de refinados (gasolina, gasóleo, fuel, etc.). Se a empresa produzisse a maior parte do crude que refina, o aumento do preço internacional que não é consequência de um aumento dos custos de extracção, reflectido nos preços de venda dos refinados, traduzir-se-ia num crescimento dos lucros, como se passa com as grandes petrolíferas que têm produção própria (Exxon, Shell, BP, Total, etc.). No caso da GALP, o aumento dos preços de venda serve apenas para reflectir um aumento dos custos da matéria-prima comprada no mercado aberto. Se quisermos, serve para evitar a queda das margens da empresa, não para as aumentar. Se os preços de compra do crude aumentam todos os dias e a GALP actualiza os preços de venda da gasolina apenas uma vez por mês, é óbvio que registará perdas e essas perdas serão tanto maiores quanto mais rápido for o crescimento do preço do crude e mais espaçadas forem as actualizações dos preços na bomba.
sábado, junho 21, 2008
Psicopatologias
Depois da euforia, dos cachecóis, das bandeiras, das gravatas, dos chapéus e outros adereços verde-rubros, a malta toda desceu de novo à terra... ao quotidiano dos factos, em vez das fantasias. Cada um de nós passou a ser o indíviduo que é, em vez do fantástico português das vitórias futebolísticas. O papo cheio de orgulho nacional derivado a uma bola e a um grupo de rapazes cheios de fama e de dinheiro, esvaziou-se... mais uma vez. De regresso à nossa essência - que até nem é má - devemos tentar viver bem, serenamente na nossa realidade, mais do que na elocubração de uma grandiosidade efémera. Mas, há por aí quem pense que os portugueses têm uma certa tendência para a ciclotímia (ver também bipolar). Grandes encenações mediáticas de putativa glória nacional não ajudam a curar a suposta doença.
segunda-feira, junho 16, 2008
Portugal - 0 / Suiça - 2
A derrota de Portugal frente à Suiça ontem foi boa porque:
- facilita uma boa convivência entre suiços e imigrantes portugueses (ser eliminado na primeira fase e, ainda por cima, ser derrotado no último jogo pelos portugueses seria demasiado "humilhante" para os austeros suiços - certas formas de retaliação não seriam de excluir...)
- legitima as escolhas de Scolari para a equipa principal (uma equipa de segunda que jogasse demasiado bem talvez provocasse dúvidas quanto aos titulares para o(s) próximo(s) jogo(s))
- acalma a euforia e aumenta o realismo, tão necessário para os embates mais sérios que se avizinham
quarta-feira, junho 11, 2008
Camionistas
Há um pequeno grupo, incluindo os que são instrumentalizados pelos patrões, que sabem ter um papel estratégico na economia: o de transportar mercadorias vitais, como combustíveis ou alimentos perecíveis. Essa pequena corporação "de má estirpe" (para mal dos pecados de numerosos bons trabalhadores e pais de família da profissão) consegue pôr a Nação de joelhos, com métodos caceteiros, disfrutando de um desmesurado poder negocial junto do Governo. Do outro lado, temos os grandes da distribuição que resistem à repercussão do aumento dos custos dos transportadores. No fim de contas, assistimos a uma batalha pelas margens de lucro de dois oligopólios: o dos transportadores e o dos grandes comerciantes. [Naturalmente, estou a deixar de fora um terceiro protagonista: o Estado que é como quem diz, os contribuintes em geral.] Se esses dois oligopólios se pusessem de acordo, o aumento dos custos seria, mais uma vez, tranquilamente, repercutido sobre os consumidores finais. Bens mais caros significa menor procura e, dependendo da elastidade-preço da procura, menor receita. Mas, a procura de combustíveis e de alimentos é geralmente insensível aos preços, pelo que, a receita poderá até aumentar com a subida dos preços... Então de que se queixam estes senhores?
Deixem funcionar a economia, isto é, façam pagar os desgraçados do costume e terão menos a perder do que pensam. É claro que estes ajustamentos levam algum tempo, a economia não funciona, no seu todo, instântaneamente. Muito mais rapidamente agem os especuladores, hélas. A não ser que se queiram aproveitar da situação para chupar mais uma vez na têta do Estado, ou seja, para desviar ainda mais o pagamento da factura da energia para cima de terceiros, ou seja, dos consumidores e dos contribuintes em geral.
A coisa é sempre a mesma: "there are no free lunches": quando a factura fica mais cara, alguém tem de a pagar, de uma maneira ou de outra: os pobres ou os ricos, os contribuintes em geral ou um grupo profissional em particular. As corporações que têm mais poder, que usufruem de algum poder de monopólio, sempre tentam puxar a brasa à sua sardinha.
O Governo deve resistir à chantagem e defender a eficiência, a equidade e a autoridade do Estado.
Deixem funcionar a economia, isto é, façam pagar os desgraçados do costume e terão menos a perder do que pensam. É claro que estes ajustamentos levam algum tempo, a economia não funciona, no seu todo, instântaneamente. Muito mais rapidamente agem os especuladores, hélas. A não ser que se queiram aproveitar da situação para chupar mais uma vez na têta do Estado, ou seja, para desviar ainda mais o pagamento da factura da energia para cima de terceiros, ou seja, dos consumidores e dos contribuintes em geral.
A coisa é sempre a mesma: "there are no free lunches": quando a factura fica mais cara, alguém tem de a pagar, de uma maneira ou de outra: os pobres ou os ricos, os contribuintes em geral ou um grupo profissional em particular. As corporações que têm mais poder, que usufruem de algum poder de monopólio, sempre tentam puxar a brasa à sua sardinha.
O Governo deve resistir à chantagem e defender a eficiência, a equidade e a autoridade do Estado.
domingo, junho 08, 2008
Enquanto corro, sob um céu cinzento de nuvens incontinentes, as àrvores começam a chorar antes da chuva e o vento fustiga-lhes a alma. As àrvores ao longo da estrada, disciplinadas, em fila, ondulam, fazendo figuras que posso inventar, enquanto corro e sinto o suor misturado com algumas tímidas gotas de chuva a cair pela cara abaixo. Misturam-se as lágrimas das àrvores com o meu esforço.
sexta-feira, junho 06, 2008
Alegre
Gostei da entrevista de Manuel Alegre. A frontalidade de sempre, a atitude clássica de uma esquerda que vem de longe, dos tempos da Argélia, uma inocência que faz bem no ambiente de cálculo que domina. O Bloco vai à boleia. O que não percebo é o que é que Manuel Alegre ainda tem a ver com o PS. Que PS ainda justifica que Manuel Alegre não se demita? Tudo bem: liberdade e pluralismo permitem uma saudável dissonância no seio de um partido, mas divergências tão profundas em relação aos valores e ao paradigma seguidos pela direcção, querem dizer ruptura... Alegre vale por si próprio, o seu percurso é eloquente, o seu espírito cívico transcende paróquias, mas não se pode transformar em estátua de sal, uma espécie de bezerro de ouro da esquerda radical que é excelente para fazer oposição, mas que não representa uma alternativa de poder. Para onde vai Manuel Alegre? Reserva independente para candidato a Presidente com os votos de um Bloco crescente, de comunistas "renovadores" e de socialistas desiludidos? Chairman de um Bloco de que Louçã seria o CEO? Uma coisa parece-me certa: Alegre e PS já não dá. Os tempos mudaram, o PS largou o heroísmo de outros tempos e Alegre não acompanhou o passo (e talvez ainda bem...).
terça-feira, junho 03, 2008
Euro 2008
...quanto ao estado do país, o que acho verdadeiramente incrível é que toda a gente se queixa de Portugal (dos governantes, do desemprego, da carestia, da burocracia, etc.), mas andam todos de bandeira ao ombro, cachecol ao pescoço e gravata ao peito com os símbolos nacionais para apoiar a selecção indígena no Euro 2008, exibindo um nacionalismo fervoroso...
Acho que há aqui uma boa dose de sado-masoquismo colectivo...
Acho que há aqui uma boa dose de sado-masoquismo colectivo...
terça-feira, maio 27, 2008
Prós e contras
É evidente que o Medina Carreira está maluco e que a maluquice dele é devida ao facto de, desde há muitos anos, ninguém o convidar para ministro. É evidente que o Basílio Horta se vendeu de corpo e alma ao PS e que passa a vida a bajular o sistema e a aliciar investidores estrangeiros com a extraordinária qualidade da paupérrima mão-de-obra portuguesa. Quanto à Teodora Cardoso, tresanda rigor e bom senso e parece freira da Ordem dos Cifrões. Mas, deve ser boa senhora... Depois há o Sérgio Ribeiro que tem a desfaçatez de ir a um programa destinado ao grande público falar da distinção entre "valor de troca" e "valor de uso", exibindo um dos livros do "Capital" como se fosse a cruz para excomungar os capitalistas. Depois há um higiénico professor universitário de Lisboa de seu nome Nogueira Leite (salvo erro) que dispara banalidades como se fossem revelações euclidianas.
Estes são os protagonistas do debate em voga sobre a crise da economia portuguesa. Dali não sai literalmente nada, exceptuando uma enorme raiva por isto continuar no "vira o disco e toca o mesmo".
Estes são os protagonistas do debate em voga sobre a crise da economia portuguesa. Dali não sai literalmente nada, exceptuando uma enorme raiva por isto continuar no "vira o disco e toca o mesmo".
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