sexta-feira, outubro 13, 2006

quinta-feira, outubro 12, 2006

Perguntas chatas

Será possivel pilotar os sentimentos?

Quando se detesta uma pessoa, pode-se deixar de a detestar? Quando se ama e não se quer amar, pode-se deixar de amar? Quando? Como?

Existe uma engenharia dos sentimentos que os filtra de maneira a reter apenas os que convém? O que quer dizer sentimentos que convém? Que sentimentos são esses que nos desviam do bom caminho? Qual é o bom caminho? O que fazer para os eliminar? Pode-se eliminá-los? Deve-se eliminá-los? O que resta da nossa autenticidade? Como se fica depois de negar a alquimia dos sentimentos?

Perguntas de quem é obcecado pelo controlo dos mais pequenos detalhes da vida? De quem utiliza demasiado a razão e pouco o coração? De quem se queimou com o fogo do coração e fecha a porta a surpresas inconvenientes que ameaçam o equilibrio do controlo dos mais pequenos detalhes?

Só perguntas de quem não tem medo de perguntas chatas, de quem assume a inquietação e o sobressalto da vida sem se disfarçar de super-homem.

Post-scriptum:

Só falta ser acusado de adolescência retardada ou de crise de meia-idade. Porra: basta não ser "zombie" para correr o risco de ser rotulado de tais estereótipos.

+ BOLONHA

"O Senado da Universidade de Coimbra aprovou hoje os planos de reestruturação das licenciaturas em Economia, Gestão, Sociologia e Relações Internacionais, no âmbito do Processo de Bolonha, para entrar em funcionamento no ano lectivo 2007-2008." in Publico on-line de hoje

quarta-feira, outubro 11, 2006

Les Indigènes

Acabei de ver o filme "Les Indigènes" que ganhou o prémio de melhor interpretação do festival de Cannes deste ano, atribuido conjuntamente aos actores principais. Trata-se de um documento importante àcerca dos soldados das colónias do Norte de Àfrica que combateram a favor da França na II Guerra Mundial. O filme denuncia a injustiça de que foram vítimas esses homens, que deram a vida pela "Égalité, Fraternité et Liberté". Durante a Guerra, foram tratados como animais, sendo discriminados, por exemplo, nas promoções e utilizados nas missões de maior risco. Depois da Guerra, a partir de 1959, após a independência desses países (casos de Marrocos, Argélia e Tunisia), as pensões pagas pelo Estado francês a esses ex-combatentes foram congeladas. Em 2002, o Conselho de Estado considerou a situação injusta e impôs o pagamento do mesmo valor aos ex-combatentes franceses e norte-africanos. Os Governos seguintes protelaram a aplicação dessa decisão e foi apenas há cerca de 2 semanas que o Sr. Jacques Chirac, depois de ter visto o filme, decidiu repôr a justiça.

terça-feira, outubro 10, 2006

Acordo sobre as reformas

O governo, o patronato e a UGT anunciaram um acordo para a viabilização do sistema de reformas. A tomada em consideração da esperança média de vida (recebe-se o mesmo durante mais anos, ou seja, menos por ano), de todo o percurso contributivo (em vez dos 10 melhores anos entre os últimos 15) e penalizações para quem se reforma antes da idade normal figuram entre as medidas que recolheram o consenso desses parceiros sociais. O objectivo declarado consiste em salvar o sistema de repartição em que se tem baseado o financiamento das reformas, isto é, os activos de hoje pagam as reformas de quem se encontra aposentado hoje. Essas medidas assegurariam a sustentabilidade do sistema, ameaçada pelo envelhecimento da população e por um crescimento modesto da produtividade. A "repartição" assegura a solidariedade inter-geracional que estaria afastada de um sistema total ou parcialmente alternativo de capitalização que é defendido pelo PSD e pelas companhias de seguros... O sistema de capitalização implica, essencialmente, que cada individuo poupe para a sua própria reforma (não existem transferências entre gerações) e que, pessoalmente ou através de fundos de pensão, invista essa poupança em activos que gerem o rendimento necessário para enfrentar o período de inactividade. O sistema de capitalização pressupõe, por conseguinte, o primado da responsabilidade individual sobre o principio da solidariedade. Percebem-se, assim, as diferentes vinculações ideológicas dos sistemas que se contrapõem. É claro que, como em muitas outras àreas, também aqui existem os arautos do compromisso que advogam um sistema misto de repartição e de capitalização, digamos, para agradar a gregos e a troianos ou, usando outro aforismo, para brincar ao pragmatismo.

Concordo com o PSD sobre o carácter paliativo do acordo hoje anunciado, mas... pelas razões apontadas pela CGTP e pelo PCP, ou seja: o acordo redistribui um bolo cada vez menor entre os de sempre (i.e. os pobres e remediados), não tocando nos interesses dos mais ricos. Talvez por isso, o patronato se apresentou tão afoito a concordar com as propostas do governo. E não me venham dizer que o plafonamento da pensão máxima nos 4600 euros constitui uma medida de justiça social... (quantas pessoas serão afectadas? qual o valor global envolvido?) Noutras palavras: o PS diz preservar a solidariedade entre as gerações desde que os ricos não entrem na equação. Efectivamente, tudo parece jogar-se ao nível dos salários. Outras formas de rendimento, como os lucros, permanecem indemnes, senão beneficiadas.

A reforma do sistema de pensões deveria implicar a salvaguarda da solidariedade inter-geracional e, além disso, deveria ser uma oportunidade para realizar uma redistribuição mais equitativa do rendimento numa economia em que as desigualdades sociais não cessam de se agravar.

The Black Dahlia


Um bom policial de final imprevisível, com bons actores, bom argumento (de destacar o humor negro e a ironia, genialmente utilizados) e imagens excelentes.
Não é daqueles filmes inesquecíveis, mas vale muito a pena ser visto.

(Para mais informações cliquem no título)

segunda-feira, outubro 09, 2006

Prémio Nobel, desemprego e inflação

Edmund Phelps ganhou este ano o Prémio Nobel da Economia. Este economista americano (para não variar...) destacou-se pela sua abordagem da suposta relação inversa entre desemprego e inflação. Desenvolveu, nomeadamente, o conceito de "taxa de desemprego natural", também conhecida como NAIRU ("non-accelerating inflation rate of unemployment"), a qual está associada ao chamado output potencial, isto é, o PIB máximo que uma economia consegue gerar, em termos reais, dada a sua dotação em factores de produção e níveis de produtividade. Todos os esforços da política macro-económica para reduzir a taxa de desemprego abaixo do seu nível "natural" traduzir-se-ão num aumento da inflação, sem impacto positivo sobre o emprego, o que contraria a predição da chamada curva de Philips.

A "taxa de desemprego natural" ou incompressível dever-se-à aos erros das expectativas dos agentes económicos em relação aos preços e salários. Se essas variáveis reagissem de modo perfeito e instantâneo, o salário real de equilibrio de pleno emprego seria atingido. Mesmo num quadro de expectativas racionais (como proposto pelos monetaristas), a falta de sincronia dos movimentos dos preços e dos salários provocaria sempre um atrito no mercado de trabalho gerador de uma "taxa natural de desemprego". Segundo várias estimativas, essa taxa será de cerca de 3-4% nos Estados Unidos.

Phelps também teve o mérito de juntar nas suas análises as dimensões micro e macro-económica, o curto e o longo prazo. Alguns dos conceitos elaborados por Phelps foram igualmente caros aos monetaristas (p. ex°. Friedman e Lucas) para demonstrar os efeitos perniciosos de políticas económicas contrárias às "leis" da economia. Mas Phelps não é um monetarista. Poder-se-ia catalogar de neo-keynesiano.

Diversidade étnica

In Financial Times on-line:

A bleak picture of the corrosive effects of ethnic diversity has been revealed in research by Harvard University's Robert Putnam, one of the world's most influential political scientists. His research shows that the more diverse a community is, the less likely its inhabitants are to trust anyone - from their next-door neighbour to the mayor.

The core message of the research was that, "in the presence of diversity, we hunker down", he said. "We act like turtles. The effect of diversity is worse than had been imagined. And it's not just that we don't trust people who are not like us. In diverse communities, we don't trust people who do look like us."

domingo, outubro 08, 2006

Momento "domingueiro" saudosista II







Divórcios

Na minha opinião são raríssimos os divórcios (pertinentes e) que ocorrem no momento certo. O timing certo de um divórcio é talvez mais misterioso e inacessível do que o Santo Graal.

Há divórcios que se fazem tarde de mais, outros que nunca se fazem, devendo ter sido feitos para bem de todos os intervenientes.

Há divórcios que se fazem depressa demais, precipitadamente, antes de se dar outras oportunidades ao casal para se reconciliar. Há mesmo divórcios que se fazem, nunca devendo ter sido feitos por falta de motivos substantivos a médio-longo prazo.

Mas vivemos num tempo de insatisfação, de decepção e de aversão ao mínimo sofrimento. Acho também que as pessoas alimentam expectativas exageradas: o primado do "tudo e agora" que gera frustração à mínima contrariedade.

Reflexões de Sábado à tarde

Duas horas de Sol passadas à volta do carro na companhia de um aspirador, uma mangueira, dois panos e um balde com líquido para lavagem de carros... O boguinhas fica impecável: exterior brilhante (que nem um espelho) e interior limpo e bem-cheiroso.
Passam-me duas ideias pela mente:
  1. Valeu a pena tudo isto para ver o que consegui fazer sozinha com aquela imundice (e além disso não gastei um tostão).

  2. Por alguns euros tinha tido o mesmo resultado sem suor e poupando uma tarde de Sábado.

Pergunta ao sexo oposto...

A OK Teleseguro decidiu lançar uma publicidade dirigida às mulheres, nos mesmos moldes dos típicos anúncios para homens, ou seja, a exibir senhores de apelativos atributos de modo a conseguir vender o seu produto.

Acontece que, ao ver aquele anúncio e notar que me era dirigido (enquanto mulher hipoteticamente interessada num seguro automóvel vantajoso), senti que me estavam a tomar como um ser não-pensante, como uma estupidazinha cujo único interesse na vida é observar peitos musculados, braços viris, carinhas larocas e vozinhas pseudo-sexy.

Agora pergunto a todos os excelsos senhores que me estão a ler:

  • Gostam de ver anúncios com meninas jeitosas a mostrarem os seus atributos físicos? E se gostam, como é que conseguem não sentir que vos estão a tomar por anormaizinhos?

sábado, outubro 07, 2006

Escutem a música desta jovem, de seu nome Ayo, nascida na Alemanha, de pai nigeriano e mãe cigana. Editou o seu primeiro disco no princípio deste ano. O disco chama-se "Joyful" e é uma mistura fantástica de soul, folk e afro. Ou muito me engano, ou vai-se falar muito da moça e, sobretudo, ouvir a sua excelente música. Algumas músicas fazem lembrar a Sade, que se eclipsou depois do album "Lovers Rock"... É pena.

Vale tudo para chegar a Perth

Tinha de chegar a Perth (Austrália) a todo o custo. A embraiagem avariou-se, mas a marcha-atrás funcionava. Não esteve com meias medidas: em vez de procurar um mecânico na cidade de onde partia, pôs-se a andar de marcha-atrás no deserto a cerca de 60 km/hora para fazer os 500 km que lhe faltavam. O pobre rapaz acabou por fazer apenas 20 km pois foi obrigado a parar por uma patrulha de polícias que nem queriam acreditar no que viam. Explicou às autoridades que até tinha reduzido a velocidade porque a 80 km/hora o seu velho Ford de 1988 ameaçara despistar-se. Link

sexta-feira, outubro 06, 2006

Os conspiradores

Portas e Marcelo multiplicam as iniciativas conjuntas. Agora é sobre o aborto... Começa a cheirar a esturro. Os "enfants terribles" da "boa" burguesia lisboeta que se consideram mais espertos do que todos os morcões que por aí andam, estão a tramar a direita e a congeminar algum plano de assalto ao poder. Estou a imaginar o Portas: "Oh pá, nós somos os maiores. Os gajos não nos chegam aos calcanhares. Eu com a perfídia que se conhece e tu com com a excitação dialéctica e o sorriso malandro de quem está para lixar a malta com uma lógica imbatível, vamos tomar conta desta merda. Os gajos são uns bacocos. Vamos governar estes trastes e depois ainda nos constroem um pedestal". E o Marcelo a soltar uma enorme gargalhada como quem desdenhosamente faz uma pequena aposta no cavalo feio e moribundo que é o país. Há muito de arrogante e absolutista nestes dois, como se Portugal não os merecesse e eles fizessem apenas o favor de ser admirados e desejados pela plebe ignorante e ranhosa. E em tal terra de cegos... quem tem olho é Rei...

Globalização e inflação

A aceleração da circulação das mercadorias e serviços, resultante da globalização, põe custos de factores de produção em confronto de forma mais directa e imediata. Uma mercadoria incorpora tecnologias e condições de trabalho e sociais típicas do sítio onde é produzida. Portanto, a concorrência das mercadorias é obviamente concorrência dos factores, dos níveis de produtividade e das relações sociais de produção. Quer dizer que a industrialização de países como a China e a Índia e a crescente participação das suas exportações no comércio internacional colocam sob pressão os salários reais dos trabalhadores dos países ocidentais nas indústrias de bens transaccionáveis (a história dos bens não transaccionáveis é outra). E essa contenção salarial, de algum modo alternativa ao aumento do desemprego e que coloca os sindicatos na defensiva, tem um efeito de moderação da inflação (pelos custos). O ambiente de inflação baixa e estável que se tem vivido nos últimos anos (apesar da influência contrária dos custos das matérias primas e da energia em determinados períodos) é, em certa medida, devido a essa contenção dos salários provocada pela globalização.

quinta-feira, outubro 05, 2006

5 de Outubro

1143 - É assinado o tratado de Zamora, no qual o rei de Leão e Castela reconhece a independência a Portugal e a soberania de D. Afonso Henriques enquanto seu rei.

1910 - Proclamação da República Portuguesa.


E nada melhor para o dia de hoje que esta música:

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Jorge Palma - Portugal, Portugal (1982)

quarta-feira, outubro 04, 2006

Pena dupla para as mulheres vítimas de violação no Paquistão

No Paquistão, uma mulher que se apresente às autoridades como vítima de violação arrisca-se a ir para a prisão. Se não conseguir arranjar quatro testemunhas, pode ser automaticamente acusada de adultério.

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Demografia virtuosa

A chegada à idade da reforma dos nascidos após a II Guerra Mundial ("babyboomers"), associada à ulterior queda da natalidade e à entrada de menos pessoas na população activa, está a provocar um "amortecimento demográfico" do desemprego nos países industrializados. As empresas começam a ter dificuldade em recrutar para substituir quem se reforma. O que certos governos proclamam como uma vitória das suas políticas de combate ao desemprego pode, na verdade, incluir um efeito demográfico estrutural significativo que se espera se acentue nos próximos anos. Uma das respostas a este problema pode ser um incentivo a uma partida mais tardia dos "seniors" o que poderá também contribuir para a resolução do défice dos sistemas de reforma. Outra solução consiste em recorrer ainda mais à imigração...

Em França, no sector bancário, a percentagem de assalariados com mais de 55 anos passou de 8.7% em 2001 para quase 16% em 2005. No ano passado, a taxa de crescimento dos recrutamentos no sector foi de 9.6%. 71% das pessoas admitidas tinha menos de 30 anos.

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Era uma vez uma torneira que pingava, pingava, pingava. A dona da casa apertava, apertava, apertava, mas a torneira pingava, pingava, pingava. A dona de casa chamou um canalizador que se pôs a consertar a torneira. Martelava, desmontava, montava, desapertava, apertava. A torneira gemia de tanta atrocidade. Finalmente, deixou de pingar. A dona da casa, apertava e desapertava e a torneira voltou a portar-se bem, deixando correr apenas a àgua que era necessária, quando era necessária, àgua quente, àgua fria, àgua morna. Tornou-se de novo uma torneira obediente e eficaz. A dona da casa deu por bem empregue o dinheiro gasto com a reparação. Um dia, porém, uma gota de àgua caiu. Furtivamente. A dona da casa pôs-se à espreita, olhando desconfiada para o bocal da torneira, de onde uma outra gota caiu. Passados uns segundos, ainda outra caiu e o ping-ping insuportável recomeçou. Regressou o canalizador que disse que a torneira não tinha conserto, que era preciso comprar uma nova. A dona da casa rendeu-se à evidência. Foi instalada uma torneira nova, moderna e resplandecente, que acabou por sobreviver à dona da casa, sem uma única gota a pingar fora de tempo.

E se a economia fosse uma torneira ?

terça-feira, outubro 03, 2006

Politique à la française

Há apenas uma coisa que une a esquerda e a direita tradicional em França: a vontade de impedir o acesso à presidência de Jean-Marie Le Pen, o líder carismático do "Front National", o partido de extrema-direita populista, que disputou as anteriores eleições à segunda volta contra Chirac. A esquerda, nessa altura, engoliu sapos e votou em Jacques Chirac. Agora, homens-chave da direita como Villepin e Chirac excluem a possibilidade de apresentar mais do que um candidato às presidenciais de 2007 para não facilitar a passagem de Le Pen, mais uma vez, à segunda volta. Isso quer dizer que Chirac e Villepin (e respectivos acólitos) podem ter de apoiar o seu inimigo de estimação, o pequeno-grande, Sarkozy. E se se confirmar a dinâmica ganhadora de Ségolène Royal, a menina bonita e super-mediática do PS, poder-se-à ter uma segunda volta entre Ségolène e Sarkozy ou... entre Ségolène e Le Pen. Neste último caso, a direita tradicional teria a oportunidade de pagar uma dívida à esquerda, votando em Ségolène contra Le Pen, tal como a esquerda votou em Chirac contra Le Pen há 5 anos.

De tudo isto resulta (a) a centralidade de J-M Le Pen, o qual, entre outras diatribes, nega o Holocausto e defende a expulsão pura e simples dos imigrantes "em excesso" e (b) a extrema fulanização da política francesa.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Sem comentários...

O mais notório, bem sucedido e incontornável expoente do mundo empresarial angolano é Isabel dos Santos, filha primogénita de... Eduardo dos Santos... (in revista "Economia Pura" de Setembro/Outubro)

As empresas norte-americanas preocupam-se com o nível de qualificações dos recém-licenciados nos Estados Unidos. Parece que a maioria nem sequer é capaz de escrever uma banal carta comercial, tão deficiente é o domínio da lingua inglesa... (in "Financial Times" de hoje)

Quem, no emprego, pretender dizer a verdade, exprimir sinceramente os seus pensamentos, cultivar a transparência está condenado a passar um mau bocado... O mundo do trabalho requer a mentira para ser "sustentável"... (in "Financial Times" de hoje - artigo completo aqui)

A RTP está a propôr aos portugueses que votem a favor do(da) compatriota que mais se notabilizou ao longo da secular história lusitana. Vasco da Gama e Rosa Mota são indicados como concorrentes... (in revista do jornal "Publico" de Sábado passado, mas também podem ir aqui)

sábado, setembro 30, 2006

The Lost City


Na sua estreia enquanto realizador, Andy Garcia saíu-se excelentemente. The Lost City conta a história de Cuba nos anos de 1958 e 1959.

Pela mão do dono de um cabaret em Havana (Andy Garcia) e do escritor/comediante por ele contratado (Bill Murray) somos levados numa visita a Cuba do ponto de vista político, emocional e cultural no período de Baptista e depois, com a ascenção de Fidel Castro ao poder. O que distingue positivamente este filme é a não-parcialidade, o não-romantismo relativamente à revolução cubana, pois mostra o "pré" e o "pós" do mesmo modo: como se passou efectivamente, ou, pelo menos, de um modo racional.

O filme, no seu todo, é francamente bom, mas são de destacar três coisas: o guião, a banda sonora e a riqueza de cada personagem (particularmente do "Escritor" e de "Baptista").

Mais não digo, senão que vale muitíssimo a pena a ida ao cinema.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Compulsivo

Quem me dera rasgar o mundo
Beber a àgua de todos os rios
Absorver o sol de todos os dias
Quem me dera gritar até à lua
Jogar à bola com o planeta
Romper as calças à pancada com as estrelas
Quem me dera deixar de ver esta rua comprida
para me atirar do alto de uma falésia
Quem me dera uma criança loura ou preta ou de nenhuma cor
Um sorriso como um quadro de Picasso
Uma onda que morresse no corredor da minha casa
Que se deitasse na minha cama
Que me abraçasse de amor
Quem me dera deitar fora a razão para ser apenas eu

Uma lição e história e geografia em 90 segundos

quarta-feira, setembro 27, 2006

Normalidade

Caminhámos mais de 2 horas ao longo de prados e florestas resplandecentes sob uma luz suave de Outono. Pareceu-me uma pessoa solar, optimista, inteligente e culta, divertida. Ao fim da tarde, quando o sol caía, fomos tomar um refresco numa esplanada à beira de um rio ladeado de chorões. Chegou a mulher com o filho, uma criança de 6 anos, numa cadeira de rodas, deficiente profundo, olhar perdido no vento. Estavam sorridentes, brincando com o rapaz, dando-lhe de beber, acariciando-o, limpando a baba que escorria copiosa da boca. Não me olharam de modo particular para perscrutar qualquer surpresa ou mal-estar. Continuaram a conversar com a mesma naturalidade, com o mesmo prazer. Tenho de confessar que me esforcei por imitar essa atitude porque, na verdade, fiquei algo desconcertado.

Depois de os deixar, fiquei a pensar àcerca de muitas coisas, incluindo os reais e virtuais problemas da vida, a felicidade e a normalidade.

Aqui está uma bela ideia...

Da próxima vez que perguntarem a alguém que presente quer e levarem como resposta: "nada, não te incomodes", façam-lhe a vontade.

terça-feira, setembro 26, 2006

Jacques Brel

Oiçam (de novo, se for caso disso) este senhor. Não se arrependem. Em particular, as cantigas seguintes:

Les bourgeois
Ne me quitte pas
Les flamandes
Les bonbons
Quand on n'a que l'amour
Les vieux
Amsterdam
La valse a mille temps

Link

España

Parece que Cavaco anda a passar despercebido em Espanha. A imprensa do país ao lado esqueceu-se do homem. E ele que andou a dizer que a prioridade de Portugal devia ser Espanha, Espanha e Espanha. Coitado... Não tem a consciência do imenso buraco de ridículo em que se (nos) meteu. Faz tábua raza da enormidade do fosso que separa os dois países em termos, económicos, militares, culturais, etc. e - ele aí vai - pondo-se em bicos dos pés para (nem sequer) chegar aos calcanhares de "nuestros hermanos" (salvo seja !). O ricochete pode ser: alegremente comidos pelos espanhóis (e porque não ? - dirão alguns compatriotas a tender para o integracionismo).

Não é que eu tenha complexos de inferioridade. Também não tenho medo da invasão... Pese embora ter sido educado naquela fase em que o orgulho nacional se media pela padeira de Aljubarrota, pela táctica do quadrado e pela revolta dos fidalgos em 1640.

O problema é que Espanha parece infinitamente mais importante para Portugal do que vice-versa. Assim, os interesses só podem ser desequilibrados a favor da parte mais poderosa (e, aparentemente, desdenhosa). A política externa de Espanha considera Portugal não mais do que um pequeno detalhe.

Poder-se-à dizer que estas reservas se podem aplicar às relações com todos os países de maior dimensão. Mas, a Espanha é um caso à parte por causa da História comum, da vizinhança geográfica e da divergência recente entre os dois países quanto a níveis de desenvolvimento económico e social.

A prioridade para Portugal deve ser: "cresce primeiro e aparece depois" ! Sem ingenuidades, com pragmatismo e, sobretudo, protegendo bem a retaguarda, porque a política internacional, mesmo no seio de uma "comunidade" como a UE, não está para actos de beneficiência nem de altruismo. Até lá, "cautela e caldos de galinha", nomeadamente, em áreas estratégicas como a energia e os recursos hídricos.