segunda-feira, outubro 30, 2006

1º ano


Fez ontem um ano que iniciámos este blog... Desde aí, escrevemos o equivalente a um dossier (dos grandes), mais precisamente 675 posts, e recebemos 15.200 visitas. Sinto-me orgulhosa de algo que começou do zero e agora já tem história e consistência.
Parabéns Fantástico, Melga!

sexta-feira, outubro 27, 2006

Breve teoria da cunha

Em cada sociedade existem élites que detém os poderes económico, político, cultural, etc. Tendencialmente, a mesma élite concentra todos os poderes, mas também pode haver separação entre élites sectoriais. A élite cultural pode não coincidir com a económica, por exemplo. De qualquer modo, salvo em circunstâncias de ruptura excepcionais, as élites dialogam e interagem criando uma força mais ou menos homogénea de domínio e de controlo do conjunto da sociedade.

Um lugar nas élites obtém-se através do nascimento, da herança, do casamento, da ascenção social, do mérito. As élites defendem-se, criando cumplicidades no seu seio, traficando influências, alimentando um certo secretismo, em particular, em sistemas democráticos onde a fluidez da informação e o discurso da igualdade de oportunidades se podem tornar incómodos, não deixando escapar postos de comando para "new comers" indesejáveis. Pertencer à elite significa obedecer, pactuar, influenciar por trás de cortinas mais ou menos insuspeitas, gozar de privilégios e ceder privilégios a "pré-eleitos".

As élites dos países mais avançados, especialmente de cultura anglo-saxónica e matriz protestante, são exigentes em termos de selecção e pertença dos seus membros. Os factores aleatórios (como o nascimento ou a sorte) são combinados com aspectos mais ligados à meritocracia como o estudo, o trabalho, a iniciativa. Os países com maior mobilidade social apresentam naturalmente élites mais modernas e renovadas. Outros países ou regiões, cujo salto da Idade Média para a sociedade burguesa foi mais longo e mitigado, mantém uma grande predominância dos factores genéticos e aleatórios de acesso e pertença às élites. Nesses países, o nome de família e a cunha ("la raccomandazione", como dizem os Italianos, grandes campeões da cunha) fazem muito mais a diferença no acesso às benesses e ao poder.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Retour à Clichy-sous-Bois

Faz amanhã um ano que começaram os motins na periferia das principais cidades francesas. Os primeiros incidentes graves ocorreram em Clichy-sous-Bois, nos arredores de Paris. Depois de uma fase inicial de desnorteio, as autoridades tomaram conta da situação e, nos meses seguintes, anunciaram medidas de luta contra as razões (alegadamente, profundas) do fenómeno: mais investimento em equipamentos sociais, mais oportunidades de emprego para os jovens de todas as côres e raças, rejuvenescimento da habitação social, etc. Os presidentes de câmara das chamadas "cités" difíceis queixam-se de muita propaganda e de pouca acção por parte do governo central. O mal-estar subsiste, em surdina, aproveitando, porém, a mínima oportunidade para se exprimir de forma violenta. A quantidade de carros particulares e de veículos de transporte colectivo vandalizados ou incendiados não cessa de aumentar. Os motoristas de autocarro recusam-se a trabalhar em vários percursos da periferia parisiense, pelo que, na prática, deixou de haver serviço público de transporte em certos bairros. As cenas de violência urbana multiplicam-se. As forças policiais são atacadas de forma organizada. As escolas de bairros sensíveis são autênticos braseiros. Teme-se que o aniversário de amanhã seja pretexto para a erupção de uma nova onda grave de violência. A polícia de choque do Sr Sarkozy está atenta. Através da repressão poderá eventualmente conter as desordens, mas "o problema" continua, sempre mais ameaçador, também para o "centro" da sociedade francesa.

O verdadeiro problema é muito complexo e foi sendo criado ao longo de décadas: imigração descontrolada; armazenamento de pessoas em caixotes de cimento, totalmente estranhos aos contextos de proveniência; ausência de integração, perda de identidade ou criação de guetos sociais, raciais e culturais; apesar das declarações politicamente correctas, discriminação no acesso ao trabalho, à habitação e à sociedade de consumo; falsa tolerância através de apatia sistemática perante uma criminalidade que se foi instalando.

Nos anos 80, os Estados Unidos reagiram a fenómenos deste tipo, essencialmente, através de uma repressão policial sem tréguas e de programas que conduziam, mais ou menos, à escolha entre a miséria e o trabalho "forçado" e mal pago. O resultado está longe de ser satisfatório, não obstante a calma aparente. Não creio que essas receitas sejam desejáveis ou sequer praticáveis no contexto de uma sociedade como a francesa.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Caso raro


«Os gémeos Layton e Kaydon Richardson, de Middlesbrough, em Inglaterra, são um caso raro. Devido a uma determinação genética raríssima, nasceram com cor de pele diferente, o que os especialistas consideram ser um caso num milhão. »

Piadinhas Psicológicas II

Quantos psicólogos são necessários para mudar uma lâmpada?
. Nenhum. A lâmpada mudar-se-á quando estiver pronta para isso.
. Apenas um, mas a lâmpada tem que querer ser mudada.
. Apenas um, mas necessita de nove visitas.

Quantos psiquiatras são necessários para mudar uma lâmpada?
. “Há quanto tempo tem essa fantasia?"
. “Porque é que a lâmpada tem obrigatoriamente que ser mudada?"
. Apenas um, mas primeiro tem que consultar a DSM-IV.

Quantos psicanalistas são necessários para mudar uma lâmpada?
. "Quantos acha você que são necessários?"

Piadinhas Psicológicas

Bem-vindo à Linha Telefónica de Psicologia!

  • Se é obsessivo-compulsivo, por favor carregue no 1 repetidamente.
  • Se é dependente, por favor peça a alguém para carregar no 2.
  • Se tem múltiplas personalidades, por favor carregue no 3, 4, 5, e 6.
  • Se é paranóico-delirante, sabemos quem você é o que quer. Por favor mantenha-se em linha para que possamos identificar a chamada.
  • Se é esquizofrénico, oiça com atenção e uma pequena voz dir-lhe-á em que número carregar.
  • Se está deprimido, não interessa em qual número carregar. Ninguém responderá.
  • Se está delirante e ocasionalmente tem alucinações, por favor esteja consciente de que a coisa em que está a segurar junto à sua cabeça está viva e prestes a morder-lhe a orelha.

Garfield do dia

Top men

Provide us with the names of those men that you consider to be the best representatives of the male gender, along with the reasons why you deem them so.

...and the winners are...

1° George Clooney
2° Jay-Z
3° Richard Branson
4° Lance Armstrong
5° Tom Ford

terça-feira, outubro 24, 2006

E assim vai a Pátria...

Tem-se a impressão de que o governo vai bem e recomenda-se, não obstante os protestos dalgumas corporações que embatem contra a inércia da classe média. A oposição, sobretudo o PSD, estrebucha para facturar críticas, mas com uma credibilidade e uma eficácia duvidosas. O Eng. Sócrates afirma-se como timoneiro da salvação da Pátria, uma voz rigorosa e determinada, austero, cara de páu e autoritário. O Presidente continua a fazer de bom pai de família e burguês exemplar. A primeira dama lá vai recitando poesia para meninos extasiados nas aulas da Faculdade e resiste a reformar-se porque lhe faltaria o "cheiro daqueles corredores" (sic). O governo excede-se em operações de propaganda, gere bem a opinião, tapa buracos com perícia. O Parlamento exibe jovens recém chegados à política que não sabem fazer mais nada e que dizem crassas banalidades do alto da tribuna com a seriedade de um cientista. A Galp entra na Bolsa e a procura da malta (também das instituições financeiras que alguém disse serem os pólos de excelência da nossa economia) excede largamente a oferta de acções por parte do Estado. A chuva e o vento dos novos investimentos (da Siemens, da Ikea, das PMEs, etc.) junta-se à chuva e ao vento do Outono que alaga estradas e faz cair árvores.

segunda-feira, outubro 23, 2006

E depois...

E depois aparece a vontade de se deixar andar,
de não parecer coisa alguma,
sem restrições ou conveniências.
E depois, aparece alguém disfarçado de gente que nos diz que -
sim senhor! -
que não somos gatos e temos uma única vida feita de certezas,
de sensatez,
mas também de alucinações que passam e deixam o lugar a uma pintura inacabada, perfeita, súblime.

E pronto...

Ele bem que me andava a avisar, e foi desta... O vizinho do lado mudou de casa. Resta-me agradecer pela existência do Dawn Of The Herd e pelos sábios ensinamentos que transmitiu a todos os seus leitores. Especialmente este:


perguntar não ofende...


sábado, outubro 21, 2006

Mulheres ateiam incêndios por amor

"Mulheres solitárias, que querem vingar-se da solidão ou chamar a atenção dos maridos ausentes, foram responsáveis por vários fogos-postos deste Verão. É um novo paradigma do incendiário, que a Polícia Judiciária está a estudar."

A Igreja e o Aborto

Vai haver novamente um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez e, com ele, as polémicas opiniões, conselhos, e posições políticas/religiosas.

Há dias ouvi na um bispo (ou padre, não me lembro bem) a afirmar que, mais do que política, esta questão é pessoal e íntima e que, como tal, cabe a cada eleitor analisar qual a melhor decisão, conforme o que os seus valores e consciência. Concordo plenamente com essa posição, mas, infelizmente, a igreja não está a guiar-se por ela. Apesar de afirmarem que não entrarão "em campanhas de tipo político", os bispos dizem que "não podem deixar de contribuir para o esclarecimento das consciências".

Isto significa o quê, afinal? Para mim quer dizer que, apesar de apregoarem a "abstenção de campanhas" vão fazer, eles próprios, uma campanha religiosa para "esclarecer as consciências" católicas de que é "pecado" dizer sim à despenalização do aborto.

E agora pergunto:

Esta questão não é pessoal e íntima, cabendo a cada um votar de acordo com os seus valores e consciência?


(Se as pessoas forem efectivamente católicas, terão valores concordantes com a igreja, se não forem, não se vão deixar convencer por crenças que não partilham, por isso, qual é a necessidade de "esclarecer consciências"?)

Gaffes...

Microfone aberto e "gaffe" (?) monumental de Putin. "Katsav revelou-se um homem forte. Violou dez mulheres! Não esperava dele uma tal proeza. Surpreendeu-nos a todos. Temos inveja dele." Estas terão sido as palavras de Putin para o Primeiro-ministro israelita Olmert na passada quarta-feira em Moscovo, referindo-se ao Presidente israelita, Katsav, a braços com a justiça por causa de uma acusação de violação.

O ex-Primeiro-ministro espanhol Aznar meteu uma esferográfica pelo pescoço abaixo de uma jornalista, irritado com o facto de ela lhe ter feito uma pergunta sobre o "movimento de libertação nacional basco", expressão politicamente incorrecta utilizada em tempos por Aznar.

Folies

Ontem, numa montra de uma loja ao lado da Place Vendôme, em Paris, vi um relógio que custa 157 000 euros... Mais adiante, na estação de metropolitano da Madeleine, vi um jovem sem abrigo, inconsciente, deitado no chão, sem que ninguém se dignasse sequer olhar para esses restos de ser humano.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Mezcal...


«Para ter em atenção e ir vendo a evolução.»

Sócrates, cost killer

"Portugal's socialist government is achieving 'historic' spending cuts that will put an end to a long history of budget crises, the country's prime minister has claimed. (...) 'From a country notable for a total absence of reform, we have become one of Europe's top reformers and will continue to implement daring structural reforms.' (...) Mr Sócrates said opinion polls showed he had the support of a majority of voters. 'It's a mistake to confuse demonstrations with public opinion,' he said."

Extractos daqui.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Fantástico

"Quase metade dos espanhóis é favorável a uma união entre Portugal e Espanha." Ler aqui. Eu tinha dito isto.

terça-feira, outubro 17, 2006

God Bless America

"A nova lei concede ao Presidente o poder de interpretação das regras internacionais sobre o tratamento de prisioneiros, autoriza o julgamento de suspeitos de terrorismo em tribunais militares e não exige que qualquer deles seja defendido por um advogado."

Clicar no título para ler a notícia.

Grandes Portugueses

Concerteza já terão ouvido falar no "novo desafio da RTP aos espectadores": Os Grandes Portugueses que, a meu ver, é ridículo. Ridículo pelo simples facto de haver imensas figuras da história de Portugal em tantos momentos e áreas, que não é possível dizer qual o mais relevante.

O arioplano decidiu optar por algo semelhante à RTP... Senão vejam:

domingo, outubro 15, 2006

GP Motociclismo Estoril


Grande Prémio de Motociclismo (500 cc) do Estoril de hoje. Antes deste GP, Hayden (Honda, USA) era primeiro no Mundial, mas o fenomenal Valentino Rossi (Yamaha, Itália) estava cada vez mais a morder-lhe nos calcanhares, separando-os apenas 12 pontos. Na prova de hoje, os dois companheiros da equipa Honda (Pedrosa e Hayden) picaram-se mais uma vez e acabaram no chão (na foto em cima, o desespero de Hayden). Resultado: mesmo chegando em segundo, Rossi passou para a frente do Mundial com mais 8 pontos do que Hayden, quando falta apenas um GP para o fim do Campeonato do Mundo. Ou seja: conhecendo-se a "fera" que é Rossi não lhe escapará mais um título mundial. Há gajos assim, cuja excelência no que fazem resiste a todas as provas... Rossi é claramente um tipo de excepção em cima de uma moto. E não tentar imitar porque pode fazer muito, mas mesmo muito mal.

"Remediado" Cavaco Silva

“Mas tem aqui o seu frigorífico, já vi!”, exclamou Cavaco Silva quando, na terça-feira passada, entrou na cozinha de Elvira Gaspar, uma mulher de 79 anos que vive sozinha num quarto andar sem elevador no centro de Lisboa. Durante dois dias de Roteiro para a Inclusão, o Presidente tentou contrariar o “masoquismo” de olhar só para o que corre mal no país.

Citado de "Expresso" on-line

Mas, desde quando é que ter um frigorífico é um factor de auto-estima? Não será contentar-se com pouco demais? Não será raspar excessivamente o fundo do tacho para encontrar alguma consolação?

Que pais mais razoavelzinho... ou nem isso!

"Narciso" Herman José

"A minha sorte é ter nascido num país pequenino, mas intrinsecamente pobre, com pessoas maldispostas, o que torna qualquer carreira mais difícil".

Herman José, "Diário de Notícias", 15-10-2006

Imaginemos o que teria sido o Sr. Herman José num país grande, intrinsecamente rico e com pessoas bem dispostas...

sábado, outubro 14, 2006

A história bonita do Grameen Bank

Apesar de ter muitas reservas em relação à lógica dos Prémios Nobel (em especial, do da Paz), fiquei contente com a escolha de Muhammad Yunus, este ano, para esse galardão. Li há uns anos a sua principal obra de divulgação, "O banqueiro dos pobres", um livro interessantíssimo que aconselho vivamente.

Yunus é um economista do Bangladesh que lançou nos anos 70 o Grameen Bank (Banco Rural), a primeira instituição de micro-crédito em todo o mundo. O Grameen empresta pequenas importâncias (20, 50, 100 dólares...) a pessoas pobres e excluidas, vítimas de calamidades sociais e naturais, sem qualquer garantia real, com juros baixos, sem fins lucrativos, para as ajudar a refazer as suas vidas, iniciando actividades artesanais. O banco financia-se essencialmente com depósitos dos seus clientes, pelo que funciona numa base de solidariedade e de mutualização dos recursos e dos riscos. As mulheres figuram entre os principais clientes. Mulheres abandonadas, maltratadas, com vários filhos a seu cargo, obtém pequenos montantes para comprar um forno para cozer pão que vendem no mercado ou uma máquina de costura ou um stock inicial de matéria-prima para fazer cestos tradicionais, etc. Essa gente sai da miséria, entra lentamente num circulo virtuoso ascendente e reconquista a sua dignidade com esses pequenos empréstimos. E a taxa de crédito mal-parado é mais baixa do que nos bancos comerciais... Os pobres fazem questão de reembolsar a ajuda que o Grameen lhes concede. Tomam a sua honra muito a sério.

O Grameen fez mais pelo Bangladesh do que os biliões de dólares que o Banco Mundial tem concedido ao país. Aliás, após vários anos de esforços e de luta contra a sabotagem e o cepticismo do poder instituido, o Grameen começou a ser olhado com seriedade e respeito. Foi nessa altura, e só nessa altura, que o Banco Mundial se precipitou a oferecer financiamentos ao Grameen, os quais foram inicialmente recusados pelo Sr Yunus... pois não queria entrar na lógica tradicional da ajuda internacional que fomenta o assistencialismo e a corrupção. O seu lema era e continua a ser: os pobres ajudam-se a si próprios com o seu trabalho, solidariedade e auto-estima.

Depois do sucesso do Grameen no Bangladesh, o micro-crédito tornou-se um modelo aplicado em todo o mundo, inicialmente nos países em desenvolvimento, depois também nos países industrializados, nomeadamente, para combater o desemprego de longa duração e a exclusão social. Existe uma espécie de Movimento mundial a favor do micro-crédito e mesmo os bancos convencionais lançaram unidades especializadas nesse sector. Enfim, o micro-crédito passou a ter direitos de cidade (link, link, link).

Um canário numa sexta-feira 13

Hoje, quando cheguei a casa para jantar, encontrei uma coisa giríssima e, no mínimo inesperada: um canário a passear no meu quarto.

Segundo a minha empregada, o passarinho de um amarelo fantástico esteve por ali durante toda a tarde (desde as três) e não abandonou o meu quarto em momento algum. Mesmo quando saiu do quarto, passado pouco tempo foi encontrado na minha varanda e, mal se abriu a janela, lá entrou ele de novo. E por aqui ficou, com janelas e portas abertas, mas sempre dentro do meu quarto. Isto até às 10 da noite, quando lhe arranjámos sítio para onde ir.

Não é todos os dias que recebemos uma visita de um canário no quarto. Vejam lá se não é uma simpatia...

sexta-feira, outubro 13, 2006

An inconveniente truth

Fui ver o filme de Davis Guggenheim em que Al Gore faz de grande educador ambiental do planeta. O filme até é eficiente. É feito de forma pedagógica e acutilante. Alerta as consciências, sobretudo dos americanos, que são responsáveis por mais de 1/3 da totalidade das emissões de CO2 em todo o mundo. É um bocado discursivo de mais, com um estilo muito "power point" e centrado no sentido cívico peregrino do ex-candidato às eleições presidenciais americanas derrotado por uma unha negra pelo Sr Bush. Tem, inclusivamente, algumas passagens demasiado auto-biográficas a puxar para o lamechas e algo deslocadas. Mas, filme americano sem esses acessos de sentimentalismo barato não é verdadeiramente americano...

O apelo é a todos e convida a comportamentos ambientalmente correctos. Toca-se apenas de raspão no sistema em si mesmo, que motiva a degradação ecológica a que assistimos. A lógica do capital é apenas aflorada enquanto pressão dos lobbies "oil & gas" e automóvel. O capitalismo deve ser ambientalmente mais responsável para salvar a própria pele a médio-longo prazo, não para melhorar desinteressadamente as condições de vida das populações. Al Gore tenta fazer a quadratura do círculo, dizendo que o Ambiente passou a ser uma questão ética de toda a gente e que as democracias devem actuar enquanto "energias renováveis" para mudar o actual estado de coisas e as tendências preocupantes que estão em curso.