quinta-feira, março 29, 2007

A perfídia dos sentimentos

Fui ver o filme britânico "Notes on a scandal" de Richard Eyre. Um intenso thriller psicológico com algumas passagens demasiado rápidas. O drama poderia ter sido mais finamente dissecado...

Trata-se de um filme baseado numa história real: a história de uma ligação amorosa entre uma mulher de meia-idade, professora de liceu, muito bonita (interpretação de Cate Blanchett) e um seu aluno de 15 anos. Essa história de paixão e de fuga a uma rotina asfixiante é contada por uma velha professora, solitária, impiedosa com a vida, maníaca e possessiva (magnífica interpretação de Judi Dench). É um filme sobre um caso patológico de ciúme, de desejo e de cumplicidade entre duas mulheres de diferentes gerações, em fases contrastantes do percurso feminino. Se tirarmos os aspectos extremos dessa relação, no fundo, estamos perante um retrato de situações, normalmente inconfessáveis, mas mais frequentes do que se possa pensar.

A ver.

terça-feira, março 27, 2007

Parabéns à selecção portuguesa de Rugby

Só p'ra dizer que adorei a qualificação da equipa portuguesa para a fase final do campeonato do mundo de Rugby onde vão enfrentar colossos como a Nova Zelândia ou a Escócia. No grupo também calhou a Roménia que talvez esteja mais ao alcance da rapaziada. De realçar que será a única equipa de simpáticos bruta-montes genuinamente amadores, uma grande parte, de facto, estudantes.

O Rugby é um desporto de uma violência assumida, franca, frontal, onde os truques são quase impossíveis, em que o espírito de equipa é a verdadeira chave do sucesso. À força muscular e à perseverança individual aliam-se a estratégia e, sobretudo, um respeito incondicional pelas regras do jogo, pelos árbitros e pelos adversários. Talvez seja um dos desportos colectivos em que acontecem menos casos de vandalismo, em que, pelo contrário, há confraternização entre as claques opostas, independentemente dos resultados. É um jogo muito popular nos países anglo-saxónicos e em França, com os estádios a encher mais do que em partidas de futebol.

Não é só um desporto da classe média urbana ou de intelectuais com vontade de exorcizar o sedentarismo, como alguns chegam a insinuar. Nos países onde a sua implantação é maior é um desporto de massas com espírito cívico.

Se não gostam, tentem aprender a gostar, começando nomeadamente com as regras.

A lógica da batata


Paulo

Hoje - não sei por que carga de àgua - decidi atirar-me ao menino Paulo Portas, o Paulinho da mamã Sacadura... Não é que a criatura não suscite já bastantes ódios... (como todos os homens que não passam pela vida por acaso, como diria o dito cujo).

Este moço é simplesmente intragável. Nunca perdeu aquele reflexo de puto pérfido que passa o tempo a tramar os coleguinhas na creche, a congeminar a escorregadela ou o tropeção do inocente do lado. Cresceu com a mania das grandezas, com o ego inchado pelos incómios da progenitora e - pronto - lá continua ele, mais maquiavélico do que nunca a surfar a mediocridade dos inimigos do partido e a fidelidade de um punhado de lambe-botas que o seguem com o mesmo fervor dos acólitos de outros (muito maiores) ditadores. O olhar assassino e oblíquo, as falsas declarações de bondade, a grande visão sobre o destino que Portugal ainda não cumpriu, os métodos de jogador de poker - não consegue disfarçar o fel que as tripas destilam continuamente e que vomita sobre os semelhantes com a "melhor das intenções"... A maldade de Paulo sai tão naturalmente como o bater do coração. Paulo não precisa de se esforçar para tramar o parceiro - faz simplesmente parte da sua natureza... e a sua consciência não se mexe nem sequer um milímetro.

Paulo Portas é o exemplo mais acabado de anti-pedagogia da política. É o que a política não devia transmitir aos cidadãos: golpes baixos, sedição, ausência de escrúpulos, traição... Tudo justificado pela simples ambição de poder e de protagonismo sobre pessoas que despreza profundamente.

segunda-feira, março 26, 2007

Grandes Portugueses

1. António Oliveira Salazar


2. Álvaro Cunhal


3. Aristides Sousa Mendes


4. D. Afonso Henriques


5. Luís de Camões


6. D. João II


7. Infante D. Henrique


8. Fernando Pessoa


9. Marquês de Pombal


10. Vasco da Gama



O que estes resultados ilustram:
  • A memória dos Portugueses é muito curta ou então somos incapazes de pensar a longo-prazo, tendendo, por isso, a dar mais importância a factos e figuras históricas mais recentes e ainda "quentes".

  • Figuras "extremas" e polémicas suscitam muito mais paixão e mobilização que as "moderadas" e mais consensuais.

  • Há muito fascista neste país!

E já agora, como é que se comparam políticos com artistas e humanistas???


Aceitam-se/Pedem-se mais interpretações e opiniões.

domingo, março 25, 2007

Petição

Sadia Idriss Fadul (22 ans) et Amouna Abdallah Daldoum (23 ans), toutes deux originaires de la région du Darfour, dans l’ouest du Soudan, risquent d’être lapidées jusqu’à ce que mort s’ensuive. Elles ont été déclarées coupables d’adultère, et leur peine pourrait être appliquée d’un moment à l’autre.
Não custa nada assinar uma petição da Amnistia Internacional

Domingo à noite

As dúvidas são cerejas
A lucidez é areia de uma praia ventosa
Junta-se a mim um bocado de imagens, reflexos
Acaba-se a luz e o que vem é fumo
Uma nova vida não tem sentido porque é nova e porque é vida
E os rios são sempre iguais
Não se pode fazer parar um rio
Um rio corre, felizmente corre

Um sim é como um arco quebrado que foi perfeito
Simples ilusão de tranquilidade
É preciso acariciar a tormenta e deixá-la estar

Porque assim é a vida, como os frutos que duram o que duram

Rossi ultrapassa Pedrosa no GP de Espanha


sábado, março 24, 2007

Mais uma hora de Sol por dia


Os relógios vão ser adiantados na próxima madrugada. Quando for 1h00, os ponteiros devem passar para as 2h00.

A prova que a agressividade no desporto não tem bons resultados

PORTUGAL - 4 / BÉLGICA - 0
O massacre foi mais ao guarda-redes belga, não?

Padre a abrir...

Olhem-me só esta.

Music & Lyrics

Para vos poupar o dinheiro do bilhete para ver este filme no cinema, ponho aqui a parte que realmente vale a pena ver... Espero que seja do vosso agrado :)

sexta-feira, março 23, 2007

Parabéns


Há 50 anos foi assinado o Tratado de Roma. A principal vitória da Comunidade Europeia foi a Paz... depois de duas guerras mundias devastadoras. Nunca a Europa viveu um período pacífico tão longo (se exceptuarmos a guerra dos Balcãs...). Outra vitória da CE foi a reconstrução económica e a prosperidade, estendida a uma parte crescente do Continente, ao ritmo de sucessivos alargamentos. Os dois sucessos estão intimamente associados. De facto, o dinheiro foi o instrumento com que se construiu a paz. Gente com interesses e culturas díspares torna-se mais tolerante e cooperante desde que tenha a barriga cheia. Esta foi a linha com que se coseram múltiplos compromissos políticos que fizeram da CE um projecto viável e desejado por um número crescente de Nações europeias. A continuação e o aprofundamento da integração europeia dependem da harmonização dos interesses nacionais e do crescimento económico. Porém...

Em primeiro lugar, tenho dúvidas de que se possa continuar a alargar sem prejudicar seriamente o aprofundamento... se mais não for por causa do enorme caos em que se tem transformado o processo de decisão. Por outro lado, o aprofundamento implica uma crescente renúncia à soberania nacional, especialmente, em áreas críticas como as políticas fiscal/orçamental, externa e de defesa. A própria eficácia e a perenidade da integração já conquistada noutros domínios (como a política monetária) dependem de avanços suplementares que implicam cada vez mais federalismo... E é aqui que a porca torce o rabo! Porque mais federalismo leva a mais renúncia à soberania a qual se torna inaceitável para a maior parte dos Estados membros e contraditória com as fundamentais especificidades nacionais.

Digamos que a integração se avizinha dos limites do realizável. O que se poderia fazer foi feito... E é a escassez de perspectivas de progresso, o cepticismo em relação a mais integração e a enorme complexidade da "governance" da CE que estão na base do actual impasse... Durão Barroso é um fraco timoneiro de um processo de transição cujo desfecho não é claro, mas que provavelmente envolverá resignação, gestão técnica do bem adquirido ou, na pior das hipóteses, retrocesso. A debilidade da Comissão europeia (após Delors) e a transferência do centro de gravidade da CE para os Conselhos de Ministros são a prova da supremacia dos interesses nacionais. E os Britânicos dirão que sempre tiveram razão porque a CE não poderá nunca ser uma União política, mas somente uma excelente União económica com algumas repercussões limitadas em domínios não económicos. De qualquer modo, muito mais do que uma simples União aduaneira...

Seja como for, 50 anos de sucessos (maculados por um pequeno punhado de fiascos) não é pouco. Por isso... PARABÉNS CE!

quinta-feira, março 22, 2007

Ninguém é perfeito...


Sugestão


Mezcal e Capitão Fantasma no Ar D' Rato Caffé, próxima 6ª feira (30 de Março) às 23h

Querida ciência

Uma coisa que me chateia solenemente, como demonstração de um aparente hiper-positivismo e de uma "incontestável" soberania da ciência, é a tentativa de demonstrar (centificamente...) realidades que são do domínio das relações sociais, da ética, das emoções e do que de mais intangível e complexo tem a natureza humana.

Por exemplo, a diferente posição de homens e mulheres na sociedade seria devida essencialmente a factores biológicos; existiria uma propensão genética à homosexualidade, à depressão ou ao suicídio; as emoções e a sua ligação com a ética seriam neurológicamente explicáveis, etc. A subtileza da realidade humana seria reduzida a um deslumbrante sistema de equações matemáticas.

O que caracteriza a Humanidade é a sua complexidade e a sua imprevisibilidade. As pessoas e as suas relações não são manipuláveis através de engenharias (ou de bruxarias). De cada vez que isso se tentou o resultado foi simplesmente catastrófico. Os cientistas e os políticos (transformados em meros administradores da ciência), não podem reduzir as pessoas e as sociedades a cobaias para demonstrar determinismos perigosos.

As pessoas devem conviver com a incerteza, com o risco e com a ignorância. No tempo presente, tudo isso atinge níveis por vezes inquietantes, mas porventura não mais inquietantes do que noutros períodos históricos. A serenidade dessa convivência deve provir da cultura, da filosofia ou da religião. A ciência nunca conseguirá invadir esses territórios porque o "humano" é insondável, inquieto e, frequentemente, ininteligível. É por isso que é feio e belo, bom e mau, ao mesmo tempo...

Tudo isto não pretende combater a ciência ou apoucar a sua contribuição para o progresso da Humanidade e para a melhoria das condições de vida das pessoas. Pretende, simplesmente, moderar a arrogância e o fetichismo que, às vezes, se encontram no domínio da ciência e dos cientistas.

domingo, março 18, 2007

The Painted Veil

Fui ver o filme "The Painted Veil" de John Curran com Naomi Watts e Edward Norton. Um filme muito bonito, com uma música e uma fotografia deslumbrantes, ambientado no interior da China nos anos 1920. O fim do colonialismo britânico e um surto de cólera como pano de fundo. A história de um casal que se casa, ele por amor, ela por conveniência. Um casal que se expõe às piores provações para se reencontrar no amor, apesar da traição. O fim é dramático mas demonstra que, frequentemente, andamos à procura da felicidade muito longe, quando ela se encontra mesmo ao nosso lado, à mão de semear. Fez-me lembrar o romance de Alessandro Baricco "Seda" cuja mensagem é semelhante. O valor das coisas boas só emerge com toda a clareza quando as perdemos...

Vão ver o filme e leiam "Seda".

sexta-feira, março 16, 2007

Vontade, expectativa e decepção

A decepção é directamente proporcional à expectativa. Schopenauer dizia que basta querer para sofrer. A vontade é a fonte de toda a acção humana e do sofrimento inerente à natureza humana. Nietzsche dizia que o que faz mover os homens e o mundo é a "vontade de potência". Tudo isto não são anátemas. São constatações com que se tem de viver, com realismo, sem dramas despropositados.

Nos tempos que correm, nos países ditos desenvolvidos, todos querem tudo e depressa: amor, família, dinheiro, sucesso profissional, saúde, beleza, etc. Qualquer coisa que seja menos do que a perfeição é, na melhor das hipóteses, meio fracasso. A democracia e a publicidade vendem-nos a ideia de que toda a gente pode chegar a # 1. Bastará trabalhar duro, ser honesto e inteligente. Quem lá não chega presume que não tem essas qualidades e, portanto, supõe ser mediocre. Os casos excepcionais de "self-made men" ou de "self-made women" são apresentados quase como regra acessível a todos os mortais. O que existe é uma cultura da ambição não uma cultura da satisfação. As pessoas esfarrapam-se para entrar em Olimpos que absorvem passivamente da superestrutura ideológica das nossas sociedades. A esmagadoria maioria não chega lá e sofre com isso.

Como é que se resiste à decepção que resulta das expectativas desmesuradas ? À falta de grandes causas e de modelos gerais de transformação da sociedade (porque, na prática, desde a falência do chamado socialismo real, só existe um modelo que é o dominante) as pessoas refugiam-se essencialmente no consumo, na família (veja-se a retoma da natalidade), nas micro-causas (ecologia, defesa das minorias, ajuda ao Terceiro Mundo, clubes disto e daquilo, etc.) ou em formas variadas de espiritualidade, frequentemente exteriores às Igrejas convencionais.

Qual é a Universidade mais antiga do mundo?

Quem respondeu Egipto (Cairo) acertou na 2ª Universidade mais antiga do mundo, fundada em 988.
Quem respondeu Bolonha acertou na 3ª Universidade mais antiga do mundo, fundada em 1088.
Quem respondeu Salamanca acertou na 8ª Universidade mais antiga do mundo, fundada em 1218.
Nenhuma universidade da Grécia está entre as 50 Universidades mais antigas do mundo, contudo, a mais antiga do país é a de Atenas, fundada em 1837.

A resposta certa é Universidade de Karueein em Fez, Marrocos (Fundada em 859)

Para verem a lista das universidades mais antigas do mundo vão aqui.

quinta-feira, março 15, 2007

Fritz Perls


Vou ter de fazer um trabalho sobre este senhor e tenho andado a recolher artigos na net. Entre vários, encontrei uma página com uma citação inspirante:


Our dependency makes slaves out of us, especially if this dependency is a dependency of our self-esteem. If you need encouragement, praise, pats on the back from everybody, then you make everybody your judge.



Não concordam?

terça-feira, março 13, 2007

Quiz

Porque os comentários andam a diminuir apesar de o número de visitantes se manter, venho incentivar-vos para responderem a uma perguntinha, só para ver se continuam vivos...
(Façam o favor de não andar à procura na net antes de responder, se não perde a piada)

Qual é a universidade mais antiga do mundo?

A eira da coragem

Um dia, um gaiato desafiou-me para a pancada. Tinhamos, talvez, uns 10 ou 11 anos e não me recordo do motivo da borrasca. Na altura, terá sido qualquer coisa de extremamente grave... segundo os padrões de putos cheios de orgulho àcerca do jogo da bola, do pião ou do berlinde. Ele era o atacante, eu a vítima. Por incrível que pareça, até aí, nunca tinha jogado à porrada com ninguém. Era já na altura um pacifista, sem o saber. Não um cobarde, como se verá já a seguir...

O desafio foi solene: com lugar e data precisa para o duelo. Só nós os dois para esgrimir a murro e a pontapé as razões que as palavras não tinham conseguido acalmar (de facto, putos e dialéctica não são coisas que combinem facilmente). A coisa perturbou-me. Passei a véspera em sobressalto, dialogando com a coragem, metendo à prova a auto-estima, pensando seriamente em não ir, contendo a vontade de urinar de medo. Ainda por cima, o tipo era mais forte do que eu... Um simples murro e ficaria K.O. Com a dignidade a sangrar e as lágrimas a escorrer cara abaixo. Via-me prostrado, caído no cimento quente da eira que tinha sido escolhida como ringue, pontapeado por um agressor impiedoso, abandonado à minha derrota, a pior coisa que alguma vez teria sucedido em todo o mundo.

Não obstante essas precoces dúvidas existenciais e depois de uma noite de insónia e de pesadelos, tomei uma decisão dramática: expor-me ao risco de ser violentado no corpo e na alma. Tinha de ir à eira do heroísmo enfrentar o algoz com o máximo das minhas forças. Encaminhei-me para lá com uma pontualidade Britânica, carregando o mundo às costas, as pernas tremendo como varas verdes. Até o sol parecia escuro... Sentei-me no muro de pedra que cercava a eira e esperei pela hecatombe. Olhava o chão claro de cimento, imaginando golpes geniais que finalmente fariam a surpresa e que me dariam uma vitória lendária. Mas, a convicção não era muita e essas fantasias derretiam-se como o suor frio que me corria pela cara. Continuei à espera levantando de vez em quando a cabeça para ver se o monstro chegava. O tempo passava devagar, demasiado devagar, e o tipo não aparecia. Olhei para o relógio e passavam 15 minutos da hora concordada. Mais um bocado e passavam 30 minutos... e da ameaça nem sombra. Comecei a pensar que se tinha cortado, que tinha receado a minha insignificância. Essa agora! Nada aparecia no horizonte que contrariasse as minhas conjecturas. O catraio de voz grossa tinha-se esfumado e as suas ameaças tornavam-se fúteis como palha. E eu respirei fundo e fui-me dali embora com o passo mais firme do que nunca, contente por ter lutado contra o medo e por ter enfrentado a possibilidade de levar um histórico enxerto de porrada.

No dia seguinte, na escola, o desgraçado cruzou-se comigo cabisbaixo com a vergonha a vergar-lhe os ombros. Nem uma palavra. Passámos a ser distantes conhecidos.

Foi a minha primeira grande vitória... por falta de comparência do adversário.

Momento musical revivalista

segunda-feira, março 12, 2007

C 295

O Ministério da Defesa encomendou 12 destes à Airbus para transporte militar e patrulha marítima.

domingo, março 11, 2007

O relatório da OCDE para o ensino superior ou O regresso da ditadura

Depois de ter passado dois dias no Fórum AAC a analisar o relatório da OCDE e a nova lei da autonomia, era imperativo colocar aqui uma citação que encontrámos no dito relatório disponível aqui e com uma síntese aqui. Aí vai ela:


The election rather than the selection of the Rector.
The political process which is associated with the election of the rector and the claimed consequences; these include constraints on the freedom of the Rector due to promises having been made during the campaign and to the generation of ‘opposite camps’ when an contestant is not successful. This type of concern has been addressed clearly by the former distinguished Dean of Faculty of Arts and Sciences at Harvard University, Henry Rosovsky (Rosovsky, 1990) ‘An elected administration…ensures that leadership is weak: those who are strong and espouse change are unlikely to be popular favourites’ and, with reference to the USA ‘..chairmen, deans, Provosts…. are appointed – not elected – and they can be dismissed. This is crucial because academic elections tend to result in weak leadership’. The fact that the Rector is invariably from the institution itself is a direct result of the elective process and contributes to the insularity of the universities.

Não soa a ditadura? Não estão mesmo a ver o governo a fazer deste relatório lei? Não é terrivelmente assustador?

11 de Março de 1975

Foi a data em que o PREC (Processo Revolucionário em Curso) se acelerou, nomeadamente, com a nacionalização dos bancos e dos seguros. Sucedeu-se ao 28 de Setembro de 1974, data em que Spinola tentou travar a conquista do aparelho de Estado pelas forças mais à esquerda, e antecedeu o 25 de Novembro de 1975, o princípio do fim da ilusão revolucionária. Nessa última data, Eanes comandou as forças militares que restabeleceram a chamada "normalidade democrática", contra um putativo golpe de Estado da extrema-esquerda. A partir daí as eleições passaram a ser "quem mais ordena"... e tudo entrou nos eixos que sabemos.

Carta a quem quiser

Por aqui tudo bem. A Primavera começa a dizer que não tarda a chegar. As plantas querem florir a todo o custo. Como as palavras...

A minha tia telefonou a dizer que o gato está bem de saúde. Continua a perder pêlo, mas não deve ser nada de grave. A chatice é a penugem cinzenta que cobre o sofá lá de sala, mas para alguma coisa servem os aspiradores. E depois, o animal é tão simpático e faz companhia, à falta de humanos dignos desse nome. A minha tia está a ganhar caruncho e rabugice, depois de desistir de sonhar por causa de tanto desgosto. Os homens são todos uns malvados...

O meu amigo Jesualdo escreveu-me um e-mail a dizer que depois da Páscoa haverá mais um jantar de antigos colegas do liceu. Não sei porquê depois da Páscoa. Será que o Jesualdo passou a ser penitente? É estranho ver aquelas criaturas nesses jantares, depois de tantos anos, a fazer de conta que o tempo parou ou que andou só no bom sentido. Alguns aparecem com as mulheres vestidas de peruas ou de àrvores de Natal. Estão todos velhos e cada vez mais nostálgicos, agarrando-se a momentos de alegria e de desleixo de há 30 anos. Porra, 30 anos... Uns subiram, outros desceram, uns pararam, outros avançaram. Todos se babam a recordar as bebedeiras inocentes ou as escapadelas voluptuosas no jardim ao lado do liceu. E passam horas a discutir cilindradas e marcas de “topo de gama”.

O meu pai telefonou a dizer que a saúde melhora e que Fulano ou Beltrano (“lembras-te dele?”) faleceu e que foi ao funeral e que encontrou outro Fulano ou Beltrano que também vai morrer daqui a pouco. Também me disse que a conta bancária continua a crescer. Não tanto como seria desejável neste tempo de juros baixos, mas o suficiente para gente avisada e prudente como nós. Porque essa coisa de arriscar na Bolsa não é para quem ganhou o pão com o suor do rosto. E perguntou com a voz embargada quando é que volto. E eu disse que daqui a pouco e que abriremos a garrafa de vinho especial para acompanhar com o cabrito feito pela mãe. E o arroz doce...

A mulher da limpeza telefonou também a dizer que chove na sala e que a porta da cozinha está emperrada e que devo aumentar a mesada porque a vida está cara e as outras “Senhoras” já subiram. E eu agradeci a informação àcerca da chuva na sala e não tenho a mínima ideia de como resolver o problema, a tantos quilómetros de distância. Esperemos que a Primavera chegue depressa e que o Jesualdo me dê uma dica. Ele deve conhecer pedreiros de confiança. De confiança? Já ninguém é de confiança... E disse que – sim senhora! – vou aumentar a mesada, como as outras “Senhoras”, senão a Esmeralda manda-me àquele sítio e eu preciso que ela por lá passe para não deixar o pó e o mofo ocupar aquela bendita casa, onde repouso o corpo e a alma do mal da ausência.

E pronto, por cá continua tudo bem. A Primavera não tarda mesmo a chegar. Ainda não perdi a esperança de que o Benfica ganhe a Taça UEFA e o Campeonato. Ao menos isso!

quinta-feira, março 08, 2007

Os 50 anos da RTP

Tenho a impressão de que a celebração dos 50 anos da RTP se transformou numa enorme e eufórica homenagem à irmandade portuguesa cujas virtudes ultrapassariam classes sociais, actividades, tempos e pessoas. Trata-se de uma eloquente manifestação de nacionalismo, de enaltecimento do putativo cimento que ligaria Salazar a Cunhal, Almada Negreiros a António Calvário, Carlos Cruz a Vitorino Nemésio, a Expo 98 à Exposição do Mundo Português, Eusébio a Sophia de Mello Breyner, etc. E depois, toda aquela passerelle da suposta élite actual, incluindo a recorrente Rosa Mota - ícone do sucesso português no feminino e simpática santinha do altar soarista - e as caras "bonitas" e patéticas que nos enchem o ecrã todos os dias...

Esta chuva de auto-estima Lusíada junta-se a outra iniciativa da RTP que vai mais ou menos no mesmo sentido: o concurso do maior Português de todos os tempos. Isto é, a RTP está cada vez mais transformada em Ministério da Propaganda do regime, em veículo de exaltação do chamado Portugal moderno... O país é grande e coeso, está cada vez mais convencido da sua energia e da sua peculiaridade, vai muito para além das fracturas políticas, sociais ou culturais. Portugal é o futuro e recomenda-se...