quinta-feira, dezembro 14, 2006
Prendas de Natal
Um pastor perguntou a uma das suas ovelhas o que é que ela queria para o Natal. A ovelha respondeu de soslaio, com pouca convicção: "viver para além da Páscoa". O pastor, que adorava aquela ovelha, precisamente aquela ovelha, a sua favorita, pôs-se a calcular quanto lhe custaria adiar a matança da dita-cuja por tanto tempo. Coçou a cabeça e, a contra-gosto, prometou que a pouparia. Mas, a Páscoa seria verdadeiramente o limite de tanta generosidade. A ovelha ficou contentíssima e esfregou o pêlo contra a perna do pastor que suspirou de ternura.
Dúvida
Se eu agora escrever um livro entitulado Eu, Alice, acerca de um ex-namorado também vou ser chamada a dar opinião sobre tudo e mais alguma coisa?
terça-feira, dezembro 12, 2006
Muito se trabalha na oficina do Pai Natal
Santa's Workshop: um desenho animado da Disney que data de 1932
domingo, dezembro 10, 2006
sábado, dezembro 09, 2006
E foi assim..
sexta-feira, dezembro 08, 2006
O tempo que está
Uma das memórias mais curtas que conheço é a meteorológica. O tempo que está neste preciso instante é sempre excepcional: "nunca choveu assim", "não me lembro de tanto calor", "está um frio do caraças". Um pinguinho de chuva a mais ou uma semanita contínua de nuvens tornam-se autênticas tragédias, motivos de descontentamento que se juntam a todos os outros para nos transformar nas criaturas mais desgraçadas deste mundo. E então proclama-se que "nem a merda do tempo ajuda". O S. Pedro torna-se num algoz do nosso desânimo, as nuvens cobrem de tristeza as melhores intenções. O inverno do ano passado, a chuva da outra semana, as cheias do mês anterior são frivolidades de tal maneira remotas que parece que as bases de dados da meteorologia se apagaram ontem, por golpe de magia. Não há chuva ou sol, frio ou calor como os de hoje... Por outro lado, é rarissimo, particularmente entre os portugueses, que têm uma sorte do caraças com o clima (ao menos isso...), encontrar alguém que diga, sem reservas, "está um tempo perfeito". Isso é mais difícil do que encontrar a pedra filosofal. Há sempre uma brisa, aragem, humidade, gráuzito a mais ou gráuzito a menos que borram a pintura do tempo que nos colocaria em harmonia com o cosmos. Os portugueses são, portanto, uns empedernidos insatisfeitos com o tempo que Deus lhes deu, para além de, como todos os outros povos, terem uma memória curtíssima dessa dimensão, por enquanto fatal, da nossa existência.
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Bons filmes no TAGV
- 11 DEZ
TRIPLE AGENT - 13 DEZ
THE CONSTANT GARDENER - 14 DEZ
THE TWILIGHT SAMURAI - 18 DEZ
SHANGHAI DREAMS - 19 DEZ
PARADISE NOW
€4 (€2,5 para estudantes)
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Desigualdades
Os 2% mais ricos da população possuem mais de 50% da riqueza mundial enquanto os 50% mais pobres possuem apenas 1% dessa mesma riqueza.
Mais rico significa ter mais de 500 000 dólares (cerca de 75 000 contos). Segundo esse critério, existirão em todo o planeta apenas (!) 37 milhões de criaturas ricas.
Se a riqueza mundial fosse equitativamente distribuida, cada indíviduo, em média, teria um património de 20 500 dólares (cerca de 3 000 contos).
Link
Mais rico significa ter mais de 500 000 dólares (cerca de 75 000 contos). Segundo esse critério, existirão em todo o planeta apenas (!) 37 milhões de criaturas ricas.
Se a riqueza mundial fosse equitativamente distribuida, cada indíviduo, em média, teria um património de 20 500 dólares (cerca de 3 000 contos).
Link
Dumping social
A UE quer promover a melhoria das condições de trabalho nos países menos desenvolvidos, impondo restrições à importação de bens e serviços provenientes de países não cumpridores de "labour standards" mínimos. Os países pobres irritam-se porque são punidos por causa do seu principal factor de competitividade, isto é, a sua pobreza...
A Índia, por exemplo, consegue aos poucos industrializar-se e aumentar a sua participação nas exportações mundiais porque não paga salários reais como os dos países ricos, porque tem jornadas de trabalho mais longas, porque não tem o mesmo nível de protecção social, etc. É por isso que a cerâmica, o vestuário, o calçado, etc. podem chegar mais baratos aos países ricos, de resto, para grande satisfação dos consumidores desses países. O problema é que, normalmente, os consumidores também são produtores, que se arriscam a perder os postos de trabalho nos sectores mais atingidos por essa "concorrência desleal" baseada no "dumping social". Espera-se que, no longo prazo, esses sectores sejam substituidos por outros criadores de emprego nos países ricos... Mas, como dizia Keynes, "no longo prazo estamos todos mortos" (n'est-ce-pas?) e o bem-estar não pode esperar...
Não vejo problema no "dumping social" se ele permitir criar as condições para a sua própria eliminação gradual, com o desenvolvimento económico permitido pela competitividade da pobreza. Portanto, a pobreza seria uma vantagem competitiva estática, de curto prazo, destinada a ser substituida por outras vantagens dinâmicas mais favoráveis, no longo prazo, aos trabalhadores dos países menos desenvolvidos. E os pobres têm paciência...
Link
A Índia, por exemplo, consegue aos poucos industrializar-se e aumentar a sua participação nas exportações mundiais porque não paga salários reais como os dos países ricos, porque tem jornadas de trabalho mais longas, porque não tem o mesmo nível de protecção social, etc. É por isso que a cerâmica, o vestuário, o calçado, etc. podem chegar mais baratos aos países ricos, de resto, para grande satisfação dos consumidores desses países. O problema é que, normalmente, os consumidores também são produtores, que se arriscam a perder os postos de trabalho nos sectores mais atingidos por essa "concorrência desleal" baseada no "dumping social". Espera-se que, no longo prazo, esses sectores sejam substituidos por outros criadores de emprego nos países ricos... Mas, como dizia Keynes, "no longo prazo estamos todos mortos" (n'est-ce-pas?) e o bem-estar não pode esperar...
Não vejo problema no "dumping social" se ele permitir criar as condições para a sua própria eliminação gradual, com o desenvolvimento económico permitido pela competitividade da pobreza. Portanto, a pobreza seria uma vantagem competitiva estática, de curto prazo, destinada a ser substituida por outras vantagens dinâmicas mais favoráveis, no longo prazo, aos trabalhadores dos países menos desenvolvidos. E os pobres têm paciência...
Link
Sabemos que está quase a chegar o Natal quando...
- recebemos meias com bonecos de neve
- temos 4 jantares na mesma semana
- os anúncios televisivos são 99,9% a brinquedos
- a televisão passa filmes clássicos
- tudo e mais alguma coisa tem luzes cintilantes, vermelhos, verdes, dourados e prateados
- aparece um gato vestido de Pai Natal na barra direira do blog
- (...)
(mais sugestões?)
terça-feira, dezembro 05, 2006
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Alguém me explica...
... o que raio é o TLEBS?
Já li muita coisa à volta disto, mas ainda não percebi em que consiste exactamente. Agradecia se uma alminha caridosa me pudesse explicar.
Quem é esta gente?
Quem é esta gente de pele lisa, olhos precisos, cabelos orgulhosamente grisalhos, que desdenha o ar que respira, que cheira a perfumes inacessíveis?
Quem é esta gente que envelhece com cara de menino, que morre de tédio com o bem-estar que os avós lhe deixaram, que odeia a mediania e vomita bom gosto?
Quem é esta gente que se permite parecer o que não é para ser exactamente o que é?
Quem é esta gente tão indecentemente erudita que paga fortunas por uma surpresa irrisória?
Quem é esta gente que tem a àrvore genealógica estampada no focinho - sem querer?
Quem são estes eternos colegiais que cedem misturar-se por alguns instantes com as ninharias do povo?
Quem são estes velhos com cara impecável de publicidade a curas de beleza e a hospitais privados a cheirar a rosas?
Quem é esta gente que envelhece com cara de menino, que morre de tédio com o bem-estar que os avós lhe deixaram, que odeia a mediania e vomita bom gosto?
Quem é esta gente que se permite parecer o que não é para ser exactamente o que é?
Quem é esta gente tão indecentemente erudita que paga fortunas por uma surpresa irrisória?
Quem é esta gente que tem a àrvore genealógica estampada no focinho - sem querer?
Quem são estes eternos colegiais que cedem misturar-se por alguns instantes com as ninharias do povo?
Quem são estes velhos com cara impecável de publicidade a curas de beleza e a hospitais privados a cheirar a rosas?
domingo, dezembro 03, 2006
Tanguy
O Governo divulgou hoje um estudo sobre a juventude cujas conclusões essenciais são as seguintes: os jovens saem mais tarde de casa, adiam casamento e têm emprego precário. Todas as análises que tenho lido e ouvido enfatizam os factores económicos por detrás do fenómeno, que são sobejamente conhecidos. Não vi ainda realçadas as razões sociológicas que prolongam o "edílio" adolescencial em que muita gente teima em viver e que se transforma, frequentemente, em pesadelo, tais como: a resistência da família nuclear ao seu desmembramento; a hegemonia do princípio do prazer e do conforto sobre o princípio da realidade; a sociedade de sedução e de alergia à decepção em que vivemos; as condições difíceis e ambíguas em que se exercem a maternidade e a paternidade, as quais são ameaçadas por outras prioridades durante muitos anos da vida familiar; o autêntico sequestro a que se submetem reciprocamente pais e filhos; a imaturidade desses actores num mundo em que a responsabilidade, o risco e o esforço são autênticos papões.
Esta situação de maturidade e separação tardias parece mais visível nas sociedades do sul da Europa, em que a transição da família alargada para uma família nuclear se tem feito mais penosamente. Diria que em Itália, por exemplo, o fenómeno é ainda mais pertinente. Apesar de não dispor de estatísticas comparadas, estou quase certo de que nos países de cultura anglo-saxónica, em que o individualismo e a autonomia e responsabilidade dos filhos são muito mais encorajados, a tendência acima descrita não se tem manifestado da mesma maneira, nem tão rapidamente.
Para aligeirar o tema, aconselho o filme Tanguy, uma paródia divertidíssima (apesar dalgumas passagens a puxar para o riso amarelo) sobre o drama de um filho único de 28 anos, rico e bem sucedido, que insiste em permanecer no bem-bom da casa dos pais para grande desespero destes últimos que inventam todo o tipo de estratégias para se desembaraçar do dito "mammóne"...
Esta situação de maturidade e separação tardias parece mais visível nas sociedades do sul da Europa, em que a transição da família alargada para uma família nuclear se tem feito mais penosamente. Diria que em Itália, por exemplo, o fenómeno é ainda mais pertinente. Apesar de não dispor de estatísticas comparadas, estou quase certo de que nos países de cultura anglo-saxónica, em que o individualismo e a autonomia e responsabilidade dos filhos são muito mais encorajados, a tendência acima descrita não se tem manifestado da mesma maneira, nem tão rapidamente.
Para aligeirar o tema, aconselho o filme Tanguy, uma paródia divertidíssima (apesar dalgumas passagens a puxar para o riso amarelo) sobre o drama de um filho único de 28 anos, rico e bem sucedido, que insiste em permanecer no bem-bom da casa dos pais para grande desespero destes últimos que inventam todo o tipo de estratégias para se desembaraçar do dito "mammóne"...
007 - Casino Royale

O novo James Bond, Daniel Craig, é um 007 com personalidade, mas uma personalidade diferente daquela a que estamos habituados. Talvez não seja só por ser um actor diferente, mas também porque este filme conta a história inicial do agente secreto do MI6. Vemos a sua ascenção à categoria de "double 0", a sua ingenuidade e inexperiência de prinicipiante, o seu desleixo com a aparência, etc, etc. e isso tudo ajuda-nos a perceber a razão de ser do James Bond que conhecemos dos filmes anteriores.
Este Bond:
- conduz um Ford
- é confundido com um arrumador de carros
- está constantemente a ganhar cicatrizes
- tem falhas
- não se deixa seduzir facilmente por um rabo de saias
- é capaz de largar tudo para seguir o amor
Ou seja, é exactamente o oposto do que estamos acostumados a ver. Mas, no fim do filme, um desfecho inesperado muda a sua personalidade, para aquela que tão bem conhecemos.
Um filme a não perder.
sábado, dezembro 02, 2006
Conversas de Autocarro II
No outro dia ia eu no autocarro e à minha frente estavam duas meninas entre os 13 e os 14 anos. Claramente aparentavam ser mais velhas que isso, mas calculei a idade pelos livros escolares que tinham (do 8ºano). A conversa era daquele género típico de autocarro e de miúdas, sem substância, fútil e desinteressante.
A certa altura começam a falar nas novas calças amarelas que uma delas comprou e sai o seguinte comentário:
"As calças são lindas, ficam bué bem. E ainda estive indecisa se comprava o meu tamanho, mas o tamanho abaixo fica muito melhor! Custa um bocado a mexer-me, principalmente quando me sento, mas vale a pena porque ficam mesmo bem!"
Não, não estou a inventar!
CO2
O ambiente é uma daquelas micro-causas muito na berra nos tempos que correm. À falta de grandes ideologias, as pessoas agora exercem a cidadania e tranquilizam a consciência, aderindo emotivamente a micro-causas, como o ambiente, a igualdade entre homens e mulheres, os direitos dos homosexuais, a filantropia a favor do Terceiro Mundo, o voluntariado nos hospitais e na rua para ajudar os sem-abrigo, etc. E muito bem. Contra isso, nada! Digamos que se passou de um individualismo egoísta moderno a um individualismo pós-moderno cheio de boas intenções, em que o hedonismo se mistura com uma solidariedade "soft", isto é, pouco consumidora de empenho pessoal e pouco arriscada, porque não colide com outras prioridades como a carreira profissional, o sucesso material e a competição.
O ambiente passou a ser "mainstream". Ex-presidentes, vice-presidentes e ex-candidatos a presidentes pugnam pela defesa do planeta, os directores de grupos económicos e financeiros juram respeitar o ambiente. O ambiente é parte integrante da chamada "corporate social responsibility". Forma-se uma estranha aliança (ambiental) entre "green peace", "no global" e sacerdotes do capitalismo. E quando se trata de escolher entre criação de postos de trabalho e desenvolvimento económico, por um lado, e protecção do ambiente, por outro, defende-se, muitas vezes, acaloradamente, a segunda contra os primeiros. Esquecendo que a pior das poluições é a pobreza. Como dizia um poeta do Terceiro Mundo, "quem me dera o fumo de uma fábrica para combater o mal da minha alma e da minha fome".
A hipocrisia raia o absurdo quando os maiores poluidores fazem propaganda da defesa do ambiente na terra dos outros, sem mexer uma palha para cortar a poluição nos seus próprios países. Porque não querem prejudicar os interesses económicos que produzem poluição. Basta pensar nos Estados Unidos e na Austrália que recusaram subscrever o Protocolo de Kyoto. Chega-se ao ponto de utilizar os standards ambientais como argumento de "fair competition" ou "level playing field". Isto é, quem tem menos custos de protecção ambiental consegue produzir a custo mais baixo e, portanto, ser mais competitivo no mercado mundial. Claramente, o futuro do ambiente e o desenvolvimento sustentável (que bonita expressão!) dependem da conciliação do ambiente com o lucro e com a lógica de mercado. Como tantas outras coisas neste mundo de "livre iniciativa".
Um dos passos mais concretos nesse sentido foi a criação na Europa do chamado mercado dos "carbon rights", ou seja, direitos a produzir CO2. Quem polui mais do que uma certa norma pré-definida deve comprar o direito de poluir a quem polui menos do que essa mesma norma. O pressuposto é que a norma implica uma redução global e tendencial das emissões de CO2. As empresas de sectores menos poluentes e/ou que investem na protecção do ambiente podem portanto cobrir esses custos de investimento e gerar receitas adicionais, vendendo direitos de produção de CO2 às empresas mais poluentes. Trata-se, portanto, de uma bolsa da poluição supervisionada pela União Europeia. O início desse mercado foi atribulado pela simples razão de que se emitiram demasiados títulos de poluição, quer dizer, as autoridades sobrestimaram as necessidades de poluição dos agentes económicos, provocando uma oferta de direitos a poluir superior à procura. O que aconteceu foi, naturalmente, uma quebra acentuada das cotações e uma perda de credibilidade do mercado e das metas de redução das emissões de CO2.
O ambiente passou a ser "mainstream". Ex-presidentes, vice-presidentes e ex-candidatos a presidentes pugnam pela defesa do planeta, os directores de grupos económicos e financeiros juram respeitar o ambiente. O ambiente é parte integrante da chamada "corporate social responsibility". Forma-se uma estranha aliança (ambiental) entre "green peace", "no global" e sacerdotes do capitalismo. E quando se trata de escolher entre criação de postos de trabalho e desenvolvimento económico, por um lado, e protecção do ambiente, por outro, defende-se, muitas vezes, acaloradamente, a segunda contra os primeiros. Esquecendo que a pior das poluições é a pobreza. Como dizia um poeta do Terceiro Mundo, "quem me dera o fumo de uma fábrica para combater o mal da minha alma e da minha fome".
A hipocrisia raia o absurdo quando os maiores poluidores fazem propaganda da defesa do ambiente na terra dos outros, sem mexer uma palha para cortar a poluição nos seus próprios países. Porque não querem prejudicar os interesses económicos que produzem poluição. Basta pensar nos Estados Unidos e na Austrália que recusaram subscrever o Protocolo de Kyoto. Chega-se ao ponto de utilizar os standards ambientais como argumento de "fair competition" ou "level playing field". Isto é, quem tem menos custos de protecção ambiental consegue produzir a custo mais baixo e, portanto, ser mais competitivo no mercado mundial. Claramente, o futuro do ambiente e o desenvolvimento sustentável (que bonita expressão!) dependem da conciliação do ambiente com o lucro e com a lógica de mercado. Como tantas outras coisas neste mundo de "livre iniciativa".
Um dos passos mais concretos nesse sentido foi a criação na Europa do chamado mercado dos "carbon rights", ou seja, direitos a produzir CO2. Quem polui mais do que uma certa norma pré-definida deve comprar o direito de poluir a quem polui menos do que essa mesma norma. O pressuposto é que a norma implica uma redução global e tendencial das emissões de CO2. As empresas de sectores menos poluentes e/ou que investem na protecção do ambiente podem portanto cobrir esses custos de investimento e gerar receitas adicionais, vendendo direitos de produção de CO2 às empresas mais poluentes. Trata-se, portanto, de uma bolsa da poluição supervisionada pela União Europeia. O início desse mercado foi atribulado pela simples razão de que se emitiram demasiados títulos de poluição, quer dizer, as autoridades sobrestimaram as necessidades de poluição dos agentes económicos, provocando uma oferta de direitos a poluir superior à procura. O que aconteceu foi, naturalmente, uma quebra acentuada das cotações e uma perda de credibilidade do mercado e das metas de redução das emissões de CO2.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Pai Natal nazi
quinta-feira, novembro 30, 2006
Suicidio de jovens no Japão
Citado de FT on-line de hoje:
"Last month a 13-year-old Japanese boy wrote a simple suicide note on a piece of crumpled paper. “Dear Mom and Dad,” it read, “Sorry I was an inadequate child. Thank you for everything. I cannot live while being bullied.” Over the past two months, at least seven children in Japan have taken their own lives after being tormented by school bullies. The problem of ijime, or bullying, has long been a problem in Japan. But the spate of recent suicides, coupled with unyielding media coverage, has turned ijime into a national epidemic."
"Last month a 13-year-old Japanese boy wrote a simple suicide note on a piece of crumpled paper. “Dear Mom and Dad,” it read, “Sorry I was an inadequate child. Thank you for everything. I cannot live while being bullied.” Over the past two months, at least seven children in Japan have taken their own lives after being tormented by school bullies. The problem of ijime, or bullying, has long been a problem in Japan. But the spate of recent suicides, coupled with unyielding media coverage, has turned ijime into a national epidemic."
quarta-feira, novembro 29, 2006
Modéstia à parte, n' est ce pas?
Aproveitando o facto de a citação de hoje: "Os homens não são importantes. O que conta é quem os comanda" ser de Charles de Gaulle, aqui vos deixo duas outras citações dele com que me deparei em Paris por debaixo de uma estátua em sua honra.
Um homem nada Chauvinista nem modesto...
terça-feira, novembro 28, 2006
Carta (antecipada) ao Pai Natal
Querido Pai Natal,
Este ano vou-te escrever duas cartas, sendo que esta é a primeira e vem antecipadamente. Isto porque tenho dois pedidos muito importantes a fazer-te e que gostava de ver satisfeitos antes do Natal propriamente dito.Fui uma menina muito bem comportada durante todo o ano, uma menina que cumpriu os seus deveres e é por isso que preciso da tua ajuda. É que, meu querido Pai Natal, com a carga de trabalho com que estou na faculdade, preciso desesperadamente que me ofereças os dois presentes antes do tempo, para que eu possa recuperar a minha vida social, a minha sanidade mental e a minha capacidade de organização.
Assim, Pai Natal, os meus pedidos são tempo para dormir e uma agenda para gerir o meu escasso tempo para tanto trabalho. E já agora, se fosses muito fofo e querido, podias arranjar-me umas horinhas extra por dia para eu poder ter vida social.
Um beijinho,
Alice
domingo, novembro 26, 2006
Vai e vem
Ultimamente este blog tem sido demasiado necrológico. Morreu fulano e sicrano e beltrano, tudo gente famosa que deixou um traço mais ou menos inesquecível em vários sectores de actividade, economia, cinema, arte, literatura.
Mas, também morreram os outros, na maioria anónimos, que chegaram menos alto na escala mediática, que se distinguiram menos no que fizeram, cuja memória não sobreviverá à segunda geração das pessoas mais próximas. Toda essa gente que morreu hoje amou, fez bem e fez mal, sofreu e foi feliz, fez filhos e matou, transgrediu e obedeceu, aprendeu e desaprendeu, acertou e errou. Toda essa gente foi para a cova com meia dúzia de gatos pingados atrás sussurando que o defunto até era boa pessoa. Porque ninguém é mau depois de morrer. Todos nós conseguimos sempre encontrar uma centelha de bondade na mais hedionda criatura que passa para o Além.
Hoje anuncio o nascimento de milhares de pessoas que serão felizes, divertidas, criativas, bondosas, saudáveis, honestas, fortes, obstinadas, competentes, bons pais, boas mães, bons filhos, gente interessada pelo que sucede no mundo e que se empenha para o melhorar, cidadãos de corpo inteiro destinados a melhorar o estado das coisas e que não pensam só no próprio umbigo. Todos esses nascem hoje...
E os outros também... Os outros são os outros que compõem o bouquet de que é feita a vida.
Passe o tom prosélito e moralista. Boa semana para todos os que cá continuam (incluindo os que nasceram hoje)!
Mas, também morreram os outros, na maioria anónimos, que chegaram menos alto na escala mediática, que se distinguiram menos no que fizeram, cuja memória não sobreviverá à segunda geração das pessoas mais próximas. Toda essa gente que morreu hoje amou, fez bem e fez mal, sofreu e foi feliz, fez filhos e matou, transgrediu e obedeceu, aprendeu e desaprendeu, acertou e errou. Toda essa gente foi para a cova com meia dúzia de gatos pingados atrás sussurando que o defunto até era boa pessoa. Porque ninguém é mau depois de morrer. Todos nós conseguimos sempre encontrar uma centelha de bondade na mais hedionda criatura que passa para o Além.
Hoje anuncio o nascimento de milhares de pessoas que serão felizes, divertidas, criativas, bondosas, saudáveis, honestas, fortes, obstinadas, competentes, bons pais, boas mães, bons filhos, gente interessada pelo que sucede no mundo e que se empenha para o melhorar, cidadãos de corpo inteiro destinados a melhorar o estado das coisas e que não pensam só no próprio umbigo. Todos esses nascem hoje...
E os outros também... Os outros são os outros que compõem o bouquet de que é feita a vida.
Passe o tom prosélito e moralista. Boa semana para todos os que cá continuam (incluindo os que nasceram hoje)!
Por um novo nacionalismo
Hoje, um amigo francês disse-me que a maior parte dos portugueses que conhecia eram tímidos, tristonhos, demasiado discretos, defensivos, parecendo pouco orgulhosos de ser portugueses. Como é que se pode ser assim quando se pertence a uma Nação que deu tanto ao mundo, um pequeno país que tanto contribuiu para o avanço da Humanidade num período histórico decisivo. Como se explica essa nostalgia, a que chamam saudade, bem traduzida pelo fado e por uma parte significativa da literatura e arte portuguesas? [Enquanto isso, os espanhóis são raivosos de ser espanhóis e os franceses incham de arrogância... De Gaule dizia que o mundo inteiro sempre tinha ganho com a "grandeur de la France"...]
Admitindo que essa análise (ainda) descreva um número significativo de portugueses e que os estereótipos da saudade, tristeza e profundidade representem de alguma maneira a alma portuguesa, como explicar tudo isso? Porque é que os portugueses seriam tristes (ou mais tristes do que outros povos)?
A minha explicação foi mais ou menos clássica... O pequeno país que construiu um império tinha pés de barro e em pouco tempo perdeu tudo aquilo que tinha conquistado com grande coragem, engenho e liderança esclarecida. O apogeu teria coincidido com os reinados de D. João II e D. Manuel. Depois, foi o declínio inexorável e permanente durante séculos, incluindo o desastre de Alcácer Quibir, a perda da independência entre 1580 e 1640, o afastamento dos movimentos de ideias que sacudiam a Europa, o desperdício dos recursos coloniais, a insipiência da industrialização, a ausência de uma burguesia progressista e visionária, o desastre dos primeiros anos da Républica e a "longa noite fascista" com o culto da ignorância, do vinho e da modéstia, o "orgulhosamente sós", uma tardia e custosa guerra colonial, a hemorragia emigratória, etc. Digamos que, depois da grandiosidade dos séculos XV e XVI, Portugal não tem grande coisa de que se gabar. A nostalgia dos portugueses e o seu putativo défice de auto-estima talvez estejam associados a uma raiva contida por terem perdido tanto (um império global...) de forma tão clamorosa e irreversível. E esse sentimento de perda permaneceria inscrito nos genes dos portugueses.
A revolução de 1974 e a adesão à Europa interromperam esse longo processo de decadência. Porém, em termos de tempo histórico, o choque ainda é recente. Apenas uma geração não viveu directamente o trauma fascista. Os portugueses foram expostos às suas fraquezas e tiveram de descobrir as suas forças para ombrear com os outros povos na luta pelo desenvolvimento. Os jovens podem exprimir livremente a sua criatividade, a sua qualidade, a sua ambição. Não sentem a "obrigação", consciente ou inconsciente, de redimir quaisquer culpas ou complexos, não são reféns de quaisquer sebastianismos.
Penso que os portugueses, principalmente os mais jovens, já não correspondem a esse paradigma da tristeza e da saudade. Penso que um novo espírito nacional se está a desenvolver, que começa a fazer sentido ter orgulho de ser português ou, pelo menos, não sentir o handicap de ser português. É verdade que, às vezes, esse orgulho se exprime das formas menos auspiciosas, tipo: adesão patética a glórias desportivas efémeras. Outro aspecto que talvez não ajude é a qualidade das élites e dos dirigentes do país nesta fase de erupção da energia nacional. Mas, também nesta área, tem de se viver com o que se tem ou apesar do que se tem... E um país tão fortemente traumatizado como aquele que emergiu do fascismo há uma geração talvez não pudesse ter melhor élite.
Admitindo que essa análise (ainda) descreva um número significativo de portugueses e que os estereótipos da saudade, tristeza e profundidade representem de alguma maneira a alma portuguesa, como explicar tudo isso? Porque é que os portugueses seriam tristes (ou mais tristes do que outros povos)?
A minha explicação foi mais ou menos clássica... O pequeno país que construiu um império tinha pés de barro e em pouco tempo perdeu tudo aquilo que tinha conquistado com grande coragem, engenho e liderança esclarecida. O apogeu teria coincidido com os reinados de D. João II e D. Manuel. Depois, foi o declínio inexorável e permanente durante séculos, incluindo o desastre de Alcácer Quibir, a perda da independência entre 1580 e 1640, o afastamento dos movimentos de ideias que sacudiam a Europa, o desperdício dos recursos coloniais, a insipiência da industrialização, a ausência de uma burguesia progressista e visionária, o desastre dos primeiros anos da Républica e a "longa noite fascista" com o culto da ignorância, do vinho e da modéstia, o "orgulhosamente sós", uma tardia e custosa guerra colonial, a hemorragia emigratória, etc. Digamos que, depois da grandiosidade dos séculos XV e XVI, Portugal não tem grande coisa de que se gabar. A nostalgia dos portugueses e o seu putativo défice de auto-estima talvez estejam associados a uma raiva contida por terem perdido tanto (um império global...) de forma tão clamorosa e irreversível. E esse sentimento de perda permaneceria inscrito nos genes dos portugueses.
A revolução de 1974 e a adesão à Europa interromperam esse longo processo de decadência. Porém, em termos de tempo histórico, o choque ainda é recente. Apenas uma geração não viveu directamente o trauma fascista. Os portugueses foram expostos às suas fraquezas e tiveram de descobrir as suas forças para ombrear com os outros povos na luta pelo desenvolvimento. Os jovens podem exprimir livremente a sua criatividade, a sua qualidade, a sua ambição. Não sentem a "obrigação", consciente ou inconsciente, de redimir quaisquer culpas ou complexos, não são reféns de quaisquer sebastianismos.
Penso que os portugueses, principalmente os mais jovens, já não correspondem a esse paradigma da tristeza e da saudade. Penso que um novo espírito nacional se está a desenvolver, que começa a fazer sentido ter orgulho de ser português ou, pelo menos, não sentir o handicap de ser português. É verdade que, às vezes, esse orgulho se exprime das formas menos auspiciosas, tipo: adesão patética a glórias desportivas efémeras. Outro aspecto que talvez não ajude é a qualidade das élites e dos dirigentes do país nesta fase de erupção da energia nacional. Mas, também nesta área, tem de se viver com o que se tem ou apesar do que se tem... E um país tão fortemente traumatizado como aquele que emergiu do fascismo há uma geração talvez não pudesse ter melhor élite.
sábado, novembro 25, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Philippe Noiret
Faleceu esta noite Philippe Noiret, um grande do cinema francês e europeu. Lembro-me dele com ternura em "Il Postino" no qual contracenou com o também saudoso Massimo Troisi, ou em "Nuovo Cinema Paradiso" no qual desempenhou o papel do inesquecível e carinhoso Alfredo.
Morte e mercado de capitais
Já se sabia que a criatividade dos financeiros não tem limites. Já se sabia que dinheiro e ética dialogam com uma certa dificuldade. Já se sabia que, para lá do romantismo e das boas intenções, é preciso tratar das coisas práticas da vida, o que significa, frequentemente, gerir bem o "vil metal". Para ilustrar tudo isto, o Financial Times on-line de hoje descreve os chamados "longevity bonds" ou "mortality bonds". São obrigações cuja taxa de juro é indexada à taxa de mortalidade de uma determinada população. Por exemplo, quando aumenta a mortalidade, aumenta o juro e vice-versa. É um instrumento adequado à cobertura dos riscos de liquidez e de mercado dos fundos de pensão que investem em activos de longo prazo na base de uma certa previsão de esperança de vida dos beneficiários das pensões. Se essa previsão não se concretiza, os fundos ficam ou com um excesso de financiamento ou com um défice durante um certo período, expondo-se às flutuações de rendimento dos activos subjacentes. Os "longevity bonds" ou "mortality bonds" permitem cobrir esse risco.
Link, link.
Link, link.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







