domingo, dezembro 25, 2005
Ah Benfica!
Um bom filme

"Corpse Bride", um filme de animação não feito a pensar em crianças. Em termos musicais é bastante bom e o próprio conceito da história não fica atrás, para não referir os próprios desenhos. É um filme que une, mais uma vez, a fantástica dupla de filmes como "Edward Scissorhands", "Sleepy Hollow", "Big Fish" ou "Charlie and the Chocolate Factory", ou seja, a realização de Tim Burton, com a participação de Johnny Depp, desta vez como voz do protagonista.
Era uma vez dois jovens que não se conheciam e entre os quais os respectivos pais arranjaram casamento: Victor e Victoria, mal se vêem apaixonam-se e acabam por desejar passar a vida lado a lado. No ensaio para o casamento, o noivo esquece-se dos votos que tem de proferir no dia seguinte e é mandado decorá-los. Assim, vai para o meio da floresta treinar, até que os consegue dizer com um sentimento e uma entoação perfeitos... O problema é que há alguém que os recebe, nada mais nada menos que um cadáver.
Mais não vou contar, como é óbvio... A única coisa que tenho a apontar é que o final da história foi, para mim, infelizmente imprevisível, pois já estava à espera de um certo desenlace que depois não se verificou.
De qualquer forma, a minha opinião global é positiva. Vão ver.
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Em véspera de véspera...

Desencontro
numa real eternidade,
sem anjos nem demónios,
olhando o rio que passa
juncado de flores vermelhas.
Parado numa estrada sem fim
à espera de um socorro desnecessário,
ouvindo apenas o vento misturado com uma chuva de desejos.
Perto de ti num planeta imaginário
onde não posso ir
(onde não quero ir)
por não saber regressar,
com medo de me perder da minha cara perdição.
Prendas de Natal
"Os presentes de Natal para as mulheres norte-americanas incluem este ano propostas tão surpreendentes como um nariz novo, um peito mais generoso ou, num registo mais ousado, uma 'reconstrução vaginal' e até uma nova virgindade. 'As mulheres recebem cada vez mais dos maridos, como presente, um envelope com um vale para pagar uma consulta ou uma operação de cirurgia estéctica há muito sonhada'. (...) 'As reconstruções do himen ou da vagina são particularmente pedidas (...). [Alguns maridos] fantasiam com a ideia de ter relações com uma virgem, ou porque depois de vários partos, e com a idade a avançar, precisam de apertar as paredes vaginais para sentir mais prazer e dar mais ao parceiro' (...). Os anuncios deste tipo de operação, que custa cerca de 1700 euros são directos: 'ofereça novas sensações à sua parceira, aumente as suas zonas erógenas, desenvolva o seu ponto G'".
Darwin ou Jeová
quinta-feira, dezembro 22, 2005
BIOPOLÍTICA
A inspiração desta elocubração subversiva (!) veio-me do livro "Império", escrito por Michael Hardt e Antonio Negri. Leiam. Leiam também e sobretudo "Ética" de Espinoza (porque o bem e o mal contam). Faz bem. Areja as ideias. Faz pensar diferente e dá energia para percorrer o caminho da felicidade, concebida como sabedoria que conduz ao conhecimento dos afectos e à Alegria. Que conduz ao espírito positivo, não ao cinismo nem à revolta estúpida e violenta de que saem queimados os próprios revoltosos bem como inocentes que se encontram no sítio errado à hora errada. E que se lixe o Nietzsche que dizia que a felicidade é um projecto dos fracos. A gente sabe o que fizeram e continuam a fazer os "fortes"...
Feliz Natal (não estavam à espera desta cedência ao sistema!...). As contradições não antagónicas (Marx dixit) são inerentes à dialéctica da vida.
;-)
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Soares, Cavaco, Alegre e os outros
O debate de ontem confirmou plenamente os perfis dos beligerantes. Soares procurou incansavelmente o confronto, a cacetada. Ele é bom nisso. Gosta da picardia, do embate olhos nos olhos a raiar o insulto. Soares tem a eloquência e a frase certeira para ganhar nesse tabuleiro. Contudo, precisa de incomodar o adversário, de lhe tocar no nervo. E foi precisamente isso que Cavaco evitou com eficácia, refugiando-se no seu discurso habitual, técnico, pragmático, positivo e, sobretudo, enfadonho. Cavaco continua a falar como um executivo, não como um Presidente. Mas, dessa maneira, não entra na armadilha de Soares que saiu frustrado por não ter quebrado o gêlo de Cavaco e não o ter feito perder o controlo e cometer "gaffes".
Fiquei impressionado quando, na sua dissertação final, Cavaco se dirigiu às pessoas que "têm a sua vida organizada" e que, portanto, pensam, não tanto nos seus próprios problemas, mas nos dos filhos. Penso que nesta frase está a descrição dele mesmo, Cavaco. Cavaco poderá ter uma "vida organizada" de pequeno-burguês, mas privilegiar, enquanto alvos do seu discurso, os portugueses e portuguesas que têm a "vida organizada" parece-me revelador da sua estatura social e política e quase insultuoso para os milhares de cidadãos que não têm uma "vida organizada", que sofrem de desemprego ou de precaridade, que vivem de reformas miseráveis. Esta foi para mim a "gaffe" de Cavaco que ele próprio produziu, sem ser arrastado pela cacetada histérica de Soares, porque corresponde à substância da sua candidatura e da sua pessoa.
II
Dado que o Presidente decide pouco, tem uma função essencialmente representativa (decorativa do sistema político), não precisa de ser competente, de conhecer a fundo "dossiers" técnicos. O PR deve ser uma referência moral, um moderador com convicções. Deve ser uma boa pessoa, uma reserva de inocência e de utopia. Para tudo o resto de que é feita a política (calculismo, negociação, conflito, decisões técnicas, luta por e contra certos interesses, etc.) lá estão o Primeiro-ministro e o executivo. O PR deve formar consensos em torno da Nação, transmitir valores positivos, compensar o cinismo ambiente com uma postura mais afectiva e ética. Tudo isto me leva a um nome: ALEGRE.
Alegre tem ainda uma outra vantagem. Fractura saudavelmente o PS em dois: o do socialismo e o do oportunismo e da subserviência. Alegre poderá ter a aritmética suficiente para passar à 2a. volta e permitir a derrota de Cavaco e, ao mesmo tempo, a do totalitarismo soarista. É a aritmética eleitoral que fragiliza as outras duas candidaturas de esquerda e que faz com que os seus votos, apesar de absolutamente respeitáveis e pertinentes, sejam menos úteis do que o voto em Alegre. A reflectir... Honestamente ainda não decidi em quem voto!
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Timóteo
Timóteo era um gato que se divertia a passear de telhado em telhado. Dali observava o frenesim da cidade e o colorido das casas e da vida que existia dentro delas. No 2o. andar do No. 20 da Rua das Generosas vivia a Senhora Inácia. Era uma deliciosa velhota, redonda como um alguidar, que lhe oferecia espinhas tenras de peixes baratos. Senhora Inácia customava ter à janela uma gaiola com um periquito anafado que cantava o dia inteiro. O pássaro era uma insolente tentação, muito melhor do que todas as espinhas tenras. Mas, a robustez da gaiola e os olhos doces de Senhora Inácia dissuadiam Timóteo de qualquer malvadez. Senhora Inácia vivia quase sempre sózinha. De vez em quando, aparecia um padre à moda antiga, com uma longa batina preta encimada por um colar branco, muito apertado no pescoço. Diziam que era o filho. Trazia-lhe sempre santinhos de cores estridentes que se espalhavam pelas paredes e por cima dos móveis. Não ficava muito tempo porque outras almas esperavam impacientemente a sua consolação. Estranhamente, o periquito deixava de cantar quando aparecia o filho da Senhora Inácia. Mal saía o padre, o periquito desatava numa berraria infernal. Depois, cansado, retomava a lenga-lenga do costume, seguro do seu lugar na rotina do 2o. andar do No. 20 da Rua das Generosas.No prédio em frente vivia Sandra, uma bela rapariga de 20 anos, com cabelos longos e contornos fulminantes. Trocava frequentemente o dia com a noite e não dava descanso aos vizinhos com a música que punha a girar. Vivia também ela sózinha, mas era visitada, de vez em quando, por amigos que não vestiam longas batinas pretas encimadas por colares brancos. O maior prazer de Timóteo era o de ser acariciado por Sandra. As mãos dela desapareciam no mais fundo do seu pêlo iriçado. Algumas vezes, encostava o focinho à pele alva e esférica do peito de Sandra. Timóteo passou a identificar o paraíso de uma das suas sete vidas com aquela candura. Sandra não pousava os pés nas pedras da rua. Simplesmente flutuava. Era um fantasma de tantos desejos, a prova de que a tentação pode voar para lá da imaginação. O segredo da sua graciosidade residia em comportar-se como se não soubesse que era assim, que suscitava emoções tão intensas. Disso resultava uma inocência ambígua, quase insuportável. Só Timóteo tinha o privilégio de aceder às revelações do seu íntimo. As visitas à casa de Sandra eram uma peregrinação que se tornara quase obsessiva. Timóteo tinha pesadelos nos quais assistia desgraçadamente à partida de Sandra do bairro. Acordava alagado em suor e só tinha descanso depois de confirmar – altas horas da noite – que Sandra tinha a luz do seu quarto acesa por trás das cortinas encarnadas. Os dias íam correndo como se o presente fosse um futuro sem sombras. Timóteo saltava de telhado em telhado, olhando o mundo lá do alto. Senhora Inácia envelhecia tranquilamente no meio de espinhas tenras de peixes baratos, embalada pelo canto do periquito e cada vez mais afogada nos santinhos que o filho lhe trazia. Sandra perdia-se no seu fascínio e Timóteo temia acima de tudo que partisse.
Um dia, o padre foi a casa de Sandra. Por ali ficou, por trás das cortinas encarnadas, três dias e três noites. Sabe Deus que sobressaltos redimiram. Dali saiu, sem a longa batina preta, de mãos dadas com Sandra. A felicidade pingava dos seus rostos e Timóteo ficou triste e perdido como o mais traído dos amantes. Pensou em abandonar aqueles telhados. Chegou mesmo a admitir a possibilidade de pôr termo a uma das suas sete vidas. Por fim, resignou-se. De vez em quando, punha-se a olhar para a janela de cortinas encarnadas que já lá não estavam e parecia-lhe ver o vulto sinuoso de Sandra a dançar ao som de uma daquelas músicas quentes de que tanto gostava. Mas, agora vivia lá um viúvo, reformado dos caminhos de ferro, que acabou por se juntar à Senhora Inácia para a ajudar a tratar dos móveis, dos santinhos e do periquito.
Anos depois, Sandra voltou toda vestida de negro, um fantasma da beleza de outrora, rugas cavadas numa pele de rosa murcha. Foi viver na casa de sempre, sem as cortinas encarnadas. Foi-se tornando redonda como um alguidar. Voltou a acariciar Timóteo, mas as suas mãos eram agora pesadas, tão pesadas como a melancolia dos seus olhos. O padre tinha sido pendurado a preto e branco na parede, de fronte à janela, sem as cortinas encarnadas, por onde entrava Timóteo. Vestia uma camisa às riscas com o colarinho escancarado no pescoço. Senhora Inácia e o reformado dos caminhos de ferro morreram numa certa noite, extenuados. Foram encontrados nús sobre a cama com um leve sorriso nos lábios. Timóteo e Sandra resignaram-se até ao fim.
Prof. Louçã
No fundo, o Prof. Louçã e a sua agremiação são úteis porque mobilizam uma franja do eleitorado (isto é, uma certa pequena burguesia urbana e jovens universitários com pretensões intelectuais) que não se reconhece no PS nem no PCP.
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Golden boy
O debate Soares-Alegre
O debate de ontem entre Soares e Alegre foi preocupante, principalmente, pelas seguintes razões:Ambos os candidatos revelaram uma confrangedora (e talvez inesperada) ignorância relativamente a temas fundamentais da nossa sociedade. Houve momentos quase hilariantes de confusão e de "conversa de café". Alegre não sabe o que é o "pensamento estratégico", diz que o TGV entre Lisboa e Porto será muito caro e terá muitas paragens. Soares mete os pés pelas mãos em relação às privatizações, não sabe o que é que, no sector eléctrico, é público e privado, diz que precisa de estudar (!) os dossiers antes de se pronunciar sobre a Ota, defende com unhas e dentes os políticos. A ingenuidade de Alegre veio ao de cima. A experiência e a habilidade de Soares para a resposta caceteira foram mais uma vez evidentes.
Ambos reconheceram a substancial incapacidade do Presidente da Républica para resolver o que quer que seja, a tal ponto, que os eleitores se podem perguntar porque diabo é que são chamados a votar numa figura quase só decorativa. A única arma efectiva de poder será a "bomba atómica" da dissolução que ambos prometem não utilizar, salvo em circunstâncias verdadeiramente excepcionais, em nome da estabilidade e da legitimidade democrática. Confessaram não poder lutar contra o desemprego, não poder resolver o estado caótico da justiça, etc., etc. porque tudo isso é da competência do Governo. Podem vetar leis mas, em caso de maioria absoluta no Parlamento, essas mesmas leis podem acabar por ser ratificadas. Aparentemente, a única coisa que o Presidente pode fazer é conversar com a malta, pedir ao Primeiro-Ministro para se comportar como deve ser, percorrer o país a distribuir sorrisos, coragem e boas intenções, representar o país no estrangeiro, efectuando viagens a sítios mais ou menos exóticos, à custa do erário público, porque o interesse nacional a isso "obriga".
Outra consequência do debate é o facto de Cavaco, apesar de tudo, sair mais credibilizado por não se envolver em tricas partidárias e por demonstrar um conhecimento mais técnico e estruturado dos problemas. Acho que Cavaco foi o vencedor do debate de ontem... infelizmente!quarta-feira, dezembro 14, 2005
Match point
http://www.tfmdistribution.com/matchpoint/home_flash.html
Discriminação positiva

Ao longo da história, as mulheres têm sido profundamente prejudicadas, designadamente, do ponto de vista social e econòmico. No meio laboral, em geral, ocupam posições inferiores às dos homens, recebem salários mais baixos para executar tarefas idênticas, são vítimas de várias formas de marginalização e de violência, a sua posição de mães não é justamente contemplada nos contratos de trabalho ou respeitada pelas entidades patronais. Existem estatísticas abundantes que ilustram a dimensão destes problemas, dando, porém, uma pálida ideia dos dramas que as mulheres, por vezes, têm de enfrentar.Dada a crescente sensibilidade de variadas correntes de opinião em relação à situação descrita, tem-se desenvolvido um movimento a favor da sua correcção. Os direitos das mulheres passaram a pertencer ao universo das causas politicamente correctas, a par de muitas outras (a homosexualidade, o combate ao tabagismo, a ecologia, etc.) que revelam um desejo de evolução da Humanidade no sentido do progresso, da igualdade, dos direitos humanos e da qualidade de vida. [A defesa de "micro-causas" (aliás, absolutamente respeitáveis...) passou a ser um escape à ausência de um paradigma alternativo ao neo-liberalismo. Que o diga o Prof. Francisco Louçã...]
Um dos conceitos que tem inspirado medidas concretas para rectificar a situação das mulheres é o de "discriminação positiva" (DP), de resto, também aplicado em vários outros contextos, como por exemplo, o da defesa dos direitos dos negros nos Estados Unidos. A DP consiste em favorecer, particularmente, todas as vítimas de discriminação (negativa) no acesso a determinadas posições ou benefícios sociais. Por exemplo, a criação de um contingente mínimo para estudantes de raça negra nas universidades americanas, o acesso privilegiado de certas minorias a habitações de renda económica, a prioridade dos reformados na utilização de certos serviços colectivos, são medidas de DP.
Quanto às mulheres, a DP consiste, por exemplo, em facilitar-lhes a promoção profissional, o acesso a cargos de chefia, a flexibilização dos horários de trabalho para permitir a conciliação da vida familiar com a vida laboral. Neste domínio, a igualdade também pode passar pelo direito dos homens a ficar em casa durante um certo período após o nascimento dos filhos, permitindo a continuação do trabalho das mulheres e dividindo melhor as responsabilidades nos primeiros anos de vida dos filhos. Há organizações que consideram a percentagem de mulheres em lugares de chefia como um indicador de performance social, cuja melhoria se espera que conduza a uma maior popularidade e "correcção social" dessas mesmas organizações.
Para bem das próprias mulheres, porém, a DP não pode significar favorecê-las, especificamente, em situações em que sejam claramente inferiores, não por serem mulheres, mas de acordo com critérios objectivos. Explico-me. Se se escolhe uma mulher, só por causa do seu sexo, para ocupar um lugar de responsabilidade para o qual manifestamente não tem aptidões, em detrimento de um homem claramente mais competente, não se estará a prestar um bom serviço à causa das mulheres. A previsível má prestação dessa pessoa no cargo só descredibilizará o critério através do qual foi seleccionada (isto é, a DP), provocará mal-estar, chacota, talvez mesmo rancor, ineficiência. A DP deve traduzir-se na preferência de uma mulher apenas no caso de igualdade em relação a outros critérios objectivos de avaliação. Naturalmente, se a mulher for simplemsente superior, a sua escolha deve ser automática, sem ser necessário invocar a DP. Em suma, a DP não pode significar injustiça de sinal contrário. A injustiça não se combate com a injustiça, mas através, tão somente, da defesa da justiça.
"Quem sabe?
Talvez o super-homem venha nos salvar
Mudando como um deus o rumo da história
Por causa da mulher..."
(Gilberto Gil)
Telemóveis para cães
O telemóvel para cães vai ser posto à venda, a partir de Março, nos Estados Unidos A companhia americana PetsMobility vai lançar, em Março, o Pet Cell, primeiro telemóvel para cães. O objectivo consiste nos donos poderem falar com os animais a qualquer momento, como se estivessem junto deles. A ideia partiu do norte–americano Cameron Robb quando, numa convenção, reparou que um dos assistentes, com quem partilhava o quarto, falava com o seu cão por telefone, isto enquanto a mulher segurava o auscultador junto à orelha do animal. O novo telefone custa entre 300 e 350 euros, tem a forma de osso e usa- –se na coleira do animal. É resistente ao choque e à água, tem o seu próprio número e trabalha com as redes habituais de telemóvel. Uma das particularidades do Pet Cell é o GeoFence (cerca geográfica), no qual os donos impõem limites geográficos aos animais e são avisados se estes os passam. No caso do cão se perder, o telemóvel vem com um dispositivo GPS, para localizar o animal, e com três botões, que permitem chamar o dono, no caso de alguém encontrar o canídeo na rua.
(...)
O PetCell surge como uma invenção que pode combinar com o tradutor de latidos. Esta criação, designada de Bowlingual, foi criada em 2004 pela empresa japonesa Takara, que afirma conseguir traduzir os latidos dos cães para linguagem humana. O instrumento consiste num microfone de oito centímetros, que se coloca na coleira do cão e transmite os sons para uma consola do tamanho de uma mão, ligada a uma base de dados. A consola classifica os latidos em seis categorias: alegria, tristeza, frustração, ira, indiferença ou desejo, traduzindo o estado emocional do animal em frases comuns.
Divagações filosóficas
Assim, todos procuramos coisas diferentes (não necessariamente opostas, podendo mesmo ser complementares) na sociedade em que estamos inseridos, todos a tentamos transformar segundo a nossa ideologia e plano e, é importante referir, não certos ou errados. Então, embora a maioria das pessoas se reveja mais nas sociedades democráticas (para exemplificar), a forma como estas são postas em prática/encaradas, depende da visão de cada um, de cada ser social. Deste modo, como podemos garantir a coesão de qualquer sistema social? Como podemos afirmar que existe (ou alguma vez pode existir) uma ORDEM social, na plena acepção do termo?
Concluindo, o (des) equilíbrio de qualquer sociedade não se fundará na sua própria e inevitável desordem? As sociedades a que chamamos democráticas, ou mesmo ditatoriais, não serão, na prática, anárquicas?
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Desejo

Só queria estar de mochila às costas, preparada para subir para o comboio, antevendo a semana que me espera.
Só queria partir para lá só com quem e o que pus na mochila que carrego.
Petição por uma chapadinha
Apelo a todos os cidadãos de boa vontade, que sejam sensíveis ao drama de um ancião que precisa de ganhar umas eleições presidenciais, que tem saudades dos tempos em que fazia história, em que lutava contra perigos "reais" como o dos comunistas da Marinha Grande, que gostaria de continuar a armar-se em vítima para suscitar a comiseração e a fraternidade de um grande número de eleitores, escandalizados com o desaforo de uma alcateia de excluidos do regime que não respeitam as cãs da democracia, a ordem e o civismo.Apela-se a todos esses cidadãos, gratos pelos serviços prestados à Pátria por um homem que lutou com o mesmo ardor contra todos os totalitarismos, de direita e de esquerda, de cima e de baixo, que defendeu a integração europeia com unhas e dentes, como um verdadeiro projecto de futuro, que se manteve fiel ao seu auto-proclamado estatuto republicano, laico e socialista, que nunca defendeu cliques, lobbies ou interesses, que nunca se rodeou de nenhuma corte ou mordomia, que nunca seguiu outra coisa senão o seu EGO (perdão!...), a sua consciência.
Apela-se a todos esses cidadãos de boa estirpe que dêem uma bela CHAPADINHA, subtil, carinhosa e suave, nas proverbiais bochechas do candidato para que, no dia seguinte, todos os outros candidatos e o povo, em uníssono, lhe manifestem a mais profunda simpatia e solidariedade.
Dessa maneira, se erguerá um vasto e diversificado movimento de apoio que desaguará numa clamorosa vitória por maioria absoluta, logo na primeira volta, destronando o seráfico Cavaco de todas as eufóricas sondagens que por aí pululam, e remetendo o Alegre ao lugar que lhe compete, o de eterno poeta revoltado.
Venha de lá essa CHAPADINHA...
Quand on n'a que l'amour
A s'offrir en partage
Au jour du grand voyage
Qu'est notre grand amour
Quand on n'a que l'amour
Mon amour toi et moi
Pour qu'éclatent de joie
Chaque heure et chaque jour
Quand on n'a que l'amour
Pour vivre nos promesses
Sans nulle autre richesse
Que d'y croire toujours
Quand on n'a que l'amour
Pour meubler de merveilles
Et couvrir de soleil
La laideur des faubourgs
Quand on n'a que l'amour
Pour unique raison
Pour unique chanson
Et unique secours
Quand on n'a que l'amour
Pour habiller matin
Pauvres et malandrins
De manteaux de velours
Quand on n'a que l'amour
A offrir en prière
Pour les maux de la terre
En simple troubadour
Quand on n'a que l'amour
A offrir à ceux-là
Dont l'unique combat
Est de chercher le jour
Quand on n'a que l'amour
Pour tracer un chemin
Et forcer le destin
A chaque carrefour
Quand on n'a que l'amour
Pour parler aux canons
Et rien qu'une chanson
Pour convaincre un tambour
Alors sans avoir rien
Que la force d'aimer
Nous aurons dans nos mains,
Amis le monde entier
Não resisti
Em tempo de campanha, aqui vai a definição de ELEIÇÃO:
An "election" is the process during which a candidate for running the country is "chosen" by the public. The public "votes" for their most favoured candidate, but this is merely a huge farce - the real result is determined by a treasure hunt based in Liverpool and spanning the entire of Great Britain and Freddy Mercury.
domingo, dezembro 11, 2005
Pequena burguesia
Li este fim de semana o livro representado aqui ao lado. Trata-se de uma síntese interessante da história e da sociedade alemãs, propondo uma chave de leitura (para mim) original para o pior do que se tem passado naquele país. Em resumo, o mal terá sido provocado pela pequena burguesia, criada no seio das pequenas cidades onde as pessoas se protegiam da Peste Negra no século XIV, e reforçada nessas mesmas pequenas cidades depois da Paz de Vestefália que pôs fim à Guerra dos 30 Anos em 1648.A pequena burguesia alemã, odiada por Nietzcshe, é acusada de tacanhez, de conservadorismo, de gostar acima de tudo dos pequenos privilégios, da protecção corporativa, de desconfiar de tudo o que é moderno, exterior e diferente e de ser anti-semita, de enaltecer cegamente a autoridade, a propriedade e a família. Essa pequena burguesia ama o "pequeno" conforto, a estabilidade hipócrita, a segurança, o respeito da moral, das hierarquias e das normas. A pequena burguesia vive angustiada com medo de tantas coisas: do futuro, da mudança, da intranquilidade, do crime, da doença.
Foi essa classe que apoiou o expansionismo do Imperador que resultou na I Guerra Mundial. Foi ela que, profundamente desiludida e prejudicada durante o período que se seguiu à Guerra (nomeadamente, com a Républica de Weimar) se colocou nos braços do Nacional-socialismo constituindo, de facto, a sua base social de apoio. É essa mesma classe que, na Alemanha de Leste, aturdida pela ruptura do "equilíbrio" da RDA, onde era rainha e senhora, desconfia de tudo o que é estrangeiro e assiste impávida, para não dizer contente, aos ataques incendiários a residências de imigrantes e refugiados políticos. É essa classe, habituada a protecções de natureza profissional (uma lei que reintroduziu as velhas corporações de artesãos foi aprovada pelo Bundestag após a II Guerra Mundial, durante o governo de Adenauer), ciosa de regulamentos que salvaguardam a sua tranquilidade medíocre, é essa classe que se revolta contra as reformas necessárias ao desbloqueamento da proverbial, mas obsoleta, "economia social de mercado", uma espécie de bolsa de interesses e de tráficos, levada ao extremo da corrupção por Helmut Kohl. Já diziam Marx e Engels no Manifesto Comunista: "A classe dos pequenos-burgueses, legada pelo século XIV e que, a partir dessa altura, renasce sem cessar sob formas diversas, constitui na Alemanha a verdadeira base social da ordem estabelecida".
Mas que classe é esta? É um grupo numeroso, maioritário que se situa entre o proletariado e a grande burguesia. Esta última controla o poder económico e financeiro e, por consequência, tendencialmente, todos os outros poderes. O proletariado não é, actualmente, um conceito vazio ou uma realidade caduca. Hoje, essa classe aumenta de novo, alimentando-se de milhares de trabalhadores precários que trabalham nos serviços e na indústria, muitos deles "working poors" (sabiam que em França muitos sem-abrigo são empregados?). Seja como for, a pequena burguesia foi reforçada pelo crescimento económico do pós-guerra (na Europa) e pela expansão que se verificou após a Revolução (em Portugal).
Essa classe, cheia de tiques e manias, para caricaturar a descrição de Johannes Willms, representa um imenso centro, volátil e, por vezes, caprichoso, que ganha eleições e que, portanto, é cobiçado por todos os partidos da esquerda e da direita que, assim, caem numa não-ideologia, numa mensagem "à la carte", num discurso falacioso de interesse geral e de prosperidade para todos. A pequena burguesia odeia o conflito e os partidos que lhe cantam a canção do bandido também, ou pelo menos, disso fazem de conta. Romantizam o consenso. A pequena burguesia é o alicerce da estabilidade, mas reage muito mal quando lhe apertam os calos, fazendo valer todo o tipo de interesses imediatos e de prerrogativas.
Temo que, para o melhor e para o pior, sejamos (quase) todos pequeno-burgueses ou pretendentes a pequeno-burgueses: médicos, enfermeiros, professores, empregados de comércio, advogados e juizes, pequenos comerciantes, industriais e agricultores, empregados bancários, funcionários judiciais, etc., etc.. Cada uma destas corporações tem as suas afinidades, angústias e "legítimas" reivindicações em relação à partilha do bolo social.
Uma putativa lucidez, inspirada por um livro heterodoxo sobre a Alemanha, levou-me, por caminhos ínvios, a tirar conclusões que não são certamente politicamente correctas...
Prémios Inimigo Público
Pela segunda vez desde a sua fundação, O INIMIGO PÚBLICO vai distinguir as personalidades/acontecimentos nacionais que durante o ano se destacaram nas páginas deste jornal.
Mas, num ano em que os portugueses foram diversas vezes chamados às urnas para decidir o destino da Nação, não tínhamos, infelizmente, como evitar uma democratização deste processo. Assim, e durante um mês, os leitores do INIMIGO estão convocados para decidir quem merece ser premiado.
sábado, dezembro 10, 2005
"Nunca tive consultor de imagem" ...
sexta-feira, dezembro 09, 2005
2005 - As Minhas Opiniões
Filme: “In My Country” , John Boorman
CD: “Piece by piece”, Katie Melua
Livro: “Anjos e Demónios”, Dan Brown
Programa de Televisão: “Estes difíceis amores”, Júlio Machado Vaz, Gabriela Moita e Leonor Ferreira, RTP
Realizador: Quentin Tarantino, “Sin City”
Descoberta Cinematográfica: "The Omen (I/II/III)", Richard Donner/Don Taylor/Graham Baker
Descoberta Literária: Nietzsche
Descoberta Musical: Tom Waits
Espectáculo: Fanfare Ciocarlia, TAGV
Mês: Maio
O Pior:
Filme: "House of Wax”, Jaume Collet – Sera
CD: “D’ZRT”, D’ZRT
Livro: ….
Programa de Televisão: “Fiel ou Infiel”, João Kleber, TVI
Realizador: Jaume Collet – Sera, “House of Wax”
Descoberta Cinematográfica: "Club Dread", Jay Chandrasekhar
Descoberta Literária: Cesário Verde
Descoberta Musical: David Hasselhoff
Espectáculo: Orishas, Latada de Coimbra
Mês: Março









