sexta-feira, setembro 22, 2006

A verdade revelada àcerca do SLB

(recebido por e-mail de um caro amigo que não é benfiquista; verdadeiramente "Fantástico, Melga!")

"É por não gostar de futebol que sou do Benfica. Tal como compreendo como é que há portugueses que conseguem ser de outros clubes. O Sporting, o Porto podem jogar bem e o Belenenses e a Académica podem calhar bem em sociedade, mas só o Benfica, como o próprio nome indica, é o próprio Bem. Que fica. Só o Benfica pode jogar mal sem que daí lhe advenha algum mal. Basta olhar para os jogadores para ver que sabem que são os maiores, que não precisam de esforçar-se muito, porque são intrínseca e moralmente a maior equipa do mundo inteiro.

Porquê?

Ninguém sabe. Mas sente-se. Quando perdem, não se indignam, não desesperam. O Eusébio só chorou quando jogou por Portugal. Quem joga no Benfica tem o privilégio e o condão de estar sempre a sorrir. Não conseguem resistir. O Benfica, a bom ver, nem sequer é uma equipa de futebol. É um nome. É, como dizem os brasileiros, uma "griffe". Têm uma cor. Antes de entrar em campo, já têm um mito em jogo, já estão a ganhar por 5-0, graças só à reputação. Quando o Benfica perde, parece sempre que quis perder.

Essa é a força inigualável do Sport Lisboa e Benfica - faz sempre o que lhe apetece. O problema é que lhe apetece frequentemente perder.

Qual é o segredo do Benfica? São os benfiquistas. São do Benfica como são filhos de quem são. Ninguém "escolhe" o Benfica, como ninguém escolhe a Mãe ou o Pai. Em geral, aliás, os benfiquistas odeiam o Benfica e lamentam-no no estádio e em casa, mas pertencem-lhe. Quanto mais pertencemos a uma entidade superior, seja a Família, a Pátria, Deus - ou o Benfica - , mais direito temos de criticá-la e blasfemá-la. Não há alternativa.

Em contrapartida, os sportinguistas e portistas parecem genuinamente convencidos de que apoiam as equipas deles porque são as mais dignas ou as melhores.

Desgraçados!

Se fossem coerentes, seriam todos adeptos do REAL MADRID, AC MILAN, etc, etc. No Benfica, não se exige qualquer lealdade. Só se pede, em relação aos adeptos de outros clubes, caridade e comiseração. O Sporting, por exemplo, tem a mania e a pretensão de ser "rival" do Benfica, um pouco como o PSN se julga crítico parlamentar do PSD. Mas, se se tirasse o Benfica ao Sporting, o Sporting deixaria de existir.

O Benfica é um grande clube porque tem história e talento suficientes para não dar importância aos resultados. Tem uma tradição de "nonchalance" e de pura indiferença que não tem igual nos grandes clubes europeus. O Benfica não joga - digna-se jogar. Não joga para vencer - vence por jogar.

Odeio futebol. Mas amo o Benfica.

As opiniões de quem gosta de futebol são suspeitas. Claro que os sábios são do Benfica. Mas a força deste grande clube está nos milhões que são benfiquistas apesar do Benfica, apesar do futebol, e apesar deles próprios. Em contrapartida, aposto que a totalidade de pessoas que são do Sporting ou do Porto, por infortúnio pessoal ou deficiência psicológica, são sócios. A força do Benfica, meus amigos, está em quem não paga as quotas, quem não vai a jogos, quem não sabe o nome dos avançados - isto é, no resto do mundo.

O Benfica, é o Benfica. E o que tem de ser e é tem muita força.

Só existem dois clubes: o Benfica e os outros!!"

Miguel Esteves Cardoso

100% apoiado

quinta-feira, setembro 21, 2006

O comunismo na América

Marx previu que, instituída sociedade comunista, o dia-a-dia do homem passaria a ser qualquer coisa como isto: de manhã, trabalharia; à tarde, dedicar-se-ia a actividades lúdicas, como a caça ou a pesca; e à noite reunir-se-ia com os seus camaradas para animadas discussões intelectuais.
Vendo bem - mais pormenor, menos pormenor - este é o quotidiano de um milionário americano nos dias de hoje.


Preciosidade encontrada aqui.

MBA students 'cheat the most'

in Financial Times on-line
(MBA = Master in Business and Administration)

"MBA students are the biggest cheats of all graduate students, with 56 per cent admitting to misdemeanours such as using crib notesin exams, plagiarism and downloading essays from the internet.

The statistic comes from a survey of graduate students to be published in the Academy of Management Learning and Education journal. The report is based on data from about 5,300 survey respondents at 54 colleges and universities in the US and Canada, including 623 students in 32 graduate business programmes.

The report will be unpleasant reading to US business schools, many of which are still smarting from the involvement of their alumni in recent corporate scandals: Jeffrey Skilling, former chief executive of Enron, received his MBA from Harvard Business School in 1979, for example. As a result, many of the top US business schools have scrambled to introduce compulsory courses on ethical behaviour at the core of their MBA programmes.

The most significant reason for cheating, he believes, is that students see their peers being dishonest, in a highly charged competitive environment where the prize is the best company internship or job on Wall Street. "They act by cheating themselves," he says."

quarta-feira, setembro 20, 2006

Mérito

Um dos maiores bancos franceses lançou uma vasta campanha de recrutamento de pessoal para expandir ainda mais as suas actividades. Um dos slogans dessa campanha é só o seguinte:

Interessa-nos mais a vossa personalidade do que os vossos diplomas.

Mérito ? Qual mérito ? O que eles querem não é a competência técnica. Eles querem TUDO...

terça-feira, setembro 19, 2006

Pergunta...

Porque é que dizem que este governo é de esquerda e socialista?

Razão da Pergunta

O ministro da Saúde admitiu hoje que poderão ser criadas novas taxas moderadoras para a prestação de cuidados de saúde que actualmente são gratuitos para os utentes, tais como o internamento e a cirurgia de ambulatório.

Em entrevista à agência Lusa, António Correia de Campos revelou que a medida poderá ser aplicada "em breve", mas garante que não tem apenas razões económicas. "Este tipo de receitas é mínimo" para o Serviço Nacional de Saúde, disse o ministro, justificando a criação destas novas taxas com objectivos "mais estruturais", como a moderação do acesso e a valorização do serviço prestado.

O ministro está consciente do impacto de tal medida e afirma-se "preparado para a polémica". "É claro que a medida vai levantar celeuma, como sempre levantou, mas o povo não é estúpido, faz as contas e verifica que, apesar do que muitos partidos políticos disseram, pouparam 20 milhões de euros no ano passado" com as medidas aplicadas pelo Governo no sector do medicamento.

Algumas dessas medidas, especificou António Correia de Campos, foram igualmente polémicas, como a diminuição da comparticipação dos fármacos para doentes crónicos de cem para 95 por cento.

Mais, aqui.

domingo, setembro 17, 2006


Não percam. Um filme comovente, na linha de um certo cinema britânico dos últimos 10 anos (exemplos: "The Full Monty" de Peter Cattaneo, "My Name is Joe" de Ken Loach ou "Secrets and Lies" de Mike Leigh)

A tristeza de Antónia

Ao passar por aquela mesma rua, com os mesmos olhos perdidos na felicidade dos outros, só, cada vez mais só e perdida nos seus impasses e na falta de estima por si própria, Antónia ficou segura de estar mais parada na vida do que nunca. Ficou angustiada com a certeza de que voltaria a passar por aquela mesma rua, vezes sem conta, nas próximas semanas, nos próximos meses e anos, ruminando sempre os mesmos pensamentos sombrios. Tentou endireitar as costas, ficar mais altiva, lutando fisicamente contra a resignação e o peso da tristeza. Mas, foi postura que durou pouco. Voltou a caminhar com as costas em arco, vergada. O dia acabava lentamente, as nuvens cada vez mais densas facilitavam o caminho da noite. Talvez chovesse durante o regresso a casa naquela auto-estrada cheia de carros com famílias melancólicas a voltar de férias. Uma criança ensonada e um cão farto da viagem olharam-na com desdém da janela de um carro que ultrapassava. Antónia respondeu com um olhar de ostensiva indiferença.

Chegou a casa, fechou a porta. Já era noite feita. Não acendeu a luz. Ficou no escuro à espera que uma lágrima caisse. Mas, não caiu. Nem sequer uma lágrima. Só o silêncio da solidão de mais um dia.

sábado, setembro 16, 2006

Integração e diferença

Um caro amigo propôs-me, há alguns dias, a seguinte reflexão:

Há indivíduos que atingem o sucesso, no contexto do sistema dominante, em total coerência com os seus próprios valores. Esses são os líderes consistentes, os arquitectos da ordem existente. Não têm dúvidas àcerca da utilidade ou correcção do que fazem. Existe, nesse caso, uma perfeita sintonia (ética) entre as esferas individual e social/profissional.

Há outros que procuram ou conseguem o sucesso, fazendo porém cedências à sua escala de valores individual, renunciando algumas vezes à própria consciência. Reconhecem a incorrecção dos métodos para atingir o topo, mas mantêm a obsessão de o atingir. Noutras palavras: esses vendem a alma para obter a "glória". São indivíduos torturados, algo esquizofrénicos, cuja inconsistência, mais tarde ou mais cedo, emerge fazendo deles mutantes, vítimas deles próprios e do sistema.

E depois há os outros, os que não vendem a alma, os que não querem os louros do sistema a todo o custo, nem se arrependem ou lamentam por isso. Trata-se de indivíduos que têm uma noção de sucesso vital baseada na coerência com os seus valores, os quais divergem dos valores dominantes. Se vencem no âmbito do sistema - o que acontece raramente - não o fazem à custa da sua consciência e contribuem mesmo para moralizar e humanizar a ordem existente. São precursores, impõem valores mais progressistas. Na prática, ajudam a melhorar o sistema. Neste grupo, também se encontram, naturalmente, os marginais e os contestatários.

Não está mal visto... O debate poderia aprofundar-se indo pelo caminho do necessário equilíbrio (e dos compromissos inevitáveis) entre a integração social (que é um imperativo de sobrevivência) e o direito à diferença individual.

Dignidade humana segundo Bush

Começa a parecer chuva no molhado criticar Bush ou denunciar as suas intermináveis "gaffes". O homem é desajeitado e mau e reacionário. Todos o sabemos. Resta apenas esperar que os estragos não sejam ainda maiores daqui até à próxima eleição presidencial e que os nossos amigos americanos, finalmente, se decidam a mandar o tipo para aquele sítio cruel e mal cheiroso.

Dito isto, ouvi no rádio o Sr. Bush criticar violentamente um certo artigo da Convenção de Genebra (àcerca do tratamento de prisioneiros de guerra) porque tal disposição estabelece o princípio da preservação da dignidade humana. E o argumento do Sr. Bush é o seguinte: "dignidade humana" é um conceito subjectivo e, por conseguinte, do ponto de vista do Direito Internacional, passivel de interpretações, e tal coisa limitaria a capacidade do Governo Norte-Americano de lutar contra os terroristas do Eixo do Mal. Os serviços secretos e o exército dos EUA não deveriam ser cerceados por tais considerações na sua luta incansável contra os inimigos da nossa civilização.

O que me ficou da história foi o rigor jurídico que inspirou o Sr. Bush na referência à "dignidade humana" que para ele é, portanto, qualquer coisa de discutível e à qual se sobrepõem outros interesses e prioridades.

Jogo

Um pequeno joguinho que nos desafia a gerir a McDonald's em todas as suas dimensões, desde a criação bovina, aos restaurantes e mesmo ao gabinete de administração.


Experimentem... AQUI.

sexta-feira, setembro 15, 2006

O Papa disse

Ratzinger continua a tentar fazer a quadratura do circulo, isto é, a conciliar a Fé com a razão e a ciência, o ecumenismo com a denúncia das supostas contradições do Islão (o que enfureceu recentemente as autoridades religiosas turcas e vários outros círculos do mundo muçulmano). O que é inovador neste Papa é a sua abordagem intelectual destes temas. É como se o seu pontificado fosse uma divulgação pedagógica de filosofia, uma educação teológica das massas crentes. Às vezes até parece que o Papa se quer convencer, no plano racional, da pertinência da sua própria Fé... Como se a Fé fosse tão questionável que seria necessário demonstrá-la de forma euclidiana, indubitável, o que parece uma contradição nos próprios termos. Demonstração científica da Fé? A Fé, ou se tem ou não se tem. Sobretudo, não se explica! A Fé é um buraco negro para onde as pessoas se atiram, sorridentes e felizes, com plena confiança do que podem encontrar. A Fé cai do céu aos trambolhões para tornar mais serena a vida dos crentes, para lhes acalmar a inquietação e o sofrimento face aos enigmas da vida.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Eles que venham, eles que venham!

clicar no título.




A justiça portuguesa anda a precisar de algumas "alteraçõezinhas pequeninas".
Inconstitucional??? Inconstitucional é este senhor.

Quando a esmola é grande...

quarta-feira, setembro 13, 2006

Perguntas inconvenientes

Para certas mulheres, não poderá a maternidade constituir uma alternativa (ou uma fuga) à desilusão profissional? Que influência poderá isso ter sobre a relação mãe/filho(a)?

Na linha do outro post...

(Clicar na imagem para aumentar)
Encontrado aqui.

Alcool

In Le Monde on-line

"La France a un problème avec l'alcool. Dans son Bulletin épidémiologique hebdomadaire (BEH) publié mardi 12 septembre, l'Institut de veille sanitaire (InVS) rappelle qu'avec 45 000 décès annuels, l'alcool demeure la deuxième cause évitable de mortalité (après le tabac) et est directement responsable de 14 % des décès masculins - dont plus de la moitié avant 65 ans - et de 3 % des décès féminins. A cela s'ajoutent une quantité de problèmes sociaux et sanitaires, troubles mentaux, violences - notamment conjugale - et accidents liés à une consommation excessive"

terça-feira, setembro 12, 2006

Divertida impunidade

O que se passa no futebol profissional português não deve ser apenas objecto de chacota, mal-dizer, anedotas, desdém, conversas de café, desgostos de circunstância que desaparecem no meio de um sorriso de resignação, como quem diz "eles são assim mesmo, não há nada a fazer". O que se passa é grave e deve ser tomado muito a sério, indo muito para além do circuito intocável do futebol, que beneficia até da etiqueta de "interesse publico", com a qual se justificam derrogações sucessivas ao cumprimento das regras do Estado de Direito. Todos os dias aparecem notícias àcerca de nomeações forjadas e de compras de árbitros, actos descarados de corrupção, arranjos de toda a espécie, tendo como protagonistas sempre os mesmos meliantes e como supremo caudilho um certo Valentim Loureiro, indíviduo que em muitos outros países da Europa já estaria há muito na cadeia, mas que, por cá, parece só dar vontade de rir à opinião publica que se rende às suas acrobacias de cacetada verbal.

Temo que o mundo do futebol seja apenas uma hiperbole de fenómenos de ilegalidade bastante difusos na sociedade portuguesa. E é isso que é preocupante e que deve fazer agir a justiça e os dirigentes do país com rapidez e rigor. E os cidadãos não podem reagir às macacadas mediáticas de trogloditas como o Loureiro ou o João Jardim apenas com gargalhadas estridentes. A impunidade não se pode instalar em troca do "entertainement" nacional.

segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro de...


1973 - Assassinato de Salvador Allende, durante o golpe de estado que instituiu o regime militar de Pinochet no Chile. Na mesma data é torturado Vitor Jara.

2001 - Ataque terrorista às Torres Gêmeas de Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, provocando cerca de 3 000 mortos.

Mais acontecimentos, aqui.

11 September 2001

Born down in a dead man's town
The first kick I took was when I hit the ground
You end up like a dog that's been beat too much
Till you spend half your life just covering up

Got in a little hometown jam
So they put a rifle in my hand
Sent me off to a foreign land
To go and kill the yellow man

Come back home to the refinery
Hiring man says "Son if it was up to me"
Went down to see my V.A. man
He said "Son, don't you understand"

I had a brother at Khe Sahn fighting off the Viet Cong
They're still there, he's all gone

He had a woman he loved in Saigon
I got a picture of him in her arms now

Down in the shadow of the penitentiary
Out by the gas fires of the refinery
I'm ten years burning down the road
Nowhere to run ain't got nowhere to go

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I'm a long gone Daddy in the U.S.A.
I'm a cool rocking Daddy in the U.S.A.

"Born in the U.S.A." Bruce Springsteen

domingo, setembro 10, 2006

Será coincidência???

Hoje vai passar um de inúmeros documentários acerca do 11 de Setembro. Este é diferente dos outros e é o que mais me interessa ver. Eis a sinopse:




A possibilidade de os ataques de 11 de Setembro de 2001 poderem não ter sido orquestrados por Bin Laden ou membros da Al Qaeda, é uma perspectiva verdadeiramente apocalíptica, aterrorizante e, para aqueles que acreditam numa tal democracia, devastadora.

Nos Estados Unidos já muitos sugeriram que talvez o debate sobre o 9/11 não passe de um infindável chorrilho de suposições sem prova. Mas a questão aparenta também ser a existência de provas tangíveis ocultadas numa sala escura donde nunca verterá uma verdade para a esfera pública.

Em "Loose Change" são-nos apresentadas uma mão-cheia de factos com valor de prova, muitas vezes protagonizados por fontes informativas desde CNN, BBC e Fox News, aos directamente afectados pelo colapso das Twin Towers.

Qualquer justificação que nos seja apresentada - mais ou menos plausível - para que os ataques tenham tido lugar, nunca nos é afirmada como sendo a Verdade. Neste documentário apenas se arquitecta uma tentativa de mostrar uma provável verdade, tenebrosa e potencialmente destruidora se descoberta a sua total concretização.




Muito curiosamente, ao contrário dos outros documentários que passam em horário nobre, este vai ser exibido na RTP1 às 03h05 da manhã.

Amanhã de manhã tenho exame por isso não vou poder mesmo ver... Se alguma alma caridosa me quiser gravar o documentário eu ficaria extremamente agradecida.

Boas teorias / más práticas

Os senhores Raghuram Rajan e Luigi Zingales escreveram um livro em 2003 intitulado "Saving Capitalism from the Capitalists". Na versão que li, a "obra" tem 390 páginas, das quais 20 cheias das mais ubiquas referências bibliográficas. Desisti ao fim de 50 páginas. A tese é simplesmente a seguinte: os problemas actuais das sociedades capitalistas devem-se a uma interpretação distorcida e a uma aplicação errada do capitalismo pelos próprios capitalistas. Estes últimos introduzem elementos de protecção, de nepotismo e de corrupção que desvirtuam os nobres princípios fundamentais do sistema que são a livre iniciativa, o mercado, o mérito, o trabalho duro, a igualdade de todos perante a Lei que defenda a propriedade privada, etc. Bastaria libertar o capitalismo de todas as restrições aos seus pressupostos virtuosos muitas vezes criadas por políticos com a boca cheia de interesse geral, para que o mundo capitalista fosse um paraíso de ordem e de prosperidade. Portanto, o mal do capitalismo não é a sua teoria que transpira de eficiência e de moralidade e que se baseia numa visão realista do Homem: um Homem cioso de liberdade e centro de responsabilidade individual. O mal do capitalismo é o modo como é levado à prática pelos capitalistas que deveriam ler as obras de Smith, Ricardo, Walras, Keynes, Marshall ou Friedman antes de tomar as decisões que os fazem ricos ou que lhes permitem aumentar a riqueza que herdaram.

Curiosamente, este argumento também é utilizado, em certos meios, em relação ao socialismo. A teoria marxista seria "boa", constituiria um guião coerente para construir uma sociedade sem classes, na qual o interesse colectivo e a solidariedade suplantariam o egoísmo individual. O problema teriam sido as burocracias e as "nomenklaturas" que teriam estragado tudo na prática, que se teriam perpetuado no poder à custa do povo e alegando falsamente os supremos interesses desse mesmo povo.

Teorias "boas" conduziram, pois, a realidades concretas que desmentiram as predições teóricas. Mas, não há boas teorias que levem a más práticas. A qualidade de uma teoria define-se pela correcção com que interpreta a realidade e pela maneira como a permite transformar.

Só porque me apetece.


Eládio Clímaco

É um marco incontornável da RTP, dos tempos em que não havia outro canal, dos tempos em que não se escolhiam os apresentadores pelo par de mamas e pela carinha laroca, dos tempos em que as senhoras diziam os "L"s com grande enfâse na sua sonoridade...

Este senhor é ímpar na história da televisão em Portugal. A começar pelo nome... Quantas pessoas chamadas Eládio Clímaco conhecem? Aliás, quando Eládios conhecem? Quantos Clímacos conhecem?

E os programas que apresentou... Só os Festivais da Canção e os Jogos sem Fronteiras dizem tudo. Actualmente anda às voltas pelo país, incentivando os telespectadores a "ir para fora cá dentro"... No outro dia liguei a RTP e lá estava ele, o nosso querido Eládio Clímaco às voltas pelo Faial a mostrar os encantos da ilha açoreana.

É uma daquelas personagens que já não existem. É um daqueles modelos de figura televisiva que já passou de moda e, no entanto, ainda não desistiu de nos presentear com o seu trabalho.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Consolações

Conversa que não pude deixar de ouvir na mesa ao lado à hora de almoço:

"O meu namorado está em crise profunda. Não compreende mais nada - nem a vida amorosa, nem a vida profissional... nada ! Enfim, está um trapo. Estive ontem a consolá-lo até às tantas. Só a mim ninguém me consola, desterrada neste cemitério de ambições."

Duas sugestões...

Nas últimas duas noites tenho aproveitado o tempo para ver DVDs e ambos os filmes que vi são merecedores de destaque.


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In America

retrata a história duma família irlandesa que passa pela perda de um dos três filhos. Depois da tragédia, pai mãe e as duas filhas (de dez e seis anos) partem para os E.U.A. em busca duma nova e melhor vida, em busca da reconstrução do equilíbrio familiar. Chegados ao destino e preparados para concretizar o "American Dream", apenas conseguem ficar instalados num bairro de toxicodependentes, travestis e marginais em Nova Iorque.

No prédio em que vivem, um piso abaixo, vive um homem enigmático chamado Mateo, que à porta de casa tem um aviso: "Keep Out". Um dia de Halloween, Christy e Ariel (as duas filhas do casal irlandês) batem àquela porta para os típicos "Trick or Treat" e, sem sonharem sequer, conseguem mudar completamente as suas vidas, as vidas dos pais e de Mateo.

O que faz deste filme algo de particularmente bom é, não só o facto de a história ser contada na perspectiva de Christy, a menina de 10 anos, como também os sinais notórios de aculturação que as duas pequenas irlandesas mostram de um modo engraçadíssimo.


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Billy Elliot

passa-se no Norte de Inglaterra em 1984, aquando da crise entre mineiros e governo. Billy é um rapaz de 11 anos que vive com o pai, o irmão (ambos mineiros) e a avó num bairro pobre e que todos os dias vai para o ginásio ter aulas de boxe, tal como o seu pai havia tido e também o pai do seu pai. Tudo muda quando, um dia, uma professora de ballet e as suas alunas passam a partilhar o ginásio com a turma de boxe de Billy e este começa a fascinar-se pela dança. A partir daí, o rapaz passa a ir, à revelia da família, às aulas de ballet, onde descobre um verdadeiro potencial...
No meio de uma família em crise, no meio de perconceitos e tradições, Billy Elliot com a ajuda da professora, vai tentar seguir em frente com o seu sonho de ser dançarino.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Debates

Não tenho a certeza de que a melhor coisa que se tem a fazer, quando não se sabe o que dizer, seja estar calado. O debate puro e simples, a esgrima das ideias (mesmo que sejam espúrias, impertinentes ou criadas ex-nihilo), a troca de argumentos gratuitos, enfim, a controvérsia têm um certo fascínio, em si mesmos. Fazem parte da ginástica mental e levam frequentemente a conclusões inesperadas e interessantes, a conteúdos imprevisíveis. A oratória e a dialéctica são disciplinas cultivadas em diferentes momentos da história das civilizações por eméritas personagens. Os tribunos são pessoas que manifestam grande agilidade para raciocinar depressa e virar os argumentos mais convincentes do avesso. Há oradores tão brilhantes que chegam a fazer esquecer do que na verdade estão a falar, maravilhando as audiências com a elegância e persuasão da linguagem.

Há gerações que atravessaram períodos social e politicamente conturbados durante os quais os debates foram acesos e, por vezes, violentos. Momentos de intenso antagonismo ideológico prestam-se à emergência de grandes oradores que, normalmente, se transformam também em líderes. Naturalmente, nesses casos não se fala de debates lúdicos ou apenas formais, mas sim do combate de argumentos substantivos àcerca de modelos alternativos de sociedade. Portanto, nesses casos, à eloquência da forma junta-se a pertinência do conteúdo.

Penso que isso aconteceu em Portugal na geração das pessoas que têm hoje 50-55 anos. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Arnaldo Matos "grande educador da classe operária" e líder do saudoso e truculento MRPP. A. Matos usava "ditadura do proletariado", "social-fascismo revisionista soviético", "lacaios do capitalismo", "Barreirinhas Cunhal" etc. como se fosse uma bailarina a dançar o Quebra Nozes. Saía tudo com uma coerência, um ritmo e uma nítida monotonia que os sequazes se inchavam de energia e de coragem para prosseguir na luta pelo comunismo. Encontramos hoje uma série de notas personagens dessa fornada em postos-chave da sociedade e da polítíca portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso (não obstante os seus diferentes berços ideológicos) são outros exemplos que subiram à ribalta, ao contrário do camarada Arnaldo de Matos que se esfumou no quotidiano, sendo episodicamente convidado de programas de TV como autêntica relíquia ou curiosidade histórica.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Natasha

Esta coisa da Natasha, aquela rapariga austríaca de carinha redonda que foi raptada quando tinha 5 ou 6 anos e que permaneceu em cativeiro até aos 18 anos, tendo fugido do seu raptor há umas semanas, já cheira mal. A sua relação com o dito-cujo não terá sido assim tão cruel e, no fim de contas, parece que até haveria algum respeito e simbiose entre « vítima » e « criminoso ». Logo após a fuga da moça, o vilão suicidou-se. Evidentemente, a história terá deixado importantes sequelas em Natasha, convertendo-a numa espécie de objecto de pesquisa.

Trata-se de compôr um evento, de fazer render o peixe sobre uma história naturalmente insólita, mas que deveria manter-se no foro privado. É uma prova da mediatização e da mercantilização dos dramas individuais, da curiosidade mórbida da opinião pública cultivada com esmero pelos orgãos de comunicação. A entrevista da vítima irá para o ar hoje e a expectativa na Austria e um pouco por todo o mundo é mais do que muita. Parece que a rapariga tem gerido de forma surpreendentemente adulta (quase profissional…) o seu silêncio, as suas parcas declarações e a sua aparição. Existe uma bateria de psicólogos e outros especialistas que ornamentam o caso de comentários mais ou menos misteriosos que aguçam o apetite pela entrevista. Enfim, voyeurismo global cuidadosamente cozinhado. Um caso cuja visibilidade é um múltiplo enorme da sua pertinência substancial para uma audiência global. Imaginem se todos os dramas individuais (e sobretudo colectivos) que por aí andam tivessem a mesma ressonância…

terça-feira, setembro 05, 2006

Jovens de todas as idades: escutem "Shine on You Crazy Diamond" dos Pink Floyd e não se arrependem.