domingo, abril 29, 2007
O cúmulo da solidão
Dez anos de solidão de um morto. Quantos anos de extrema solidão de um vivo, no meio de uma enorme cidade de um dos países mais "desenvolvidos" do mundo...
sábado, abril 28, 2007
Portugal - um retrato social
quinta-feira, abril 26, 2007
Felicidade II
Ontem tive a prova disso: um dos peixes morreu. (Cabrão do animal, nem uma semana se aguentou)
25 DE ABRIL
O tempo é assassino e 33 anos são tantos. A memória dilui-se, as imagens de alegria e de vontade de mudança tornam-se cada vez mais amarelas. Tive sorte de viver esse período escaldante, entre 1974 e 1976, durante o qual as convicções se defendiam com força e inocência e se pensava que a sociedade e as pessoas podiam mudar de um dia para o outro. Depois, a realidade (ou o realismo dos interesses...) começaram a galgar e as coisas entraram nos eixos e os sonhos evaporaram-se. Os grandes poderes chamaram os « meninos traquinas » à ordem e toda a gente voltou à gestão das suas vidinhas, com algumas poucas, « patéticas » ou dramáticas excepções.
A revolução de 25 de Abril de 1974 desbloqueou um sistema podre e anacrónico, criou as condições para que Portugal se alinhasse, finalmente, com o modelo de desenvolvimento e com a democracia parlamentar dominantes na Europa Ocidental. A posteriori, parece claro que a revolução se transformou numa revolução do incipiente capitalismo português com um breve interregno de euforia popular e de excentricidade esquerdista. E é esta constatação que me faz sentir triste e algo resignado.
quarta-feira, abril 25, 2007
Esta é a música que mais me faz sentir o que foram realmente as vitórias do 25 de Abril
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar
Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar
Zeca Afonso/ Reinaldo Ferreira
terça-feira, abril 24, 2007
Um artigo para reavivar a memória do país...
Só os portugueses em crise de meia-idade, ou já refeitos dela, se podem lembrar de como era antes. E a verdade é que tinha pouca graça. Antes. Claro que nos podemos rir hoje da licença de isqueiro, obrigatória desde os anos 30 e só abolida em Maio de 1970 pelo decreto-lei 237/70. Claro que mesmo os incondicionais de Chomsky ou Michael Moore já não terão de ir ao Ultramar para beber um gole pecaminoso de Coca-Cola, só comercializada entre nós a partir de 1977. Em Portugal Continental, como se dizia, fora proibida nos anos 30, dela só sobrando a prova dos dotes publicitários de Pessoa que lhe inventara um slogan: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
segunda-feira, abril 23, 2007
Démocratie à la française
A política fulanizada é mais acessível e popular. A democracia torna-se mais próxima com as campanhas que falam mais de pessoas do que de ideias. Os cidadãos estão fartos das mesmas ideias entoadas por diferentes trovadores que, de qualquer modo, não fazem grande diferença às suas vidas. As pessoas preferem falar dos casamentos, traições, bebedeiras, gostos desportivos e musicais dos políticos. As pessoas adoram entrar na privacidade, de preferência picante, dos candidatos (síndrome "big brother"). Adoram, sobretudo, contos de fadas: o homem ou a mulher que há pouco tempo era um dos nossos, um semelhante, e que agora ocupa as páginas das revistas e dos jornais e que pode chegar ao mais alto cargo da Nação. Essa é a democracia que mobiliza as pessoas e que as faz discutir interminavelmente os resultados das eleições, no dia seguinte. Estão-se nas tintas para o programa político (se existe...), mas demonstram um conhecimento enciclopédico da maneira como o candidato passou as últimas 24 ou 48 horas, com quem almoçou, como se relacionou com os filhos, a que igreja foi rezar pelos resultados, etc. Adeus às grandes análises, aos artigos de opinião, às grandes opções de sociedade. Coisas de intelectuais e analistas chatos... O que conta é o eco da vida dos políticos nas revistas Hola ou Gente ou quejandas. O que está na moda é a política do mexerico, dos óculos de sol, das invectivas, da imprensa exacerbada e invasiva, dos escândalos, do fait-divers. O que está na moda é a política de que se fala como se fosse um festival da Eurovisão, uma final de taça. A política que se aprende na sala de espera do dentista...
A política fulanizada é a política que minimiza o abstencionismo, que leva as pessoas às urnas com a impressão de decidir qualquer coisa, provavelmente a alegria ou a raiva do candidato que tem os olhos mais bonitos ou que fala com a voz mais decidida (para os homens) ou mais aveludada (para as mulheres).
E por trás do espectáculo jogam-se interesses, grandes interesses e decisões que acabam por ter impacto sobre a nossa vida de todos os dias.
PS:
A segunda volta das presidenciais francesas, que tem lugar dentro de 2 semanas, vai-se decidir, portanto, entre Royal e Sarkozy, basicamente, com base nos votos de Bayrou, o outsider do centro-direita que recolheu 18% na 1ª volta e que sonha já com um novo partido de centro e com promessas de participação no governo daquele que vier a apoiar. De facto, Bayrou já só pensa nas legislativas... De salientar que todas as “esquerdas” somadas não chegaram aos 40% (Royal teve sózinha 25%).
Outra observação interessante é que o esvaziamento da extrema-direita ter-se-à devido, essencialmente, à apropriação por Sarkozy dos temas favoritos de Le Pen (segurança interna, patriotismo, restrições à emigração). Digamos que o sistema (protagonizado por Sarkozy e por uma direita mais “civilizada”) soube assimilar e digerir as mensagens populistas da extrema-direita.
domingo, abril 22, 2007
Resultados completamente inesperados
Em honra desta "lufada de ar fresco" aqui vai uma homenagem ao "novo" líder do CDS-PP...
sábado, abril 21, 2007
Tristezas vãs
Frondosa
Com ramos imensos e flores encarnadas
Uma àrvore sem sombra cuja madeira não aleijasse
Se da cabeça nascesse um rio
Largo
Azul como o céu
De àguas tranquilas
Um rio sem foz
Se da cabeça nascesse uma vontade
Grande como a esperança de um recém-nascido
Pura como um deus sem nome
Uma vontade sem dor
Porque querer é sofrer
Se se soubesse querer...
Se não fosse preciso querer...
sexta-feira, abril 20, 2007
Se eu soubesse que voando...
Ai, alcançava o que desejo
Mandava fazer umas asas
Ai, que as penas são de sobejo
As penas leva-as o vento
Ai, de tão leves que elas são
Ainda me não levou uma
Ai, que trago em meu coração
Cantando, cantei, cantava
Cantava, cantei, cantando
Chorando, chorei, chorava
Chorava, chorei, chorando
Que fui, tu foste, nós fomos
Ambos iguais nas vontades
Eu 'stou tu 'stás, nós estamos
Ambos matando saudades
Esses olhos têm meninas
Ai, essas meninas têm olhos
Porque os olhos dessas meninas
Ai, são meninas dos meus olhos
Fui ao jardim do teu peito
Ai, para colher uma flor
Não achei um amor perfeito
Ai, achei só perfeito amor
Cantando, cantei, cantava
Cantava, cantei, cantando
Chorando, chorei, chorava
Chorava, chorei, chorando
Que fui, tu foste, nós fomos
Ambos iguais nas vontades
Eu 'stou tu 'stás, nós estamos
Ambos matando saudades
Felicidade
Ofereci à minha afilhada, como prenda de Páscoa atrasada dois peixinhos vermelhos. Fui buscá-la à escola e disse-lhe que já tinha comprado um aquário com pedrinhas e plantas (e comida, etc, etc, etc.) e que só faltava mesmo que ela escolhesse os peixes. O sorriso foi imediato e o abraço a dizer "obrigada! obrigada! obrigada!" foi quase instantâneo. Fomos à loja de animais, ela lá escolheu dois peixes e quando chegámos a casa passou meia hora fascinada a olhar para o seu novo aquário com os seus dois novos peixinhos. Quando finalmente afastou o olhar deles, olhou para mim com um sorriso de orelha a orelha e disse-me: "Estou feliz!"Presidenciais francesas

Este domingo realiza-se a primeira volta das eleições presidenciais em França. Deve dizer-se que se trata das eleições mais importantes nesse país dado o seu sistema presidencial. O presidente tem reais poderes executivos. Os principais candidatos são Sarkozy (centro-direita), Bayrou (centro-direita "dissidente"), Royal (socialista) e Le Pen (extrema-direita). As sondagens dizem que passam à 2a. volta Sarkozy e Royal, mas as surpresas são perfeitamente possiveis dadas as percentagens de abstenção e de eleitores que se dizem hesitantes. Nas anteriores eleições, a 2a. volta foi disputada entre Chirac e um surpreendente Le Pen que ultrapassou o socialista e ex-primeiro ministro Jospin na 1a. volta. Assim, para combater a extrema-direita, a esquerda fartou-se de engolir sapos ao votar... Chirac.
A campanha eleitoral tem sido disputadíssima com níveis de agressividade inauditos e com golpes baixos de todo o tipo. O que parece mais em causa são as desmedidas ambições pessoais. As ideias são relegadas para um plano secundário com os candidatos "convencionais" a optar por um centrismo eclético. Nunca a política foi tão fulanizada e os projectos políticos tão caricaturados. E isso é preocupante num país com a importância da França, nos contextos europeu e mundial, sofrendo de vários impasses que o bloqueiam e que são focos de permanente e crescente conflitualidade. Uma grande parte da população alheia-se da palhaçada da política tradicional e é tentada pelo discurso simplista e demagógico da extrema-direita. Le Pen continua à espreita como reserva de protesto populista.
A França é um país que se move no fio da navalha entre o culto proverbial do Estado (absolutismo, colbertismo) e o liberalismo. O primeiro está inscrito nos genes de todos os políticos de topo. O segundo é perfilhado por uma minoria de políticos sem reais possibilidades de ascender ao poder (caso de Alain Madelin) e praticado agressivamente pelos campeões da economia e da finança francesas. Esses grandes grupos económicos são extremamente bem sucedidos na economia global: casos dos grandes bancos e seguradoras como o BNP Paribas, Société Générale ou AXA ou dos grandes grupos industriais como a Renault, a Peugeot, a Airbus, a Total ou a Bouygues. Depois, há o imenso e omnipresente sector público com os seus milhões de "fonctionnaires" acusados de privilégios indevidos. E há uma classe política nacional que mexe os cordelinhos, mas que está cada vez mais distante das múltiplas fracturas da sociedade francesa e da mobilidade social "en panne" que afecta milhões de pessoas.
Os candidatos às eleições presidenciais de domingo não prestam. Sarkozy é um pequeno ambicioso sem escrúpulos, preparado a tudo (mas mesmo a tudo) para ocupar o palácio do Eliseu. Um "proxy" português seria... Paulo Portas. Ségolene Royal tem uma carinha bonita, é mulher (e isso talvez conte num ambiente politicamente correcto de discriminação positiva), mas é falsa como um camaleão e, sobretudo, não tem uma única ideia digna desse nome na cabeça. Também ela é obsecada pela presidência para redimir um passado com alguns traumas familiares. Bayrou é um homem do sistema que acordou agora para denunciar os vícios do sistema e para inaugurar uma nova era de leite e de mel. Le Pen é um crápula que diz resolver todos os problemas da França privilegiando os franceses contra os imigrantes e aumentando a cacetada dos polícias contra os marginais.
Francamente, se fosse francês teria um sério problema no próximo domingo, como tem tantos gauleses cansados da cacofonia de uma política que se auto-alimenta dos seus putativos dramas e que trata os cidadãos como meros espectadores de um show com uma audiência decrescente. Um fenómeno de resto interessante (e que vira os argumentos do Sr Le Pen do avesso) é o aumento da emigração dos franceses, principalmente jovens e com elevados níveis de formação, que se fartaram do "malaise français". Um dos destinos preferidos é... a Inglaterra. Quem diria...
quinta-feira, abril 19, 2007
Breaking and Entering
Fui ver o filme "Breaking and Entering" de Anthony Minghella (o realizador de "O Paciente Inglês" ou de "Cold Mountain") com Jude Law e Juliette Binoche, produzido por Sydney Pollack. Um filme sobre o romantismo num clima urbano e multicultural do princípio do século XXI. Um filme sobre a fragilidade e a tolerância de homens e mulheres. Um filme optimista àcerca da absorção pelo sistema de uma marginalidade nascente. A atmosfera é a de uma àrea "devastada" de uma grande cidade (King's Cross em Londres) em fase de renovação e onde contactam - pelos sentimentos entre homens e mulheres, entre pais e filhos - classes, culturas e linguas diferentes. A arquitectura urbana em pano de fundo, uma música muito bonita, uma bela fotografia e montagem, um ritmo certo, nem lento nem rápido. Um filme a não perder.
quarta-feira, abril 18, 2007
terça-feira, abril 17, 2007
A tragédia de Virginia Tech
"O crime na América constitui a indicação mais viva da direcção que uma sociedade de indivíduos centrados em si próprios pode tomar".
"Em 1973, depois de ter sido criado na América e ter passado quatro anos em Oxford, cheguei a Nova Iorque para ocupar um lugar de professor convidado no departamento de filosofia da Universidade de Nova Iorque. Ao entrar pela porta da frente do edifício principal da Universidade, em Washington Square, deparou-se-me um espectáculo chocante: guardas de segurança da Universidade com armas a balouçar junto às coxas. No final do ano, já tomava como adquirida a presença de armas letais num cenário universitário".
"Nos Estados Unidos de hoje em dia, o tecido social degradou-se a ponto de ser legítimo temer que tenha atingido o ponto de não retorno. O problema é que as pessoas (...) [encaram] cada novo conhecimento com suspeição e quanto mais se tem esta atitude, mais difícil é os esforços cooperativos funcionarem para o bem comum (...). Não há precedentes para a cessação da degradação de uma sociedade tão populosa, tão egoista e tão fortemente armada com armas letais como a actual sociedade norte-americana".
"Após anos a saltar obstáculos sobre corpos em estações ferroviárias, a ser empurrados por mendigos nas ruas, muitos habitantes urbanos passaram da piedade ao desprezo e já não são afectados pelo sofrimento a que assistem".
"É aterrador pensar que podemos estar a testemunhar, nos Estados Unidos actuais, a primeira sociedade em grande escala na qual as 'redes morais' se tornaram demasiado fracas para sustentar modos de vida éticos".
"Estamos a caminho da criação de cidades que são meras agregações de indivíduos mutuamente hostis, vacilando no limite da guerra hobbesiana de todos contra todos".
Se a tudo isto se acrescentar a influência de um dos lobbies mais poderosos nos Estados Unidos (o dos vendedores de armas, fortemente relacionado com o Partido Republicano) que se opõe desde sempre às restrições ao comércio de armas, temos grande parte dos ingredientes para compreender o que se passou. E para compreender também a hipocrisia de George e Laura, os Bush. No país da Estátua da Liberdade circulam mais de 250 milhões de armas de fogo para uma população total de cerca de 300 milhões de almas.
Guerra civil no Iraque ? Qual quê !
segunda-feira, abril 16, 2007
O Eng°
domingo, abril 15, 2007
O caos e o caso
sexta-feira, abril 13, 2007
Mudanças
Quando se entra no curso de Psicologia, ou lendo algumas coisinhas credíveis, das primeiras coisas que se aprende é que não há curas milagrosas. Isto é, não se resolve um problema, de que natureza for, com um estalar de dedos. O problema é que todos temos um pouco essa fantasia... De que podemos mudar de um momento para o outro, de que podemos apagar o que é mau e transformá-lo em bom sem passar por todo um processo de mudança que pode durar mais ou menos tempo. Estas fantasias são alimentadas pelo desejo de não sofrer, de não passar por coisas que não queremos, mas também pelos próprios meios de comunicação (tome-se como exemplo as publicidades para "emagrecer sem esforço" e as igrejas milagreiras).
Todos estamos habituados a pensar no que é mais fácil, mais seguro, mais rápido, mais benéfico a curto-prazo e isso impede-nos de, sequer, ponderar no facto de que qualquer mudança implica tempo, esforço e, por vezes, dor e sofrimento. É por isso que, quando surge a necessidade ou inevitabilidade de mudar alguma coisa na nossa vida (do mais profundo ao mais superficial), ficamos paralisados por momentos, a pensar como vai ser diferente, como não vai ser como antes como vamos lidar com a mudança. Aqui, podemos tomar várias atitudes: ou tentamos recorrer às tais curas milagrosas e continuamos a viver na fantasia até que alguma coisa mude e fiquemos outra vez atordoados com o facto de a vida não ser assim tão simples/fácil; ou percebemos que temos de passar por um processo de mudança que implica dissabores e nos sentimos com pena de nós próprios e ficamos inertes a pensar na nossa miséria; ou então, percebemos que temos de passar por um processo de mudança e, perante a dificuldade, metemos "mãos à obra" e empenhamo-nos em passar por tempos complicados para os ultrapassar e tornar a nossa vida e os projectos futuros melhores.
(Pessoalmente, embora seja a mais complicada a curto-prazo, acho que a atitude mais construtiva a adoptar é a última).
Estação de Coimbra B
quinta-feira, abril 12, 2007
Julgamento em Directo
Depois do Major Valentim Loureiro ter exigido um julgamento em directo numa televisão em substituição da sala de audiências, acabando por se contentar com uma grande entrevista gentilmente concedida por Judite Sousa, acabou por ser Sócrates a escolher o palco da televisão para realizar o julgamento da sua conduta universitária..
Em relação ao seu currículo académico Sócrates disse o que se esperava, ainda que se saiba que durante algum tempo os jornalistas possam encontrar mais umas dúzias de erros administrativos feitos pelas universidades por onde passou. Em toda esta história nunca foi a verdade que esteve em causa, pelo que não é um suposto esclarecimento da verdade que interrompe o processo, este morrerá quando não houver nada para dizer ou quando os patrões da comunicação social não quiserem enfurecer mais o primeiro-ministro porque entretanto surge um novo negócio em que dependem da boa-vontade governamental.
A entrevista acabou por ser um espectáculo triste com um primeiro-ministro de um país cheio de problemas a explicar questões menores como a fórmula com que termina as suas cartas pessoais ou as notas que teve nalgumas cadeiras que, diga-se de passagem, nem foram tão brilhantes quanto isso nem justificam desconfianças quanto ás suas capacidades como estudante.
Por fim, Sócrates portou-se muito mal na forma como caracterizou a blogosfera, num gesto de grande falta de respeito pelos cidadãos que têm o seu blogue e não se enquadram na definição de malfeitores que lhes foi atribuída. Sócrates está esquecido quando o PS andava com o rabo entre as pernas por causa do Processo Casa Pia e foi a blogosfera que ajudou a quebrar o medo que se instalou no país. Não foi graças à actividade política do seu partido que ganhou as eleições.
E enquanto se discutiram coisas menores tudo ficou por esclarecer, em vez de saber em que dia os professores lançavam as notas nos livros de termos eu preferi ter ficado a saber que medidas Sócrates vai adoptar para evitar que a construção de um novo aeroporto não venha a ser um manjar para a corrupção. Em vez de saber como termina as suas cartas eu teria preferido ouvir de Sócrates que os critérios para colocar funcionários públicos na mobilidade são isentos, contrariando o que por aí se vai ouvindo de que o cartão do partido assegura o lugar. Em vez de saber quantas cadeiras fez na UNI eu gostaria de ouvir Sócrates assegurar que a reestruturação dos serviços públicos não obedece a critérios oportunistas, preservando os serviços chefiados por amigos como eu já tive a oportunidade de assistir.
Desabafo de um pequenates
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..."
Poema VII, Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro
Portugal excelente
Quanto à arquitectura, as obras de artistas como Siza Vieira e Souto Moura motivam um autêntico "arquitecturismo", isto é, um fluxo crescente de pessoas que vêm a Portugal (provenientes, por exemplo, de Itália, onde os expoentes na disciplina não escasseiam - caso emblemático de Renzo Piano), essencialmente para visitar os espaços criados por esses e outros arquitectos portugueses de excepção. É um filão a explorar e a desenvolver cada vez mais.
Quanto ao futebol, goste-se ou não, basta ir ao estrangeiro e falar em nomes como Cristiano Ronaldo, Figo, Ricardo Carvalho ou Mourinho e a cultura futebolística sai a rodos das bocas mais insuspeitas. O efeito do futebol é a meu ver mais popular e reputacional (aumenta a notoriedade de um pequeno país junto de vastas camadas da população de outros países que aderem ao fenómeno futebol), enquanto o da arquitectura é mais qualitativo, substancial e durável.
quarta-feira, abril 11, 2007
Música
Nunca vos aconteceu não ter palavras para descrever uma situação, sentimento ou estado de espírito e aparecer de repente uma música que faz um "click" e traduz por completo tudo? Por um lado é arrepiante, por outro é confortante, pois não nos sentimos tão sozinhos no que vivemos, sentimos que há mais alguém que já pensou ou viveu o mesmo que nós.

