quinta-feira, março 04, 2010

Bullying


A "não existência de registos" não significa que o que não está registado não aconteceu, sim?

Esta reflexão surge devido às reacções do Ministério da Educação, da Escola e da Associação de Pais perante o caso da criança desaparecida no rio Tua, que se suspeita ter-se suicidado depois de ter sido vítima de bullying.

Pode ler-se no Público Online:

"Nem a escola, nem a Comissão de Protecção de Menores e Jovens têm registo de casos de "bullying" (...) O presidente da Associação de Pais, António José Ferreira, corroborou hoje a mesma informação, afirmando que neste órgão não existe qualquer queixa em relação à criança em causa."

Vamos lá ver se nos entendemos... O bullying é um fenómeno marcado pelo silêncio das vítimas. Qualquer pessoa com alguns conhecimentos sobre o assunto sabe-o.

Trata-se do "repetido ataque físico, psicológico, social ou verbal por aqueles que estão numa posição de poder - formal ou situacionalmente definida - aos que não têm capacidade de resistir, com a intenção de provocar mal-estar para sua própria vantagem ou gratificação". Pode, então ser detectado se se verificar:
  • Uma forma de agressão proactiva/intencional;
  • Uma relação desigual de forças (o agressor tem uma posição de poder relativamente à vítima e agride-a para sua vantagem ou gratificação);
  • Dano, medo, perturbação ou injúria à vítima, indutores de sentimentos de inferioridade;
  • Um carácter repetitivo ao longo do tempo.
O bullying tende a ocorrer onde os adultos não estão presentes e quando os adultos não estão a olhar e, em grande parte dos casos, quem observa não intervém, talvez por medo, ou talvez por desconhecimento do fenómeno em toda a sua dimensão.
É preciso que se quebre a regra do silêncio que se instala à volta do bullying. A vítima precisa de ser protegida, começando pela consciencialização da comunidade!

Isto tudo para dizer que, não conhecendo os factos, claro que não posso dizer se era um caso de bullying ou não, mas não se pode eliminar essa hipótese só porque não há registos!

E esta história de só se olhar para os registos/provas formais como únicos elementos de reflexão anda a tornar-se uma obsessão que provoca uma cegueira indescritível neste país!

1 comentário:

Miguel disse...

Acho que não é cegueira. Trata-se mais de negação para não pôr em causa as insuficiências das instituições e quem nelas manda.