segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro de...


1973 - Assassinato de Salvador Allende, durante o golpe de estado que instituiu o regime militar de Pinochet no Chile. Na mesma data é torturado Vitor Jara.

2001 - Ataque terrorista às Torres Gêmeas de Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, provocando cerca de 3 000 mortos.

Mais acontecimentos, aqui.

11 September 2001

Born down in a dead man's town
The first kick I took was when I hit the ground
You end up like a dog that's been beat too much
Till you spend half your life just covering up

Got in a little hometown jam
So they put a rifle in my hand
Sent me off to a foreign land
To go and kill the yellow man

Come back home to the refinery
Hiring man says "Son if it was up to me"
Went down to see my V.A. man
He said "Son, don't you understand"

I had a brother at Khe Sahn fighting off the Viet Cong
They're still there, he's all gone

He had a woman he loved in Saigon
I got a picture of him in her arms now

Down in the shadow of the penitentiary
Out by the gas fires of the refinery
I'm ten years burning down the road
Nowhere to run ain't got nowhere to go

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I'm a long gone Daddy in the U.S.A.
I'm a cool rocking Daddy in the U.S.A.

"Born in the U.S.A." Bruce Springsteen

domingo, setembro 10, 2006

Será coincidência???

Hoje vai passar um de inúmeros documentários acerca do 11 de Setembro. Este é diferente dos outros e é o que mais me interessa ver. Eis a sinopse:




A possibilidade de os ataques de 11 de Setembro de 2001 poderem não ter sido orquestrados por Bin Laden ou membros da Al Qaeda, é uma perspectiva verdadeiramente apocalíptica, aterrorizante e, para aqueles que acreditam numa tal democracia, devastadora.

Nos Estados Unidos já muitos sugeriram que talvez o debate sobre o 9/11 não passe de um infindável chorrilho de suposições sem prova. Mas a questão aparenta também ser a existência de provas tangíveis ocultadas numa sala escura donde nunca verterá uma verdade para a esfera pública.

Em "Loose Change" são-nos apresentadas uma mão-cheia de factos com valor de prova, muitas vezes protagonizados por fontes informativas desde CNN, BBC e Fox News, aos directamente afectados pelo colapso das Twin Towers.

Qualquer justificação que nos seja apresentada - mais ou menos plausível - para que os ataques tenham tido lugar, nunca nos é afirmada como sendo a Verdade. Neste documentário apenas se arquitecta uma tentativa de mostrar uma provável verdade, tenebrosa e potencialmente destruidora se descoberta a sua total concretização.




Muito curiosamente, ao contrário dos outros documentários que passam em horário nobre, este vai ser exibido na RTP1 às 03h05 da manhã.

Amanhã de manhã tenho exame por isso não vou poder mesmo ver... Se alguma alma caridosa me quiser gravar o documentário eu ficaria extremamente agradecida.

Boas teorias / más práticas

Os senhores Raghuram Rajan e Luigi Zingales escreveram um livro em 2003 intitulado "Saving Capitalism from the Capitalists". Na versão que li, a "obra" tem 390 páginas, das quais 20 cheias das mais ubiquas referências bibliográficas. Desisti ao fim de 50 páginas. A tese é simplesmente a seguinte: os problemas actuais das sociedades capitalistas devem-se a uma interpretação distorcida e a uma aplicação errada do capitalismo pelos próprios capitalistas. Estes últimos introduzem elementos de protecção, de nepotismo e de corrupção que desvirtuam os nobres princípios fundamentais do sistema que são a livre iniciativa, o mercado, o mérito, o trabalho duro, a igualdade de todos perante a Lei que defenda a propriedade privada, etc. Bastaria libertar o capitalismo de todas as restrições aos seus pressupostos virtuosos muitas vezes criadas por políticos com a boca cheia de interesse geral, para que o mundo capitalista fosse um paraíso de ordem e de prosperidade. Portanto, o mal do capitalismo não é a sua teoria que transpira de eficiência e de moralidade e que se baseia numa visão realista do Homem: um Homem cioso de liberdade e centro de responsabilidade individual. O mal do capitalismo é o modo como é levado à prática pelos capitalistas que deveriam ler as obras de Smith, Ricardo, Walras, Keynes, Marshall ou Friedman antes de tomar as decisões que os fazem ricos ou que lhes permitem aumentar a riqueza que herdaram.

Curiosamente, este argumento também é utilizado, em certos meios, em relação ao socialismo. A teoria marxista seria "boa", constituiria um guião coerente para construir uma sociedade sem classes, na qual o interesse colectivo e a solidariedade suplantariam o egoísmo individual. O problema teriam sido as burocracias e as "nomenklaturas" que teriam estragado tudo na prática, que se teriam perpetuado no poder à custa do povo e alegando falsamente os supremos interesses desse mesmo povo.

Teorias "boas" conduziram, pois, a realidades concretas que desmentiram as predições teóricas. Mas, não há boas teorias que levem a más práticas. A qualidade de uma teoria define-se pela correcção com que interpreta a realidade e pela maneira como a permite transformar.

Só porque me apetece.


Eládio Clímaco

É um marco incontornável da RTP, dos tempos em que não havia outro canal, dos tempos em que não se escolhiam os apresentadores pelo par de mamas e pela carinha laroca, dos tempos em que as senhoras diziam os "L"s com grande enfâse na sua sonoridade...

Este senhor é ímpar na história da televisão em Portugal. A começar pelo nome... Quantas pessoas chamadas Eládio Clímaco conhecem? Aliás, quando Eládios conhecem? Quantos Clímacos conhecem?

E os programas que apresentou... Só os Festivais da Canção e os Jogos sem Fronteiras dizem tudo. Actualmente anda às voltas pelo país, incentivando os telespectadores a "ir para fora cá dentro"... No outro dia liguei a RTP e lá estava ele, o nosso querido Eládio Clímaco às voltas pelo Faial a mostrar os encantos da ilha açoreana.

É uma daquelas personagens que já não existem. É um daqueles modelos de figura televisiva que já passou de moda e, no entanto, ainda não desistiu de nos presentear com o seu trabalho.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Consolações

Conversa que não pude deixar de ouvir na mesa ao lado à hora de almoço:

"O meu namorado está em crise profunda. Não compreende mais nada - nem a vida amorosa, nem a vida profissional... nada ! Enfim, está um trapo. Estive ontem a consolá-lo até às tantas. Só a mim ninguém me consola, desterrada neste cemitério de ambições."

Duas sugestões...

Nas últimas duas noites tenho aproveitado o tempo para ver DVDs e ambos os filmes que vi são merecedores de destaque.


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In America

retrata a história duma família irlandesa que passa pela perda de um dos três filhos. Depois da tragédia, pai mãe e as duas filhas (de dez e seis anos) partem para os E.U.A. em busca duma nova e melhor vida, em busca da reconstrução do equilíbrio familiar. Chegados ao destino e preparados para concretizar o "American Dream", apenas conseguem ficar instalados num bairro de toxicodependentes, travestis e marginais em Nova Iorque.

No prédio em que vivem, um piso abaixo, vive um homem enigmático chamado Mateo, que à porta de casa tem um aviso: "Keep Out". Um dia de Halloween, Christy e Ariel (as duas filhas do casal irlandês) batem àquela porta para os típicos "Trick or Treat" e, sem sonharem sequer, conseguem mudar completamente as suas vidas, as vidas dos pais e de Mateo.

O que faz deste filme algo de particularmente bom é, não só o facto de a história ser contada na perspectiva de Christy, a menina de 10 anos, como também os sinais notórios de aculturação que as duas pequenas irlandesas mostram de um modo engraçadíssimo.


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Billy Elliot

passa-se no Norte de Inglaterra em 1984, aquando da crise entre mineiros e governo. Billy é um rapaz de 11 anos que vive com o pai, o irmão (ambos mineiros) e a avó num bairro pobre e que todos os dias vai para o ginásio ter aulas de boxe, tal como o seu pai havia tido e também o pai do seu pai. Tudo muda quando, um dia, uma professora de ballet e as suas alunas passam a partilhar o ginásio com a turma de boxe de Billy e este começa a fascinar-se pela dança. A partir daí, o rapaz passa a ir, à revelia da família, às aulas de ballet, onde descobre um verdadeiro potencial...
No meio de uma família em crise, no meio de perconceitos e tradições, Billy Elliot com a ajuda da professora, vai tentar seguir em frente com o seu sonho de ser dançarino.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Debates

Não tenho a certeza de que a melhor coisa que se tem a fazer, quando não se sabe o que dizer, seja estar calado. O debate puro e simples, a esgrima das ideias (mesmo que sejam espúrias, impertinentes ou criadas ex-nihilo), a troca de argumentos gratuitos, enfim, a controvérsia têm um certo fascínio, em si mesmos. Fazem parte da ginástica mental e levam frequentemente a conclusões inesperadas e interessantes, a conteúdos imprevisíveis. A oratória e a dialéctica são disciplinas cultivadas em diferentes momentos da história das civilizações por eméritas personagens. Os tribunos são pessoas que manifestam grande agilidade para raciocinar depressa e virar os argumentos mais convincentes do avesso. Há oradores tão brilhantes que chegam a fazer esquecer do que na verdade estão a falar, maravilhando as audiências com a elegância e persuasão da linguagem.

Há gerações que atravessaram períodos social e politicamente conturbados durante os quais os debates foram acesos e, por vezes, violentos. Momentos de intenso antagonismo ideológico prestam-se à emergência de grandes oradores que, normalmente, se transformam também em líderes. Naturalmente, nesses casos não se fala de debates lúdicos ou apenas formais, mas sim do combate de argumentos substantivos àcerca de modelos alternativos de sociedade. Portanto, nesses casos, à eloquência da forma junta-se a pertinência do conteúdo.

Penso que isso aconteceu em Portugal na geração das pessoas que têm hoje 50-55 anos. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Arnaldo Matos "grande educador da classe operária" e líder do saudoso e truculento MRPP. A. Matos usava "ditadura do proletariado", "social-fascismo revisionista soviético", "lacaios do capitalismo", "Barreirinhas Cunhal" etc. como se fosse uma bailarina a dançar o Quebra Nozes. Saía tudo com uma coerência, um ritmo e uma nítida monotonia que os sequazes se inchavam de energia e de coragem para prosseguir na luta pelo comunismo. Encontramos hoje uma série de notas personagens dessa fornada em postos-chave da sociedade e da polítíca portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso (não obstante os seus diferentes berços ideológicos) são outros exemplos que subiram à ribalta, ao contrário do camarada Arnaldo de Matos que se esfumou no quotidiano, sendo episodicamente convidado de programas de TV como autêntica relíquia ou curiosidade histórica.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Natasha

Esta coisa da Natasha, aquela rapariga austríaca de carinha redonda que foi raptada quando tinha 5 ou 6 anos e que permaneceu em cativeiro até aos 18 anos, tendo fugido do seu raptor há umas semanas, já cheira mal. A sua relação com o dito-cujo não terá sido assim tão cruel e, no fim de contas, parece que até haveria algum respeito e simbiose entre « vítima » e « criminoso ». Logo após a fuga da moça, o vilão suicidou-se. Evidentemente, a história terá deixado importantes sequelas em Natasha, convertendo-a numa espécie de objecto de pesquisa.

Trata-se de compôr um evento, de fazer render o peixe sobre uma história naturalmente insólita, mas que deveria manter-se no foro privado. É uma prova da mediatização e da mercantilização dos dramas individuais, da curiosidade mórbida da opinião pública cultivada com esmero pelos orgãos de comunicação. A entrevista da vítima irá para o ar hoje e a expectativa na Austria e um pouco por todo o mundo é mais do que muita. Parece que a rapariga tem gerido de forma surpreendentemente adulta (quase profissional…) o seu silêncio, as suas parcas declarações e a sua aparição. Existe uma bateria de psicólogos e outros especialistas que ornamentam o caso de comentários mais ou menos misteriosos que aguçam o apetite pela entrevista. Enfim, voyeurismo global cuidadosamente cozinhado. Um caso cuja visibilidade é um múltiplo enorme da sua pertinência substancial para uma audiência global. Imaginem se todos os dramas individuais (e sobretudo colectivos) que por aí andam tivessem a mesma ressonância…

terça-feira, setembro 05, 2006

Jovens de todas as idades: escutem "Shine on You Crazy Diamond" dos Pink Floyd e não se arrependem.

Festa do Avante 2006

Durante a Festa do Avante gera-se uma espécie de micro – sociedade extremamente interessante: parece que estamos numa comunidade perfeita, onde todos se respeitam e convivem mesmo sem nunca se terem cruzado antes. Metem-se conversas em filas para a casa de banho, em mesas lado a lado, junto aos palcos dos concertos... Oferece-se de beber e comer ao desconhecido que está mesmo ali ao pé, etc. etc...


É um ambiente propício à paixão pela ideologia socialista, à crença de que esta é exequível se nos unirmos e lutarmos por ela e à emoção a isso associada. O problema é que, quando se sai da festa, há um sentimento de pena… Pena por não passar tudo de três dias em que as utopias são quase alcançadas. Quando se retoma o contacto com a realidade, fica a noção que a teoria é fascinante. Contudo, não passa disso pois, na prática, não se cumprem as ideologias e, mesmo que se tentassem levar “Avante”, seria extremamente difícil fazê-lo com sucesso.


Enfim, é bom iludirmo-nos um bocadinho, nem que seja só três dias por ano. Além disso, políticas à parte, há muitos ganhos em termos culturais.

Irão

in publico.pt de hoje

"O Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, afirmou hoje que o ensino do país "tem de ser purgado" das suas "influências liberais e laicas". [A alternativa será certamente uma crescente islamização do ensino...] Desde a chegada ao poder de Mahmud Ahmadinejad, há pouco mais de um ano, dezenas de professores universitários, próximos dos reformadores e dos moderados, foram sendo afastados das suas competências."

O retrocesso continua em nome da identidade cultural e religiosa.

Médecins Sans Frontières

domingo, setembro 03, 2006

O Benfica também é vermelho...

Como demonstra a foto aqui ao lado, Luis Filipe Vieira está para mudar de clube e representa uma séria ameaça à presidência de Jerónimo de Sousa. Mais disse durante a festa do "Avante" que se conclui hoje: "A Liga é o centro do poder e a cabeça do polvo". Benfiquistas de todo o mundo, uni-vos !

Duas citações

"Um sistema que não dá aos seres humanos razões profundas para se interessarem uns pelos outros não pode manter por muito tempo a sua legitimidade."

Richard Sennett in "The Corrosion of Character" (1998)

"Como pode o Homem orientar-se, praticando acções das quais é, ao mesmo tempo, o objectivo, o campo de aplicação, o instrumento utilizado e o sujeito ?"

Michel Foucault in "Résumés des Cours 1970-1982" (1994)

sexta-feira, setembro 01, 2006

As desigualdades aumentam nos Estados Unidos

Citações daqui:

"Les Noirs sont les plus touchés par l'inégalité des revenus. Le revenu médian annuel s'établit à 30 858 dollars en 2005 pour les Afro-Américains, contre 35 967 pour les Hispaniques, et à 50 784 dollars pour les Blancs."

"Plusieurs enquêtes mettent surtout en avant l'augmentation des inégalités. Selon une étude conjointe de l'Institute for Policy Studies et de l'association United for a Fair Economy sur les excès des dirigeants américains, la part de la croissance qui profite aux salariés est en constante diminution. Plus encore que les actionnaires ou les investisseurs, les dirigeants des grandes entreprises en sont les principaux bénéficiaires."

"En un an, la situation des Américains s'est encore dégradée en ce qui concerne la couverture de santé. D'après l'enquête du US Census Bureau, 1,3 million de personnes, dont 961 000 salariés, ont rejoint, en 2005, les rangs des Américains sans assurance-maladie. Sur un total de 46,6 millions en 2005, les salariés à travailler pour une entreprise qui ne prend pas en charge leur assurance-maladie, système le plus courant aux Etats-Unis, sont de plus en plus nombreux."

O Caso Mateus

O Caso Mateus brada aos céus. Como é que a chamada "justiça (?!) desportiva" se pode sobrepor à Lei Geral no âmbito de um problema laboral ? Como é que os donos do futebol profissional podem ser tão insolentes e poderosos ao ponto de atropelarem tão descaradamente os principios gerais do Direito ? Percebo que o respeito do Direito possa colidir com os ciclópicos interesses financeiros da UEFA, da FIFA e dos grandes clubes ? Mas - que diabo ! - ao menos embrulhem a coisa com menos desaforo...

Eu julgava que, no caso de conflito entre uma lei corporativa e a Lei Geral, esta última prevalecia. Pelos vistos não é assim. O Direito Administrativo terá certamente subtilezas que me escapam. Os patrões da corporação/seita futebol chegam ao ponto de (sob ameaças terríveis) proibirem os seus membros/seguidores de recorrer à Lei Geral, mesmo que os assuntos em questão sejam do foro da Lei Geral.

LINK

quinta-feira, agosto 31, 2006

Glenn Ford


Foi-se... Tinha 90 anos. Lembro-me dele com saudade nomeadamente no filme "A Batalha de Midway" (1976). Link

Blog Day

Andei um bocado pela blogosfera e descobri que hoje, dia 31 de Agosto é o Dia do Blog... Mais um daqueles dias acerca dos quais já dei a minha opinião.

BlogDay was initiated with the belief that bloggers should have one day which will be dedicated to know other bloggers, from other countries or areas of interests. In that day Bloggers will recommend about them to their Blog visitors.

(...)

In one long moment In August 31st, bloggers from all over the world will post a recommendation of 5 new Blogs, Preferably, Blogs different from their own culture, point of view and attitude. On this day, blog surfers will find themselves leaping and discovering new, unknown Blogs, celebrating the discovery of new people and new bloggers.

Ora, tendo em conta que eu já andava há algum tempo para referir alguns blogs que tenho adicionado à lista de melgas amigas, aproveito este dia para o fazer:


Blog da Nalga

Perguntar não ofende

Norman Roberts



E, como o objectivo é listar cinco blogs, os restantes dois são aqui da vizinhança...

A Ilha do Dia Antes

Dawn of the Herd

quarta-feira, agosto 30, 2006

Dúvidas existenciais aos seis anos...

A minha prima de seis anos confrontou-me hoje com as seguintes perguntas:

Quando é que começou a morte? Porque é que existe a morte?

Como ela não iria entender uma explicação do tipo "A vida só faz sentido com a morte... Se não morrêssemos não daríamos tanto valor e tanta importância à vida.", puxei um pouco pela cabeça e procurei uma resposta verdadeira e acessível à mente infantil. Quando ela me faz perguntas destas é como se me desse um murro no peito. É muito complicado explicar a uma criança coisas destas... Contudo, acho que me saí bem. Eis a minha resposta:

"A morte existe desde sempre, desde que há vida. Se pensares bem, tudo tem um oposto: existe o preto e o branco, o alto e o baixo, o bonito e o feio... Tal como esses, também a vida tem um oposto: a morte."

terça-feira, agosto 29, 2006

A velha e o regresso de férias

A velha ali mesmo ao lado, no avião, é gaiteira e barulhenta e mimosa e "cheia de vida". Tem um estomâgo do tamanho de uma gravidez, umas pernas musculosas como um futebolista, uns óculos à Truman Capote, um cabelo lustroso e puxado para trás como os fadistas da Mouraria de outros tempos. É corada, da côr do vinho maduro que faz azia.

E eu vou ter de a aturar durante duas horas e meia. É obra !

É egoísta, só fala do seu pequeno mundo transformado em Universo: do refogado de ontem à noite, dos netinhos, das noras, da dor na espinha, da sardinha assada de Portimão. Julga que todos os passageiros estão interessadíssimos nas suas histórias pimba. Disputa cada minuto de atenção aos desgraçados companheiros do lado como se estivesse numa arena a pegar o toiro. É invejosa e insuportável. Não tem dúvidas sobre o que quer que seja. Trata a alegria e a tristeza por tu, como se fossem banais fases da lua num céu sempre estrelado. É uma acrobata que muda de humor com a facilidade de um chimpanzé. Para ela a vida é simples: resume-se à letra de uma cantiga de romaria de Agosto.

A velha gaiteira desconfia concerteza das palavras "existencial" e "dúvida". Cheira só a chulé e a sovaco. Vai morrer um dia com AVC e não deixará nada para trás. Nem sequer um resquício da gula com que sorveu os últimos meses da sua vida. Nem sequer um pequeno remorso pela maneira indecorosa como chateou os outros passageiros, que só queriam digerir a depressão do fim de férias, dormindo ou lendo o jornal, tranquilos e beatos, até chegarem a um destino frio e chuvoso a mais de 2000 km do sol lusitano.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Postais (irónicos) da Tunisia

O presidente da Tunisia, Ben Ali, é re-eleito todos os 5 anos, desde 1987, por mais de 95% dos votos em "eleições livres", numa demonstração eloquente de "maioridade" e de "responsabilidade" de um povo que admite não ter cultura suficiente para identificar os defeitos do seu presidente. A Tunisia é um dos países muçulmanos e um dos países de Africa com melhores indicadores de desenvolvimento económico e social e menos dado ao fundamentalismo islâmico. O país faz fronteira com a Líbia e com a Argélia.

O presidente Ben Ali casou-se com uma cabeleireira/esteticista muito mais nova do que ele que lhe faz tantos e tão bons tratamentos à pele que o homem, de mais de 70 anos, aparenta não ter mais de 40. Existem posters e fotografias do sempre rejuvenescido lider nacional por tudo quanto é sítio. Mesmo nos lugares mais escondidos ou acessíveis a potenciais vândalos ou "elementos subversivos", essas imagens do presidente sorridente, de mão ao peito, jurando dedicação ao bem-estar colectivo, permanecem imaculadas, sem o mínimo rasgão, provando o respeito dos cidadãos pelo culto da personalidade do seu chefe.

Os dromedários têm uma só bossa (os camelos têm duas...) e são fortes e pacientes como o caraças e também um bocado rijos dos amortecedores... para viagens que durem mais de 10 minutos. Ora, considerando o comprimento do deserto, recomenda-se fisioterapia antes e depois da aventura. Não consta que os berbéres gozem desses terapêuticos luxos ocidentais...

A Tunisia produz mais cereais, azeite, tâmaras, fosfatos, túnicas e artigos em pele de dromedário do que petróleo ou gaz natural. Talvez também por isso tenha mais tranquilidade e prosperidade do que outros paises da OPEP.

Os comerciantes nas medinas adoram brincar aos preços. Nunca pedem menos de 100 para acabar por vender por 50. Parece que os alemães e quejandos até dão os 100... Quanto aos portugueses... os tunisinos chamam-lhes "bancarrota" ! A moeda da Tunisia é o dinar que vale cerca de 0.6 euros.

É arrepiante assistir ao regresso dos rapazes da cerimónia da circuncisão nas mesquitas. A ablação do clitoris é proibida. O ensino é laico (10 anos de escolaridade obrigatória). A poligamia é proíbida. Segundo uma lei recentemente publicada, as mulheres só se podem casar a partir dos 18 anos. Há sítios onde é considerado insultuoso um homem dirigir a palavra a uma mulher. Existem nas mesquitas espaços separados para homens e mulheres. É mal visto uma mulher ir a um bar ou a um café, sobretudo se for sózinha. As mulheres muçulmanas que tomam banho na praia, fazem-no praticamente vestidas (um bikini é inconcebível).

Em termos de costumes e de desenvolvimento existe uma diferença clara entre a capital (Tunis que é bastante ocidentalizada, onde vivem 1.6 milhões de pessoas), o litoral (onde o turismo balnear é rei e senhor) e o resto do pais, principalmente, o interior sul mais próximo do deserto e onde as influências berbéres são mais nítidas. A população total é de cerca de 10 milhões.

A grande maioria das casas encontra-se inacabada porque parece que a lei só impõe o pagamento de impostos após o fim da construção... As estradas e auto-estradas são de boa qualidade. A àgua, a electricidade e os telefones (incluindo redes móveis) chegam a quase todo o lado, mesmo aos sítios mais recônditos ou inverosímeis.

Co-incineração

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É por estas e por outras que continuo a achar que em eleições autárquicas conta mais o valor do candidato que do partido.

Sugestão

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sexta-feira, agosto 25, 2006

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Throw away the place mats. Redraw the classroom charts. Take a pair of scissors to the solar system mobile.

After years of wrangling and a week of debate, astronomers voted for a sweeping reclassification of the solar system. In what many of them described as a triumph of science over sentiment, Pluto was demoted to the status of a “dwarf planet.”

In the new solar system as defined by the International Astronomical Union, meeting in Prague, there are eight planets instead of nine, at least three dwarf planets and tens of thousands of so-called smaller solar system bodies, like comets and most asteroids.

For now, the other dwarf planets are Ceres, the largest asteroid, and an object known as 2003 UB 313, nicknamed Xena, that is larger than Pluto and, like it, orbits beyond Neptune in a zone of icy debris known as the Kuiper Belt. But there are dozens more potential dwarf planets known in that zone, planetary scientists say, and so the number in the category could quickly swell.

In a nod to Pluto’s fans, the astronomers declared it to be the prototype for a new category of such “trans-Neptunian” objects, but declined in a close vote to approve the name “plutonians” for them.

The outcome yesterday completed a stunning turnaround from only a week ago, when the assembled astronomers were presented a proposal that would have increased the number of planets in the solar system to 12, retaining Pluto and adding Ceres, Xena and even Pluto’s moon Charon.

(...)

Under the new rules, a planet must meet three criteria: it must orbit the Sun, it must be big enough for gravity to squash it into a round ball, and it must have cleared other things out of the way in its orbital neighborhood. The last of these criteria knocks out Pluto and Xena, which orbit among the icy wrecks of the Kuiper Belt, and Ceres, which is in the asteroid belt.

Dwarf planets, on the other hand, need only orbit the Sun and be round. (...)

in: The New York Times

segunda-feira, agosto 21, 2006

Estudar Análise Estatística nas férias de Verão...

ESTUDO está para AGOSTO


como....

SOPA está para MAFALDINHA
PARIS HILTON está para IRMÃ LÚCIA
JOSÉ CID está para PEDRO PAULETA
MARILYN MANSON está para DALAI LAMA
MERCHE ROMERO está para ODETE SANTOS
JOSÉ CASTELO BRANCO está para ZÉZÉ CAMARINHA