quinta-feira, agosto 31, 2006

Glenn Ford


Foi-se... Tinha 90 anos. Lembro-me dele com saudade nomeadamente no filme "A Batalha de Midway" (1976). Link

Blog Day

Andei um bocado pela blogosfera e descobri que hoje, dia 31 de Agosto é o Dia do Blog... Mais um daqueles dias acerca dos quais já dei a minha opinião.

BlogDay was initiated with the belief that bloggers should have one day which will be dedicated to know other bloggers, from other countries or areas of interests. In that day Bloggers will recommend about them to their Blog visitors.

(...)

In one long moment In August 31st, bloggers from all over the world will post a recommendation of 5 new Blogs, Preferably, Blogs different from their own culture, point of view and attitude. On this day, blog surfers will find themselves leaping and discovering new, unknown Blogs, celebrating the discovery of new people and new bloggers.

Ora, tendo em conta que eu já andava há algum tempo para referir alguns blogs que tenho adicionado à lista de melgas amigas, aproveito este dia para o fazer:


Blog da Nalga

Perguntar não ofende

Norman Roberts



E, como o objectivo é listar cinco blogs, os restantes dois são aqui da vizinhança...

A Ilha do Dia Antes

Dawn of the Herd

quarta-feira, agosto 30, 2006

Dúvidas existenciais aos seis anos...

A minha prima de seis anos confrontou-me hoje com as seguintes perguntas:

Quando é que começou a morte? Porque é que existe a morte?

Como ela não iria entender uma explicação do tipo "A vida só faz sentido com a morte... Se não morrêssemos não daríamos tanto valor e tanta importância à vida.", puxei um pouco pela cabeça e procurei uma resposta verdadeira e acessível à mente infantil. Quando ela me faz perguntas destas é como se me desse um murro no peito. É muito complicado explicar a uma criança coisas destas... Contudo, acho que me saí bem. Eis a minha resposta:

"A morte existe desde sempre, desde que há vida. Se pensares bem, tudo tem um oposto: existe o preto e o branco, o alto e o baixo, o bonito e o feio... Tal como esses, também a vida tem um oposto: a morte."

terça-feira, agosto 29, 2006

A velha e o regresso de férias

A velha ali mesmo ao lado, no avião, é gaiteira e barulhenta e mimosa e "cheia de vida". Tem um estomâgo do tamanho de uma gravidez, umas pernas musculosas como um futebolista, uns óculos à Truman Capote, um cabelo lustroso e puxado para trás como os fadistas da Mouraria de outros tempos. É corada, da côr do vinho maduro que faz azia.

E eu vou ter de a aturar durante duas horas e meia. É obra !

É egoísta, só fala do seu pequeno mundo transformado em Universo: do refogado de ontem à noite, dos netinhos, das noras, da dor na espinha, da sardinha assada de Portimão. Julga que todos os passageiros estão interessadíssimos nas suas histórias pimba. Disputa cada minuto de atenção aos desgraçados companheiros do lado como se estivesse numa arena a pegar o toiro. É invejosa e insuportável. Não tem dúvidas sobre o que quer que seja. Trata a alegria e a tristeza por tu, como se fossem banais fases da lua num céu sempre estrelado. É uma acrobata que muda de humor com a facilidade de um chimpanzé. Para ela a vida é simples: resume-se à letra de uma cantiga de romaria de Agosto.

A velha gaiteira desconfia concerteza das palavras "existencial" e "dúvida". Cheira só a chulé e a sovaco. Vai morrer um dia com AVC e não deixará nada para trás. Nem sequer um resquício da gula com que sorveu os últimos meses da sua vida. Nem sequer um pequeno remorso pela maneira indecorosa como chateou os outros passageiros, que só queriam digerir a depressão do fim de férias, dormindo ou lendo o jornal, tranquilos e beatos, até chegarem a um destino frio e chuvoso a mais de 2000 km do sol lusitano.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Postais (irónicos) da Tunisia

O presidente da Tunisia, Ben Ali, é re-eleito todos os 5 anos, desde 1987, por mais de 95% dos votos em "eleições livres", numa demonstração eloquente de "maioridade" e de "responsabilidade" de um povo que admite não ter cultura suficiente para identificar os defeitos do seu presidente. A Tunisia é um dos países muçulmanos e um dos países de Africa com melhores indicadores de desenvolvimento económico e social e menos dado ao fundamentalismo islâmico. O país faz fronteira com a Líbia e com a Argélia.

O presidente Ben Ali casou-se com uma cabeleireira/esteticista muito mais nova do que ele que lhe faz tantos e tão bons tratamentos à pele que o homem, de mais de 70 anos, aparenta não ter mais de 40. Existem posters e fotografias do sempre rejuvenescido lider nacional por tudo quanto é sítio. Mesmo nos lugares mais escondidos ou acessíveis a potenciais vândalos ou "elementos subversivos", essas imagens do presidente sorridente, de mão ao peito, jurando dedicação ao bem-estar colectivo, permanecem imaculadas, sem o mínimo rasgão, provando o respeito dos cidadãos pelo culto da personalidade do seu chefe.

Os dromedários têm uma só bossa (os camelos têm duas...) e são fortes e pacientes como o caraças e também um bocado rijos dos amortecedores... para viagens que durem mais de 10 minutos. Ora, considerando o comprimento do deserto, recomenda-se fisioterapia antes e depois da aventura. Não consta que os berbéres gozem desses terapêuticos luxos ocidentais...

A Tunisia produz mais cereais, azeite, tâmaras, fosfatos, túnicas e artigos em pele de dromedário do que petróleo ou gaz natural. Talvez também por isso tenha mais tranquilidade e prosperidade do que outros paises da OPEP.

Os comerciantes nas medinas adoram brincar aos preços. Nunca pedem menos de 100 para acabar por vender por 50. Parece que os alemães e quejandos até dão os 100... Quanto aos portugueses... os tunisinos chamam-lhes "bancarrota" ! A moeda da Tunisia é o dinar que vale cerca de 0.6 euros.

É arrepiante assistir ao regresso dos rapazes da cerimónia da circuncisão nas mesquitas. A ablação do clitoris é proibida. O ensino é laico (10 anos de escolaridade obrigatória). A poligamia é proíbida. Segundo uma lei recentemente publicada, as mulheres só se podem casar a partir dos 18 anos. Há sítios onde é considerado insultuoso um homem dirigir a palavra a uma mulher. Existem nas mesquitas espaços separados para homens e mulheres. É mal visto uma mulher ir a um bar ou a um café, sobretudo se for sózinha. As mulheres muçulmanas que tomam banho na praia, fazem-no praticamente vestidas (um bikini é inconcebível).

Em termos de costumes e de desenvolvimento existe uma diferença clara entre a capital (Tunis que é bastante ocidentalizada, onde vivem 1.6 milhões de pessoas), o litoral (onde o turismo balnear é rei e senhor) e o resto do pais, principalmente, o interior sul mais próximo do deserto e onde as influências berbéres são mais nítidas. A população total é de cerca de 10 milhões.

A grande maioria das casas encontra-se inacabada porque parece que a lei só impõe o pagamento de impostos após o fim da construção... As estradas e auto-estradas são de boa qualidade. A àgua, a electricidade e os telefones (incluindo redes móveis) chegam a quase todo o lado, mesmo aos sítios mais recônditos ou inverosímeis.

Co-incineração

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É por estas e por outras que continuo a achar que em eleições autárquicas conta mais o valor do candidato que do partido.

Sugestão

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sexta-feira, agosto 25, 2006

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Throw away the place mats. Redraw the classroom charts. Take a pair of scissors to the solar system mobile.

After years of wrangling and a week of debate, astronomers voted for a sweeping reclassification of the solar system. In what many of them described as a triumph of science over sentiment, Pluto was demoted to the status of a “dwarf planet.”

In the new solar system as defined by the International Astronomical Union, meeting in Prague, there are eight planets instead of nine, at least three dwarf planets and tens of thousands of so-called smaller solar system bodies, like comets and most asteroids.

For now, the other dwarf planets are Ceres, the largest asteroid, and an object known as 2003 UB 313, nicknamed Xena, that is larger than Pluto and, like it, orbits beyond Neptune in a zone of icy debris known as the Kuiper Belt. But there are dozens more potential dwarf planets known in that zone, planetary scientists say, and so the number in the category could quickly swell.

In a nod to Pluto’s fans, the astronomers declared it to be the prototype for a new category of such “trans-Neptunian” objects, but declined in a close vote to approve the name “plutonians” for them.

The outcome yesterday completed a stunning turnaround from only a week ago, when the assembled astronomers were presented a proposal that would have increased the number of planets in the solar system to 12, retaining Pluto and adding Ceres, Xena and even Pluto’s moon Charon.

(...)

Under the new rules, a planet must meet three criteria: it must orbit the Sun, it must be big enough for gravity to squash it into a round ball, and it must have cleared other things out of the way in its orbital neighborhood. The last of these criteria knocks out Pluto and Xena, which orbit among the icy wrecks of the Kuiper Belt, and Ceres, which is in the asteroid belt.

Dwarf planets, on the other hand, need only orbit the Sun and be round. (...)

in: The New York Times

segunda-feira, agosto 21, 2006

Estudar Análise Estatística nas férias de Verão...

ESTUDO está para AGOSTO


como....

SOPA está para MAFALDINHA
PARIS HILTON está para IRMÃ LÚCIA
JOSÉ CID está para PEDRO PAULETA
MARILYN MANSON está para DALAI LAMA
MERCHE ROMERO está para ODETE SANTOS
JOSÉ CASTELO BRANCO está para ZÉZÉ CAMARINHA




Honour Google by searching Her. Search Google at least once a week with the intent of discovering and learning about something new.


Palavras para quê? Aqui estão os 10 mandamentos desta nova religião. (Para se saber mais clicar na imagem ou aqui).

1. Thou shalt have no other Search Engine before me, neither Yahoo nor Lycos, AltaVista nor Metacrawler. Thou shalt worship only me, and come to Google only for answers.

2. Thou shalt not build your own commercial-free search engine, for I am a jealous engine, bringing law suits and plagues against the fathers of the children unto the third and fourth generations.

3. "Thou shalt not use Google as a verb.

4. "Remember [zachor] the Sabbath day and keep it holy" (the version in Deuteronomy reads shamor, "observe")

The seventh day of the week is termed Shabbat and is holy, just as God ceased creative activity during Creation. The aspect of zachor (remember) is performed by declaring the greatness of the day (kiddush), by having three festive meals and by engaging in Torah study and pleasurable activities. The aspect of shamor is performed by abstaining from productive activity (the 39 melachot, forbidden categories of work) on the Shabbat.

5. "Thou shalt honor your father and your mother..."

The obligation to honor one's parents is an obligation that one owes to God and fulfills this obligation through one's actions towards one's parents.

6. Thou shalt not misspell.

7. "Thou shalt not commit adultery."

Adultery is defined as sexual intercourse with a married woman (Rashi).

8. "Thou shalt not steal."

This is not understood as stealing in the conventional sense, since theft of property is forbidden elsewhere and is not a capital offense. In this context it is to be taken as "do not kidnap" (Rashi).

9. "Thou shalt not bear false witness against your neighbor"

One must not bear false witness in a court of law or other proceeding.

10. "Thou shalt not manipulate Search Results. Search Engine Optimization is but the work of Microsoft.

terça-feira, agosto 15, 2006

15 de Agosto

Hoje é feriado... Daqueles feriados cujo motivo ninguém se recorda. Daqueles feriados que não servem para nada porque estamos de férias.

Hoje é Dia dos Solteiros e Dia da Informática mas o feriado deve-se à Assunção de Maria.



Porque é que há dias para tudo? (Dia 13 foi Dia do Canhoto)

segunda-feira, agosto 14, 2006

Festival Músicas do Mundo de Sines

Finalmente tenho tempo, disposição, e fotografias para falar no Festival Músicas do Mundo em Sines onde estive entre o dia 21 e o dia 29 de Julho.

Sines é uma terra pequena mas com bastantes coisas que cativam como a praia e aquela água maravilhosa, o castelo e a sua localização e vista, as ruelas pequeninas com casinhas tipicamente alentejanas e o centro de artes. Com o FMM, a vila torna-se, obviamente, mais interessante e fascinante. Não assisti a todos os concertos por razões de várias ordens, mas aqueles que pude ver deixaram-me extremamente agradada. O que se segue é um ínfimo resumo dos concertos mais marcantes para mim...

Sem dúvida o melhor de todos os concertos do festival. Um espectáculo com sonoridade e ritmo que oscilam entre a alegria estonteante e a melancolia dramática que comovem qualquer um. O conceito da música deste sérvio é que a vida vai dar inevitavelmente à ruína e, por isso, é necessária uma banda sonora para quando esta se der e a história acabar. "World After History" foi o álbum que nos apresentou no concerto de dia 22 de Julho de um modo fascinante.


Um grupo francês constituído por um acordeonista, um violinista, um guitarrista e um baterista que nos envolve num espírito de euforia, alegria e boa disposição. Tiveram uma presença inesquecível em palco, comunicando inesgotável humor e energia ao público.

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O primeiro concerto que decorreu no castelo de Sines foi cheio de ritmo. Um ritmo que nos levou ao que de mais alegre existe na tradição portuguesa. Apesar de muita coisa ser familiar, os Gaiteiros de Lisboa surpreendem pela diversidade de meios que utilizam para "fazer" música.

Um libanês que toca alaúde árabe, um alemão que toca piano e um americano na bateria criaram um ambiente único misturando sons ocidentais e orientais. Foi um concerto calmo com música belíssima, algures entre o jazz e a música árabe, propícia a vários estados de espírito.

Música do Mali com história. Uma história que data do século XIII de que resulta uma música fabulosa. Encontrámos em palco tantas pessoas e instrumentos que se torna difícil escolher o foco da nossa atenção. Cruzaram-se instrumentos seculares com modernos num ritmo africano contagiante.

Ao assistir a este concerto quase que se consegue ver o deserto africano à frente com todos os seus elementos, não fosse este grupo do Senegal. Durante o espectáculo, um amigo classificou a música como "do género do rei leão"... Acho que, de facto, não está muito longe.

(Peço ao vizinho do lado que corrija ou acrescente alguma coisa que considere importante.)

sexta-feira, agosto 11, 2006

"O" Videoclip!


Este homem é um enviado de Deus!!!;)

Aquarela - Toquinho

clicar na imagem

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando contornando
A imensa curva norte sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América à outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar

Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá
E se faco chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá

Reflexão

A morte é a única certeza da vida.
É a morte que dá sentido à vida.

Contudo, é a realidade mais custosa de aceitar.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Verão

Quando é que este calor nos deixa em paz ? Gostava de ter outro calor, mais amigo e humano. Começo a não gostar do Verão. Acontecem coisas estranhas no Verão. Acontecem essas coisas sempre, inesperadamente, como estaladas violentas na tranquilidade a que julgamos ter direito. E depois a vida continua, na sua incrível normalidade, imposta pela sobrevivência e pela homenagem ao que passa e, sobretudo, ao que fica. Ficam memórias, sentimentos esbatidos como as rochas que apanham as vagas incessantes do mar. Instala-se a necessidade de insistir, insistir, insistir na procura da felicidade, na proximidade das pessoas que se amam... até que tudo dure. Até que tudo dure.

sábado, agosto 05, 2006

A simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último reduto da experiência, a derradeira força do génio.

George Sand

sábado, julho 29, 2006

Parábola da gestão em Portugal (recebido por e-mail)

Todos os dias, a formiga chegava cedinho à oficina e desatava a trabalhar. Produzia e era feliz.

O gerente, o leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão. Se ela produzia tanto sem supervisão, melhor seria supervisionada? Então, contratou uma barata que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios. A primeira preocupação da barata foi a de estabelecer um horário para entrada e saída da formiga. De seguida, precisou de uma secretária para a ajudar a preparar os relatórios e contratou uma aranha que além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas.

O leão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com índices de produção e análise de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito. Foi então que a barata comprou um computador e uma impressora laser e admitiu a mosca para gerir o departamento de informática.

A formiga de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo!
O leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete. A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente (que trouxe do seu anterior emprego) para ajudá-la na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalho e no controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se mostrava mais enfadada. Foi nessa altura que a cigarra convenceu o gerente, o leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente. Ao considerar as disponibilidades, o leão deu-se conta de que a unidade em que a formiga trabalhava já não rendia como antes; e contratou a coruja, uma prestigiada consultora muito famosa, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse soluções.

A coruja permaneceu três meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes que concluía: "Há muita gente nesta empresa".
Adivinhem quem começou por ser despedido?

A formiga, claro, porque "andava muito desmotivada e aborrecida".

sexta-feira, julho 28, 2006

Alguém me consegue explicar... (II)

...que carnaval foi aquele à volta da reforma do Manuel Alegre?

(Qual infâmia? O homem tem culpa do sistema? Metem-me nojo certas mesquinhices/sensacionalismos que procuram notícias onde não existem, insinuando corrupções que nunca se deram... Mete-me nojo o "prazerzinho" de alguns com estas tretas.)

Alguém me consegue explicar...

...como se resgatam soldados bombardeando um território?
...como se obtém a paz matando civis e agentes de paz?
...como se pode achar que a culpa de uma guerra é só de uma das partes?
...como se mantem a inércia da comunidade internacional perante uma guerra?
...como se desculpam descaradamente os ataques israelitas?

...como se repetem incessantemente os mesmos erros há séculos e séculos?

quinta-feira, julho 27, 2006

In Cold Blood

O livro "A Sangue Frio" de Truman Capote (1966) lê-se de um fôlego só. Não vi o filme “Capote” que se inspirou no livro e que foi galardoado este ano com o Óscar para o melhor actor (Philip Seymour Hoffman).

O livro conta a história do assassinato de uma família de 4 pessoas no final dos anos 50 numa pequena cidade do Estado do Kansas por dois rapazes perdidos na vida e na morte. O crime ocorre em circunstâncias rocambolescas e quase incompreensíveis, na sequência da tentativa de roubo de um cofre que, afinal de contas, nunca existiu. No fim, os ladrões-assassinos levam consigo apenas cerca de 50 dólares e um medo tépido de serem apanhados e condenados à morte, o que acaba por acontecer.

Truman Capote era jornalista e escreveu o livro em estilo jornalístico. O vocabulário é simples e escorreito, as frases fulgurantes. O que prende é o interesse da história e o ritmo em que é contada. As 370 páginas da edição "Livros do Brasil" devoram-se, cada página pedindo a leitura imediata da seguinte.

Trata-se de um retrato impiedoso da América daquele período, da coexistência de mundos incrivelmente diferentes num mesmo, imenso território, onde os foragidos se movem sem descanso à procura de uma paz impossível. O puritanismo e a rigidez religiosa embatem estrondosamente na extrema miséria dos falidos de um sistema que não tolera o fracasso nem a transgressão.

É um livro naturalmente angustiante e triste que nos coloca perante a crueza e o "non-sense" de uma maldade que quase apetece desculpar. Maldade que se explica por uma acumulação de traumas, fantasmas e fracassos que a sociedade ajuda a produzir, mas que não perdoa.

Perry - um dos criminosos - é um rapaz sensível, meio poeta, que transporta consigo uma mala cheia de recordações e de abandonos. Filho de um cowboy e de uma índia belíssima que passam o princípio da sua vida em comum, muito felizes, a participar em "rodeos" pelas planícies da América profunda. O idílio acaba e o casal separa-se. A Índia fica com os quatro filhos e torna-se alcoólica. O cowboy foge para o Alasca e lança negócios condenados à falência. Dois dos filhos suicidam-se, uma filha faz de esposa irrepreensível para resgatar o passado maldito da família e Perry transforma-se em assassino… por acaso…

Capote era jornalista, intelectual, homossexual, também ele abandonado na infância pela mãe. Permaneceu no Kansas 5 anos a seguir o caso muito de perto e a recolher material para o romance. Entrevistou os criminosos e acabou por ter relações intensas e profundas com Perry, com quem se identificou psicologicamente. Uma possível amizade sincera cedeu rapidamente o lugar ao puro interesse de Capote em extrair de Perry o máximo de informações antes da execução da personagem central do livro.

Capote viveu tão fortemente o romance e meteu tanto de si próprio (e da sua moralidade) na sua elaboração que, após a publicação em 1966, escreveu pouco mais, deixou-se cair em histórias mais ou menos sórdidas de jet-set e morreu alcoólico em 25 de Agosto de 1984 em Los Angeles, com 60 anos. "In Cold Blood" é um dos mais famosos "best-sellers" internacionais.

Isto por aqui é giro!



(Passei no exame de condução.)

Volto no domingo... Até ao meu regresso.


quarta-feira, julho 26, 2006

Comércio e desenvolvimento

O último round de negociações para a liberalização do comércio mundial no seio da Organização Mundial de Comércio (OMC) – dito de Doha, capital do Qatar onde se iniciaram as negociações há cerca de 6 anos – está para terminar no meio de um rotundo fracasso. Um dos principais responsáveis terá sido o governo dos Estados Unidos da América por se recusar a acabar com os subsídios maciços à sua agricultura. Países como a UE, o Japão, a Suiça, a India e o Brasil estariam dispostos a reduzir as tarifas aduaneiras e outras restrições às importações de produtos agrícolas na condição de os EUA baixarem ou eliminarem os subsídios.

Toda a gente se diz favorável ao desenvolvimento, mas uns dizem que o comércio internacional é bom e outros dizem que é mau. Também parece não existir consenso acerca da própria definição de desenvolvimento. O que é certo é que os países mais ricos tentam por todos os modos, não obstante a demagogia “desenvolvimentista” e de “free trade”, defender os interesses dos seus grupos mais poderosos.

Os países mais pobres da África, América Latina e Ásia continuam essencialmente à margem do debate e do comércio que lhes poderia interessar, um outro comércio baseado no principio da discriminação positiva, incluindo: acesso facilitado aos mercados mais ricos, protecção nas fases iniciais do processo de industrialização, investimento directo estrangeiro sem pilhagem de recursos nem expatriação de valor acrescentado, protecção da propriedade intelectual e cessação da hemorragia de “massa cinzenta”.

Mas, o comércio é apenas uma variável de uma equação muito complexa (a do desenvolvimento) que integra também o sistema político, a honestidade e qualidade dos governantes e restrições de natureza histórica, sociológica e jurídica.

terça-feira, julho 25, 2006

Sibilino

Sibilas são figuras femininas da mitologia grega e romana e estão na base da etimologia da palavra "sibilino".

Resíduos de personagens ligadas a cultos arcaicos (essencialmente, de fertilidade), as Sibilas continuaram por muito tempo a povoar as culturas mediterrânicas. A persistência da sua presença responde, no mundo clássico, ao perdurar de questões às quais os cultos e ritos "diurnos" em honra dos deuses do Panteão patriarcal, seja romano ou grego, não queriam (não podiam ? não sabiam ?) dar respostas.

Na antiguidade clássica, a Sibila era uma virgem dotada de virtudes proféticas, dado inspirar-se num deus, quase sempre Apolo. As Sibilas forneciam normalmente respostas ínvias e obscuras (ou seja: sibilinas). Platão refere-se apenas a uma Sibila; em seguida, apareceram mais 16, todas pertencentes a épocas míticas. Uma das mais famosas foi Eritreia.

Traduzido daqui.

segunda-feira, julho 24, 2006

Armando

Armando é um cínico. Não sei se, à sua maneira, sofreu muito, se apanhou muitas ou poucas desilusões, se foi traído por amigos e familiares, se teve de se erguer das cinzas várias vezes… A verdade é que é um cínico. Vê tudo negro ou cinzento, não acredita em coisa alguma, está sempre à procura de explicações conspirativas para as situações mais triviais. Para ele, ninguém vai à procura do que quer que seja sem um interesse egoista bem definido. Armando recusa a inocência, as boas intenções, a possibilidade de uma visão ou de um projecto que leve as pessoas a agir de um certo modo. Com os seus olhitos felinos embutidos no meio de uma cabeça em forma de proa de navio, está sempre à procura do mínimo vestígio de "santa ingenuidade". O ser humano é por definição mau. É preciso não construir castelos de cartas àcerca dos sentimentos ou das grandes ideias porque, no fim de contas, emergirá sempre a cupidez e a perversidade. E a decepção. Quanto mais se aceitar esta "verdade" e mais se anticiparem os seus efeitos melhor se estará preparado para enfrentar os dissabores da vida, as trafulhices e os golpes baixos. Porque a vida é feita só disso. Para lhe resistir sem cair na loucura ou no crime é preciso observá-la do alto de uma colina de desprezo.

Armando acha-se injustiçado, perseguido, incompreendido, maltratado. Mas, é de família abastada, sempre viveu à sombra de protecções poderosas, nunca arriscou o que quer que fosse. Saiu directamente da casa da mãe para um colégio prestigioso e desse colégio para uma instituição que lhe paga estupidamente acima do seu trabalho e da sua competência (que não se sabe qual seja). Apesar de se aproximar da idade da reforma é um eterno "enfant gaté" que espezinha o tempo que lhe resta a jogar golfe com outros ricos inúteis e fastidiosos. Acho vergonhosa e intolerável essa sua amargura em relação ao mundo de que é simplesmente um rentista sem carácter.

Depois da morte restará bem pouco de Armando. Os filhos apenas se lembrarão dele, com um sorriso de desdém, pelo dinheiro e as casas que lhes vai deixar. A mulher continuará a pintar as unhas no salão forrado a damasco, imperturbável, sem se aperceber do vazio da poltrona ao lado.