Miguel Esteves Cardoso publicou há pouco tempo o livro "A minha andorinha" (Assírio & Alvim), uma colectânea das crónicas que foi escrevendo para o DNa. Há textos divertidos, outros menos inspirados, outros pretensiosos, outros super-lúcidos, outros que metem o MEC no seu contexto paroquial, isto é, o de um eterno jovem, excêntrico e híbrido (mãe inglesíssima e pai lisboeta de excelentes famílias), que passeia os seus plebiscitados superlativos no meio do pobre maralhal de Lisboa.
Depois da picada no etílico e desregrado MEC, gostaria de chamar a atenção para uma das crónicas do referido livrinho. Chama-se "É complicado". Achei-a simplesmente deliciosa... Começa assim:
"Estarão os portugueses a ficar mais estúpidos ou apenas mais incompetentes? É que ultimamente tenho verificado com desolação que é cada vez maior o número de coisas e tarefas, que são caracterizadas como sendo de grande complexidade. Pergunta-se a um amigo se ele quer vir beber um café - até há pouco tempo um empreendimento relativamente fácil - e ele responde logo 'É complicado...' Vai-se sózinho beber o café, pede-se o troco para a máquina dos cigarros e o empregado desde logo confessa a complexidade daquela operação: 'É complicado, amigo...' Claro que acaba por dar o troco, mas entrega as moedas como se tivesse acabado de resolver o teorema de Fermat (...)"
Leiam o dito livrinho que não se arrependem. É divertido. Parece quase uma pastilha elástica com sabor a tutti-fruti que dura mais do que o das outras...
quarta-feira, dezembro 20, 2006
terça-feira, dezembro 19, 2006
No further comments
Parece que o corpinho de David Bekham - o jogador de porcelana britânico, ícone da mais indigesta patetice, casado com uma desnatada Spicy, que se passeia pelos estádios como um cão S. Bernardo - vale 140 milhões de dólares. Pelo menos, foi por quanto uma "undisclosed" companhia de seguros aceitou cobrir o risco de tal corpinho se estragar ou desfigurar...
segunda-feira, dezembro 18, 2006
domingo, dezembro 17, 2006
Natal

Natal - do Lat. natale, substantivo masculino (p. ex° dia do nascimento) ou adjectivo (p. ex° natalício ou pátrio) - pode referir-se a:
- festa cristã na qual se se comemora o nascimento de Jesus Cristo
- antigo nome da actual província de KwaZulu-Natal, na África do Sul
- capital do estado do Rio Grande do Norte
- microrregião brasileira do Rio Grande do Norte
- rio brasileiro do estado do Acre
- território australiano
- festa cristã na qual se se comemora o nascimento de Jesus Cristo
- antigo nome da actual província de KwaZulu-Natal, na África do Sul
- capital do estado do Rio Grande do Norte
- microrregião brasileira do Rio Grande do Norte
- rio brasileiro do estado do Acre
- território australiano
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Uma abordagem ético-business da "coisa"
"Moralism kills hope of less vicious vice" in Financial Times de hoje.
Estilos e culturas
Há pessoas, particularmente de cultura anglo-saxónica e protestantes, que se relacionam com os outros de forma tão aparentemente racional, neutra e eficaz que se chega a duvidar do sítio onde guardam as emoções. Não, não se trata só de boa educação, de requinte ou de respeito pelas outras pessoas. É um recato quase perturbante, uma austeridade estranha, decididamente estranha para um típico latino. Essas criaturas, para além de anglo-saxónicas e protestantes, discretas e putativamente bem-educadas, também são seres humanos e, por conseguinte, têm emoções. Como, quando e onde as exprimem? São vulcões ambulantes com erupção permanentemente adiada? Concentram as emoções num estado de letargia até ao ponto em que só podem explodir de modo violento e inesperado, provocando efeitos colaterais indesejados?
Prefiro a saudável extroversão dos latinos apesar de, frequentemente, ser incomodativa e causar embaraço. De facto, o ideal seria uma mistura equilibrada entre os dois estilos, mas o ideal é inimigo do bom e o que existe são pessoas concretas, não criações "OGM" que conviriam a uma Humanidade supostamente perfeita.
Prefiro a saudável extroversão dos latinos apesar de, frequentemente, ser incomodativa e causar embaraço. De facto, o ideal seria uma mistura equilibrada entre os dois estilos, mas o ideal é inimigo do bom e o que existe são pessoas concretas, não criações "OGM" que conviriam a uma Humanidade supostamente perfeita.
Espírito Natalício
Quando era pequena vivia o Natal com grande intensidade. Era um momento especial preparado minuciosamente em sonhos e divagações com as amiguinhas na escola e com as bonecas em casa. Fazia prendas para todos os familiares, que embrulhava com um cuidado cirúrgico e contava os minutos para a chegada de todos para a ceia de Natal. Depois, cada segundo era aproveitado momento a momento até ao fim do dia 25 de Dezembro.Tenho tantas saudades de sentir esse espírito de Natal... Acho que o facto de crescer faz-nos perder essa magia.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Prendas de Natal
Um pastor perguntou a uma das suas ovelhas o que é que ela queria para o Natal. A ovelha respondeu de soslaio, com pouca convicção: "viver para além da Páscoa". O pastor, que adorava aquela ovelha, precisamente aquela ovelha, a sua favorita, pôs-se a calcular quanto lhe custaria adiar a matança da dita-cuja por tanto tempo. Coçou a cabeça e, a contra-gosto, prometou que a pouparia. Mas, a Páscoa seria verdadeiramente o limite de tanta generosidade. A ovelha ficou contentíssima e esfregou o pêlo contra a perna do pastor que suspirou de ternura.
Dúvida
Se eu agora escrever um livro entitulado Eu, Alice, acerca de um ex-namorado também vou ser chamada a dar opinião sobre tudo e mais alguma coisa?
terça-feira, dezembro 12, 2006
Muito se trabalha na oficina do Pai Natal
Santa's Workshop: um desenho animado da Disney que data de 1932
domingo, dezembro 10, 2006
sábado, dezembro 09, 2006
E foi assim..
sexta-feira, dezembro 08, 2006
O tempo que está
Uma das memórias mais curtas que conheço é a meteorológica. O tempo que está neste preciso instante é sempre excepcional: "nunca choveu assim", "não me lembro de tanto calor", "está um frio do caraças". Um pinguinho de chuva a mais ou uma semanita contínua de nuvens tornam-se autênticas tragédias, motivos de descontentamento que se juntam a todos os outros para nos transformar nas criaturas mais desgraçadas deste mundo. E então proclama-se que "nem a merda do tempo ajuda". O S. Pedro torna-se num algoz do nosso desânimo, as nuvens cobrem de tristeza as melhores intenções. O inverno do ano passado, a chuva da outra semana, as cheias do mês anterior são frivolidades de tal maneira remotas que parece que as bases de dados da meteorologia se apagaram ontem, por golpe de magia. Não há chuva ou sol, frio ou calor como os de hoje... Por outro lado, é rarissimo, particularmente entre os portugueses, que têm uma sorte do caraças com o clima (ao menos isso...), encontrar alguém que diga, sem reservas, "está um tempo perfeito". Isso é mais difícil do que encontrar a pedra filosofal. Há sempre uma brisa, aragem, humidade, gráuzito a mais ou gráuzito a menos que borram a pintura do tempo que nos colocaria em harmonia com o cosmos. Os portugueses são, portanto, uns empedernidos insatisfeitos com o tempo que Deus lhes deu, para além de, como todos os outros povos, terem uma memória curtíssima dessa dimensão, por enquanto fatal, da nossa existência.
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Bons filmes no TAGV
- 11 DEZ
TRIPLE AGENT - 13 DEZ
THE CONSTANT GARDENER - 14 DEZ
THE TWILIGHT SAMURAI - 18 DEZ
SHANGHAI DREAMS - 19 DEZ
PARADISE NOW
€4 (€2,5 para estudantes)
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Desigualdades
Os 2% mais ricos da população possuem mais de 50% da riqueza mundial enquanto os 50% mais pobres possuem apenas 1% dessa mesma riqueza.
Mais rico significa ter mais de 500 000 dólares (cerca de 75 000 contos). Segundo esse critério, existirão em todo o planeta apenas (!) 37 milhões de criaturas ricas.
Se a riqueza mundial fosse equitativamente distribuida, cada indíviduo, em média, teria um património de 20 500 dólares (cerca de 3 000 contos).
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Mais rico significa ter mais de 500 000 dólares (cerca de 75 000 contos). Segundo esse critério, existirão em todo o planeta apenas (!) 37 milhões de criaturas ricas.
Se a riqueza mundial fosse equitativamente distribuida, cada indíviduo, em média, teria um património de 20 500 dólares (cerca de 3 000 contos).
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Dumping social
A UE quer promover a melhoria das condições de trabalho nos países menos desenvolvidos, impondo restrições à importação de bens e serviços provenientes de países não cumpridores de "labour standards" mínimos. Os países pobres irritam-se porque são punidos por causa do seu principal factor de competitividade, isto é, a sua pobreza...
A Índia, por exemplo, consegue aos poucos industrializar-se e aumentar a sua participação nas exportações mundiais porque não paga salários reais como os dos países ricos, porque tem jornadas de trabalho mais longas, porque não tem o mesmo nível de protecção social, etc. É por isso que a cerâmica, o vestuário, o calçado, etc. podem chegar mais baratos aos países ricos, de resto, para grande satisfação dos consumidores desses países. O problema é que, normalmente, os consumidores também são produtores, que se arriscam a perder os postos de trabalho nos sectores mais atingidos por essa "concorrência desleal" baseada no "dumping social". Espera-se que, no longo prazo, esses sectores sejam substituidos por outros criadores de emprego nos países ricos... Mas, como dizia Keynes, "no longo prazo estamos todos mortos" (n'est-ce-pas?) e o bem-estar não pode esperar...
Não vejo problema no "dumping social" se ele permitir criar as condições para a sua própria eliminação gradual, com o desenvolvimento económico permitido pela competitividade da pobreza. Portanto, a pobreza seria uma vantagem competitiva estática, de curto prazo, destinada a ser substituida por outras vantagens dinâmicas mais favoráveis, no longo prazo, aos trabalhadores dos países menos desenvolvidos. E os pobres têm paciência...
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A Índia, por exemplo, consegue aos poucos industrializar-se e aumentar a sua participação nas exportações mundiais porque não paga salários reais como os dos países ricos, porque tem jornadas de trabalho mais longas, porque não tem o mesmo nível de protecção social, etc. É por isso que a cerâmica, o vestuário, o calçado, etc. podem chegar mais baratos aos países ricos, de resto, para grande satisfação dos consumidores desses países. O problema é que, normalmente, os consumidores também são produtores, que se arriscam a perder os postos de trabalho nos sectores mais atingidos por essa "concorrência desleal" baseada no "dumping social". Espera-se que, no longo prazo, esses sectores sejam substituidos por outros criadores de emprego nos países ricos... Mas, como dizia Keynes, "no longo prazo estamos todos mortos" (n'est-ce-pas?) e o bem-estar não pode esperar...
Não vejo problema no "dumping social" se ele permitir criar as condições para a sua própria eliminação gradual, com o desenvolvimento económico permitido pela competitividade da pobreza. Portanto, a pobreza seria uma vantagem competitiva estática, de curto prazo, destinada a ser substituida por outras vantagens dinâmicas mais favoráveis, no longo prazo, aos trabalhadores dos países menos desenvolvidos. E os pobres têm paciência...
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Sabemos que está quase a chegar o Natal quando...
- recebemos meias com bonecos de neve
- temos 4 jantares na mesma semana
- os anúncios televisivos são 99,9% a brinquedos
- a televisão passa filmes clássicos
- tudo e mais alguma coisa tem luzes cintilantes, vermelhos, verdes, dourados e prateados
- aparece um gato vestido de Pai Natal na barra direira do blog
- (...)
(mais sugestões?)
terça-feira, dezembro 05, 2006
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Alguém me explica...
... o que raio é o TLEBS?
Já li muita coisa à volta disto, mas ainda não percebi em que consiste exactamente. Agradecia se uma alminha caridosa me pudesse explicar.
Quem é esta gente?
Quem é esta gente de pele lisa, olhos precisos, cabelos orgulhosamente grisalhos, que desdenha o ar que respira, que cheira a perfumes inacessíveis?
Quem é esta gente que envelhece com cara de menino, que morre de tédio com o bem-estar que os avós lhe deixaram, que odeia a mediania e vomita bom gosto?
Quem é esta gente que se permite parecer o que não é para ser exactamente o que é?
Quem é esta gente tão indecentemente erudita que paga fortunas por uma surpresa irrisória?
Quem é esta gente que tem a àrvore genealógica estampada no focinho - sem querer?
Quem são estes eternos colegiais que cedem misturar-se por alguns instantes com as ninharias do povo?
Quem são estes velhos com cara impecável de publicidade a curas de beleza e a hospitais privados a cheirar a rosas?
Quem é esta gente que envelhece com cara de menino, que morre de tédio com o bem-estar que os avós lhe deixaram, que odeia a mediania e vomita bom gosto?
Quem é esta gente que se permite parecer o que não é para ser exactamente o que é?
Quem é esta gente tão indecentemente erudita que paga fortunas por uma surpresa irrisória?
Quem é esta gente que tem a àrvore genealógica estampada no focinho - sem querer?
Quem são estes eternos colegiais que cedem misturar-se por alguns instantes com as ninharias do povo?
Quem são estes velhos com cara impecável de publicidade a curas de beleza e a hospitais privados a cheirar a rosas?
domingo, dezembro 03, 2006
Tanguy
O Governo divulgou hoje um estudo sobre a juventude cujas conclusões essenciais são as seguintes: os jovens saem mais tarde de casa, adiam casamento e têm emprego precário. Todas as análises que tenho lido e ouvido enfatizam os factores económicos por detrás do fenómeno, que são sobejamente conhecidos. Não vi ainda realçadas as razões sociológicas que prolongam o "edílio" adolescencial em que muita gente teima em viver e que se transforma, frequentemente, em pesadelo, tais como: a resistência da família nuclear ao seu desmembramento; a hegemonia do princípio do prazer e do conforto sobre o princípio da realidade; a sociedade de sedução e de alergia à decepção em que vivemos; as condições difíceis e ambíguas em que se exercem a maternidade e a paternidade, as quais são ameaçadas por outras prioridades durante muitos anos da vida familiar; o autêntico sequestro a que se submetem reciprocamente pais e filhos; a imaturidade desses actores num mundo em que a responsabilidade, o risco e o esforço são autênticos papões.
Esta situação de maturidade e separação tardias parece mais visível nas sociedades do sul da Europa, em que a transição da família alargada para uma família nuclear se tem feito mais penosamente. Diria que em Itália, por exemplo, o fenómeno é ainda mais pertinente. Apesar de não dispor de estatísticas comparadas, estou quase certo de que nos países de cultura anglo-saxónica, em que o individualismo e a autonomia e responsabilidade dos filhos são muito mais encorajados, a tendência acima descrita não se tem manifestado da mesma maneira, nem tão rapidamente.
Para aligeirar o tema, aconselho o filme Tanguy, uma paródia divertidíssima (apesar dalgumas passagens a puxar para o riso amarelo) sobre o drama de um filho único de 28 anos, rico e bem sucedido, que insiste em permanecer no bem-bom da casa dos pais para grande desespero destes últimos que inventam todo o tipo de estratégias para se desembaraçar do dito "mammóne"...
Esta situação de maturidade e separação tardias parece mais visível nas sociedades do sul da Europa, em que a transição da família alargada para uma família nuclear se tem feito mais penosamente. Diria que em Itália, por exemplo, o fenómeno é ainda mais pertinente. Apesar de não dispor de estatísticas comparadas, estou quase certo de que nos países de cultura anglo-saxónica, em que o individualismo e a autonomia e responsabilidade dos filhos são muito mais encorajados, a tendência acima descrita não se tem manifestado da mesma maneira, nem tão rapidamente.
Para aligeirar o tema, aconselho o filme Tanguy, uma paródia divertidíssima (apesar dalgumas passagens a puxar para o riso amarelo) sobre o drama de um filho único de 28 anos, rico e bem sucedido, que insiste em permanecer no bem-bom da casa dos pais para grande desespero destes últimos que inventam todo o tipo de estratégias para se desembaraçar do dito "mammóne"...
007 - Casino Royale

O novo James Bond, Daniel Craig, é um 007 com personalidade, mas uma personalidade diferente daquela a que estamos habituados. Talvez não seja só por ser um actor diferente, mas também porque este filme conta a história inicial do agente secreto do MI6. Vemos a sua ascenção à categoria de "double 0", a sua ingenuidade e inexperiência de prinicipiante, o seu desleixo com a aparência, etc, etc. e isso tudo ajuda-nos a perceber a razão de ser do James Bond que conhecemos dos filmes anteriores.
Este Bond:
- conduz um Ford
- é confundido com um arrumador de carros
- está constantemente a ganhar cicatrizes
- tem falhas
- não se deixa seduzir facilmente por um rabo de saias
- é capaz de largar tudo para seguir o amor
Ou seja, é exactamente o oposto do que estamos acostumados a ver. Mas, no fim do filme, um desfecho inesperado muda a sua personalidade, para aquela que tão bem conhecemos.
Um filme a não perder.
sábado, dezembro 02, 2006
Conversas de Autocarro II
No outro dia ia eu no autocarro e à minha frente estavam duas meninas entre os 13 e os 14 anos. Claramente aparentavam ser mais velhas que isso, mas calculei a idade pelos livros escolares que tinham (do 8ºano). A conversa era daquele género típico de autocarro e de miúdas, sem substância, fútil e desinteressante.
A certa altura começam a falar nas novas calças amarelas que uma delas comprou e sai o seguinte comentário:
"As calças são lindas, ficam bué bem. E ainda estive indecisa se comprava o meu tamanho, mas o tamanho abaixo fica muito melhor! Custa um bocado a mexer-me, principalmente quando me sento, mas vale a pena porque ficam mesmo bem!"
Não, não estou a inventar!
CO2
O ambiente é uma daquelas micro-causas muito na berra nos tempos que correm. À falta de grandes ideologias, as pessoas agora exercem a cidadania e tranquilizam a consciência, aderindo emotivamente a micro-causas, como o ambiente, a igualdade entre homens e mulheres, os direitos dos homosexuais, a filantropia a favor do Terceiro Mundo, o voluntariado nos hospitais e na rua para ajudar os sem-abrigo, etc. E muito bem. Contra isso, nada! Digamos que se passou de um individualismo egoísta moderno a um individualismo pós-moderno cheio de boas intenções, em que o hedonismo se mistura com uma solidariedade "soft", isto é, pouco consumidora de empenho pessoal e pouco arriscada, porque não colide com outras prioridades como a carreira profissional, o sucesso material e a competição.
O ambiente passou a ser "mainstream". Ex-presidentes, vice-presidentes e ex-candidatos a presidentes pugnam pela defesa do planeta, os directores de grupos económicos e financeiros juram respeitar o ambiente. O ambiente é parte integrante da chamada "corporate social responsibility". Forma-se uma estranha aliança (ambiental) entre "green peace", "no global" e sacerdotes do capitalismo. E quando se trata de escolher entre criação de postos de trabalho e desenvolvimento económico, por um lado, e protecção do ambiente, por outro, defende-se, muitas vezes, acaloradamente, a segunda contra os primeiros. Esquecendo que a pior das poluições é a pobreza. Como dizia um poeta do Terceiro Mundo, "quem me dera o fumo de uma fábrica para combater o mal da minha alma e da minha fome".
A hipocrisia raia o absurdo quando os maiores poluidores fazem propaganda da defesa do ambiente na terra dos outros, sem mexer uma palha para cortar a poluição nos seus próprios países. Porque não querem prejudicar os interesses económicos que produzem poluição. Basta pensar nos Estados Unidos e na Austrália que recusaram subscrever o Protocolo de Kyoto. Chega-se ao ponto de utilizar os standards ambientais como argumento de "fair competition" ou "level playing field". Isto é, quem tem menos custos de protecção ambiental consegue produzir a custo mais baixo e, portanto, ser mais competitivo no mercado mundial. Claramente, o futuro do ambiente e o desenvolvimento sustentável (que bonita expressão!) dependem da conciliação do ambiente com o lucro e com a lógica de mercado. Como tantas outras coisas neste mundo de "livre iniciativa".
Um dos passos mais concretos nesse sentido foi a criação na Europa do chamado mercado dos "carbon rights", ou seja, direitos a produzir CO2. Quem polui mais do que uma certa norma pré-definida deve comprar o direito de poluir a quem polui menos do que essa mesma norma. O pressuposto é que a norma implica uma redução global e tendencial das emissões de CO2. As empresas de sectores menos poluentes e/ou que investem na protecção do ambiente podem portanto cobrir esses custos de investimento e gerar receitas adicionais, vendendo direitos de produção de CO2 às empresas mais poluentes. Trata-se, portanto, de uma bolsa da poluição supervisionada pela União Europeia. O início desse mercado foi atribulado pela simples razão de que se emitiram demasiados títulos de poluição, quer dizer, as autoridades sobrestimaram as necessidades de poluição dos agentes económicos, provocando uma oferta de direitos a poluir superior à procura. O que aconteceu foi, naturalmente, uma quebra acentuada das cotações e uma perda de credibilidade do mercado e das metas de redução das emissões de CO2.
O ambiente passou a ser "mainstream". Ex-presidentes, vice-presidentes e ex-candidatos a presidentes pugnam pela defesa do planeta, os directores de grupos económicos e financeiros juram respeitar o ambiente. O ambiente é parte integrante da chamada "corporate social responsibility". Forma-se uma estranha aliança (ambiental) entre "green peace", "no global" e sacerdotes do capitalismo. E quando se trata de escolher entre criação de postos de trabalho e desenvolvimento económico, por um lado, e protecção do ambiente, por outro, defende-se, muitas vezes, acaloradamente, a segunda contra os primeiros. Esquecendo que a pior das poluições é a pobreza. Como dizia um poeta do Terceiro Mundo, "quem me dera o fumo de uma fábrica para combater o mal da minha alma e da minha fome".
A hipocrisia raia o absurdo quando os maiores poluidores fazem propaganda da defesa do ambiente na terra dos outros, sem mexer uma palha para cortar a poluição nos seus próprios países. Porque não querem prejudicar os interesses económicos que produzem poluição. Basta pensar nos Estados Unidos e na Austrália que recusaram subscrever o Protocolo de Kyoto. Chega-se ao ponto de utilizar os standards ambientais como argumento de "fair competition" ou "level playing field". Isto é, quem tem menos custos de protecção ambiental consegue produzir a custo mais baixo e, portanto, ser mais competitivo no mercado mundial. Claramente, o futuro do ambiente e o desenvolvimento sustentável (que bonita expressão!) dependem da conciliação do ambiente com o lucro e com a lógica de mercado. Como tantas outras coisas neste mundo de "livre iniciativa".
Um dos passos mais concretos nesse sentido foi a criação na Europa do chamado mercado dos "carbon rights", ou seja, direitos a produzir CO2. Quem polui mais do que uma certa norma pré-definida deve comprar o direito de poluir a quem polui menos do que essa mesma norma. O pressuposto é que a norma implica uma redução global e tendencial das emissões de CO2. As empresas de sectores menos poluentes e/ou que investem na protecção do ambiente podem portanto cobrir esses custos de investimento e gerar receitas adicionais, vendendo direitos de produção de CO2 às empresas mais poluentes. Trata-se, portanto, de uma bolsa da poluição supervisionada pela União Europeia. O início desse mercado foi atribulado pela simples razão de que se emitiram demasiados títulos de poluição, quer dizer, as autoridades sobrestimaram as necessidades de poluição dos agentes económicos, provocando uma oferta de direitos a poluir superior à procura. O que aconteceu foi, naturalmente, uma quebra acentuada das cotações e uma perda de credibilidade do mercado e das metas de redução das emissões de CO2.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Pai Natal nazi
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