domingo, novembro 11, 2007
sexta-feira, novembro 09, 2007
Campanha contra a pobreza
Esta campanha agrada-me particularmente porque não é como muitas que nos pedem para abdicar de certas coisas em prol de outras. Não que seja mau abdicar de certos luxos por estas causas, mas aqui o que se mostra é que, comparado com aquelas coisas que vamos comprando, ajudar a irradicar a pobreza não é assim tão custoso.
Cliquem nas imagens para ampliar, vale a pena!
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quinta-feira, novembro 08, 2007
Salvatore Lo Piccolo

Salvatore Lo Piccolo (sucessor do grande boss da Mafia siciliana Bernardo Provenzano, preso há mais de um ano), foi detido na Segunda-feira passada em Palermo. Entre as várias coisas apreendidas, figurava um interessantíssimo documento com os 10 Mandamentos do "perfetto mafioso". Aí vão eles:
1° "ninguém se deve apresentar sózinho pela primeira vez a um dos nossos amigos: deve ser uma terceira pessoa amiga a fazê-lo"
2° "não se deve olhar para as mulheres dos nossos amigos"
3° "não se deve fazer comparações com os esbirros"
4° "não se frequentam tabernas"
5° "deve-se estar disponível para a 'cosa nostra' em qualquer momento, mesmo quando a nossa mulher estiver para dar à luz"
6° "respeitam-se de forma categórica os lugares e horários dos encontros"
7° "deve-se respeitar a nossa mulher"
8° "quando nos perguntam qualquer coisa deve-se sempre dizer a verdade"
9° "não se deve ficar com dinheiro que pertence a outras pessoas ou famílias"
10° "não pode pertencer à 'cosa nostra', nomeadamente, quem tem família directa nas autoridades policiais e judiciárias, quem traiu sentimentalmente a própria família, quem tem um mau comportamento e não respeita os princípios morais"
quarta-feira, novembro 07, 2007

Finalmente não resisti.
Devo aqui fazer, antes de mais, um auto-crítica: talvez seja um bocado pedante em relação a certa “literatura” que por aí anda e que alimenta as estatísticas de tiragens para grande gáudio das editoras e de alguns inocentes entusiastas da suposta paixão inesperada dos portugueses pela leitura. Paulo Coelho, Rodrigues dos Santos e toda uma panóplia de “escritores” anglo-saxónicos de best-sellers são expoentes dessa vaga.
Também incluía nessa categoria Isabel Allende. Seguramente por ignorância… Pois bem. Resisti ao preconceito e comprei o seu livro “Filha da Fortuna” (edição Círculo de Leitores). Devo dizer que estou a devorar a história de Eliza Sommers e dos seus companheiros de aventuras e desventuras. Não sei se Isabel Allende é uma grande escritora, daquelas que podem um dia candidatar-se ao prémio Nobel (for what it is worth…). Agora que sabe contar magistralmente uma história, lá isso não tenho dúvidas. Difícil despegar…
Politics show
A sessão parlamentar de ontem, hiper-anunciada por causa do "embate" entre Santana e Sócrates a propósito do orçamento, revela bem o estado a que chegou a "nossa" política e, em particular, o "nosso" Parlamento. Um Parlamento espectacularizado, transformado numa passerelle de egos patéticos, num púlpito de adolescentes retardados cheios de brilhantina, num décor de fotografias da revista Caras. Santana é inenarrável: aquele ar de balofa importância auto-atribuida, aqueles tiques de simpático mafioso de 2ª. Categoria... Sócrates no melhor da sua arrogância, falsamente aturdido por tanto empolamento mediático, disfarçando um certo mal-estar porque a sua nobre missão excede estas venalidades e resiste a escolhos espúrios.
E alguns cidadãos aderem a estas super-produções domésticas, esgotando os lugares das galerias da arena do descontentamento da grande maioria, que se afasta da política para se concentrar nos problemas de um quotidiano cada vez mais pesado.
E alguns cidadãos aderem a estas super-produções domésticas, esgotando os lugares das galerias da arena do descontentamento da grande maioria, que se afasta da política para se concentrar nos problemas de um quotidiano cada vez mais pesado.
sábado, novembro 03, 2007
O tempo e o modo
O tempo aqui está óptimo. Sol abençoado, temperatura estival, um céu azul de ficar nos olhos para sempre. Um tempo assim faz bem, particularmente a quem usualmente não o tem. Esses dão valor a essa benesse. Os outros talvez achem essa bonomia meteorológica trivial ou qualquer coisa de adquirido e nem isso atenua as suas inúmeras maleitas da vida, muitas reais, outras virtuais.
quinta-feira, novembro 01, 2007
Mudança
Nunca paramos de mudar, de crescer. Muitas vezes não nos apercebemos disso senão quando nos comparamos como quando éramos há "não-sei-quanto" tempo e reparamos que mudámos. Para melhor, para pior ou simplesmente para algo diferente.
A nossa forma de encarar a vida não é constante, mas muda ao longo das experiências que passamos. O mais gratificante é quando nos apercebemos disso. Há momentos chave em que sabemos que mudámos. Há aqueles momentos em que nos sentamos depois de uma conquista e nos sentimos orgulhosos do que conseguimos.
Viver num país diferente, com cultura e gente diferente, sozinha é uma situação ideal para viver esses momentos fantásticos de orgulho em mim própria. Até a dificuldade mais pequena quando é ultrapassada é um motivo de satisfação suprema.
É bom quando nos apercebemos que estamos a crescer, quando nos sentamos conosco mesmos depois de um dia de pequenas conquistas e sabemos que conseguimos! Sabe bem como o caraças!!!
A nossa forma de encarar a vida não é constante, mas muda ao longo das experiências que passamos. O mais gratificante é quando nos apercebemos disso. Há momentos chave em que sabemos que mudámos. Há aqueles momentos em que nos sentamos depois de uma conquista e nos sentimos orgulhosos do que conseguimos.
Viver num país diferente, com cultura e gente diferente, sozinha é uma situação ideal para viver esses momentos fantásticos de orgulho em mim própria. Até a dificuldade mais pequena quando é ultrapassada é um motivo de satisfação suprema.
É bom quando nos apercebemos que estamos a crescer, quando nos sentamos conosco mesmos depois de um dia de pequenas conquistas e sabemos que conseguimos! Sabe bem como o caraças!!!
quarta-feira, outubro 31, 2007
domingo, outubro 28, 2007
Putin
A Russia é grande, tem imensos recursos naturais, uma população numerosa e disciplinada, com boa preparação técnica. A Russia não tem tradição democrática. As pessoas estão habituadas a obedecer e a idolatrar chefes carismáticos. Putin veio reconciliar a Russia com o seu passado imperial depois da crise provocada pela queda dos Sovietes. Putin utilizou o maná da súbida dos preços da energia para melhorar as condições de vida de uma parte significativa da população, apesar da pobreza continuar dramática e da pilhagem da “propriedade colectiva” por um punhado de oligarcas sem escrúpulos que sustentam o poder de Putin. Mas, acho que se passou a uma fase em que esses privilegiados da era Ieltsin dependem mais de Putin do que Putin deles. Os ricos e poderosos têm medo do poder político e policial do novo Czar que já mostrou saber utilizar o aparelho de Estado para os pôr na linha, incluindo através de métodos dignos dos romances policiais mais tenebrosos da Guerra Fria.
Putin não vai deixar a esfera máxima do poder russo. É jovem, determinado, nacionalista, impiedoso. Vai ser o Primeiro-ministro de um Presidente de palha que ele mesmo indigitará como candidato e que o povo votará com grande devoção a Putin.
O homem com cara de urso polar vai consolidar ainda mais o seu poder interno, ressuscitar a máquina militar-industrial do país, recuperar o orgulho nacionalista e, depois, se verá. Há a América que continua, apesar de tudo, muito forte, designadamente, no plano militar. Mas, há os novos poderes, nuclearizados ou para lá andando, incluindo a China, a India e o Paquistão. Durante a Guerra Fria, a paz dependia da impossibilidade de qualquer um dos dois (USA e URSS) ganhar a guerra. Agora a paz talvez dependa da impossibilidade de alguma das várias potências ganhar várias guerras ao mesmo tempo.
Lá que o mundo anda perigoso, lá isso anda... Mas, quando é que não foi assim ?
Putin não vai deixar a esfera máxima do poder russo. É jovem, determinado, nacionalista, impiedoso. Vai ser o Primeiro-ministro de um Presidente de palha que ele mesmo indigitará como candidato e que o povo votará com grande devoção a Putin.
O homem com cara de urso polar vai consolidar ainda mais o seu poder interno, ressuscitar a máquina militar-industrial do país, recuperar o orgulho nacionalista e, depois, se verá. Há a América que continua, apesar de tudo, muito forte, designadamente, no plano militar. Mas, há os novos poderes, nuclearizados ou para lá andando, incluindo a China, a India e o Paquistão. Durante a Guerra Fria, a paz dependia da impossibilidade de qualquer um dos dois (USA e URSS) ganhar a guerra. Agora a paz talvez dependa da impossibilidade de alguma das várias potências ganhar várias guerras ao mesmo tempo.
Lá que o mundo anda perigoso, lá isso anda... Mas, quando é que não foi assim ?
sexta-feira, outubro 26, 2007
Millenium BPI ?
Como previsto ( clicar no título e ver http://fantasticomelga.blogspot.com/2007/09/cacofonias.html ). Passe a imodéstia...
quinta-feira, outubro 25, 2007
MAFIA = 7% do PIB italiano
Segundo o relatório anual da Confesercenti, uma associação que agrupa 270 000 comerciantes e pequenas empresas italianas, o volume de negócios das organisações mafiosas eleva-se a 90 000 milhões de euros (excluindo o tráfico de droga). Principais fontes de receita: empréstimos usurários (30 000 milhões, 150 000 empresas vítimas); extorsão (10 000 milhões); contrafacção (7 400 milhões); roubo e fraude (11 600 milhões). O domínio da Mafia não poupa as grandes empresas como vítimas. Particularmente atingidas as da construção e obras públicas que preferem pactuar em vez de denunciar as chantagens que sofrem.
quarta-feira, outubro 24, 2007
Chico espertice

Entre pessoas livres, racionais e com idêntico acesso à informação, a tentativa de enganar os outros (naturalmente, em proveito próprio...) é um jogo de resultado negativo, colectivamente e individualmente. Cada pessoa tomará as devidas precauções para evitar a fraude, estando, porém, disposta a perpetrá-la contra os outros, se tiver oportunidade para isso e se considerar que a expectativa de ganho líquido para si próprio é elevada. O que acontece é que todos consumirão uma energia incrível para evitar serem tramados uns pelos outros. No fim, ninguém trama ninguém e o resultado final é pior do que o que seria obtido se toda a gente agisse de modo transparente e leal. É pior porque, se mais não for, há os custos de tentar tramar e de evitar ser tramado. Anda demasiada gente a desperdiçar recursos na tentativa de ficar por cima ou de armar em chico esperto.
Nesta proposição há, porém, uma particularidade que faz com que a realidade quotidiana seja diferente da conclusão do modelo teórico. De resto, acontece assim muito frequentemente com os modelos mais sedutores e elegantes. Os modelos só funcionam no âmbito de hipóteses que são mais ou menos heróicas. As hipóteses de base encontram-se na primeira frase do parágrafo anterior: liberdade, racionalidade e idêntico acesso à informação. Quero acreditar que as pessoas sejam razoavelemente racionais (sem querer entrar no debate acerca da mistura da razão e da emoção que comanda os comportamentos humanos). Já no que se refere à liberdade e ao acesso à informação, tenho fundadas razões para pensar que, infelizmente, não se encontram facilmente na realidade. O que há mais são pessoas dependentes (nomeademente, do ponto de vista material) e ignorantes (porque não querem saber ou porque a informação é restrita ou obscura - neste último caso estamos no próprio domínio da vontade de tramar o parceiro...).
Pois bem. Como as hipóteses são irrealistas, a conclusão não é pertinente e, portanto, a boa conclusão (mutatis mutandis) é a de que, efectivamente, vale a pena tentar tramar os outros e armar-se em chico esperto. Helas.
Mais uma vez, nada de novo... Que falta de originalidade a minha !
in LE MONDE de hoje
"Dans le passé, on abandonnait un enfant près d'une mosquée ou d'un orphelinat parce qu'on ne pouvait pas le nourrir. Aujourd'hui, on le vend, le loue, le met en dépôt, dans ce qui ressemble à un nouveau marché aux esclaves. A cette différence près qu'il ne s'agit plus de Noirs ou de belles femmes, mais d'enfants vendus, entre 400 et 4000 €, par leurs géniteurs, et non par des marchands, à des parents sans enfants. Un journal égyptien rapporte ainsi les histoires de ce père qui a vendu son petit dernier pour payer les frais de scolarité des deux aînés, d'un autre qui a vendu sa fille pour prendre une seconde épouse et espérer avoir un fils, d'une femme qui a vendu son neveu (en faisant croire qu'il était mort) pour payer son trousseau de mariage, de mères qui ont vendu leurs bébés pour une tenue de danse ou un "microbus", d'une adolescente de la rue violée à de nombreuses reprises et dont les bébés lui ont été achetés (pour 15 €) par une infirmière, etc. En Egypte, la loi punit la maltraitance des enfants, pas le fait de les vendre."
segunda-feira, outubro 22, 2007
De crise em crise até à crise final ?
Moral hazard quer dizer: tendência para se fazer uma coisa errada porque existem mecanismos que eliminam ou amortecem os efeitos negativos do que se faz. Por exemplo, o facto de se ter um seguro pode levar a comportamentos mais arriscados, dado que os danos serão cobertos total ou parcialmente pela respectiva companhia de seguros. Tudo isto vem a propòsito da crise larvar em que têm vivido os mercados financeiros nos últimos anos. A intervenção recorrente das autoridades monetárias, injectando somas colossais de liquidez ou socorrendo de várias maneiras as entidades que praticaram actos de má gestão ou que especularam exageradamente, em detrimento dos interesses de outros agentes económicos, por causa dos alegados efeitos sistémicos que resultariam da derrocada desses "infractores", cria um ambiente de impunidade e a sensação de que, afinal, "o crime compensa". Os bancos, por exemplo, podem cometer as maiores "atrocidades" sem arriscar a falência.
O sistema financeiro mundial tem evoluido de bolha em bolha, com crescente amplitude e sofisticação, sem que os "maus da fita" alguma vez tenham pago verdadeiramente pelos pecados que cometeram (excepto no caso de crimes clamorosos como foi o escândalo Enron). Isso é apenas um incentivo a que continuem orgulhosamente os "maus da fita" e a que as bolhas continuem a criar-se, amortecidas por cada vez maiores intervenções das autoridades e pelo desenvolvimento de produtos cada vez mais sofisticados que desafiam as leis elementares da economia real e que disseminam as perdas por um número crescente de incautos investidores.
A consequência essencial de tudo isto é uma maior instabilidade e uma maior frequência das crises. Enquanto não se fizer pagar as perdas a quem as provocou não haverá nem credibilidade nem tranquilidade e um destes dias acordamos no meio de um 11 de Setembro da finança de consequências imprevisiveis sobre a economia real. Como acontece demasiadas vezes pagarão mais os justos do que os pecadores.
O sistema financeiro mundial tem evoluido de bolha em bolha, com crescente amplitude e sofisticação, sem que os "maus da fita" alguma vez tenham pago verdadeiramente pelos pecados que cometeram (excepto no caso de crimes clamorosos como foi o escândalo Enron). Isso é apenas um incentivo a que continuem orgulhosamente os "maus da fita" e a que as bolhas continuem a criar-se, amortecidas por cada vez maiores intervenções das autoridades e pelo desenvolvimento de produtos cada vez mais sofisticados que desafiam as leis elementares da economia real e que disseminam as perdas por um número crescente de incautos investidores.
A consequência essencial de tudo isto é uma maior instabilidade e uma maior frequência das crises. Enquanto não se fizer pagar as perdas a quem as provocou não haverá nem credibilidade nem tranquilidade e um destes dias acordamos no meio de um 11 de Setembro da finança de consequências imprevisiveis sobre a economia real. Como acontece demasiadas vezes pagarão mais os justos do que os pecadores.
domingo, outubro 21, 2007
"O desastre de Lisboa ficará na história porque aqui se assinou um tratado que consagrou a não democracia como regime europeu e consolidou a burocracia e a Nomenclatura europeias".
António Barreto, PÚBLICO, 21-10-2007
sábado, outubro 20, 2007
Sabedoria

Junto de um monte de livros estava um gato. Parecia saciado de sabedoria. Os livros eram espessos e de cores variadas. O gato ostentava um olhar displicente como se nada no mundo pudesse perturbar a sua calma suprema, a calma de quem domina as subtilezas do conhecimento. O gato era gordo e anafado, talvez do ócio de que precisam os sábios. Tinha uma pose de Estado, de fotografia para a posteridade. Entrou um rato e o gato não se mexeu. Entrou o dono com um prato de comida e o gato não se mexeu. No andar de cima caiu um móvel com grande estrondo e o gato permaneceu imóvel.
O gato era de palha.
sexta-feira, outubro 19, 2007
Absurdo
Acabei de ler "O Estrangeiro", o primeiro romance de Albert Camus.
O meu vizinho de cima, que vive sózinho, passa as noites a pedalar na bicicleta parada no meio da sala para perder gordura. A secretária do gabinete ao lado tem uma pulseira que faz mais barulho do que os chocalhos das vacas a pastar e passa a vida a passear com as mãos no teclado. Há muitas pessoas que fazem de conta que têm pressa e que vivem a vida dos outros.
"O Estrangeiro" foi o único livro que consegui terminar nos últimos tempos...
O meu vizinho de cima, que vive sózinho, passa as noites a pedalar na bicicleta parada no meio da sala para perder gordura. A secretária do gabinete ao lado tem uma pulseira que faz mais barulho do que os chocalhos das vacas a pastar e passa a vida a passear com as mãos no teclado. Há muitas pessoas que fazem de conta que têm pressa e que vivem a vida dos outros.
"O Estrangeiro" foi o único livro que consegui terminar nos últimos tempos...
quarta-feira, outubro 17, 2007
Genial (II)
Os 10 Mandamentos do Idoso - O supermercado
Nota prévia: nada me move contra os cidadãos mais idosos da nossa sociedade. Aliás, espero um dia, eu próprio, aderir a esse grupo. O texto seguinte limita-se a constatar uma série de atitudes observadas em supermercados, durante as passadas semanas que, certamente por coincidência, tiveram sempre como intérpretes pessoas que já sabem (embora algumas já nem se devam lembrar) o que é festejar as suas bodas de ouro.
I - No parque de estacionamento do supermercado deverá estacionar o seu carro ocupando (no mínimo) dois lugares, de modo a que jovens imprudentes não lhe batam ao estacionar. Afinal, o seguro morreu de velho.
II - Quando existir, nunca usar os sistemas de senhas, para depois insistir em ser atendido imediatamente porque "já se está ali há muito tempo". À pergunta de "porque não tirou uma senha?" pode usar uma de duas respostas "quando cheguei aqui não estava cá ninguém" ou "não reparei/não vejo muito bem".
III - Na fila do peixe ou da carne, e independentemente do número de pessoas à espera para serem atendidas, há que reclamar com o empregado sobre tudo o que se consiga, durante o maior período de tempo possível (exemplos: a carne está muita grossa/fina; o peixe está mal cortado/amanhado...)
IV - Alguns minutos antes de concluir as suas compras, levar o que já tiver consigo para uma das filas de pagamento, imediatamente atrás de alguém com muitos produtos no cesto das compras. De seguida deve terminar as compras e, quando voltar à fila de pagamento, passar à frente de toda a gente porque "aquelas coisas que estão ali, são suas/fui só buscar mais umas coisinhas".
V - Já na fila de pagamento, e caso abra alguma outra caixa, ao pedido de "podem vir para esta fila, pela ordem de chegada", tomar a iniciativa de passar à frente de toda a gente, independentemente da posição em que estava.
VI - Ter a carteira bem escondida no fundo da mala até ao momento de pagar, demorar 1 a 2 minutos a encontrá-la e, de seguida, pagar em dinheiro, com o uso do maior número de moedas possível. O uso de meios electrónicos de pagamento é estritamente proibido.
VII - Reclamar (sempre) do troco, porque sabe exactamente o valor que deu ao empregado de caixa, até ao cêntimo. Quando este lhe provar que está tudo certo, dizer bem alto que "este sítio é sempre a mesma coisa/andam sempre a enganar as pessoas/é uma vergonha".
VIII - Contar o troco (entre 2 e 4 vezes), verificar todos os produtos e o talão de compra de pé, junto à caixa e mesmo antes de arrumar as compras nos sacos. Esta operação deverá demorar no mínimo 5 minutos, por muito que o empregado de caixa lhe peça que deixe a próxima pessoa da fila passar.
IX - Se alguém reclamar das suas atitudes (ou mesmo se não o fizerem), existe um leque de frases a utilizar. Bons exemplos são: "já não há respeito pelos mais velhos", "estes jovens são uma desgraça", "tenho idade para ser seu pai/sua mãe", "uma pessoa vem aqui para fazer as compras e ainda tem que aturar isto".
X - Ao sair, bater descontraidamente com a porta do seu carro no que estiver mais próximo, para aprender a não estacionar encostado a si.
Encontrado aqui
Nota prévia: nada me move contra os cidadãos mais idosos da nossa sociedade. Aliás, espero um dia, eu próprio, aderir a esse grupo. O texto seguinte limita-se a constatar uma série de atitudes observadas em supermercados, durante as passadas semanas que, certamente por coincidência, tiveram sempre como intérpretes pessoas que já sabem (embora algumas já nem se devam lembrar) o que é festejar as suas bodas de ouro.
I - No parque de estacionamento do supermercado deverá estacionar o seu carro ocupando (no mínimo) dois lugares, de modo a que jovens imprudentes não lhe batam ao estacionar. Afinal, o seguro morreu de velho.
II - Quando existir, nunca usar os sistemas de senhas, para depois insistir em ser atendido imediatamente porque "já se está ali há muito tempo". À pergunta de "porque não tirou uma senha?" pode usar uma de duas respostas "quando cheguei aqui não estava cá ninguém" ou "não reparei/não vejo muito bem".
III - Na fila do peixe ou da carne, e independentemente do número de pessoas à espera para serem atendidas, há que reclamar com o empregado sobre tudo o que se consiga, durante o maior período de tempo possível (exemplos: a carne está muita grossa/fina; o peixe está mal cortado/amanhado...)
IV - Alguns minutos antes de concluir as suas compras, levar o que já tiver consigo para uma das filas de pagamento, imediatamente atrás de alguém com muitos produtos no cesto das compras. De seguida deve terminar as compras e, quando voltar à fila de pagamento, passar à frente de toda a gente porque "aquelas coisas que estão ali, são suas/fui só buscar mais umas coisinhas".
V - Já na fila de pagamento, e caso abra alguma outra caixa, ao pedido de "podem vir para esta fila, pela ordem de chegada", tomar a iniciativa de passar à frente de toda a gente, independentemente da posição em que estava.
VI - Ter a carteira bem escondida no fundo da mala até ao momento de pagar, demorar 1 a 2 minutos a encontrá-la e, de seguida, pagar em dinheiro, com o uso do maior número de moedas possível. O uso de meios electrónicos de pagamento é estritamente proibido.
VII - Reclamar (sempre) do troco, porque sabe exactamente o valor que deu ao empregado de caixa, até ao cêntimo. Quando este lhe provar que está tudo certo, dizer bem alto que "este sítio é sempre a mesma coisa/andam sempre a enganar as pessoas/é uma vergonha".
VIII - Contar o troco (entre 2 e 4 vezes), verificar todos os produtos e o talão de compra de pé, junto à caixa e mesmo antes de arrumar as compras nos sacos. Esta operação deverá demorar no mínimo 5 minutos, por muito que o empregado de caixa lhe peça que deixe a próxima pessoa da fila passar.
IX - Se alguém reclamar das suas atitudes (ou mesmo se não o fizerem), existe um leque de frases a utilizar. Bons exemplos são: "já não há respeito pelos mais velhos", "estes jovens são uma desgraça", "tenho idade para ser seu pai/sua mãe", "uma pessoa vem aqui para fazer as compras e ainda tem que aturar isto".
X - Ao sair, bater descontraidamente com a porta do seu carro no que estiver mais próximo, para aprender a não estacionar encostado a si.
Encontrado aqui
segunda-feira, outubro 15, 2007
domingo, outubro 14, 2007
Antuérpia
sexta-feira, outubro 12, 2007
Nobel da Paz
Al Gore foi laureado com o Prémio Nobel da Paz! Sou só eu ou isto é um bocadinho absurdo?


- o senhor não fez nada pela paz mundial, apresentou simplesmente a questão do aquecimento global (que não é novidade nenhuma)
- o senhor já tem dinheiro suficiente, não precisa de ainda mais
- é pelo menos estranho vê-lo na mesma lista que Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Aung San Suu Kyi, Kofi Annan, para não falar de inúmeras organizações humanitárias como a UNICEF, a Amnistia Internacional, Médecins sans Frontières, etc, etc...
quinta-feira, outubro 11, 2007
Google earth
A maior parte de vocês já conhece de certeza "Google Earth". Quanto a esses, vou manifestar um entusiasmo talvez pueril. Para os que ainda não conhecem, espero convencê-los a aderir a esse site incrível que nos permite voar, em poucos segundos, da Torre Eiffel até ao Darfur, de Bagdad até à Casa Branca, do Monte Everest até à Tunísia. E tudo isso com um realismo e com uma qualidade de imagem que apenas satélites super-potentes permitem. Podem identificar a vossa casa no meio do planeta Terra com uma precisão milimétrica, simular um vôo, com a altitude que desejarem e com o ângulo de visão de que mais gostarem, da vossa casa ao local de trabalho, apenas nalguns segundos, passando pelas ruas do costume. Só falta poder cumprimentar o homem lá em baixo que vos vende o jornal todas as manhãs. E tudo isso confortavelmente instalados à frente do vosso computador a qualquer hora do dia ou da noite. É simplesmente vertiginoso e gratuito. Basta fazer o download a partir de http://earth.google.com/intl/pt/, treinar alguns minutos os comandos da vossa nave (que, aliás, são intuitivos) e metam o mundo inteiro no vosso ecrã.
Depois de todos estes elogios, de qualquer maneira, a verdade é que não há mundo como o real e nada pode substituir levantar o rabo da cadeira e viajar a sério, sentindo o vento, a chuva, o calor, o frio, o silêncio, o ruido, as cores e os cheiros de cada lugar e, sobretudo, contactando com pessoas que lá vivem...
Depois de todos estes elogios, de qualquer maneira, a verdade é que não há mundo como o real e nada pode substituir levantar o rabo da cadeira e viajar a sério, sentindo o vento, a chuva, o calor, o frio, o silêncio, o ruido, as cores e os cheiros de cada lugar e, sobretudo, contactando com pessoas que lá vivem...
quarta-feira, outubro 10, 2007

Porque é que a “mafiosidade” é uma característica fisiológica de Itália e dos italianos? A minha tese é simples e provavelmente não muito inovadora: simplesmente, por causa da ausência de um Estado forte, conjuntamente com a permanência de estruturas medievais no sul do país e com a proliferação de cidades-estado no Norte até há pouco tempo. De facto, a unificação dos territórios que levaram à criação da Itália e, portanto, a criação de um Estado centralizado são fenómenos recentes (final do século XIX). Antes, o que havia era uma diversidade de comunidades regidas por poderes locais e vínculos pessoais. Ainda hoje, quando se pergunta a alguém de onde é, a resposta frequentemente começa assim: “il mio paese è…”, ou seja, a localidade de onde vêm é o país deles… A Itália é o sítio por excelência dos localismos e das identidades ligadas a um território específico. Um outro exemplo, é o Palio de Siena, a famosa corrida de cavalos que se realiza todos os anos na principal e belíssima praça da cidade. Os concorrentes representam “contrade” (uma espécie de freguesias), quer dizer, a unidade essencial do orgulho das pessoas não é o país, nem a região, nem a cidade - é a freguesia. Bem sei que, em Lisboa, as marchas populares se disputam entre bairros tradicionais, mas não é bem a mesma coisa e não é um fenómeno tão recorrente no nosso país como em Itália.
Não havendo um Estado, uma autoridade clara e centralizada, não havendo leis gerais e imparciais, o poder é fragmentado e os cidadãos tentam defender-se dos pequenos e múltiplos poderes, mais ou menos arbitrários e mutáveis, desenvolvendo esquemas paralelos de sobrevivência e de regulação das suas relações e dos seus conflitos. Os cidadãos estabelecem cumplicidades e fidelidades, no interior de leis informais, que resistem às leis formais inoperantes. Daqui até à máfia, daqui até à proverbial “furbizia” (habilidade, manha, astúcia) que é uma versão soft da máfia, vai um pequeno passo.
Portanto, a "mafiosidade" dos italianos tem raízes históricas e culturais profundas, acabando por ser, curiosamente, um dos traços distintivos de uma identidade italiana que complementa as múltiplas identidades locais dos simpáticos mafiosos residentes na península transalpina. Em conclusão: italiano é por natureza mafioso, passe a conotação pejorativa da palavra. É endémico, superior às forças dos indivíduos. Há-os mais ou menos mafiosos, mas está-lhes inscrito nos genes...
terça-feira, outubro 09, 2007
A genética da avareza
Cientistas do Massachussetts Institute of Technology alegam que o comportamento das pessoas em relação ao dinheiro (isto é, ser um "mãos largas" ou um "unhas de fome"), depende de factores genéticos. À nascença estariamos todos destinados a ser Tio Patinhas ou "bons vivants". Eu cá, na minha santa ignorância, continuo a pensar que depende mais do que se tem... Como dizia minha avózinha, "só quem tem muita manteiga pode assá-la num espêto"! Mas, tratando-se do MIT, qual Olimpo da ciência mundial, a dúvida em relação à sabedoria popular instala-se. Concerteza.
segunda-feira, outubro 08, 2007
sábado, outubro 06, 2007
Peixes de aviário
Achei patético e lamentável o espectáculo do Primeiro-ministro a defender com unhas e dentes o projecto de acuacultura em Mira, com argumentos gastos e sibilinos, tendo por trás da tribuna a marca da empresa que promove o investimento em letras garrafais. O projecto de 140 milhões de euros (esta cifra "fabulosa" foi repetida vezes sem conta pelo Primeiro-ministro e pelos jornalistas, como se fosse uma coisa faraónica, só por si prova eloquente da qualidade do investimento) está longe de ser neutro do ponto de vista ambiental. De tal maneira que foi recusado pela região da Galiza. Mas, o Primeiro-ministro não descansa a defender o desenvolvimento e a alta tecnologia dos peixes de aviário contra ecologistas tendenciosos e mal-intencionados e outros Velhos do Restelo que não acreditam nas capacidades dos portugueses (e dos espanhóis) para levar o país p'rá frente. E a PESCANOVA agradece os serviços de tão inesperado e ilustre vendedor de peixes enfarinhados que estarão no centro de um "cluster" (!...) de importância vital para a economia da região centro e de todo o pais... e arredores (na Espanha, pois claro...). Afinal, os subsídios, ou seja, os "incentivos ao investimento", como fica bem dizer, foram certamente copiosos para persuadir os "nuestros hermanos".
sexta-feira, outubro 05, 2007
Birmânias
A propósito da Birmânia e de tantas Birmânias que se têm sucedido na política internacional e que seguramente continuarão a emergir de tempos a tempos.… porque é que a Comunidade Internacional, idealmente representada pela ONU, deve intervir para ajudar a população a resistir à repressão da Junta ditatorial? Afinal de contas, a soberania territorial é um dos princípios fundamentais das relações entre Estados. Mas, não o único! Efectivamente, com a ONU, os direitos humanos passaram a integrar os critérios de regulação das relações internacionais. Isto é, pelo menos, a partir do momento em que o atropelo massivo dos direitos humanos no interior de um Estado soberano ameaça a paz e a segurança internacionais, a Comunidade Internacional, através da ONU e na base de uma resolução favorável do Conselho de Segurança, pode e deve intervir, incluindo com a força militar, nos assuntos de um Estado para restabelecer o respeito dos direitos humanos.Nesta minha curta exposição, inspirada pela leitura do livro acima fotografado, há vários e fascinantes conceitos que estão longe de ser unânimes e claros. Por exemplo, “Comunidade Internacional”... Existe uma tal coisa quando o que prevalece é a chamada “real politik”, isto é, cada um por si, tentando ao máximo defender os interesses nacionais, sobretudo económicos, se necessário (se possível?) em detrimento dos dos outros países e de putativos valores universais? Haverá um conjunto básico de valores de coexistência superiores a outras considerações como a soberania e o interesse nacional? A defesa da integridade física e moral dos cidadãos não será parte integrante da soberania, a par do exercício de poder sobre uma determinado território e uma determinada população? Deverá uma intervenção humanitária ser realizada apesar da oposição do Conselho de Segurança? De facto, há precedentes disso mesmo. Qual a superior legitimidade dessas intervenções? Caso o atropelo dos direitos humanos não ameace a paz e segurança internacionais, deve a Comunidade Internacional evitar qualquer interferência nos assuntos internos de um Estado? E a Bósnia e o Darfur e o Rwanda e, e, e… Um Estado ou conjunto de Estados podem interferir num outro Estado se houver violação massiva dos direitos humanos, mesmo contra a decisão do Conselho de Segurança ou da Assembleia Geral das Nações Unidas? Com que legitimidade, para além da humanitária ou moral que, por vezes, é discutível e pode cobrir outras intenções muito menos inocentes?
Um oceano de questões muito bem apresentadas e discutidas no livro citado que, para além de um capítulo sobre "Humanitarian Intervention", contém outros, designadamente, sobre "Weapons of Mass Destruction", "Civil War, state failure and peacebuilding" e "Terrorism".
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