domingo, julho 09, 2006

Monty Python... II


BARBER:
I wanted to be... a lumberjack!

Leaping from tree to tree, as they float down the mighty rivers of British Columbia.
The Giant Redwood. The Larch. The Fir! The mighty Scots Pine!
The lofty flowering Cherry! The plucky little Apsen! The limping Roo tree of Nigeria.
The towering Wattle of Aldershot! The Maidenhead Weeping Water Plant!
The naughty Leicestershire Flashing Oak! The flatulent Elm of West Ruislip!
The Quercus Maximus Bamber Gascoigni! The Epigillus! The Barter Hughius Greenus!

With my best buddy by my side, we'd sing! Sing! Sing!

[singing]
I'm a lumberjack, and I'm okay.
I sleep all night and I work all day.

MOUNTIES:
He's a lumberjack, and he's okay.
He sleeps all night and he works all day.

BARBER:
I cut down trees. I eat my lunch.
I go to the lavatory.
On Wednesdays I go shoppin'
And have buttered scones for tea.

MOUNTIES:
He cuts down trees. He eats his lunch.
He goes to the lavatory.
On Wednesdays he goes shopping
And has buttered scones for tea.

He's a lumberjack, and he's okay.
He sleeps all night and he works all day.

BARBER:
I cut down trees. I skip and jump.
I like to press wild flowers.
I put on women's clothing
And hang around in bars.

MOUNTIES:
He cuts down trees. He skips and jumps.
He likes to press wild flowers.
He puts on women's clothing
And hangs around in bars?!

He's a lumberjack, and he's okay.
He sleeps all night and he works all day.

BARBER:
I cut down trees. I wear high heels,
Suspendies, and a bra.
I wish I'd been a girlie,
Just like my dear Papa.

sábado, julho 08, 2006

Top +

Não via o Top + há muito tempo e hoje, como apanhei o programa a partir do quarto disco mais vendido no país, aproveitei para ver o que se anda a comprar em Portugal. O que vi (e senti) foi o seguinte:


  • 4º lugar - Chico Buarque com o seu novo CD "Carioca"

(começo a achar que os gostos musicais dos portugueses estão a melhorar grandemente...)

(a minha esperança na qualidade das compras musicais em Portugal cai por terra. Contudo, não fico em estado de choque, pois me surpreende (infelizmente) o poder que certas novelas têm nas pessoas).

(a minha alma é inundada pela penumbra do mau gosto)

(rendo-me às evidências e desisto ver mais uma vez que seja o Top +... Ainda penso no coitado do Chico Buarque que não deve gostar de estar neste ranking).

sexta-feira, julho 07, 2006

Sugestão

Porque quero que este blog seja um espaço de debate, vou passar a incluir aqui posts só com uma frase em jeito de "mote" para desenvolver uma troca de ideias e opiniões de quem a leia sobre o seu conteúdo. Começo hoje com:

A razão é inimiga da criatividade.

Fico à espera de comentários.

quinta-feira, julho 06, 2006

Ah e tal...

Peço desculpa aos mais susceptíveis pelo hino colocado esta tarde no blog. Compreenderá o leitor que se tratou de uma ironia inocente de quem acreditava na vitória portuguesa... E não estive longe, porque se não fosse aquele penalty (mal marcado, na minha opinião) Portugal poderia ter ganho.
Portugal não jogou mal... pressionou muito mais que a equipa francesa, teve a bola muito mais tempo, mas nunca conseguiu marcar um único golo, facto que a partir da última meia hora de jogo me começou a irritar profundamente. Mas pronto, vamos olhar para o lado positivo: acabaram-se as euforias patrióticas exacerbadas e as horas intermináveis de futebol na televisão!
Agora para a final...


Fratelli d'Italia

Fratelli d'Italia
L'Italia s'è desta,
Dell'elmo di Scipio
S'è cinta la testa.
Dov'è la Vittoria?
Le porga la chioma,
Ché schiava di Roma
Iddio la creò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Noi siamo da secoli
Calpesti, derisi,
Perché nom siam popolo,
Perché siam divisi.
Raccolgaci un'unica
Bandiera, una speme:
Di fonderci insieme
Già l'ora suonò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Uniamoci, amiamoci,
l'Unione, e l'amore
Rivelano ai Popoli
Le vie del Signore;
Giuriamo far libero
Il suolo natìo:
Uniti per Dio
Chi vincer ci può?

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Dall'Alpi a Sicilia
Dovunque è Legnano,
Ogn'uom di Ferruccio
Ha il core, ha la mano,
I bimbi d'Italia
Si chiaman Balilla,
Il suon d'ogni squilla
I Vespri suonò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Son giunchi che piegano
Le spade vendute:
Già l'Aquila d'Austria
Le penne ha perdute.
Il sangue d'Italia,
Il sangue Polacco,
Bevé, col cosacco,
Ma il cor le bruciò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

quarta-feira, julho 05, 2006

Belo hino, não acham?



É só para picar;)

Fantasias

Todos temos, pelo menos, uma pequenina fantasia, um pequeno sonho que acreditamos ser absolutamente concretizável.

Em crianças, todo o nosso mundo era um grande quadro, pintado por nós, com as cores e as formas que achávamos serem reais. Toda a nossa realidade era um desenho animado da nossa autoria. Mais tarde, começa aquela fase em que esse mundo se começa a dissipar, em que começamos a ver à nossa volta sem o filtro cor-de-rosa que vem de série com todos os seres humanos recém-nascidos. O filtro passa a ter uma cor mais neutra e, por vezes chega a tornar-se cinzento. É duro quando deixamos a infância e nos percebemos que o mundo não depende só dos nossos olhinhos pestanejudos e da vozinha melosa com que conviencíamos os papás a levar-nos ao parque infantil. Quando passamos de crianças para adultos as fantasias vão embora.

Mas nem todas.

Em adultos criamos novas fantasias (não necessariamente mais realistas) em que acreditamos piamente, pois, como já somos gente "madura", achamos que todas as projecções para o futuro são ponderadas, racionais e realistas... Estamos tão enganados...! Esses sonhos ainda são mais duros de perder, porque, na nossa consciência de pessoas adultas achamo-los reais.
Somos tão parvinhos ao achar que podemos controlar o futuro, e somos tão ingénuos por acreditar que as circunstâncias da vida e as pessoas à nossa volta são inimutáveis... As situações alteram-se e as pessoas (incluindo nós próprios) evoluem e isso implica mudança.

E o que fazer quando perdemos uma fantasia? Como reagir à inevitabilidade da imprevisibilidade? Como encarar estas agressões à nossa mania de planear e organizar o que não é programável?


Não há soluções milagrosas, até porque não há iguais maneiras de ultrapassar estas desilusões que nós próprios nos proporcionamos. Contudo, um cúmplice mas melancólico "adeus" é capaz de ser uma boa ideia.

terça-feira, julho 04, 2006

Duas obras primas de Alain Resnais



«Hiroshima Mon Amour» (1959), cujo argumento tem a autoria de Marguerite Duras, fala, como se pode calcular, da cidade japonesa afectada pela bomba atómica através da história de uma francesa e de um japonês que aí se cruzam num encontro marcante.

«Nuit et Brouillard» (1955) é um documentário de meia hora que nos leva a visitar o campo de concentração de Auschwitz, dez anos depois da libertação deste. As imagens combinadas com um texto exímio fazem-nos sentir o choque e a dor que marcam aquele local.

Duas obras unidas por constituírem retrospectivas extremamente bem elaboradas da II Guerra Mundial e por terem o mesmo realizador, que, pela amostra, parece ser excelente. Vi ambas há mais ou menos dois anos e, recentemente lembrei-me (já não sei porquê) do quanto gostei delas. Por isso, agradeço a todos os leitores que, se virem os DVDs deste filme e desta curta metragem numa loja por aí é favor avisarem e, já agora, se tiverem oportunidade, não deixem de os ver.

Filme

segunda-feira, julho 03, 2006

Pensamento do dia

Those who look outside dream.
Those who look inside awaken.

Portugal - França

França 2-0 Portugal (08-03-1978)
Portugal 0-3 França (16-02-1983)
França 3-2 Portugal (23-06-1984)
França 3-2 Portugal (25-01-1996)
Portugal 0-2 França (22-01-1997)
França 2-1 Portugal (28-06-2000)
França 4-0 Portugal (25-04-2001)

Já chateia...

Férias

Agora sim, posso começar a pensar nos meus destinos para este verão, para além dos livros e apontamentos de Análise Estatística...

Vou andar por aqui, por ali e por estas 17 cidades:


Vale a pena clicar nos links das cidades, nem que seja só pelas fotografias
.

sábado, julho 01, 2006

Frases do Dia

"O Ricardo merecia uma estátua"
(senhora portuguesa nas comemorações da vitória no Marquês para a SIC)
(Ricardo in Record)

sexta-feira, junho 30, 2006

Juliette

Juliette é uma pessoa perturbante. Quando me cruzo com ela no corredor sinto frio na espinha. Os olhos disparam sarcasmo e destilam um ódio subtil condimentado com um sorriso mortífero. Não tem a ver só comigo. Ela é assim com toda a gente, com o mundo. Concentra-se de tal maneira nos seus objectivos que esquece os outros, ou melhor, considera-os apenas inimigos potenciais, obstáculos fastidiosos.

Juliette é alta, veste-se como um homem, normalmente de escuro. Às vezes até põe gravata, uma gravata fina como o gume de uma faca. Não há qualquer fantasia ou redundância no seu vestuário. Tem umas olheiras fundas e permanentes que lhe dispensam uma pintura de guerra. São olheiras de uma incansável vigília. Juliette não pode dormir, não pode descansar, não pode deixar de calcular os passos certeiros dos sucessos que tardam. É como a corda de um violino impecavelmente afinado. Juliette tem cabelos finos, castanhos e longos. A sua face é comprida, crua e linear. Tem um perfil de Lucrécia Borgia, de aristocrata que deve descer ao mundo para afirmar a sua óbvia superioridade. Juliette é magra, mas tem uma pequena barriga porque sofre do estômago, porque lhe passa demasiada maldade pelas tripas.

Juliette é casada e tem 3 filhos. Não consigo imaginar o marido, nem o afecto que falta àquelas crianças. Devem olhar desconfiadas para essa mãe que nunca está, que foge, que fala com uns olhos de aço, que as treina para serem galgos. Já vi essas crianças. São bonitas, disciplinadas, educadíssimas, exibem um sorriso de capa de revista de puericultura. Falta-lhes só serem crianças... O marido nunca o vi, mas diria que é fundamentalmente dispensável. Pode apenas criar problemas com as suas fantasias de pai de família. Qual família ? Mais parece uma alcateia guiada por Juliette.

Juliette é um autêntico cabo de alta tensão. Quando tenta ser simpática, sai-lhe apenas um arremedo, um sorriso forçado e ambíguo de quem está a ir além do que pode. Quando tenta ser neutra, lança um olhar cortante como se estivesse iminente uma agressão física que só não sai por pudor burguês. Naturalmente, Juliette não precisa tentar ser agressiva... porque essa é a sua natureza.

quinta-feira, junho 29, 2006

A cultura do novo capitalismo

Aconselho vivamente a leitura do livro aqui ao lado. Uma análise interessante do sociólogo Richard Sennett (Professor da London School of Economics) sobre a evolução da super-estrutura cultural do capitalismo, desde a sua versão weberiana e social até à sua actual aparição, vulgarmente chamada de neo-liberal.

Fala-se do desmoronamento das instituições do capitalismo social, da hipertrofia do "eu" como "potencial" e desprovido de passado, da cisão entre poder e autoridade, do império do curto prazo e da celeridade, do declínio da "gratificação diferida". Interessantes as ideias de que o poder se exerce cada vez mais por e-mail e sem contacto "visual" entre chefe e subordinado e de que se espera que os empregados das empresas da "nova economia" se comportem como se fossem empresários no seio de burocracias com um número cada vez menor de níveis hierárquicos.

A actual meritocracia valoriza, não um conhecimento profundo de um ofício, mas a capacidade de mudar rapidamente e de se adaptar a contextos variáveis, caracterizados por relações sociais superficiais e precárias. As competências tornam-se, assim, mais intangíveis, incertas e efémeras, provocando frequentemente a "inutilidade" das pessoas. Num certo sentido, essas competências são mais democráticas, mesmo que isso signifique também mais medíocres e voláteis.

Para aguçar ainda mais o apetite ver aqui e aqui.

quarta-feira, junho 28, 2006

STOP THE REFEREE


Uma petição para travar a generosa distribuição de amarelos que caracteriza o Sr. Valentin Ivanov.

Timor: receitas (demasiado) simples para problemas complexos

in Financial Times 28.06.06:

There are two lessons to be learned from what has happened [in East Timor]. First, the international community must not rush for the exit and abandon its responsibilities as soon as it has what seems an acceptable government in place in a new or newly rebuilt nation. The UN now admits it ended its East Timor operation too soon, even though officials on the ground warned that the situation was fluid.

Second, foreign donors need to focus more attention on establishing a robust but politically neutral police force and an independent judiciary in any new nation in their care. East Timor's police, trained by several different countries with different agendas and different skills, disintegrated in the face of last month's crisis.

terça-feira, junho 27, 2006

Matteo

Matteo recebeu a bola do lado esquerdo. Estava de costas para a baliza. Com um extraordinário pontapé de bicicleta fez um golo que fez levantar o estádio numa onda de euforia. Era o golo da vitória a poucos minutos do fim. Matteo levantou-se do relvado estranhamente apático. Caminhou lentamente, cabisbaixo, para o centro do terreno. Os companheiros de equipa apressaram-se a comemorar o feito, precipitando-se sobre ele de braços abertos. Matteo ficou abafado por essa nuvem de entusiasmo. Saiu dela com uma tristeza incompreensível, voltou à sua posição de avançado-centro e correu, por dever, os breves instantes que faltavam para o apito do árbitro.

Nos balneários, continuava triste como a noite, despindo-se, tomando duche e vestindo-se de uma forma quase mecânica, com o pensamento a vaguear sabe-se lá por onde. Os companheiros respeitavam o seu recolhimento. Conheciam o feitio de Matteo, a sua melancolia logo após o sucesso e a sua raiva perante o fracasso, a sua tenacidade para fazer esquecer, o mais brevemente possivel, uma derrota com uma exibição excepcional e uma vitória. Mas, depois de cada vitória, a história repetia-se. Matteo caia naquele ostracismo misterioso. Como se o prazer da vitória se esgotasse no preciso momento da sua realização, como se Matteo fosse insaciável por vitórias e mais vitórias que o faziam imediatamente empalidecer.

Matteo era um insatisfeito, uma pessoa incapaz de tirar da vida e da sua profissão o prazer das pequenas e das grandes coisas. Estava sempre fora da alegria que tinha perseguido com tanta pertinácia. Estava sempre num futuro que nunca vinha e fora de um presente onde recusava ser feliz. Não havia elogios que bastassem para curar essa doença. De facto, considerava-os apenas vaidade, trivialidade de fracos. Apreciá-los seria obedecer à dominação do mundo. E Matteo era um mundo à parte, um indíviduo fora do mundo, incapaz de se identificar com o que quer que fosse, sózinho, altivo e arrogante, num deserto que era só dele. Pobre Matteo.

Tudo isso se manteve inalterado até ao dia em que se apaixonou. A partir daí Matteo passou a gozar as vitórias como deve ser e a desdramatizar as derrotas. Matteo passou a ser humano e a não desdenhar da felicidade como fazem os fortes, os livres e os independentes.

domingo, junho 25, 2006

Portugal Vs Holanda


Acho que nunca falei de futebol neste blog, mas alguma vez tinha de ser a primeira... Nos meus fracos conhecimentos sobre a matéria, tenho a dizer que este jogo foi extremamente mal arbitrado e violento, principalmente na segunda parte... Nunca pensei que um jogo do campeonato mundial pudesse ser tão feio.

Mas por agora calo-me porque ninguém quer saber de mais nada senão do resultado, e com razão, porque, com todas as emoções fortes por que passou quem vibra com futebol, Portugal está nos quartos-de-final!

sexta-feira, junho 23, 2006

Abertura ou Preconceito?

Photobucket - Video and Image Hosting

Antes de começar, quero deixar bem claro (para os mais susceptíveis) que me considero de mente extremamente aberta e sem preconceitos… Tenho amigos de todas as orientações sexuais, raças e credos e não é por serem diferentes de mim que lhes dou menos respeito. Aliás, recorrendo a um pequeno cliché: É na diferença que está a piada do mundo. Se quiserem verifiquem aqui, aqui e aqui.

Já me deparei com muitíssimas situações em que a linha entre mentes liberais e mentes preconceituosas é muito ténue. Tão ténue que ambas não se distinguem.

A verdade é que quando existem grupos que foram ou são alvo de preconceito, os seus membros acabam, sem se aperceberem, por ficar tão ou mais preconceituosos que aqueles que os marginalizam. Isso já aconteceu e ainda se vai verificando com negros… Lembro-me de andar na escola, no 7º ou 8º ano e de um colega angolano culpar a professora por lhe ter dado negativa num teste, argumentando que a razão dessa nota era simplesmente devida à cor da sua pele. Isto quando, qualquer pessoa que visse o seu desempenho no dito teste veria que estava objectivamente fraco. É estranho eu ainda me recordar deste episódio, mas a verdade é que me marcou, porque foi o primeiro contacto que tive com aquilo a que chamo o “preconceito do preconceito”, aquilo que muitos dizem que é “mania da perseguição” ou “discriminação positiva”. Para mim, a atitude deste meu colega foi extremamente preconceituosa em relação à professora, pois já estava a apelidá-la de racista por lhe dar uma negativa.

O que vejo quase diariamente nos dias de hoje não se prende tanto com preconceitos racistas mas sim com homofobia… Não se pode adjectivar nada como “paneleiro”, “gay” e afins que já se é homofóbico. Este termo hoje em dia está muito na moda… Fazem-se verdadeiras manifestações de repudia quando alguém diz na brincadeira que dada peça de roupa é “muito gay” ou quando se diz que “o último a chegar é paneleiro”, etc, etc, etc… Faz-me lembrar aquelas situações em que dizer que alguém é preto é considerado pejorativo. Ora, qual é o problema de dizer que fulano é preto e sicrano é branco???

Há uns dias, por exemplo, estava num café e chegou um amigo meu (por sinal também com grande abertura de espírito) a descrever a atitude de um homem com quem se tinha cruzado apelidando a sua atitude de “abichanada”. Imediatamente um outro tipo, que ouviu a conversa e se sentiu “ferido” se levantou indignadamente e saiu do café, como se o meu amigo fosse um bárbaro preconceituoso. Nesta situação, coloco a seguinte questão: quem é que é aqui o preconceituoso? O meu amigo que estava, naturalmente a contar uma história cómica ou o jovem que se levantou a achar que o meu amigo era homofóbico?

Quem me conhece sabe perfeitamente que odeio preconceitos, venham eles de onde vierem… E estas situações já cansam, porque quando os argumentos são utilizados por tudo e por nada perdem qualquer razão e coerência. E quem perde com isso são os grupos que suscitam (infelizmente) preconceitos.

quarta-feira, junho 21, 2006

Exames

Como já devem ter reparado, a minha actividade neste blog tem vindo a decrescer graças àquelas coisas que acontecem no fim de cada semestre e que toda a gente recebe com grande falta de vontade...
Já se foram dois exames em três dias e ainda faltam outros três que me ocuparão a semana que vem, portanto, a minha grande vontade é fazer isto.
Até lá, quando não estiver a estudar, estarei com o pensamento aqui...

terça-feira, junho 20, 2006

Sandra

Sandra é uma moça muito bonita. Bonita como uma estátua de deusa grega feita de mármore imaculado. Tem cabelos longos, castanhos claros e encaracolados. Tem um corpo esbelto e caminha como se planasse sobre um lago de águas azuis e tranquilas. Gosta de sorrir como se estivesse num palco a recitar poesia perante espectadores anónimos e exigentes. Tem uma cor escura do sol do Sul que o inverno do Norte não consegue roubar.

Sandra é arquitecta, tem um sentido estético apurado, gosta de formas equilibradas e de combinações doces. Na sua face subsistem os traços de menina mimada a quem quase tudo era devido. Quando está sozinha a tomar café, no bar por baixo de sua casa, solta-se-lhe uma tristeza subtil e elegante. Olha para um longe que não existe à procura de uma tranquilidade que desapareceu, e uma sombra percorre-lhe os olhos. Tentou crescer e custa-lhe admitir que a vida não seja tão geométrica como os edifícios que aprendeu a desenhar, tão cândida como as pinturas de paisagens bucólicas que cobriam as paredes da casa paterna.

Sandra passa de raspão pelas pessoas, por todas as pessoas, não lhes toca, nem sequer com as palavras de circunstância em que é perita. Acho que, na verdade, tem medo das pessoas, tem medo de arriscar a sua caríssima liberdade que lhe dá segurança e solidão. Uma solidão que é uma espécie de envelope que a protege, mantendo-a, porém, parada na vida, à espera do que nunca aceitará. Sandra parece uma princesa que precisa de companhia para existir. Não precisa de amigos ou de amantes. Precisa de companhia, de um cão de raça, dócil e bonito que, no entanto, nunca será suficiente para lhe curar a melancolia.

Sandra está perdida como um passarinho a quem disseram que tinha de voar e que nunca conseguiu largar o ninho que lhe cresceu na cabeça.

domingo, junho 18, 2006

Inquérito Publico.pt

(Clicar na imagem para aumentar)

Agora não me venham dizer que as televisões só passam o que as pessoas querem ver...

sábado, junho 17, 2006

A Economia de roupão, a banhos

Louvado seja Deus... Ele há cada um!

Então não é que o despenteado mental aqui ao lado, em postura de menino mimado a gozar de prazeres balneares, disse que "Portugal se atrasou dez anos, tem os salários demasiado altos e não soube aproveitar o Euro, e agora corre o risco de não recuperar, a menos que as reformas sejam feitas em coordenação com o sistema financeiro".

O que é mais incrível é que ainda haja jornais, como o decadente "Expresso", que concedam importância a tão demente personagem, ao ponto de apresentar os seus desvarios na primeira página.

É preciso desaforo...

quinta-feira, junho 15, 2006

Nova melga amiga

Mais uma que se junta à lista das melgas amigas... Desta vez é o blog Zara but Ana.

Um local a visitar na blogosfera!

Que grande alegria!

via: Blogotinha

quarta-feira, junho 14, 2006

A agulha

Era uma vez uma agulha que perfurava vezes sem conta buracos apertados, nos mais diversos tecidos, transportando linhas das mais variadas cores e espessuras. Nos tecidos mais grossos e obstinados, a dita penetração tornava-se mais difícil, mas, com perícia e algum esforço, tudo se fazia... Era uma beleza perfurar os panos de melhor qualidade, tão maleáveis e amigos da agulha, orgulhosa do seu brilho, imune à mais insignificante oxidação. Era feita de um aço de finíssima qualidade. Remendava, cozia, pespontava, caseava, cerzia... sem tréguas nem descanso. Fazia magnificas acrobacias, guiada pela mão ágil dos artistas da costura, ficando com a cabeça e, sobretudo, com o cu às avessas (o famoso e estreitíssimo “cu da agulha”...). Na realidade, o trabalho era de equipa, implicando um diálogo especial entre o instrumento e o timoneiro do instrumento. Às vezes, a agulha castigava a falta de talento ou distracção dos costureiros, entrando-lhes pelos dedos adentro, do que resultavam esguichos de sangue e impropérios indizíveis. Iradas com tal acrimónia, as vítimas atiravam a agulha para longe. Mas, a seguir, passavam longos minutos à sua procura nos sítios mais rebuscados que, porém, não chegavam ao insólito de um palheiro, pelo que, se evitava o extremo proverbial de “procurar uma agulha num palheiro”. Seria, de qualquer modo, um lugar impróprio para tão nobre agulha...

A agulha passava dias inteiros a entrar em buracos e a sair de buracos, a perder-se em labirintos de fibras naturais ou artificiais, a carregar linhas mais ou menos pesadas e caprichosas, a suportar o suor das mãos dos costureiros, a perceber, pela suavidade ou rispidez dos gestos, a sua pressa ou o estado da sua alma. A agulha continuava, incansável, a realizar a missão para a qual tinha sido criada, a fazer de ferramenta das mais diversas obras, algumas seguramente belas, outras apenas rotina. Era exactamente isso que a entristecia. Isto é: conhecia o detalhe da perfuração, a rigidez do tecido, a cor e espessura da linha, a microscópica arquitectura da obra, mas nunca tinha acesso à visão global do trabalho efectuado. Nunca ninguém a tinha elevado acima do tecido, no final da obra, para lhe mostrar o resultado para o qual tinha contribuído de forma tão decisiva. Ao fim do dia, era simplesmente atirada com displicência para a caixa de costura onde se misturava com outras agulhas, linhas, botões, tesouras e outros objectos anónimos de que também é feita a arte de costurar.

E se um dia um artífice simpático a deixasse ver, bem do alto, como eram as peças de tecido, antes e depois da sua intervenção, como tinha sido importante o seu esforço para reparar peças de roupa, para reconstruir os mais diversos tecidos, para unir retalhos díspares de modo a criar novas criaturas do fantástico mundo têxtil?

E se nos deixassem ver claramente, sem cosmética, the big picture para a qual andamos todos a contribuir, quase sempre às cegas, cada um no seu canto, convencidos de importâncias e de prioridades, no fim de contas, duvidosas? O problema é que não se vislumbra nenhum “artífice simpático”...