
sexta-feira, outubro 13, 2006
quinta-feira, outubro 12, 2006
Perguntas chatas
Quando se detesta uma pessoa, pode-se deixar de a detestar? Quando se ama e não se quer amar, pode-se deixar de amar? Quando? Como?
Existe uma engenharia dos sentimentos que os filtra de maneira a reter apenas os que convém? O que quer dizer sentimentos que convém? Que sentimentos são esses que nos desviam do bom caminho? Qual é o bom caminho? O que fazer para os eliminar? Pode-se eliminá-los? Deve-se eliminá-los? O que resta da nossa autenticidade? Como se fica depois de negar a alquimia dos sentimentos?
Perguntas de quem é obcecado pelo controlo dos mais pequenos detalhes da vida? De quem utiliza demasiado a razão e pouco o coração? De quem se queimou com o fogo do coração e fecha a porta a surpresas inconvenientes que ameaçam o equilibrio do controlo dos mais pequenos detalhes?
Só perguntas de quem não tem medo de perguntas chatas, de quem assume a inquietação e o sobressalto da vida sem se disfarçar de super-homem.
Post-scriptum:
Só falta ser acusado de adolescência retardada ou de crise de meia-idade. Porra: basta não ser "zombie" para correr o risco de ser rotulado de tais estereótipos.
+ BOLONHA
quarta-feira, outubro 11, 2006
Les Indigènes
terça-feira, outubro 10, 2006
Acordo sobre as reformas
Concordo com o PSD sobre o carácter paliativo do acordo hoje anunciado, mas... pelas razões apontadas pela CGTP e pelo PCP, ou seja: o acordo redistribui um bolo cada vez menor entre os de sempre (i.e. os pobres e remediados), não tocando nos interesses dos mais ricos. Talvez por isso, o patronato se apresentou tão afoito a concordar com as propostas do governo. E não me venham dizer que o plafonamento da pensão máxima nos 4600 euros constitui uma medida de justiça social... (quantas pessoas serão afectadas? qual o valor global envolvido?) Noutras palavras: o PS diz preservar a solidariedade entre as gerações desde que os ricos não entrem na equação. Efectivamente, tudo parece jogar-se ao nível dos salários. Outras formas de rendimento, como os lucros, permanecem indemnes, senão beneficiadas.
A reforma do sistema de pensões deveria implicar a salvaguarda da solidariedade inter-geracional e, além disso, deveria ser uma oportunidade para realizar uma redistribuição mais equitativa do rendimento numa economia em que as desigualdades sociais não cessam de se agravar.
The Black Dahlia
segunda-feira, outubro 09, 2006
Prémio Nobel, desemprego e inflação
Edmund Phelps ganhou este ano o Prémio Nobel da Economia. Este economista americano (para não variar...) destacou-se pela sua abordagem da suposta relação inversa entre desemprego e inflação. Desenvolveu, nomeadamente, o conceito de "taxa de desemprego natural", também conhecida como NAIRU ("non-accelerating inflation rate of unemployment"), a qual está associada ao chamado output potencial, isto é, o PIB máximo que uma economia consegue gerar, em termos reais, dada a sua dotação em factores de produção e níveis de produtividade. Todos os esforços da política macro-económica para reduzir a taxa de desemprego abaixo do seu nível "natural" traduzir-se-ão num aumento da inflação, sem impacto positivo sobre o emprego, o que contraria a predição da chamada curva de Philips.A "taxa de desemprego natural" ou incompressível dever-se-à aos erros das expectativas dos agentes económicos em relação aos preços e salários. Se essas variáveis reagissem de modo perfeito e instantâneo, o salário real de equilibrio de pleno emprego seria atingido. Mesmo num quadro de expectativas racionais (como proposto pelos monetaristas), a falta de sincronia dos movimentos dos preços e dos salários provocaria sempre um atrito no mercado de trabalho gerador de uma "taxa natural de desemprego". Segundo várias estimativas, essa taxa será de cerca de 3-4% nos Estados Unidos.
Phelps também teve o mérito de juntar nas suas análises as dimensões micro e macro-económica, o curto e o longo prazo. Alguns dos conceitos elaborados por Phelps foram igualmente caros aos monetaristas (p. ex°. Friedman e Lucas) para demonstrar os efeitos perniciosos de políticas económicas contrárias às "leis" da economia. Mas Phelps não é um monetarista. Poder-se-ia catalogar de neo-keynesiano.
Diversidade étnica
A bleak picture of the corrosive effects of ethnic diversity has been revealed in research by Harvard University's Robert Putnam, one of the world's most influential political scientists. His research shows that the more diverse a community is, the less likely its inhabitants are to trust anyone - from their next-door neighbour to the mayor.
The core message of the research was that, "in the presence of diversity, we hunker down", he said. "We act like turtles. The effect of diversity is worse than had been imagined. And it's not just that we don't trust people who are not like us. In diverse communities, we don't trust people who do look like us."
domingo, outubro 08, 2006
Divórcios
Há divórcios que se fazem tarde de mais, outros que nunca se fazem, devendo ter sido feitos para bem de todos os intervenientes.
Há divórcios que se fazem depressa demais, precipitadamente, antes de se dar outras oportunidades ao casal para se reconciliar. Há mesmo divórcios que se fazem, nunca devendo ter sido feitos por falta de motivos substantivos a médio-longo prazo.
Mas vivemos num tempo de insatisfação, de decepção e de aversão ao mínimo sofrimento. Acho também que as pessoas alimentam expectativas exageradas: o primado do "tudo e agora" que gera frustração à mínima contrariedade.
Reflexões de Sábado à tarde
- Valeu a pena tudo isto para ver o que consegui fazer sozinha com aquela imundice (e além disso não gastei um tostão).
- Por alguns euros tinha tido o mesmo resultado sem suor e poupando uma tarde de Sábado.
Pergunta ao sexo oposto...
Agora pergunto a todos os excelsos senhores que me estão a ler:
- Gostam de ver anúncios com meninas jeitosas a mostrarem os seus atributos físicos? E se gostam, como é que conseguem não sentir que vos estão a tomar por anormaizinhos?
sábado, outubro 07, 2006
Escutem a música desta jovem, de seu nome Ayo, nascida na Alemanha, de pai nigeriano e mãe cigana. Editou o seu primeiro disco no princípio deste ano. O disco chama-se "Joyful" e é uma mistura fantástica de soul, folk e afro. Ou muito me engano, ou vai-se falar muito da moça e, sobretudo, ouvir a sua excelente música. Algumas músicas fazem lembrar a Sade, que se eclipsou depois do album "Lovers Rock"... É pena.
Vale tudo para chegar a Perth
Tinha de chegar a Perth (Austrália) a todo o custo. A embraiagem avariou-se, mas a marcha-atrás funcionava. Não esteve com meias medidas: em vez de procurar um mecânico na cidade de onde partia, pôs-se a andar de marcha-atrás no deserto a cerca de 60 km/hora para fazer os 500 km que lhe faltavam. O pobre rapaz acabou por fazer apenas 20 km pois foi obrigado a parar por uma patrulha de polícias que nem queriam acreditar no que viam. Explicou às autoridades que até tinha reduzido a velocidade porque a 80 km/hora o seu velho Ford de 1988 ameaçara despistar-se. Link
sexta-feira, outubro 06, 2006
Os conspiradores
Globalização e inflação
quinta-feira, outubro 05, 2006
5 de Outubro
1910 - Proclamação da República Portuguesa.
E nada melhor para o dia de hoje que esta música:
Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória
Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta
Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças
Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Jorge Palma - Portugal, Portugal (1982)
quarta-feira, outubro 04, 2006
Pena dupla para as mulheres vítimas de violação no Paquistão
Demografia virtuosa
Em França, no sector bancário, a percentagem de assalariados com mais de 55 anos passou de 8.7% em 2001 para quase 16% em 2005. No ano passado, a taxa de crescimento dos recrutamentos no sector foi de 9.6%. 71% das pessoas admitidas tinha menos de 30 anos.
Link
Era uma vez uma torneira que pingava, pingava, pingava. A dona da casa apertava, apertava, apertava, mas a torneira pingava, pingava, pingava. A dona de casa chamou um canalizador que se pôs a consertar a torneira. Martelava, desmontava, montava, desapertava, apertava. A torneira gemia de tanta atrocidade. Finalmente, deixou de pingar. A dona da casa, apertava e desapertava e a torneira voltou a portar-se bem, deixando correr apenas a àgua que era necessária, quando era necessária, àgua quente, àgua fria, àgua morna. Tornou-se de novo uma torneira obediente e eficaz. A dona da casa deu por bem empregue o dinheiro gasto com a reparação. Um dia, porém, uma gota de àgua caiu. Furtivamente. A dona da casa pôs-se à espreita, olhando desconfiada para o bocal da torneira, de onde uma outra gota caiu. Passados uns segundos, ainda outra caiu e o ping-ping insuportável recomeçou. Regressou o canalizador que disse que a torneira não tinha conserto, que era preciso comprar uma nova. A dona da casa rendeu-se à evidência. Foi instalada uma torneira nova, moderna e resplandecente, que acabou por sobreviver à dona da casa, sem uma única gota a pingar fora de tempo.E se a economia fosse uma torneira ?
terça-feira, outubro 03, 2006
Politique à la française
De tudo isto resulta (a) a centralidade de J-M Le Pen, o qual, entre outras diatribes, nega o Holocausto e defende a expulsão pura e simples dos imigrantes "em excesso" e (b) a extrema fulanização da política francesa.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Sem comentários...
As empresas norte-americanas preocupam-se com o nível de qualificações dos recém-licenciados nos Estados Unidos. Parece que a maioria nem sequer é capaz de escrever uma banal carta comercial, tão deficiente é o domínio da lingua inglesa... (in "Financial Times" de hoje)
Quem, no emprego, pretender dizer a verdade, exprimir sinceramente os seus pensamentos, cultivar a transparência está condenado a passar um mau bocado... O mundo do trabalho requer a mentira para ser "sustentável"... (in "Financial Times" de hoje - artigo completo aqui)
A RTP está a propôr aos portugueses que votem a favor do(da) compatriota que mais se notabilizou ao longo da secular história lusitana. Vasco da Gama e Rosa Mota são indicados como concorrentes... (in revista do jornal "Publico" de Sábado passado, mas também podem ir aqui)
sábado, setembro 30, 2006
The Lost City

Pela mão do dono de um cabaret em Havana (Andy Garcia) e do escritor/comediante por ele contratado (Bill Murray) somos levados numa visita a Cuba do ponto de vista político, emocional e cultural no período de Baptista e depois, com a ascenção de Fidel Castro ao poder. O que distingue positivamente este filme é a não-parcialidade, o não-romantismo relativamente à revolução cubana, pois mostra o "pré" e o "pós" do mesmo modo: como se passou efectivamente, ou, pelo menos, de um modo racional.
sexta-feira, setembro 29, 2006
quinta-feira, setembro 28, 2006
Compulsivo
Beber a àgua de todos os rios
Absorver o sol de todos os dias
Quem me dera gritar até à lua
Jogar à bola com o planeta
Romper as calças à pancada com as estrelas
Quem me dera deixar de ver esta rua comprida
para me atirar do alto de uma falésia
Quem me dera uma criança loura ou preta ou de nenhuma cor
Um sorriso como um quadro de Picasso
Uma onda que morresse no corredor da minha casa
Que se deitasse na minha cama
Que me abraçasse de amor
Quem me dera deitar fora a razão para ser apenas eu
quarta-feira, setembro 27, 2006
Normalidade
Depois de os deixar, fiquei a pensar àcerca de muitas coisas, incluindo os reais e virtuais problemas da vida, a felicidade e a normalidade.
Aqui está uma bela ideia...
terça-feira, setembro 26, 2006
Jacques Brel
Oiçam (de novo, se for caso disso) este senhor. Não se arrependem. Em particular, as cantigas seguintes:Les bourgeois
Ne me quitte pas
Les flamandes
Les bonbons
Quand on n'a que l'amour
Les vieux
Amsterdam
La valse a mille temps
Link
España
Não é que eu tenha complexos de inferioridade. Também não tenho medo da invasão... Pese embora ter sido educado naquela fase em que o orgulho nacional se media pela padeira de Aljubarrota, pela táctica do quadrado e pela revolta dos fidalgos em 1640.
O problema é que Espanha parece infinitamente mais importante para Portugal do que vice-versa. Assim, os interesses só podem ser desequilibrados a favor da parte mais poderosa (e, aparentemente, desdenhosa). A política externa de Espanha considera Portugal não mais do que um pequeno detalhe.
Poder-se-à dizer que estas reservas se podem aplicar às relações com todos os países de maior dimensão. Mas, a Espanha é um caso à parte por causa da História comum, da vizinhança geográfica e da divergência recente entre os dois países quanto a níveis de desenvolvimento económico e social.
A prioridade para Portugal deve ser: "cresce primeiro e aparece depois" ! Sem ingenuidades, com pragmatismo e, sobretudo, protegendo bem a retaguarda, porque a política internacional, mesmo no seio de uma "comunidade" como a UE, não está para actos de beneficiência nem de altruismo. Até lá, "cautela e caldos de galinha", nomeadamente, em áreas estratégicas como a energia e os recursos hídricos.
