sábado, dezembro 30, 2006

Sabemos que está quase a chegar o ano novo quando...

  • as lojas esgotam os stocks de amuletos
  • o euromilhões, totoloto, totobola, lotaria e afins têm uma procura muito superior ao normal
  • recebemos mensagens escritas e e-mails de 5 em 5 minutos
  • as televisões fazem retrospectivas do ano que está a acabar
  • há cartazes de festas por todo o lado
  • começamos a pensar onde estávamos há um ano
  • aparece um gato a beber martini na barra direita do blog
  • (...)

Comentários

«A execução de Saddam Hussein não vai acabar com a violência no Iraque, mas é uma etapa importante no caminho do Iraque para uma democracia que pode ser governada, ser auto-suficiente e defender-se, e ser um aliado na guerra contra o terrorismo»
George W. Bush

«A execução de Saddam Hussein não é uma forma de reconstruir a justiça no Iraque, mas pode alimentar o espírito de vingança e semear novas sementes de violência»
Federico Lombardi

«Saddam Hussein foi responsável por terríveis e numerosas violações dos direitos do homem, mas os seus actos, por mais brutais que sejam, não podem justificar a sua execução, uma punição cruel e desumana»
Richard Dicker, membro da Human Rights Watch

«Congratulo-me com o facto de Saddam Hussein ter sido julgado por um tribunal iraquiano por alguns dos crimes horríveis que cometeu contra o povo iraquiano»
Margaret Beckett



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quinta-feira, dezembro 28, 2006

Incompleteness & sadness

Recentemente, uns amigos estrangeiros visitaram Portugal, passando por Coimbra e pelo Porto. Regressaram dizendo que duas palavras sintetizam as suas impressões da viagem: "incompleteness" e "sadness". Isto é: este país seria triste e inacabado... Ora porra! Eu pensava que isso fossem apenas estereótipos com os quais os portugueses costumam auto-flagelar-se. Afinal, parece que esses adjectivos se respiram por aqui.

É claro que eles não viram o outro lado da "coisa", as maneiras, tão nossas, como nos sabemos divertir: os passeios ao Sábado à tarde nos centros comerciais, as noitadas à frente de Telejornais que nunca mais acabam a contar as histórias mais desgraçadas da noite de Natal, as barrigadas de chanfana e de bacalhau à Braz regadas com vinho maduro a saber a vinagre, as ultrapassagens "à queima" que fazem inchar a testosterona dos nossos automobilistas, a escarreta orgulhosa a mais de 2 metros fazendo tangentes e secantes a incautos transeuntes. E a Floribela. E o Gato Fedorento. E a neve na Serra da Estrela. E o fim-de-ano nas Caraíbas. E o espectáculo dos prédios da Baixa que caem como papel amarrotado. E os Morangos com Açucar. E os BMW que levantam a poeira com que se penteiam os sem-abrigo. E o crédito ao consumo. E o Figo das Arábias que nos faz roer de orgulho e de longínqua inveja.

É assim que nos divertimos. É disso que enchemos o nosso quotidiano e a nossa querida originalidade. Com tudo isso aconchegamos a nossa diferença. Somos portugueses como se é do Benfica: não precisamos de ganhar... Estamo-nos nas tintas para a alegria e para a tristeza dos outros. Os estranjas não perceberam nada, não penetraram nas subtilezas da alma portuguesa.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Babilónia

Há histórias que, por serem tão verdadeiras, não se devem contar (pelo menos, com clareza...).

Estou a ler "Ontem não te vi em Babilónia", o último romance de A. Lobo Antunes. A escrita de Lobo Antunes torna-se simplesmente hipnótica. O sentido não se apresenta, tem de descobrir-se. No princípio, parece apenas uma amálgama de palavras combinadas de forma original, mas é preciso perseverar, não se deixar abater pela loucura das frases interrompidas, e o sentido aparece como um castelo fantástico emergindo de uma bruma densa. É preciso deixar-se andar, ligar A com B (nem sequer é preciso paciência...), entrar na linguagem própria do autor, no seu labirinto de implícitos e mal-entendidos. Lobo Antunes inventou uma outra lingua portuguesa, feita também de um português alucinante e alucinado que se apodera do leitor como um estupefaciente. Página a página, chega-se a dormitar ao som das palavras que se sucedem, algumas vezes doces, quase sempre cruéis, evocando histórias pesadas e traumáticas. Ainda não sei bem do que se trata (há tema, concerteza... para além da forma compulsiva e meteórica), mas há muitos traumas no meio daquela floresta de palavras, passados que se erguem violentos e insuportáveis para angustiar presentes que teimam em não acabar. Infâncias arruinadas, famílias e casamentos e terras e casas e cães e Marias Emílias e criadas e docinhos do tio do Luxemburgo, com a amargura de uma inocência quebrada abruptamente. E por aqui me fico. Leiam ou melhor: deixem-se controlar por essa torrente de pensamentos escritos como quem conta uma história embriagado. Alucinem-se.

Esperamos que tenham tido um bom natal...


sexta-feira, dezembro 22, 2006

Feliz Natal, são os votos do Sr. Primeiro Ministro


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Adoro...


Caetano Veloso - Odeio

Niazov

Morreu de ataque cardíaco o Presidente do Turkmenistão, Niazov (66 anos), um déspota absolutamente inverosímil. Com o desmembramento da URSS e a independência deste país muçulmano muito rico em gaz que faz fronteira com o Irão e com o Afeganistão, Niazov chega à Presidência e, imediatamente, decide mudar o seu próprio nome para Turkmenbachi, auto-proclamando-se "Pai de todos os Turkmenos" e "Profeta nacional". Assim, prometeu o paraíso a todos os súbditos na condição de lerem o seu livro pelo menos 3 vezes, uma espécie de bíblia ("Roukhnama" ou "mensagem espiritual"). Mandou encerrar a maior parte dos hospitais, uma instituição que lhe parecia inútil, e reduziu o número de estudantes de medicina, bem como a duração dos seus estudos. Mudou o nome dos meses do calendário, dando o seu nome a um dos meses e o de sua mãe a outro. Ordenou o encerramento dos teatros, autorizando apenas a dança e a música tradicionais, e proibiu o bigode. Foi de certeza absoluta o único Presidente em todo o mundo a dar o seu nome a um melão de grandes dimensões e de aroma especial.

O Turkmenistão é um dos maiores exportadores mundiais de gaz e um dos países mais miseráveis da Ásia Central. Existem milhares de presos políticos e as mais elementares liberdades cívicas são esmagadas. Niazov auto-intitulou-se Presidente vitalício. Certas grandes empresas de países ocidentais beneficiaram da excentricidade do Pai da Pátria (construção de palácios faraónicos, importação de automóveis topo de gama, aviões de luxo, etc.). A Rússia já se posiciona para controlar a sucessão de modo a não perder esse manancial de energia e para evitar uma vizinhança inconveniente.

Christmas is all around us

Estou oficialmente de férias por uma semana... Muito pouco para conseguir descansar um bocado e, ao mesmo tempo, estudar para as frequências e exames que se avizinham a passos largos. No entanto, como cheguei a um ponto em que só o facto de já ter alguns (poucos) dias sem aulas e, consequentemente, trabalhos para apresentar e apontamentos para passar, é algo de maravilhoso.
Além disso, espero que o espírito natalício que era suposto eu ter a dois dias da véspera de Natal surja com o fim das aulas. De qualquer modo, se não vier naturalmente, há sempre meios de se conseguir incutir algum bocadinho deste espírito de outros modos, como esta encantadora música retirada do filme Love Actually, por exemplo:


quarta-feira, dezembro 20, 2006

É complicado...

Miguel Esteves Cardoso publicou há pouco tempo o livro "A minha andorinha" (Assírio & Alvim), uma colectânea das crónicas que foi escrevendo para o DNa. Há textos divertidos, outros menos inspirados, outros pretensiosos, outros super-lúcidos, outros que metem o MEC no seu contexto paroquial, isto é, o de um eterno jovem, excêntrico e híbrido (mãe inglesíssima e pai lisboeta de excelentes famílias), que passeia os seus plebiscitados superlativos no meio do pobre maralhal de Lisboa.

Depois da picada no etílico e desregrado MEC, gostaria de chamar a atenção para uma das crónicas do referido livrinho. Chama-se "É complicado". Achei-a simplesmente deliciosa... Começa assim:

"Estarão os portugueses a ficar mais estúpidos ou apenas mais incompetentes? É que ultimamente tenho verificado com desolação que é cada vez maior o número de coisas e tarefas, que são caracterizadas como sendo de grande complexidade. Pergunta-se a um amigo se ele quer vir beber um café - até há pouco tempo um empreendimento relativamente fácil - e ele responde logo 'É complicado...' Vai-se sózinho beber o café, pede-se o troco para a máquina dos cigarros e o empregado desde logo confessa a complexidade daquela operação: 'É complicado, amigo...' Claro que acaba por dar o troco, mas entrega as moedas como se tivesse acabado de resolver o teorema de Fermat (...)"

Leiam o dito livrinho que não se arrependem. É divertido. Parece quase uma pastilha elástica com sabor a tutti-fruti que dura mais do que o das outras...

terça-feira, dezembro 19, 2006

Eles não preferem os louros/as louras

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Parece que o corpinho de David Bekham - o jogador de porcelana britânico, ícone da mais indigesta patetice, casado com uma desnatada Spicy, que se passeia pelos estádios como um cão S. Bernardo - vale 140 milhões de dólares. Pelo menos, foi por quanto uma "undisclosed" companhia de seguros aceitou cobrir o risco de tal corpinho se estragar ou desfigurar...

domingo, dezembro 17, 2006

Natal



Natal - do Lat. natale, substantivo masculino (p. ex° dia do nascimento) ou adjectivo (p. ex° natalício ou pátrio) - pode referir-se a:

- festa cristã na qual se se comemora o nascimento de Jesus Cristo
- antigo nome da actual província de KwaZulu-Natal, na África do Sul
- capital do estado do Rio Grande do Norte
- microrregião brasileira do Rio Grande do Norte
- rio brasileiro do estado do Acre
- território australiano

Já sei o que é o TLEBS

E não me agrada nada.

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Lifestyles of the Rich & Fascist - being a despot is a matter of style



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sexta-feira, dezembro 15, 2006

Uma abordagem ético-business da "coisa"

"Moralism kills hope of less vicious vice" in Financial Times de hoje.

Estilos e culturas

Há pessoas, particularmente de cultura anglo-saxónica e protestantes, que se relacionam com os outros de forma tão aparentemente racional, neutra e eficaz que se chega a duvidar do sítio onde guardam as emoções. Não, não se trata só de boa educação, de requinte ou de respeito pelas outras pessoas. É um recato quase perturbante, uma austeridade estranha, decididamente estranha para um típico latino. Essas criaturas, para além de anglo-saxónicas e protestantes, discretas e putativamente bem-educadas, também são seres humanos e, por conseguinte, têm emoções. Como, quando e onde as exprimem? São vulcões ambulantes com erupção permanentemente adiada? Concentram as emoções num estado de letargia até ao ponto em que só podem explodir de modo violento e inesperado, provocando efeitos colaterais indesejados?

Prefiro a saudável extroversão dos latinos apesar de, frequentemente, ser incomodativa e causar embaraço. De facto, o ideal seria uma mistura equilibrada entre os dois estilos, mas o ideal é inimigo do bom e o que existe são pessoas concretas, não criações "OGM" que conviriam a uma Humanidade supostamente perfeita.

Espírito Natalício

Quando era pequena vivia o Natal com grande intensidade. Era um momento especial preparado minuciosamente em sonhos e divagações com as amiguinhas na escola e com as bonecas em casa. Fazia prendas para todos os familiares, que embrulhava com um cuidado cirúrgico e contava os minutos para a chegada de todos para a ceia de Natal. Depois, cada segundo era aproveitado momento a momento até ao fim do dia 25 de Dezembro.


Tenho tantas saudades de sentir esse espírito de Natal... Acho que o facto de crescer faz-nos perder essa magia.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Prendas de Natal

Um pastor perguntou a uma das suas ovelhas o que é que ela queria para o Natal. A ovelha respondeu de soslaio, com pouca convicção: "viver para além da Páscoa". O pastor, que adorava aquela ovelha, precisamente aquela ovelha, a sua favorita, pôs-se a calcular quanto lhe custaria adiar a matança da dita-cuja por tanto tempo. Coçou a cabeça e, a contra-gosto, prometou que a pouparia. Mas, a Páscoa seria verdadeiramente o limite de tanta generosidade. A ovelha ficou contentíssima e esfregou o pêlo contra a perna do pastor que suspirou de ternura.

Dúvida

Se eu agora escrever um livro entitulado Eu, Alice, acerca de um ex-namorado também vou ser chamada a dar opinião sobre tudo e mais alguma coisa?

terça-feira, dezembro 12, 2006

Muito se trabalha na oficina do Pai Natal

Santa's Workshop: um desenho animado da Disney que data de 1932



domingo, dezembro 10, 2006

sábado, dezembro 09, 2006

E foi assim..

Estão a ganhar forma os Mezcal. Com mais palco a coisa vai ao sitio. Rock. Garage. Surf. Anos 50. É urgente agora tentar deixar de lado os nervos e fazer-se ao palco trazendo na bagagem algo de mais seu. O fruto não tarda muito vai amadurecer.

(...)

in Santos Da Casa


sexta-feira, dezembro 08, 2006

O tempo que está

Uma das memórias mais curtas que conheço é a meteorológica. O tempo que está neste preciso instante é sempre excepcional: "nunca choveu assim", "não me lembro de tanto calor", "está um frio do caraças". Um pinguinho de chuva a mais ou uma semanita contínua de nuvens tornam-se autênticas tragédias, motivos de descontentamento que se juntam a todos os outros para nos transformar nas criaturas mais desgraçadas deste mundo. E então proclama-se que "nem a merda do tempo ajuda". O S. Pedro torna-se num algoz do nosso desânimo, as nuvens cobrem de tristeza as melhores intenções. O inverno do ano passado, a chuva da outra semana, as cheias do mês anterior são frivolidades de tal maneira remotas que parece que as bases de dados da meteorologia se apagaram ontem, por golpe de magia. Não há chuva ou sol, frio ou calor como os de hoje... Por outro lado, é rarissimo, particularmente entre os portugueses, que têm uma sorte do caraças com o clima (ao menos isso...), encontrar alguém que diga, sem reservas, "está um tempo perfeito". Isso é mais difícil do que encontrar a pedra filosofal. Há sempre uma brisa, aragem, humidade, gráuzito a mais ou gráuzito a menos que borram a pintura do tempo que nos colocaria em harmonia com o cosmos. Os portugueses são, portanto, uns empedernidos insatisfeitos com o tempo que Deus lhes deu, para além de, como todos os outros povos, terem uma memória curtíssima dessa dimensão, por enquanto fatal, da nossa existência.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Desigualdades

Os 2% mais ricos da população possuem mais de 50% da riqueza mundial enquanto os 50% mais pobres possuem apenas 1% dessa mesma riqueza.

Mais rico significa ter mais de 500 000 dólares (cerca de 75 000 contos). Segundo esse critério, existirão em todo o planeta apenas (!) 37 milhões de criaturas ricas.

Se a riqueza mundial fosse equitativamente distribuida, cada indíviduo, em média, teria um património de 20 500 dólares (cerca de 3 000 contos).

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Dumping social

A UE quer promover a melhoria das condições de trabalho nos países menos desenvolvidos, impondo restrições à importação de bens e serviços provenientes de países não cumpridores de "labour standards" mínimos. Os países pobres irritam-se porque são punidos por causa do seu principal factor de competitividade, isto é, a sua pobreza...

A Índia, por exemplo, consegue aos poucos industrializar-se e aumentar a sua participação nas exportações mundiais porque não paga salários reais como os dos países ricos, porque tem jornadas de trabalho mais longas, porque não tem o mesmo nível de protecção social, etc. É por isso que a cerâmica, o vestuário, o calçado, etc. podem chegar mais baratos aos países ricos, de resto, para grande satisfação dos consumidores desses países. O problema é que, normalmente, os consumidores também são produtores, que se arriscam a perder os postos de trabalho nos sectores mais atingidos por essa "concorrência desleal" baseada no "dumping social". Espera-se que, no longo prazo, esses sectores sejam substituidos por outros criadores de emprego nos países ricos... Mas, como dizia Keynes, "no longo prazo estamos todos mortos" (n'est-ce-pas?) e o bem-estar não pode esperar...

Não vejo problema no "dumping social" se ele permitir criar as condições para a sua própria eliminação gradual, com o desenvolvimento económico permitido pela competitividade da pobreza. Portanto, a pobreza seria uma vantagem competitiva estática, de curto prazo, destinada a ser substituida por outras vantagens dinâmicas mais favoráveis, no longo prazo, aos trabalhadores dos países menos desenvolvidos. E os pobres têm paciência...

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Sabemos que está quase a chegar o Natal quando...

  • recebemos meias com bonecos de neve
  • temos 4 jantares na mesma semana
  • os anúncios televisivos são 99,9% a brinquedos
  • a televisão passa filmes clássicos
  • tudo e mais alguma coisa tem luzes cintilantes, vermelhos, verdes, dourados e prateados
  • aparece um gato vestido de Pai Natal na barra direira do blog
  • (...)

(mais sugestões?)