terça-feira, setembro 04, 2007

New York, New York

Vejam ou voltem a ver o famoso musical de M. Scorsese, saído no longínquo 1977, com interpretações inesquecíveis dos irreconhecivelmente jovens Roberto De Niro e Liza Minnelli. De arrepiar - mais uma vez - a interpretação de Minnelli do tema que dá o nome ao filme. E já agora ouçam e vejam esta (vão até ao fim do link) de Frank Sinatra.

segunda-feira, setembro 03, 2007

O capitalismo de bolha em bolha

Cliquem no título para aceder a uma interessante entrevista do economista francês Michel Aglietta publicada pelo "Le Monde" no passado Sábado.

No final da entrevista é sublinhada a relevância do crescimento das economias asiáticas, baseado nas exportações, para explicar a contenção dos salários e da inflação à escala mundial, assim como a inversão dos fluxos financeiros Oriente/Ocidente. A acumulação de reservas associada a uma consistente sub-avaliação das moedas desses países (essencialmente da China), está a mudar a paisagem da finança mundial e a remeter os Estados Unidos a uma posição de crescente e crónico devedor. No momento em que o dólar deixar de desempenhar a sua função de moeda universal de reserva, o sistema pode desequilibrar-se perigosamente porque os Estados Unidos deixarão de poder financiar os seus défices através da emissão de moeda aceite pelos credores. Paradoxalmente, a elevação do Euro a um estatuto comparável ao do dólar pode, por isso, não ser do interesse dos próprios Europeus... Ou seja: os Estados Unidos mantém o mundo refém dos seus défices e do papel de pivot desempenhado pela sua moeda. Quem desafiar esse papel arrisca-se a apanhar com a insolvência dos Estados Unidos em cima...

Outra ideia mais banal que ressalta da entrevista é a de que o capitalismo global depende cada vez mais de accionistas obsecados pelo retorno trimestral dos seus investimentos. A isso se deveria contrapor uma visão mais de longo prazo, apadrinhada, designadamente, pelas autoridades monetárias.

A ausência de inflação, combinada com a criatividade de financeiros que fabricam mecanismos sofisticados de estratificação e disseminação do risco, terá sido um dos factores da atracção pelo risco, a qual gera uma crescente volatilidade dos mercados e a sucessão de bolhas especulativas ("new economy", matérias-primas, imobiliário, etc.) que explodem quando as pessoas se apercebem de que os preços dos activos descolaram completamente da realidade. E aí... é a correcção na descida aos infernos...

domingo, setembro 02, 2007

Mr Brooks


A ver!

O carrossel do crédito

A coisa é simples. Os bancos, ciosos de aumentarem as suas margens de lucro e de fazerem sempre mais crédito, emprestam a quem não pode pagar. Mas não faz mal porque metem esses empréstimos duvidosos (“sub-prime” ou “junk”) em fundos de investimento que são subscritos por investidores, na maioria pequenos e mal informados, mas àvidos de rendimentos acima dos dos depósitos a prazo. Tudo parece andar bem enquanto as taxas de juro são baixas e o reembolso do capital dos ditos empréstimos não chega ao vencimento. Quando essas duas coisas se invertem o incumprimento dos "pobres" devedores passa de... alta probabilidade... a cruel realidade. Então, os bancos começam a executar as hipotecas, pondo mais e mais casas à venda, o que acelera a descida dos preços do imobiliário. Os particulares vêem o seu património desvalorizado e a sua solvência em perigo no que se refere também a outras formas de crédito (designadamente, ao consumo) garantido pelo valor dos imóveis.

A cotação dos fundos de investimento reflecte as menos-valias do crédito mal-parado e os “incautos” investidores fazem-se cada vez mais numerosos a solicitar o resgate das unidades de participação nos fundos. As sociedades gestoras dos fundos, normalmente filiais de bancos, não têm tesouraria para efectuar todos esses reembolsos e vão ao mercado monetário pedir emprestado, o que provoca uma subida das taxas de juro de curto prazo. Perante esta pressão, os bancos centrais têm de injectar liquidez no sistema, emprestando aos bancos comerciais, para moderar a subida das taxas de juro e para evitar a insolvência das sociedades gestoras de fundos e dos bancos mais vulneráveis.

A tensão continuará até que perca quem deve perder... isto é, essencialmente, os bancos que emprestaram a quem não deviam emprestar com base em critérios imprudentes. Também perdem os particulares que ficam em situação de insolvência e que têm de vender património para reembolsar (parte das) dívidas ou reduzir o seu consumo. Perdem os proprietários de imóveis cujo valor cai e os construtores e vendedores cuja oferta se deprime. Talvez existam boas oportunidades para quem tenha liquidez e possa aproveitar os preços baixos para comprar.

O problema atingiu uma tal amplitude que o próprio Bush (insuspeito assistencialista...) pretende criar um fundo para ajudar as famílias mais frágeis e super-endividadas. Esse dinheiro, no fim de contas, pelo menos parcialmente, vai acabar nas tesourarias dos bancos sob a forma de reembolsos de empréstimos que, de outra maneira, nunca seriam efectuados. Dependendo das modalidades concretas dos esquemas de ajuda, eles podem traduzir-se em mais um mecanismo de “moral hazard”, isto é, seja o que for que os bancos façam de errado, beneficiam sempre do apoio directo ou indirecto do Estado, dado o impacto sistémico das suas actividades. Mais uma história de colectivização dos prejuizos e de privatização dos lucros.

Quanto às taxas de juro, apesar dos efeitos recessivos da “correcção” acima descrita, presumo que continuem a aumentar no curto/médio prazo, por causa dos receios dos bancos centrais, reais ou imaginários, em relação à inflação, transformada em elixir da estabilidade e da bondade macroeconómica. E o aumento das taxas de juro só vai agravar ainda mais a situação dos excessivamente endividados, quer dizer, daqueles para quem as prestações da dívida excedem uma percentagem razoável do rendimento disponível que alguns estimam, em média, em 30-35%. Et ainsi de suite... bancos, hipotecas, preço das casas...

Partir é complicado...

Por um lado, há o desejo fortíssimo de ir, deixar o que se conhece, aquilo a que se está acomodado, habituado, conformado, para conhecer o desconhecido, para descobrir o que nunca esteve ao alcance e que agora está à distância de uns dias...

Por outro lado, há o medo de deixar isso mesmo que se conhece, onde se é e está confortável, onde se sabe amar e ser amado, onde tudo é familiar...

Nunca o medo deve ser desculpa para perder uma nova descoberta, um novo mundo. Mas mesmo não sendo limitativo, ele cresce cá dentro, sob a forma de arrepio, sob a forma de expectativa, impaciência, curiosidade e respeito.

É um medo bom, que enche de adrenalina e vontade de o desafiar. Mas não deixa de ser um medo.

Por outro lado, ainda, há o desejo de ir, de voar e abrir as asas. Há a emoção intensa desse novo mundo. Mesmo assim, cresce já a saudade do que fica e a melancolia da separação, do que fica em standby.

Só há duas certezas quanto ao futuro:
- De um regresso doce ao que é agora conhecido e amado.
- De uma partida amarga desse desconhecido que será, então, já conhecido e amado.

Partir é complicado!

sábado, setembro 01, 2007

As orgias de Cristiano

Segundo o jornal britânico "Sun", citado pelo "La Repubblica" de Itália (clicar no título), Cristiano Ronaldo terá festejado a primeira vitória do Manchester United no campeonato inglês à 4a. jornada (1-0 contra o Tottenham), organizando uma orgia com 5 "escort girls" na sua "villa" nos arredores de Manchester. Entre os convidados encontrar-se-ia também o brasileiro Anderson adquirido recentemente pelo Man. United.

Estou já a imaginar o pobre do rapaz a queixar-se da perseguição e má lingua com que o brindam os venenosos tablóides de além-Mancha... Por outro lado, notícias do généro apenas ajudam a reforçar a sua fama de garanhão lusitano... com créditos já estabelecidos por aventuras anteriores de idêntico teor.

A Serra


A Serra da Boa Viagem voltou a arder, depois do grande incêndio que há alguns anos reduziu a cinzas a maior parte de uma das matas mais bonitas do centro do país, memorável pelos seus recantos e percursos "misteriosos" a cair sobre o mar. Este novo atentado ocorre quando a Natureza se estava lentamente a recompor, num ano clemente e apesar de vários postos de vigilância que foram instalados na serra (pelos vistos, alvos de actos de vandalismo recentes). A clemência da meteorologia tem ajudado a conter os fogos neste ano que se adivinha como um dos menos destrutivos das ultimas décadas. Mas, o governo já está a reclamar sucesso nas medidas tomadas contra os incêndios florestais (pese embora a confusão àcerca da certificação dos novos helicópteros que só vão poder voar a partir de Outubro...), confundindo S. Pedro com eficiência de gestão...

sexta-feira, agosto 31, 2007

Logistica

Portugal está longe de tudo ou de quase tudo. É um país periférico: para se viajar de qualquer lado do centro da Europa é preciso fazer milhares de quilómetros e atravessar a imensidão do País Basco, de Navarra, Leão, Estremadura ou Castela. A posição geográfica do país é uma desvantagem. Mas, como se costuma dizer, a necessidade é a mãe de todas as invenções e transformar fraquezas em forças é característico dos audazes. Tudo isto para dizer que, da mesma maneira que nos fizémos descobridores no século XV, poderiamos utilizar o nosso conhecimento da distância e do modo de a percorrer para passar a ser especialistas da logística e dos transportes na Europa. A quantidade de camiões TIR que fazem a viagem diariamente entre Portugal e o centro da Europa é simplesmente incrível. O que significa que existem empresas bem implantadas no sector com know-how nos domínios da gestão de frotas, coordenação de trajectos, armazenamento e transferência de mercadorias, harmonização de horários, administração de entrepostos, parcerias com outros operadores de carga, nacionais ou estrangeiros, etc, etc. Portugal poderia ser uma centro de excelência em matéria de transportes e logística tirando partido, talvez paradoxalmente, da sua marginalidade geográfica. E essa competência poderia ser utilizada, não apenas para melhorar e expandir o transporte de e para Portugal, mas também para colocar em prática estratégias de internacionalização, ou seja, de criação de filiais no estrangeiro para penetrar no mercado dos transportes entre países terceiros. Quando falo em transportes falo não apenas no transporte rodoviário que, apesar de seriamente afectado por problemas de poluição, congestionamento e consumo energético, continuará a ser muito importante, mas também noutros meios de transporte: marítimo, aéreo e ferroviário. Este último é um sector decididamente a desenvolver, o que implica mais e melhores infraestruturas, aos níveis nacional e transeuropeu, e também mais e melhores capacidades de gestão dos fluxos. Mas, aqui entro noutras zonas de debate inesgotáveis que incluem, por exemplo, as linhas de alta velocidade e a restruturação da rede ferroviária nacional...

O que queria apenas concluir é que a àrea dos transportes e da logística poderia ser um dos pólos de competitividade da nossa economia, exemplificando a transformação de uma fraqueza (periferia geográfica) numa força. Por pólo de competitividade entendo uma concentração significativa de recursos durante um certo período, com eventual apoio do Estado, num domínio com potencialidades elevadas de criação de riqueza e de retorno financeiro a médio-longo prazo.

Grande Benfica

Como se sabe sou do Benfica, como sou português ou como gosto de nabiças. Dito isto, chateia-me a elevação do Glorioso a tema omnipresente. Todos, e sobretudo os não benfiquistas, não falam de outra coisa. O Benfica espirra e o país constipa-se. O SLB é falado como se fosse a coisa mais importante do mundo ou como se fosse uma virgula em conversas perdidas. O que só revela a grandeza do dito cujo ou a ausência de outros assuntos dignos de atenção ou a mediocridade ambiente. A imprensa desportiva tornou-se num autêntico campeão de vendas, deixando os parcos jornais generalistas a anos luz de tiragem. E as desgraças mais ou menos shakespearianas do Benfica e os dislates do seu Presidente embigodado em debate inenarrável com o Pintinho contribuem para essa aquecimento das vendas dos periódicos da bola. Falem doutra coisa, especialmente os sportinguistas e portistas. Deixem de venerar as putativas misérias do Benfica e concentrem-se nos vossos espúrios sucessos. Falem da fome no mundo, do desemprego, da carestia, das inundações e dos incêndios, de sexo, das férias, das crianças e do Sócrates. Mas, deixem o intrépido Benfica em paz.

sábado, agosto 25, 2007

Grandes viagens

Vão de Soure para o Paião. Ao passar por Vinha da Rainha, parem no alto da povoação e percam o olhar nos campos de arroz por ali abaixo. O verde parece um mar interrompido por valas de àgua que se junta ao horizonte lá para os lados da Fontela e da Figueira da Foz. O efeito é magnífico num fim de tarde de um dia claro.

Vão à Serra da Boa Viagem e procurem uma estrada sem saída que leva à Bandeira. Daí observem a paisagem que se espalha pelo mar e pela terra, desde Quiaios até Palheiros da Tocha. Num dia especialmente luminoso, pode-se mesmo levar os olhos até Mira ou mesmo Aveiro. Mas, é por isso que toda a gente lá vai - para ter a sensação de ver essa parte do mundo como se estivessem por trás de uma imensa janela de avião...

Ora, o que vos quero propor é uma fuga pela esquerda desse miradouro. Aí apanha-se um trilho pedregoso que circunda a montanha e onde se pode falar com o vento e com o céu e com a liberdade dos grandes espaços. Continuem sempre, no meio de urzes e de outra vegetação rasteira, até chegar a um marco geodésico no ponto em que a montanha faz a curva para sul. De preferência, vão sózinhos ou bem acompanhados, por alguém que respeite o que a Natureza diz. Espero que haja vento. Parem de vez em quando e deixem-se embalar... e voem pelo mar adentro, sem destino.

É também por estas coisas que merece a pena andar por cá.

terça-feira, agosto 21, 2007

Bulimía... afectiva

Há pessoas que sofrem de bulímia afectiva. Engolem afectos e ternura dos que dizem amar com uma voracidade espantosa. Precisam permanentemente de assistência emocional para não cair em melancolia nem questionar toda a sua existência. Não concebem a solidão, por mais temporária que seja. No fundo, nunca deixaram de ser crianças, pequeninas e desamparadas, com pavor de perder de vista os pais ou protectores. Nunca cresceram. Disfarçam o seu egoísmo com expressões copiosas de altruísmo e com declarações repetidas de amor pelas suas “vítimas”.
Amar os outros significa também dar-lhes espaço, deixá-los respirar, deixá-los crescer e separar-se. A separação é uma realidade dolorosa, mas necessária e positiva, intrínseca à vida. Faz bem à autonomia e ao crescimento. Não compromete os sentimentos que se têm pelo outro. Pelo contrário, pode reforçá-los... desde que não seja demasiado longa ou definitiva ou conflituosa.

Gerir a separação daqueles que se amam não é fácil. Mas, uma boa gestão dessa situação é uma prova de maturidade e de confiança no outro e, sobretudo, em nós próprios.

domingo, agosto 19, 2007

Gerações e liderança

As pessoas que normalmente lideram sociedades como a nossa estão na faixa dos 40-50 anos. Naturalmente há excepções...

[Nas últimas décadas tem-se assistido a uma desvalorização crescente da experiência dos mais velhos. Por mais velhos entendo os que têm - digamos - mais de 55-60 anos. Em vez de sábios e experientes são considerados obsoletos. A aceleração das mudanças motivada pelas novas tecnologias explica em certa medida essa tendência. A apologia da "performance", da beleza, da energia e, por conseguinte, da juventude atestam o declínio dos anciãos. O abaixamento da idade da reforma (recentemente “corrigido” pelas razões financeiras amplamente conhecidas) e os esquemas de reforma antecipada propostos pelas empresas também.]

Dizia eu que, em geral, as pessoas que estão no auge das suas vidas e no topo das hierarquias da nossa sociedade: (a) nasceram nas décadas de 50-60, (b) frequentaram o liceu nas décadas de 60-70 e (c) acabaram a universidade (os que a acabaram...) nos anos 70-80. Basta conhecer um pouco da história recente do nosso país para perceber o quadro mental e político atribulado em que se formaram essas cabeças, a transição vertiginosa que presenciaram, a confusão que tantas vezes nelas se instalou, o caos que tiveram de acompanhar ou gerir...

E daí até perceber a falta de qualidade da actual liderança nacional, a ausência de uma estratégia clara e eficaz, o deslumbramento novo-rico, o voluntarismo compulsivo, a coexistência de vários países no país (pobreza / ostentação, ignorância / sofisticação, resignação / exigência) vai apenas um passo...

sábado, agosto 18, 2007

Miguel Torga

A não perder em Coimbra a Casa-Museu Miguel Torga na Rua Fernando Pessoa, perto da Av. Dias da Silva, e a exposição àcerca da vida e obra do médico-escritor no Edifício Chiado na Baixa. Em frente ao Largo da Portagem, onde se situava o consultório de Miguel Torga, junto ao rio, também foi recentemente inaugurada uma escultura algo original. Testemunhos de uma vida íntegra e inquieta (como é a de todos os artistas), de convicções que não se venderam a quaisquer conveniências, mordomias ou vaidades. Interessante uma carta enviada ao “amigo” Mário Soares, já perto do fim (Torga faleceu em 1995 com 88 anos), reafirmando a divergência entre ambos àcerca da “Europa do capital” e da sua incondicional fidelidade ao “ser português”.

“Viajar, num sentido profundo, é morrer. É deixar de ser manjerico à janela do seu quarto e desfazer-se em espanto, em desilusão, em saudade, em cansaço, em movimento pelo mundo além.”

Miguel Torga - Marselha, 25 de Dezembro de 1937

sábado, agosto 04, 2007

Portugal de peluche

Como em todo o lado, em Portugal há gente boa e má, pessoas espertas e burras, sensíveis e brutais, patetas e burlonas, ingénuas e cínicas.

Mas, às vezes, tenho a impressão de que Portugal é de peluche. É tudo muito fofinho, toda a gente parece ter as melhores intenções, derretem-se sentimentos como se fosse manteiga, chora-se com uma facilidade desconcertante, os sentimentos mais profundos e íntimos são postos na praça pública como mercadoria barata. A publicidade, por exemplo, trata-nos como se fossemos criancinhas ou, pior ainda, como doentes mentais. Como se os portugueses precisassem de desenhos para assimilar as ideias mais primárias.

Toda a gente é muito disponível e quer fazer tudo, já e bem para satisfação dos seus semelhantes. Mas depois é tudo boas intenções, fogo fátuo, generosidade inconsequente. Na prática, vezes demais, as coisas não se fazem, fazem-se tarde ou mal. Mas, as pessoas parecem dar-se como pães de mel porque gostam muito uns dos outros.

É como se:

“Portugal não é mau. É todo bom e acolhedor. É algodão doce. É um concentrado de afectos. Não vai tão rápido nem tão bem como os outros, mas é especial. É nosso. É de peluche...”

Homosexuais

A homosexualidade é uma tendência natural cuja expressão é permitida ou inibida pelo contexto social e familiar.

A tortura dos homosexuais resulta da fractura entre a sua tendência e os valores dominantes a que de alguma forma continuam a obedecer. Essa tortura desaparece quando passa a existir harmonia entre valores e opção sexual.

O sexo tem uma centralidade particular para os homosexuais, mais do que para os heterosexuais. É estruturante. Nalguns casos transforma-se numa verdadeira “actividade”, no sentido de que ocupa um espaço desmesurado no conjunto das actividades da vida. Há homosexuais para quem o sexo se torna obsessivo e compulsivo, levando a uma grande promiscuidade que se organiza de maneira sistemática, designadamente, à volta de clubes e bares mais ou menos restritos. A estabilidade das relações homosexuais em torno de afectos seria uma maneira mais construtiva e equilibrada de viver a homosexualidade.

Apesar de terem razões para se demarcarem e para fazerem da sua causa uma bandeira – porque de uma causa se trata considerando a discriminação que têm sofrido – os homosexuais só teriam a ganhar se não tivessem a sua opção sexual inscrita na testa. A grande solidariedade e força dos homosexuais deriva da resistência à hostilidade ambiente, real ou imaginária. Em sociedades mais cultas, urbanizadas e tolerantes essa resistência não é tão necessária e os homosexuais vivem a sua sexualidade de forma mais banal, individual e espontânea.

Não se pode pedir aos homosexuais um comportamento perfeito – como pode estar implicito nalgumas das frases anteriores – pela simples razão de que são humanos. E, de resto, os heterosexuais não se podem gabar de muito maior probidade.

Os homosexuais não deveriam reagir aos preconceitos de que são vítimas com hostilidade contra os heterosexuais. Mas, mais uma vez, pode estar-se a pedir uma perfeição que não existe. O que chateia é passar a ser visto como “bota de elástico” ou retrogrado por não se fazer parte do “clube”. É como se o mundo ideal fosse um mundo ao contrário, isto é, em que a regra devesse ser a homosexualidade e a excepção a heterosexualidade.

A homosexualidade não pode ter o monopólio da criatividade, da sensibilidade, do afecto, da delicadeza. Todas as outras pessoas seriam em princípio privadas dessas qualidades... E não me venham com os exemplos hiper-publicitados de artistas e intelectuais de grande valor que são homosexuais. Não devemos todos passar a ser homosexuais para ter valor e para nos sentirmos alguém de positivamente especial.

O lobby gay é forte e protege-se de maneira eficaz, nomeadamente nos meios financeiros. A “descriminação positiva” (legitimada pelas desvantagens criadas pela ordem heterosexual dominante) já vai ao ponto de criar quotas especiais para recrutamento de homosexuais...

terça-feira, julho 31, 2007

Viagens

As verdadeiras viagens são as que se fazem longe e devagar, sem ânsia de chegar. Sem destino?... Olhando calmamente para o que se cruza no nosso caminho, atentos às surpresas, permeáveis ao deslumbramento. Não são precisas grandes coisas para causar esse deslumbramento. Detalhes insignificantes podem mexer-nos na alma, como uma cor perdida no horizonte ou um ângulo formado por uma àrvore ou um rosto em contra-luz. As verdadeiras viagens espalham qualquer coisa de nós pelo mundo e enchem-nos de vestígios, colam-se-nos à pele, ficam para sempre no fundo dos olhos. As verdadeiras viagens não são filmes: são colecções de fotografias, tiradas, uma a uma, sem pressa, revistas inúmeras vezes com a mesma devoção.

domingo, julho 29, 2007

Felicidade

"O orador seguinte era Lewis Carnegie (...)

- O elemento mais fundamental da felicidade é a infelicidade. A felicidade é uma emoção complexa, mista. Muitas vezes as pessoas preferem coisas que lhes provocam dor em vez de lhes darem prazer: por isso preferimos o amor à mera gratificação sexual, a dura verdade à ignorância. Para demonstrar o meu ponto de vista, assumo uma sociedade estruturada de modo a grantir que toda a vida é agradável e gratificante. Neste Maravilhoso Mundo Novo não há sofrimento físico, nem fome, nem cansaço, nem desespero. O prazer, o conforto, o êxtase só têm significado através do contraste. Não podemos conhecer a satisfação se não tivermos antes experimentado a falta dela. Rejeito o contentamento preguiçoso: o tédio é a morte da felicidade. Quero sofrimento para poder ser verdadeiramente feliz. O direito de procurar a felicidade? Preservemos antes o direito de sermos infelizes. Porque sem a infelicidade, a felicidade não tem significado.

Seria verdade? Que a felicidade nada era a menos que se tivesse experimentado a infelicidade para poder comparar? Parecia uma loucura pensar que a infelicidade era uma parte importante de ser feliz, mas fazia uma espécie de estranho sentido..."

Carta a um amigo

Caro amigo

Já que não nos vemos há tanto tempo e como continuaremos durante tanto tempo sem nos vermos, porque a vida nos puxa para outros lados e não há maneira de encontrarmos a mágica disponibilidade para conversar sem ser por aquele maldito telefone que nos dá a ilusão da proximidade mas que não passa de um amortecedor da distância, manda-me umas fotografias tuas e do sítio onde vives e dos teus amigos. As fotografias são outro alibi, dão-nos a ideia de ver a vida numa folha de papel. Mas, a vida é para viver, não é para observar à distância. Faz-me lembrar aqueles turistas que acabam por não gozar os sítios que visitam porque passam o tempo a tirar esplêndidas fotografias que depois encaixilham e metem no fundo de gavetas perdidas ou em ficheiros de computador com nomes coloridos. Mas, as fotografias são melhor do que nada e pior do que o essencial. E o essencial é a alma e o coração. E que eu saiba não se tiram fotografias à alma e ao coração. Ou talvez sim, porque as pessoas verdadeiras transportam no rosto e no corpo o que lhes vai na alma e no coração. E as pessoas frágeis não conseguem evitar esse reflexo.

Desejo-te umas boas férias e, no fim de contas, manda-me umas fotografias e que não sejam pretexto para adiar mais uma vez o encontro que combinámos à volta de uma mesa farta.

Um abraço
Miguel

sexta-feira, julho 27, 2007

segunda-feira, julho 23, 2007

Diversos

Na Turquia ganhou Erdogan, um islamista que desafia o establishment laico que tem controlado o governo e as forças armadas e distribuído privilégios a minorias distantes do povo. Talvez seja positivo porque pode demonstrar que o islamismo não é forçosamente sinónimo de ditadura ou de perda de liberdades cívicas. Pode ser uma maneira de civilizar ou educar o islamismo, de o tornar compatível com a democracia e com a defesa dos interesses dos mais desfavorecidos. Naturalmente, é preciso ver no que dá uma religião de Estado, em que medida é que pode derrapar em qualquer coisa de tristemente conhecido noutras paragens… Foi também uma afirmação de soberania : dizer ao Ocidente e à União Europeia que os Turcos não vendem a alma e a História por dez reis de mel coado. Mas, assim sendo, torna-se ainda mais evidente o hiato civilizacional e a dificuldade em concretizar a adesão à União Europeia. Também se poderia dizer que a ponte entre Oriente e Ocidente, entre cristianismo e islamismo seria ainda mais eficaz com a “neutralização”, no quadro da União Europeia, de um país islâmico. Mas, convenhamos, tratar-se-ia de uma estratégia arriscada...

Gosto muito de Itália e de muitos italianos. Mas, conheço poucos italianos que não sejam essencialmente mafiosos. Obviamente, não me refiro a criminosos ou a membros da “cosa nostra” ou de alguma das suas múltiplas ramificações como a N’drangheta calabrese ou a Camorra napolitana. Socialmente e culturalmente os italianos tendem a ser mafiosos. E isso torna-os ainda mais fascinantes e, paradoxalmente, leais… Os italianos são criativos e artistas. E isso também se traduz na maneira como vivem, como se desenrascam e como tramam o parceiro. Frequentemente com um sorriso nos lábios.

Os suicídios no posto de trabalho continuam em França, em empresas como a Renault e a Peugeot. O trabalho é um lugar privilegiado de socialização, onde se obtém uma certa visibilidade, onde o valor de cada um é mais exposto. Um suicídio é uma forma drástica de comunicação, é um grito de mal-estar, cujo eco se prolonga mais num espaço de tipo publico como uma fábrica ou um escritório. Um suicídio é um ataque a si próprio e aos outros, a circunstâncias específicas ou a factores gerais de sofrimento. Mais uma vez, um local de trabalho amplifica a audiência e a eficácia do acto. Particularmente, se se tratar de empresas ou organizações com uma certa projecção mediática, o privado e o público fundem-se para tornar mais difusa e acutilante a mensagem de um suicídio.

quinta-feira, julho 19, 2007

Escolhas

Entre as escolhas mais difíceis, figuram as que se devem fazer entre a ambição e os princípios. Felizardos os que beneficiam da coincidência entre ambos. Mas, também são os mais sacanas. Os que "nunca se enganam e raramente têm dúvidas". Os outros, os que não dormem e roem as unhas a pensar nessas escolhas, são os sensíveis, os hesitantes, os delicados, os que têm escrúpulos e perguntam vezes demais qual é o sentido da vida. Esses são decididamente mais interessantes, mais apropriados a personagens de romances intimistas. São acusados frequentemente de imaturidade. Ficam sempre agarrados às suas vidas que confundem com o resto do mundo.

quarta-feira, julho 18, 2007

Crónica de Verão

Quando era pequeno íamos à praia em Agosto, ao domingo, à Figueira. A minha avó fazia o arroz de galinha na véspera. Acordávamos cedo e lá íamos no carocha branco, BF-62-01, com a trouxa habitual. Não havia auto-estrada e a viagem era longa e enfadonha. Chegávamos à praia por volta das 10 horas e já havia muita gente no areal, verdadeiros militantes da coisa : lancheiras orgulhosas por todo o lado, putos barulhentos, mães e avós gordas, pais a ler o jornal e a ouvir o rádio e a fazer de conta que não viam a gaja boa a manear as ancas à beira-mar. O sol subia e as pessoas torravam na toalha, bezuntadas de Nivea (aquele do boião azul…), à espera das 3 horas fatídicas da digestão. Entre o meia-dia e a uma, era o assalto ao mar chão de Buarcos. A àgua estava sempre fria como o diabo, os lábios ficavam roxos, mas a coragem dos veraneantes não tinha limites. Quase se disputavam centímetros de àgua e dar uma braçada mais larga podia ser uma bofetada no parceiro do lado. Voltava tudo para a toalha onde o suor do sol se sucedia ao tremor do frio. E a avó propunha sempre uma bolachinha e um Compal, mesmo se o almoço não tardava. Pois bem, o almoço era inevitavelmente debaixo dos pinheiros da Serra da Boa Viagem (quando ali havia pinheiros porque agora só há arbustos, depois de terem queimado aquilo tudo...). O arroz de galinha saía do Tupperware à mistura com uns bolinhos de bacalhau e tudo o resto. Depois, vinha a maldita sesta. Os pais e a avó dormiam como peregrinos estafados e eu e a minha irmã não viamos o tempo passar, fartos de tanto abandono e preguiça. Às vezes, aventurava-me na floresta, mas era pequeno e tinha medo e não ía longe, voltando para junto dos meus, que continuavam a dormir, para meu desespero. Finalmente, lá íamos embora, serra abaixo até à praia, que não parecia a mesma, mais vazia, com uma cor pálida, fustigada pela nortada. A areia entrava por todo o lado, na mais recôndita prega do nosso corpo. Extenuados de tanta resistência acabávamos por ir embora para a fila dos carros que regressavam. Parávamos ao crepúsculo em Montemor, numa fonte branca e misteriosa, à beira do Mondego e lá vinham os restos do arroz de galinha, do Compal e do pão de ló. Cansados mas felizes tornávamos a casa e o Domingo fechava-se na noite que cobria o saudoso carocha, entre pinháis e campos de arroz nas margens do Mondego.

terça-feira, julho 17, 2007

Sarkozy introduz uma nova dimensão na política europeia. Poderiamos chamá-la de neo-napoleónica com forte carga mediática. O homem é de uma hiper-actividade que cansa o mais incauto dos cidadãos em frente a um telejornal da TV francesa. Corre, salta, ri, voa, abraça, cumprimenta, dispara « novas » e « revolucionárias » ideias em todas as direcções. O homem quer mudar tudo e mandar em tudo. Ele é a França e o mais recôndito sítio da França deve prestar-lhe contas. Construiu uma rede de influências e de informações ímpar que não lhe deixa escapar o mínimo pormenor importante.

A sua astúcia vai ao ponto de neutralizar os adversários, oferecendo-lhes prebendas : casos de Bernard Kouchner (socialista, Ministro dos Negócios Estrangeiros), Dominique Strauss-Kahn (socialista, convidado para candidado da França a patrão do FMI), Jacques Lang (socialista, mitterandista, convidado para presidir uma Commissão governamental). E o resultado é o completo desnorte no Partido Socialista. Mas, tudo isso são pequenos e aparentes poderes porque o grande e verdadeiro poder permanece nas suas mãos, nas mãos de Nicolas.

Nicolas cuida a sua imagem e as suas aparições com uma eficácia cirúrgica : os media tem um papel absolutamente central na sua estratégia. Mais do que hiper-fazer importa hiper-parecer que se faz, que se muda para o bem da França e do mundo. O que conta é a dinâmica que se cria, uma certa ilusão de mudança ou de possibilidade de mudança. E rapidamente. Como se a sociedade e a economia se vergassem ao voluntarismo visionário do neo-Napoleão.

Nicolas encarna o mito do homem que pode mudar a própria vida e mudar o mundo através de uma vontade indomável e de um activismo sem tréguas. E sobre isso, conta mais a publicidade do que a realidade. Porque bastará parecer para ser… neste media-mundo.

Nicolas agrada a muita gente, incluindo os pobres, porque transmite a esperança de mudar e de subir na vida com o próprio esforço. Por isso, há qualquer coisa de Americano em Nicolas e, sobretudo, de populista. Mas, ao mesmo tempo, defende os interesses dos ricos, designamente, fazendo-lhes poupar impostos. Isso não é contraditório : Nicolas quer apenas não penalizar o sucesso, de que a riqueza material é uma prova eloquente… neste mundo neo-liberal. É necessário encorajar os ricos a serem mais ricos porque assim investem e arriscam mais para o bem comum (como profetizava Adam Smith)… e porque se tornam ainda mais invejáveis para os pobres. Bastará aos pobres trabalhar arduamente para aceder aos privilégios dos ricos, incluindo os que lhes são concedidos pelo Estado.

Esta é, no fundo, a filosofia política de Nicolas. Portanto, não tanto original, apesar de imponente dada a sua hiper-mediatização.

domingo, julho 15, 2007

Flamenco

Wiltz é uma pequena cidade no norte do Luxemburgo onde existe uma Senhora "de Fátima" celebrada todos os anos na data que se sabe pelos muitos portugueses que por aqui há. Para lá da Sra. "de Fátima" de Wiltz, de um bonito castelo, da memória trágica da II Guerra Mundial e das magníficas paisagens que circundam a cidade, não haveria muito mais a dizer... salvo um excelente festival de música, dança e teatro que se realiza todos os anos no Verão e que atrai pessoas de muito longe e grupos artísticos de grande qualidade e de várias proveniências, bem longe do timorato Grão-Ducado. Este ano fui ver o Bolero Flamenco do Ballet Teatro Espanhol de Rafael Aguilar. Simplesmente fantástico, especialmente a interpretação de um bailarino que se chama Francisco Guerrero (na fotografia com Rosa Jiménez), cujo corpo mais parece um elástico, que respira dança e que exprime tudo com uma ímpar flexibilidade de movimentos. Depois, o Bolero de Ravel representado "em flamenco" por um conjunto de bailarinos extraodinários e com uma coreografia lindíssima.

O flamenco também ajuda a perceber a Espanha actual (ou o Sul da Espanha ?): a sua vitalidade, energia, criatividade, raiva, tragédia, convicção, força e beleza. É uma mistura explosiva de árabes, ciganos e europeus (judeus sobretudo), de passado (heróico), de presente (trágico) e de (uma indomável vontade) de futuro.

quarta-feira, julho 11, 2007

Democracia e decisão

Tive um professor que achava que a democracia era assim: as pessoas votam naqueles que lhes agradam e depois são esses que mandam. Mas, mandam! Os eleitos não podem estar permanentemente a agir como se novas eleições fossem no minuto seguinte. Os eleitos recebem um mandato para mandar em determinado sentido. E mandam! Não têm dúvidas existenciais no momento de cada decisão. Não perguntam pela enésima vez aos eleitores o que é que devem fazer. Não fazem a quadratura do círculo à procura de consensos inverosímeis. A eleição permanente não é sinónimo de democracia. Os cidadãos delegam nos eleitos a capacidade de interpretar a vontade maioritária.

Ok. Até aqui estamos entendidos.

Mas, se os representantes da vontade popular começam a fazer a "coisa" fora do penico, o povo tem de ter um meio para os meter nos eixos. Na antiga Grécia, berço da democracia, existiam tribunais que podiam desapossar os eleitos das suas prerrogativas, caso eles não respeitassem o direito, a moral e o mandato que lhes tinha sido confiado. Nos Estados Unidos, existe o chamado "recall" através do qual um grupo significativo de eleitores pode convocar uma eleição para desalojar os eleitos que não cumprem as suas promessas ou que revelam manifesta incompetência ou prejuizo do interesse público. Foi de resto na sequência de um processo desses que em 2003 Arnold Schwarzeneger se tornou governador da California em substituição do destítuido Gray Davis. E também há o "impeachment" através do qual o Parlamento pode revogar o mandato de um Presidente como foi o caso de Nixon nos Estados Unidos ou de Collor de Melo no Brasil.

Para além da oposição parlamentar e dos protestos de rua, a democracia tem dispositivos (de denúncia e de vigilância) para colocar os eleitos em consonância com a moral e com a lei, e com a vontade colectiva, entre os processos eleitorais, sem prejuizo do legítimo exercício do poder democrático, no respeito do programa votado nas urnas. Não há poder democrático que permaneça em contradição excessiva e persistente com o interesse geral e com a vontade maioritária renovada.

segunda-feira, julho 09, 2007

Fiat 500 Spot

Este é um exemplo de instrumentalização de uma memória colectiva, da história de um país para fins publicitários a favor de interesses privados bem precisos. É sabido o papel que o Fiat 500 desempenhou na Itália do pós-guerra, transformando-o num ícone do crescimento, da urbanização e do surto da classe média nesse período, como foi também o caso do 2 cavalos em França ou do carocha na Alemanha. Mas, colar de forma tão despudorada uma mercadoria a um imaginário político e cultural é algo original. Seja como for, os Italianos estão habituados a pagar as perdas da Fiat e a ceder os lucros aos seus accionistas privados, à cabeça dos quais se encontra a família Agnelli. E, a pretexto do peso relativo no país dos empregos, do investimento e das exportações do grupo, todo o tipo de benesses lhe é concedido. Abençoada promiscuidade publico/privado num país onde os campeões nacionais da industria não abundam... para além dos da moda (Armani, Gucci, Valentino, Fendi, etc.) e da "pasta" (Barila).

domingo, julho 08, 2007

Os sete horrores de portugal

Pel' O Jumento.

Novas 7 Maravilhas do Mundo

Grande Muralha da ChinaTaj MahalCristo RedentorPetra

Machu PicchuPirâmide de Chichén Itzá
Coliseu de Roma
Eu tinha votado no Taj Mahal, em Machu Picchu, na Pirâmide de Chichén Itzá e no Coliseu.
Fiquei com muita pena que não tivesse ganho Angkor...

sexta-feira, julho 06, 2007

Quero viajar! Ir para um sítio novo, fugir do mundo como o conheço e encontrar novas visões das coisas. Sem regras definidas por outros, sem restrições temporais, espaciais, materiais... Com o meu próprio tempo, de duração desconhecida, no espaço do meu corpo, ilimitado e, ao mesmo tempo tão reduzido.