segunda-feira, janeiro 22, 2007

Abbé Pierre

Morreu Abbé Pierre, fundador de Emmaüs, homem de fé e sobretudo de acção, muito respeitado em França, especialmente pelos mais desfavorecidos. Tenho pena. Era um homem bom, um visionário a favor dos pobres e dos marginais. Leiam os artigos publicados hoje pelo Le Monde.

Sábios conselhos do Blogger

Aqui vai um exemplo:

Do you blog about stuff that you would never tell your Mom? Does your Mom surf the web? Don't panic, we've got answers. Deleting your blog and abandoning your loyal readers is a last resort and should only be undertaken under dire circumstances. Our experts here at Blogger Support have come up with a list of suggestions to help you navigate around the dreaded 'Mom Scenario' (or prevent it altogether).
Para este e outros conselhos, clicar no título.

domingo, janeiro 21, 2007

Todo o cuidado é pouco...

No final de Fevereiro vou à Disneyland de Paris e acho que vou levar capacete, joelheiras e talvez um taco de baseball...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Os cristãos que vão votar 'sim' no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas

(quanta actualidade)

E já agora, se o voto é secreto, como é que se decide quem é que vai ser excomungado?

Referendo ao aborto - Um pensamento

Os argumentos a favor do SIM e do NÃo já foram/estão tão (de)batidos que se arriscam seriamente a tornar-se clichés sem qualquer valor.
Se isto acontecer (se é que não está já a acontecer), as convicções perderão a força, o interesse diminuirá e uma questão como a despenalização de algo tão importante como o aborto será vista e abordada com uma leveza que não merece.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Belmiro strikes again

Acabei de ouvir o Eng° Belmiro de Azevedo na "Grande Entrevista" da RTP. A hora da verdade para a OPA sobre a PT aproxima-se (princípio de Março). O Eng° jura a pés juntos que não sobe o preço acima dos 9.5 euros, o que valoriza a PT em qualquer coisa como 11 mil milhões de euros. A cotação hoje fechou a 10.43 euros (+0.77% em relação a ontem), mas o Eng° diz que isso é o "mini-mercado da especulação". Diz também que depois da bolha e caso a sua OPA falhar, o preço da PT seguramente atingirá um valor inferior aos 9.5 euros da OPA, porque reflectirá o valor intrinseco do grupo e não a febre especulativa e o efeito de reboque do sector em alta na Europa. Por isso, os accionistas devem vender a 9.5 euros em Março em vez de recusarem a OPA. Em tudo isto não percebi se o Eng° está a fazer chantagem (tipo: depois de mim o dilúvio...), a comportar-se simplesmente como bom comprador que prefere pagar menos do que mais, se é ele próprio (e não propriamente a PT) que não vale mais do que 9.5 euros?

Também disse que espera que o Estado seja neutro, que estima muitíssimo o outro Eng° (o Sócrates) e a sua colaboração com o Presidente, e que, por isso, estão reunidas condições únicas para melhorar o estado do país (e provavelmente das suas finanças). Chegou a chamar ao Eng° Sócrates um excelente CEO (chief executive officer, expressão inglesa que designa o administrador executivo de topo de uma empresa e que em português vernáculo quer dizer "patrão") - acrescento, da empresa Portugal que iria muito longe se fosse gerida segundo o modelo de trabalho, disciplina e eficácia da Sonae, pois claro!

Disse que Portugal é demasiado pequeno para o seu grupo e que, portanto, o crescimento orgânico não lhe chega. Por isso se virou para o estrangeiro, especialmente, na àrea industrial (aglomerados de madeira) e se aventurou a comprar em Portugal a maior empresa, exactamente a PT. E se perder a PT (o que acha improvável a 99%), continuará a lutar, também nas telecomunicações, para libertar a Optimus das barreiras à concorrência e conquistar, finalmente, uma quota de mercado acima dos 25%.

Também disse que construiu o seu "império" essencialmente com o dinheiro dos bancos e que nunca faltou a nenhuma das suas dívidas porque investe o dinheiro (seu e principalmente dos credores) em negócios rentáveis. O seu grupo constitui garantias a favor dos bancos mas, a título pessoal, nunca hipotecou nenhum património. Chegou a dizer em surdina que - ele Belmiro de Azevedo - não devia nada a ninguém. Portanto, uma coisa é o Eng° outra é o grupo Sonae, naturalmente...

E está disposto a enfrentar os espanhóis da Telefónica, quer como potenciais vendedores no âmbito da OPA, quer para negociar posteriormente a operadora de telefones móveis Vivo do Brasil.

Grande Eng°. Ainda não fechou o concurso de "Melhor Português de Sempre"? Quase, quase não voto em D. João II.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Eu sou a favor do Sim...


...Mas estes argumentos são deliciosos!
"Não decepcionemos a nossa Mãe do Céu"

clicar na foto para aumentar.

domingo, janeiro 14, 2007

Falsas Acusações - um artigo impressionante

"O pai põe a pilinha na mão." Mafalda, então com três anos, não podia imaginar que aquela frase, repetida com a surpresa típica de quem descobre o sexo oposto, iria provocar a derrocada da sua família.
(...)
Chegou a considerar abuso o facto de pôr as miúdas no colo e fazer 'cavalinho'. Achava que aqueles movimentos tinham uma carga altamente sexual. Para evitar problemas, deixei de lhes mudar as fraldas, deixei de lhes dar banho, e já nem sabia bem o que podia ou não ser considerado estranho. Sentia-me encurralado.
(...)
a mãe das crianças interpôs uma queixa-crime por abuso sexual contra Manuel. O pai ficou impedido de ver as crianças até saírem os relatórios dos especialistas
(...)
Já passaram três anos desde que a mãe da Mafalda e da Francisca interpôs uma queixa-crime por abuso sexual contra Manuel. Já passaram três anos desde que Manuel viu as filhas pela última vez. A queixa-crime acabou de ser arquivada, porque o juiz considerou não ter qualquer fundamento. O julgamento que irá regular o poder paternal está marcado para Fevereiro. Manuel tem saudades das filhas mas sabe que tanto tempo de ausência e de indução de medo quebraram laços que nunca deviam ter sido quebrados. Resta saber se ainda há forma de os recuperar.


Para ler o artigo completo, clicar no título

Caminhar

Adoro caminhar na Natureza, nos pinháis ou através dos campos. Sózinho ou em grupo, distâncias que podem variar entre 5 e 20 quilómetros, durante 1 hora, uma manhá ou um dia. Quando há sol ou nuvens. Quando está frio ou calor. Mais chato é caminhar à chuva, mas, dependendo das circunstâncias e do equipamento, também se pode fazer. Caminhar faz bem à saúde e sobretudo à mente.

Quando caminho sózinho, deixo correr os meus pensamentos mais depressa do que os meus passos. Geralmente, não escolho nenhum tema, os pensamentos apresentam-se sem cerimónia e deixo que eles me ocupem o espírito pelo tempo e com o pormenor que desejam. Nessas deambulações, encontro na minha cabeça pessoas e chego a conclusões, por vezes, inesperadas e úteis. É divertido esse diálogo com a reflexão que se torna interlocutor e que se liberta do seu sujeito. De vez em quando, perco-me dos pensamentos, digo-lhes adeus. Eles ficam por sua conta e olho então a paisagem à volta. Com calma, admirando detalhes que antes me pareciam impossíveis ou irrelevantes. Casas, àrvores, colinas, riachos, subidas e descidas, pontes, pedras. O ritmo de uma caminhada não nos deixa passar pelos sítios de repente. Os sítios não são apenas cenário, como quando se vai de carro ou de combóio. Os sítios passam a ser protagonistas, companhia. E parecem sempre diferentes, como as pessoas interessantes de que nunca nos cansamos.

Caminhar em grupo é divertidíssimo. Fala-se, fala-se, fala-se, dribla-se o cansaço, ri-se, pára-se para comer uma bucha ou para comentar um pormenor do percurso, perde-se a noção da distância e do tempo. Fazem-se autênticas cimeiras e assinam-se tratados para decidir, em caso de dúvida, num cruzamento mal assinalado no mapa, qual o caminho a seguir. Discute-se o estado do mundo, os filmes e os livros do momento, esgrime-se política, resolvem-se os grandes problemas da Humanidade, penetra-se nos meandros da filosofia e da natureza humana, explica-se a proverbial e impagável saudade dos portugueses, passa-se por Jean-Marie Le Pen e o populismo na Europa, teoriza-se o futebol inglês e o papel dos russos ricos e do Mourinho, etc, etc. E no fim de várias horas e de músculos doridos quanto baste, chega-se ao ponto de partida onde, normalmente, há um bar ou um restaurante onde se faz questão de restabelecer o stock de calorias.

Caminhar é um divertimento a não perder. Não lhe quero chamar filosofia de vida ou metodologia para viver bem e para pensar melhor, para não parecer pretensioso e para não exagerar a coisa. Não gosto de absolutizações nem de excitações espúrias. Mas, é verdade que grandes expoentes da política, da arte e da ciência, como Rousseau ou Proust ou Churchill, tiveram grande parte das suas mais brilhantes ideias, precisamente, enquanto caminhavam. Eram grandes entusiastas e praticantes da "randonnée", como lhe chamam os franceses. Em França e noutros países europeus como a Alemanha, a "randonnée" tornou-se uma espécie de modalidade desportiva, uma cultura, um hobby de pessoas apaixonadas pela Natureza e pelo bem-estar. Nalguns casos, institucionalizou-se, talvez demais. Mas, não é preciso chegar a esses extremos. Caminhar pode ser apenas uma actividade livre, individual ou de grupo, de puro divertimento, sem grandes regras.

Caminhem e descubram a mística, o prazer e o fascínio de uma das mais elementares expressões da motricidade humana.

sábado, janeiro 13, 2007

Piada

Hoje o DN Online presenteou-nos com uma grandessíssima piada... Ei-la:


clicar no título para ver o contexto...

À (re)descoberta de Gal Costa

sexta-feira, janeiro 12, 2007

A doença mental ao longo da história

Peço desculpa pela inclusão de assuntos demasiado "psicológicos" no blog, mas ando a estudar umas coisinhas que achei que podiam ser do interesse de alguns leitores, por isso aqui vai uma parte da matéria de psicopatologia...

A doença mental gera posições defensivas da sociedade, sendo a atitude de uma cultura relativamente a esta tradutora do seu estado evolutivo. Pelo seu carácter enigmático, desde cedo se procuram as causas do comportamento anormal. Esta busca começa com a demonologia primitiva, que remonta às antigas culturas chinesa, egípcia e babilónia. Nestas, a causa da doença mental era atribuída a um ser maléfico, como o diabo, que “entrava” nas pessoas, controlando-lhes corpo e mente. Entre os hebreus, por exemplo, acreditava-se que a anormalidade se devia à possessão de maus espíritos devido ao facto de Deus ter tirado a sua protecção ao doente.

A esta perspectiva segue-se a somatogénese, adoptada na Grécia antiga com a emergência do humanismo, que passa a procura das causas da anormalidade para o próprio Homem. Neste contexto destaca-se Hipócrates que separa a medicina da religião, da magia e das superstições, encarando o cérebro, pela primeira vez, como o órgão da consciência, da vida intelectual e da emoção. Encara, então, as doenças mentais como patologias cerebrais, classificando-as em três categorias: mania, melancolia e febre cerebral.

Com a idade média recua-se à perspectiva demonológica (!), com a crescente influência e poder das igrejas, que passam a assumir o trabalho de “curandeiros dos doentes mentais”, recorrendo a tratamentos como orações e poções sagradas. No século XIII, portanto, os europeus passam a viver obcecados com a ideia do diabo e amedrontados com a bruxaria (vista como “fruto de Satanás”, heresia e negação de Deus), pelo que, todos os que dela eram acusados, acabavam por ser torturados e executados. A psicopatologia também era explicada, neste contexto, como bruxaria, portanto, o “tratamento” para os doentes mentais era o mesmo. Curioso o retrocesso abismal.

A partir dos séculos XV e XVI, muitos hospitais de leprosos são substituídos por asilos para abrigar e tratar doentes mentais, o que marcou a inclusão dos comportamentos anormais no domínio hospitalar. No entanto, em muitos casos, estes eram misturados com mendigos e pedintes, não recebendo quaisquer cuidados de que necessitavam. A dignificação dos doentes mentais só ocorre pouco depois da Revolução Francesa quando Pinel fica responsável por um asilo parisiense e pede à comuna da cidade autorização para “desagrilhoar os loucos”. Este episódio que marca o nascimento da psiquiatria, é também o início do tratamento moral, pois os doentes passam a ser tratados como tal e passam de celas a quartos, com condições para o tratamento ser possível e digno.

Non sense

Um tipo hospedado num hotel de luxo abeirou-se de uma piscina e viu um peixe. Hesitou antes de mergulhar.

"Uma piscina é para os humanos, apesar de a àgua ser para os peixes. E o cloro da àgua das piscinas deve tornar a vida do peixe efémera... Ou não haverá cloro naquela piscina e, nesse caso, não será prudente mergulhar? Digamos, mais por causa da presumível má qualidade da àgua do que da presença do animal que, seguramente, não faria mal a ninguém... Também com um tamanho daqueles... Valha-nos Deus!"

O peixe lá continuava a dar voltas graciosas no fundo azul da piscina, não demonstrando o menor indício de mal-estar ou agressividade.

"Outra possibilidade: o peixe seria de uma tal espécie ou calibre que seria resistente ao cloro. Mas, nesse caso poderia não ser muito amigável com os humanos... Talvez se tratasse de uma criatura geneticamente modificada para resistir ao ambiente hostil das piscinas e assim poder conviver com os humanos harmoniosamente. Digamos que se poderia tratar de um novo ornamento para piscinas de topo de gama."

Inclinou-se e molhou a mão. A àgua estava tépida, mesmo apetecível para um mergulho.

"Com uma temperatura da àgua assim tão alta, provavelmente, o peixe será de origem tropical e tinha ouvido dizer que há várias espécies de peixes dessas paragens que atacam os humanos."

No fim de todas esses reflexões e dada a sua proverbial aversão ao risco, decidiu voltar para o quarto do hotel e tomou um banho de imersão bem quente e perfumado. Que beleza... Quando, mais tarde, voltou à casa de banho, a banheira estava vazia e no fundo encontrava-se uma PIRANHA moribunda, certamente envenada pelo sabão e pelos sais com que tinha condimentado a àgua. Despiu-se todo imediatamente e olhou-se ao espelho em pormenor: nenhum sinal de mordedura letal...

Pelo sim, pelo não, foi às urgências do hospital. Já mesmo a chegar, ao atravessar a rua, foi atropelado por uma ambulância. O prognóstico continua reservado...

terça-feira, janeiro 09, 2007

Uma toxicomania sem droga

Tradução de um artigo publicado hoje pelo jornal francês "La Tribune":

Segundo o Dr. Michel Hautefeuille do Centro Médico Marmottan, especializado em toxicomania, "certas formas de ciber-dependência, como a dos jogos em rede, tornaram-se reconhecidas. Outras como a dependência dos e-mails, do 'chat' e de todas as formas de 'conversação assistida por computador' não o são ainda. O ciber-dependente verifica constantemente a chegada de e-mails, tem uma sensação de prazer intenso quando os recebe e sofre de ansiedade quando os não recebe. Este tipo de 'habituação' encontra-se ligado à necessidade de controle permanente e à fobia de passar ao lado de qualquer coisa. Como toda a dependência, gera auto-centramento, ausência de socialização e sofrimento."

A ilusão do destino

Acabei de ler o último livro de Amartya Sen (prémio Nobel de Economia 1998) "Identity and Violence". Um bom livro àcerca do potencial destrutivo de uma visão distorcida da identidade dos indíviduos. A tese do autor parece-me evidente i.e. cada indíviduo é uma pluralidade de identidades (política, religiosa, sexual, linguistica, cultural, racial, etc.) e a violência resulta essencialmente da absolutização de uma dessas identidades, ou seja, da homologação dos indíviduos segundo modelos restritos, rígidos e baseados em preconceitos. Um católico ou um muçulmano são muito mais do que isso mesmo, isto é, são seres humanos inteiros, com escolhas e sensibilidades que vão muito para além das respectivas filiações religiosas. São de esquerda ou de direita, ricos ou pobres, eruditos ou analfabetos, tolerantes ou intolerantes, homosexuais ou heterosexuais, etc, etc. O subtítulo do livro é particularmente elucidativo da tese defendida: "the illusion of destiny". Muita da violência e da intolerância reinantes resultam precisamente da ficção de que as pessoas estão condenadas a um certo destino por causa de uma apenas das suas múltiplas vinculações. Um muçulmano não poderia ser mais nada senão um muçulmano, segundo um esquema pré-estabelecido que implicaria, por exemplo, a aceitação da violência. O Ocidente seria, por definição, superior a outras culturas, o campeão da liberdade e da democracia. Et ainsi de suite... Ideias comuns com que se hiper-simplifica uma realidade que é complexa e variável. Com base nessas ideias tomam-se decisões, designadamente de política internacional, que desestabilzam o mundo e causam sofrimento a milhões de seres humanos.

domingo, janeiro 07, 2007

Este é o Dakar...

"Não fomos em cantigas. Já sabíamos que este ano o caos seria pior que no ano passado. Estamos aqui como em casa, trouxemos o grelhador e as grades de cerveja... até mesa", atirou o professor António Rodrigues, que organizou com os seus amigos um "raide" até Grandola . "O importante é a festa... depois logo oiço na rádio quem ganhou ", dizia, sentado sobre uma geleira portátil, ostentando numa mão uma mini e na outra uma bifana.


"Só é pena que as pessoas não respeitem os concorrentes e ocupem a pista da prova ... olhem para aquele gajo no meio do caminho... é maluco... ó senhor guarda, tire aquele tipo dali, se não ainda há um acidente."





Concluíndo, a fase mais fácil do rally será a parte africana do percurso.

sábado, janeiro 06, 2007

Breves e sortidas sobre o estado da Nação

O Dakar (que só nós sabemos que é o Lisboa-Dakar) é azeiteiro. A sua relevância mediática por cá (lá fora ninguém fala do evento...) apenas demonstra a falta de coisas de interesse neste princípio de ano insípido e a maneira incolor como se passa horas à frente do ecran a ver as patetices com que meninos ricos se divertem Àfrica abaixo. Aquilo tudo custa uma estupidez de dinheiro que até aleija quem faz a comparação com a pobreza dos sítios por onde passa... Leiam o artigo de Helena Matos na página 5 do "Publico" de hoje: excelente.

No outro dia, estive 2 horas e meia num hospital público para me tirarem umas gotas de sangue e para poder ter o privilégio de mictar para dentro dum frasco de plástico de tampa encarnada. Aquilo funciona solenemente mal e os sacerdotes da burocracia levam tudo tão a sério que até dói. Simplificar a vida aos utentes do sistema nacional de saúde é um acto de inacessível generosidade, que depende do humor com que acordam aquelas senhoras, ali por trás do computador. Na parede ao lado duma dessas dedicadas criaturas de bata branca podia ler-se a seguinte frase: "o maior prazer de um indíviduo inteligente é fazer de conta que é imbecil à frente de um imbecil que faz de conta que é inteligente". Boa... Gostei - particularmente, no contexto.

Os comentários torrenciais e contraditórios ao discurso de ano novo (ou será de fim-de-ano?) de Cavaco evidenciam os enigmas de que se alimenta a política portuguesa, cada vez mais centrada na relação entre o presidente e o primeiro-ministro. O homem criticou ou não criticou? Adivinha-se borrasca? Cavaco está apenas a preparar com devida e prudente antecedência a (sua) vida pós-Socrates? Está a marcar diferenças onde elas não existem para salvar as aparências? Que credibilidade tem pedir resultados no espaço de 1 ano relativamente a putativas reformas em áreas tão pesadas como a justiça, a saúde e o desenvolvimento económico? Como não se cansa de lembrar o despenteado mental Pulido Valente, o problema de Portugal são apenas os portugueses e o governo pode fazer bem pouco por isto...

Abençoada seja a meteorologia neste começo de ano, neste querido país. Apesar das ameaças e de alguns curtos interregnos algo cinzentos e chuvosos, o sol e o frio aí estão a pintar-nos a alma de boas cores. Se olharem os mapas do tempo por essa Europa fora vão ver a sorte que temos. Mar e sol é o que sempre pudemos vender com alguma eficácia.

E por hoje por aqui me fico.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

As faces do poder

Antes o poder era uma puta. Caiu na rua. A principal meretriz era Santana Lopes. Agora o poder é um padre. Um dos raros sucessos de Sócrates (para além do de ser cabeça de cartaz deste blog nos últimos tempos...) foi o de re-sacralizar o poder, dar-lhe distância em relação à rua e ao povo. O poder tem de ser respeitado, senão mesmo, temido... Sócrates é o supremo sacerdote da nova igreja do poder que decide e que corta a direito, forte da legitimidade que resulta do voto.

Feliz 2007 ou feliz ano do porco


sábado, dezembro 30, 2006

Sabemos que está quase a chegar o ano novo quando...

  • as lojas esgotam os stocks de amuletos
  • o euromilhões, totoloto, totobola, lotaria e afins têm uma procura muito superior ao normal
  • recebemos mensagens escritas e e-mails de 5 em 5 minutos
  • as televisões fazem retrospectivas do ano que está a acabar
  • há cartazes de festas por todo o lado
  • começamos a pensar onde estávamos há um ano
  • aparece um gato a beber martini na barra direita do blog
  • (...)

Comentários

«A execução de Saddam Hussein não vai acabar com a violência no Iraque, mas é uma etapa importante no caminho do Iraque para uma democracia que pode ser governada, ser auto-suficiente e defender-se, e ser um aliado na guerra contra o terrorismo»
George W. Bush

«A execução de Saddam Hussein não é uma forma de reconstruir a justiça no Iraque, mas pode alimentar o espírito de vingança e semear novas sementes de violência»
Federico Lombardi

«Saddam Hussein foi responsável por terríveis e numerosas violações dos direitos do homem, mas os seus actos, por mais brutais que sejam, não podem justificar a sua execução, uma punição cruel e desumana»
Richard Dicker, membro da Human Rights Watch

«Congratulo-me com o facto de Saddam Hussein ter sido julgado por um tribunal iraquiano por alguns dos crimes horríveis que cometeu contra o povo iraquiano»
Margaret Beckett



mais comentários aqui.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Incompleteness & sadness

Recentemente, uns amigos estrangeiros visitaram Portugal, passando por Coimbra e pelo Porto. Regressaram dizendo que duas palavras sintetizam as suas impressões da viagem: "incompleteness" e "sadness". Isto é: este país seria triste e inacabado... Ora porra! Eu pensava que isso fossem apenas estereótipos com os quais os portugueses costumam auto-flagelar-se. Afinal, parece que esses adjectivos se respiram por aqui.

É claro que eles não viram o outro lado da "coisa", as maneiras, tão nossas, como nos sabemos divertir: os passeios ao Sábado à tarde nos centros comerciais, as noitadas à frente de Telejornais que nunca mais acabam a contar as histórias mais desgraçadas da noite de Natal, as barrigadas de chanfana e de bacalhau à Braz regadas com vinho maduro a saber a vinagre, as ultrapassagens "à queima" que fazem inchar a testosterona dos nossos automobilistas, a escarreta orgulhosa a mais de 2 metros fazendo tangentes e secantes a incautos transeuntes. E a Floribela. E o Gato Fedorento. E a neve na Serra da Estrela. E o fim-de-ano nas Caraíbas. E o espectáculo dos prédios da Baixa que caem como papel amarrotado. E os Morangos com Açucar. E os BMW que levantam a poeira com que se penteiam os sem-abrigo. E o crédito ao consumo. E o Figo das Arábias que nos faz roer de orgulho e de longínqua inveja.

É assim que nos divertimos. É disso que enchemos o nosso quotidiano e a nossa querida originalidade. Com tudo isso aconchegamos a nossa diferença. Somos portugueses como se é do Benfica: não precisamos de ganhar... Estamo-nos nas tintas para a alegria e para a tristeza dos outros. Os estranjas não perceberam nada, não penetraram nas subtilezas da alma portuguesa.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Babilónia

Há histórias que, por serem tão verdadeiras, não se devem contar (pelo menos, com clareza...).

Estou a ler "Ontem não te vi em Babilónia", o último romance de A. Lobo Antunes. A escrita de Lobo Antunes torna-se simplesmente hipnótica. O sentido não se apresenta, tem de descobrir-se. No princípio, parece apenas uma amálgama de palavras combinadas de forma original, mas é preciso perseverar, não se deixar abater pela loucura das frases interrompidas, e o sentido aparece como um castelo fantástico emergindo de uma bruma densa. É preciso deixar-se andar, ligar A com B (nem sequer é preciso paciência...), entrar na linguagem própria do autor, no seu labirinto de implícitos e mal-entendidos. Lobo Antunes inventou uma outra lingua portuguesa, feita também de um português alucinante e alucinado que se apodera do leitor como um estupefaciente. Página a página, chega-se a dormitar ao som das palavras que se sucedem, algumas vezes doces, quase sempre cruéis, evocando histórias pesadas e traumáticas. Ainda não sei bem do que se trata (há tema, concerteza... para além da forma compulsiva e meteórica), mas há muitos traumas no meio daquela floresta de palavras, passados que se erguem violentos e insuportáveis para angustiar presentes que teimam em não acabar. Infâncias arruinadas, famílias e casamentos e terras e casas e cães e Marias Emílias e criadas e docinhos do tio do Luxemburgo, com a amargura de uma inocência quebrada abruptamente. E por aqui me fico. Leiam ou melhor: deixem-se controlar por essa torrente de pensamentos escritos como quem conta uma história embriagado. Alucinem-se.

Esperamos que tenham tido um bom natal...


sexta-feira, dezembro 22, 2006

Feliz Natal, são os votos do Sr. Primeiro Ministro


clicar na imagem

Adoro...


Caetano Veloso - Odeio

Niazov

Morreu de ataque cardíaco o Presidente do Turkmenistão, Niazov (66 anos), um déspota absolutamente inverosímil. Com o desmembramento da URSS e a independência deste país muçulmano muito rico em gaz que faz fronteira com o Irão e com o Afeganistão, Niazov chega à Presidência e, imediatamente, decide mudar o seu próprio nome para Turkmenbachi, auto-proclamando-se "Pai de todos os Turkmenos" e "Profeta nacional". Assim, prometeu o paraíso a todos os súbditos na condição de lerem o seu livro pelo menos 3 vezes, uma espécie de bíblia ("Roukhnama" ou "mensagem espiritual"). Mandou encerrar a maior parte dos hospitais, uma instituição que lhe parecia inútil, e reduziu o número de estudantes de medicina, bem como a duração dos seus estudos. Mudou o nome dos meses do calendário, dando o seu nome a um dos meses e o de sua mãe a outro. Ordenou o encerramento dos teatros, autorizando apenas a dança e a música tradicionais, e proibiu o bigode. Foi de certeza absoluta o único Presidente em todo o mundo a dar o seu nome a um melão de grandes dimensões e de aroma especial.

O Turkmenistão é um dos maiores exportadores mundiais de gaz e um dos países mais miseráveis da Ásia Central. Existem milhares de presos políticos e as mais elementares liberdades cívicas são esmagadas. Niazov auto-intitulou-se Presidente vitalício. Certas grandes empresas de países ocidentais beneficiaram da excentricidade do Pai da Pátria (construção de palácios faraónicos, importação de automóveis topo de gama, aviões de luxo, etc.). A Rússia já se posiciona para controlar a sucessão de modo a não perder esse manancial de energia e para evitar uma vizinhança inconveniente.

Christmas is all around us

Estou oficialmente de férias por uma semana... Muito pouco para conseguir descansar um bocado e, ao mesmo tempo, estudar para as frequências e exames que se avizinham a passos largos. No entanto, como cheguei a um ponto em que só o facto de já ter alguns (poucos) dias sem aulas e, consequentemente, trabalhos para apresentar e apontamentos para passar, é algo de maravilhoso.
Além disso, espero que o espírito natalício que era suposto eu ter a dois dias da véspera de Natal surja com o fim das aulas. De qualquer modo, se não vier naturalmente, há sempre meios de se conseguir incutir algum bocadinho deste espírito de outros modos, como esta encantadora música retirada do filme Love Actually, por exemplo: