quarta-feira, março 07, 2007

Dia da Mulher

Sou contra a existência do dia da Mulher, pois acho-o um dia para exaltar as "coitadinhas" das mulheres que nunca conseguiram ter igualdade relativamente aos homens. Eu, enquanto mulher e defensora da igualdade, recuso-me a ser tratada com "pena", com aquele espírito do tipo: "nunca conseguiste ser igual aos homens por isso criamos um dia só para ti". Se é, de facto, a igualdade entre sexos que se pretende exaltar então das duas uma: ou também há um dia do homem, ou então não há dia da mulher.

E se o céu nos caísse em cima?

A NASA diz que lhe falta dinheiro para evitar que o planeta seja destruido por um cometa ou asteróide em rota de colisão com a Terra. Não consta que falte dinheiro para a guerra do Iraque e quejandas...

Parece que há uma probabilidade de 0.002% de que um asteróide chamado Apophis venha a chocar com o nosso planeta no dia 13 de Abril de 2036. A confirmar-se essa possibilidade (claramente, remota!), se não for enviada para o espaço uma missão que permita desviar a trajectória, o embate terá lugar algures no Oceano Pacífico provocando, na melhor das hipóteses, um tsunami de proporções gigantescas e, na pior, uma noite com a duração de cerca de 1 ano, o que implicará alterações radicais no clima, na vida das pessoas, no consumo de energia, na produção agrícola, etc.

Provavelmente a melhor actuação dos DZRT de sempre

Nunca pensei pôr um video com este grupo aqui no blog, mas o Gato Fedorento fez-me mudar de ideias...


terça-feira, março 06, 2007

Alibi Network, bom dia, em que posso mentir?

Se tem um caso e a sua esposa está de olho em si, se está desempregado mas precisa que todos pensem que tem o emprego dos seus sonhos, se quer testar o seu namorado para perceber até que ponto ele gosta de si ou se, simplesmente, precisa de receber uma chamada telefónica (supostamente) importante num dado momento, a Alibi Network pode ser-lhe útil.
Esta empresa comercializa mentiras. Sim, mentiras, desculpas, ‘tretas’ e derivados, para todos os que querem mentir com segurança. Isto porque para Jeff Irwin, “o que acaba com os casamentos não é a mentira, mas ser apanhado a mentir”. Para o empresário – que diz que o seu negócio “é ajudar as famílias” (de uma forma pouco comum e com imoralidade q.b., diriam muitos) – “este não é um mercado novo. Nós não criámos o mercado, ele já existia há muito. Nós só estamos a assegurar um serviço necessário”.
Segundo o empreendedor americano, casado, de 43 anos, “as estatísticas revelam que o mercado da mentira tem vindo a sofrer um crescimento exponencial.” Irwin diz que cerca de metade dos casais já deram uma “facadinha” no matrimónio e que “cada vez mais as pessoas vivem uma vida de mentira que não é a sua”. O empresário não tem grandes dilemas morais ou éticos e diz estar apenas a colocar as suas habilidades “ao serviço do que precisam de mentir e não sabem como”.
Por isso, quando estruturou a linha de actuação da sua empresa a abrangência de serviços foi a palavra de ordem. Irwin não ajuda só as infidelidades conjugais, mas também os homens de negócios. A Alibi Network, no seu «call centre» aberto 24 horas por dia, assegura todo o tipo de serviços desde envio de «e-mails» ou chamadas telefónicas de trabalho, programação e compra de bilhetes de avião para encontros amorosos ilícitos, até um sem número de outras opções. Os serviços desta empresa podem até arranjar-lhe uma oportuna entrevista de trabalho fora do país que o obrigará a uma ausência, também oportuna, de vários dias.
O preço varia consoante o álibi necessário. Uma chamada telefónica ou um «e-mail» para despistar a esposa ou o marido custam cerca de 10 dólares, enquanto um álibi para um fim-de-semana longe da família ou para uma questão laboral, podem ir uns quantos dólares além disso. Para além destes valores, os utilizadores deste serviço pagam uma anuidade de 35 dólares que lhes garante o direito de integrarem como membros a Alibi Network.´
Irwin esclarece, no entanto, que negócio tem regras. “A Alibi Network recusa alguns serviços como aqueles que impliquem separar casais, arquitectando mentiras a pedido de terceiros. Não difamamos ninguém, o que fazemos é legal e trabalhamos apenas com o que envolva o próprio cliente”, explica. Até porque, como em todos os negócios, neste também há limites.

Política

"O mercado governa, os técnicos administram e os políticos aparecem na televisão" - afirmação de um político italiano durante o telejornal da RAI Uno ontem à noite.

Uma sugestão para quem estiver por estes lados...

Amanhã às 17h, no âmbito da semana cultural da UC vai ser projectado no anfiteatro da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra o filme "O Fiel Jardineiro" seguido de comentários e discussão. Quem estiver interessado e puder é muito bem vindo por lá ;)

segunda-feira, março 05, 2007

The Last King of Scotland


Outro bom filme, também consagrado pela máquina dos Óscares, sobre um tema recorrente: a desgraça de África... A interpretação de Whitaker é de facto impressionante.

No fim de contas, é um filme de ter pena... Sobretudo, ter pena do povo ugandês, sujeito às maiores atrocidades e desvarios de um louco, Idi Amin Dada, instrumentalizado pela Grã-Bretanha (mas, bem cedo deixa de ser o espantalho desejado, com consequências desastrosas).

Ter pena de um jovem médico escocês, ligeiro, imaturo e ambicioso que acaba por ser arrastado por uma máquina de arbitrariedade e de morte onde enterra a mais pequena centelha de honra, vergonha e dignidade. Apesar de conseguir escapar, custar-lhe-à a alma e, literalmente, a pele...

domingo, março 04, 2007

Das Leben der Anderen

Fui ver o vencedor do Óscar 2007 para o melhor filme estrangeiro, "Das Leben der Anderen" ("A Vida dos Outros"). Um excelente filme àcerca da Stasi, polícia política da chamada Républica Democrática Alemã (RDA), que ruiu com o muro de Berlim em 1989. O filme conta as escutas, perseguições, traições, renúncias, os compromissos, as conversões, a violência psicológica e moral sob um Estado totalitário, numa sociedade concentracionária. O non-sense da opressão, especialmente, da cultura... Brilhante a interpretação de Ulrich Mühe (na foto).

Só pensar que estive na RDA (em Berlim e em Rostock) em 1982, mais ou menos na altura em que se desenrola a acção do filme... Mostraram-nos as conquistas do socialismo, as agressões do Ocidente. Mostraram-nos a Porta de Brandenburg, do alto do muro, e os mecanismos incríveis de vigilância de todos os movimentos de pessoas e bens, legais e ilegais... Apesar das aparências, já na altura, se respirava um ambiente de fim de regime. A austeridade e a obsolescência dos meios de transporte, dos edifícios, do comércio eram quase patéticas. Mas, a autenticidade, a ordem e o pleno emprego contavam mais do que o bem-estar material do Ocidente a que, de qualquer forma, os pobres não podiam chegar. E a liberdade que contava nos chamados países de "socialismo real" era a daqueles que continuavam a acreditar num sistema condenado ao fracasso e desligado das realidades. Os outros, que viam a repressão, o anacronismo e os favoritismos do sistema, eram simplesmente "destruídos" ou ostracizados. Para esse trabalho de "limpeza", que se tornou cada vez mais desesperado à medida que as contradições e abusos se avolumavam, servia a famigerada Stasi.

Agora, depois de quase 20 anos da queda do muro e de muitos biliões de Marcos e de Euros gastos na modernização da Alemanha de Leste, o desemprego é muito superior à média nacional, o saudosismo floresce, os movimentos mais radicais de direita têm um terreno fértil, a delinquência cresce, as situações de dependência crónica da segurança social multiplicam-se. É certo que uma sociedade anestesiada e traumatizada durante mais de 40 anos não se integra facilmente numa lógica de mercado, mesmo ao fim de 20 anos e de muita generosidade dos "irmãos" da Alemanha ocidental.

sábado, março 03, 2007

A OPA morreu

E agora o que se vai passar com a Optimus? Casa com a Vodafone? É comprada pela PT? E o intrépido Belmiro o que vai fazer a seguir? Não o vejo a ficar quieto... E a PT? Como é que a vão dissecar? Tantas questões que vão continuar a alimentar a novela das telecomunicações e da Sonae.

sexta-feira, março 02, 2007

Great Firewall of China

Test a website address and see if it’s blocked in China.
The aim of this website is to be a watchdog and keep track of which and how many or how many times sites are censored. Help to keep the censorship transparent. Each blocked website will automatically be added to the great firewall on the homepage.


Aqui a melga não está censurada... Mas sites importantes como o google, o myspace, o youtube, o hotmail, a BBC, a wikipedia e muitos outros estão.

quinta-feira, março 01, 2007

Uma sugestão...




É evidente a vida seria muito mais difícil sem computadores mas como seria viver um dia sem eles? Esta experiência propõe que desliguemos os nossos computadores no dia 24 de Março e descubramos se conseguimos sobreviver 24 horas sem pegar no computador.
Shutdown day... Um dia para desligar o computador, e ainda por cima é um Sábado, portanto não há desculpa!
Clicar no título para mais informação.

A novela Macedo

Esta coisa do Macedo, director geral dos impostos, brada aos céus. Não conheço a criatura, não questiono as suas credenciais, não quero passar por lingua viperina, mas - que diabo! - será que em Portugal não há mais ninguém disposto a ganhar um bocado menos para prestar idênticos serviços ao Estado? Será que o homem é uma espécie de messias dos cofres públicos que não há dinheiro que pague? Não estão os cemitérios cheios de pessoas insubstítuiveis? Coitado do Governo que depende de um único homem ou mesmo de uma "dream team" para combater a fraude e a evasão fiscais e para garantir ao Estado as receitas que permitem a prestação de eméritos serviços públicos...

Esta conversa do "sai-não-sai", do "paga-se-lhe-não-se-lhe-paga" já dura há meses, enche jornais e telejornais, ocupa sessões do parlamento e de comissões parlamentares. O Macedo tem razões de sobejo para sentir o ego inflacionado. Acabem com a novela e paguem o que ele quer ou mandem-no de volta para o Millenium BCP e arranjem alguém menos eficiente, mas menos sonoro.

500 euros em 15 dias pela Europa

Uma iniciativa do Expresso a ir acompanhando aqui!
«Não se assustem: para apanhar boleia já não é preciso andar a estender o dedo à beira da estrada. Basta ter um computador com Internet e visitar um site como o ‘Hitchikers.org’. Foi o que fizemos há cerca de um mês atrás, quando começámos a planear esta viagem.
Embora em Portugal o conceito não seja ainda muito conhecido, as ‘agências de boleia online’ são muito comuns no centro da Europa. Qualquer pessoa pode deixar no site o percurso que vai fazer, com a hora, a data e o número de lugares que tem disponível no seu carro.
Por apenas 25 euros (menos 60 euros do que o bilhete de comboio), entrámos no carro de Daniel, um engenheiro alimentar holandês, e fizemos uma viagem de cinco horas até Roterdão. Simpático, mas pouco conversador, explicou-nos que decidiu adoptar este sistema há dois anos, quando começou um relacionamento amoroso com uma francesa. Todos os fins-de-semana vai a Paris e é nas boleias que arranja alguma ajuda para as despesas da viagem. Desde estudantes a viajantes, já passaram pelo seu carro pessoas das mais variadas nacionalidades, como canadianos a croatas. Nós fomos os primeiros portugueses (confundidos com espanhóis, o que deixou o Nuno logo irritado).»

Dúvida ou A institucionalização da cunha

D. José Policarpo disse para a Visão:

"Tenho uma boa relação pessoal com Cavaco, mas nunca poderia usá-la numa questão destas [lei da IVG]"

Isto quer dizer que pode usar a sua boa relação com o Presidente da República para outras questões???

Renault de sangue

Isto é eloquente e chocante.

Depois venham falar em eficiência e em competitividade... Na sua versão mais furiosa e integrista, o capitalismo não tolera a fraqueza: simplesmente, cria as condições para a sua eliminação física, aplicando os "sãos" princípios do darwinismo. E o patrão diz-se preocupadíssimo, esclarecendo, porém, que "Renault n'a pas le droit à l'échec, mais un salarié peut échouer"...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Montanhas, relógios e chocolates

A sensação que se tem quando se passa pelo aeroporto de Genève ou pelo hall de certos hotéis da mesma cidade é a de continuar no tempo da Guerra Fria. Parece que toda a gente é espião ou que fala com eles. Há qualquer coisa de conspirativo e de anos 70/80 no ar. Malas pretas suspeitas, óculos escuros démodés, sapatos de verniz bicudos, penteados construidos com brilhantina, riscas de cores estridentes, olhares furtivos de quem parece perseguir ou recear ser perseguido... A cidade parece uma plataforma de encontros e transacções que só ali se poderiam realizar, por trás de um austero e civilizado sigilo, de uma irrepreensível aparência de legalidade.

É claro que Genève também é o centro histórico, onde se encontra o edíficio belíssimo da Câmara Municipal, a universidade, as ruas estreitas impecavelmente limpas, os prédios antigos em estado de perfeita conservação. Ao caminhar à noite por aquelas ruas, quase se espera cruzar com Calvino ou, de preferência, com Giordano Bruno que por ali passou à procura de tolerância, mas que teve de fugir dos protestantes com a mesma pressa com que tinha fugido dos católicos romanos...

E depois há a Genève do jetset e do dinheiro a rodos que compra vivendas com jardins imensos e vista sobre o Lago Leman, que se passeia em Maseratis e em Aston Martins e que alimenta a clientela das mais opulentas lojas de luxo que se possa imaginar. Sabe deus de onde vem todas essas fortunas que os banqueiros suiços fecham a sete chaves e que investem na maior das discrições em negócios inconfessáveis, que apenas a má lingua de invejosos ou de radicais alternativos pode tentar denegrir.

Apesar da sua atmosfera asséptica de postal ilustrado, Genève talvez seja um pouco menos limpa e organizada do que outras cidades da Suiça, em especial as dos cantões germânicos. A Suiça é um país muito particular onde a ordem, a estabilidade e a vigilância de todos por todos atingem níveis absurdos. É um país arrogantemente imparcial e ordeiro onde o cinismo dos ricos e hiper-ricos vai repousar-se. É essa diferença, a resistência à abertura e à transparência, que constituem os principais factores de atracção e de prosperidade do país das montanhas deslumbrantes, dos chocolates e dos relógios, o refúgio dos crimes sem castigo deste mundo, dada a força do dinheiro.

Não quero caricaturar a Suiça como um simples paraíso fiscal - de resto, é tudo menos simples... A Suiça é muito mais do que isso e os suiços fazem seguramente mais do que aproveitar a proverbial neutralidade e o poder de compra de gente mais ou menos exótica e riquíssima. Mas essa dimensão terrena escapa-me porque nunca vivi o quotidiano nem a cultura popular do país. Disso poderão falar com conhecimento de causa - talvez não muito elogiosamente... - os milhares de portugueses que para lá emigraram. O que é certo é que a Suiça tem algumas das paisagens de montanha mais bonitas do mundo.

PS: Já agora, vá-se lá perceber porque é que a Swissair, companhia aérea de um país tão disciplinado e eficiente, foi uma das raras que faliu até agora na Europa, tendo sido reciclada pela Lufthansa...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Paris


Vénus de Milo - Louvre


Pirâmide (Vista do interior) - Louvre


Torre Eiffel (Vista do 2º andar)



Castelo - Disneyland Paris


Catedral de Notre Dame


Música Clássica na estação de Metro

Melhor filme


Este ano o Óscar de melhor filme foi para The Departed, coisa que eu não estava de todo à espera. Contava com a vitória de Babel ou talvez de Letters from Iwo Jima, mas foi uma agradável surpresa ver que o vencedor foi este filme que já referi aqui no blog. De qualquer modo, preferia ver Blood Diamond com esse óscar, ou no mínimo com a nomeação para a categoria...

domingo, fevereiro 25, 2007

Os conferencistas


Durante seis anos, Bill Clinton ganhou, como conferencista, qualquer coisa como 40 milhões de dólares (mais de 6 milhões de contos), um montante bastante superior aos 2 milhões de dólares que recebeu durante 8 anos como Presidente dos Estados Unidos. A essa soma, a todos os títulos respeitável, é necessário acrescentar as receitas da sua autobiografia, dos investimentos na bolsa, etc. Clinton ganhou em média 160000 dólares (cerca de 24000 contos) por conferência, chegando a um máximo de 400000 dólares (60000 contos) no Japão em 2002. Parece que uma parte significativa de todos estes ganhos seja destinada a obras de beneficiência... e a financiar a campanha da sua extremosa mulher Hilary.

O negócio das conferências não é exclusivo de Clinton. Nomes sonantes como Al Gore, Gorbachov, Bill Gates e mesmo o economista alternativo Stiglitz, ganham dinheiro a rodos por esse mundo fora, abrilhantando conferências, simpósios e reuniões quejandas. Os ex-qualquer-coisa-de-importância governam-se bem na "parte ulterior" das suas vidas, disfrutando da notoriedade e do "networking" que acumularam durante a "parte precedente". Transformam-se em consultores ("advisors"), membros honorários de conselhos de administração, conferencistas, comentadores, vendedores de ideias peregrinas, etc.

sábado, fevereiro 24, 2007

Odette

Fui ver ontem o filme "Odette toulemonde", o primeiro do escritor francês Eric Emmanuel-Schmitt. Um filme na linha de "Amélie" ou "Le bonheur est dans le pré".

Um filme para românticos e ingénuos sobre a simplicidade de ser feliz. Uma banal vendedora de centro comercial ("rayon cosmétiques"), de Charleroi, na Bélgica, um dos sítios mais cinzentos e deprimentes do mundo, meia-idade, viúva há muitos anos, mãe de dois filhos adolescentes demasiado alinhados com o tempo, amante de coisas kitch e de romances mais ou menos de cordel que falam de pessoas solitárias à procura de um amor impossivel - Odette chama-se a heroína - demonstra a um escritor de Paris, autor dos romances de que se preenchem os sonhos de Odette, em crise de inspiração, existencial e conjugal, como é fácil viver a própria vida, sem seguir modelos de felicidade impostos pela vida dos outros. O escritor, Balthazar Balsan, renuncia aos sofismas e armadilhas em que se enrolava o seu quotidiano, segue o coração, indo viver com a vendedora de cosméticos, escrevendo um novo livro, "La vie des autres", que dedica com ternura a Odette...

Aconselham-se Kleenex a donas de casa, encalhados e outros solitários. Cínicos, filo-cinéfilos e intelectuais de esquerda arriscam-se a perder o dinheiro do bilhete ou do DVD e a "desligar" depois de 10 minutos de chachada...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Política à italiana

O governo italiano caiu porque a maioria híbrida que o sustentava não apoiou a sua politica externa no Parlamento. Cá para mim foi apenas um pretexto. Várias facções da coligação andavam a ameaçar, por isto e por aquilo... Prodi já tinha vacilado aquando da votação do orçamento para 2007. Agora apresentou a demissão, mas é provável que o Presidente Giorgio Napolitano apoie a formação de um governo Prodi bis de centro esquerda (talvez ainda mais mesclado de direita e, portanto, com um futuro duvidoso). O "pasticcio" que se sabe e de que os italianos são mestres supremos.

Desde que a democracia cristã e o PCI se desagregaram nos anos 80 para dar origem a uma miríade de partidos que representam clientelas mais ou menos coloridas, os governos de Itália têm vivido ao sabor dos "caprichos" de pequenos e grandes caciques. Os partidos de centro podem passar rapida e inesperadamente do centro-esquerda para o centro-direita e vice-versa. Os partidos regionalistas (como a ultramontana Lega Nord) batem o pé e tornam o governo central refém das suas exigências. Os neo-comunistas procuram tirar o máximo partido da sua contribuição para a maioria parlamentar. E por aí fora...

Mas, afinal, quem governa a Itália? Como é que se compreende que, apesar de tanta instabilidade e no meio de uma proverbial confusão, o país tenha prosperado no pós-guerra? Diz-se agora que o sistema de governação espontânea e de múltiplos centros de poder (aparentes ou camuflados) atingiu o esgotamento. Continuar assim, pode significar o declínio do país e a perda da sua competitividade internacional. De facto, nos últimos anos a economia italiana tem divergido em relação à média da EU-15. Mas, o que não falta aos italianos é a criatividade e a astúcia ("furbizia") para dar a volta por cima.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Chega de Internet...

Bill Gates, o fundador de Microsoft, juntamente com a sua mulher Melinda, decidiram limitar a 45 minutos por dia o acesso à Internet da filha de 10 anos. Tem apenas direito a um quarto de hora suplementar no fim-de-semana.

Testes de DNA

CAMPOBASSO - Pediu, através do seu advogado, o exame do DNA de 13 homens. É casada, tem 40 anos e vive numa aldeia do Alto Molise em Itália. Para o Presidente da Câmara, trata-se de um caso "humano e social". "Aquela família - disse - tem graves problemas e precisa de ajuda dos serviços sociais. Portanto, não se trata de apenas um escândalo". Depois de ficar grávida, a mulher teve dúvidas àcerca de quem seria o pai da criança. Entre os homens que terá frequentado nos últimos meses, figuram políticos locais e insuspeitos homens casados da aldeia e da zona límitrofe. Um caso idêntico ocorreu há algumas semanas no Alto Adige: uma empregada de limpeza, há pouco tempo mãe, pediu um exame do DNA de uma dezena de presumíveis amantes, entre os quais metade da equipa de futebol da vila onde vive.

A fé pode ajudar os fracos e ignorantes, isto é, todos os seres humanos. A fé é uma força inexplicável que cria esperança e optimismo e que reforça a vontade das pessoas de não desistir, de lutar, de observar a vida com menos cinzento nos olhos. Fortes e/ou patetas e/ou cínicos os que conseguem tudo isso sem fé...

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Bobby


Bobby não é um filme estonteante ou apaixonante mas merece ser visto.
Conta as horas anteriores ao assassinato de Robert (Bobby) F. Kenedy, na vida de várias pessoas que tinham em comum a estadia no hotel que serviu de sede de campanha do senador em Los Angeles.
Do ponto de vista histórico é muito fiel à época que retrata e combina alguns dos nomes mais reconhecidos de Hollywood como o de Anthony Hopkins, Helen Hunt, Sharon Stone, Demi Moore e Elijah Wood.

Finalmente estou de férias...



... e a cada semestre que passa sinto que as mereço cada vez mais... 7 exames foi muita coisa!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Contra-democracia

A democracia precisa da contra-democracia para não descambar num totalitarismo legitimado pelos votos ou num sistema de defesa de interesses minoritários, negando a maioria eleitoral.

A democracia é legitimada formalmente através das eleições, mas essa é uma sua condição minimalista, institucional. A democracia precisa, sobretudo, de confiança entre representantes e representados. A contra-democracia consiste no conjunto de mecanismos através dos quais os representados cultivam e controlam essa confiança. A denúncia, a vigilância e o protesto fazem parte desses mecanismos que a sociedade civil inventa e re-inventa.

O problema é que a sociedade civil não é homogénea e os interesses mais poderosos e aguerridos podem monopolizar a contra-democracia, impondo pela pressão, designadamente mediática, os seus interesses parcelares. Assim, a confiança poderá ser minada precisamente pelo processo que se destinava a reforçá-la e o resultado pode ser a desmobilização de amplas camadas da população.

Para saber muito mais àcerca da matéria, ler o último livro de Pierre Rosanvallon, "La contre-democratie".

sábado, fevereiro 17, 2007

Frustração a dois dias do fim


Porque é que a dois dias de acabar os exames é que o ânimo começa a faltar e a motivação a desaparecer?

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Gazes com efeito de estufa

Agora descobriram que o metano expelido durante a longa e complicada digestão dos bovinos representa cerca de 1/3 dos gazes com efeito de estufa lançados na atmosfera. E países como a Nova Zelândia introduziram mesmo uma taxa sobre cada animal para compensar a poluição resultante de tal flatulência e ajudar a financiar os trabalhos de investigação científica para combater o pivete.

Presumo que considerações análogas se possam tecer em relação a semelhante fenómeno nos humanos. Por isso, de cada vez que se sentirem incomodados pelo gaz libertado pelas vossas tripas (seguramente, metano ou ainda mais nocivo do que o metano...) pensem duas vezes antes de se aliviarem, porque o planeta sofrerá de mais esse acto de (fétido) egoismo. E, por favor, comam poucos farináceos...

Uma certa caridade

Alguns homens e mulheres ricos e bem sucedidos, quando chegam a uma idade provecta, decidem optar pela caridade e pelas obras sociais. Depois de terem feito as maiores atrocidades e demonstrado flagrante falta de escrúpulos para se tornarem ricos e poderosos, vão para a reforma, constituindo fundações e dando provas de generosidade à direita e à esquerda. Revelam uma sensibilidade inesperada em relação aos pobres, doentes e degredados da vida.

Tudo isto é espontâneo, inocente e altruísta? Ou constitui uma desesperada operação de lavagem da alma e de luta contra a morte? Uma tentativa de, finalmente, ganhar notoriedade positiva e de conquistar um busto que perenize a breve passagem pelo mundo dos mortais, para lá de uma ou duas gerações sucessivas? Uma redenção dos pecados de que se alimentou a soberba da juventude e da maturidade?

Se de tudo isso beneficiarem, mesmo que simbolicamente, alguns marginais do sucesso, why not? Bem hajam os benfeitores anciãos que pretendem meter em ordem as suas consciências corrompidas pela ambição e pela vaidade de uma existência venal.