segunda-feira, novembro 21, 2005

Notícias de Itália

Ficam a saber que em Itália:
  • Dois dos maiores êxitos editoriais deste momento envolvem autores portugueses; nos escaparates das livrarias podem ver-se "Equatore" de M. Sousa Tavares (editora: Cavallo di Ferro) e "Le Intermittenze della Morte" de J. Saramago (editora: Einaudi).
  • Mariza e Madredeus são autênticos objectos de culto musical.
  • As obras de Fernando Pessoa têm sido editadas repetidamente, também devido ao trabalho excelente de tradução e de "promoção" de Antonio Tabucchi.
  • Por sua vez, Figo tem estado bastante apagado na Inter, Rui Costa já deu o que tinha a dar no Milan, Fernando Couto desapareceu da Lazio...

Precisamos de ser bons no que verdadeiramente merece a pena. É claro que nem todos têm a mesma opinião àcerca do que vale a pena... De vez em quando, é necessário sair de Portugal para nos apercebermos da qualidade de Portugal e para quebrar a onda de pessimismo e de auto-flagelação de que alguns Portugueses, em certos periodos, são tão pródigos.

sábado, novembro 19, 2005

Etnocentrismo e Racismo

Excerto de um texto que estive a analisar para a cadeira de Biologia e Comportamento, chamado, "Etnocentrismos", na Encicolpédia Enaudi.

«(...) a todo e qualquer nível de auto-identificação, "nós" estamos em condições de reconhecer a nossa existência como grupo agregado através da percepção de um contraste. "Nós" e "os outros" formamos um par de grupos homólogos, mas opostos entre si. (...) "Nós" não somos como "os outros" (...)

(...)

Nas nossas atitudes em relação a eles ["os outros", os que são diferentes de "nós"], misturam-se o medo, o ódio, mas também a inveja. Nos clássicos casos de racismo do mundo moderno, seja na África do Sul e nos Estados Unidos, como noutros lados, o etnocentrismo leva os membros da cultura branca, politicamente dominante, a desprezar as capacidades intelectuais dos seus vizinhos negros mas, ao mesmo tempo, a atribuir-lhes uma potência sexual verdadeiramente excepcional!»

EMPREGO NO FIM DO CURSO......... EXTRAORDINÁRIAS PERSPECTIVAS, SIM SENHOR!


(...) é evidente o "carácter dinâmico da construção social deste tipo de discriminação" com base no sexo: a "discriminação salarial ganha forma à medida que a inserção profissional se desenrola, penalizando indiscutivelmente as mulheres". Outro indicador revelador da diferenciação existente no mercado de trabalho e respectivas remunerações é o facto de 39,8 por cento dos homens receberem mais de mil euros, contra 32,2 por cento das mulheres.

(...)

Mas não é só no capítulo dos salários que se mantém uma discriminação mais do que constatada nas estatísticas internacionais e que parece continuar a afectar os jovens. Basta ver que 80 por cento dos que concluíram o curso entre 1999 e 2003 e que em Outubro de 2004 (data do inquérito) estavam desempregados eram raparigas. "Confirma-se a maior vulnerabilidade das mulheres ao desemprego, mesmo quando são detentoras de títulos escolares ainda raros no mercado de trabalho"

(...)

Os licenciados em Medicina, Física, Informática e Farmácia começam desde logo a trabalhar. Direito, Filosofia, Geologia, História e Psicologia são, em contrapartida, áreas com baixa empregabilidade imediata.

sexta-feira, novembro 18, 2005

E se...

E se o céu nunca escurecesse,
Quando chegam a noite e o luar…

E se o dia não se erguesse,
Devolvendo o brilho roubado às estrelas…

E se o mar fosse dourado e simples,
Como a doçura da infância…

E se o globo estivesse parado,
Numa quietude preguiçosa…

E se não houvesse impossíveis
E o tempo fosse perpétuo…

E se o tudo e o nada do universo
Se reduzissem à palma de uma mão…

E se o amor fosse apenas um olhar
Compenetrado num rosto meigo…

E se fosse possível desvendar
O porquê do ser…

The Village People no Pavilhão Atlântico, HOJE

"Macho Man", "In the navy" e "YMCA" são as mais conhecidas, deste grupo, que vai ser um dos presentes no espetáculo "Disco Fever"

UM CONCERTO CUJA EXISTÊNCIA SÓ SOUBE HOJE.

PORQUE É QUE A VIDA É TÃO INJUSTA?

Já me estava a imaginar a dançar na plateia.... Bem-aventurados os que o poderão fazer :P

Shakespeare abreviado

Clássicos britânicos traduzidos em linguagem SMS e a justificação é esta:


Aplicado à língua portuguesa, seria do género:

O poeta é um fingidor,/ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente = o pta e1finigdr, fing tao cmpltmnt q xga a fingir q e dr a dr q dvrs snt.


Agora lanço as questões:
  • A arte da literatura está só o conteúdo imediato da mensagem, ou a forma é o que lhe dá a maior beleza?

  • Até que ponto é que a literatura pode ser deturpada para que os "meninos da geração sms" aprendam mais rapidamente?

  • O que é melhor: ensinar a escrever bem ou incentivar a escrita abreviada?

Medos = medo da doença + medo da cura

Já nem no Tamiflu se pode confiar...

Excertos de um artigo publicado hoje no Financial Times:

Roche the Swiss pharmaceutical group, on Thursday moved to reassure investors after US regulators said they would on Friday examine reports of up to 12 deaths and 75 cases of children who suffered health problems after using Tamiflu, the company's anti-flu drug.

The news presents a dilemma for governments drawing up contingency plans to prepare for a potentially lethal bird flu-derived pandemic, for which Tamiflu is widely viewed as the most practicable short-term drug for treatment and prophylactic use.

It presents a fresh challenge to Roche, which has seen demand for Tamiflu rise sharply in recent months towards projected sales of $1bn (€860m) this year.

President George W. Bush, recently earmarked $1bn for buying pandemic stockpiles, and about 50 governments have placed similar orders.

Poema

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.


António Ramos Rosa

quinta-feira, novembro 17, 2005

SCUT (bis)

O Eng. Cravinho defendeu recentemente que as SCUT seriam rentáveis de um ponto de vista orçamental, isto é, as receitas que produzem excederiam os seus custos ao longo da vida das respectivas concessões. Ora, as receitas correspondem fundamentalmente aos impostos adicionais decorrentes do desenvolvimento da actividade económica, essencialmente, nas regiões atravessadas pelas SCUT (mais investimento, mais emprego, mais rendimento, mais impostos). As despesas, no caso das SCUT, são os pagamentos periódicos feitos pelo Estado aos concessionários.

Gostaria que me explicassem como é que as receitas seriam aumentadas unicamente em consequência da opção pelo esquema de financiamento SCUT.

Quanto às despesas, ou são adicionais (em comparação com uma auto-estrada com portagem financiada por um concessionário privado) ou diferidas (em comparação com um financiamento integral à cabeça pelo Estado).

Na realidade, o que conta é uma análise marginal, quer dizer: deve-se demonstrar que as SCUT são superiores do ponto de vista orçamental às fórmulas alternativas de financiamento.

No que se refere às receitas, se a comparação for feita com o esquema de auto-estrada com portagem, os agentes económicos (utilizadores-pagadores) das regiões atravessadas pela auto-estrada seriam menos propensos a criar riqueza e, portanto, a receita fiscal futura seria reduzida? Mas, nesse caso, os contribuintes não utilizadores sairiam beneficiados porque... não teriam de pagar! O unico efeito seria a redistribuição regional. Mas, em termos globais, o impacto sobre a receita fiscal deveria ser substancialmente neutro. Por outro lado, a ausência de despesa pública, no caso de auto-estrada com portagem financiada pelos privados, daria folga ao Estado para realizar outras despesas na mesma ou em diferentes regiões.

Se a comparação for feita com uma auto-estrada sem portagem totalmente financiada pelo Estado à cabeça, então a única putativa vantagem orçamental das SCUT dependerá da comparação do beneficio para os contribuintes actuais (menos impostos a curto prazo) com o custo para os contribuintes vindouros (mais impostos a longo prazo), dado o diferimento da despesa permitido pelas SCUT.

SCUT

As chamadas auto-estradas (AE) sem custo para os utilizadores (SCUT), de facto, não são gratuitas. Como é sabido, em economia, “there is no free lunch”… O que se passa é que quem paga aos concessionários privados não são os utentes (como seria o caso de uma AE com portagem) mas sim o Estado, isto é, em última instância, os contribuintes, tanto os que utilizam como os que não utilizam a AE. Isto significa que as SCUT são uma forma de redistribuição regional da riqueza. Pela SCUT da Beira Interior tanto paga o contribuinte-automobilista que a utiliza todos os dias, como o contribuinte-automobilsta do Algarve que a utilizará apenas algumas vezes por ano.

O mesmo efeito de redistribuição regional seria gerado caso o Estado construísse, financiasse e explorasse, ele próprio, a AE utilizando um dispositivo mais convencional de AE sem portagem. Então porquê as SCUT? Basicamente, por três razões:

1a. O Estado quer fazer beneficiar os cidadãos dos alegados “ganhos de eficiência” da iniciativa privada. Isto é: as empresas do sector privado seriam globalmente mais competentes e, portanto, mais económicas do que o Estado na concepção e execução do projecto de AE. Este é um argumento algo controverso porque uma eventual maior eficácia técnica pode ser mais do que compensada por custos mais elevados de financiamento e de consultoria, para além de os privados “imporem”, por vezes, condições contratuais algo leoninas. Também supõe esse argumento que o Estado seja, quase "geneticamente", menos eficaz.

2a. Dadas as restrições orçamentais bem conhecidas, o Estado não se pode permitir gastar à cabeça montantes tão elevados com essas infra-estruturas. Portanto, em vez de pagar tudo nos primeiros anos de construção e de exploração, o Estado vai pagando durante toda a vida da concessão, o que representa uma forma de distribuição inter-geracional: os contribuintes actuais são aliviados, mas os vindouros devem pagar mais, admitindo um nível de despesa futura inalterado (para além dos pagamentos SCUT). Obviamente que esse diferimento também tem um custo financeiro.

3a. O Estado quer repartir riscos com a iniciativa privada. Por exemplo, o pagamento periódico deve ser, em princípio, proporcional ao tráfego registado. O que quer dizer que, se o concessionário se engana nas previsões de tráfego, obtém menores receitas da parte do Estado e o seu investimento será remunerado abaixo das expectativas. Uma “justa” partilha de riscos é o aspecto mais difícil de pôr em prática numa parceria público-privado. Nas SCUT, o que se tem passado é um desequilíbrio em favor dos privados com o Estado a garantir compensações generosas em caso de circunstâncias adversas ao concessionário durante a vida da concessão, assegurando-lhe, assim, uma taxa de lucro mínima, ou seja, um investimento substancialmente sem riscos.

"A derrapagem financeira verificada nesta concessão SCUT é bem elucidativa da falta de rigor evidenciada, quer no lançamento do concurso e avaliação dos projectos, quer na gestão dos dinheiros públicos" (fonte: Relatório de Auditoria às Concessões Rodoviárias em regime SCUT do Tribunal de Contas, publicado em Maio de 2003). “Inicialmente, quando foi lançado em 1997, o programa SCUT previa o lançamento de 6 AE (uma sétima foi pouco depois acrescentada ao programa), com um custo de construção estimado de 1,34 mil milhões de euros. Hoje, contabilizando as alterações aos projectos iniciais e os reequilíbrios financeiros já pedidos, o custo de construção estimado situa-se nos 3,675 mil milhões de euros, ou seja, cerca de 175% mais” (fonte: Portal do Governo).

No link abaixo copiado encontra-se um verdadeiro requisitório contra as SCUT... no Portal do Governo. Será que o PS ainda não teve tempo para "censurar" os textos deixados pelo governo precedente que contém ideias que tão ferozmente atacou durante o recente debate do orçamento?

LINK

Woody Allen


Woody Allen está a fazer 70 anos, mas não os quer festejar. Deu recentemente uma entrevista ao "Corriere della Sera" na qual disse coisas como estas:
- nunca estive feliz mais do que 8 horas seguidas;
- tenho feito muitos filmes (em média, um por ano, por prescrição médica, para evitar depressões...), mas ainda me falta uma obra-prima;
- a velhice não dá sabedoria, mas sim surdez;
- sou um pessimista, mas o sexo é divertido;
- creio que o mundo é um pesadelo e que somos os piores inimigos de nós próprios.

França

(clicar na imagem para aumentar)

quarta-feira, novembro 16, 2005

Greenspaniano


Alan Greenspan, Presidente do Banco Central dos Estados Unidos (Fed), considerado um dos homens mais poderosos do mundo, à beira de se reformar, ficou também famoso pelo modo labiríntico e polissémico em que se exprimia, deixando campo livre a todo o tipo de interpretações e enganando, frequentemente, os especuladores àcerca do rumo da politica monetária norte-americana. Parece que, uma vez, durante uma conferência de imprensa, terá dito o seguinte:

"Se pareci claro, de certeza absoluta não compreenderam nada do que eu disse"

O contorcionismo desta linguagem (o "greenspaniano") seria de tal maneira consubstancial ao personagem que teria pedido duas vezes à jornalista Andrea Mitchell se queria casar com ele, o que acabou por suceder... Espero que a resposta não imediata da dita cuja tenha sido, de facto, devida ao estilo barroco do pedido e não a qualquer dúvida em relação aos termos do acordo pré-nupcial... É que o homem pode ser genial enquanto banqueiro e pode ter uma fortuna invejável mas não prima pelo sex-appeal.

terça-feira, novembro 15, 2005

Sabiam concerteza que a nossa Constituição define a República Portuguesa do seguinte modo:

  • "Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária" (artigo 1)
  • "A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa” (artigo 2)

Este deveria ser o programa do candidato a Presidente da República em que a maioria do povo vai votar.

Why affluence breeds intolerance

Extractos de um artigo de Richard Tomkins publicado no Financial Times em 14.11.2005.

Someone signing an online petition calling for “child-free” sections in North Carolina restaurants, added the comment: “Whenever a hostess asks me ‘Smoking or non-smoking?’ I respond ‘No kids!’” So there you have it: children are the new cigarettes.

The really odd thing is that in all the big ways we have become much more tolerant of others. Women, ethnic minorities and homosexuals are no longer oppressed or treated as second class citizens. Yet it is almost as though there were a fixed quantity of intolerance and, having been deprived of its old outlets, it has to find new ones. Racial segregation is banned, so you move on to smokers. Smoking is banned, so you move on to children, or mobile phone users, or people who drive sports utility vehicles.

More realistically, though, intolerance could be just an adjunct of greater spending power. As people become better off, the danger is that they can grow self-important. One consequence is that they become less tolerant of other people’s behaviour; yet paradoxically, they expect other people to be more tolerant of theirs. Perhaps rising prosperity should come with lessons in grace.

Fantástico, Melga !

Banalidades existenciais?


Recebo muitos e-mails (vulgo, spam) de gente desconhecida a tentar vender tudo: crédito, carros, amor, casas, sexo, livros, paz...

Vivemos numa sociedade de comércio que nos tenta convencer que as coisas ou têm um preço ou não valem a pena - it's just business, bio-business, isto é, vida transformada em business e business transformado em vida.

Ora, como diz uma canção (salvo erro de Tina Turner...), "the best things in life are those for free".

Blog

Post Secret

Um blog para o qual leitores anónimos enviam segredos em postais. Encontram-se confissões cómicas, tristes, banais, originais.... Um pouco de tudo.

É actualizado todos os domingos. Aconselho!

Aqui estão dois exemplos:


Esteve lá perto;)

You Should Get a MD (Doctor of Medicine)

You're both compassionate and brilliant - a rare combination.
You were born to be a doctor.

segunda-feira, novembro 14, 2005

guess who they are...


Billy Gibbons, Dusty Hill & Frank Beard (born at Houston in 1969)

Escolhas presidenciais

Cavaco só ganharia à primeira volta se recolhesse o voto de um número significativo de pessoas que votaram à esquerda nas últimas eleições legislativas (e autárquicas). Admitindo que assim não seja e que nenhum candidato de esquerda consiga ganhar à primeira volta (dada a dispersão dos candidatos de esquerda e fidelidades que suscitam), haverá necessariamente uma segunda volta.

Assim, à primeira volta, os eleitores de esquerda podem exprimir as suas preferências (sem engolir "sapos vivos" e sem respeitar lógicas de "voto útil")... na condição de não votarem em Cavaco. De facto, o que esses eleitores decidirão é quem irá disputar a segunda volta com Cavaco. Soares ou Alegre? Parece-me uma escolha de que serão essencialmente responsáveis os eleitores socialistas. Isto é: os conflitos internos do PS irão ter um papel decisivo na escolha do próximo Presidente da Républica. Nada de novo...

domingo, novembro 13, 2005

Taxas de juro e o bolso dos devedores de empréstimos imobiliários

Hipóteses:
- agregado familiar com um rendimento disponível mensal de 5 salários mínimos, isto é, qualquer coisa como 375 contos (1 875 euros);
- compra um apartamento por 30 000 contos (150 000 euros);
- endivida-se em 20 000 contos (100 000 euros), ficando a pagar prestações mensais (constantes em capital e juros) durante 20 anos;
- paga actualmente uma prestação mensal de 134 contos (669 euros), ou seja, 36% do rendimento disponível, assumindo uma taxa de juro de 5% (+/- Euribor + 2%).

Se a taxa de juro passar para 10% (mantendo-se tudo o resto constante), a prestação passará para 196 contos (979 euros), equivalente a 52% do rendimento disponível!

Não será preferível negociar empréstimos a taxa fixa (isto é, que não varia com a oscilação das taxas de referência do mercado), aproveitando os níveis actualmente baixos das taxas de juro (em termos reais e nominais) e a expectativa da continuação do seu aumento a curto / médio prazo?

Depende das expectativas concretas de cada um, sobretudo, em relação às taxas de juro, mas também em relação à evolução (a) do preço das casas, (b) das rendas, (c) do rendimento disponível e (d) da existência de património alternativo que permita um reembolso antecipado em caso de deterioração das taxas. Normalmente, (a) e (b) são positivamente correlacionados.

Depende também do poder negocial com os bancos... que é normalmente bem limitado. Muitos contratos impedem a passagem de taxas variáveis a taxas fixas ou o pagamento de penalidades fortemente dissuasoras.

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Um blog para quem gosta de publicidade... de qualidade.

(clicar nas imagens para ampliar)


Spider's Web - Katie Melua

foto retirada de Olhares.com


If a black man is racist, is it okay
If it's the white man's racism that made him that way
Because the bully's the victim they say
By some sense they're all the same

Because the line between
Wrong and right
Is the width of a thread
From a spider's web
The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind

I could tell you to go to war
Or I could march for peace and fighting no more
How do I know which is right
And I hope he does when he sends you to fight

Because the line between wrong and right
Is the width of a thread from a spider's web
The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind

Should we act on a blame
Or should we chase the moments away
Should we live
Should we give
Remember forever the guns and the feathers in time
Because the line between wrong and right
Is the width of a thread from a spider's web
The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind
The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind

sábado, novembro 12, 2005

Cartas ao Pai Natal

Neste blog, os candidatos à Presidência da República escreveram as suas cartas.
Elucidativas, no mínimo.

A Queda

Vi ontem (finalmente...) em DVD o filme de O. Hirschbiegel "Der Untergang" ("A Queda"). Houve muita polémica, designadamente, na Alemanha em torno deste filme. Alguns comentadores acharam-no um espectáculo de exibicionismo gratuito dos últimos dias de um louco transformado num dos maiores criminosos da história da Humanidade. Outros consideraram-no útil para ajudar à catarse do povo alemão.

Adorei a interpretação súblime de Bruno Ganz cuja semelhança física com Adolf Hitler é espantosa. Gostei do modo como o povo alemão é posto (honestamente) em causa.
Um fenómeno assim não é fruto de geração espontânea nem de um "putsch" de uma minoria violenta que se mantém no poder à custa de repressão generalizada. É óbvio que houve repressão. Os judeus, os fracos e os dissidentes foram brutalmente eliminados. Contudo, o nacional-socialismo contou com o apoio activo de largas camadas da população, cujo mal-estar, que se seguiu à derrota da I Guerra Mundial e à Grande Depressão, foi instrumentalizado pelos nazis através da maior manobra de manipulação colectiva de que há memória. Outros analistas vão mais longe e chegam a insinuar que existiria uma espécie de "maldição germânica" profunda que teria sido o caldo favorável a Hitler. Digamos que os Alemães teriam uma predisposição (cultural) para se auto-considerarem superiores e para tentarem dominar os outros povos (relegados à categoria de "inferiores"). É verdade que as obras de homens como Nietzsche (atente-se em particular no seu conceito de "vontade de potência"), Heidegger ou Wagner foram conhecidas fontes de inspiração do anti-semitismo e do expansionismo nazi. Esse é, no entanto, um tema apaixonante, algo perigoso e inesgotável...

Gostaria apenas de citar uma frase de Hitler (i.e. de B. Ganz) proferida em determinado momento do filme que me impressionou e que diz muito àcerca da personalidade do dito cujo:

"Se a guerra está perdida, pouco me importa que o povo morra. Não contem comigo para verter uma única lágrima que seja. O povo não merece outra coisa." A lógica hedionda e assassina por trás desta afirmação é a seguinte: quem é derrotado, é fraco; quem é fraco não merece viver.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Ciclo de Cinema "Paixão"

(...) O cinema foi tratando das paixões. Alimentou-as, apossou-se delas na gulosa autenticidade da recriação. Centenas de filmes que são hoje títulos inapagáveis da história das imagens em movimento têm como trama esta temática. E marcaram indelevelmente a memória de milhões de espectadores (...)

Um ciclo dedicado aos filmes fulcrais que abordam o tema da "Paixão" da Península Ibérica e da América Latina.

A não perder, no Teatro Académico Gil Vicente, de 14 a 22 de Novembro:

14/11
18.00 - Inês de Castro (Leitão Barros, Portugal, 1945)
21.30 - Amor de Perdição (Manoel de Oliveira, Portugal, 1978)

15/11
18.00 - Eu sei que vou te amar (Arnaldo Jabor, Brasil, 1986)
21.30 - Sem sombra de pecado (José Fonseca e Costa, Portugal, 1982)

16/11
18.00 - Amantes (Vicente Aranda, Espanha, 1991)
21.30 - Verdes Anos (Paulo Rocha, Portugal, 1963)

17/11
18.00 - Sol de Otoño (Eduardo Mignogna, Argentina, 1996)
21.30 - El (Luís Buñuel México, 1953)

21/11
18.00 - Inês de Portugal (José Carlos de Oliveira, Portugal/Espanha, 1997)
21.30 - Habla con Ella (Pedro Almodôvar, Espanha, 2002)

22/11
18.00 - Mil nubes de paz cercan el cielo, Amor, jamás acabarás de ser Amor (Julián Hernández, México, 2003)
21.30 - Y tu Mamá también (Alfonso Cuarón, México, 2000)

O preço das ideias

Giordano Bruno nasceu em Nola (perto de Nápoles) em 1548. Entrou na ordem dos dominicanos em 1565. Pouco tempo depois, G. Bruno contesta a ortodoxia e começa a exprimir um espírito rebelde. A sua curiosidade intelectual leva-o à leitura de Erasmo, humanista considerado herético desde 1559. Giordano navega no hermetismo e na magia, iniciando uma enorme paixão pela cosmologia. É expulso da ordem dominicana em 1576, nomeadamente, por ter retirado da parede da sua cela uma imagem da Virgem Maria e por rejeitar o dogma da Santíssima Trindade.

Em 1578 sai de Itália e divaga pela Europa. Acumula problemas com os mentores do poder espiritual da época por ousar pensar livremente. Foi excomungado pelos calvinistas de Genebra, foi recebido com hostilidade pelos anglicanos de Oxford e de Londres.

Em 1584, são publicadas as suas obras principais (“O Banquete das Cinzas”, “A Causa, o Princípio e a Unidade”, “Do Infinito, do Universo e dos Mundos”), nas quais expõe uma visão cosmográfica revolucionária, quase visionária. Refuta a velha concepção do geocentrismo e apoia a representação do mundo de Copérnico (heliocentrismo), excedendo-a: “o universo é infinito, povoado por uma multiplicidade de mundos análogos ao nosso”. Concebendo um mundo aberto, que sempre existiu e que sempre existirá, G. Bruno dá um salto na Imensidão. Contudo, permanece ancorado no seu tempo, acrescentando às suas intuições geniais credos herméticos, mágicos e animistas...

A audácia de G. Bruno atinge um ponto culminante com a publicação de “Os Furores Heróicos”, no qual defende a ideia de um mundo desprovido de centro, em que Deus não tem lugar.

Entre 1586 e 1588 exila-se na Alemanha, ensinando nas universidades de Magdburg e de Wittenberg. Mas, uma vez mais, vai contra as hierarquias e acaba por ser excomungado, desta vez, pela igreja luterana.

Em 1591 regressa a Itália, a Veneza. Um falso amigo denuncia-o à Inquisição. Em 23 de Maio de 1592, G. Bruno foi preso e presente ao Santo Ofício. O seu processo durou oito longos anos, durante os quais foi submetido a todo o tipo de sevícias físicas e morais. O Papa Clemente VIII tentou acabar com o processo, propondo a G. Bruno o perdão em troca de uma declaração de arrependimento. A sua resposta foi a seguinte: “Não temo nada e não renego nada e não sei o que deveria renegar”. Em 20 de Janeiro de 1600 Clemente VIII ordena ao Tribunal do Santo Ofício que se pronuncie. Após a leitura da sentença que o condena a ser queimado vivo, G. Bruno diz: “sentis vós mais medo e dúvida a pronunciar essa sentença do que eu a aceitá-la”.

No dia 17 de Fevereiro de 1600, após ter saído de Castel Sant’Angelo e percorrido várias ruas estreitas de Roma (incluindo Via del Pellegrino) escoltado por soldados da Cúria, G. Bruno foi queimado vivo na praça de Campo Dei Fiori, onde se encontra, ainda hoje, uma estátua magnífica em sua memória.

PS: O Cardeal Belarmino que instruiu os processos de G. Bruno e de Galileu foi canonizado em 1930.

Se fizerem uma pesquisa em Google com o nome do livre-pensador terão acesso a informação abundante, nalguns casos, de qualidade duvidosa. Para quem quiser de facto aprofundar a sua biografia e a sua obra aconselharia o livro de Anacleto Verrecchia intitulado precisamente “Giordano Bruno”, Donzelli Editore, Roma, 2002. Desculpem o diletantismo, mas não sei se existe tradução em português.