Velhos? Velhos são os outros. Serão sempre os outros. Os velhotes, de cabelos brancos ou cinzentos. As vítimas das rugas. Os que têm as dores, que passam a vida a fazer exames e a queixar-se da falta de energia, do que acham que deveriam sofrer para merecer ainda mais o respeito e a compaixão dos semelhantes, a blasfemar a cor do céu e a humidade e o frio. Velhos são sempre os outros que nos são estranhos e distantes, no tempo e nas preocupações.
Pois bem, vai deixando de ser assim...
Obviamente, não me acho velho. Muito menos velhote. Ainda tenho umas solas a gastar, pois claro! Mas começo a admitir a hipótese (teórica) de que alguém (mais jovem) me ache velho ou quase velho ou maduro ou com uma idade típica de pessoas que se fazem respeitar pela aparência. Acho que poderei começar a parecer aos outros o que só os outros me tem parecido: velhos! Mas, claramente não me sinto velho. Para mim, são os outros que continuam a ser velhos. Alguns jovens insolentes podem olhar para os poucos cabelos esbranquiçados que resistem à minha careca como prova inelutável da minha velhice.
Estarei a desistir? Temo que este "ser visto pelos outros como velho" seja meio caminho andado para me sentir eu próprio velho. Eu disse meio caminho, não todo o caminho! Porque eu nunca serei velho. Velhos são e serão os outros que representam aos meus olhos o papel de velhos, tão diferente do que hei-de continuar a ser (ou a representar para mim mesmo).
2 comentários:
A isso chama-se: "crise da meia idade" ;)
Desculpem a minha picada de "irmão" Melga...também velho aos olhos de outros mas que constata a realidade dos "jovens Velhos".
Curioso, também eu escrevi um post sobre a velhice.
Vou continuar atento às vossas picadas.
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