segunda-feira, junho 25, 2007
Sócrates
Cliquem no título para ver o que pensa o Financial Times sobre o nosso Primeiro-Ministro, na véspera do ínicio da presidência portuguesa da União Europeia: "homem de planeamento meticuloso e de atenção ao detalhe", "socialista modernizador à maneira de Blair (...) com uma figura elegante e, segundo o seu alfaiate, o político mais bem vestido de Portugal", "fã de jogging nas primeiras horas da manhã, proporcionou oportunidades únicas aos fotógrafos na Praça Vermelha e em Copacabana", "a tenacidade explica a sua popularidade não obstante os custos imediatos das suas reformas", etc, etc.
domingo, junho 24, 2007
sábado, junho 23, 2007
Conselho da UE Bruxelas 21-22 Junho 2007
O Conselho Europeu que decorreu em Bruxelas esta semana cedeu ao nacionalismo e ao neo-liberalismo, essencialmente protagonizados pelo Reino Unido, para evitar um fiasco. Mas, na prática o que se conseguiu foi um meio fiasco. Bem sei que a União Europeia é feita de longas negociações e de espinhosos compromissos e que a renúncia à soberania nacional não se faz de ânimo leve. Mas, a União encontra-se num ponto em que deve optar entre (a) a continuidade (estagnação?) no âmbito do que se adquiriu e da consolidação dos alargamentos já efectuados e (b) o aprofundamento da sua natureza o que significa mais união política e, portanto, mais federalismo, nomeadamente, a nível de políticas social, externa e de defesa. Pode dizer-se, a justo título, que (b) é de certa maneira contraditório com os alargamentos. Essa seria uma das razões pelas quais alguns líderes, como Romano Prodi, ventilam a ideia de uma União a duas velocidades: um grupo preparado para andar mais depressa na via do federalismo e um outro grupo de países mais interessados na componente puramente económica da União. No segundo, incluir-se-iam países como a Holanda, o Reino Unido e a Polónia. Isso, porém, poderia gerar um efeito centrífugo irreversível, levando à divisão da actual UE em duas uniões: uma união económica para os "nacionalistas" e uma União política para os "federalistas".
Coimbra
Se clicarem no título encontrarão uma série de fotografias de Coimbra de outros tempos (década de 70), quando eu andava no liceu e na faculdade, divulgadas num "post" de um site sueco. É surpreendente como as coisas, no essencial, não mudaram, mais rotunda menos rotunda, mais cor menos cor, mais ponte menos ponte (é claro que faltam agora os eléctricos, os trolleys, os Citroën Dyane, os Fiat 127, a Casa das Cintas...). As pessoas, sim, mudaram. Aquelas calças "à boca de sino" são lendárias.
Essas fotografias fizeram-me andar para trás e sentir o peso do tempo. Um tempo psicológico, mais do que cronológico ou físico. E fizeram-me pensar que Coimbra me emociona, à distância, mais pelo mito do que pela realidade. Acho que, no fundo, perto ou longe, sempre foi sim... E afinal isso não é mais do que uma confirmação da pertinência da letra da famosa canção: "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida".
Essas fotografias fizeram-me andar para trás e sentir o peso do tempo. Um tempo psicológico, mais do que cronológico ou físico. E fizeram-me pensar que Coimbra me emociona, à distância, mais pelo mito do que pela realidade. Acho que, no fundo, perto ou longe, sempre foi sim... E afinal isso não é mais do que uma confirmação da pertinência da letra da famosa canção: "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida".
quarta-feira, junho 20, 2007
Antónios Costas
Título do Diário de Coimbra de hoje: “Psiquiatras forenses de referência fazem exame a António Costa”. Fiquei com receio de que se tratasse do candidato socialista à Câmara Municipal de Lisboa… Seria uma surpresa lamentável ou mais um golpe baixo da oposição ! Afinal não é assim. O sub-título esclarece: “Ex-GNR de Santa Comba Dão passou manhã no Instituto de Medicina Legal”. Uff…
segunda-feira, junho 18, 2007
François et Ségolène
Ségolène Royale e François Hollande vivem juntos há muito tempo e têm filhos em comum. Ségolène foi candidata socialista (derrotada) à Presidência da República de França. François tem sido Secretário-geral do PS e chegou a ser concorrente a candidato à Presidência, contra a sua própria companheira. Sempre me meteu grande confusão esta promiscuidade entre esposos e políticos com ambições antagónicas. Como se podia dizer cobras e lagartos das ideias do outro durante o dia e ir para a cama com ele à noite ? Enfim – pensava eu – talvez se trate de uma daquelas maravilhas cartesianas a que os Franceses nos habituaram, um monumento à emancipação das mulheres e dos homens, um exemplo de que a concorrência profissional pode não colidir com a vida sentimental e familiar. Chapeau !François é cada vez mais contestado como leader dos socialistas por « elefantes » como Strauss-Kahn e Laurent Fabius e por « jovens leões » como Arnaud Montebourg. Ségolène tenta levantar-se do fracasso nas presidenciais. Participou activamente nas eleições legislativas que se concluiram ontem com um desaire do PS (apesar de menos retumbante do que se esperava, dada a avalanche do UMP de Sarkozy).
Hoje ouvi na rádio que Ségolène e François se separaram. No princípio, não percebi se o jornalista se referia, mais uma vez, à política ou à vida conjugal. Pensei : estão de novo em desacordo no seio do PS, mas lá em casa a coisa deve continuar bem como dantes. Et bien non ! Desta vez separaram-se mesmo : nada de viver sob o mesmo tecto ou dormir na mesma cama ou fazer de conta que assim seria. Finalmente, clareza na vida deles e na minha cabeça. Hélas !
domingo, junho 17, 2007
Mais uma música inspiradora...
Donna Maria - Sempre, Para Sempre
Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele
Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante
Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão
Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado
Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente
Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado
Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso
Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente
Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido
Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez
sexta-feira, junho 15, 2007
A cotação do Benfica na Bolsa
O que acontece quando um produto tem um preço abaixo do seu valor real ? Naturalmente, torna-se atraente comprá-lo porque é elevada a probabilidade de o vender mais tarde a um preço superior. Assim se criarão mais-valias com relativa facilidade. Pois bem, foi apenas isto que guiou Joe Berardo ao propôr a compra a 3.50 euros das acções do Benfica. Essas acções estavam simplesmente sub-avaliadas. Esta é uma situação típica de imperfeição de mercado momentânea favorável aos chamados "take-over". Tudo o resto que se anda por aí a dizer é treta: "amor ao Benfica", "só para ajudar", etc, etc. O que é verdade é que o Benfica vale mais do que o que tem sido expresso pela cotação das suas acções. E a prova é que os investidores acordaram imediatamente e a cotação subiu hoje mais de 50%, excedendo mesmo o valor oferecido por Berardo.
O valor de uma empresa pode ser calculado de várias maneiras. A que melhor exprime a realidade (apesar de se basear em parâmetros previsionais, portanto, discutíveis e sujeitos a uma margem de erro significativa), é a do "discounted cashflow" ou "valor actualizado dos lucros futuros". Quer isto dizer que Joe Berardo (e o mercado, depois de ter saído da letargia, para não dizer também, os Benfiquistas que "têm estado de costas") consideram que o Glorioso vai gerar no futuro mais lucros do que aquilo que tem sido traduzido pelo preço baixo das acções. Ou seja: quem diz lucros, diz vitórias desportivas, porque essa é a mercadoria essencial que vende um clube profissional de futebol. A subida das acções quer, pois, dizer que os investidores crêem que o SLB vai ser campeão muitas vezes nos próximos anos e demonstram-no com o seu próprio dinheiro. Bem hajam e que tenham razão... para bem da própria carteira e do contentamento deste Benfiquista que o será sempre independentemente do valor do clube em Bolsa.
Viva o Benfica. Viva. Pim!
O valor de uma empresa pode ser calculado de várias maneiras. A que melhor exprime a realidade (apesar de se basear em parâmetros previsionais, portanto, discutíveis e sujeitos a uma margem de erro significativa), é a do "discounted cashflow" ou "valor actualizado dos lucros futuros". Quer isto dizer que Joe Berardo (e o mercado, depois de ter saído da letargia, para não dizer também, os Benfiquistas que "têm estado de costas") consideram que o Glorioso vai gerar no futuro mais lucros do que aquilo que tem sido traduzido pelo preço baixo das acções. Ou seja: quem diz lucros, diz vitórias desportivas, porque essa é a mercadoria essencial que vende um clube profissional de futebol. A subida das acções quer, pois, dizer que os investidores crêem que o SLB vai ser campeão muitas vezes nos próximos anos e demonstram-no com o seu próprio dinheiro. Bem hajam e que tenham razão... para bem da própria carteira e do contentamento deste Benfiquista que o será sempre independentemente do valor do clube em Bolsa.
Viva o Benfica. Viva. Pim!
quinta-feira, junho 14, 2007
quarta-feira, junho 13, 2007
Soltas e breves
A minha geração (i.e. nascidos nos anos 60), em Portugal, foi um bocado problemática: com "pais da ditadura" e "filhos da democracia". E nós, ali no meio, espremidos como um limão, a fazer contas às ideias e, sobretudo, à vida...
Em França os carteiros ameaçam com a greve se os Correios não pagarem os 10 minutos a mais que gastam por dia a vestir e a despir as fardas novas que a direcção decidiu distribuir...
Ainda na Gália, nas laranjas, melões e tomates do sul do país, os supermercados, em colaboração com as associações de agricultores, colam fotografias do lavrador de onde sairam os ditos produtos como prova iniludível da sua qualidade e origem local... "O que é nosso é bom. Nada de legumes e hortaliças espanhóis" como dizia uma indígena entrevistada pela TF1.
No Japão o metropolitano inventou um sistema que manda automaticamente um SMS aos pais, quando os filhos entram e saem das estações...
Em França os carteiros ameaçam com a greve se os Correios não pagarem os 10 minutos a mais que gastam por dia a vestir e a despir as fardas novas que a direcção decidiu distribuir...
Ainda na Gália, nas laranjas, melões e tomates do sul do país, os supermercados, em colaboração com as associações de agricultores, colam fotografias do lavrador de onde sairam os ditos produtos como prova iniludível da sua qualidade e origem local... "O que é nosso é bom. Nada de legumes e hortaliças espanhóis" como dizia uma indígena entrevistada pela TF1.
No Japão o metropolitano inventou um sistema que manda automaticamente um SMS aos pais, quando os filhos entram e saem das estações...
terça-feira, junho 12, 2007
Agora vamos para Alcochete
Acho no mínimo estranho esta coisa de Alcochete como paraíso para a localização do novo aeroporto. De repente, após tanta cacofonia, tira-se da cartola o coelho mágico : um sítio que custa menos, com maiores possibilidades de expansão futura, com menor impacto ambiental, mais perto de Lisboa, menos propenso à especulação imobiliária, um investimento que se conclui mais depressa. Enfim, uma maravilha. Mas, se assim é, porque é que se concentrou a discussão durante tanto tempo sobre más localizações como a Ota e Rio Frio ? Ou fala a minha ignorância e Alcochete já tinha sido algo, timidamente, referida por alguém antes ? Também não deixa de ser curioso que esta « nova » localização seja « descoberta » pela confederação patronal e por um estudo de uma empresa de um ex-ministro de um governo socialista. Seja como for (não obstante ficar mais longe de Coimbra – com desculpas pelo interesse privado que exprimo), se Alcochete for efectivamente a melhor solução, devidamente e finalmente validada por técnicos credíveis em tempo útil, que seja Alcochete e que se faça a obra e que se poupem os palpites.E quanto a dizer que as dúvidas que, finalmente, o governo tem em relação à Ota seriam uma prova da sua fraqueza, é uma grande treta e revela desonestidade intelectual de certa oposição. Só os suícidas continuam a acelerar à medida que se aproxima o abismo, só os estúpidos teimam em negar as evidências.
domingo, junho 10, 2007
Dia 10 de Junho (votar com os pés...)
Talvez o voto mais eloquente seja aquele que se faz com os pés, isto é: partindo, saindo de um lugar onde se está mal para outro onde se espera estar melhor. É um voto qualitativamente superior porque implica muito mais do que apenas depositar um pedaço de papel numa urna. Implica arriscar, mudar completamente de contexto, agir de uma forma radical. Trata-se de substituir fisicamente o sítio onde se nasceu e onde se cresceu. Trata-se de exprimir uma opinião clara àcerca do estado do país, dadas as suas repercussões sobre a vida concreta das pessoas. É uma decisão forte que não se toma de ânimo leve... salvo no caso dos aventureiros puros e duros que - não creio - sejam muitos. Pois bem, considerando o aumento, nos últimos anos, da emigração portuguesa para países como a Inglaterra, a Suiça, os Países Baixos e o Luxemburgo, acho que se devem retirar conclusões pesadas e nada abonatórias para o rumo que o país está a tomar (não obstante os discursos apologéticos e redentores do "establishment").
É evidente que emigrar é uma decisão relativa, implica uma comparação, nem sempre objectiva e correcta, entre o que se deixa e aquilo para que se vai. Supõe-se que a diferença entre o que se obterá no destino e o que se tem na origem é superior aos custos e aos riscos da mudança. A posteriori, o resultado pode divergir significativamente da expectativa com que se partiu e, então, (a) ou se regressa, (b) ou se fica com teimosia e por orgulho, (c) ou se fica com sucesso... Presumo que a taxa de regresso, pelo menos a curto prazo, seja baixa. Estou a falar de emigração por duração indeterminada, porque também há aquela que se faz por prazos curtos de acordo com contratos específicos. E depois também há a outra emigração, o novo "salto", em desrespeito das mais elementares regras do direito e da dignidade, a nova escravatura da mobilidade do trabalho...
A emigração resulta de uma decisão individual. Cada caso é um caso, mas há determinantes sociais e económicas relacionadas com o estado geral do país ou da região de origem. A maior parte das pessoas emigra por razões económicas, porque não encontra oportunidades de emprego, nem condições para melhorar as suas vidas e as das suas famílias no lugar onde nasceram e cresceram. O recrudescimento recente da emigração, em tendência inversa à que se vinha desenvolvendo desde o 25 de Abril, é um indicador evidente do mal-estar do país, também das camadas mais jovens. É interessante constatar que esse fenómeno começa a tocar pessoas com níveis de instrução média ou superior, o que é representativo da situação do mercado de trabalho nesses estractos de formação...
Portugal está, curiosamente, a transformar-se num país duplo, de transição, quer dizer, de acolhimento de africanos, brasileiros e leste-europeus e de (nova) partida dos cidadãos nacionais, especialmente, em direcção à Europa. É pena. Porque se desperdiçam energias e talentos, porque a Pátria não dá aos cidadãos as oportunidades e a estima que merecem. Se as pessoas se sentem maltratadas ou deixaram de acreditar no seu país, ao ponto de o deixar, essa é a prova mais concludente do fracasso das políticas de desenvolvimento. E as dificuldades não podem ser consideradas conjunturais nem associadas, apenas, a um imperativo de saneamento financeiro, pois o fenómeno já se produz há vários anos e as pessoas emigram porque consideram que a sua situação actual não é reversível a curto prazo.
É evidente que emigrar é uma decisão relativa, implica uma comparação, nem sempre objectiva e correcta, entre o que se deixa e aquilo para que se vai. Supõe-se que a diferença entre o que se obterá no destino e o que se tem na origem é superior aos custos e aos riscos da mudança. A posteriori, o resultado pode divergir significativamente da expectativa com que se partiu e, então, (a) ou se regressa, (b) ou se fica com teimosia e por orgulho, (c) ou se fica com sucesso... Presumo que a taxa de regresso, pelo menos a curto prazo, seja baixa. Estou a falar de emigração por duração indeterminada, porque também há aquela que se faz por prazos curtos de acordo com contratos específicos. E depois também há a outra emigração, o novo "salto", em desrespeito das mais elementares regras do direito e da dignidade, a nova escravatura da mobilidade do trabalho...
A emigração resulta de uma decisão individual. Cada caso é um caso, mas há determinantes sociais e económicas relacionadas com o estado geral do país ou da região de origem. A maior parte das pessoas emigra por razões económicas, porque não encontra oportunidades de emprego, nem condições para melhorar as suas vidas e as das suas famílias no lugar onde nasceram e cresceram. O recrudescimento recente da emigração, em tendência inversa à que se vinha desenvolvendo desde o 25 de Abril, é um indicador evidente do mal-estar do país, também das camadas mais jovens. É interessante constatar que esse fenómeno começa a tocar pessoas com níveis de instrução média ou superior, o que é representativo da situação do mercado de trabalho nesses estractos de formação...
Portugal está, curiosamente, a transformar-se num país duplo, de transição, quer dizer, de acolhimento de africanos, brasileiros e leste-europeus e de (nova) partida dos cidadãos nacionais, especialmente, em direcção à Europa. É pena. Porque se desperdiçam energias e talentos, porque a Pátria não dá aos cidadãos as oportunidades e a estima que merecem. Se as pessoas se sentem maltratadas ou deixaram de acreditar no seu país, ao ponto de o deixar, essa é a prova mais concludente do fracasso das políticas de desenvolvimento. E as dificuldades não podem ser consideradas conjunturais nem associadas, apenas, a um imperativo de saneamento financeiro, pois o fenómeno já se produz há vários anos e as pessoas emigram porque consideram que a sua situação actual não é reversível a curto prazo.
Que grande espectáculo...
sexta-feira, junho 08, 2007
O Homem de 2050

Tradução de excertos do livro acima representado editado pela "Fayard" em Janeiro de 2007 (páginas 271, 272 e 283):
"Enquanto o nómada das primeiras sociedades, como o cidadão das democracias de mercado, obedecia a um conjunto de regras complexas, expressão de ambições colectivas múltiplas, o cidadão do hiper-império não será enquadrado por qualquer contracto social. Numa situação de ubiquidade nómada, o Homem de amanhã tomará o mundo como uma totalidade ao seu serviço, no limite das garantias do comportamento individual; não verá o outro senão como instrumento da sua própria satisfação, um meio de obter prazer ou dinheiro ou, de preferência, os dois. Nada o levará a importar-se com o outro. Para quê partilhar quando é necessário bater-se incessantemente? Porquê fazer em conjunto quando se é concorrente? Mais ninguém pensará que a felicidade do outro possa ser-lhe útil. Ainda menos se procurará a felicidade na felicidade do outro. Toda a acção colectiva parecerá impensável, toda a mudança política, portanto, será inconcebível.
A solidão começará desde a infância. Ninguém poderá forçar os pais, biológicos ou adoptivos, a respeitar e amar os seus filhos o tempo suficiente para os educar. Adultos precoces, os mais jovens sofrerão de uma solidão que não compensará quaisquer redes das sociedades anteriores. Da mesma maneira, um número crescente de pessoas de idade, vivendo cada vez mais e, portanto, cada vez mais tempo sózinhas, não conhecerá quase ninguém entre os vivos. O mundo será apenas uma justaposição de solidões e o amor uma justaposição de masturbações.
(...)
O casal deixará de ser a sua principal base de vida e de sexualidade; escolherão, na maior transparência, amores simultâneos, poligâmicos ou poliândricos. Coleccionadores, homens e mulheres, mais interessados pela caça do que pelas predas, acumulando e exibindo troféus, serão filhos de famílias voláteis, reconstituidas, sem base geográfica ou cultural. Não serão leais senão a eles mesmos, interessar-se-ão, mais pelas suas conquistas, pelas suas adegas de vinhos caros, pelas suas colecções de arte, pela organização da sua vida erótica, pelo seu suicídio, do que pelo futuro da sua progenitura à qual não transmitirão nem fortuna nem poder."
Psicopatologia
Como é possível estudar
- ataques de pânico
- agorafobia
- perturbação de pânico
- fobia específica
- fobia social
- perturbação obsessiva-compulsiva
- stress pós-traumático
- perturbações de ansiedade
- perturbação depressiva major
- perturbação distímica
- perturbação bipolar I e II
- perturbação ciclotímica
- perturbações de humor
- anorexia nervosa
- bulimia nervosa
tudo para um só exame semestral sem ficar com uma psicopatologia qualquer???
quinta-feira, junho 07, 2007
Notícias de quem não tem internet
Continuo sem internet em casa... Aproveitei o wireless de um amigo para passar por este cantinho para dizer que estou viva e de boa saúde.
O Sapo ADSL é um bicho de 7 cabeças e não há maneira de cancelarem o contrato para poder ter contrato com outra rede. Entretanto, a minha participação aqui ficará limitada. A juntar a este facto, os exames estão aí à porta e o estudo roubar-me-à imenso tempo portanto até meados de Julho a minha vida social e bloguística estará claramente diminuída.
Mas nem tudo é mau... O blog está em muito boas mãos.
Outra coisa... Amanhã vou ao concerto da Gal Costa no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz e conto ganhar um novo ânimo para enfrentar esta vaga de estudo que, de tão excessiva, faz mal aos neurónios ;). Deixo-vos com um vídeo desta mulher fantástica que é um marco da história da música brasileira.
Até ao meu regresso.
O Sapo ADSL é um bicho de 7 cabeças e não há maneira de cancelarem o contrato para poder ter contrato com outra rede. Entretanto, a minha participação aqui ficará limitada. A juntar a este facto, os exames estão aí à porta e o estudo roubar-me-à imenso tempo portanto até meados de Julho a minha vida social e bloguística estará claramente diminuída.
Mas nem tudo é mau... O blog está em muito boas mãos.
Outra coisa... Amanhã vou ao concerto da Gal Costa no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz e conto ganhar um novo ânimo para enfrentar esta vaga de estudo que, de tão excessiva, faz mal aos neurónios ;). Deixo-vos com um vídeo desta mulher fantástica que é um marco da história da música brasileira.
Até ao meu regresso.
quarta-feira, junho 06, 2007
Sítios
Há sítios que são não-sítios. Meros suportes físicos de actividades, pensamentos e emoções que se passam, efectivamente, noutro lado. São espaços a que a alma não se pega. São superfícies lisas, estritamente bi-dimensionais que se poderiam encontrar em qualquer lado. São como folhas brancas em que se fazem esboços que acabam no caixote do lixo. Não têm memória nem futuro. São ubíquos e vazios, simples receptáculos de uma realidade que não deixa rastos, que se troca por outra fungível. Os sítios a que não pertencemos e com que não nos fundimos são efémeros e estranhos. Os únicos sítios reais e duráveis são aqueles em que cresceu o nosso coração ou em que deixámos pedaços do coração. Tudo o resto é global como o que não existe porque está demasiado longe e porque não nos pertence. Os sítios que contam são aqueles que chamamos de amigos ou de amantes. São os sítios com que temos uma relação humana. Amar um sítio faz dele parte da nossa vida, da nossa história. Um sítio onde vivemos longamente mas que não acariciamos com o pensamento e com as emoçóes é como um velho casamento, gasto, que se atura por falta de alternativa à solidão.
segunda-feira, junho 04, 2007
Notícias de Itália
Em Itália as coisas aquecem.
A luta entre um ministro (Vincenzo Visco) e o comandante da Guardia di Finanza (super-equivalente à nossa Guarda Fiscal) revela os tentáculos de um enorme Polvo que cruza a máfia, várias outras « seitas », a finança e a política. Uma espécie de nova P2, a tristemente famosa loja maçónica que esteve no centro dos escândalos dos anos 80 e 90 que envolveram também o Vaticano e de que resultou, nomeadamente, o assassinato em Londres de Calvi, o patrão do falido Banco Ambrosiano. À sombra de Berlusconi regressaram esses espectros do poder paralelo que não tem rosto nem convicções e que atravessa todo o topo da sociedade italiana. E o governo de centro-esquerda parece pactuar mais ou menos silenciosamente com a situação.
O presidente da confederação patronal (Confindustria) e também presidente da Fiat, Luca di Montezemolo, bota discurso, dizendo que a burocracia da política custa demasiado caro aos contribuintes. O aparelho político italiano custaria mais do que os de França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, todos juntos. Só a presidência da República custaria mais de 220 milhões de euros por ano e empregaria mais de 2 100 pessoas. O Parlamento, onde tem assento 23 partidos, dos quais 17 com menos de 3% dos votos, custaria 1 600 milhões de euros por ano. O número de viaturas oficiais supera 570 000… enquanto em França existem 65 000.
Slogans insultuosos aparecem na parede da casa de Marco Biaggi, uma vítima do terrorismo de extrema-esquerda. Sergio Coferatti, ex-secretário-geral da principal central sindical (CGIL) e actual presidente da Câmara de Bolonha recebe ameaças. Na prisão, os bombistas fazem desfraldar bandeiras vermelhas e reivindicam a libertação. Existem, portanto, sérios indícios de que o terrorismo se reactiva.
A luta entre um ministro (Vincenzo Visco) e o comandante da Guardia di Finanza (super-equivalente à nossa Guarda Fiscal) revela os tentáculos de um enorme Polvo que cruza a máfia, várias outras « seitas », a finança e a política. Uma espécie de nova P2, a tristemente famosa loja maçónica que esteve no centro dos escândalos dos anos 80 e 90 que envolveram também o Vaticano e de que resultou, nomeadamente, o assassinato em Londres de Calvi, o patrão do falido Banco Ambrosiano. À sombra de Berlusconi regressaram esses espectros do poder paralelo que não tem rosto nem convicções e que atravessa todo o topo da sociedade italiana. E o governo de centro-esquerda parece pactuar mais ou menos silenciosamente com a situação.
O presidente da confederação patronal (Confindustria) e também presidente da Fiat, Luca di Montezemolo, bota discurso, dizendo que a burocracia da política custa demasiado caro aos contribuintes. O aparelho político italiano custaria mais do que os de França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, todos juntos. Só a presidência da República custaria mais de 220 milhões de euros por ano e empregaria mais de 2 100 pessoas. O Parlamento, onde tem assento 23 partidos, dos quais 17 com menos de 3% dos votos, custaria 1 600 milhões de euros por ano. O número de viaturas oficiais supera 570 000… enquanto em França existem 65 000.
Slogans insultuosos aparecem na parede da casa de Marco Biaggi, uma vítima do terrorismo de extrema-esquerda. Sergio Coferatti, ex-secretário-geral da principal central sindical (CGIL) e actual presidente da Câmara de Bolonha recebe ameaças. Na prisão, os bombistas fazem desfraldar bandeiras vermelhas e reivindicam a libertação. Existem, portanto, sérios indícios de que o terrorismo se reactiva.
sábado, junho 02, 2007
Neo-nazismo e emigração feminina
Largos sectores da economia e da sociedade da Alemanha de Leste sofreram com a reunificação. Chamam a isso o custo da transição do socialismo da pobreza para o capitalismo do leite e do mel. O desemprego é elevadíssimo, a criminalidade cresceu e a emigração para a Alemanha Ocidental também aumentou. Cerca de 1 milhão e meio de pessoas deixaram a parte oriental do país desde 1990, o ano da reunificação. A maior parte dessa emigração compõe-se de jovens do sexo feminino com um nível significativo de escolaridade e de formação. Foi recentemente efectuado um estudo sobre a demografia e a sociologia da reunificação que revela que, em várias zonas urbanas da Alemanha de Leste, mais de 75% dos emigrantes têm exactamente essas características. O que significa que permanecem muitos homens, sem instrução, desempregados, jovens e revoltados. E são esses indíviduos que alimentam o NPD, o partido neo-nazi que tem tido um grande crescimento e que se exprime com uma violência crescente. O estudo pretende assim estabelecer uma relação entre a partida das mulheres jovens e o surto do fenómeno neo-nazi... que também seria uma forma de exorcizar um certo tipo de frustração masculina...
sexta-feira, junho 01, 2007
Ausência
Aqui a vizinha do lado anda ausente há algum tempo, deixando-me sózinho com a àrdua tarefa de actualizar o "jornal". Parece que há razões técnicas para a ausência. Noutras palavras: um mau serviço de banda larga da caríssima PT. Caríssima, sobretudo, no preço... (mas isto não significa que o panorama fosse muito diferente se lá estivesse a Sonae.com do Eng° Belmiro). Não se tratará, por conseguinte, de puro absentismo, preguiça, má vontade ou falta de inspiração. Que fique claro que ela não me pediu que a defendesse (?) ou representasse. O que é verdade é que escasseia por aqui o bom gosto dos "posts" da minha estimada sócia blogueira, abundando talvez coisas demasiado sérias e pesadas do signatário.
Espero, portanto, com grande interesse o regresso da "foragida", sob pena de continuar a chatear a rara audiência até ao bocejo.
Espero, portanto, com grande interesse o regresso da "foragida", sob pena de continuar a chatear a rara audiência até ao bocejo.
quinta-feira, maio 31, 2007
Socialistas...
Imagino o moral das tropas no PSD... Ver as suas políticas « bem » realizadas por um Partido « Socialista » a que deveria fazer oposição, não deve ser nada fácil ! Que oposição ? Que políticas de direita alternativas ?
O PS está a seguir fielmente o caminho que outros partidos « socialistas » na Europa já trilharam, isto é : em nome do pragmatismo, da eficácia, da globalização e do « bem comum » praticam políticas tipicamente de direita. E fazem-no ainda melhor do que os próprios partidos de direita porque contam, pelo menos a priori, com alguma inocente expectativa e menos resistência dos trabalhadores.
E o sofisma supremo consiste em dizer que ser-se mais « flexivel » e individualista e perder direitos sociais não é de direita nem de esquerda. É do interesse de todos e é imposto pelas exigências da competitividade global… Ora porra !
O PS está a seguir fielmente o caminho que outros partidos « socialistas » na Europa já trilharam, isto é : em nome do pragmatismo, da eficácia, da globalização e do « bem comum » praticam políticas tipicamente de direita. E fazem-no ainda melhor do que os próprios partidos de direita porque contam, pelo menos a priori, com alguma inocente expectativa e menos resistência dos trabalhadores.
E o sofisma supremo consiste em dizer que ser-se mais « flexivel » e individualista e perder direitos sociais não é de direita nem de esquerda. É do interesse de todos e é imposto pelas exigências da competitividade global… Ora porra !
terça-feira, maio 29, 2007
Média e desvio padrão
Acho bem a greve geral de amanhã. Espero que os sindicatos coloquem o país perante o teste da realidade. Porque há uma minoria que prospera e que alimenta um "boom" do imobiliário de luxo (ler "Diário Económico" de ontem) e há a maioria que sofre e que teme pelo fim do mês. Este país não é o sucesso e a eficiência e o rigor que os socialistas e tecnocratas nos querem impingir. Este país tem bolsas de excelência e de sofisticação, mas a elas pertence apenas um punhado de eleitos. Este país avança nalgumas (poucas) àreas, mas existe o outro país, imenso, da ignorância, da interioridade, da doença, da habitação precária. Da miséria pura e simples... É preciso dar a voz a este país que não tem acesso aos espaços de protesto dos fortes e protegidos. E não venham com a trêta que o progresso implica sempre vencedores e vencidos e que a desigualdade é uma consequência, senão mesmo um ingrediente, da prosperidade média. O problema das médias são os desvios padrões. E os bons políticos minimizam o desvio padrão ao mesmo tempo que melhoram a média.
Sonhos
Às vezes fecho os olhos e sonho e vivo realmente aquilo que sonho. O que está no meu sonho é aquilo que conta e que existe. Basta querer que essas coisas existam e elas correm pela minha cabeça. Às vezes, rio-me de olhos fechados, a sonhar, e as pessoas devem pensar que sou maluco. Mas, não sou! São elas que não percebem nada e que continuam a viver aquém do sonho. Nos meus sonhos há de tudo: pessoas e paisagens e ternura e beijos e loucura e medo e alívio. E tristezas e traições que acabam com um abraço molhado de lágrimas de alegria. Nos meus sonhos há o que eu quero que haja e só isso. Faço dos meus olhos fechados um palco imenso onde passa uma vida que invento com a iluminação que escolho. E a vida que volta quando abro os olhos fica mais bonita e continuo a sorrir, agora de olhos bem abertos.
quinta-feira, maio 24, 2007
Porque - Sophia de Mello Breyner Andresen
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Serviços de saúde...
Hoje deparei-me com esta notícia no público online....
Não era suposto o acesso aos serviços de saúde serem públicos e humanos? Para onde foi aquela ideia de que a vida e a dignidade humana estão acima de tudo?
O hospital do Barreiro pediu ao tribunal uma providência cautelar para retirar das suas instalações uma doente em coma vegetativo, internada há seis anos, e apresentou à família uma factura de 200 mil euros pelos 2168 dias de internamento.
(...)
A direcção do hospital argumenta que precisa da cama ocupada "para hospitalizar outros doentes".
(...)
A direcção do hospital argumenta que precisa da cama ocupada "para hospitalizar outros doentes".
Não era suposto o acesso aos serviços de saúde serem públicos e humanos? Para onde foi aquela ideia de que a vida e a dignidade humana estão acima de tudo?
quarta-feira, maio 23, 2007
Divagação à volta da liberdade
Agora somos livres. Temos a responsabilidade de tudo ou quase tudo o que se passa nas nossas vidas. O império do livre-arbítrio, da soberania das escolhas individuais, do culto da diferença.
Antigamente, faziam-se coisas porque sim, ou porque os nossos pais, ou porque os nossos maridos, ou porque o Padre, ou porque não podia ser de outra maneira. Tinhamos o nosso percurso tutelado desde o berço até à cova. A vida era pré-determinada pela moral dominante, pela religião, pela família, pela comunidade. Não se contavam filmes: mostravam-se fotografias que apenas mudavam para mais amarelo com o passar dos anos. Havia poucas dúvidas e essas eram despachadas para os domínios (suspeitos) da arte, da loucura ou da marginalidade.
Agora estamos sós, sem saber muitas vezes o que fazer de tanta liberdade, devendo moldar o destino com as nossas próprias mãos. E o céu é o limite de tantas expectativas que, afinal de contas, nunca chegam a levantar vôo... Não deixamos de ser crianças, espantadas pela ilusão da ausência de punição e de restrições. Mas, elas existem... e como !
Carregamos sózinhos os sucessos e as derrotas que durante muito tempo atribuimos comodamente ao "sistema". A ilusão da liberdade individual fez-nos perder alibis. Ilusão que, apesar de tudo, é cada vez menos ilusão. E isso faz parte do progresso da Humanidade, no sentido da imanência e da libertação em relação ao obscurantismo e à opressão dos mitos. O avanço da liberdade, contudo, tem custos. Talvez os principais sejam a solidão e a quebra dos laços sociais.
O que vem provar, mais uma vez, que a vida é feita de contrastes, do sim e do não, da coexistência do bom e do mau. Que cada avanço comporta algum retrocesso. E que procurar conclusões unilaterais e definitivas é uma ficção. Talvez o único império intemporal e inexpugnável seja o da Razão.
Antigamente, faziam-se coisas porque sim, ou porque os nossos pais, ou porque os nossos maridos, ou porque o Padre, ou porque não podia ser de outra maneira. Tinhamos o nosso percurso tutelado desde o berço até à cova. A vida era pré-determinada pela moral dominante, pela religião, pela família, pela comunidade. Não se contavam filmes: mostravam-se fotografias que apenas mudavam para mais amarelo com o passar dos anos. Havia poucas dúvidas e essas eram despachadas para os domínios (suspeitos) da arte, da loucura ou da marginalidade.
Agora estamos sós, sem saber muitas vezes o que fazer de tanta liberdade, devendo moldar o destino com as nossas próprias mãos. E o céu é o limite de tantas expectativas que, afinal de contas, nunca chegam a levantar vôo... Não deixamos de ser crianças, espantadas pela ilusão da ausência de punição e de restrições. Mas, elas existem... e como !
Carregamos sózinhos os sucessos e as derrotas que durante muito tempo atribuimos comodamente ao "sistema". A ilusão da liberdade individual fez-nos perder alibis. Ilusão que, apesar de tudo, é cada vez menos ilusão. E isso faz parte do progresso da Humanidade, no sentido da imanência e da libertação em relação ao obscurantismo e à opressão dos mitos. O avanço da liberdade, contudo, tem custos. Talvez os principais sejam a solidão e a quebra dos laços sociais.
O que vem provar, mais uma vez, que a vida é feita de contrastes, do sim e do não, da coexistência do bom e do mau. Que cada avanço comporta algum retrocesso. E que procurar conclusões unilaterais e definitivas é uma ficção. Talvez o único império intemporal e inexpugnável seja o da Razão.
terça-feira, maio 22, 2007
Música (outra vez)
Tenho andado negligente aqui com o blog, mas a verdade é que não tenho muito tempo para parar e escrever... Mas agora que passei por cá decidi deixar umas músicas que me têm acompanhado ultimamente, todas de diferentes estilos.
- The Doors - Touch Me
- Quilapayun - Duerme Negrito
- Koop - Come To Me
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