Agora somos livres. Temos a responsabilidade de tudo ou quase tudo o que se passa nas nossas vidas. O império do livre-arbítrio, da soberania das escolhas individuais, do culto da diferença.
Antigamente, faziam-se coisas porque sim, ou porque os nossos pais, ou porque os nossos maridos, ou porque o Padre, ou porque não podia ser de outra maneira. Tinhamos o nosso percurso tutelado desde o berço até à cova. A vida era pré-determinada pela moral dominante, pela religião, pela família, pela comunidade. Não se contavam filmes: mostravam-se fotografias que apenas mudavam para mais amarelo com o passar dos anos. Havia poucas dúvidas e essas eram despachadas para os domínios (suspeitos) da arte, da loucura ou da marginalidade.
Agora estamos sós, sem saber muitas vezes o que fazer de tanta liberdade, devendo moldar o destino com as nossas próprias mãos. E o céu é o limite de tantas expectativas que, afinal de contas, nunca chegam a levantar vôo... Não deixamos de ser crianças, espantadas pela ilusão da ausência de punição e de restrições. Mas, elas existem... e como !
Carregamos sózinhos os sucessos e as derrotas que durante muito tempo atribuimos comodamente ao "sistema". A ilusão da liberdade individual fez-nos perder alibis. Ilusão que, apesar de tudo, é cada vez menos ilusão. E isso faz parte do progresso da Humanidade, no sentido da imanência e da libertação em relação ao obscurantismo e à opressão dos mitos. O avanço da liberdade, contudo, tem custos. Talvez os principais sejam a solidão e a quebra dos laços sociais.
O que vem provar, mais uma vez, que a vida é feita de contrastes, do sim e do não, da coexistência do bom e do mau. Que cada avanço comporta algum retrocesso. E que procurar conclusões unilaterais e definitivas é uma ficção. Talvez o único império intemporal e inexpugnável seja o da Razão.
quarta-feira, maio 23, 2007
terça-feira, maio 22, 2007
Música (outra vez)
Tenho andado negligente aqui com o blog, mas a verdade é que não tenho muito tempo para parar e escrever... Mas agora que passei por cá decidi deixar umas músicas que me têm acompanhado ultimamente, todas de diferentes estilos.
- The Doors - Touch Me
- Quilapayun - Duerme Negrito
- Koop - Come To Me
Estilos de vida
Um toiro encontrou uma formiga e perguntou-lhe como é que podia viver, sendo assim tão insignificante. A formiga fugiu a sete patas, com medo de tal enormidade. Refugiou-se num bocado de madeira inacessível ao dito cujo. Dali pôde então responder à besta, na plenitude da sua sabedoria. "Vivo cada minuto com plena consciência da minha precaridade, mas tentando alongar a vida, recolhendo pequenos bocados de comida, ajudando quem precisa e quem também me ajuda. Ocupo pouco espaço, faço pouco estrago e, sobretudo, não me preocupo com a posteridade". O toiro ouviu com atenção, olhando em todas as direcções. Não fazia a mínima ideia de onde saía aquela voz, baixa mas decidida. Respondeu que - ele - crescia e engordava nos poucos anos da sua existência para estar em forma num momento efémero de glòria e de vingança, no centro de uma arena cheia de barulho, de cor e de morte. A sua fúria servia apenas para esconder a tristeza e a fatalidade de um tal destino.
segunda-feira, maio 21, 2007
Flashs de Segunda-feira
A discriminação positiva chegou aos homosexuais: bancos na City em Londres estão a criar quotas mínimas para funcionários gay porque - parece - são muito produtivos e, por outro lado, isso faz bem à imagem politicamente correcta dos ditos empregadores.
Tony Blair apresta-se a engrossar o pelotão de Ex-presidentes e Ex-qualquer-coisa-importante que ganham mais na reforma a botar discursos do que quando detinham o poder...
Desconfia-se que, impante do seu dinamismo e estilo "casual", Sarkozy passe a escolher os colaboradores de acordo com a sua capacidade em acompanhar-lhe a passada durante o "jogging" matinal.
Valentino Rossi deixou de ganhar GPs e de dizer piadas. Até há pouco tempo, transpirava espírito de humor, sobretudo, nas raras derrotas.
O Porto ganhou o campeonato.
A União Europeia não se entende com a Russia do Sr. Putin sobre energia, defesa e... liberdade...
A vida é curta e o futuro nunca chega.
Tony Blair apresta-se a engrossar o pelotão de Ex-presidentes e Ex-qualquer-coisa-importante que ganham mais na reforma a botar discursos do que quando detinham o poder...
Desconfia-se que, impante do seu dinamismo e estilo "casual", Sarkozy passe a escolher os colaboradores de acordo com a sua capacidade em acompanhar-lhe a passada durante o "jogging" matinal.
Valentino Rossi deixou de ganhar GPs e de dizer piadas. Até há pouco tempo, transpirava espírito de humor, sobretudo, nas raras derrotas.
O Porto ganhou o campeonato.
A União Europeia não se entende com a Russia do Sr. Putin sobre energia, defesa e... liberdade...
A vida é curta e o futuro nunca chega.
sábado, maio 19, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
Madeleine
É espantosa a mediatização do caso Madeleine. Tornou-se um objecto de notícias global. Toda a gente estará de acordo que, se isso contribuir para encontrar a menina sã e salva rapidamente, óptimo ! Que se faça ainda mais publicidade… Mas, não somos ingénuos nem parvos e os vários interesses (imprensa, turismo, etc.) que se movem à volta do caso tornaram-se absolutamente incríveis, à mistura com um voyeurismo detestável. Até a honra da Pátria parece estar em jogo com a melhor ou pior prestação da (hiper-mobilizada) polícia portuguesa... A origem (nacional e social) da menina e o apetite dos espíritos mórbidos pela desgraça alheia não serão estranhos ao espectáculo montado em torno do drama de Madeleine e da família. Infelizmente, há várias outras Madeleine que desaparecem todos os dias, particularmente em países do Terceiro Mundo, paraísos (demasiado distantes ?) do comércio de crianças, e que deveriam chocar da mesma maneira a opinião pública mundial e provocar a mobilização de meios idênticos para a sua busca e, sobretudo, para a prevenção da praga de que são vítimas.
Já agora um « detalhe » : aquele tipo a que chamam criminologista, que se tem apresentado todos os dias no Telejornal das 20 horas da RTP1, para comentar o caso com o Rodrigues dos Santos devia ser processado ! A ligeireza com que se refere à investigação, as conjecturas que se permite fazer acerca de coisas como as opções sexuais dos pais de Madeleine, a superficialidade com que se refere ao perfil psicológico de um suposto raptor, os « conselhos » que dá à polícia para encontrar vestígios de cabelos, de sangue, de esperma... Aquilo não é um criminologista. Aquilo é um fala-barato a puxar para a perversidade, num caso tão sensível como este. Como é que a RTP se permite pôr no ar um tal monumento à falta de moderação e de objectividade, uma tal torneira de torpes insinuações ?
Já agora um « detalhe » : aquele tipo a que chamam criminologista, que se tem apresentado todos os dias no Telejornal das 20 horas da RTP1, para comentar o caso com o Rodrigues dos Santos devia ser processado ! A ligeireza com que se refere à investigação, as conjecturas que se permite fazer acerca de coisas como as opções sexuais dos pais de Madeleine, a superficialidade com que se refere ao perfil psicológico de um suposto raptor, os « conselhos » que dá à polícia para encontrar vestígios de cabelos, de sangue, de esperma... Aquilo não é um criminologista. Aquilo é um fala-barato a puxar para a perversidade, num caso tão sensível como este. Como é que a RTP se permite pôr no ar um tal monumento à falta de moderação e de objectividade, uma tal torneira de torpes insinuações ?
segunda-feira, maio 14, 2007
À procura da "market failure" perdida
Ando à procura da "market failure". Alguém a viu por aí ? "Market failure" quer dizer coisas úteis que a economia de mercado não fornece. Portanto, coisas que o Estado deve fornecer. "Market failure" é uma justificação para as excepções ao mercado numa economia de mercado.
Há os chamados "bens ou serviços públicos" (aos quais não se aplicam os princípios da exclusão / rivalidade), mas também há outros bens e serviços que não serão fornecidos nas condições colectivamente mais desejáveis, caso sejam deixados apenas ao critério da iniciativa privada. Isto é: o interesse de todos supera a adição dos interesses privados. É para não deixar cair no vazio estas situações que servem os serviços públicos.
Principalmente nas economias mais desenvolvidas, cada vez mais inspiradas pela tecnocracia e pelo neo-liberalismo, o território tradicional dos serviços públicos tem sido ocupado pelos operadores privados. Sectores como a energia, as telecomunicações, os transportes, o ambiente, a saúde, a educação, a justiça têm sido total ou parcialmente privatizados. Diz-se que, assim, se aumenta a eficiência e se aligeira o peso do Estado e, portanto, dos impostos. Para disciplinar minimamente sectores estratégicos e para acautelar os interesses dos consumidores, o Estado cria então entidades de regulação e de defesa da concorrência. As lógicas do mercado e da livre iniciativa parece terem lógica... O Estado passa a ser apenas mais um agente do mercado, a que se rende, como os consumidores ou os produtores. Naturalmente que, para além do lado da produção de bens e da prestação de serviços, também há o lado da distribuição do rendimento.
É provável que os "antigos" bens ou serviços públicos passem a ser mais caros se fornecidos por empresas privadas. Talvez a eficiência da produção e a sua qualidade aumentem, mas o preço também passa a incorporar uma taxa de lucro que não seria requerida pelo Estado. Tornam-se, portanto, acessíveis nas quantidades necessárias apenas a alguns, aos menos desfavorecidos na partilha do bolo social. A universalidade e a igualdade no acesso a bens e serviços como a educação e a saúde são quebradas. Na melhor das hipóteses, desenvolver-se-à um mercado dual: de um lado, os serviços prestados pelo Estado para os pobres, do outro, os serviços prestados pelo sector privado, possivelmente em maiores quantidade e qualidade, para os ricos. Naturalmente simplifico… O Estado, com ligeiros problemas de consciência, para não deixar completamente cair os mais pobres e para defender a paz social, recorrerá, a contra-gosto, aos impostos para assegurar um mínimo de serviços sociais. Mas, o princípio fundamental é o de defender a eficiência e a racionalidade privada numa sociedade dominada pelo indíviduo, pela livre iniciativa, em que a solidariedade é considerada mais um custo do que um valor em si mesmo. A sociedade e a vida transformam-se num imenso mercado, governado pelos interesses individuais, de que resultará, por uma passe de magia, o interesse colectivo. Enfim, a famosa Mão Invisível do incontornável Adam Smith com todas as suas variantes e sofisticações mais ou menos econométricas...
A desigualdade seria fisiológica ao funcionamento do sistema e a procura da igualdade teria custos excessivos e levaria a uma afectação não óptima dos recursos.
Na prática, para além da verborreia teórica, os fracos são tolerados, os fortes são compensados e o chamado mérito é a ideologia suprema, atropelada vezes sem conta por nepotismos e clientelismos de que se alimentam certas élites.
Programa político? Só há um: melhorar as condições de vida através da promoção do esforço individual, tratando a sociedade como uma soma de indivíduos e como um espaço de maximização da eficiência. As soluções são essencialmente técnicas e consensuais. A principal diferença entre a direita e a esquerda (ambas do centro) é o grau de ajuda aos que jogam menos bem a partida da performance.
Há os chamados "bens ou serviços públicos" (aos quais não se aplicam os princípios da exclusão / rivalidade), mas também há outros bens e serviços que não serão fornecidos nas condições colectivamente mais desejáveis, caso sejam deixados apenas ao critério da iniciativa privada. Isto é: o interesse de todos supera a adição dos interesses privados. É para não deixar cair no vazio estas situações que servem os serviços públicos.
Principalmente nas economias mais desenvolvidas, cada vez mais inspiradas pela tecnocracia e pelo neo-liberalismo, o território tradicional dos serviços públicos tem sido ocupado pelos operadores privados. Sectores como a energia, as telecomunicações, os transportes, o ambiente, a saúde, a educação, a justiça têm sido total ou parcialmente privatizados. Diz-se que, assim, se aumenta a eficiência e se aligeira o peso do Estado e, portanto, dos impostos. Para disciplinar minimamente sectores estratégicos e para acautelar os interesses dos consumidores, o Estado cria então entidades de regulação e de defesa da concorrência. As lógicas do mercado e da livre iniciativa parece terem lógica... O Estado passa a ser apenas mais um agente do mercado, a que se rende, como os consumidores ou os produtores. Naturalmente que, para além do lado da produção de bens e da prestação de serviços, também há o lado da distribuição do rendimento.
É provável que os "antigos" bens ou serviços públicos passem a ser mais caros se fornecidos por empresas privadas. Talvez a eficiência da produção e a sua qualidade aumentem, mas o preço também passa a incorporar uma taxa de lucro que não seria requerida pelo Estado. Tornam-se, portanto, acessíveis nas quantidades necessárias apenas a alguns, aos menos desfavorecidos na partilha do bolo social. A universalidade e a igualdade no acesso a bens e serviços como a educação e a saúde são quebradas. Na melhor das hipóteses, desenvolver-se-à um mercado dual: de um lado, os serviços prestados pelo Estado para os pobres, do outro, os serviços prestados pelo sector privado, possivelmente em maiores quantidade e qualidade, para os ricos. Naturalmente simplifico… O Estado, com ligeiros problemas de consciência, para não deixar completamente cair os mais pobres e para defender a paz social, recorrerá, a contra-gosto, aos impostos para assegurar um mínimo de serviços sociais. Mas, o princípio fundamental é o de defender a eficiência e a racionalidade privada numa sociedade dominada pelo indíviduo, pela livre iniciativa, em que a solidariedade é considerada mais um custo do que um valor em si mesmo. A sociedade e a vida transformam-se num imenso mercado, governado pelos interesses individuais, de que resultará, por uma passe de magia, o interesse colectivo. Enfim, a famosa Mão Invisível do incontornável Adam Smith com todas as suas variantes e sofisticações mais ou menos econométricas...
A desigualdade seria fisiológica ao funcionamento do sistema e a procura da igualdade teria custos excessivos e levaria a uma afectação não óptima dos recursos.
Na prática, para além da verborreia teórica, os fracos são tolerados, os fortes são compensados e o chamado mérito é a ideologia suprema, atropelada vezes sem conta por nepotismos e clientelismos de que se alimentam certas élites.
Programa político? Só há um: melhorar as condições de vida através da promoção do esforço individual, tratando a sociedade como uma soma de indivíduos e como um espaço de maximização da eficiência. As soluções são essencialmente técnicas e consensuais. A principal diferença entre a direita e a esquerda (ambas do centro) é o grau de ajuda aos que jogam menos bem a partida da performance.
Religião
- Que religião é a tua? - perguntou um homem de certa idade, que estava num extremo da balsa, junto do seu carro.
- Não tenho nenhuma religião. Porque não creio em ninguém mais do que em mim mesmo - replicou o velho com ar resoluto.
- Como pode uma pessoa crer em si mesma ? Pode enganar-se - objectou Nekliudov, intervindo na conversa.
- Nunca! - exclamou o velho abanando a cabeça.
- Porque há então diferentes religiões ?- interrogou Nekliudov.
- Porque as pessoas crêem precisamente nessas religiões e não crêem em si mesmas. Também eu acreditei nos outros e perdi-me como numa floresta. Estava tão confuso que julguei não poder mais encontrar o caminho. Conheci múltiplas religiões diferentes. Todas se louvam a si mesmas. Todas se foram propagando, tal como uns carneiros cegos arrastam outros consigo. Há muitas religiões, mas o espírito é único. É o mesmo em ti, em vós e em mim. Assim, pois, cada um de nós tem de acreditar no seu espírito, e deste modo todos estamos unidos.
- Não tenho nenhuma religião. Porque não creio em ninguém mais do que em mim mesmo - replicou o velho com ar resoluto.
- Como pode uma pessoa crer em si mesma ? Pode enganar-se - objectou Nekliudov, intervindo na conversa.
- Nunca! - exclamou o velho abanando a cabeça.
- Porque há então diferentes religiões ?- interrogou Nekliudov.
- Porque as pessoas crêem precisamente nessas religiões e não crêem em si mesmas. Também eu acreditei nos outros e perdi-me como numa floresta. Estava tão confuso que julguei não poder mais encontrar o caminho. Conheci múltiplas religiões diferentes. Todas se louvam a si mesmas. Todas se foram propagando, tal como uns carneiros cegos arrastam outros consigo. Há muitas religiões, mas o espírito é único. É o mesmo em ti, em vós e em mim. Assim, pois, cada um de nós tem de acreditar no seu espírito, e deste modo todos estamos unidos.
Leon Tolstoi
sábado, maio 12, 2007
Notícias de Itália
Hoje, em Itália, é o chamado "Family Day". Movimentos católicos e laicos reunem-se em manifestações separadas em Roma para defender, respectivamente, a família tradicional e formas alternativas de família. Um verdadeiro contraste de valores, um confronto entre a ortodoxia da Igreja e a "marginalidade" dos que "ousam" defender as uniões de facto, os gays, as adopções por casais homosexuais, etc.
O presidente da câmara de Pádua, a terra de adopção de Santo António, decidiu multar os clientes das prostitutas em zonas da cidade literalmente assaltadas pela desvergonha. Os e as profissionais do sexo (eufemismo para designar putas, paneleiros, trans-sexuais e quejandos) reagiram, oferecendo sexo gratuito aos "prevaricadores", na condição de eles mostrarem o talão da multa. E no próximo dia 16 organizam uma manifestação, conjuntamente com os movimentos "no global", contra a hipocrisia e a repressão da autarquia que, por sua vez, diz interpretar apenas a cólera dos pobres moradores daquele bairro que estão fartos de tanto desaforo, ruído e imundice.
Um autocarro escolar despistou-se no norte da Itália, entre Milão e Turim, há poucos dias. Morreram 2 das 40 crianças que viajavam no veículo e muitas outras ficaram feridas. O motorista, um homem de 31 anos, tinha consumido haxixe pouco antes do ínicio da viagem e foi preso. O debate sobre o consumo das chamadas drogas leves foi vivamente relançado, com estudos científicos a tentar provar que o consumo regular, mesmo dessas drogas, supostamente leves, provoca graves danos à capacidade física e intelectual dos consumidores.
O presidente da câmara de Pádua, a terra de adopção de Santo António, decidiu multar os clientes das prostitutas em zonas da cidade literalmente assaltadas pela desvergonha. Os e as profissionais do sexo (eufemismo para designar putas, paneleiros, trans-sexuais e quejandos) reagiram, oferecendo sexo gratuito aos "prevaricadores", na condição de eles mostrarem o talão da multa. E no próximo dia 16 organizam uma manifestação, conjuntamente com os movimentos "no global", contra a hipocrisia e a repressão da autarquia que, por sua vez, diz interpretar apenas a cólera dos pobres moradores daquele bairro que estão fartos de tanto desaforo, ruído e imundice.
Um autocarro escolar despistou-se no norte da Itália, entre Milão e Turim, há poucos dias. Morreram 2 das 40 crianças que viajavam no veículo e muitas outras ficaram feridas. O motorista, um homem de 31 anos, tinha consumido haxixe pouco antes do ínicio da viagem e foi preso. O debate sobre o consumo das chamadas drogas leves foi vivamente relançado, com estudos científicos a tentar provar que o consumo regular, mesmo dessas drogas, supostamente leves, provoca graves danos à capacidade física e intelectual dos consumidores.
sexta-feira, maio 11, 2007
Sísifo
Um tipo caminhava por uma estrada acima. O sol punha-se no cimo da estrada e a luz era doce como algodão. Dos dois lados da estrada havia choupos como aqueles que se encontram à beira dos rios. Mas, era uma estrada alcatroada e de àgua não havia o mais pequeno vestígio. A estrada continuava a subir como se se desdobrasse de forma inesperada, como se subisse até ao céu para tocar o sol que nunca se punha. Mas, dava a impressão que podia desaparecer a qualquer momento, por trás da estrada que se estendia para o infinito como uma lingua comprida de asfalto. Tudo parecia, ao mesmo tempo, efémero e eterno. Tudo podia acabar repentinamente ou continuar indefinidamente. Excepto o tipo que persistia em caminhar pela estrada acima. Talvez nem precisasse do sol a resistir no cimo da estrada, nem de dúvidas em relação aos choupos, nem da estrada...Vem-me agora à ideia o mito de Sísifo que foi condenado pelos deuses a empurrar uma pedra enorme até ao cimo de uma colina, por ter contado aos mortais os segredos dos deuses. De cada vez que se aproximava do cume e que estava prestes a depositar ali a pedra, de tão extenuado, deixava-a cair pela colina abaixo. Sísifo recomeçava então a partir do sopé. E assim foi vezes sem conta e assim será por toda a eternidade.
quarta-feira, maio 09, 2007
Assim vai o mundo
- O Papa é um princípe do espírito - não é um amigo dos pobres e desfavorecidos. Está no Brasil a dormir em lençóis luso-brasileiros. Valha-nos deus.
- O Santana Lopes mete dó. É patético. Alcoólicos anónimos?
- O Tony Carreira é fixe. É genuíno e apoia a Sabrina. Não sabem quem é a Sabrina? Vejam o festival da Eurovisão deste ano. Simplesmente hilariante.
- O Cavaco Silva é algarvio. Só algarvio...
- A Maria Barroso continua a defender o "habeas corpus". Bem haja. Aquelas rugas valem todos os epitáfios... e que viva muitos anos. Uma verdadeira senhora, uma aristocrata da república.
- O Sarkozy anda de óculos escuros e faz política a partir de iates de luxo no meio do Mediterrâneo. Assim, mostra às putas quem são os coirões...
- Os ingleses acham que a nossa polícia é tão fraquinha como nós e choram pela menina desaparecida. Os empresários dos hotéis e do betão fazem contas à vida... E o coração fica mais pequeno do que um grão de arroz.
- O Paulo (Teixeira Pinto) treme com a gaffe do BPI, mas o Jardim Gonçalves não dorme e o BCP é como o aço... E como a Opus Dei... Banalidades!
- O Benfica não ganha e os gajos andam todos pela sala de operações.
- Oxalá a Académica não desça. Nunca se sabe... Todos os anos a mesma merda!
- A Ryanair já não é o que era. Os preços sobem e eles continuam a dizer que a culpa é dos políticos por causa das taxas dos aeroportos... Puta que os pariu! Quero dizer: os gajos da Ryanair. Os políticos são sempre a mesma trêta...
- O Rio de Janeiro é bonito e feio, rico e pobre, sujo e limpo, violento e pacífico, divertido e triste, ruidoso e silencioso. O Rio de Janeiro é brasileiro e universal à enésima potência dos contrastes.
- A Bolsa de Lisboa subiu hoje 0.29%. Uma ninharia. Estou-me nas tintas...
terça-feira, maio 08, 2007
Gershwin
segunda-feira, maio 07, 2007
Filosofia barata
Segundo Cristo, o Bem deveria ser praticado na Terra para se conquistar o reino dos céus. Praticar o Mal levaria à punição e ao Inferno. Portanto, fazer o Bem seria essencialmente do interesse de cada ser humano. O interesse em salvar a pele e em evitar o castigo divino seria o principal móbil do Bem que, depois, se traduziria também no amor pelos semelhantes. Para Kant o Bem deveria ser praticado... porque sim. O Bem seria um daqueles princípios universais indiscutíveis que se seguem pelo simples motivo de se ser Humano, sem medo de punições, sem expectativa de qualquer recompensa, terrena ou extra-terrena. Para Kant o Bem é uma norma de base, um princípio estruturador, fora do espaço e do tempo que, paradoxalmente, extravasa da Moral.
O altruísmo genuíno pode-se entender na base de dois conceitos: a razão e o lado universal da natureza humana. A razão afasta-nos dos preconceitos, dos impulsos e da vaidade, dá-nos lucidez para compreender que, do egoísmo, em última instância, não resulta o Bem de todos. Do egoísmo só pode resultar a vantagem de alguns na medida em que outros sejam papalvos. Ora, com a razão não há papalvos e sem papalvos o altruísmo é a melhor estratégia para todos. A universalidade da natureza humana leva-nos a colocarmo-nos na pele dos destinatários ou agentes passivos dos nossos actos. Traduz-se nesta coisa muito simples: "Se eu estivesse na pele do outro, como encararia o que estou para lhe fazer?" Isto é: pôr-se na pele do outro, sair de si e do círculo restrito dos próprios interesses e vivências é a melhor demonstração dos benefícios do altruísmo.
Tudo isto veio a propósito de saber se poderia existir uma alternativa ao individualismo desenfreado e à prossecução de interesses puramente pessoais (por mais legítimos que possam ser ou parecer). Isto é: qual é a lógica (e o interesse...) do Bem e do altruísmo?
O altruísmo genuíno pode-se entender na base de dois conceitos: a razão e o lado universal da natureza humana. A razão afasta-nos dos preconceitos, dos impulsos e da vaidade, dá-nos lucidez para compreender que, do egoísmo, em última instância, não resulta o Bem de todos. Do egoísmo só pode resultar a vantagem de alguns na medida em que outros sejam papalvos. Ora, com a razão não há papalvos e sem papalvos o altruísmo é a melhor estratégia para todos. A universalidade da natureza humana leva-nos a colocarmo-nos na pele dos destinatários ou agentes passivos dos nossos actos. Traduz-se nesta coisa muito simples: "Se eu estivesse na pele do outro, como encararia o que estou para lhe fazer?" Isto é: pôr-se na pele do outro, sair de si e do círculo restrito dos próprios interesses e vivências é a melhor demonstração dos benefícios do altruísmo.
Tudo isto veio a propósito de saber se poderia existir uma alternativa ao individualismo desenfreado e à prossecução de interesses puramente pessoais (por mais legítimos que possam ser ou parecer). Isto é: qual é a lógica (e o interesse...) do Bem e do altruísmo?
domingo, maio 06, 2007
Competências
Todos temos àreas de competência e àreas de incompetência. É normal, é humano. Ninguém é bom em tudo... salvo os candidatos a génio que queiram emular Leonardo Da Vinci. As pessoas inteligentes metem em relevo as suas competências, procuram tirar o máximo partido delas e aceitam serenamente as suas incompetências, não insistem em fazer de conta que são conhecedores daquilo que manifestamente não sabem. Não há nada de mais pungente e rídiculo do que assistir ao espectáculo daqueles que se querem mostrar especialistas em matérias que claramente não dominam. E quando resvalam na mentira, na invenção despudorada, na manipulação, com a maior das convicções, aí tornam-se patéticos, vergonhosos e, no limite, desonestos. Parecem aqueles miúdos apanhados a fazer traquinices que estrebucham com desculpas inverosímeis.
Sarko
Sarkozy, o filho de imigrantes húngaros, ganhou hoje as presidenciais francesas com 53% dos votos contra 47% de Ségolène Royal, resultados próximos das mais recentes sondagens. A abstenção foi de novo muito baixa. A principal explicação (estatística) para a vitória de Sarkozy (35% na 1a. volta) foram os votos dos eleitores de Le Pen (11% na 1a. volta). Efectivamente, 66% votaram Sarkozy na 2a. volta, 15% votaram Royal e 19% abstiveram-se. Le Pen tinha apelado a uma abstenção maciça... Quanto aos eleitores do "centrista" Bayrou (19% na 1a. volta) distribuíram-se igualmente pelos dois finalistas: 40% Sarkozy, 40% Royal e 20% abstiveram-se. No discurso logo após o anúncio dos resultados, Sarkozy disse que os valores da sua presidência serão: o trabalho, a autoridade, a moral, o respeito e o mérito... Enalteceu o amor pela Pátria: "os franceses têm de ser orgulhosos do seu país" (ainda mais?). Declarou a sua simpatia pelos Estados Unidos e a necessidade de estreitar ainda mais as relações entre a França e aquele país. Apelou a uma cooperação reforçada da Europa com os países do Norte de África e ao desenvolvimento do Mediterrâneo como espaço geo-político cada vez mais central. Apropriou-se de um dos temas favoritos da sua adversária, dizendo querer defender as mulheres em todas as situações em que sofram de marginalização ou submissão ("fim às burkas", proclamou).
Noites do Parque

O cartaz das noites do parque é mau, o recinto está cada vez pior, as noites passam a ser mais comerciais e menos viradas para a tradição académica, a bebida é cara, a comida também. Há sempre magotes de gente que impedem que se passe de um lado ao outro do recinto sem levar 540.128 encontrões e o convívio com bêbedos "terminais" é inevitável. Contudo, para além de uma boa companhia, ainda há uma coisa que dá magia às noites naquele recinto: olhar para o outro lado do rio e admirar a torre da universidade com uma iluminação fantástica... Ontem, no parque, senti que esta cidade é mesmo bonita!
sexta-feira, maio 04, 2007
O Portugal de A a Z
Vale a pena clicar no título deste post e gastar um bocadinho a ver esta fantástica enciclopédia...
Via: Blogotinha
Campeões nacionais da economia
A Brisa (o nosso campeão das auto-estradas), conjuntamente com uma empresa brasileira, ganhou um contrato de concessão de auto-estradas no Estado do Colorado, América do Norte. O problema é que tem de ficar a pagar uma dívida de mais de 400 milhões de dólares, considerada crédito mal-parado pelas agências de rating…
A solução para o novo aeroporto de Lisboa (onde quer que venha a ser construído...) é muito mais sofisticada do que se poderia pensar. Consiste em dividir a empresa pública ANA (Aeroportos e Navegação Aérea) em duas empresas : uma responsável, apenas, pela navegação aérea e outra pela gestão de todos os aeroportos nacionais. A esta última sociedade (chamemos-lhe NovaSoc) seria atribuida também a concessão para a construção, financiamento e exploração do novo aeroporto de Lisboa. A seguir, a NovaSoc seria privatizada. Isto é: de uma assentada, privatizar-se-ia, não apenas o novo aeroporto de Lisboa, mas todos os aeroportos do país. Não se sabe se isto seria uma alternativa à utilização do dinheiro dos contribuintes para construir o novo aeroporto ou se se acrescentaria, de qualquer maneira, a alguma contribuição do Estado… De referir que, considerando a elevada rendibilidade das concessões de aeroportos, não será díficil encontrar compradores para a NovaSoc (Mota/Engil, Somague e os bancos do costume serão concerteza candidatos…).
A solução para o novo aeroporto de Lisboa (onde quer que venha a ser construído...) é muito mais sofisticada do que se poderia pensar. Consiste em dividir a empresa pública ANA (Aeroportos e Navegação Aérea) em duas empresas : uma responsável, apenas, pela navegação aérea e outra pela gestão de todos os aeroportos nacionais. A esta última sociedade (chamemos-lhe NovaSoc) seria atribuida também a concessão para a construção, financiamento e exploração do novo aeroporto de Lisboa. A seguir, a NovaSoc seria privatizada. Isto é: de uma assentada, privatizar-se-ia, não apenas o novo aeroporto de Lisboa, mas todos os aeroportos do país. Não se sabe se isto seria uma alternativa à utilização do dinheiro dos contribuintes para construir o novo aeroporto ou se se acrescentaria, de qualquer maneira, a alguma contribuição do Estado… De referir que, considerando a elevada rendibilidade das concessões de aeroportos, não será díficil encontrar compradores para a NovaSoc (Mota/Engil, Somague e os bancos do costume serão concerteza candidatos…).
quinta-feira, maio 03, 2007
Política à portuguesa
Na Grande Entrevista de hoje com Marques Mendes, Judite de Sousa esteve mais histérica e provocadora do que nunca, tentando causar um embaraço gratuito, repetindo as mesmas questões vezes sem conta de um modo viperino e essencialmente inútil (toda a gente percebe muitíssimo bem as enormes contradições em que o PSD caiu...). Quanto a Marques Mendes meteu, de facto, os pés pelas mãos quanto ao caso da Câmara de Lisboa, suscitando pena pela falta de autoridade em todo o imbróglio com Carmona Rodrigues e quejandos. Enfim, lamentável... Mas, o que me causou grande espanto foi uma frase do dirigente do PSD, de resto repetida pelo dito-cujo, e a que a intrépida jornalista não deu a mínima importância. Disse o Dr. Mendes, para explicar a relutância em ir para eleições intercalares em Lisboa (apesar de, finalmente, as considerar inevitáveis):
"nunca é fácil um partido jogar o poder nas mãos dos eleitores"
Terei ouvido bem ou o homem aceita a contra-gosto uma das regras mais elementares da democracia ? Que bom estar no poder e nas tintas para os eleitores ? Que deus nos livre de tudo o que nos possa colocar perante o voto dos cidadãos ?
PS (quero dizer, Post-Scriptum...): é alucinante o ritmo a que se sucedem as picardias entre o PS e o PSD nos últimos tempos, feitas de escândalos, processos judiciais e acusações fundadas ou infundadas; a luta pelo poder e o modo como se traduz em ataques à integridade pessoal atingem níveis patológicos; depois da história da engenharia de Sócrates, algum contra-ataque violento seria de esperar; e as coisas não vão ficar por aqui; à suivre...
"nunca é fácil um partido jogar o poder nas mãos dos eleitores"
Terei ouvido bem ou o homem aceita a contra-gosto uma das regras mais elementares da democracia ? Que bom estar no poder e nas tintas para os eleitores ? Que deus nos livre de tudo o que nos possa colocar perante o voto dos cidadãos ?
PS (quero dizer, Post-Scriptum...): é alucinante o ritmo a que se sucedem as picardias entre o PS e o PSD nos últimos tempos, feitas de escândalos, processos judiciais e acusações fundadas ou infundadas; a luta pelo poder e o modo como se traduz em ataques à integridade pessoal atingem níveis patológicos; depois da história da engenharia de Sócrates, algum contra-ataque violento seria de esperar; e as coisas não vão ficar por aqui; à suivre...
Jardín...
Latin'América?
O eterno candidato a líder vitalício da ilha atlântica de Cubanão, Alberto Juan Jardín, faz um discurso, durante a segunda das três inaugurações diárias, exaltando o povo contra os antigos senhores coloniais, que exploraram o pobre povo cubanês. Entretanto, um descendente de uma dessas famílias, interrompe o discurso oficial chamando "mentiroso" ao líder do partido (quase) único de Cubanão. De imediato, uma jovem apoiante de Jardín ameaça "aquelas bestas com uma porrada" passando de imediato das palavras às acções. De seguida, um homem de cadeira de rodas eléctrica, com uma criança ao colo, tenta atropelar o incauto opositor. A contragosto, a polícia interfere, impedindo o linchamento popular. O líder diz que não se apercebeu da confusão, e segue apressado para a terceira (e última) inauguração do dia.
Fantasia? Lamento...infelizmente não!
O eterno candidato a líder vitalício da ilha atlântica de Cubanão, Alberto Juan Jardín, faz um discurso, durante a segunda das três inaugurações diárias, exaltando o povo contra os antigos senhores coloniais, que exploraram o pobre povo cubanês. Entretanto, um descendente de uma dessas famílias, interrompe o discurso oficial chamando "mentiroso" ao líder do partido (quase) único de Cubanão. De imediato, uma jovem apoiante de Jardín ameaça "aquelas bestas com uma porrada" passando de imediato das palavras às acções. De seguida, um homem de cadeira de rodas eléctrica, com uma criança ao colo, tenta atropelar o incauto opositor. A contragosto, a polícia interfere, impedindo o linchamento popular. O líder diz que não se apercebeu da confusão, e segue apressado para a terceira (e última) inauguração do dia.
Fantasia? Lamento...infelizmente não!
quarta-feira, maio 02, 2007
Milão / Manchester e Ségolène / Sarkozy
Debate de hoje Ségolène/Sarkozy. Demasiada técnica de cordel. Pouquíssima ideologia e, sobretudo, tanta demagogia. Não se ouviu uma única ideia original. Mas, quem arriscaria tal coisa a menos de uma semana da grande final... E depois, estes politicos debitam com grande pompa e circunstância as dicas que os conselheiros lhes sussurram entre uma e outra leitura da moda. Impressionante como o grande show foi preparado e dramatizado pelos aparelhos de ambos os candidatos e pela comunicação social, ciosa de vender publicidade no antes e no depois. Curiosamente, à mesma hora, outro grande show atraiu outras atenções e teve um desfecho bem mais concludente: o Milão derrotou o Manchester por 3-0 e está na final da Taça dos Campeões contra o Liverpool que levou a melhor ontem contra o Chelsea do herói Mourinho, por grandes penalidades. O homem é duro de roer mesmo na derrota. Talvez, como Ségolène, a mulher dos olhos metálicos e do sorriso falso. E houve pessoas - como eu - que se dividiram, com idêntica sensaboria entre as duas meias-finais. Refiro-me à de Milão e à da televisão francesa entre os dois candidatos a Presidente da França. Espero que o destino de um país como a França não se jogue num ringue mediático em que se esgrimem ideias telegráficas e frases assassinas à espera de qualquer descompostura do adversário.
Ai Benfica.......
É curioso percorrer os jornais on line de hoje e encontrar estas duas notícias no mesmo dia:
Quem é o próximo???
;)
;)
terça-feira, maio 01, 2007
1° de Maio 2007
Fui ver o filme "Goodbye Bafana" que conta a história de um guarda prisional sul-africano entre os anos 60 e o fim do apartheid em 1992. Fez-me lembrar um outro filme que vi recentemente ("A Vida dos Outros") dado que, também neste caso, o polícia muda de opinião em relação às causas em disputa e torna-se amigo do prisioneiro. São filmes sobre os valores da liberdade, igualdade e dignidade que se sobrepõem a outras fidelidades e conveniências. São filmes que retratam o sentido que a vida tem na defesa de ideais que vão para além dos interesses individuais imediatos. Filmes sobre grandes causas que parecem escassear também neste dia 1° de Maio em que, para além de um punhado de manifestações das centrais sindicais, não acontece nada de relevante... salvo ficar na cama até mais tarde, ir almoçar fora com a familia ou os amigos, passear nos jardins para celebrar a Primavera ou ir pela enésima vez ao centro comercial desperdiçar um tempo precioso... E por que não ? Afinal somos todos mais ou menos mortais e não temos de passar 27 anos na prisão como Nelson Mandela para ajudar a libertar um povo tratado como gado durante séculos.
domingo, abril 29, 2007
O cúmulo da solidão
Um japonês que vivia sózinho em Tóquio morreu no seu apartamento. Dez anos depois, a polícia entrou, finalmente, no apartamento e encontrou o esqueleto do desgraçado. Os exames efectuados levaram à conclusão de que se tratou de um "simples" ataque cardíaco.
Dez anos de solidão de um morto. Quantos anos de extrema solidão de um vivo, no meio de uma enorme cidade de um dos países mais "desenvolvidos" do mundo...
Dez anos de solidão de um morto. Quantos anos de extrema solidão de um vivo, no meio de uma enorme cidade de um dos países mais "desenvolvidos" do mundo...
sábado, abril 28, 2007
Portugal - um retrato social
O programa da RTP "Portugal - um retrato social" da autoria de António Barreto com música magnífica de Rodrigo Leão não se deve perder. É simples, consiste numa recolha extensa de documentos de antanho e representa bem as mudanças que este país viveu nos últimos 50 anos. António Barreto é um sociólogo prestigiado, com várias facetas políticas, nem sempre convivendo bem com o(s) poder(es), um exemplo de rigor, elevação intelectual e honestidade. O único senão do programa poderá ser um excesso de pessimismo e uma certa propensão para relevar os aspectos negativos das mudanças (que os há e, infelizmente, são tantos). Mas, o programa é muito útil para nos alertar, de uma forma visual e com base num texto acessível e persuasivo, para as enormes transformações que ocorreram na nossa sociedade e de que, emersos num quotidiano urgente, tendemos a esquecer-nos. Espero com impaciência a edição em DVD porque não gravei...
quinta-feira, abril 26, 2007
Felicidade II
Lembram-se quando disse que a felicidade não existe enquanto estado permanente, mas apenas momentâneo? (Acerca disso referi a história dos peixes que comprei à minha afilhada...)
Ontem tive a prova disso: um dos peixes morreu. (Cabrão do animal, nem uma semana se aguentou)
Ontem tive a prova disso: um dos peixes morreu. (Cabrão do animal, nem uma semana se aguentou)
25 DE ABRIL
Ontem foi 25 de Abril e, todos os anos, essa data me faz sentir, ao mesmo tempo, velho, triste e feliz.
O tempo é assassino e 33 anos são tantos. A memória dilui-se, as imagens de alegria e de vontade de mudança tornam-se cada vez mais amarelas. Tive sorte de viver esse período escaldante, entre 1974 e 1976, durante o qual as convicções se defendiam com força e inocência e se pensava que a sociedade e as pessoas podiam mudar de um dia para o outro. Depois, a realidade (ou o realismo dos interesses...) começaram a galgar e as coisas entraram nos eixos e os sonhos evaporaram-se. Os grandes poderes chamaram os « meninos traquinas » à ordem e toda a gente voltou à gestão das suas vidinhas, com algumas poucas, « patéticas » ou dramáticas excepções.
A revolução de 25 de Abril de 1974 desbloqueou um sistema podre e anacrónico, criou as condições para que Portugal se alinhasse, finalmente, com o modelo de desenvolvimento e com a democracia parlamentar dominantes na Europa Ocidental. A posteriori, parece claro que a revolução se transformou numa revolução do incipiente capitalismo português com um breve interregno de euforia popular e de excentricidade esquerdista. E é esta constatação que me faz sentir triste e algo resignado.
O tempo é assassino e 33 anos são tantos. A memória dilui-se, as imagens de alegria e de vontade de mudança tornam-se cada vez mais amarelas. Tive sorte de viver esse período escaldante, entre 1974 e 1976, durante o qual as convicções se defendiam com força e inocência e se pensava que a sociedade e as pessoas podiam mudar de um dia para o outro. Depois, a realidade (ou o realismo dos interesses...) começaram a galgar e as coisas entraram nos eixos e os sonhos evaporaram-se. Os grandes poderes chamaram os « meninos traquinas » à ordem e toda a gente voltou à gestão das suas vidinhas, com algumas poucas, « patéticas » ou dramáticas excepções.
A revolução de 25 de Abril de 1974 desbloqueou um sistema podre e anacrónico, criou as condições para que Portugal se alinhasse, finalmente, com o modelo de desenvolvimento e com a democracia parlamentar dominantes na Europa Ocidental. A posteriori, parece claro que a revolução se transformou numa revolução do incipiente capitalismo português com um breve interregno de euforia popular e de excentricidade esquerdista. E é esta constatação que me faz sentir triste e algo resignado.
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